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Academic year: 2021

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Mercado Futuro de Índice de Ações

Derivativos de Índice de Ações

A apresentação resumida dos principais índices de ações, mostrando como eles representam um conjunto de ações de companhias listadas para negociação em Bolsa, dá inicio ao entendimento do mercado derivativo de índices, suas características e aplicações. Origem, critério de apuração e utilidade como ferramenta de análise econômica também são discutidos para completar esta visão inicial.

TÓPICOS

1) O que são os derivativos de índices de ações? 2) Para que servem os derivativos de ações? 3) Riscos de preços (sistemático e não-sistemático) 4) Considerações finais

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1. O que são os derivativos de índices de ações?

Dá-se o nome de derivativos de índices de ações, aos contratos a termo, futuros, de opções e swaps referenciados numa cesta de ações.

Definição

Ações: representam uma parte pequena (a mínima parte) em que está dividido o capital de uma empresa constituída como sociedade anônima.

A soma ponderada dos valores de cada ação de uma cesta forma um índice: um número que varia toda vez que muda o preço de uma ação ou sempre que se altera a quantidade de uma ou mais ações dessa cesta. Devido a esta característica dos índices de ações, é possível utilizá-los como ativo objeto dos derivativos para gerir o risco de variação de preços de uma ação ou de um conjunto delas. Tudo o que precisamos conhecer são os critérios de composição do índice e a relação que existe entre as variações de preço de uma ação e o próprio índice.

A cesta de ações admite diversas formas de composição:

a. A forma mais simples de formar um índice é incluir todas as ações negociadas em um certo mercado. Este é o critério utilizado em índices como o NYSE Composite e o Nasdaq Composite.

b. Uma forma alternativa é selecionar um subconjunto de ações que se considere representativo de seu mercado. Para isso, pode-se utilizar:

i. critérios subjetivos, por exemplo, definir o índice composto pelas “n” ações consideradas mais significativas. Este é o critério utilizado em índices como o Dow Jones Industrial Average e o Nikkei 225;

ii. critérios objetivos, tais como: exigir que o índice seja composto pelas “m” ações mais negociadas (exemplo disso é o Ibovespa) ou pelas “s” ações com mais alto índice de outstanding – exemplos deste tipo de índice são os apurados pela Morgan Stanley Capital International (http://www.msci.com/us/index.html) e o S&P 500 que, em 2005, deverá adotar esta metodologia.

Essas formas de composição ainda admitem subtipos dependendo do critério de ponderação de cada ação selecionada.

Importante!

NYSE Composite Index: índice formado por todos os títulos mobiliários (ações, ADRs e títulos de investimento imobiliário) negociados na New York Stock Exchange (NYSE). Mais de 2.000 ações fazem parte do índice, sendo cerca de 80% delas relativas a empresas norte-americanas e 22% ligadas à área financeira. Veja mais informações em:

www.nyse.com/marketinfo/indexes/nya.shtml

Nasdaq Composite Index: índice formado por mais de 3.000 títulos mobiliários negociados no maior mercado eletrônico dos Estados Unidos. Criado em 1971, o índice incorpora diversos títulos como ADRs e títulos de investimento imobiliário, além de ações das empresas de base tecnológica

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Composite Index.

Dow Jones Industrial Average (DJIA): índice composto por 30 ações, negociadas na NYSE, de empresas líderes em certos setores industriais. Criado em 1896, trata-se do mais antigo índice de ações existente. Veja mais informações em: www.nyse.com/marketinfo/indexes/dji.shtml

Índice Nikkei 225 ou “Nikkei Stock Average”, inicialmente lançado pela Tokio Stock Exchange em 1950, hoje é apurado pela “Nihon Keizai Shumbun Inc.”, reúne as 225 ações selecionadas com um critério semelhante ao índice Dow Jones Industrial Average.

Ibovespa: calculado pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), constitui-se no mais importante índice acionário do mercado brasileiro. Começou a ser computado no início de 1968 e possui em sua carteira teórica as ações de maior negociabilidade. Adquira mais informações em: http://www.bovespa.com.br/Mercado/RendaVariavel/Indices/FormConsulta ApresentacaoP.asp?Indice=Ibovespa

S&P500: índice elaborado pela empresa de consultoria Standard & Poor´s a partir dos preços de ações das 500 companhias líderes nos setores mais importantes da economia norte-americana. É negociado na Chicago Mercantile Exchange (CME). Veja mais informações em:

www.standardandpoors.com - Link: Índices Definição

Outstanding: índice que mede o valor das ações que estão em poder do mercado em relação com o total de ações emitidas por uma sociedade anônima.

O objetivo das diversas metodologias utilizadas para construir índices acionários é definir um procedimento de cálculo que permita mostrar em um só número a evolução do conjunto das ações que representa. Na medida em que isso ocorre, o índice estará indicando a evolução de um determinado setor ou da economia como um todo – caso seja utilizado, em sua formulação um conjunto amplo de ações de empresas de diversos setores.

Observe, no gráfico abaixo, a evolução dos principais índices americanos nos últimos 12 anos. Até o ano 2000, a valorização das empresas da "nova economia" (que trabalham com tecnologia de ponta) marcou a diferença entre os índices relacionados. O crescimento do Índice Nasdaq explodiu nos últimos anos, mas declinou em 2001 quando a economia mundial começou a dar sinais de recessão. A queda se agravou ainda mais no mês setembro desse ano, após o ataque terrorista à Nova Iorque. Em 2002, a desvalorização das ações foi intensa, agravada pelo quadro recessivo da economia norte-americana e pelas fraudes contábeis de grandes empresas deste país. Após a significativa valorização de 2003, o aumento dos preços do petróleo, o crescimento dos ataques terroristas na Europa e Oriente Médio e dúvidas quanto à condução da política monetária norte-americana provocaram retrocessos das cotações em boa parte de 2004. Entretanto, nos últimos meses desse ano novas altas ocorreram após o resultado das eleições norte-americanas e a queda das cotações do barril do petróleo.

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Evolução dos Índices S&P500, Nasdaq Composite e Dow Jones Industrial Average entre 1993 e 2004

À semelhança do ocorrido nos mercados mundiais, as ações das empresas brasileiras valorizaram-se acentuadamente no mercado nacional nos anos noventa e tiveram queda significativa em 2001, potencializadas pelos ataques terroristas aos EUA e pela forte crise político-econômica da Argentina. Em 2002, a tendência também foi de baixa. Além da recessão da economia americana, o Brasil passou por incertezas no campo político e

econômico, surgidas no processo de eleição presidencial de 2003. Após a significativa

valorização de 2003, o aumento dos preços do petróleo, os ataques terroristas na Europa e Ásia e as dúvidas quanto à consolidação da política monetária norte americana provocaram retrocessos nas cotações em boa parte de 2004.

Veja, a seguir, os detalhes da evolução do mercado acionário no Brasil e os principais fatos desse período.

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Evolução do Índice Bovespa (fev/1986 a fev/2005)

Fonte: Bovespa

Um grande número de índices de ações é ativo objeto de contratos futuros, negociados em diversas Bolsas do mundo. Desde 1982, o contrato futuro de índice de ações mais

popular é o de índice S&P 500, operado na Chicago Mercantile Exchange. Mas há muitos

outros.

No início da década de 1990, vários contratos futuros de índices de ações negociados em outros países passaram a compor o ranking dos mais negociados no mundo – Dow Jones, Nasdaq 100, Dow Jones Transportation e Fortune 500, dentre outros. No Brasil, o principal índice acionário negociado a futuro é o Índice Bovespa, cujos pregões são organizados pela Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).

O surgimento e consolidação destes mercados em diversas bolsas do mundo, definiram um novo cenário para investidores, facilitando a gestão de administradores de carteiras de ações.

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2. Para que servem os derivativos de ações?

Como todo mercado derivativo, os contratos futuros sobre índice de ações são instrumentos que possibilitam a realização de operações de hedge e de estratégias de

arbitragem e especulação pelos agentes do mercado. Definições

Hedge: operações realizadas nos mercados derivativos (futuros, opções ou swaps) com o objetivo de administrar o risco decorrente das variações de preços de uma commodity, tais como um índice de ações.

Arbitragem: tipo de operação realizada simultaneamente em dois ou mais mercados de um mesmo produto, comprando onde estiver mais barato e vendendo onde é mais caro. A arbitragem ocorre ao longo do espaço (isto é, entre diferentes praças), mas pode também ser realizado ao longo do tempo, entre contratos futuros com diferentes vencimentos.

Várias são as vantagens decorrentes do uso dos mercados de derivativos de ações, dentre elas:

a) Identificação de tendências: os mercados futuros de índice de ações refletem a expectativa presente sobre o comportamento futuro do mercado acionário e, portanto, do ambiente econômico. Devido aos reduzidos custos transacionais e à conseqüente liquidez, estes mercados captam as mudanças de expectativas dos agentes econômicos antes mesmo que reflitam sobre o comportamento das ações e dos próprios índices acionários.

Exemplo

A cotação do contrato futuro de Ibovespa, vencimento fev/05, no dia 01/07/2004, foi de 23.431 pontos, mostrando com oito meses de antecedência a magnitude da alta esperada (e posteriormente confirmada). Definição

Liquidez: atributo de um mercado com muitos participantes e com alta freqüência de operações, o que permite vender ou comprar de forma rápida, confiável e sem fazer concessões com relação ao preço praticado naquele momento.

b) Proteção contra riscos: agentes dedicados à gestão de carteiras de ações têm nos mercados derivativos de índice um importante instrumento de proteção do valor do patrimônio administrado. Um fundo de previdência privada, por exemplo, pode minimizar a perda decorrente de uma queda acentuada no valor das ações em carteira negociando contratos futuros.

Exemplo

Em um cenário de queda de preços, o fundo que assumir posições vendidas no mercado futuro obterá ganhos nesse mercado que compensarão ou minimizarão a perda no valor das ações.

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c) Financiamento de posições: através de operações simultâneas nos mercados a vista e futuro, os agentes podem garantir um retorno mínimo para a totalidade ou parte de seus investimentos.

Exemplo

A compra de uma carteira de ações e a venda simultânea de contratos futuros do índice, permite fixar antecipadamente o preço de venda da carteira e, portanto, predefinir o rendimento do investimento original.

d) Alocação eficiente de recursos: transações com derivativos de índices de ações permitem reduzir ou aumentar a exposição de uma carteira diversificada de ações, visando aproveitar eventuais desalinhos de preços, de maneira rápida e barata. Posições sintéticas compradas ou vendidas podem ser usadas para melhor aproveitar os movimentos (altas ou baixas) do mercado, sem necessidade de operar nos mercados a vista.

Exemplo

O rendimento esperado de uma carteira de ações pode ser potencializado assumindo posições no mercado futuro em proporção diferente à necessária para realizar o hedge.

Investidores institucionais, como fundos de pensão, fundos mútuos, seguradoras, administradores de recursos e de fundos de previdência, que são importantes participantes do mercado acionário, encontram muitas utilizações para os futuros e as opções sobre futuros de índices de ações. Para eles, os mercados futuros de índices podem reduzir significativamente os custos de transação (não há necessidade de negociar cada um dos ativos que os constituem) e, inclusive, em muitos mercados derivativos, a liquidez de produtos de índice costuma ser maior que a do ativo-objeto, o que torna mais fácil e barato a entrada e saída do mercado.

A inexistência de restrições sobre a venda a descoberto de futuros de índices de ações, por outro lado, é um fator importante para o administrador de carteira interessado em reduzir rapidamente sua exposição. À diferença do que é exigido na venda a descoberto das ações, não é necessário tomar ações emprestadas para assumir uma posição vendida a futuro.

Todavia, o principal fundamento dos mercados futuros de índices de ações é a gestão de riscos de variação de preços das ações. A instabilidade no comportamento das cotações e o decorrente risco, a que se expõem os investidores, constituem o fundamento para que os detentores de carteiras de ações procurem contratos futuros de índices para protegerem o valor dessas carteiras.

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3. Riscos de preços (sistemático e não-sistemático)

Associada à posse de uma ação qualquer, encontra-se uma expectativa de receita ou retorno, que expressa o que se espera que ocorrerá com o capital da empresa. Se as perspectivas dessa empresa são boas, o valor de uma participação na empresa “bem-sucedida” tenderá a aumentar. Todavia, nada se pode dizer sobre a magnitude do aumento, nem da forma como fatores externos a ela afetarão esse movimento de preços. De fato, ainda há uma probabilidade da ação diminuir de preço em vez de aumentar. Pode-se dizer que existe um risco associado a cada empresa formado por dois componentes: o risco sistemático e o não-sistemático. Vejamos isso com um exemplo. Suponhamos um investidor que possua ações de uma fábrica de veículos a gasolina. A introdução, com sucesso, de veículos movidos a álcool no mercado poderá afetar negativamente o valor das ações de empresas produtoras de carros a gasolina. Esse risco poderia ser contornado se o investidor incluísse, na sua carteira, empresas produtoras de carro a álcool. Assim, a desvalorização das ações da fábrica de carros a gasolina poderia ser mais do que compensada pela valorização das ações da fábrica de carros a álcool.

Entretanto, se, por exemplo, fossem elevadas as taxas de juro, todas as empresas da economia seriam afetadas de forma negativa pela elevação dos seus custos financeiros, com reflexos evidentes nos preços de suas ações. Esse risco não pode ser reduzido ou eliminado pela diversificação das aplicações (estamos desconsiderando aqui o caso de uma empresa plenamente capitalizada, sem dívidas junto ao setor financeiro, porque, mesmo a elevação das taxas de juro, não tenderia a impactar o preço de suas ações). Resumindo, o risco total de um ativo ou de uma carteira de ativos pode ser fracionado em dois componentes, que se originam de fontes distintas:

Risco total = risco sistemático + risco não-sistemático

Onde:

ƒ O risco sistemático de uma carteira ou ativo corresponde ao risco de mercado, também chamado de risco diversificável. Pode-se dizer que o risco não-diversificável é a parcela de risco macroeconômico no risco total;

ƒ O risco não-sistemático ou diversificável, que depende do comportamento particular de determinada indústria ou empresa. Pode-se dizer que o risco diversificável é a parcela de risco microeconômico no risco total.

Uma carteira particular pode possuir riscos altos, decorrentes dos riscos individuais de suas ações, independentemente da magnitude do risco de mercado. No entanto, os riscos de uma carteira podem ser reduzidos ou eliminados pela diversificação de suas ações. Se a seleção das ações que a compõem for adequada, o risco diversificável pode ser virtualmente eliminado, cabendo ao risco de mercado explicar, dominantemente, o risco total do portfólio.

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Dentre elas, destacam-se os altos custos de transações e as possíveis quedas (altas) de preços devido às vendas (compras) de lotes grandes.

Modernamente, os mercados futuros de índices de ações podem substituir, de modo eficiente, os métodos tradicionais de redução de risco sistemático, permitindo a separação do risco de mercado do risco específico. Compras e vendas de contratos futuros sobre índices de ações, que representam carteiras diversificadas (nas que o risco não-sistemático foi substancialmente reduzido), permitem o hedge contra variações nas condições de mercado contrárias à posição assumida no mercado a vista. À diferença de outras commmodities negociadas em mercados futuros, no entanto, as condições e procedimentos para realizar o hedge exigem a consideração de alguns fatores adicionais vinculados ao tipo de índice e, principalmente, à relação existente entre comportamento do índice e comportamento da carteira que está sendo hedgeada.

4. Considerações finais

A utilização dos mercados de derivativos de índices de ações é fundamental para os agentes que participam deste mercado (fundações de seguridade, seguradoras, fundos mútuos de ações, clubes de investimento em ações e fundos de investimento, entre outros). Além de tornar possível a realização de operações de hedge, os derivativos proporcionam uma maior visibilidade das expectativas predominantes numa economia.

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