Estatística Aplicada | Gestão Pública & Contabilidade e Fiscalidade
ESTATÍSTICA DESCRITIVA
1. Introdução
1. SUMÁRIO
1.
O que é a Estatística e seus objectivos
2.
Breve nota histórica
3.
Estatística Descritiva e Inferência Estatística
4.
O método estatístico
1. O que é a Estatística e seus objectivos
Definição:
Ciência que dispõe de processos apropriados para recolher, organizar,
classificar, apresentar e interpretar conjuntos de dados
A Estatística é um método de análise numérica de conjuntos constituídos por um grande número de elementos, método de estudo de fenómenos que apresentam variabilidade e incerteza.
Objectivo:
Analisar os dados recolhidos, extraindo informação, descrevendo-os e
organizando-os
para
posterior
interpretação
das
situações
que
representam e eventual utilização na previsão de acontecimentos futuros
Resumidamente…
Estatística é um instrumento
de leitura da informação e da sua
transformação em Conhecimento.
Estas decisões permitem melhorar a gestão de um departamento ou de uma empresa ou podem, inclusivamente, repercutir-se em toda a economia.
A tomada de boas decisões deve-se em parte ao evitar pressupostos ou hipóteses que estejam errados.
A utilização de ferramentas estatísticas permite evitar que determinados concepções/ideias sejam encaradas como verdades absoluta . As decisões baseiam-se em princípios mais gerais e mais prováveis.
É além disso uma ciência que se ocupa de estratégias e decisões em contextos de variabilidade e incerteza. Serve de suporte no processo de tomada de decisões válidas em situações de informação incompleta ou controversa.
2.
(Muito)Breve nota histórica
In www.educ.fc.ul.pt/icm/icm2003/icm24/index.html
O primeiro dado disponível sobre um levantamento estatístico foi referido por Heródoto, que afirmava ter-se efectuado em 3050 a. C. um estudo das riquezas da população do Egipto com a finalidade de averiguar quais os recursos humanos e económicos disponíveis para a construção das pirâmides.
A estatística é a Ciência do Estado: não pode haver organização administrativa sem apoio estatístico, ainda que no sentido de inventário/arrolamento.
Por volta do séc. XXII A.C. já os chineses realizavam inventários mais ou menos regulares da população. Sabe-se também que o Imperador César Augusto lançou um édito para ser recenseada toda a terra.
A Estatística no sentido moderno remonta ao século XVII quando começou a surgir um tratamento mais elaborado de dados relativos a Demografia , Economia, Saúde Pública no contexto da “Escola dos Aritméticos Políticos” (John Graunt. William Petty e outros).
Simultaneamente começaram a aplicar-se à estatística conhecimentos de matemática.
Uma nova fase de grande desenvolvimento surgiu com a sua aplicação aos jogos de azar (Cavaleirode Méré, Pascal, Fermat, etc). É nesta fase que também se verifica um grande desenvolvimento o Cálculo das Probabilidades.
A aplicação aos fenómenos sociais marcou o arranque definitivo do seu desenvolvimento e importância. Isto em meados do séc. XIX.
3. Estatística Descritiva e Inferência Estatística
ESTATÍSTICA DESCRITIVA
INFERÊNCIA ESTATÍSTICA
Recolher
Organizar
Sumariar
Analisar
Representar
Prever valores dos parâmetros da
população
Testar hipóteses sobre os valores dos
parâmetros da população (conceitos a
definir nos próximos tópicos)
Tomar decisões
No âmbito da
Estatística Descritiva
procura-se representar de forma inteligível a
informação contida num conjunto de dados relativos a um dado evento. Esta
tarefa adquire grande relevância quando o volume de dados é significativo e
concretiza-se na construção de tabelas, gráficos ou cálculo de medidas que
representem convenientemente a informação contida nos dados (para
posterior dedução das leis que regem esses eventos).
O objectivo da
Inferência Estatística
é mais ambicioso e, naturalmente, as
metodologias e técnicas utilizadas são mais sofisticadas. Com base na análise
de um conjunto limitado de dados, pretende-se caracterizar o todo a partir do
qual tais dados foram obtidos. Consiste na aplicação de métodos científicos
para inferir, tirar conclusões e tomar decisões sobre um conjunto com base na
análise de uma parte.
4. O método estatístico
No estudo de um problema envolvendo métodos estatísticos, estes devem ser utilizados mesmo antes de se recolher a amostra, isto é, deve-se planear a experiência que nos vai permitir recolher os dados, de modo a que, posteriormente, se possa extrair o máximo de informação relevante para o problema em estudo, ou seja para a população de onde os dados provêm:
1. Identificação correcta do problema
2. Definir e planear a experiência
3. Recolha da informação necessária relevante para o problema em estudo.
4. Descrição e exploração dos dados
5. Análise dos dados e apresentação dos resultados (inferência)
“Há três espécies de mentiras: mentiras, mentiras do caraças e Estatística”
Mark Twain
1. Gráficos Enganadores
5. Abusos Estatísticos
Manipulando as escalas pode dar-se a aparência de crescimento a um fenómeno praticamente constante ou dar-se ideia de estabilidade económica quando o seu valor está a baixar – é uma questão de manipulação da escala do eixo dos yy (eixo das
2. Pequenas amostras
Pesquisaram-se 10 clientes de um banco “7 entre 10 clientes estão contentes com os serviços prestados belo banco X.”
3. Perguntas tendenciosas: “Você é a favor da suspensão do pagamento da dívida externa, sobrando assim mais dinheiro para garantir a subida das reformas?”
4. Pressão do pesquisador ou ambiente “Você já traiu o seu(a) companheiro(a)?”Pergunta feita com o(a) companheiro(a) ao lado. Vontade do entrevistado transparecer uma imagem favorável ao entrevistador.
5. Percentagens distorcidas: “Tirei 1 na primeira prova. Tirei 2 na segunda prova. Melhorei 100%!” ; “Num serviço de atendimento de reclamações atendiam por dia uma chamada quando o telefone tocava 200 vezes. Passaram a ter instruções para atender duas chamadas por dia. Publicitam agora que houve uma melhoria de 100% dos seus serviços.”
6. “Pesquisas feitas entre utilizadores do fármaco aplicado em tratamentos anti-tabágicos Y, revelam que 98% deixou de fumar.” . Duas pesquisas feitas entre os funcionários da empresa fabricante de Y.
Contudo, aplicada correctamente a análise estatística proporciona medidas
objectivas da confiança que se pode ter nas conclusões obtidas.
6. Referências Bibliográficas
• A.L. Bruni: Estatística Aplicada à Gestão Empresarial, Atlas Editora, 2000.
• B. Murteira; C. Ribeiro et al: Introdução à Estatística, McGraw-Hill, 5ª Ed., 2007. • J. C. Pinto, J. J. D. Curto: Estatística para Economia e Gestão, Edições Sílabo, 2000. • R. Guimarães, J. Sarsfield Cabral: Estatística, 2ª Ed., McGraw-Hill, 2007.
• D. Pestana, S. Velosa: “Introdução à Probabilidade e à Estatística”, Vol. I, 4ª Ed.,
Fundação Calouste Gulbenkian. Internet
• Estatística Descritiva (FCUL) : www.educ.fc.ul.pt/icm/icm2003/icm24/index.html • ALEA - Acção Local de Estatística Aplicada: alea-estp.ine.pt
Apontamentos IPCA
• Professor Mário Basto, apontamentos leccionados na cadeira de Probabilidades e
Estatística.