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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS FLORESTAIS

Como transformar uma pesquisa científica em uma patente

Estevão Giacomin Alves Filipe Akira Querino Kuboyama

Igor Batista Brinate Weslen Pintor Canzian

JERÔNIMO MONTEIRO, ES JULHO – 2014

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Estevão Giacomin Alves Filipe Akira Querino Kuboyama

Igor Batista Brinate Weslen Pintor Canzian

Como transformar uma pesquisa científica em uma patente

“Trabalho apresentado ao Prof. Wendel S. de P. Andrade como parte da avaliação da disciplina Metodologia de Pesquisa do Programa de Pós Graduação em Ciências Florestais do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo.”

JERÔNIMO MONTEIRO, ES JULHO – 2014

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RESUMO

Pesquisa científica é uma contribuição para a evolução do conhecimento humano. Ela é fundamentada na necessidade de conhecer e explicar problemas, validando ou invalidando hipóteses. O seu objetivo é de propor soluções para os problemas ou ao menos amenizá-los mediante a utilização de metodologias científicas. Este trabalho teve como objetivo descrever como transformar uma pesquisa científica em patente. Essa transformação é de certa forma burocrática e complicada, entretanto, necessária para o desenvolvimento de novas tecnologias e sua proteção. A não realização de pedido de patente pela maioria dos pesquisadores brasileiros se dá ao fato do desconhecimento da legislação e muito das vezes de sua importância. O Brasil, ultimamente, tem sido reconhecido de forma marcante no cenário mundial pelos altos índices de produção científica, em contrapartida, o País caminha na direção oposta quanto à produção de tecnologia e geração de riqueza a partir da pesquisa científica. De acordo com a Lei n° 9.279/1996 (Lei da Propriedade Industrial), a patenteabilidade é designada unicamente às invenções, as quais devem atender aos requisitos de novidade e atividade inventiva. A mesma lei define o que não é passível de ser patenteado, dentre vários aspectos estão às teorias científicas. A dificuldade de transformar uma pesquisa científica em patente esbarra nesse aspecto, pois comumente, uma pesquisa é baseada em uma série de outros materiais já pesquisados e referenciais teóricos, perdendo o requisito de novidade e não podendo ser depositado como patente.

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Sumário

1. INTRODUÇÃO...5

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA...5

2.1. Pesquisa Científica...5

2.2. Patentes...8

Histórico, Conceito e Evolução...8

Patente Verde...10

Exemplos de patentes na área florestal...11

Porque proteger o seu trabalho intelectual...11

2.3 Como transformar Pesquisa Científica em Patentes...14

O pedido da patente...14

O conflito da divulgação...15

Relatório descritivo...15

Reivindicações...16

Custo para patentear...16

Transferência e licença de direitos...17

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS...18

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1. INTRODUÇÃO

O avanço tecnológico e a intensa concorrência entre as empresas despertam nos pesquisadores a necessidade de encontrar respostas para diversas necessidades do cotidiano, e muitas das vezes somente as empresas que estão sempre inovando conseguem permanecer no mercado. O mercado está cada vez mais exigente, e necessita de inovação a todo instante.

A universidade atua como fonte de informação, e tem contribuído muito na inovação tecnológica. Ao longo do século passado as universidades de pesquisa americana tiveram grande importância no progresso industrial. Apesar do crescimento recente do patenteamento por universidades, elas têm contribuído muito nas mudanças das técnicas industriais e para o crescimento econômico (SAMPAT, 2003).

Na constante busca por inovações as patentes oriundas de pesquisa científicas têm se destacado no estabelecimento de políticas públicas (HAASE; ARAÚJO; DIAS, 2005). Com base nisso este estudo teve como objetivo descrever a transformação das pesquisas científicas em patentes.

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1. Pesquisa Científica

A pesquisa muitas das vezes é desenvolvida com intuito de tentar conhecer e explicar os fenômenos que ocorrem no dia-a-dia e suprir a necessidade de se compreender a natureza dos problemas, buscando validar ou invalidar as hipóteses lançadas sobre os mesmos (FERRARI, 1982). A finalidade da pesquisa é melhorar a teoria, enriquecendo o conhecimento teórico sobre os fenômenos ou problemas da realidade de forma a amenizá-los ou mesmo encontrar a solução.

Segundo Moresi (2003), dentre as inúmeras formas de classificar as pesquisas, apresentaremos as clássicas:

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Pesquisa Básica: é realizada para satisfazer o desejo do próprio pesquisador, e tem por finalidade de gerar novos conhecimentos, porém não se tem uma aplicação prática prevista.

Pesquisa Aplicada: tem finalidade de gerar produtos de aplicação prática, voltados a solucionar problemas. Desenvolvendo tecnologias de aplicação imediata.

 Quanto à forma de abordagem:

Pesquisa Quantitativa: Considera tudo que pode ser quantificável, assim, pode-se transformar opiniões e informações em números, o que permite sua análise e classificação.

Pesquisa Qualitativa: Apresenta caráter investigativo, em que o pesquisador considera a interpretação de fenômenos no qual são atribuídos significados. O ambiente é a fonte direta da coleta dos dados e o pesquisador analisa os mesmos indutivamente.

 Quanto aos fins:

Pesquisa Exploratória: é caracterizada quando não se conhece sobre a área de estudo, e é realizada onde se tem pouco conhecimento acumulado.

Pesquisa Descritiva: é caracterizada por expor características do que se está estudando.

Pesquisa Explicativa: tem como objetivo tornar algo compreensível, explicando os fatores que contribuem para tal fenômeno.

Pesquisa Metodológica: tem finalidade de desenvolver instrumentos ou métodos de manipulação da realidade. Esta pesquisa indica formas, modos, e procedimentos de atingir o resultado esperado.

Pesquisa Intervencionista: tem como objetivo interferir no estudo, de forma a modificá-lo. Este tipo de pesquisa se caracteriza não só por propor formas de resolver, mas de resolver de forma efetiva e participativa.

 Quanto aos meios:

Pesquisa de Campo: é realizada onde ocorre ou ocorreu o fenômeno, se conduz a pesquisa exatamente como sucede no real. Ex: Avaliar a eficiência de um fungicida no controle da ferrugem do eucalipto.

Pesquisa de Laboratório: é realizada em ambientes controlados com intuito proteger a pesquisa de fatores externos, já que este tipo de pesquisa seria

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praticamente impossível de ser realizada em campo. Ex: Produção clonal de eucalipto por micro estaquia.

Pesquisa Telematizada: está mais relacionada aos meios de busca de informação, no qual eles combinam o uso de computador e as telecomunicações. Ex: Pesquisa utilizando a internet.

Pesquisa Documental: é desenvolvida tendo como base documentos de qualquer natureza, podendo ser utilizado: leis, registros, normas, ofícios, memorandos, filmes, fotografias, entre outros.

Pesquisa Bibliográfica: o trabalho é desenvolvido com base em materiais publicados em revistas, jornais, anais, livros, redes eletrônicas.

Pesquisa Experimental: é um tipo de pesquisa empírica, no qual o pesquisador manipula, controlam variáveis e observa o resultado do experimento em determinadas condições. Um exemplo deste tipo de estudo são experimentos com a finalidade de observar o comportamento de plantas em condições futuras devido ao aquecimento global.

Pesquisa Ex-post-facto: é realizada após a ocorrência do fato. É aplicada quando o pesquisador não pode manipular as variáveis envolvidas no fato, assim a única forma de realizar estudo sobre determinado fato é após a ocorrência do mesmo.

Pesquisa Participante: não fica envolta somente do pesquisador. Ela envolve a participação, tanto do pesquisador como com as pessoas envolvidas no estudo.

Pesquisa-ação: é um tipo de pesquisa semelhante à pesquisa participante, porém está relacionada a realidade social.

Pesquisa de levantamento: é caracterizada pela utilização de um questionário para obtenção de informações de um público alvo.

Estudo de caso: é caracterizado por estudar uma ou poucas unidades, e tem caráter de detalhamento e profundidade, em que o objeto em estudo é estudado exaustivamente.

A pesquisa científica atua de forma a responder, explicar e descrever fenômenos, com intuito de adquirir novos conhecimentos para aplicá-los. Sendo assim, a pesquisa atua explorando eventos cotidianos, no qual ao observá-los, o pesquisador busca novas formas de solucionar seus problemas gerando novos produtos (VILAÇA, 2010). A pesquisa e o desenvolvimento de novos produtos

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carecem, muitas das vezes, de investimentos humanos e financeiros. A proteção deste produto através do registro de patente garante inúmeras vantagens ao pesquisador, e é algo que tem sido muito buscado, atualmente, pelas universidades.

2.2. Patentes

Histórico, Conceito e Evolução

Segundo Macedo e Barbosa (2000), a ideia de patente surgiu na República de Veneza em 1477, onde havia um incentivo as invenções, o qual o inventor teria a concessão do monopólio de seu respectivo uso. Essa prática ficou esquecida até 1623, sendo retomada na Inglaterra pelo Estatuto dos monopólios e difundido por toda a Europa. No Brasil, somente em 1830 começou-se a conceder proteção patentearia às invenções.

Os mesmos autores ainda destacam que apesar de inúmeros países já possuírem suas leis nacionais de patentes, até os fins do século XIX, essas leis somente protegiam os inventores do próprio país, não havendo proteção de inventores estrangeiros, existindo assim uma grande necessidade de ampliar essa proteção além das fronteiras nacionais.

Com o intuito de evitar que os produtos viessem a ser copiado em outros países que não o de origem da invenção, em 1883 na cidade de Paris, surgiu o chamado 'Sistema' Internacional de Patentes, denominado Convenção de Paris para a Proteção da Propriedade Industrial (MACEDO; BARBOSA, 2000).

Inicialmente a patente pode ser conceituada por base nos princípios do 'Contrato Social' de Rousseau, onde o Estado concede ao inventor o uso exclusivo do novo processo produtivo ou fabricação de um novo produto por um determinado tempo, e em troca, essa invenção é divulgada, permitindo a sociedade o livre acesso a tal tecnologia (MACEDO; BARBOSA, 2000).

Segundo Barbosa (2003), a partir de 1967, constitui-se como órgão autônomo dentro do sistema das Nações Unidas a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI, ou, na versão inglesa, WIPO). Até o surgimento da

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OMPI, as instituições internacionais de proteção da propriedade intelectual, ainda que reunidas, trabalhavam separadamente (CHRISTMANN, 2006).

A Convenção da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), ou Word Intellectual Property Organization (WIPO), define como Propriedade Intelectual “a soma dos direitos relativos às obras literárias, artísticas e científicas, às interpretações dos artistas e às execuções de radiodifusão, às invenções em todos os domínios da atividade humana, às descobertas científicas, aos desenhos e modelos industriais, às marcas industriais, comerciais e de serviço, bem como às firmas comerciais e denominações comerciais, à proteção contra a concorrência desleal e todos os outros direitos inerentes à atividade intelectual nos domínios industrial, científico, literário e artístico” (WIPO, s.d.).

O motivo de existência de um ‘sistema’ internacional de patentes segundo Macedo e Barbosa (2000), é incentivar a inovação de forma global, pois permite uma proteção ao inventor, ou a quem deles deriva seus direitos, em todos os países aonde lhe for concedida a patente. O mesmo autor ainda destaca que os países membros do ‘sistema’ também ganham sua parte, visto que a patente induz a industrialização local, consequentemente gerando empregos e novos itens de consumo. Outro fato importante é a difusão internacional dos novos conhecimentos técnicos mais avançados criados em diversos países tornando possível o avanço da tecnologia.

Embora a ideia fosse uma união das legislações nacionais dos países contratantes não foi possível construir um sistema homogêneo. Em mais de cem anos após a Convenção de Paris diversas revisões e novos tratados foram implementados sempre buscando a homogeneidade. Ainda assim, cada país tem uma lei específica para a proteção do inventor. No Brasil a lei vigente é a n.º 9.279 -Lei da Propriedade Industrial – LPI, que regula as obrigações e os direitos com relação à propriedade industrial: patentes; modelo de utilidade; desenhos industriais; marcas; indicações geográficas, transferência de tecnologia; proteção contra a concorrência desleal.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos ‒ ABIMAQ, destaca que a propriedade intelectual é um instrumento essencial na difusão de conhecimento e na transformação do mesmo em benefícios sociais, o qual também

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influencia na união universidade-empresa, com benefícios mútuos e favorecendo o avanço da tecnologia (ABIMAQ, s. d.).

A proteção de patente se tornou tão importante a ponto de estar na agenda de discussão em cenário internacional e fazer parte das normas do Sistema Multilateral de Comércio – SMC, pois segundo estudo de Sabino (2007), caso as leis de proteção patentária forem bem aplicadas, haverá um desenvolvimento econômico do país, gerando inovações tecnológicas que acarretarão em riqueza e bem-estar geral.

Patente Verde

Diante da preocupação de todos com as mudanças climáticas, tem se buscado desenvolver tecnologias verdes, assim os governantes perceberam a necessidade de estimular estas tecnologias, surgindo a linha de patentes verdes. As patentes verdes se enquadram em tecnologias menos poluentes, que façam o uso dos recursos de forma sustentável, e que ao fim do processo gerem menos resíduos (UEMT, 2012). Dentre as categorias de patentes verdes definidas pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), se destacam:

 Produção de energia alternativa: Bicombustíveis, Ciclo combinado de gaseificação integrada, Células-combustível, Pirólise ou gaseificação de biomassa e Aproveitamento de energia através da utilização de resíduos.  Transporte: Veículos híbridos, elétricos, Estações de carregamento para

veículos elétricos, Veículos alimentados por energia extraída das forças da natureza, Veículos alimentados por fonte de potência externa, Veículos alimentados por células combustíveis, Veículos alimentados por hidrogênio, Veículos com propulsão muscular, Veículos com freios regenerativos, Veículos cuja carroceria possui baixo arrasto aerodinâmico, Veículos com embreagem eletromagnética.

 Conservação de energia: Armazenagem de energia elétrica, Circuitos de alimentação de energia elétrica, Medição do consumo de eletricidade, Armazenamento de energia térmica, Iluminação de baixo consumo

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energético, Isolamento térmico de edificações, Recuperação de energia mecânica.

 Gestão de resíduos: Eliminação de resíduos, Tratamento de resíduos, Controle de poluição.

 Agricultura: Técnicas de reflorestamento, Técnicas alternativas de irrigação, Pesticidas alternativos, Melhoria do solo.

Exemplos de patentes na área florestal

Inúmeras são as patentes que se enquadram na área florestal, serão apresentadas algumas:

 Extratos da Floresta Amazônica, para produção de cosméticos e uso em diversas formulações.

 Dispositivo pulverizador para florestas.

 Processo de produção de tubete biodegradável poroso de fragmentação mecânica determinada pelos vegetais, para plantio direto de mudas no solo.  Método para administrar área florestal de madeira de construção.

 Disposição introduzida em sistema de acoplamento de carreta em trator.  Briquetes em embalagem prática.

Controlador de formigas, isca formicida, tendo como ingrediente ativo um alcaloide derivado de plantas.

 Composição protetora contra avanço e ação do fogo em diversas superfícies, processo de fabricação e processo de aplicação correspondentes.

 Dispositivo para medição da profundidade de penetração da haste de equipamentos subsoladores, com sistema de mapeamento do preparo do solo.

 Processo de aproveitamento de sobras de madeira, gabarito e pastilha resultantes.

 Implemento subsolador adubador florestal.  Vaso para mudas com alça para transporte.  Carvão 100% ecológico.

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Porque proteger o seu trabalho intelectual Razões para se patentear

Com o decorrer dos anos, o Brasil tem se destacado no cenário de produção científica internacional, com várias pesquisas sendo publicadas em revistas e congressos de renome, demonstrando sua significativa produção de conhecimento. Há se notado uma íntima ligação entre ciência e tecnologia. Segundo Siqueira (2009), ambas podem ser utilizadas como instrumento para redução das desigualdades regionais; elevar a competitividade sistêmica da economia, com inovação tecnológica e promover o acesso com qualidade a serviços e benefícios sociais.

Conhecimento e inovação são importantes instrumentos de desenvolvimento econômico e social. Assim, é de suma importância a transformação do conhecimento científico em crescimento econômico, resultando na criação de empregos, industrialização e ganhos econômicos e financeiros no País, aplicando tal conhecimento adquirido nos diversos setores produtivos.

O pequeno número de patentes registradas em um país em desenvolvimento reflete o seu processo de carência tecnológica, muitas vezes por desconhecer a importância em se registrar uma criação, deixando de obter ganhos econômicos devido a este fato. Quando se deixa de registrar uma patente, grandes empresas utilizarão deste conhecimento produtivo gerado, aproveitando sua gratuidade, utilizando-o para obter vantagens no mercado, reprimindo de certa forma a participação das pequenas e médias empresas no setor (MACEDO; BARBOSA, 2000).

O que pode ou não ser patenteável

De acordo com a Lei n° 9.279/1996 (Lei da Propriedade Industrial), a patenteabilidade é destinada exclusivamente às invenções, as quais devem atender aos requisitos de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial ou uma criação inventiva que resulte na melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação.

A mesma lei define o que não é passível de ser patenteado. Incluindo:  Descobertas, teorias científicas e métodos matemáticos;

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 Esquemas, planos, princípios ou métodos comerciais, contábeis, financeiros, educativos, publicitários, de sorteio e de fiscalização;

 As obras literárias, arquitetônicas, artísticas e científicas ou qualquer criação estética;

 Programas de computador em si;  Apresentação de informações;  Regras de jogo;

 Técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico, para aplicação no corpo humano ou animal; e  Todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza, ou ainda que dela isolados, inclusive o genoma ou germoplasma de qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais.

Quando uma invenção é considerada como Patente, sua validade é de 20 anos a partir da data de depósito, quando a mesma é considerada Modelo de Utilidade, ou seja, quando apresente uma melhoria funcional de um produto já existente, sua validade é de 15 anos.

Aonde devo patentear

A proteção concedida a uma patente somente é válida no país em que a mesma foi requerida e deferida. Geralmente, a nação em que a invenção foi criada é a mesma em que a patente é registrada. Porém, se a matéria prima para a sua fabricação inviabilize a sua produção pelos altos custos de aquisição, torna-se interessante o registro em algum país que tal matéria prima esteja disponível a preços mais aceitáveis.

De acordo com Macedo e Barbosa (2000), quando se deseja depositar um pedido de patente em determinado país, se deve fazer uma análise minuciosa se o mercado ali existente poderá absorver ou ter a aceitação desejada da sua invenção, levando em consideração os ganhos econômicos que poderão ser advindos. Os mesmos autores, ainda consideram realizar outra análise (qualitativa), onde se considera a especialização técnica e produtiva de cada país, determinando quais produtos demandam ou são produzidos e assim, poder disponibilizar sua patente no

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país em que a mesma venha suprir alguma necessidade tecnológica ou alguma melhoria funcional na fabricação de algum produto.

A Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), fornece banco de dados para a consulta e realização destas análises.

A titularidade da patente

Em termos próprios, a invenção é de propriedade do inventor. Porém, há de se observar as relações entre inventor e empregador e a possibilidade do contratante ser proprietário da invenção. A Lei nº 9.272/96, nos artigos 88 a 96, define a quem os inventos são pertencentes, de acordo com a função e a natureza do trabalho realizado durante o processo inventivo.

Em tais artigos 88 a 96, é definido quando a invenção é de propriedade exclusiva do empregador, empregado ou ambas as partes. É de exclusividade do empregador quando há um contrato com o empregado para o desenvolvimento de pesquisas relativas a criação da invenção. Quando não há um contrato de trabalho realizado, nem recursos advindos de algum contratante, o invento é de propriedade exclusiva do empregado. Caso, não se tenha realizado nem compreendido a primeira hipótese e haja a injeção de recursos, ambos são declarados proprietários do invento.

O que há se notado, que mesmo o empregador sendo o proprietário exclusivo, o empregado recebe compensação financeira pela exploração do invento, como forma de incentivo à sua produção inventiva.

2.3 Como transformar Pesquisa Científica em Patentes

O pedido da patente

Um dos requisitos ao se pedir uma patente, é que a mesma atenda a condição de novidade, ou seja, que o processo ainda não tenha se tornado público, antes da data da concessão do seu requerimento. Comumente, uma pesquisa é baseada em uma série de outros materiais já pesquisados e referenciais teóricos,

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perdendo o requisito de novidade e não podendo ser depositado como patente (MARTINS, 2010).

Após a constatação e verificação se a pesquisa atende a todos os requisitos e possui patenteabilidade, deve-se reunir a documentação necessária, sendo ela:

 Requerimento;

 Formulário – Pedido de Patente ou Certificado de Adição;  Relatório descritivo;

 Reivindicações;

 Desenhos (se for o caso);

 Listagem de Sequência Biológica, em meio eletrônico (se for o caso);  Resumo; e

 Comprovante de pagamento original da retribuição relativa ao depósito.

Essa documentação deve ser protocolada no escritório do INPI nos demais estados ou poderá ser enviada pelos correios ao endereçado a Diretoria de Patentes (INPI, 2008).

Seguindo a Instrução Normativa nº 30/2013 e a Instrução Normativa nº 31/2013, ao se depositar o pedido de patente:

 O depósito do pedido de patente será analisado em aproximadamente 60 dias;

 Sigilo/Publicação: 18 meses contados da data de depósito ou da prioridade, para pedidos do exterior;

 Pedido de exame: deverá ser solicitado pelo interessado em até 36 meses da data de depósito;

 Exame técnico;

 Em determinados casos, o interessado pode solicitar o exame prioritário de patente;

 As anuidades são devidas a partir do 24º mês de depósito de um pedido até o fim da vigência da patente.

O conflito da divulgação

O art. 12 da lei 9.279/96 concede ao inventor o período da graça, que proporciona uma proteção ao seu trabalho, podendo divulgar sua invenção em

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um período de 12 meses antes de entrar com o pedido de patente sem deixar de ser uma novidade.

Em alguns lugares é possível divulgar o trabalho de pesquisa antes mesmo de se fazer o pedido de patente, para isso é necessário o depositar uma breve descrição da invenção perante as autoridades governamentais de propriedade industrial antes de sua divulgação pública, garantindo assim sua prioridade.

Relatório descritivo

O relatório descritivo deve ser escrito de forma clara, concisa e a sua descrição deve ser bem detalhada de modo que uma pessoa com certo conhecimento técnico, possa repetir o processo inventivo (MACEDO; BARBOSA, 2000).

Dias e Almeida (2013) destacam a importância em se enfatizar o problema a ser solucionado e o processo encontrado para resolver o mesmo. Para isso, deve atender uma sequência lógica delimitando de forma eficiente as categorias que irão ser abordadas neste relatório.

Um processo inventivo só deve ser divulgado, depois de requerido a patente, podendo o pesquisador levar prejuízos caso divulgue antes que seu processo patenteário seja protocolado.

Reivindicações

Reivindicações são as partes de uma patente que definem o escopo técnico e explicam os aspectos do item em termos específicos para evitar ambiguidade, ou seja, as especificidades as quais se requer proteção. Podem ser independentes ou dependentes.

Reivindicações independentes são aquelas que não dependem de outras reivindicações, possuindo certa autonomia e agindo de forma mais ampla. As reivindicações dependentes protegem detalhes específicos, os quais já devem estar contidos de forma mais ampla nas reivindicações independentes.

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Na solicitação de Patente de Invenção ou Modelo de Utilidade os valores das taxas podem variar. Há uma redução de até 60% no valor para pessoas naturais (somente se estas não detiverem participação societária em empresa do ramo a que pertence o item a ser registrado); microempresas, microempreendedor individual e empresas de pequeno porte, assim definidas na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006; cooperativas, assim definidas na Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971; instituições de ensino e pesquisa; entidades sem fins lucrativos, bem como órgãos públicos, quando se referirem a atos próprios, conforme estipulado nessa resolução. Na tabela abaixo podemos observar as principais taxas cobradas pelo INPI, sendo que alguns desses valores variam de acordo com o número de reivindicações de cada pedido.

Tabela 1- Taxas cobradas para a solicitação de Patentes ou Modelo de Utilidade

Valores INPI Normal (R$) Com desconto

(R$)

Pedido de Patente 175,00 70,00

Transmissão do Depósito 175,00 70,00

Pedido de Exame de Patente A partir de

590,00 A partir de 236,00 Pedido de Exame de Modelo de Utilidade 380,00 152,00

Anuidade de Pedido de Patente A partir de

295,00 A partir de 118,00 Anuidade de Modelo de Utilidade A partir de

200,00 A partir de 80,00 Fonte: INPI (2014) adaptado pelos autores.

Transferência e licença de direitos

De acordo com o art. 6º. da Lei 9.279/96, o autor de invenção tem o direito à patente, que lhe garanta a sua propriedade, sendo assim, como qualquer outro ativo ela pode ser vendida, alugada ou usufruída pelo seu dono, no entanto, por ser um bem não tocável é regida por regras próprias.

A Lei 9.279/96 (art. 64) prevê a possibilidade de o titular de uma patente ofertar ao público a autorização para usar o invento, em preços e condições determinadas. Segundo Macedo (2000), as patentes são, na maioria das vezes,

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requeridas para exploração pelos próprios titulares, porém em alguns casos os titulares concedem licenças, por diversas razões, podendo ser voluntárias ou não voluntárias.

As licenças voluntárias muitas vezes são negociadas entre empresas ou pessoas físicas, com um preço relacionado com o mercado cedido pelo titular do privilégio ao seu licenciado, e sem relação com o custo de produção da tecnologia.

As licenças não-voluntárias podem ser concedidas por razões de Estado ‒ a segurança nacional, calamidades públicas etc. ‒ e por interesse público, denominadas como licenças compulsórias, sendo com exceção de abuso de poder econômico, remunerada conforme decidir a autoridade governamental competente.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho discorreu sobre a transformação da pesquisa científica em uma patente. Nesse trabalho ficou evidente a falta de informação por parte dos pesquisadores sobre como e o quê patentear.

O Brasil vem se destacando internacionalmente pela alta produção científica nas mais diversas áreas da ciência. Esse destaque deve-se às publicações em eventos de grandes magnitudes e, especialmente, em revistas de grande circulação. Entretanto o País não caminha na mesma proporção quanto a produção de tecnologia e geração de riqueza a partir da pesquisa cientifica.

A publicação científica é considerada como resultado encontrado para um problema ainda não resolvido, entretanto não necessariamente pode ser motivo de um pedido de patente, pois a solução desse tipo de problema pode ou não ser um processo inventivo.

Um dos principais fatores que levam a um baixo índice de patenteamento das tecnologias produzidas nas instituições de ensino se dá ao fato do desconhecimento dos pesquisadores sobre o sistema de patentes.

O baixo número de patentes registradas reflete na deficiência tecnológica de um país. Quando não se registra uma patente, muito dos casos por não saber a

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importância dela, deixa-se de obter ganhos econômicos e possibilita a utilização do conhecimento produtivo gerado por terceiros.

Para conseguir uma patente é necessário que se atenda a condição de inovação e que o processo não tenha se tornado público, dessa forma, transformar uma pesquisa científica em uma patente torna-se uma tarefa árdua, pois uma pesquisa geralmente é baseada em outros matérias e referenciais teóricos, perdendo as características necessárias para uma patenteação.

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4. REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDUSTRIA DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Manual Propriedade Industrial - ABIMAQ/IPD. Disponível em: <http://www.abimaq.org.br/Arquivos/Html/IPDMAQ/10%20Propried%20Ind,

%20Manual%20-%20IPDMAQ.pdf>. Acesso em: 15 maio 2014.

BARBOSA, D. B. Uma introdução à propriedade intelectual. 2. Rio de Janeiro: Ed. Lúmen Júris, 2003.

BRASIL. Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. Regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15 maio 1996.

BRASIL. Instrução Normativa n° 30/2013. Estabelecimento de normas gerais de procedimentos para explicitar e cumprir dispositivos da Lei de Propriedade Industrial - Lei nº 9279, de 14 de maio de 1996dos pedidos de patente. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 04 dez. 2013.

BRASIL. Instrução Normativa n° 31/2013. Estabelecer normas gerais de procedimentos para explicitar e cumprir dispositivos da Lei de Propriedade Industrial - Lei nº 9279, de 14 de maio de 1996, no que se refere às especificações formais dos pedidos de patente. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 04 dez. 2013.

CHRISTMANN, D. Considerações históricas sobre a Propriedade intelectual no brasil e sua classificação. Lajeado, RS: UNIVATES, dez. 2006.

DIAS, C. B.; ALMEIDA, R. B. de. Produção científica e produção tecnológica: transformando um trabalho científico em pedidos de patente. Einstein. São Paulo, v.11 n.1 jan./mar. 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1679-45082013000100003&script=sci_arttext>. Acesso em: 15 maio 2014.

FERRARI, A. T. Metodologia da pesquisa científica. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1982.

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HAASE, H.; ARAÚJO, E. C. de; DIAS, J. Inovações vistas pelas patentes: exigências frente às novas funções das universidades. Revista Brasileira de Inovação, Rio de Janeiro, v. 4, n. 2, jul./dez. 2005. Disponível em: <http://www.ige.unicamp.br/ojs/index.php/rbi/article/view/290/206>. Acesso em: 15 maio 2014.

INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL ‒ INPI. Tabela de retribuições e serviços prestados pelo INPI. Disponível em: <http://www.inpi.gov.br/images/docs/patentes_0.pdf>. Acesso em: 10 jul. 2014.

MACEDO, Maria Fernanda Gonçalves; BARBOSA, A. L. Figueira. Patentes, pesquisa e desenvolvimento: um manual de propriedade intelectual. 20. ed. Rio de

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http://static.scielo.org/scielobooks/6tmww/pdf/macedo-9788575412725.pdf>. Acesso em: 15 maio 2014.

MARTINS, W. H. L. Produção científica – publicação versus patentes: o caso CPGEI – UTFPR. Ponta Grossa: UTFP, 2010. 83f. Dissertação (Mestrado em Engenharia da Produção) Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Ponta Grossa, PR, 2010.

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Referências

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