THAIS POSSENTI PINTO DIAS
PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO EM INSTITUIÇÃO DE ENSINO BÁSICO: ESTUDO DE CASO
Florianópolis 2018
THAIS POSSENTI PINTO DIAS
PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO EM INSTITUIÇÃO DE ENSINO BÁSICO: ESTUDO DE CASO
Monografia apresentado ao Curso de Pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho da Universidade do Sul de Santa Catarina como requisito parcial à obtenção do título de Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho.
Orientador: Prof. José Humberto Dias de Toledo, Ms.
Florianópolis 2018
THAIS POSSENTI PINTO DIAS
PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO EM INSTITUIÇÃO DE ENSINO BÁSICO: ESTUDO DE CASO
Esta Monografia foi julgada adequada à obtenção do título de Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho e aprovado em sua forma final pelo Curso de Pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho da Universidade do Sul de Santa Catarina.
Florianópolis, 03 de setembro de 2018.
______________________________________________________ Professor e orientador José Humberto Dias de Toledo, Ms.
Dedico este trabalho a minha família, que sempre se esforçaram para dar uma educação de qualidade, possibilitando que alcançasse este título. Dedico, também, a todos os professores e alunos de instituições de ensino que apesar dos problemas diários por conta das estruturas oferecidas se esforçam para de alguma forma contribuir com a educação deste país.
AGRADECIMENTOS
Primeiramente agradeço a Deus.
Agradeço a minha família que me apoiaram nos meus estudos e em minhas escolhas, e mesmo quando não concordaram, nunca deixaram de torcer pelo meu sucesso.
Agradeço ao meu noivo João Carlos que colaborou e foi paciente nos finais de semana de estudos.
Agradeço aos meus amigos e em especial à Bianca, Franciele e Gleyce, que me acompanharam nestes dois anos de curso e se tornaram grandes amigas.
Agradeço aos professores que fizeram parte de toda minha formação, parabenizando-os pela linda profissão escolhida, os quais colaboram para o desenvolvimento da sociedade. Agradeço principalmente ao professor Humberto Dias de Toledo, que orientou este trabalho, e coordenou de forma prestativa este curso de Engenharia de Segurança do Trabalho.
“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda” (FREIRE, 2000).
RESUMO
As instituições de Ensino Básico no Brasil são centros de formação e educação de crianças e adolescentes, contribuindo para a transformação cultural da sociedade. Apesar do seu potencial educacional e cultural, muitas escolas não apresentam infraestrutura adequada para suas atividades. Um dos pontos precários nas instituições de ensino são as instalações de prevenção e combate ao incêndio e a falta de informação para o modo de agir em decorrência de algum sinistro, podendo ocasionar muitas vezes graves problemas como perda material e humana. Este trabalho tem como objetivo uma análise das instalações de prevenção e combate ao incêndio de uma escola de ensino básico, analisando os riscos e destacando a importância das instituições como forma de modificar a cultura referente ao incêndio, trazendo para o ambiente escolar informação referente aos riscos existentes e a forma de prevenção.
ABSTRACT
The institutions of Basic Education in Brazil are centers for the formation and education of children and adolescents, contributing to the cultural transformation of society. Despite their educational and cultural potential, many schools do not have adequate infrastructure for their activities. One of the precarious points in educational institutions is fire prevention and control facilities and lack of information on how to act as a result of some accident, and can often cause serious problems such as physical and human loss. This work aims at an analysis of the fire prevention and control facilities of an elementary school, analyzing the risks and highlighting the importance of the institutions as a way to modify the culture related to the fire, bringing to the school environment information regarding risks prevention.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 - Sistema ou medida obrigatório para ocupação do tipo escolar geral ... 19
Figura 2 - Exigência do extintor de incêndio portátil em função do risco de incêndio ... 22
Figura 3 - Imagem Aérea Escola Básica Júlio da Costa Neves ... 31
Figura 4 - Implantação da Escola ... 32
Figura 5 - Escola Básica ... 33
Figura 6 - Pátio central ... 34
Figura 7 - Rampa ... 35
Figura 8 - Escada ... 35
Figura 9 - Corredores entre blocos ... 35
Figura 10 - Proteção por extintores ... 36
Figura 11 - Instalação de gás combustível... 36
Figura 12 - Iluminação de emergência ... 37
Figura 13 - Sinalização para abandono de local ... 37
Figura 14 - Central de Detecção e Alarme de Incêndio ... 37
Figura 15 - Sistema de detecção e alarme de incêndio ... 37
Figura 16 - Sistema de proteção e descargas atmosféricas ... 38
Figura 17 - Sistema hidráulico preventivo ... 38
Figura 18 - Pátrio central, distribuição de equipamentos de prevenção contra incêndio. ... 40
Figura 19 - Pátrio central, distribuição de equipamentos de prevenção contra incêndio. ... 40
Figura 20 - Extintores esvaziados ... 41
Figura 21- Furto da placa de sinalização de saída ... 41
Figura 22 - Vidro de proteção do extintor quebrado e tela de abertura da central de gás danificada... 41
Figura 23 - Rampa de acesso improvisada ... 42
Figura 24 - Rampa existente no início da escada ... 43
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Parte do Anexo B da IN 009/DAT/CBMSC – Tipo e número de escadas ... 25 Tabela 2 - Parte do Anexo C da IN 009/DAT/CBMSC – Capacidade de passagem das saídas de emergência ... 25 Tabela 3 - Análise das instalações de prevenção contra incêndio conforme IN001/DAT/CBMSC ... 39 Tabela 4 - Dimensionamento escadas e rampas (Ca=60 pessoas/ue) ... 44 Tabela 5 - Dimensionamento portas de emergência (Ca=100 pessoas/ue) ... 44
SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO... 12 1.1 TEMA E DELIMITAÇÃO ... 14 1.2 PROBLEMA DE PESQUISA ... 14 1.3 JUSTIFICATIVA ... 14 1.4 OBJETIVOS ... 16 1.4.1 Objetivo Geral ... 16 1.4.2 Objetivos Específicos... 16 1.5 METODOLOGIA ... 16 1.6 ESTRUTURA DE TRABALHO ... 17 2 REFERENCIAL TEÓRICO ... 18 2.1 FOGO E INCÊNDIO ... 18
2.2 NORMAS E LEIS DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO ... 18
2.3 NORMA DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO PARA OCUPAÇÃO ESCOLAR GERAL ... 19
2.3.1 Plano de Emergência ... 20
2.3.2 Proteção por extintores ... 20
2.3.3 Saídas de emergência ... 22
2.3.3.1 Acessos ... 23
2.3.3.2 Saídas adequadas ... 23
2.3.3.3 Saídas finais adequadas ... 24
2.3.3.4 Dimensionamento das saídas de emergência ... 25
2.3.4 Iluminação de emergência e Sinalização para abandono do local ... 26
2.3.4.1 Iluminação de emergência ... 26
2.3.4.2 Sinalização para abandono do local ... 27
2.3.5 Sistema de alarme e detecção de incêndio ... 27
2.3.6 Brigadista de incêndio voluntário ... 28
3 ESTUDO DE CASO ... 31
3.1 EDIFICAÇÃO ... 31
3.2 ACESSOS ... 33
3.3 INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO ... 36
4 ANÁLISE DOS RESULTADOS ... 39
REFERÊNCIAS ... 47
ANEXOS ... 49
ANEXO A – PLANTA BAIXA TÉRREA DO BLOCO CENTRAL ... 42
ANEXO B – PLANTA BAIXA SUPERIOR DO BLOCO CENTRAL ... 43
ANEXO C – PLANTA BAIXA DO CENTRO ESPORTIVO E CULTURAL ... 44
1 INTRODUÇÃO
A educação é um dos elementos primordiais que contribui para a formação de uma sociedade. O artigo 205 da Constituição Federal do Brasil (1988) define o direito à educação: “A educação é um trabalho coletivo, onde as instituições de ensino apresentam grande importância na formação social do individuo. As escolas têm a participação no aprendizado, formação cultural, profissional, ética e moral do aluno.”
Conforme o Censo Escolar da Educação Básica (2017), realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Brasil possui 184,1 mil escolas de educação básica, públicas e privadas, que abrangem a pré-escola, ensino fundamental e ensino médio. Dentro dessas instituições de ensino, existem matriculados 48,6 milhões de crianças e adolescentes e 2,2 milhões de docentes atuantes.
Para uma educação de qualidade é necessário que as escolas apresentem uma infraestrutura adequada e um ambiente seguro para abrigar os alunos. A infraestrutura e segurança das escolas envolve o projeto arquitetônico, as instalações elétricas, hidrossanitárias e tecnológicas, ambientes adequados, acessibilidade, implantação, projeto de prevenção contra incêndio e preparo dos profissionais atuantes.
O Censo Escolar da Educação Básica (2017) registra o quantitativo das escolas que apresentam instalações elétricas, abastecimento de água, coleta de esgoto, banheiros adequados a pessoas com necessidades especiais, internet, salas específicas como laboratórios e bibliotecas, além de outros quesitos; mas o censo não cita o quantitativo de escolas que possuem um adequado projeto de instalações de prevenção contra incêndio.
O Brasil apresenta uma cultura limitada em relação à prevenção contra incêndio e a segurança oferecida pelas edificações. A maioria da população desconhece as instalações necessárias, rotas de fuga, uso de equipamentos de segurança e os riscos envolvidos. Além da falta de conhecimento, muitas vezes há ainda o agravo de o próprio ambiente não ser um espaço seguro, com ausência de instalações necessárias ou equipamentos deficientes.
Ulfradio Del Carlo (2008) acredita que esta cultura em relação à segurança contra incêndio (SCI) seja fruto de um crescimento desenfreado e sem planejamento que atingiram vários setores da sociedade como segurança, saúde, educação, manutenção e conservação ambiental, etc. Conforme Del Carlo (2008, p.10):
Talvez a SCI tenha sido colocada em segundo plano dentro desse desenvolvimento desenfreado, por ser uma área complexa do conhecimento humano, envolvendo
todas as atividades do homem, todos os fenômenos naturais, toda a produção industrial, ou seja, deve estar presente sempre e em todos os lugares.
Telmo Brentano aponta que os costumes em relação à SCI também estão relacionados à forma de projetar e construir das edificações, o que demonstra a importância dos arquitetos e engenheiros na mudança cultural de uma sociedade. Conforme Brentano (2015, p.32):
A cultura de segurança das edificações está longe de ser uma exigência espontânea de quem projeta e constrói, salvo exceções, principalmente, nas grandes cidades do Brasil. Isso, muitas vezes, mais por exigências legais e de fiscalização, que são mais visíveis e próximas nestas cidades, do que por vontade própria do empreendedor.
Em relação às escolas de ensino básico, estas são edificações peculiares na questão da prevenção contra incêndio, tanto pelo seu uso quanto pela característica de seus usuários. Muitas vezes as edificações abrigam materiais combustíveis, como uma grande quantidade de papel e madeira (móveis), contam com cozinha para preparação de merenda, armazenando gás. São caracterizadas também pela quantidade de alunos, crianças e adolescentes, que devido à idade e limitações físicas, possuem uma dependência maior dos adultos, tornando mais complexo um processo de evacuação do edifício.
Outro fator que caracteriza as instituições de ensino é o fato de nem sempre estarem inseridas em edificações construídas para esta finalidade, ou terem sido projetadas para esta finalidade, porém há muitos anos, apresentando, assim deficiências na manutenção das instalações, (além de não estarem preparadas para a estrutura exigida pelos avanços tecnológicos que exigem instalações elétricas e lógicas adicionais) aumentando os riscos de curtos e acidentes.
Em relação aos usuários, as crianças são alvo fácil da causa de incêndios, pois conforme Geoge Braga e Helen Landim o fogo costuma atraí-las á atenção. Além de o próprio fogo, muitas situações não diretamente relacionadas a ele podem trazer risco de algum acidente, como tomadas desprotegidas, podendo originar um curto circuito com a inserção de algum material pontiagudo, má utilização de algum equipamento.
O Brasil não possui uma estimativa da quantidade de incêndios em instituições de ensino, mas sabe-se que os poucos números que se contabilizam demonstra uma situação preocupante. Muitas escolas também não apresentam uma estrutura adequada e nem o Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI). Podemos citar alguns exemplos de incêndios em instituições de ensino no Brasil:
- Escola de Educação Básica Bela Vista, São José – SC. Em fevereiro de 2015 a escola foi atingida por um incêndio, destruindo quatro salas de aula, uma biblioteca, uma sala de convivência e um laboratório de química. Não houve perdas humanas, apesar de o incêndio ter ocorrido no horário de aula e a escola ficou fechada por uma semana.
- Colégio Catarinense, Florianópolis – SC. Em setembro de 2017, uma fritadeira deu início a um incêndio no colégio, tendo perdas materiais. Os próprios funcionários conseguiram conter as chamas, pois eram treinados pelo Corpo de Bombeiros.
- Creche Gente Inocente, Jarnaúba – MG. Em outubro de 2017. Após um incêndio criminoso, 13 pessoas morreram e mais de 40 pessoas ficaram feridas. A creche não possuía extintores, sinalização, saída de emergência e alvará do corpo de bombeiros.
1.1 TEMA E DELIMITAÇÃO
Instalações de prevenção contra incêndio em instituição de ensino. O trabalho visa realizar um estudo de caso em uma escola de educação básica localizada em Florianópolis, SC, avaliando as instalações de prevenção contra incêndio. Este projeto propõe uma discussão e alternativas para tornar as escolas lugares mais seguras e com oportunidade para um aprendizado da percepção dos riscos.
1.2 PROBLEMA DE PESQUISA
Será que as instituições de ensino básico no país estão adequadamente estruturadas para a prevenção contra incêndio? Será que os usuários, incluindo diferentes faixas etárias, estão aptos o suficiente para uma percepção racional dos riscos inerentes ao incêndio? Será que a legislação e as normas existentes de prevenção contra incêndio atendem as especificidades de todos os usuários de uma instituição de ensino básico?
1.3 JUSTIFICATIVA
A escola básica é um meio de trazer educação e mudanças culturais a uma sociedade. Por ter seu papel social tão importante, deve ser exemplo em tudo que oferece,
pois trabalha com uma faixa etária (4-17anos) onde o individuo começa construir sua percepção de vida, espacial, coletivo, moral e cultural.
Telmo Brentano (2015, p.187) traz uma consideração muito importante da proteção contra incêndios em escolas:
Os estados brasileiros têm seríssimos problemas de segurança contra incêndios em escolas. Há estados com centenas ou até milhares de escolas que necessitam de Plano de Proteção Contra Incêndio, sendo que grande parte delas não possuem mais os projetos arquitetônicos, elétricos hidráulicos e outros.
É a grande oportunidade de se iniciar nas escolas um processo de educação para a proteção contra incêndios.
A maior parte das edificações de escolas de primeiro e segundo graus é de baixa altura com até dois pavimentos, motivo por que devem ter uma legislação especial e exclusiva focada nas saídas de emergência, alarmes, sinalização, iluminação, extintores de incêndio e treinamentos periódicos com simulações com a participação dos professores, alunos e funcionários. Todas as instalações preconizadas são de baixo custo, motivo principal desta nota, pois os estados e municípios estão numa situação financeira tipo a pré-falimentar de uma empresa privada. Além disso, as crianças são espertas, inteligentes e assimilam mais rapidamente os ensinamentos, por isso, os treinamentos periódicos serão muito produtivos, provocando um processo educativo junto às famílias, com grandes benefícios para as próximas gerações.
Segundo Ulfradio, toda a população deveria se envolver na prevenção contra incêndio com campanhas e treinamentos em escolas e veículos de comunicação. Conforme Del Carlo (2008, p.15): “O ideal é a implantação de programas de educação em todos os níveis de cursos, desde a pré-escola até o terceiro grau, de maneira que todos possam conhecer os riscos de incêndio de suas atividades e quais as atitudes a ser tomadas em casos de incêndios.”
Incêndios em escolas – sejam por causas naturais ou criminosas - não são ocorrências incomuns, trazendo perdas materiais e humanas. Além disso, os incêndios em escolas podem causar a interrupção ou atraso do ano letivo, pelo fato de não haver condições da continuidade do uso da edificação, sendo prejudiciais ao processo de ensino.
Diante da necessidade de reduzir os riscos de incêndio nas instituições de ensino, prevenindo perdas humanas, patrimoniais e de continuidade do processo produtivo escolar, acreditamos que seja necessária uma modificação cultural no que tange a prevenção a incêndios, com necessidade de apresentar o assunto a população escolar – em sua grande maioria formada por crianças e adolescentes.
Além das questões comportamentais, deve-se também considerar as questões de elaboração de projetos, os quais ainda necessitam de uma mudança na concepção, deixando de ser uma mera exigência legal.
1.4 OBJETIVOS
1.4.1 Objetivo Geral
Analisar as medidas de segurança contra incêndio e as e rotas de fugas em uma instituição de ensino básico localizado no município de Florianópolis – Santa Catarina, considerando as peculiaridades da edificação e usuários.
1.4.2 Objetivos Específicos
- Revisar as normas referentes à prevenção contra incêndio aplicada às instituições de ensino;
- Avaliar as instalações de prevenção contra incêndio de uma edificação construída para o uso escolar, localizada em Florianópolis;
- Analisar a influência escolar na formação do cidadão a respeito da prevenção contra incêndio.
1.5 METODOLOGIA
A metodologia utilizada para elaboração do trabalho será baseada em pesquisa exploratória qualitativa, revisão bibliográfica, estudo de caso e avaliação dos resultados.
Primeiramente, para embasar o projeto, será realizada uma revisão bibliográfica referente ao tema, através de normas brasileiras, instruções normativas, livros, artigos, trabalhos acadêmicos, em meio físico ou digital. A busca teórica envolverá também questões de projetos de prevenção contra sendo utilizadas plantas baixas, fachadas, cortes e implantações de projetos aprovados, para obtenção de um entendimento maior a respeito do assunto.
Com base no referencial teórico adquirido será feito estudos de caso em escola de ensino básico. Será escolhida uma amostra onde a instituição de ensino foi implantada em edificação construída para o uso escolar. Será feita uma análise dos riscos existentes nas instituições de ensino e uma avaliação da percepção do usuário em relação ao risco.
A partir dos dados adquiridos será feita uma avaliação dos resultados, para chegar à conclusão das possíveis intervenções necessárias e mudanças de comportamento em relação ao usuário e elaboração de projetos.
1.6 ESTRUTURA DE TRABALHO
Este trabalho foi desenvolvido em cinco capítulos, conforme descrito abaixo: O primeiro capítulo apresenta a Introdução, trazendo a temática do trabalho, os objetivos gerais e específicos, e a metodologia de desenvolvimento.
O segundo capítulo traz o Referencial Teórico, que embasa conceitualmente todo o trabalho, auxiliando no estudo de caso e na análise dos resultados.
No terceiro capítulo é desenvolvido o Estudo de caso, onde em cima de uma amostra escolhida é analisado o que está sendo proposto pelo trabalho. Escolheu-se uma Instituição de Ensino, onde serão avaliadas as Instalações de segurança contra incêndio.
O quarto capítulo traz a Análise dos Resultados, onde é apresentada uma avaliação a respeito das Instalações de segurança contra incêndio.
Finalmente, o quinto capítulo apresenta a Conclusão, onde é feito uma síntese do trabalho realizado, observando a infraestrutura da Instituição de Ensino, sugerindo intervenções e ressaltando a preocupação da temática para a sociedade.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 FOGO E INCÊNDIO
Conforme a NBR 13860, o fogo é o processo de combustão caracterizado pela emissão de calor e luz. O fogo contribuiu muito para o desenvolvimento da humanidade, quando o homem aprendeu a controlá-lo, utilizando para aquecimento, cozimento, geração de energia, iluminação, atividades fabril, entre outras coisas. Segundo Ualfrido Del Carlo (2008), somente após a Segunda Guerra Mundial que o fogo começou a ser encarado como ciência; complexa, pois envolvia conhecimento de física, química, comportamento humano, toxicologia, engenharia, etc.
Segundo a ISO 8421-1, incêndio é a combustão rápida disseminando-se de forma descontrolada no tempo e no espaço. As causa de incêndio podem ser fenômenos termoelétricos, como curto-circuito e sobrecarga; fenômenos naturais, como raio; fenômenos químicos; origem acidental, como alguma deficiência em equipamentos; e ação pessoal, sendo esta ultima podendo ser intencional ou acidental. (George Braga et al., 2008).
2.2 NORMAS E LEIS DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO
O Brasil tem normas e leis referentes à segurança contra incêndio importante de citá-las, pois elas que definem os critérios de projetos e fiscalização das edificações.
A Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho, NR23 – Proteção Contra Incêndio determina a existência de quesitos básicos de prevenção, como sinalização e saídas de emergência, mas não define questões mais complexas e técnicas, como tipologia e quantitativos. Mas a norma chama atenção para um ponto importante: informação. Ela estabelece que o empregador deva providenciar aos trabalhadores informações sobre utilização dos equipamentos de combate ao incêndio; procedimentos para evacuação dos locais de trabalho com segurança; e dispositivos de alarme existentes.
A Lei Federal n° 13.425/2017 estabelece diretrizes gerais sobre medidas de prevenção e combate a incêndio e a desastres em estabelecimentos, edificações e áreas de reunião de público. O artigo 3° define uma importante responsabilidade:
Cabe ao Corpo de Bombeiros Militar planejar, analisar, avaliar, vistoriar, aprovar e fiscalizar as medidas de prevenção e combate a incêndio e a desastres em estabelecimentos, edificações e áreas de reunião de público, sem prejuízo das prerrogativas municipais no controle das edificações e do uso, do parcelamento e da
ocupação do solo urbano e das atribuições dos profissionais responsáveis pelos respectivos projetos.
Em Santa Catarina os projetos de prevenção contra incêndio devem atender às Normas de segurança contra incêndio, apresentada pelo Corpo de Bombeiros Militar, dividida em Instruções Normativas. São instruções que definem quesitos mínimos referentes à instalação, fiscalização e manutenção da segurança contra incêndio das edificações.
2.3 NORMA DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO PARA OCUPAÇÃO ESCOLAR GERAL
A Fundação para o Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo elaborou o Manual de Prevenção e ao Combate a Incêndio nas Escolas. Ele apresenta de forma didática os riscos de incêndio, utilização de equipamentos, orientações, levando um conhecimento maior para comunidade escolar, ideia básica que poderia ser adotado em escala nacional.
A Instrução Normativa n°1, das Normas de Segurança contra Incêndios de Santa Catarina, referente à atividade técnica, em seu artigo 132, define as exigências mínimas de sistema ou medida obrigatório para ocupação do tipo escolar geral (escolas de ensino fundamental, médio ou superior, creches, jardins de infância, maternal, curso supletivo, curso pré-vestibular e congêneres):
Figura 1 - Sistema ou medida obrigatório para ocupação do tipo escolar geral
Abaixo se encontram definições e pontos relevantes de alguns sistemas e medidas obrigatórias que deverão existir nas instalações de prevenção contra incêndio de ocupação do tipo escolar geral conforme as Normas de Segurança contra Incêndios de Santa Catarina.
2.3.1 Plano de Emergência
O plano de emergência contra incêndio no Estado de Santa Catarina tem seus critérios mínimos estabelecidos na IN 031/DAT/CBMSC, o qual utilizou como referência a NBR15219:2005 – Plano de Emergência Contra Incêndio – Requisitos.
Este plano tem como objetivo demonstrar as diretrizes, caso ocorra um incêndio, indicando as rotas de saída através das plantas de emergência interna e externa, e fluxograma dos procedimentos de emergência.
Conforme o artigo 5° da IN 031/DAT/CBMSC:
Art. 5° O plano de emergência contra incêndio deverá conter: I - procedimentos básicos na segurança contra incêndio; II – dos exercícios simulados;
III - plantas de emergência; e
IV - programa de manutenção dos sistemas preventivos.
2.3.2 Proteção por extintores
Brentano (2015, p.461) define extintor de incêndio como:
O extintor de incêndio é um aparelho de acionamento manual, portátil ou sobre rodas, constituído de recipiente metálico, que pode ser de aço, cobre, latão ou material equivalente e seus acessórios, que contém no seu interior um agente extintor, que pode ser expelido por um agente propelente e dirigido sobre um foco de fogo com a função de controlá-lo ou extingui-lo.
O autor ainda ressalta a utilização do equipamento no estágio inicial do fogo e por pessoas treinadas. Conforme Brentano (2015, p.461):
Os extintores de incêndio são equipamentos fundamentais para extinguir vários tipos de fogos quando estão no seu estágio inicial, mas somente no estágio inicial. O extintor de incêndio constitui uma parte importante do sistema de proteção contra incêndio de uma edificação, porque é o primeiro equipamento a ser utilizado no combate a um princípio de fogo por ser portátil, relativamente leve, disponível em vários pontos da edificação e fácil de ser manejado por qualquer pessoa, sem
maiores perdas de tempo em preparativos para coloca-lo em operação, mas, mesmo assim, sempre os operadores devem contar com treinamento básico.
Conforme a NBR 12693/1993, referente a sistemas de proteção por extintores de incêndio, os sistemas são classificados de acordo com a natureza do fogo, dos riscos, dos extintores e dos sistemas:
a) Classe de fogo, de acordo com a natureza do material combustível:
- Classe A: fogo envolvendo materiais combustíveis sólidos, tais como madeiras, tecidos, papéis, borrachas, plásticos termoestáveis e outras fibras orgânicas, que queimam em superfície e profundidade, deixando resíduos; - Classe B: fogo envolvendo líquidos e/ou gases inflamáveis ou combustíveis, plásticos e graxas que se liquefazem por ação do calor e queimam somente em superfície;
- Classe C: fogo envolvendo equipamentos e instalações elétricas energizados; - Classe D: fogo em metais combustíveis, tais como magnésio, titânio, zircônio, sódio, potássio e lítio.
b) Classe de risco, de acordo com a carga de incêndio da edificação: - Risco pequeno;
- Risco médio; - Risco grande.
c) Dos extintores, esses podem ser classificados de acordo com: - O agente extintor utilizado;
- A princípio de extinção; - O sistema de expulsão; - A sua massa total. d) Dos sitemas:
- Tipo 1: Sistema de extintores portáteis;
- Tipo 2: Sistema de extintores portáteis e sobre rodas.
Em Santa Catarina o Sistema Preventivo por Extintores – SPE é instituído pela IN 006/DAT/CBMSC. Conforme o artigo 7° da mesma o tipo de extintor e a distância máxima de caminhamento são definidos de acordo com a classe de risco de incêndio do imóvel e apresentado conforme tabela abaixo:
Figura 2 - Exigência do extintor de incêndio portátil em função do risco de incêndio
Fonte: IN 006/DAT/CNMSC
Os extintores de incêndio devem ser bem localizados, sem bloqueios, instalados em suportes adequados e acessíveis em sua altura. Devem ser ainda bem sinalizados.
2.3.3 Saídas de emergência
Conforme Telmo Brentano (2015, p.181):
Saída de emergência ou rota de saída de emergência ou de desocupação de uma edificação é um caminho contínuo, devidamente protegido, sinalizado e iluminado, constituído por portas, corredores, escadas, rampas, saguões, passagens externas, etc., a ser percorrido pelos ocupantes, por seus próprios meios, em caso de incêndio ou de outra emergência, a partir de qualquer ponto da edificação, até atingir a via pública ou outro espaço interno/externo definitivamente seguro.
A IN 009/DAT/CBMSC estabelece critérios de concepção e dimensionamento do Sistema de Saídas de Emergência adotado no Estado de Santa Catarina, e define que todas as saídas devem ser devidamente sinalizadas de forma clara. Conforme o artigo 13 da Instrução Normativa supracitada deve ser observado referente às saídas de emergências os seguintes itens: os acessos (circulação, corredores e hall), saídas adequadas em todos os pavimentos (escadas, rampas), e saídas finais adequadas (descargas e portas). Esta IN ainda define os critérios de dimensionamento das saídas de emergência.
2.3.3.1 Acessos
Os acessos devem ser bem sinalizados, desobstruído e livres de quaisquer obstáculos, devidamente calculado, com largura proporcional ao fluxo de pessoas conforme natureza da ocupação da edificação.
Conforme a IN 009/DAT/CBMSC nas edificações térreas o caminhamento máximo a ser percorrido de forma segura até a área de descarga, onde há ambiente setorizado, deve ser de 25m. Já em edificações verticalizadas quando não houver isolamento entre pavimentos, essa distância deve ser no máximo de 20m.
2.3.3.2 Saídas adequadas
Todos os pavimentos, em qualquer edificação, devem possuir saídas de emergência adequadas. Os pavimentos sem saída em nível para o espaço livre exterior devem possuir escadas e/ou rampas. O artigo 23 da IN 009/DAT/CBMSC traz uma consideração muito importante referente à finalização das escadas e rampas, e caso o artigo não fosse atendido em caso de incêndios haveria o risco de usuário ter dificuldades em atingir o nível de descarga, pois poderia passar direto ao subsolo ou continuar subindo aos pavimentos elevados: “Art. 23. Todos os tipos de escadas (comum, protegida, enclausurada, enclausurada à prova de fumaça e pressurizada) e rampas devem terminar obrigatoriamente no piso de descarga, não podendo ter comunicação direta com outro lanço na mesma prumada.”
A instrução normativa de Santa Catarina em seu artigo 27 cita os elementos que deverão compor as escadas e rampas:
Art. 27. Todas as escadas e rampas deverão possuir os seguintes componentes: I - degraus (exceto para rampas);
II - patamares;
III - corrimãos contínuos em ambos os lados; IV - guarda-corpos;
V - iluminação de emergência;
VI - sinalização nas paredes, em local visível, indicando o número do pavimento correspondente e no pavimento de descarga deverá ter sinalização indicando a saída.
A IN 009/DAT/CBMSC apresenta cinco tipos de escadas: escada comum; escada protegida; escada enclausurada; escada enclausurada a prova de fumaça; e escada pressurizada.
Os degraus devem possuir espelho entre 16 e 18cm. O bocel deverá ser igual ou menor a 2cm. O comprimento do degrau deve obedecer à fórmula de Blondel:
63 cm ≤ (2h + b) ≤ 64 cm
tal que: h = altura e b = comprimento.
Os degraus e patamares devem possuir piso revestido por materiais incombustíveis e antiderrapantes.
O corrimão principal deverá estar situado entre 80 e 92 cm, acima do nível da superfície do piso, nos dois lados da escada, mas em escolas, jardins de infância e assemelhados, deve haver, também, corrimãos nas alturas indicadas para o respectivo usuário.
Os guarda-corpos devem existir em saída de emergência sempre quando houver desnível maior que 55 cm, para evitar quedas e sua altura mínima deve ser de 1,1m, podendo haver uma redução para 92 cm em caso específicos.
As rampas devem atender os mesmos critérios gerais aplicados às escadas e a altura máxima a ser vencida é de 3m. Conforme IN 009/DAT/CBMSC, a declividade máxima de rampas externas e internas com reunião de público deve ser de 10%.
2.3.3.3 Saídas finais adequadas
As saídas finais adequadas para oferecer segurança num momento de pânico devem ser através de descargas e portas, devidamente dimensionadas.
Conforme o artigo 50 da IN 009/DAT/CBMSC descarga é definido como: “Art. 50. A descarga é a parte da saída de emergência de uma edificação, que fica no mesmo nível da via pública ou área externa em comunicação com a via pública, ligando a escada ou a rampa à via pública ou área externa.”
A IN ainda define os requisitos para a definição da largura da descarga:
Art. 54. A largura de descarga atenderá aos seguintes requisitos: I - será proporcional ao número de pessoas que por ela transitarem; II - terá no mínimo 1,2m de largura;
III - não poderá ser menor que a largura das escadas que com ela se comunique.
As portas nas rotas de emergência devem abrir no sentido do fluxo de saída e elas não devem diminuir a largura efetiva dos corredores.
2.3.3.4 Dimensionamento das saídas de emergência
Segundo a IN 009/DAT/CBMSC, as saídas de emergência são dimensionadas conforme o fluxo da população e/ou área de risco. Esses itens são determinados conforme a natureza da ocupação da edificação. Para auxiliar nos cálculos a IN traz duas tabelas em seu anexo: ANEXO B – Tipo e número de escadas, e ANEXO C – Capacidade de Passagem das Saídas de Emergência. Abaixo estão exemplificados os itens das tabelas referentes às edificações de classificação Escolar Geral.
Tabela 1 - Parte do Anexo B da IN 009/DAT/CBMSC – Tipo e número de escadas
CLASSIFICAÇÃO DAS EDIFICAÇÕES Altura (m)
Quantidade mínima e tipo de Escadas Quantidade Tipo Escola Geral (escolas de ensino fundamental, médio ou superior,
creches, jardins de infância, maternal, curso supletivo, cursos pré-vestibulares e congêneres). H ≤ 6 1 I H ≤ 12 2 II H ≤ 21 2 II, III H ≤ 30 2 III, IV H > 30 2 IV
Tipos de Escada: I – Escada Comum – (EC), II – Escada Protegida – (EP), III – Escada Enclausurada – (EE), IV – Escada à prova de fumaça – (EPF)
Fonte: IN 009/DAT/CNMSC
Tabela 2 - Parte do Anexo C da IN 009/DAT/CBMSC – Capacidade de passagem das saídas de emergência
Classe de Ocupação Cálculo da População
Capacidade (n° de pessoas por unidade de passagem) Corredores e
Circulação
Escadas e
Rampas Portas
Escolar geral; escolar diferenciada. 1 aluno/m² 100 60 100 Fonte: IN 009/DAT/CNMSC
Art. 60. A largura das saídas deve ser dimensionada em função do número de pessoas que por elas deva transitar, observando os seguintes critérios:
I - os acessos são dimensionados em função dos pavimentos que servirem à população;
II - as escadas, rampas e descargas são dimensionadas em função do pavimento de maior população, o qual determina as larguras mínimas para os lanços correspondentes aos demais pavimentos, considerando-se o sentido da saída. III - em edificações mistas, o número e tipo de escadas deverá ser de acordo com a ocupação que oferecer o maior número e melhor tipo de escada, considerando-se o sentido da saída.
A largura das saídas de emergência deve ser dada pela seguinte fórmula: N = P/ Ca
Tal que:
N = número de unidades de passagem (se fracionário, arredondar para mais); P = população;
Ca = capacidade da unidade de passagem.
A unidade de passagem adotada será de 55 cm, conforme preconiza a NBR 9077/1993 – Saídas de emergência em edifícios. A unidade de passagem significa a largura mínima para a passagem de uma fila de pessoa.
Para edificações escolares a largura mínima da circulação, escadas e rampas devem ser de 1,20m.
2.3.4 Iluminação de emergência e Sinalização para abandono do local
2.3.4.1 Iluminação de emergência
Conforme Telmo Brentano (2015, p.369):
A iluminação de emergência tem como objetivo substituir a iluminação artificial normal, que deve ser desligada ou pode até falhar em caso de incêndio, por fonte de energia própria que assegure um tempo mínimo de funcionamento. Ela deve garantir, durante este período, a intensidade dos pontos de luz de maneira a respeitar o nível mínimo de iluminância estabelecido pela norma ou pela legislação adotada no local, proporcionando a saída com rapidez e segurança dos ocupantes da edificação.
A IN 011/DAT/CBMSC referente ao Sistema de Iluminação de Emergência traz considerações importantes que devem ser adotadas nos projetos de prevenção contra incêndio no estado de Santa Catarina. Alguns desses quesitos estão citados a seguir.
Nas instituições escolares o sistema de iluminação de emergência – SIE deve ter autonomia mínima de 1h e garantir nível mínimo de iluminamento de 3 lux para locais planos e 5 lux para locais com desnível.
Os artigos 9 e 10 da IN citam as distâncias e as localizações do SIE:
Art. 9º. A distância máxima entre 2 pontos de iluminação de ambiente deve ser equivalente a 4 vezes a altura da instalação destes em relação ao nível do piso. Art. 10. A altura máxima de instalação dos pontos de iluminação de emergência é imediatamente acima das aberturas do ambiente (portas, janelas ou elementos vazados).
2.3.4.2 Sinalização para abandono do local
A sinalização para abandono de local – SAL - deve ser utilizada para guiar o usuário de forma clara e objetiva para a área externa ou um local seguro em caso de pânico ou incêndio.
A SAL deve ser instalada imediatamente acima das aberturas do ambiente. Podem ser do tipo placa fotoluminescente ou placa luminosa. Devem ter mensagem de saída e quando necessário conter seta direcional demonstrando o fluxo a ser seguido.
2.3.5 Sistema de alarme e detecção de incêndio
O sistema de alarme e detecção de incêndio também auxilia para a retirada da população da edificação em caso de pânico ou incêndio. No início do incêndio, há liberação de calor, gases e fumaça, capazes de ser detectados, alertando ao usuário. Quanto mais rápido é detectado o principio de incêndio maior as chances da retirada de forma segura dos transeuntes, conforme afirma Brentano (2015, p.413):
Deve ser sempre lembrado que o fator tempo, isto é, não se pode perder tempo, é o mais importante numa emergência de incêndio. Mas, para isso a detecção imediata de um princípio de fogo é fundamental, além de ter pessoas treinadas para coordenar a desocupação da edificação e as operações de combate ao fogo com equipamentos sempre em condições.
O Corpo de Bombeiro Militar de Santa Catarina define critérios para a instalação do sistema de alarme e detecção de incêndio - SADI. Conforme o artigo 7° da IN 012/DAT/CBMSC, referente ao SADI, o sistema é composto por central de alarme, detectores de incêndio, acionadores manuais e avisadores sonoros ou visuais.
Cada pavimento da edificação deve possuir um acionador manual do sistema de alarme, que deve estar na cor vermelha, com instruções de uso, de fácil acesso, próximo a rotas de fuga e instalado entre 0,9 e 1,35m do nível do piso acabado. O caminhamento máximo do usuário ao acionador deve ser de 30m.
Conforme já citado, os avisadores podem ser visuais ou sonoros. O som emitido deve ser audível em toda área protegida pelo SADI. O artigo 17 define quando os avisadores visuais são obrigatórios:
Art. 17. Os avisadores visuais são obrigatórios:
I – em locais com nível de pressão sonora acima de 105 dBA; II – nos imóveis com risco de incêndio médio ou elevado;
III – onde as pessoas utilizem protetores auriculares; ou IV – em locais com acesso de portadores de deficiência auditiva.
2.3.6 Brigadista de incêndio voluntário
Um dos fatores que influenciam no processo de desocupação de uma edificação num momento de pânico e/ou incêndio é o comportamento dos usuários. Conforme Brentano (2015, p.569):
O comportamento humano, em incêndios de edificações, é variado. Há pessoas com comportamento altruístas e tentam de todas as formas ajudar os demais; outros procuram individualmente uma saída de forma ais rápida possível e outros, ainda, simplesmente, entram em pânico e não conseguem sair do lugar. Esta diversidade de comportamento pode gerar situações de conflito e retardar muito a desocupação da edificação por ocasião de uma emergência de incêndio.
Em se tratando de escolas de ensino básico, além da diversidade comportamental, temos uma diversidade física (faixas etárias diferentes e pessoas com necessidades especiais), que influenciam diretamente no processo e podem dificultar ainda mais no momento de evacuação.
Uma forma de amenizar essa problemática no momento da retirada dos usuários da edificação, seja ela de qualquer ocupação, é a formação de uma brigada de incêndio competente. Telmo Brentano conceitua (2015, p.567):
A brigada de incêndio é um grupo organizado de pessoas, preferencialmente voluntárias ou indicadas, treinadas e capacitadas para atuar na prevenção, no auxílio da saída com segurança das pessoas, na prestação dos primeiros socorros e no combate a um princípio de incêndio numa edificação de uma área preestabelecida.
Em instituições de ensino a brigada de incêndio pode ser formada por funcionários e professores da própria escola. A IN 001/DAT/CBMSC determina que deve haver brigada de incêndio voluntária quando a população fixa for superior a 10 pessoas.
A NBR 14276:2006, referente à Brigada de incêndio – Requisitos define e distingue população fixa da população flutuante (2006, p.3):
3.30 população fixa: Aquele que permanece regularmente na edificação,
considerando-se os turnos de trabalho e a natureza da ocupação, bem como os terceiros nestas condições
3.31 população flutuante: Aquele que não permanece regulamente na planta. Deve
ser sempre considerado o número máximo diário de pessoas.
Esta mesma NBR possui em seu Anexo A a composição da brigada de incêndio por pavimento ou compartimento. Ela determina que para Escola em Geral (escolas de primeiro, segundo e terceiros graus, cursos supletivos e pré-universitários e assemelhados) há uma variação do número de brigadista conforme o grau de risco e a população fixa. Já para a Pré-escola (creches, escolas maternais, jardins de infância, etc) todos os profissionais devem compor a brigada de incêndio, haja vista a dependência das crianças em caso de pânico e incêndio.
Em Santa Catarina, a IN 028/DAT/CBMSC, referente à Brigada de Incêndio, determina que em escolas em geral, abrangendo escolas de ensino fundamental, médio ou superior, creches, jardins de infância, maternal, curso supletivo, curso pré-vestibular e congêneres, com uma população fixa de acima de 10 pessoas, o cálculo da quantidade de brigadistas será de 2% da população fixa do imóvel.
Os brigadistas voluntários apresentam um alto grau de responsabilidade. A IN 028/DAT/CBMSC traz em seu artigo 19 as atribuições dos brigadistas voluntários (2014, p.7):
Art. 19. Os brigadistas voluntários deverão atuar nas seguintes situações: I - combater o princípio de incêndio com os dispositivos da edificação; II - orientar e auxiliar no abandono da edificação;
III - orientar a evacuação do imóvel quando em caso de incêndio e/ou sempre em que houver o acionamento do alarme de incêndio;
IV - participar dos exercícios simulados.
Os membros das brigada voluntária devem participar de cursos credenciados e com requisitos mínimos de conteúdo e carga horária, para estarem preparados a atuarem como brigadistas.
O exercício de simulação de pânico e incêndio é uma atividade que deve ser feita constantemente com a participação de todos, inclusive com estudantes, para cada vez mais criar-se uma cultura referente à prevenção e combate ao incêndio.
3 ESTUDO DE CASO
Neste capítulo será apresentada a edificação escolhida, sua estrutura abordando o sistema de prevenção de incêndio e a relação dos usuários com a estrutura oferecida.
3.1 EDIFICAÇÃO
A instituição de ensino escolhida para o estudo de caso foi uma Escola, localizada no bairro Costeira do Pirajubaé, município de Florianópolis – Santa Catarina. A escola tem acesso pela Avenida Jorge Lacerda e está às margens da Rodovia Aderbal Ramos da Silva.
Figura 3 - Imagem Aérea Escola Básica Júlio da Costa Neves
Fonte: Google Earth
A instituição de ensino foi inaugurada em 2015, e atende aproximadamente 700 crianças e adolescentes (entre 6 e 17 anos de idade), do ensino fundamental ao ensino médio, distribuídas nos períodos matutino, vespertino e noturno. No período da noite ainda há aulas de Educação para Jovens e Adultos – EJA. Conforme dados fornecidos são 480 alunos na parte da manhã, 290 à tarde, e 120 à noite. A instituição ainda conta com 11 funcionários e 48 professores.
Há alunos com necessidades especiais, como cadeirante, altistas, mudo, surdo e cego.
A escola possui uma área construída de 5.421,11m². A escola é em alvenaria, com estrutura de concreto armado e janelas de alumínio. O terreno da escola é murado.
A escola é constituída praticamente por quatro blocos:
- Bloco central, onde está situada a biblioteca, as funções pedagógicas e administrativas, 12 salas de aulas, 7 laboratórios e banheiros (3.241, 84m²);
- Área de serviços e vivência, onde estão instaladas a cozinha, dispensas, banheiros e refeitório (533,01m²);
- Centro esportivo e cultural, caracterizado por um ginásio esportivo e vestiários (1.186,69m²);
- Auditório (459,57m²).
Figura 4 - Implantação da Escola
Fonte: Autor, 2018
O bloco central, com dois pavimentos e a caixa d’água, é onde apresenta o ponto mais alto da construção, com uma altura aproximadamente de 12m.
Figura 5 - Escola Básica
Fonte: James Tavares/Secom
3.2 ACESSOS
A escola possui um único acesso de veículos e outro acesso para pedestres e esses acessos não são isolados. Há um espaço para estacionamento, onde há a circulação de veículo junto à entrada de crianças, jovens e funcionários.
A entrada principal possui uma dimensão de 7,70m, aberto constantemente, haja vista que não há portas para fechamento. Os corredores do térreo do bloco principal possuem uma dimensão de 2,00m e o piso é de revestimento cerâmico. Na parte central há um pátio, com desnível em relação à circulação de acesso as salas de aulas. O piso do pátio central vem sofrendo com o movimento do solo e apresenta ondulações do piso.
Figura 6 - Pátio central
Fonte: Autor, 2018
O acesso ao nível superior se dá através de uma rampa, com seis lances e inclinação de 8,14%; e duas escadas, sendo estas localizadas no pátio central, cada uma em um extremo da edificação. A rampa possui uma largura de 1,44 e seu corrimão está localizado a uma altura de 0,80m. As escadas possuem uma largura de 1,47m, e o corrimão possuí duas alturas: 0,81m e 1,07m. Os degraus da escada possuem comprimento de 26cm e altura de 19cm.
Figura 7 - Rampa
Fonte: Autor, 2018
Figura 8 - Escada
Fonte: Autor, 2018
As portas de acesso às salas de aula e laboratórios possuem 90cm. A porta aos banheiros possuem 80cm. Há banheiros passa pessoas com necessidades especiais – PNE. A porta da Biblioteca é de vidro temperado.
Os blocos estão dispostos de uma forma que se criam corredores entre eles.
Figura 9 - Corredores entre blocos
3.3 INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO
Através da visita realizada na Escola Básica, foi identificado vários sistemas instalados para prevenção contra incêndio. Foram detectadas as seguintes instalações:
a) Proteção por extintores; b) Instalação de gás combustível;
c) Iluminação de emergência e Sinalização para abandono do local; d) Sistema de alarme e detecção de incêndio;
e) Sistema de proteção e descargas atmosféricas; f) Sistema hidráulico preventivo
Figura 10 - Proteção por extintores
Fonte: Autor, 2018
Figura 11 - Instalação de gás combustível
Fonte: Autor, 2018
Figura 12 - Iluminação de emergência
Fonte: Autor, 2018
Figura 13 - Sinalização para abandono de local
Fonte: Autor, 2018
Figura 14 - Central de Detecção e Alarme de Incêndio
Fonte: Autor, 2018
Figura 15 - Sistema de detecção e alarme de incêndio
Figura 16 - Sistema de proteção e descargas atmosféricas
Fonte: Autor, 2018
Figura 17 - Sistema hidráulico preventivo
Fonte: Autor, 2018
4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
Inicialmente para a análise dos resultados foi identificado se as instalações existentes na Escola Básica atendiam as exigências da IN 001/DAT/CBMSC. Consta abaixo a tabela que exemplifica este comparativo:
Tabela 3 - Análise das instalações de prevenção contra incêndio conforme IN001/DAT/CBMSC
Parâmetro mínimo
Sistema ou medida obrigatório Ambientes
Bloco central Centro esportivo e cultural Auditório Área de serviços e vivência
Independente Plano de emergência Não possuí
Independente Proteção por extintores sim sim sim sim
Independente Saídas de emergência Sim sim sim sim
Independente Instalação de gás combustível Não se aplica sim Independente Iluminação de emergência e
sinalização para abandono de local nas circulações, saídas de emergência, salas de aula, auditórios e elevadores.
Sim sim sim sim
Independente Materiais de acabamento e revestimento
apropriado apropriado apropriado apropriado
Independente Piscina de uso coletivo Não se aplica A≥150m² Sistema de alarme e detecção de
incêndio
sim sim sim sim
H≥20m ou A≥750m²
Sistema de proteção contra descargas atmosféricas
sim sim Não se aplica
H≥4 pvtos ou A≥750m²
Sistema hidráulico preventivo sim sim Não se aplica
H>20m Dispositivo de ancoragem de cabos Não se aplica H>40m Local para resgate aéreo Não se aplica H>60m Elevador de emergência Não se aplica Fonte: Autor, 2018
Importante ressaltarmos também que a distribuição dos equipamentos instalados de prevenção e combate ao incêndio consta de forma coerente respeitando os caminhamentos mínimos exigidos pelo o Corpo de Bombeiro Militar de Santa Catarina.
Figura 18 - Pátrio central, distribuição de equipamentos de prevenção contra incêndio.
Fonte: Autor, 2018
Figura 19 - Pátrio central, distribuição de equipamentos de prevenção contra incêndio.
Fonte: Autor, 2018
Apesar da existência das instalações, conforme demonstrado, quando analisamos a manutenção e a preservação dos equipamentos, nos deparamos com situações perigosas e lamentáveis.
Infelizmente, devido à falta da cultura da prevenção de incêndio, a falta de informação para a constatação de risco e a falta de prioridades na educação, nos leva a presenciar equipamentos com sinais de vandalismo ou até mesmo furtados, conforme demonstrado nas imagens abaixo:
Figura 20 - Extintores esvaziados
Fonte: Autor, 2018
Figura 21- Furto da placa de sinalização de saída
Fonte: Autor, 2018
Figura 22 - Vidro de proteção do extintor quebrado e tela de abertura da central de gás danificada
Uma das áreas que não se constatou presença de vandalismo é dentro da cozinha, onde há o cozimento de alimento com auxilio do fogo. Além de ser uma área bem equipada em termos de prevenção contra incêndio é uma área de grande controle, restrito apenas à funcionários.
Em relação aos acessos e circulação foram identificados alguns pontos importantes de serem citados
Foi necessário ser criado uma rampa improvisada, para permitir o acesso de alunos cadeirantes.
Figura 23 - Rampa de acesso improvisada
Fonte: Autor, 2018
Os corrimãos da rampa e escadas estão entre 80 e 92 cm, conforme estabelece a IN 009/DAT/CBMSC. Mas deveria haver rampas em alturas inferiores para atender crianças de menores estaturas.
Uma escada em cada extremo do bloco central, além da existência da rampa, é um fator positivo caso ocorra à necessidade de evacuação do prédio. Porém as escadas apresentam problemas, como a falta de manutenção, ocasionando a perda da faixa antiderrapante dos degraus e a existência de uma rampa antes do acesso á escada.
Figura 24 - Rampa existente no início da escada
Fonte: Autor, 2018
Figura 25 - Falta de faixa antiderrapante nos degraus
’ Fonte: Autor, 2018
O degrau foi dimensionado com comprimento de 26cm e altura de 19cm. A relação que determina a fórmula de Blondel é respeitada:
63cm ≤ (2h + b) ≤ 64 cm 63 ≤ (2*19 + 26) ≤ 64
Entretanto, o Corpo de Bombeiros determina que os degraus devem possuir espelho entre 16 e 18cm.
Em análise as dimensões das saídas de emergência (acessos, escadas, rampas e portas) da Escola Básica Júlio da Costa Neves, temos:
N = P/ Ca
Tal que:
N = número de unidades de passagem (se fracionário, arredondar para mais); P = população;
Ca = capacidade da unidade de passagem (pessoas/up, conforme ANEXO C IN009).
A largura de cada saída é igual ao produto de N por 55cm (largura para 1 ue). A edificação consiste em Classe de Ocupação “Escolar Geral. Foi considerado que:
• Para os Corredores e Circulação admite-se Ca = 100 pessoas/ ue; • Para as Escadas e Rampas admite-se Ca = 60 pessoas/ ue; • Para as Portas admite-se Ca = 100 pessoas/ ue.
O resultado de dimensionamento da escada e rampas é apresentado abaixo.
Tabela 4 - Dimensionamento escadas e rampas (Ca=60 pessoas/ue)
Edificação/local atendido Área População considerada N Quantidade Largura
Pavimento Superior 1538,81 600 pessoas 10 4 1,375m Fonte: Autor, 2018
O maior fluxo de alunos apresentado na Escola Básica é no período matutino onde são atendidos 480 alunos. Para fins de cálculo consideramos um quantitativo de 600 pessoas
Edificações com altura total inferior a 6m devem apresentar no mínimo 01 Escada Comum – EC (Anexo B IN009/DAT/CBMSC). No caso da escola existem três escadas e uma rampa, com larguras aproximadamente de 1,45m. O que atende a demanda de alunos atendidos. Caso haja um aumento do número de usuários as saídas deveriam ser revistas.
Os resultados de dimensionamento das portas de emergência são apresentados na tabela abaixo.
Tabela 5 - Dimensionamento portas de emergência (Ca=100 pessoas/ue)
Edificação/local atendido Área População considerada N Quantidade Largura
Total 3108,77 600 pessoas 6 1 3,30m
Fonte: Autor, 2018
A saída principal possui 7,7m, o que atende plenamente os cálculos de dimensão. Um fator positivo referente à acessibilidade, é que os blocos edificados estão dispostos de uma forma que o carro de bombeiros consegue ter uma boa circulação, acessando até a parte de trás do terreno.
Em análise as exigências da IN001/DAT/CBMSC, para edificação do tipo Escolar Geral, foram constatadas que escola não possui Plano de Emergência e nem Brigadista de
incêndio voluntário, demonstrando um risco e a falta de cultura relacionado à prevenção contra incêndio.
O Plano de Emergência seria fundamental para uma análise de riscos e a informação de rotas e procedimentos a serem adotados em caso de emergência. Já a existência de uma brigada de incêndio seria importante para em caso de emergência os membros pudessem auxiliar no processo de evacuação e outro procedimento necessário a ser adotado.
Em se tratando de uma instituição de ensino é fundamental que todos os professores estejam envolvidos e sejam membros da brigada de incêndio, para que em caso de sinistro possam ajudar imediatamente os alunos pelos quais estão responsáveis. É interessante também a participação dos alunos, para a brigada de incêndio é fundamental que o aluno tenha no mínimo 18 anos, o que já é mais escasso em instituições de ensino básico, mas caso exista é uma forma de repassar responsabilidades, contribuindo para a formação do aluno e uma mudança cultural.
Muitas vezes os professores e os alunos não tem conhecimento dos riscos existentes, o que prejudica ainda mais em caso de pânico e incêndio.
5 CONCLUSÃO
A prevenção contra incêndio é algo que deve ser discutido desde a formação do indivíduo e para isso deve-se utilizar o meio escolar para a transformação da cultura. É fundamental que o conhecimento dos riscos e a forma de prevenção sejam ensinados desde criança. Somente quando a pessoa detém a informação é que ela respeita e valoriza de forma consciente todo o processo envolvido, no caso de incêndio a prevenção e a forma de agir diante do sinistro.
São importantes as ações coletivas envolvendo a comunidade, escolas e Corpo de Bombeiros. O Corpo de Bombeiros é a corporação que mais pode instruir o cidadão quando o assunto é combate ao incêndio, por isso, a importância da participação maior na hora de debates e informações à sociedade.
Este trabalho alcançou seus objetivos de avaliar as medidas de segurança contra incêndio e as e rotas de fugas em uma instituição de ensino básico, de forma que possibilitou um olhar mais crítico na relação da formação do cidadão diante dos riscos existentes.
Tornar uma temática abordada em alguma disciplina escolar seria uma forma de trazer o assunto de maneira frequente às instituições de ensino. Além do conhecimento dos riscos, fazer simulação de incêndio anualmente ou cursos de primeiros socorros seria uma forma de envolver todos os usuários. O conhecimento dos riscos diminuiria os atos de vandalismo e furtos ocorridos de forma constante nas escolas brasileiras.
O despreparo dos professores diante de algum sinistro não é culpa dos docentes, muitos deles se sentem despreparados por falta de uma formação, mas estão dispostos a colaborar e ter o conhecimento dos riscos envolvidos em uma edificação.
Deve-se caminhar para uma mudança cultural quando o assunto é combate e prevenção de incêndio, desde a concepção do projeto até mesmo o comportamento dos usuários, instalações e o conhecimento dos riscos. Para um melhor resultado devem-se fortalecer as fiscalizações feitas por órgãos competentes.
A prevenção contra incêndio é de extrema importância para evitarmos perdas humanas e materiais, e associar isto às instituições de ensino é uma forma de contribuir para uma mudança cultural necessária.
REFERÊNCIAS
BRENTANO, Telmo. A Proteção Contra Incêndio no Projeto de Edificações. 3°ed. Porto Alegre: Edição do autor, 2015.
SEITO, Alexandre Itiu et al. A Segurança Contra Incêndio no Brasil. São Paulo: Projeto Editora, 2008.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Editora UNESP, 2000.
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas – NBR 13860/1997. Glossário de termos relacionados com a segurança contra incêndio. Rio de Janeiro, 1997.
International Organization for Standardization – ISSO 84211. Fire protection Vocabulary -- Part 1: General terms and phenomena of fire.
BRASIL. Lei 13.425, de 30 de março de 2017. Estabelece diretrizes gerais sobre medidas de prevenção e combate a incêndio e a desastres em estabelecimentos, edificações e áreas de reunião de público; altera as Leis n.º 8.078, de 11 de setembro de 1990, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil; e dá outras providências.
Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho. NR 23 – Proteção Contra Incêndios. MENDES, Celina Milani Rodrigues Amorim. Percepção de risco de incêndio em escolas municipais de Campo Magro/PR. Curitiba, 2014. Monografia (Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho). Departamento Acadêmico de Construção Civil, Universidade Tecnológica Federal do Paraná.
CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SANTA CATARINA. NSCI – Normas de segurança contra incêndios. Disponível em <http://www.cbm.sc.gov.br/dat/index.php/instrucoes-normativas-in> Acesso em 22 de fevereiro de 2016.
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas – NBR 15219/2005. Plano de emergência contra incêndio - Requisitos. Rio de Janeiro, 2005.
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas – NBR 9077/1993. Saída de emergência Rio de Janeiro, 1993.
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas – NBR 14276/2006. Brigada de incêndio - Requisitos. Rio de Janeiro, 1997.