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D Daattaa 31 de julho de 2009 I Inntteerreessssaaddoo C CNNPPJJ//CCPPFF
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS
PREVIDENCIÁRIAS
As verbas pagas a título de Auxílio-Excepcional, desde que atendidas as condições legalmente
exigidas, têm natureza indenizatória, e não
remuneratória, uma vez que o seu pagamento objetiva auxiliar o empregado nas despesas de educação e tratamento especializados despendidas. Deste modo, as referidas verbas não integram o salário-de-contribuição, não se sujeitando, portanto, à incidência de contribuição previdenciária.
Dispositivos Legais: Lei nº 8.212 de 1991, art.28,§9º
alínea “q”, Decreto nº 3.048 de 1999, art.214, § 9º, inciso XVI, IN SRP nº 3, de 2005, art. 72, inciso XVII, CF, art. 7º, incisos XXV e XXVI.
“DOCUMENTO FORNECIDO EM CUMPRIMENTO À LEI DE ACESSO A INFORMAÇÃO. REGISTRE-SE QUE A PUBLICAÇÃO, NA IMPRENSA OFICIAL, DE ATO NORMATIVO SUPERVENIENTE MODIFICA AS CONCLUSÕES EM CONTRÁRIO CONSTANTES EM SOLUÇÕES DE CONSULTA OU EM SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA,
INDEPENDENTEMENTE DE COMUNICAÇÃO AO CONSULENTE” (ARTS. 99 E 100 DO DECRETO Nº 7.574, DE 29 DE SETEMBRO DE 2011).
Relatório
A Consulente, acima identificada, sociedade de economia mista, desenvolve atividade como empresa que se dedica ao ramo de construção civil, formula consulta à Receita Federal do Brasil sobre a interpretação da legislação tributária relativa a tributo administrado por esse órgão, conforme descrito a seguir:
A interessada informa que no Regulamento de Pessoal XXXXX contém o Auxílio Excepcional, especificamente no seu artigo XXXXX, que diz:
“A empresa pagará mensalmente a seus empregados que tenham filhos excepcionais, o valor correspondente a dois e meio salários mínimos, para cada filho, mediante apresentação de comprovante de tratamento a que estiver submetido, devendo o empregado apresentar anualmente laudo de avaliação médica;”
Declara, também, que atualmente existem três empregados com filhos em condições especiais que atendem os requisitos exigidos no Regulamento de Pessoal da empresa para receberem o Auxílio Excepcional, e, por fim, pergunta:
O Auxílio Excepcional, acima citado, pode ser interpretado da mesma forma como está prescrito no artigo 28, § 9º, alínea “q”, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, ou seja, isento de Contribuição Previdenciária, FGTS e Imposto de Renda?
Fundamentos
A Lei 8.212/91, no seu art. 28, § 9º, alínea “q”, prescreve o seguinte:
Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: (...)
§ 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)
(...)
q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)
O Decreto 3.048, de 06/05/1999 (na redação dada pelo Decreto 3.265, de 29/11/1999) em seu artigo 214, 9º, inciso XVI e a Instrução Normativa SRP nº 03/2005, no seu art. 72, inciso XVII, determinam no mesmo sentido da Lei 8.212/91.
A Constituição da República Federativa do Brasil no seu art. 7º, incisos XXV e XXVI, prescreve como direito dos trabalhadores, além de outros, aqueles que visem à melhoria de sua condição social: a assistência gratuita aos filhos e dependentes, desde os cinco anos de idade, em creches e pré-escolas e determina o reconhecimento das Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho, conforme expresso a seguir:
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
(...)
XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de
trabalho; (grifo nosso).
(...)
Em decorrência do disposto no inciso XXVI, do artigo 7º, da CF, surgiram várias decisões com relação ao Auxílio-Creche, Auxílio-Babá e Auxílio por Filho Excepcional, emanadas de Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho.
Nestas decisões ficam determinados os requisitos essenciais para que a empresa possa conceder determinados benefícios aos empregados que estejam, como por exemplo, em qualquer das situações acima especificadas.
Vale observar que os Acordos Coletivos constroem-se por empresa ou empresas, em âmbito mais limitado do que o das Convenções, com efeitos somente aplicáveis à (s) empresa (s) e trabalhadores envolvidos. A Convenção Coletiva resulta, pois, de negociações entabuladas por entidades sindicais, quer a dos empregados, quer a dos respectivos empregadores.
As Convenções Coletivas, embora de origem privada, criam regras jurídicas (normas autônomas), isto é, preceitos gerais, abstratos e impessoais, dirigidos a normatizar situações ad futurum.
Apenas, para exemplificar, seguem algumas decisões resultantes de Acordos e de Convenções Coletivas de Trabalho.
Acordo Coletivo de Trabalho: AUXÍLIO CRECHE A ---pagará
mensalmente a todos os seus empregados (que tiverem filhos na idade que será indicada) a importância de R$232,07 (duzentos e trinta e dois reais e sete centavos) a título de auxílio creche, por filho, mediante recibo de mensalidade escolar de seus filhos de 0 (zero) a seis (seis) anos, 11 (onze) meses e 29 (vinte e nove) dias. A ... concederá igual auxílio aos empregados (as) que tenham filhos excepcionais ou permanentemente inválidos, desde que esta condição seja comprovada por relatório médico.
AUXÍLIO POR FILHO EXCEPCIONAL (oriunda de Sindicato)
As empresas reembolsarão, aos seus empregados, mensalmente, a título de auxílio, o valor correspondente a até 60% (sessenta por cento) do salário normativo vigente no mês de competência do reembolso, as despesas efetiva e comprovadamente feitas pelos mesmos com
educação especializada do (s) seu (s) filho (s) excepcional (is), assim considerado (s) os portadores de limitação psicomotora, os cegos, os surdos, os mudos e os deficientes mentais, comprovado por médico especialista e ratificado pelo médico da empresa e, na falta deste, por médico do convênio ou do INSS, nesta ordem de indicação e preferência.
Auxílio-Filhos Excepcionais ou Deficientes Físicos (oriunda de
Sindicato).
--- com filho excepcional ou deficiente físico tem direito ao recebimento de auxílio, nos mesmos limites e procedimentos adotados
para o pagamento do Auxílio-Creche/Auxílio-Babá. Neste caso, sem limite de idade.
Também, por Sentença Judicial, tem-se:
APELAÇÃO CIVIL AC 420382 RJ 2004.51.01.006781-7 (TRF2)
Relator: Desembargador Federal PAULO BARATA Julgamento: 26/08/2008
Órgão Julgador: TERCEIRA TURMA ESPECIALIZADA Publicação: DJU Data: 04/09/2008 Página: 250 Ementa
TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI Nº 8.212/91. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE AUXÍLIO AO EXCEPCIONAL. NATUREZA JURÍDICA. PROVA.
1. Ação anulatória de débito referente à incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a título de auxílio ao excepcional.
2. A base de cálculo da contribuição impugnada é a remuneração efetivamente recebida a qualquer título pelo empregado (art. 28, I, da Lei 8.212/91).
3. Os valores percebidos a título de auxílio-excepcional têm natureza indenizatória, e não remuneratória, uma vez que o seu pagamento objetiva auxiliar o empregado ou aposentado nas despesas de educação e tratamento especializado despendidas em relação aos filhos excepcionais.
4. A referida verba não integra, pois o salário-de-contribuição, não se sujeitando à incidência de contribuição previdenciária.
5. Indispensável a prova de que os valores objeto do lançamento impugnado foram efetivamente gastos com a finalidade de auxiliar os filhos excepcionais conforme previsto nos acordos coletivos de trabalho, o que não restou demonstrado nos autos.
(...)
Observe-se que a concessão dos benefícios, acima citados, fica condicionada ao preenchimento de determinados requisitos, levando-se em consideração cada caso em particular. E, na situação em epígrafe, as verbas pagas a título de auxílio-excepcional, desde que atendidas as condições legalmente
exigidas, não integram o salário-de-contribuição.
Diante do exposto, informa-se à Consulente que a implantação na empresa de benefícios, como por exemplo: Auxílio-Creche, Auxílio-Babá, Auxílio-Excepcional, e etc, estão sujeitos a procedimentos os quais têm previsão legal e, como tal, devem ser atendidos, inclusive, para que sobre aqueles não incida contribuição previdenciária.
No que diz respeito ao segundo questionamento da Consulente, relativo à isenção do FGTS – Fundo de Garantia do Tempo de Serviço relacionada ao Auxílio Excepcional, cabe registrar que este Fundo é administrado pelo Conselho Curador do FGTS e não, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
No que se refere à isenção do Imposto de Renda, também relacionada ao Auxílio Excepcional, observa-se que não está contemplada entre os rendimentos isentos e não tributáveis previstos no artigo 39, inciso VI, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999.
Além disso, conclui-se que, com relação à referida isenção, a consulta será declarada ineficaz, em virtude da falta de identificação dos dispositivos da legislação tributária sobre cuja aplicação haja dúvida, com base no que dispõe o inciso II, do artigo 15 da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02.05.2007.
Diante do exposto, submete-se o presente entendimento à Chefia da Divisão de Tributação da Superintendência da Receita Federal do Brasil da 5ª Região Fiscal.
Nazilda Mª S. Medeiros dos Santos
Conclusão
De acordo. Deste modo, responde-se à Consulente, com relação ao seu primeiro questionamento, que as verbas pagas a título de Auxílio-Excepcional têm natureza indenizatória, e não remuneratória, uma vez que o seu pagamento objetiva auxiliar o empregado nas despesas de educação e tratamento especializados despendidas, não se sujeitando à incidência de contribuição previdenciária, conforme determina a Lei 8.212/91, artigo 28, § 9º, alínea “q”; Decreto 3.048/99, artigo 214, § 9º, inciso XVI; Instrução Normativa SRP nº 03/2005, artigo 72, inciso XVII e a Constituição Federal, artigo 7º, incisos XXV e XXVI.
Ordem de Intimação
A XXXXX para ciência ao interessado, mediante cópia desta Solução de Consulta, da qual não cabe interposição de recurso ou pedido de reconsideração, conforme o disposto no § 2° do art. 10 da IN RFB n° 740, de 02.05.2007.
No caso de divergência de conclusão da consulta, conforme previsto no artigo 16, §§ 1º e 3º da IN RFB nº 740, de 2007, a Interessada poderá interpor recurso especial, sem efeito suspensivo, à Coordenação-Geral do Sistema de Tributação, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência dessa solução, ou da solução divergente, se publicada posteriormente à ciência desta, cabendo-lhe comprovar, mediante juntada da publicação, a existência das soluções divergentes sobre idênticas situações.
Lícia Maria Alencar Sobrinho Chefe da Divisão de
Tributação
Delegação de Competência
Portaria SRRF 5a n° 238, de 25.05.2007