Revisional – 7º ano
1) Leia atentamente o texto e responda as questões:
O menino e o arco-íris
Era uma vez um menino curioso e entediado. Começou assustando-se com as cadeiras, as mesas e os demais objetos domésticos. Apalpava-os, mordia-os e jogava-os no chão: esperava certamente uma resposta que os objetos não lhe davam. Descobriu alguns objetos mais interessantes que os sapatos: os copos – estes, quando atirados ao chão, quebravam-se. Já era alguma coisa, pelo menos não permaneciam os mesmos depois da ação. Mas logo o menino (que era profundamente entediado) cansou-se dos copos: no fim de tudo era vidro e só vidro.
Mais tarde pôde passar para o quintal e descobriu as galinhas e as plantas. Já eram mais interessantes, sobretudo as galinhas, que falavam uma língua incompreensível e bicavam a terra. Conheceu o peru, a galinha- d´Angola e o pavão. Mas logo se acostumou a todos eles, e continuou entediado como sempre.
Não pensava, não indagava com palavras, mas explorava sem cessar a realidade. Quando pôde sair à rua, teve novas esperanças: um dia escapou e percorreu o maior espaço possível, ruas, praças, largos onde meninos jogavam futebol, viu igrejas, automóveis e um trator que modificava um terreno. Perdeu-se. Fugiu outra vez para ver o trator trabalhando. Mas eis que o trabalho do trator deu na banalidade: canteiros para flores convencionais, um coreto etc. E o menino cansou-se da rua, voltou para o seu quintal.
O tédio levou o menino aos jogos de azar, aos banhos de mar e às viagens para a outra margem do rio. A margem de lá era igual à de cá. O menino cresceu e, no amor como no cinema, não encontrou o que procurava. Um dia, passando por um córrego, viu que as águas eram coloridas. Desceu pela margem, examinou: eram coloridas!
Desde então, todos os dias dava um jeito de ir ver as cores do córrego. Mas quando alguém lhe disse que o colorido das águas provinha de uma lavanderia próxima, começou a gritar que não, que as águas vinham do arco-íris. Foi recolhido ao manicômio. E daí?
(GULLAR, Ferreira. O menino e o arco-íris. São Paulo: Ática, 2001. p. 5) I. Pode-se concluir que o tema do texto é
(A) a curiosidade. (B) a insatisfação. (C) a natureza. (D) a saudade.
II. De acordo com o texto, o menino procurava, desde criança, por (A) alguma coisa surpreendente.
(B) galinhas e plantas interessantes. (C) um arco-íris.
(D) banhos de mar.
III. “Mas logo se acostumou a todos eles”. O termo em destaque refere-se no texto a (A) animais no quintal.
(B) cadeiras e mesas. (C) sapatos e copos. (D) jogos de azar.
IV. “E daí?” A frase final da crônica demonstra que a opinião do narrador sobre o destino do menino é de (A) pena e desespero.
(B) simpatia e aprovação. (C) indiferença e conformismo. (D) esperança e simpatia.
V. “Desceu pela margem, examinou: eram coloridas!”
No trecho acima, os sinais de pontuação empregados assinalam
(A) o tédio do menino. (B) a surpresa do menino. (C) a dúvida do narrador. (D) o comentário do narrador.
2) No texto há alguns substantivos em negrito que foram reescritos abaixo. Dê o aumentativo e o diminutivo sintético de cada um deles.
a) Menino b) Cadeiras c) Espaço d) Mar
3) Agora coloque os mesmos substantivos no aumentativo e no diminutivo analítico. 4) Leia o poema de Mario Quintana e responda às questões.
Canção de junto do berço Não te movas, dorme, dorme
O teu soninho tranquilo. Não te movas (diz-lhe a Noite) Que inda está cantando um grilo… Abre os teus olhinhos de ouro (O Dia lhe diz baixinho). É tempo de levantares
Que já canta um passarinho… Sozinho, que pode um grilo Quando já tudo é revoada? E o dia rouba o menino No manto da madrugada…
(In: Canções – Mario Quintana – Porto Alegre, Editora do Globo, 1946)
a) Qual o assunto do poema?
b) As palavras soninho e olhinhos estão no diminutivo. Que sentido esse uso acrescenta ao poema? c) É um diminutivo analítico ou sintético?
5) Leia um trecho da letra da canção “Telegrama”, interpretada pelo cantor Zeca Baleiro. Telegrama
Eu tava triste Tristinho! Mais sem graça
Que a top-model magrela Na passarela
Eu tava só Sozinho! Mais solitário Que um paulistano Tava mais bobo Que banda de rock Que um palhaço Do circo Vostok... Mas ontem
Eu recebi um Telegrama Era você de Aracaju Ou do Alabama
[...]
(http://www.vagalume.com.br/zeca-baleiro/telegrama. Acesso em 19/03/17. Adaptado.) a) Que imagens o eu lírico usa para falar de seus sentimentos?
b) A música apresenta várias comparações. O que elas têm em comum?
c) Os adjetivos que aparecem na música estão no grau comparativo de igualdade, superioridade ou inferioridade? Por quê?
d) Reescreva os seguintes versos modificando o grau dos adjetivos destacados para o que está indicado entre parênteses.
“Estava mais sem graça que a top model na passarela”. (comparativo de igualdade) “Estava mais bobo que um palhaço”. (comparativo de inferioridade)
6) Leia a tirinha seguinte de um personagem chamado Hagar e sua esposa Helga:
I. Escolha a opção correta. Qual o principal fator que causa humor à tirinha? a) A cara de espanto de Hagar vendo o vestido de metal da filha na chuva. b) Adolescentes não gostarem de usar roupas que aparentem ser muito novas. c) O fato de que a ferrugem vai estragar e não “envelhecer” o vestido de metal. d) A mãe parecer não se importar pelo vestido estar na chuva.
II. Há, na tirinha, a ocorrência de um adjetivo no grau superlativo absoluto sintético. Qual é ele? III. Quais são os outros dois tipos de superlativo dos adjetivos, segundo estudamos? Transforme
o adjetivo da resposta da questão II nesses outros dois tipos de superlativo.
7) Sobre o uso dos porquês, marque V (verdadeiro) e F (falso) para as seguintes afirmações, e corrija as falsas.
a) ( ) O por que (separado e sem acento) é usado em finais de frase seguido por um sinal de pontuação.
b) ( ) Nesta frase, usa-se o porque (junto e sem acento): “O motivo da tristeza da menina era porque ela não queria magoar a amiga”.
c) ( ) Usamos porquê (junto e com acento) quando fazemos perguntas, direta ou indiretamente. d) ( ) O por quê (separado e com acento) é usado quando tem o mesmo significado de pois, já que,
como, uma vez que, geralmente quando damos respostas.
8) Acentue ou não as seguintes palavras e justifique com a regra de acentuação correspondente: HIPOPOTAMO PARABENS AMAVEL COM PE CADERNO HISTORIA TORAX
9) Sobre as preposições: a) Qual função possuem?
b) Quais são as palavras que atuam como preposições essenciais no português?
c) Dê um exemplo de uma frase ou oração com preposição e diga por que ela é necessária nessa frase.
10) Identifique as locuções prepositivas nas frases abaixo. a) Foi mais cedo ao trabalho a fim de terminar o relatório. b) Antes da Palestra, falei acerca de mim.
c) Leia um livro em vez de assistir a esse programa de TV.
d) Os procedimentos estão de acordo com o estatuto dessa empresa. e) Sempre estive a par dos problemas da empresa.
f) Através da diretora da escola conheci a turma de Biologia. g) Sua fortuna foi construída à custa de muito empenho.
h) “Então Pedro Bala reparou que ele estava sentado em cima do embrulho.”. i) “Como iria ele tirar o embrulho debaixo da perna do homem?”.
11) Explique o que são as combinações e contrações das preposições, por que elas acontecem e identifique algumas nas frases do exercício 10.
12) Leia a crônica a seguir do autor Ruben Braga:
Meu ideal seria escrever...
Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse - "ai, meu Deus, que história mais engraçada!" E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria - "mas essa história é mesmo muito engraçada!".
Que um casal que estivesse em casa mal humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má-vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.
Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse - e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aquelas pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse - "por favor, se comportem, que diabo! eu não gosto de prender ninguém!" E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.
E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês em Chicago - mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: "Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina".
E quando todos me perguntassem - "mas de onde é que você tirou essa história?" - eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história..."!
E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.
BRAGA, Rubem. As Melhores 200 Crônicas Escolhidas de Rubem Braga. Rio de Janeiro: Record, 1977.
a) De que trata a crônica?
b) Aparece, predominantemente, ao longo da história um tempo verbal do modo subjuntivo, qual é esse tempo? Dê exemplos de passagens do texto em que apareçam verbos conjugados nesse tempo verbal.
c) Por que foi utilizado esse tempo verbal nesta crônica? Qual sua função?
d) Além desse tempo verbal do subjuntivo que apareceu no texto, aprendemos em sala mais dois, quais são eles? Dê exemplos de frases em que apareçam.