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Academic year: 2021

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CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:

SUBÁREA: Enfermagem SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO(ÕES): CENTRO UNIVERSITÁRIO ÍTALO-BRASILEIRO - UNIÍTALO INSTITUIÇÃO(ÕES):

AUTOR(ES): MARCOS ALVES MORALES MIRANDA, GISLENE VIEIRA TORRES, LAZARO DOS SANTOS SANTANA, MARCIA CRISTINA LOPES, NATÁLIA GOMES DE OLIVEIRA SILVA

AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): PAULA ARQUIOLI ADRIANI ORIENTADOR(ES):

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INTRODUÇÃO

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (2014), a Diabetes Mellitus (DM) é uma Doença Crônica Não Transmissível decorrente de “um grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos que apresenta em comum a hiperglicemia, resultada de defeitos na ação da insulina, na secreção de insulina ou em ambas”.

Segundo a classificação proposta pela Organização Mundial da Saúde (1999) e pela Associação Americana de Diabetes (2013), a DM inclui quatro classes clínicas: DM tipo 1 (DM1), DM tipo 2 (DM2), DM Gestacional (DMG) e outros tipos específicos de DM

Pace at al., (2006) relatam em seu estudo que a população tem uma fragilidade no conhecimento do autocuidado, seja por fatores sócio econômicos, biopsicossociais, baixo nível de escolaridade e acesso aos serviços de saúde, contribuem e muito para este déficit e o alto índice de crescimento do Diabetes Mellitus, implicando em sérias complicações agudas e/ou crônicas, como o pé diabético, a retinopatia, a cetoacidose, entre outras.

O conhecimento da doença, seu mecanismo de ação, formas de monitoramento e controle, são fatores essenciais para a boa manutenção da saúde do portador da Diabetes Mellitus; o autocontrole emocional ajuda a prevenir possíveis mudanças ou alterações nos índices glicêmicos, uma vez que fatores emocionais interferem de maneira subjetiva na forma que a doença se apresenta e podem acarretar descontrole no autogerenciamento do paciente frente ao controle diário da doença e manipulação medicamentosa (SANTOS FILHO, 2008).

Torres (2011) enfatiza que frente a esse crescimento da doença, fatores sociais, culturais, econômicos, disciplinares e educacionais, devem ser avaliados e após uma análise desses fatores, apresentar uma forma de ação multidisciplinar a fim de apresentar a esse paciente a gravidade da falta do controle da doença, seus riscos eminentes, complicações decorrentes da falta de cuidado, qualidade de vida prejudicada e transtornos pessoais e familiares, sendo assim necessária uma intervenção educacional e revisão de valores muitas vezes éticos e pessoais de cada indivíduo, trazendo dessa forma uma nova visão de conduta pessoal para bem estar da saúde em si, além de físico, mental e familiar.

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OBJETIVO

Diante do exposto, os pesquisadores questionam: Qual o conhecimento que os pacientes adultos portadores de Diabetes Melittus tipo 2 tem sobre sua doença? Quais atitudes tomam diante da sua condição patológica? Como seu conhecimento e suas atitudes impactam em sua qualidade de vida? Sendo assim este estudo justifica-se decorrente da importância do portador de DM-2 ter conhecimento a cerca de si sobre sua doença a fim de favorecer o autocuidado, visto ser esta uma doença multifatorial e de graves consequências a saúde pública.

Esta pesquisa objetiva identificar o conhecimento e as atitudes de pacientes adultos portadores de Diabetes Melittus tipo 2 quanto a sua doença, através da aplicação dos questionários validados no Brasil: Diabetes Knowledge Questionnaire (DKN-A) e do Diabetes Attitudes Questionnaire (ATT-19), ambos na versão em português.

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo de campo, com abordagem transversal sobre o conhecimento e atitudes dos pacientes portadores de DM-2 quanto a sua doença.

Segundo Polit; Beck e Hungler (2011), o delineamento transversal é caracterizado pela coleta de dados em um ponto do tempo e os fenômenos de estudo são obtidos durante um período fixo de coleta de dados.

Para esta pesquisa foi utilizada uma amostra por conveniência em uma Unidade Básica de Saúde da zona Sul do Município de São Paulo, durante os meses de junho e julho de 2018, com pacientes adultos, de todos os gêneros, portadores de DM-2, que estavam em acompanhamento ambulatorial durante a aplicação do questionário. Foram excluídos os pacientes portadores de DM tipo 1, Diabetes Gestacional ou que não quiseram ou não tiveram condições de responder ao questionário. Sendo assim, a amostragem final constitui-se de 64 pacientes.

Esta pesquisa foi realizada mediante a autorização da Plataforma Brasil sob o número 2.647.837 e CAAE 88304718.7.0000.5452.

O instrumento de coleta é composto de 35 questões fechadas, sendo 6 questões referentes os dados sociodemografico do indivíduo contendo gênero, idade, estado civil, grau de escolaridade, ocupação principal e quanto tempo é

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portador da diabetes mellitus, 15 questões sobre o conhecimento do indivíduo sobre a DM-2 através do Diabetes Attitude Questionnaire (DKN-A) que contempla a fisiologia básica quanto a ação da insulina; hipoglicemia; grupos de alimentos e suas substituições; gerenciamento de DM na intercorrência de alguma outra doença e os princípios gerais dos cuidados da doença e 19 questões sobre os sentimentos e ajustamento psicológico do indivíduo frente ao efeito da DM-2 na sua vida através do Diabetes Attitude Questionnaire (ATT-19), que contemplam fatores relacionados ao estresse associado a DM; receptividade ao tratamento; confiança no tratamento; eficácia pessoal; percepção sobre a saúde e aceitação social.

Adotou-se neste estudo o modelo de avaliação do estudo original, onde cada resposta correta do DKN-A recebe o valor 1 (um) e as respostas incorretas, não respondidas ou respondidas como não sabe como valor 0 (zero). Salienta-se que nos itens de 1 a 12 requerem uma única resposta correta, enquanto que nos itens de 13 a 15 mais de uma resposta são corretas e todas devem ser conferidas para obter o escore um 1. Um escore maior ou igual a 8, indica conhecimento sobre DM-2.

A avaliação dos Resultados deste estudo foi elaborada pela matriz de confusão e calculado o coeficiente de Kappa para a concordância de cada uma das classificações. Os resultados das classificações foram então categorizados segundo a escala proposta por Landis e Koch (1977), exposta na Tabela 1.

TABELA 1 – Qualidade da classificação segundo intervalos do coeficiente de concordância

Coeficiente de Kappa Força de Concordância < 0,00 Péssima 0,00 - 0,2 Ruim 0,21 - 0,4 Razoável 0,41 - 0,6 Boa 0,61 - 0,8 Muito boa 0,81 - 1,0 Excelente FONTE: Adaptado de Landis e Koch (1977).

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RESULTADOS E DISCUSSÃO

A caracterização sociodemográfica dos 64 (100%) pacientes com DM-2 obtida apontou idade média de 58,3 anos (±10,8), (variação, de 31 a 84 anos); duração da doença de 15,2 anos (±10,1). A maioria, 33 (51,6%) é do gênero masculino, onde destes 17 (51,5%) são aposentados, 21 (63,6%) tem escolaridade básica incompleta, 11 (33,3%) portam o DM-2 de 6 a 10 anos. Quanto ao gênero feminino, 31 (48,4%), 6 (19,3%) são aposentadas, 21 (63,6%) tem escolaridade básica incompleta, 6 (19,3%) portam o DM-2 de 6 a 10 anos.

Considerando que neste estudo adotou-se o modelo de avaliação do estudo original, onde cada resposta correta do DKN-A recebe o valor 1(um) e as respostas incorretas, não respondidas ou respondidas como não sabe como valor 0 (zero). E salientando que nos itens de 1 a 12 requerem uma única resposta correta, enquanto que nos itens de 13 a 15 mais de uma resposta são corretas e todas devem ser conferidas para obter o escore 1(um). Um escore maior ou igual a 8, indica conhecimento sobre DM-2 (TORRES; HORTALE; SCHALL, 2005).

Diante desta perspectiva, obteve-se na avaliação do DKN-A sobre o conhecimento dos pacientes deste estudo que a 11/64 (17,19%), representando a minoria, obtiveram escores inferiores a oito e 53/64 (82,81%) maiores ou iguais a 8, apontando dados satisfatórios sobre o conhecimento referente a DM.

No ATT-19 cada resposta é medida pela escala de Likert de cinco pontos (discordo totalmente - escore 5; até concordo totalmente - escore 1, mas nas questões 11, 15 e 18 contabilizam escore reverso. O total da taxa de escore, seguindo este padrão, varia entre 19 a 95 pontos, sendo que só serão consideradas atitudes positivas sobre a doença quando o escore for maior ou igual a 70 (TORRES; HORTALE; SCHALL, 2005).

Na avaliação do ATT-19 da população estudada houve variação de 39 a 83 pontos. Quanto aos escores de atitude, obteve-se que 4/64 (6,25%) dos participantes apresentaram escores menores a 70, indicando baixa prontidão para o aprendizado da doença enquanto que 60/64 (93,75%) indicaram prontidão satisfatória.

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Segundo a Matriz de Confusão apontada no Quadro 1, podemos constatar que dos 64 pacientes participantes, 53/64 (82,8%) demonstraram conhecimento sobre a doença, dentre eles 50/53 (94,3%) detêm de atitude positiva e apenas 3/53 (5,7%) passa por problemas de aceitação. Já dos 11/64 (17,2%) pacientes não possuem conhecimento, dentre eles 10/11 (90,9%) detêm de atitude positiva e apenas 1/11 (9,1%) passa por problemas de aceitação.

Quadro 1 - Matriz de Confusão referente ao Conhecimento dos pacientes sobre DM e suas Atitudes.

Atitude

Positiva Negativa Total

Co n h ecim en to Sim 50 3 53 Não 10 1 11 Total 60 4 64

Fonte: Os autores, 2018. São Paulo.

O conhecimento do paciente com DM-2 sobre a sua doença e sua atitude quanto ao enfrentamento da mesma, nos proporciona subsídios para a compreensão e tomada de decisão na questão do autocuidado.

Em comparativo com outros 5 (cinco) estudos encontrados, em relação aos achados desta pesquisa, quando confrontados, nos demonstram a seguinte observação: Em 4 (quatro) deles (ASSUNÇÃO et al., 2017; SANTOS et al., 2016; SILVA et al., 2013; OLIVEIRA; ZANETTI, 2011), apresentam tanto para o Questionário DKN-A, quanto para o ATT-19 resultados insatisfatórios de conhecimento e enfrentamento da doença. Para o outro estudo (SERAMIN; DANZE; OLIVEIRA, 2013), apresenta um bom conhecimento dos pesquisados, porém a quase totalidade dos entrevistados, possui uma atitude negativa quanto ao enfrentamento da doença, demonstrando discordância dos achados deste estudo se comparados.

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Observou-se que em quatro desses estudos, foram realizados em Serviços de Atenção Básica à Saúde, todavia em cidades do interior e com pacientes de baixa instrução. Outro estudo foi realizado em um hospital com pacientes internados. Corroboram para as atitudes negativas e baixo conhecimento da doença, muitas vezes a falta de informação dispensada a estes pacientes, assim como a dificuldade deste mesmo paciente em ter um bom nível qualidade de vida, influenciam no agravamento dos sintomas e na baixa autoestima.

CONCLUSÃO

Os pesquisadores apontam que os valores obtidos nesta pesquisa indicam que a população estuda demonstra conhecimento e autoestima em relação ao DM-2 e sua saúde, indicando que a orientação ofertada pelos profissionais de saúde responsáveis por eles e o interesse dos mesmos são satisfatórios.

Apontam ainda que há a necessidade de continua implementação de novos métodos de aprimoramento do conhecimento desses pacientes, trazendo conteúdo de fácil compreensão e aceitação da sua doença, não como um mal, mas como parte de um processo inadequado em seu aprendizado inicial e que o conhecimento futuro sobre seu estado necessita de ajustes para favorecer ainda mais sua qualidade de vida e convívio com a doença. Mostrar a necessidade de continuar investindo no autocuidado para essa melhora significativa na qualidade de vida do paciente e de todos ao seu redor, pois o primeiro passo para melhoria ou estabilidade dos problemas é o conhecimento, a partir dele, tudo se transforma.

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5. REFERÊNCIAS

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