Soa Pinheiro
Maria Raquel Pinto
Rosália Rodrigues Rita Simões Apontamentos de Álgebra Linear Departamento de Matemáti a Universidade de Aveiro Janeiro de 2012
1 Matrizes. Noçõesgerais 2
1.1 Denição.Algumasmatrizesespe iais . . . 3
1.2 Operações ommatrizesesuaspropriedades. . . 5
1.2.1 Adiçãodematrizes . . . 5
1.2.2 Multipli açãoporumes alar . . . 7
1.2.3 Multipli açãodematrizes . . . 9
1.2.4 Transpostadeumamatriz . . . 12
2 Sistemasde equações lineares 16 2.1 Sistemasematrizes. . . 17
2.2 MétododeeliminaçãodeGauss . . . 21
2.3 Dis ussãodesistemas . . . 28
2.4 Sistemashomogéneos. . . 31
3 Matrizesinvertíveis. Determinantes 35 3.1 Matrizesinvertíveis. . . 36
3.1.1 Propriedadesdainversa . . . 37
3.1.2 Algoritmodeinversão . . . 39
3.2 Determinantes.Con eitosgerais. . . 42
3.2.1 Propriedadesdodeterminante. . . 46
3.2.2 TeoremadeLapla e . . . 49
3.3 Condiçõesdeinvertibilidade . . . 52
3.4 Cál ulodainversaapartirdamatrizadjunta . . . 55
3.5 SistemasdeCramer . . . 57
4 Espaços ve toriaissobre um orpo 60 4.1 Denição epropriedades . . . 61
4.2 Subespaçosve toriais. . . 66
4.3 Combinaçãolineardeve tores . . . 69
4.4 Independên iaedependên ialinear. . . 71
4.5 Subespaçogeradoporve tores . . . 78
4.6 Sistemadegeradores . . . 80
4.7 Baseedimensão . . . 81
4.9 Interse ção,reuniãoesoma desubespaços . . . 92
4.10 Teoremadasdimensões . . . 97
4.11 Subespaço omplementar . . . 103
5 Apli açõeslineares 106 5.1 Denição epropriedades . . . 107
5.1.1 Classi açãodeapli açõeslineares . . . 111
5.1.2 Propriedadesdasapli açõeslineares . . . 112
5.2 Imagemeimagemre ípro a . . . 116
5.3 Nú leo eimagem . . . 118
5.4 Isomorsmos . . . 126
5.5 Matrizdeumaapli açãolinear . . . 128
5.5.1 Isomorsmoentre
L(E, E
′
)
eM
p×n
(K)
. . . 1345.5.2 Matrizesinvertíveiseisomorsmos . . . 134
5.6 Matrizdemudançadebase . . . 135
5.7 Relaçãoentrematrizesdeumamesmaapli açãolinear . . . 137
6 Valores eve torespróprios 142 6.1 Valoreseve torespróprios. . . 143
6.2 Endomorsmosdiagonalizáveis . . . 151
7 Produto interno 163 7.1 Denição eexemplos . . . 164
7.2 Normadeumve tor . . . 166
7.3 Ânguloentreve tores . . . 169
7.4 Ve toresortogonais. . . 173
7.5 Sistemaortogonalesistemaortonormado . . . 174
7.6 Baseortogonalebaseortonormada . . . 175
7.6.1 MétododeortonormalizaçãodeGram-S hmidt . . . 176
7.7 Matrizdamétri a . . . 179
7.8 Complementoortogonaleproje çõesortogonais. . . 182
7.9 Subespaçoortogonaldeumsubespaçove torial . . . 184
1.1 Denição. Algumas matrizes espe iais
Suponha-seque seestáatrabalharem estruturasalgébri as onhe idas, omo
porexemplo,
C
,R
ouQ
omasoperaçõesusuaisdeadiçãoedemultipli ação. ConsidereK
umdesses onjuntos.AoselementosdeK
hamam-sees alares. Denição 1.1. Umamatriz dotipo(oude tamanho)p
× q
sobreK
éuma tabelade duplaentrada omp
linhaseq
olunas ujasentradasperten emaK
. Emtermosdenotaçãorepresentam-sematrizesporletrasmaiús ulaseusa-seatabeladenúmerosdentrodeparêntesesre tos omoindi adoaseguir:
A =
a
11
a
12
· · ·
a
1q
a
21
a
22
· · ·
a
2q
. . . . . . . . . . . .a
p1
a
p2
· · · a
pq
.
Os es alares
a
ij
, omi
∈ {1, . . . , p}
ej
∈ {1, . . . , q}
dizem-se entradas (ou elementos)deA
.Emtermosgerais,tambémsees reveA =
a
ij
,
omi
∈ {1, . . . , p}
ej
∈ {1, . . . , q}.
Otermogenéri o
a
ij
representaaentradadamatrizA
queseen ontranalinhai
ena olunaj
eéusualreferir omosendoaentrada(ouoelemento)(i, j)
. Exemplo1.2. AmatrizA =
1 4
2 9
6 5
éuma matrizdotipo
3
× 2
poisé omposta por3
linhas e2
olunas.Aentradaa
31
(ouentrada(3, 1)
)é6
.Seja
A
umamatriz dotipop
× q
.Quandop = q
diz-sequeA
éumamatriz quadrada de ordemp
. Quando setem uma matriz omuma só oluna (linha) hama-sematriz oluna (matrizlinha).Exemplo 1.3. Considere asmatrizes
A =
2 3
3 1
,
B =
2
3
eC =
2 3
.
A matriz
A
équadrada de ordem2
,B
é umamatriz oluna eC
é umamatriz linha.Seja
A =
a
ij
, om
i, j
∈ {1, . . . , p}
,umamatrizquadrada.Asentradasa
ij
omi = j
, istoé,asentradasdaformaa
ii
,formamadiagonal prin ipal deA
. Oselementosa
ij
ea
ji
, omi
6= j
,estão dispostossimetri amente emrelaçãoà diagonalprin ipal,eporissodizem-seopostos.Exemplo 1.4. Considere amatriz
A =
0
2
3
1
0
4
2
5
0
Oselementosda diagonal prin ipal são
2
,1
e0
eestãoassinalados por . As entradasmar adaspor são um exemplode elementosopostos.Denição 1.5. Chama-sematrizdiagonalaumamatrizquadradaemqueos
elementos quenãosãoda diagonal prin ipal são iguaisazero, ouseja,
a
ij
= 0
parai
6= j
. Exemplo1.6. AmatrizA =
2 0
0 1
é umamatrizdiagonal.
Denição 1.7. Chama-se matriz es alara uma matrizdiagonal em queos
elementos dadiagonal prin ipal são todos iguaisentresi.
Exemplo1.8. Asmatrizes
A =
2 0
0 2
eB =
−3
0
−3
0
0
0
0
0
−3
são matrizeses alares.
Um asoespe ialdeumamatrizes alaréamatrizemquetodososelementos
da diagonal prin ipal são iguais a
1
. Essamatriz hama-se matriz identidade. Assim,amatrizidentidadedeordemn
,representa-seporI
n
, eéamatrizI
n
=
1 0
· · · 0
0 1
· · · 0
. . . . . . . . . . . .0 0
· · · 1
.
Seasuaordemfordepreendidado ontexto,representa-sesimplesmentepor
I
.Observe-sequeI
n
=
δ
ij
,sendo
δ
ij
osímbolodeKrone ker,ouseja,δ
ij
=
1
sei = j
0
sei
6= j
.
A matriz nula do tipo
p
× q
é uma matriz em quetodas assuas entradas sãoiguaisazeroerepresenta-sepor0
p×q
.Porvezesrepresenta-seapenaspor0
Denição 1.9. Uma matriz quadrada diz-se matriz triangular superior se
a
ij
= 0
quandoi > j
, isto é, os elementos abaixo da diagonal prin ipal são nulos.Analogamente, umamatrizquadradadiz-sematriztriangular inferiorse
a
ij
= 0
quandoi < j
, isto é, os elementos a ima da diagonal prin ipal são nulos. Exemplo 1.10. SejamA =
3
4
1
2
0
2
0
0
0
1
eB =
−2 0
7
0
0
0
−4
3
2
−1
.
A matriz
A
étriangular superioreB
éuma matriztriangular inferior. Denição 1.11. Duas matrizesA =
a
ij
eB =
b
ij
do tipop
× q
dizem-se iguais sea
ij
= b
ij
,paratodoi
∈ {1, . . . , p}
ej
∈ {1, . . . , q}
.1.2 Operações om matrizes e suas propriedades
1.2.1 Adição de matrizes
Seja
M
p×q
(
K)
o onjuntodasmatrizesdotipop
× q
omelementos emK
. A adiçãodematrizeséuma apli açãodenida noproduto artesianoM
p×q
(
K) × M
p×q
(K)
1que, a ada par de matrizes
(A, B)
, faz orresponder uma e uma só matriz deM
p×q
(K)
geralmentedenotada porA + B.
Também sediz que estaé uma operação interna emM
p×q
(K)
. Em termos de representação das entradas da matrizqueresultadaadiçãodeduasmatrizesquaisquerapresenta-seaseguintedenição.
Denição 1.12. Sejam
A, B
∈ M
p×q
(K)
tais queA =
a
ij
,B =
b
ij
. Amatriz soma
A + B
éamatrizdeM
p×q
(K)
denidapor:A + B =
c
ij
,
om
c
ij
= a
ij
+b
ij
,paratodoi
∈ {1, . . . , p}
ej
∈ {1, . . . , q}
.Porvezeses reve-se simplesmenteA + B =
a
ij
+ b
ij
. Exemplo 1.13. SejamA =
1
−2 3
4
5
0
eB =
6
−1 2
7
8
9
.
Tem-se queA + B =
1 + 6
−2 + (−1) 3 + 2
4 + 7
5 + 8
0 + 9
=
7
−3 5
11
13 9
.
1M
p×q
(K) × M
p×q
(K) = {(A, B) : A, B ∈ M
p×q
(K)}
Propriedades da adiçãode matrizes
Apresentam-seagoraalgumaspropriedadesdaadiçãodematrizes.Ir-se-áprovar
algumas destas propriedadese asrestantes demonstrações são deixadas omo
exer í io.
Sejam
A, B, C
∈ M
p×q
(K)
matrizesquaisquer.•
Comutatividade:A + B = B + A
. Demonstração. SejamA =
a
ij
eB =
b
ij
, omi
∈ {1, . . . , p}
ej
∈ {1, . . . , q}
.Tem-se:A + B =
a
ij
+ b
ij
pordenição deadiçãodematrizes
=
b
ij
+ a
ij
pela omutatividadeemK
= B + A
•
Asso iatividade:(A + B) + C = A + (B + C)
. Demonstração. SejamA =
a
ij
,B =
b
ij
eC =
c
ij
, omi
∈ {1, . . . , p}
ej
∈ {1, . . . , q}
.Tem-se:(A + B) + C =
a
ij
+ b
ij
+
c
ij
pordeniçãodeadiçãodematrizes
=
(a
ij
+ b
ij
) + c
ij
pordeniçãodeadiçãodematrizes
=
a
ij
+ (b
ij
+ c
ij
)
pela asso iatividadeemK
=
a
ij
+
b
ij
+ c
ij
pordeniçãodeadiçãodematrizes
=
a
ij
+
b
ij
+
c
ij
pordeniçãodeadiçãodematrizes
= A + (B + C).
•
Existên iade elementoneutro:0
p×q
+ A = A
.•
Existên ia de elemento simétri o:A + (
−A) = 0
p×q
, onde, sendoA =
a
ij
então−A =
−a
ij
.Asdemonstraçõesdaexistên iadoelemento neutroesimétri o am omo
exer í io.
Uma vez que são válidas estas quatro propriedades, diz-se que
M
p×q
(
K)
munidodaadiçãodematrizeséumgrupoabeliano (ou omutativo).Observação1.14. Dadas duas matrizes
A, B
∈ M
p×q
(K)
,denota-se amatrizExer í io 1.15. Considereasmatrizes
A =
−4
5
−5
9 10
0
9
1
1
eB =
−4 −1 −3
9
1
5
2
0
−1
.
Cal uleA
− B
.1.2.2 Multipli ação por um es alar
Pode também denir-se uma operação externa entre o onjunto das matrizes
e o onjunto
K
. A multipli ação por um es alar é uma apli ação denida no produto artesianoK × M
p×q
(K)
quea adapar(α, A)
faz orresponderumae uma sómatrizdeM
p×q
(K)
geralmentedenotadaporαA
.Denição 1.16. Seja
A
∈ M
p×q
(K)
talqueA =
a
ij
eseja
α
∈ K
umes alar. A matrizαA
é amatrizdo tipop
× q
que se obtémdeA
multipli ando todas asentradas deA
pelo es alarα
,ouseja:αA =
c
ij
,
omc
ij
= αa
ij
,paratodoi
∈ {1, . . . , p}
ej
∈ {1, . . . , q}
. Exemplo1.17. SejaA =
2 1
3 1
,então2A =
4 2
6 2
.
Exer í io 1.18. Cal ule
2A
− 3B
,sabendo queA =
4
5
−1 0
eB =
−1 2
3 1
.
Propriedades da multipli açãoporum es alar
Sejam
α, β
es alaresquaisquerdeK
e sejamA, B
∈ M
p×q
(K)
matrizes quais-quer.•
Distributividade da multipli ação por um es alar em relação à adição de matrizes:α(A + B) = αA + αB
.Demonstração. Represente-se
A =
a
ij
eB =
b
ij
, omi
∈ {1, . . . , p}
ej
∈ {1, . . . , q}
.Tem-seque:α(A + B) = α
a
ij
+ b
ij
pordeniçãodeadiçãodematrizes
=
α(a
ij
+ b
ij
)
pordeniçãodemultipli açãoporumes alar=
αa
ij
+ αb
ij
peladistributividade damultipli açãoem
relaçãoàadiçãoem
K
=
αa
ij
+
αb
ij
pordeniçãodeadiçãodematrizes
= α
a
ij
+ α
b
ij
pordeniçãodemultipli açãoporumes alar
= αA + αB.
•
Distributividade da multipli açãopor uma matriz emrelação à adição de es alares:(α + β)A = αA + βA
.Demonstração. Represente-se
A =
a
ij
, omi
∈ {1, . . . , p}
ej
∈ {1, . . . , q}
. Tem-seque:(α + β)A = (α + β)
a
ij
=
(α + β)a
ij
pordenição demultipli açãoporumes alar
=
αa
ij
+ βa
ij
peladistributividade damultipli açãoem relaçãoàadiçãoemK
=
αa
ij
+
βa
ij
peladenição deadiçãodematrizes
= α
a
ij
+ β
a
ij
pordenição demultipli açãoporumes alar
= αA + βA
•
Asso iatividademista:α(βA) = (αβ)A
.•
Existên ia de Elemento Neutro:1
K
A = A
, onde 1K
éo elemento neutrodamultipli açãoemK
(note-sequeemR
,Q
ouC
,1K
é1
). AsdemonstraçõesdasPropriedades3e4 am omoexer í io.Exer í io 1.19. Considereasmatrizes
A
eB
dotipo1
× 3
tais que:2A =
2 3
4
eB =
2
−3 −1
.
Cal ule, apli andoas propriedades,
5(A + B) + 2
1
2
A + B
.
multipli-Teorema 1.20. Sejam
A
∈ M
p×q
(
K)
eα
∈ K
.EntãoαA = 0
p×q
seesóseα = 0
K
ouA = 0
p×q
,
onde
0
K
éo elementoneutroda adição usualemK
(ou seja,emR
,Q
ouC
é0
). Demonstração. SejaA =
a
ij
, omi
∈ {1, . . . , p}
ej
∈ {1, . . . , q}
. EntãoαA = 0
p×q
éequivalente aαa
ij
= 0
p×q
pordeniçãodemultipli açãoes alar
⇔αa
ij
= 0,
∀i ∈ {1, . . . , p}, j ∈ {1, . . . , q}
pordeniçãode igualdadedematrizes⇔α = 0
K
∨ a
ij
= 0,
∀i ∈ {1, . . . , p}, j ∈ {1, . . . , q}
pelaleidoanulamento doprodutoemK
⇔α = 0
K
∨ A =
a
ij
= 0
p×q
1.2.3 Multipli ação de matrizesDadasduasmatrizes
A
eB
,amultipli açãoA
× B
sóépossívelseonúmerode olunasdaprimeiramatriz oin ide omonúmerodelinhasdasegundamatriz.Amatrizesquesatisfazemestarelação hamam-sematrizesen adeadas.Assim,
dadas duas matrizes
A
eB
, se queremos efe tuar amultipli açãoA
× B
e seA
éuma matriz do tipop
× q
entãoB
tem deser umamatriz do tipoq
× m
. Nesse asoamatrizresultante,queserepresentaporAB
,éumamatrizdotipop
× m
.Esquemati amenteA
|{z}
p×q
× B
|{z}
q×m
= AB
|{z}
p×m
.
Sejam
A
umamatriz dotipop
× q
eB
uma matriz dotipoq
× m
.Note-se queAB
estádenido.RelativamenteaBA
,trêshipótesespoderãoo orrer:• BA
poderánãoestardenido;issoa onte esem
6= p
;• BA
estádenido(istoé,p = m
)eBA
seráumamatrizdotipoq
× q
eAB
seráumamatrizdotipom
× m
;eneste asopodemsurgirduassituações: seq
6= m
,AB
eBA
são de tipos diferentes e, onsequentemente,AB
6= BA
;Exemplo1.21. Sejam
A
umamatrizdotipo2
×3
,B
umamatrizdotipo3
×4
,C
umamatrizdotipo3
× 2
eD
eE
matrizesdo tipo2
× 2
.Então:• AB
é dotipo2
× 4
eBA
nãoestádenida;• AC
édo tipo2
× 2
eCA
é dotipo3
× 3
;• DE
édo tipo2
× 2
eED
édo tipo2
× 2
.Veja-se então omo se multipli am matrizes. Considere-se primeiro o aso
parti ulardoprodutodeumamatriz linhaporumamatriz oluna.
Denição 1.22. Sejam
A =
a
1
a
2
· · · a
p
eB =
b
1
b
2
. . .b
p
. Então o produto da matriz linhaA
pela matriz olunaB
é:AB =
a
1
b
1
+ a
2
b
2
+
· · · + a
p
b
p
.
Observe-sequese
A
éumamatriz dotipo1
× p
eB
éuma matriz dotipop
× 1
,entãoAB
éumamatrizdotipo1
× 1
.Exemplo 1.23. Sejam
A =
1 0
−2
eB =
5
3
4
.EntãoAB =
1
× 5 + 0 × 3 + (−2) × 4
=
−3
.
Agoradene-seoprodutoentreduas matrizesen adeadas quaisquertendo
porbase adeniçãodo asoparti ularanterior.
Denição 1.24. Sejam
A
eB
matrizesdotipop
× q
eq
× m
,respe tivamente. OprodutodeA
porB
,queserepresentaporAB
,éamatrizdotipop
×m
que se obtém onsiderandoparaelemento(i, j)
amultipli açãodalinhai
damatrizA
pela olunaj
damatrizB
.Formalmente tem-se que, para
A =
a
ik
eB =
b
kj
, omi
∈ {1, . . . , p}
,k
∈ {1, . . . , q}
ej
∈ {1, . . . , m}
,oproduto deA
porB
éamatrizAB
dotipop
× m
denida por:AB =
c
ij
,
omi
∈ {1, . . . , p}
ej
∈ {1, . . . , m}
ondec
ij
= a
i1
b
1j
+ a
i2
b
2j
+
· · · + a
iq
b
qj
=
q
X
k=1
a
ik
b
kj
.
Esquemati amente
a
i1
a
i2
· · · a
iq
|
{z
}
A
b
1j
b
2j
. . .b
qj
|
{z
}
B
=
. . . . . .· · · c
ij
|
{z
}
AB
Exemplo 1.25. SejamA =
2
0
−1
3
1
4
eB =
5
0
−1 2
.EntãoAB =
0
× 5 + (−1) × (−1) 0 × 0 + (−1) × 2
2
× 5 + 3 × (−1)
2
× 0 + 3 × 2
1
× 5 + 4 × (−1)
1
× 0 + 4 × 2
=
7
1
−2
6
1
8
.
Exer í io 1.26. Cal ule,se possível, oproduto
AB
,sabendo queA =
5 7
−1
0 2
4
eB =
−1 2
3 0
1 4
.
Observe-sequedadaumamatriz
A
dotipop
×q
, omp
6= q
,nãoestádenido o produtoA
2
= AA
. Fa ilmente se on lui quesó se pode denir potên ia de
uma matriz paramatrizesquadradas.De umaformageral,se
A
éuma matriz quadrada deordemn
,A
k
, om
k
≥ 1
,representa amatriz quadradadeordemn
denida por:A
k
= AA
| {z }
· · · A
k
fa tores.
Por onvenção,A
0
= I
n
.Observe-sequepodeter-se
A
2
= 0
p×p
e,noentanto,A
6= 0
p×p
.Exemplo 1.27. Dada amatriz
A =
0
1
0
0
,tem-sequeA
2
=
0
0
0
0
= 0
2×2
.
Podeentão on luir-sequenão éválidaaleidoanulamentodoprodutono
onjunto
M
n×n
(K)
. Exer í io 1.28. SejamA =
1 0
1 0
eB =
0
0
1
1
.Cal uleAB
.Propriedades da multipli açãode matrizes
Sejam
α
umes alareA, B, C
matrizesquaisquer omtamanhosadequados.•
Existên iade elementoneutro: SeA
fordotipop
×q
,entãoI
p
A = A
eAI
q
= A
;•
Asso iatividade:A(BC) = (AB)C
;•
Asso iatividademista:α(AB) = (αA)B = A(αB)
;•
Distributividade da multipli ação em relação à adição:A(B +
C) = AB + AC
e(A + B)C = AC + BC
.As demonstraçõesdaspropriedadesenun iadas am omoexer í io.
Observação1.29. Re orde-sequeamultipli açãodematrizesnãoé omutativa
e, onsequentemente, multipli ar àdireita ou àesquerda poruma matriz (não
nula) nãoéamesma oisa!
Exemplo 1.30. Considereasmatrizes
A =
1
2
3
4
eB =
0
1
1
0
.
EntãoAB =
2
1
4
3
eBA =
3
4
1
2
.
1.2.4 Transposta de uma matriz
Denição 1.31. Seja
A =
a
ij
uma matriz do tipo
p
× q
.Chama-se trans-postada matrizA
,erepresenta-se porA
T
,àmatrizdo tipo
q
× p
tal queA
T
=
a
′
ji
.
oma
′
ji
= a
ij
,paratodoj
∈ {1, . . . , q}
ei
∈ {1, . . . , p}
. Assim,seA =
a
11
a
12
· · ·
a
1q
a
21
a
22
· · ·
a
2q
. . . . . . . . . . . .a
p1
a
p2
· · · a
pq
,
entãoA
T
=
a
11
a
21
· · · a
p1
a
12
a
22
· · · a
p2
. . . . . . . . . . . .a
1q
a
2q
· · · a
pq
.
Ouseja,aslinhas damatriz
A
T
Exemplo 1.32. Seja
A =
2
3 4
5
6 7
.A transposta de
A
é aseguintematriz:A
T
=
2
3
5
6
4
7
.
Propriedades da transposta de uma matriz
Seja
α
umes alaresejamA, B
matrizesquaisquer omostamanhosadequados.•
Transposta da transposta:A
T
T
= A
. Demonstração. SejaA =
a
ij
, omi
∈ {1, . . . , p}
ej
∈ {1, . . . , q}
. Por denição,A
T
=
a
′
ji
, oma
′
ji
= a
ij
, para todoj
∈ {1, . . . , q}
ei
∈ {1, . . . , p}
.Assim,A
T
T
=
a
′
ji
T
=
a
′′
ij
ondea
′′
ij
= a
′
ji
= a
ij
, para todoi
∈ {1, . . . , p}
ej
∈ {1, . . . , q}
. LogoA
T
T
= A
.
•
Transposta do produto de uma matrizpor umes alar:(αA)
T
=
αA
T
. Demonstração. SejaA =
a
ij
, omi
∈ {1, . . . , p}
ej
∈ {1, . . . , q}
. Ora, sendoA
T
=
a
′
ji
, oma
′
ji
= a
ij
,paratodoj
∈ {1, . . . , q}
ei
∈ {1, . . . , p}
, então(αA)
T
=
αa
ij
T
=
αa
′
ji
= α
a
′
ji
= αA
T
.
•
Transposta da soma de duas matrizes:(A + B)
T
= A
T
+ B
T
. Demonstração. SejamA =
a
ij
eB =
b
ij
, omi
∈ {1, . . . , p}
ej
∈ {1, . . . , q}
. Por denição deadição de matrizes,A + B =
c
ij
, omc
ij
= a
ij
+ b
ij
,para todoi
∈ {1, . . . , p}
ej
∈ {1, . . . , q}
.Assim,(A + B)
T
=
c
′
ji
omc
′
ji
= c
ij
,paratodoj
∈ {1, . . . , q}
ei
∈ {1, . . . , p}
. Por outro lado, omoA
T
=
a
′
ji
, oma
′
ji
= a
ij
, eB
T
=
b
′
ji
, omb
′
ji
= b
ij
,vemqueA
T
+ B
T
=
a
′
ji
+
b
′
ji
=
a
′
ji
+ b
′
ji
=
d
ji
,onde a entrada(j, i)
éd
ji
= a
′
ji
+ b
′
ji
= a
ij
+ b
ij
= c
ij
= c
′
ji
.
E,portanto,A
T
+ B
T
= (A + B)
T
.•
Transposta do produto de duas matrizes:(AB)
T
= B
T
A
T
. Demonstração. SejamA =
a
ik
eB =
b
kj
, omi
∈ {1, . . . , p}
,k
∈ {1, . . . , q}
ej
∈ {1, . . . , m}
.Tem-sequeAB =
c
ij
,
ondec
ij
=
q
X
l=1
a
il
b
lj
para ada
i
∈ {1, . . . , p}
ej
∈ {1, . . . , m}
.Assim(AB)
T
=
c
′
ji
,
ondec
′
ji
= c
ij
.
Poroutrolado,
A
T
=
a
′
ki
, oma
′
ki
= a
ik
, eB
T
=
b
′
jk
, omb
′
jk
= b
kj
, paratodoi
∈ {1, . . . , p}
,k
∈ {1, . . . , q}
ej
∈ {1, . . . , m}
.Assim,B
T
A
T
=
d
ji
,
ondeaentrada(j, i)
éd
ji
=
q
X
l=1
b
′
jl
a
′
li
=
q
X
l=1
b
lj
a
il
=
q
X
l=1
a
il
b
lj
= c
ij
= c
′
ji
.
Logo(AB)
T
= B
T
A
T
.Denição 1.33. Uma matriz
A
diz-se simétri aseA = A
T
.
Observe-se que esta denição obriga a que a matriz
A
seja uma matriz quadrada.Alémdisso,umamatrizquadradaA
deordemp
ésimétri aseexistir simetriarelativamenteàdiagonalprin ipal,isto é,seédaformaA =
a
ij
,
oma
ij
= a
ji
,
∀i, j ∈ {1, . . . , p}.
Exemplo 1.34. A matriz1 2
2 3
ésimétri a.Denição 1.35. Uma matriz
A
diz-se anti-simétri aseA
T
=
−A
.
Assim,adeniçãoobrigaaque
A
,paraseranti-simétri a,sejaquadradaeos elementosdasuadiagonalprin ipalsejamtodosnulos.Alémdisso,emposiçõesopostasemrelaçãoàdiagonalprin ipal,estãoelementossimétri osentresi.
Exemplo1.36. A matriz
−3
0
3
0
4
1
−4 −1 0
éanti-simétri a.Exer í ios 1.37. 1. Seja
A
umamatrizquadrada. Prove que: a)A + A
T
b)
A
− A
T
éanti-simétri a.
2. Mostre que qualquer matrizquadrada sepode de ompor nasoma de uma
matrizsimétri a omumamatrizanti-simétri a.
3. Em ada aso,provequeaarmaçãoéverdadeiraouapresenteum
ontra--exemplo mostrando que é falsa. Sejam
A
,B
eC
matrizes de tamanhos adequados.a) Se
A + B = A + C
entãoB
eC
são domesmo tipo. b) SeA + B = 0,
entãoB = 0
.) Se aentrada
(2, 3)
da matrizA
é7
,então aentrada(3, 2)
deA
T
é
−7
.d) Se
A =
−A
,entãoA = 0
.e) Paratodaamatriz
A
,asmatrizesA
eA
T
têmamesmadiagonal.
f) Aigualdade
(A+B)
2
= A
2
+2AB+B
2
ésempreválidaparaquaisquer
matrizes.
g) Se
A
2
= A
então
A = 0
ouA = I
.4. Sejam
A
∈ M
p×q
(K)
eB, C
∈ M
q×m
(K)
matrizes quaisquer. Apli ando aspropriedadesdasoperaçõesentrematrizes, mostre,de duasformasdis-tintas,que
2.1 Sistemas e matrizes
Nestase çãoapresentam-sealgumas deniçõesenomen laturabási as
asso ia-dasaossistemasdeequaçõeslineareseasuarelação omasmatrizes.
Denição 2.1. Umaequação da forma
a
1
x
1
+ a
2
x
2
+
· · · + a
n
x
n
= b,
(2.1) ondea
i
∈ K
,para adai
∈ {1, . . . , n}
eb
∈ K
,é hamadaumaequaçãolinear nasin ógnitas(ouindeterminadas)x
1
, . . . , x
n
.A adaa
i
hama-se oe iente da equação eaob
hama-setermo independentedaequação.Exemplo 2.2. A equação
−x
1
+ 4x
2
− 7x
3
= 11
é uma equação linear nas in ógnitasx
1
,x
2
ex
3
de oe ientes−1
,4
e−7
e termoindependente11
. A equação4x
1
− 5x
2
= x
1
x
3
nãoé umaequação linear.Re ordandooprodutodeumamatrizlinha porumamatriz oluna,note-se
queaequação(2.1)podeserrepresentadamatri ialmentepor
a
1
a
2
· · · a
n
x
1
x
2
. . .x
n
=
b
.
(2.2)Denição 2.3. Diz-se que o
n
−
uplo(s
1
, s
2
, . . . , s
n
)
,oude forma equivalente,s
1
s
2
· · · s
n
T
,ésolução da equação (2.1)(ou de (2.2))se
a
1
s
1
+ a
2
s
2
+
· · · + a
n
s
n
= b
oua
1
a
2
· · · a
n
s
1
s
2
. . .s
n
=
b
Ao onjuntodetodasassoluçõesde (2.1) hama-se onjuntosoluçãode (2.1). Exemplo2.4. Considereaequação
3x
1
−x
2
+4x
3
= 5
.Estapoderepresentar-se matri ialmente omo3
−1 4
x
x
1
2
x
3
=
5
.
Como
3x
1
− x
2
+ 4x
3
= 5
⇔ x
2
= 3x
1
+ 4x
3
− 5
,o onjuntosoluçãodaequação dada éS =
{(x
1
, 3x
1
+ 4x
3
− 5, x
3
) : x
1
, x
3
∈ R}.
Auma ole çãodeumnúmeronitodeequaçõeslineares hama-sesistema
deequaçõeslineares.Emseguidaapresenta-seadeniçãoformal:
Denição 2.5. À onjunção de
m
equações lineares emn
in ógnitas, omm, n
∈ N
, hama-se sistema de equações lineares e pode ser representado por
a
11
x
1
+
· · · +
a
1n
x
n
= b
1
a
21
x
1
+
· · · +
a
2n
x
n
= b
2
. . .a
m1
x
1
+
· · · + a
mn
x
n
= b
m
(2.3)onde
a
ij
∈ K
, omi
∈ {1, . . . , m}
ej
∈ {1, . . . , n}
,são hamados oe ientes do sistema, osb
i
∈ K
, omi
∈ {1, . . . , m}
,são ostermos independentes do sistema ex
1
, . . . , x
n
são asin ógnitasdosistema.Se
b
i
= 0
,paratodoi
∈ {1, . . . , m}
,entãodiz-sequeosistemaéhomogéneo; aso ontrário,istoé,seb
i
6= 0
,paraalgumi
∈ {1, . . . , m}
entãoosistemadiz-se ompleto.Exemplo2.6. Considere osseguintessistemaslineares
(S
1
)
2 x
1
+ 3 x
2
+ 4 x
3
= 1
−1 x
1
+ 5 x
2
+ 0 x
3
= 2
e(S
2
)
1 x
1
− 2 x
2
= 0
−1 x
1
+ 3 x
2
= 0
.
O sistema
(S
1
)
é um sistema ompleto om2
equações e3
in ógnitase(S
2
)
é um sistema homogéneo om2
equações e2
in ógnitas. Em ambosos sistemas ostermos independentes estãomar adospor eos oe ientespor .Atendendo à denição de solução de uma equação linear pode denir-se
soluçãodeumsistemadeequaçõeslineares.
Denição 2.7. O
n
−
uplo(s
1
, s
2
, . . . , s
n
)
é solução do sistema de equações lineares naforma (2.3)sefor soluçãodetodas asequaçõesque onstituemesse sistema.Ao onjuntodetodasassoluçõesde (2.3) hama-se onjuntosolução desse sistema.Exemplo 2.8. Considere o sistema linear
(S
1
)
do exemplo anterior, o terno−2, 0,
5
4
éumasoluçãodesse sistema; de fa to,
2
× (−2) + 3 × 0 + 4 ×
5
4
= 1
−1 × (−2) + 5 × 0 + 0 ×
5
4
= 2
.
Paraadeterminaçãodo onjunto soluçãode umsistema,podemapli ar-se
diversosmétodosquepermitemobterumsistemaequivalente maissimples.
Umdosmétodosparadeterminaro onjuntosoluçãodeumsistema onsiste
em apli ardeterminadas operaçõessobreasequaçõesdosistema.Essas
opera-çõessão hamadasoperações elementares sobreequações. Represente-sepor
e
i
, omi
∈ {1, . . . , m}
, ai
-ésimaequaçãode um sistema deequaçõeslineares na forma(2.3).Asoperaçõeselementaressobreequaçõessão:I. tro arduasequações
(representa-sepor
e
i
↔ e
j
);II. multipli arumaequaçãoporumes alarnãonulo
(representa-sepor
e
′
i
:= αe
i
, omα
6= 0
);III. adi ionaraumaequaçãooutramultipli adaporumes alar
(representa-sepor
e
′
i
:= e
i
+ βe
j
, omβ
∈ K
ei
6= j
).Exer í io2.10. Mostrequeseseefe tuaroperaçõeselementaressobreequações
nasequações
e
1
, . . . , e
n
deumsistemadeequaçõeslinearesobtém-seumsistema equivalente.Veja-seumexemplo:
Exemplo 2.11. Dado o sistema
x + y = 1
x
− y = 2
, efe tuando operações elemen-taresa imades ritas, obtém-se:x + y = 1
x
− y = 2
|{z}
⇔
e
′
2
:=e
2
+e
1
x + y = 1
2x = 3
|{z}
⇔
e
′
2
:=
1
2
e
2
x + y = 1
x =
3
2
⇔
|{z}
e
′
1
:=e
1
−e
2
y = 1
−
3
2
=
−
1
2
x =
3
2
O onjuntosoluçãoé3
2
,
−
1
2
.
Atendendoaonúmerode soluçõesqueumsistemadeequaçõeslineares
ad-mite, estepodeser lassi adodaseguinteforma:
•
impossível:quandonãotemsolução;•
possível:quandoadmiteumaoumaissoluções;neste asopodedizer-se queé:- possívele determinado:quandotemapenasuma úni asolução;
- possíveleindeterminado:quandotemumainnidadedesoluções;
neste asoatribui-seaindaumgraudeindeterminaçãoaosistemaque
Vejam-sealgunsexemplos.
Exemplos2.12. 1. Osistema do Exemplo2.11 épossível edeterminado. 2. Osistema
x
1
− x
2
+ x
3
= 1
−x
1
+ 2x
2
− x
3
= 2
|{z}
⇔
e
′
2
:=e
2
+e
1
x
1
− x
2
+ x
3
= 1
x
2
= 3
⇔
|{z}
e
′
1
:=e
1
+e
2
x
1
+ x
3
= 4
x
2
= 3
temoseguinte onjuntosolução
{(4 − x
3
, 3, x
3
) : x
3
∈ R}
.Logotrata-sede um sistema possível e indeterminado, om grau de indeterminação iguala
1
(neste aso, aúni avariável livre éx
3
). 3. Osistemax
1
− 2x
2
=
−1
−x
1
+ 2x
2
= 3
|{z}
⇔
e
′
2
:=e
2
+e
1
x
1
− 2x
2
=
−1
0 = 2
éimpossível. Oseu onjuntosoluçãoéo onjuntovazio
∅
.Ainformação deumsistema deequaçõeslineares pode serresumida numa
úni amatriz.Re ordandooprodutoentrematrizes,note-sequeépossível
repre-sentarosistemadeequaçõeslinearesdaforma(2.3)naseguinteformamatri ial:
AX = B
⇔
a
11
a
12
· · ·
a
1n
a
21
a
22
· · ·
a
2n
. . . . . . . . . . . .a
m1
a
m2
· · · a
mn
|
{z
}
A
x
1
x
2
. . .x
n
| {z }
X
=
b
1
b
2
. . .b
m
| {z }
B
onde à matriz
A
∈ M
m×n
(
K)
hama-se matriz dos oe ientes (ou matriz simples), à matrizX
∈ M
n×1
(
K)
hama-se matriz das in ógnitas e à matrizB
∈ M
m×1
(
K)
hama-se matrizdostermos independentes.Pode ainda es rever-se uma úni a matriz om os oe ientes e os termos
independentes dosistema:
A
B
=
a
11
a
12
· · ·
a
1n
b
1
a
21
a
22
· · ·
a
2n
b
2
. . . . . . . . . . . . . . .a
m1
a
m2
· · · a
mn
b
m
.
Exemplo 2.13. Considereosistema de equaçõeslineares
x
1
+ 2x
2
− x
3
= 0
2x
2
− 8x
3
= 7
−4x
1
+ 5x
2
+ 9x
3
=
−9
A suaforma matri ial é
AX = B
, omA =
1
0
2
2
−1
−8
−4 5
9
, X =
x
x
1
2
x
3
eB =
0
7
−9
e asuamatrizampliada é
A B
=
1 2
0 2
−1
−8
0
7
−4 5
9
−9
.
2.2 Método de eliminação de Gauss
Re orde-sequenosexemplosanterioresusaram-sedeterminadasoperações
ele-mentaressobre equações.Efe tuar operaçõeselementaressobreasequaçõesde
um sistema éequivalente a efe tuar operaçõeselementares sobre as linhas da
matrizampliadaasso iadaaosistema.Represente-sepor
L
i
, omi
∈ {1, . . . , m}
, ai
-ésimalinha damatriz ampliada.Veja-se umexemplo de omo resolverum sistema usandoarespe tivamatrizampliada.Exemplo2.14.
Sistema Matriz ampliada
−2x
1
− x
2
=
−4
x
1
+ x
2
− 3x
3
= 3
4x
1
+ 2x
2
+ 3x
3
= 7
−2 −1
1
1
−3
0
−4
3
4
2
3
7
1 o passo:e
1
↔ e
2
L
1
↔ L
2
x
1
+ x
2
− 3x
3
= 3
−2x
1
− x
2
=
−4
4x
1
+ 2x
2
+ 3x
3
= 7
−2 −1
1
1
−3
0
−4
3
4
2
3
7
2 o passo:
e
′
2
:= e
2
+ 2e
1
L
′
2
:= L
2
+ 2L
1
e
′
3
:= e
3
− 4e
1
L
′
3
:= L
3
− 4L
1
x
1
+ x
2
− 3x
3
= 3
x
2
− 6x
3
= 2
−2x
2
+ 15x
3
=
−5
1
0
1
1
−3
−6
3
2
0
−2
15
−5
3 o passo:e
′
3
:= e
3
+ 2e
2
L
′
3
:= L
3
+ 2L
2
x
1
+ x
2
− 3x
3
= 3
x
2
− 6x
3
= 2
3x
3
=
−1
1
0
1
1
−3
−6
3
2
0
0
3
−1
4 o passo:e
′
3
:=
1
3
e
3
L
′
3
:=
1
3
L
3
x
1
+ x
2
− 3x
3
= 3
x
2
− 6x
3
= 2
x
3
=
−
3
1
1
0
1
1
−3
−6
3
2
0
0
1
−
1
3
Assim,obtém-seumsistemaequivalenteaoini ial,queseresolvefa ilmentepor
substituição,
x
1
+ x
2
− 3x
3
= 3
x
2
− 6x
3
= 2
x
3
=
−
1
3
⇔
x
1
= 3
− 0 + 3 −
1
3
= 2
x
2
= 2 + 6
−
1
3
= 0
x
3
=
−
1
3
E o onjuntosoluçãodo sistemaé
2, 0,
−
1
3
.
Émaisfá iltrabalhar omamatrizampliada.Pode-seentãoresolverum
sis-tema
AX = B
onsiderandoasuamatrizampliadaA B
eexe utandonela de forma riteriosaoperaçõessobre aslinhas. Este tipodeoperaçõeshamam-se operações elementares sobre as linhas e são orrespondentes às operações
elementaressobre equações:
I. tro arlinhas
(representa-sepor
L
i
↔ L
j
, omi
6= j
); II. multipli arumalinhaporumes alarnãonulo(representa-sepor
L
′
i
:= αL
i
, omα
6= 0
);III. adi ionaraumalinha ummúltiplo deumaoutralinha
(representa-sepor
L
′
Exemplo2.15. Resolva-seosistema
3x
− y = 1
x + y = 5
,usandoaté ni ades rita anteriormente.3
−1 1
1
1
5
−−−−−→
L
1
↔ L
2
1
1 5
3
−1 1
−−−−−−−−−→
L
′
2
:= L
2
− 3L
1
1
1
5
0
−4 −14
−−−−−−−→
L
′
2
:= −
1
4
L
2
1 1
5
0 1
7
2
Logo3x
− y = 1
x + yy = 5 ⇔
x + y = 5
y =
7
2
⇔
x = 5
−
7
2
=
10−7
4
=
3
2
y =
7
2
e oseu onjuntosoluçãoé
3
2
,
7
2
.
Oque sefezfoium asoparti ulardométodo de eliminação de Gauss
para a resolução de sistemas de equações lineares. Antes de formalizar este
métodoapresentam-sealgumasdeniçõesne essárias.
Denição 2.16. Diz-se que uma matrizestá na forma es alonada por
li-nhasse satiszerasseguintes ondições:
•
sehá linhasnulas elassituam-se abaixodas linhas nãonulas;•
oprimeiro elementonão nulo de ada linha ( omex epção da primeira) situa-seàdireita do primeiroelementonãonulo dalinhaanterior.Aos primeiros elementos não nulos de adalinha daforma es alonada por
linhas hamam-sepivots.
Observe-seque,atendendoàdenição,oselementosquesesituamnamesma
oluna eabaixodeumpivotnaformaes alonadaporlinhassãotodosnulos.
Exemplo 2.17. Considereasmatrizes
A =
1
0
2
3
−1
1
4
2
0
0
−1 −1
B =
1 0
0 1
4
0
−1
0
0 0
0
0
C =
0 0
1 0
−3
0
−1
0
0 0
0
1
As matrizes
A
eB
estão naforma es alonada;mas amatrizC
nãoestá.Denição 2.18. Diz-sequeumamatrizestánaforma es alonada reduzida
se estiverna formaes alonada por linhas,isto é, satiszeras ondições
anteri-oresda denição2.16 e,alémdisso, adapivotéiguala1eéoúni oelemento nãonulo dasua oluna.
Observação2.19. Repare-se queaformaes alonada reduzidaéaforma
Exemplo 2.20. Sejam
A =
1
0
0 0
1 0
1
0
0
0 1
3
B =
1
0
4 0
0 1
0 3
0 1
0
0 0
1 4
As matrizes
A
eB
estão naforma es alonada reduzida.Teorema2.21.Todaamatrizpodeser olo adanaformaes alonadamediante
uma sequên ianita de operaçõeselementares sobreaslinhas.
Para onseguir transformaruma matriz numa matriz na formaes alonada
porlinhas exe uta-seométododeeliminaçãodeGauss.
Denição 2.22. Ométodo deeliminação deGauss onsistenosseguintes
passos.
Passo 1:Seamatriztivertodososelementosnulos,pára. Amatrizjáestána
forma es alonada porlinhas.
Passo 2: Caso ontrário, en ontre-se a primeira oluna, da esquerda para a
direita, quetenha umelementonãonulo,
u
.Mova-sealinhaqueo ontémpara otopodamatriz. Opivotda primeiralinha éu
.Passo 3: Anule-se ada elementoabaixodo pivotadi ionando àslinhas
orre-spondentes múltiplosadequadosda primeiralinha.
(Até aqui ompleta-se o pro esso no que diz respeito à primeira linha. No
que sesegue, usam-seas restanteslinhas, ignorando aprimeiralinha.)
Passo 4: Repita-se os passos 1 a3 na matrizformada pelas restantes linhas,
até esgotar aslinhas todas da matriz.
Paraobter aforma es alonadareduzida deuma matriz apli a-se ométodo
de eliminação de Gauss-Jordan.
Denição 2.23. Ométodo de eliminação de Gauss-Jordan é omposto
porduas fases.
1 a
fase: Apli ar ométodo de eliminação de Gauss até produzir aforma
es a-lonada por linhas.
2 a
fase: Transformartodos ospivotsem
1
,multipli ando adalinha nãonula pelo inverso do respe tivo pivot. Apli ar o método de eliminação de Gauss debaixopara imaporformaaanulartodososelementosdamatrizsituadosa ima
e namesma oluna dos pivots.Paraisso,bastará omeçar naúltima linhanão
nulae,debaixopara ima,adi ionara adalinhamúltiplosadequadosdaslinhas
inferiores.
Exemplo2.24. Suponha-sequeamatrizampliadadeumsistematemaforma:
0 2
3
−4 1
0 0
2
3
4
2 2
−5
2
4
2 0
−6
9
7
O Passo 1, do método de eliminação de Gauss, é ignorado uma vez que as
entradas da matriz não são todas nulas. No Passo 2 tem-se que en ontrar a
primeira oluna (daesquerdaparaadireita) omoprimeiroelementonãonulo.
Neste aso é a primeira oluna e o pivotpode ser a entrada
(3, 1)
.Mova-se a ter eiralinha(alinha queo ontém) paraotopo.−−−−−→
L
1
↔ L
3
2
2
−5
2 4
0
0
2
3 4
0
2
3
−4 1
2
0
−6
9 7
Agorabastaoperar omaslinhasparaobterzerosabaixodopivot(Passo3):
−−−−−−−−→
L
′
4
:= L
4
− L
1
2
2
−5
2 4
0
0
2
3 4
0
2
3
−4 1
0
−2 −1
7 3
OPasso 4manda onsiderar asubmatrizobtida eliminando aprimeira linhae
apli ar osPassos1a3atéesgotar aslinhas todas:
−−−−−→
L
2
↔ L
3
2
2
−5
2 4
0
2
3
−4 1
0
0
2
3 4
0
−2 −1
7 3
−−−−−−−−→
L
′
4
:= L
4
+ L
2
2
2
−5
2 4
0
2
3
−4 1
0
0
2
3 4
0
0
2
3 4
−−−−−−−−→
L
4
:= L
4
− L
3
2 2
−5
2 4
0 2
3
−4 1
0 0
2
3 4
0 0
0
0 0
O método da eliminação de Gauss termina aqui e, omo tal, poder-se-ia já
determinar a solução do sistema obtido, que é equivalente ao sistema ini ial,
resolvendo-oporsubstituição.
2x + 2y
− 5z + 2t = 4
2y + 3z
− 4t = 1
2z + 3t = 4
Noentanto, pode ontinuar-se aapli aro método de eliminação de
Gauss-Jordan àmatriz ampliada es alonada por linhas obtida esó depois determinar
asolução. Asegundafase dessemétodo manda multipli ar adalinhanãonula
pelo inversodo pivot orrespondenteeoperar om aslinhasda matrizde modo
Obtém-seassim
2 2
−5
2
4
0 2
3
−4 1
0 0
2
3
4
0 0
0
0
0
−−−−−−−−→
L
′
1
:=
1
2
L
1
L
′
2
:=
1
2
L
2
L
′
3
:=
1
2
L
3
1 1
−
5
2
1
2
0 1
3
2
−2
1
2
0 0
1
3
2
2
0 0
0
0
0
−−−−−−−−−−−→
L
′
1
:= L
1
+
5
2
L
3
L
′
2
:= L
2
−
3
2
L
3
1 1
0
19
4
7
0 1
0
−
17
4
−
5
2
0 0
1
3
2
2
0 0
0
0
0
−−−−−−−−→
L
′
1
:= L
1
− L
2
1
0
0
9
19
2
0
1
0
−
17
4
−
5
2
0
0
1
3
2
2
0
0
0
0
0
A matriz ampliada obtida já está na forma es alonada reduzida. Agora basta
passarnovamenteparasistemaeresolverdebaixopara ima,porsubstituição:
x + 9t =
19
2
y
−
17
4
t =
−
5
2
z +
3
2
t = 2
⇔
x =
19
2
− 9t
y =
−
5
2
+
17
4
t
z = 2
−
3
2
t
,
t
∈ R.
O onjunto solução é19
2
− 9t, −
5
2
+
17
4
t, 2
−
3
2
t, t
: t
∈ R
. Observe-se que existe uma variável livre, a variável
t
, pelo que o sistema é possível e inde-terminado, omgraude indeterminação igualaum.Exer í io Resolvido2.25. Seja
(S)
oseguintesistema de equações linearesS :
−x + 4z = 0
y =
−1
−x + y + 4z = −1
.
Determine, asoexista, oseu onjuntosolução.
Resolução: Asuamatriz ampliada é:
M =
−1 0 4
0 1
0
−1
0
−1 1 4 −1
Passo 1:Anularoselementosda1 a
olunaqueseen ontramabaixodopivotda
1 a
linha. Paraisso efe tua-seaoperação