ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - Edição nº 10 Vol. 01/ 2015 dezembro/2015
Planejamento e gestão do canteiro de obras
Roberta da Silva Marodin - e-mail [email protected] Gerenciamento de Obras, Tecnologia & Qualidade de Construção
Instituto de Pós-Graduação e Graduação – IPOG Brasília, DF, 11 de dezembro de 2014 Resumo
Neste trabalho será tratada a questão de planejamento de canteiro de obras, fato bastante neglicenciado, na maioria das vezes e casos, o que traz inúmeras consequências, como alteração de prazos e custos. Logo, pretendeu-se analisar quais os procedimentos necessários para o planejamento do canteiro de obras. Verifica-se que a organização e planejamento do canteiro são feitos, na grande maioria dos casos, de modo empírico, ou seja, são frutos da experiência dos gestores, baseada na tentativa e erro, sempre adotando aquelas alternativas que anteriormente mostraram satisfatórias, mas não são levados em conta as particularidades que cada obra irá apresentar, logo o que deu certo no planejamneto de uma, não significa que será satisfatório em outra, mesmo que apresentem características bem semelhantes. Portanto, realizou-se um levantamento bibliográfico sobre o tema, buscando identificar métodos e etapas propostos por autores para o processo de planejamento de canteiro de obras.
Palavras-chave: Planejamento. Canteiro de obras. Layout.
1. Introdução
A indústria da construção civil, em especial o subsetor edificações, é frequentemente citada como exemplo de setor atrasado, com baixos índices de produtividade e elevados desperdícios de recursos. Um dos principais reflexos desta situação são os altos índices de perdas de materiais, conforme é citado por Oliveira (2011:1) que é estimado que o setor da construção civil é responsável pela geração de cerca de 40% dos resíduos gerados.
A mão-de-obra da construção é com frequência citada como a responsável por este quadro de baixo desempenho, sendo comum rotular-se os operários de displicentes ou incapazes.
Entretanto, os operários, muitas vezes, não sabem o que devem executar e não dispõem dos adequados instrumentos e materiais de trabalho, ou mesmo de um local em boas condições para executar seus serviços. Assim, é uma atitude simplista culpar a mão-de-obra pela ineficiência da construção, existindo diversos estudos que apontam a ausência ou insuficiência de planejamento como uma das principais causas desta situação (FORMOSO e SAURIN, 2006:13).
Assim, como cita Ulhôa (2012:3), a alta rotatividade e baixa qualificação da mão-de-obra, grande utilização de mão-de-obra para executar atividades devido à falta de instrumentos e novas tecnologias de construção, precariedade nas instalações do canteiro, serviços com altos riscos de acidentes, são algumas das características peculiares da construção. E isto na grande maioria das vezes consequência da baixa competência em gestão dos principais responsáveis pela condução da obra.
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Como é colocado pelo mesmo autor, a gestão do canteiro exige competência e eficácia, e o principal profissional responsável é o engenheiro civil, que infelizmente, na sua formação não é desenvolvida a área de gestão.
Lelis (2009:1) aponta no seu trabalho que pesquisas recentes mostram resultados, explorando expectativas de empresas brasileiras em relação ao perfil dos engenheiros, e destacam que estes têm boa formação técnica, mas demonstram dificuldades no que tange a aspectos tais como: atitude empreendedora e capacidade de gestão, comunicação, liderança e trabalho em equipes multidisciplinares.
O planejamento do canteiro, em particular, tem sido um dos aspectos mais negligenciados na indústria da construção, sendo que as decisões são tomadas à medida em que os problemas surgem no decorrer da execução (HANDA,1988, apud FORMOSO e SAURIN, 2006:14). Em consequência, os canteiros de obras muitas vezes deixam a desejar em termos de organização e segurança, o que cria uma imagem negativa das empresas no mercado, trazendo como consequência o afastamento de clientes.
Logo, fica evidente que um dos pontos de grande importância é que uma das primeiras atividades a ser realizada é o estudo criterioso do layout da logística do canteiro, para que sejam bem aproveitados todos os recursos materiais e humanos empregados na obra, qualquer que seja seu porte.
Embora seja reconhecido que o planejamento do canteiro desempenha um papel fundamental na eficiência das operações, cumprimento de prazos, custos e qualidade da construção, os gerentes geralmente aprendem a realizar tal atividade somente através da tentativa e erro, ao longo de muitos anos de trabalho.
Portanto, neste artigo, será apresentada a definição de planejamento de canteiros de obras, e apresentados estudos, opiniões e análises de autores sobre este tema.
2. Metodologia
Como citado por Gil (2002:44) a pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborada, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Ainda cita como vantagens deste tipo de pesquisa;
A principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente. Essa vantagem torna-se particularmente importante quando o problema de pesquisa requer dados muito dispersos pelo espaço (GIL, 2002:44).
Buscando uma visão geral sobre o assunto planejamento em canteiro de obras, fez-se uma revisão bibliográfica, com análise crítica das referências encontradas, organizando-se de forma coerente os conceitos e informações obtidos de interesse. Logo, foram consultados livros, e principalmente teses e dissertações, bem como artigos encontrados na base de pesquisa CAPES.
3. Definição de planejamento de canteiros
De acordo com a NB-1367 (1991), o canteiro de obras se destinada à execução e apoio dos trabalhos da indústria da construção, dividindo-se em áreas operacionais e áreas de vivência.
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A NR-18 (2011) define canteiro de obras como a área de trabalho fixa e temporária, onde se desenvolvem operações de apoio e execução de uma obra. Oliveira e Serra (2006:4) definem canteiro de obras como a área destinada à execução das atividades do ambiente da obra e instalação das ferramentas e equipamentos, que são de uso indispensável para realização dessas atividades.
No entender de Saurin (1997:14) o planejamento de um canteiro de obras pode ser definido como o planejamento do layout e da logística das suas instalações provisórias, instalações de segurança e sistema de movimentação e armazenamento de materiais.
O planejamento do layout envolve a definição do arranjo físico de trabalhadores, materiais, equipamentos, áreas de trabalho e de estocagem; já o planejamento logístico estabelece, por exemplo, as condições de armazenamento de cada material, o tipo de mobiliário colocado nas instalações provisórias ou as instalações de segurança de um guincho (tela, campainha etc.).
Como é colocado por Formoso e Saurin (2006:17), assuntos referentes ao planejamento de segurança, como treinamento de mão-de-obra ou análise de riscos não fazem parte das atividades que compõe o planejamento do canteiro, isso se deve à complexidade e às particularidades que envolvem as questões relacionadas à segurança.
O planejamento da logística deve ser integrado ao planejamento do layout, tratando de garantir o fornecimento de todas as condições de infraestrutura necessárias para o perfeito funcionamento dos processos relacionados às instalações de canteiro.
Um dos principais objetivos do processo de planejamento do canteiro é a melhor utilização do espaço físico disponível, de forma a garantir que se tenha segurança e eficiência no trabalho de homens e máquinas, principalmente através da minimização das movimentações de materiais, componentes e mão-de-obra. Tommelein (1992, apud FORMOSO e SAURIN, 2006:19) divide em duas categorias principais os múltiplos objetivos que um bom planejamento de canteiro deve atingir:
a) Objetivos de alto nível: envolve a necessidade de fornecer boas condições ambientais de trabalho, tanto em termos de conforto como de segurança (relacionadas à proteção física).
Envolve também o cuidado com o aspecto visual do canteiro, que inclui a limpeza e impacto positivo perante funcionários e clientes. Com estas medidas, que promovem operações eficientes e seguras serão garantidas a motivação dos funcionários e a satisfação dos clientes, que sem dúvidas vê em um canteiro de obras organizado um bom cartão de visita da empresa;
b) Objetivos de baixo nível: envolve atividades desenvolvidas para minimizar distâncias de transporte, minimizar tempos de movimentação de pessoal e materiais, minimizar manuseios de materiais e evitar obstruções ao movimento de materiais e equipamentos.
De acordo com Illingworth (1993, apud SAURIN, 1997:15), os canteiros de obra podem ser enquadrados dentro de um dos três seguintes tipos: restritos, amplos e longos e estreitos. E para cada tipologia de canteiro deve ser desenvolvido um critério de planejamento. No Quadro 1, que segue abaixo, estão descritos sucintamente os tipos de canteiro.
Tipo Descrição
1. Restritos A construção ocupa o terreno completo ou uma alta percentagem deste.
Acessos restritos.
Exemplos Construções em áreas centrais da cidade, ampliações, reformas.
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2. Amplos
A construção ocupa somente uma parcela relativamente pequena do terreno.
Há disponibilidade de acesso para veículos e de espaço para as áreas de armazenamento e acomodação de pessoal
Exemplos Construção de plantas industriais, conjuntos habitacionais horizontais e outras grandes obras como barragens, usinas hidrelétricas, etc.
3. Longos e estreitos
São restritos em apenas uma das dimensões, com possibilidade de acesso em poucos pontos do canteiro.
Exemplos Trabalhos em estradas de ferro e rodagem, redes de gás e petróleo, e alguns casos de obras de edificações em zonas urbanas.
Quadro 1 – Tipos de canteiros Fonte: Saurin (1997)
Illingworth (1993, apud SAURIN, 1997:16) afirma que são com os canteiros restritos que se devem tomar mais cuidado com o planejamento, que segundo ele, deve ser seguida uma abordagem disciplinada para tal tarefa, que deve seguir alguns princípios básicos, que são:
a) deve ser feito um estudo detalhado do canteiro, avaliando a influência das divisas, edificações adjacentes, pré-existência de redes de esgoto, água, eletricidade, redes telefônicas etc.;
b) devem ser avaliadas as restrições acarretadas pelas condições internas do próprio canteiro (topografia, vegetação etc.);
c) deve ser verificada a existência de características que possam ser exploradas no planejamento. Por exemplo, se existir alguma área não escavada que não terá nada construído sobre ela, deve-se verificar se esta área poderia ser usada para descarregamento ou armazenamento de materiais;
d) devem ser verificados quais os fatores que afetam os acessos e os descarregamentos, tais como desníveis, características do solo, intensidade de tráfego nas ruas de acesso ao canteiro etc.
O mesmo autor cita duas regras fundamentais para serem seguidas no planejamento de canteiros restritos, são elas:
a) sempre atacar primeiro a fronteira mais difícil: refere-se à necessidade da obra iniciar pela divisa que apresenta maiores problemas, ou seja, evitando assim de fazer serviços em tal divisa nas fases posteriores da execução, quando a construção de outras partes da edificação dificulta o acesso a este local. A existência de um muro de arrimo, vegetação de grande porte ou desnível acentuado, são alguns fatores que podem determinar a criticidade da fronteira.
b) criar espaços utilizáveis no nível do térreo ou próximo a ele, tão cedo quanto possível:
refere-se especialmente a obras nas quais o subsolo ocupa quase a totalidade do terreno, inviabilizando, na fase inicial da construção, a existência de um layout permanente. Assim, torna-se necessário a conclusão, tão cedo quanto possível, de espaços utilizáveis ao nível do térreo, os quais possam ser aproveitados para locação de instalações provisórias e de armazenamento, com a finalidade de facilitar os acessos de veículos e pessoas, além de propiciar um caráter de longo prazo de existência para as referidas instalações.
4. Planejamento do canteiro e o layout
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As atividades realizadas no planejamento do canteiro de obras sempre encontrarão restrições impostas pelo projeto da edificação, bem como pelo seu posicionamento no terreno. Logo, principalmente em canteiros com restrições de grande intensidade, o layout das instalações provisórias será consequência e dependerá do layout da edificação.
As necessidades de cada etapa de execução da obra são, na maioria dos casos, negligenciadas no layout das instalações permanentes, e também não se verifica, na maioria das vezes, a integração deste com o layout do canteiro de obras.
É importante que o layout das instalações permanentes reflita os interesses de execução e que seja coordenado com o das instalações de canteiro. As instalações de canteiro podem afetar adversamente a produtividade, sendo, por esta razão, muito importantes para serem negligenciadas.
Deste modo, a desconsideração das instalações de canteiro ocasiona, não raro, situações de layout bastante problemáticas, exigindo improvisações ou soluções não econômicas.
Exemplos típicos são os casos de canteiros restritos, onde, especialmente na fase inicial da obra, toma-se difícil ou mesmo impossível construir um simples barraco provisório para abrigar banheiros e vestiários.
Isso, não significa que o projeto de layout do canteiro não deve ser priorizado sobre os demais, mas que suas necessidades devem ser levadas em conta no processo de elaboração dos outros projetos. Sendo assim, com a ideia de integração entre projetos, torna-se necessária a inclusão de mais um componente neste processo, o projeto do layout do canteiro.
Saurin (1997) expõe que;
O projeto arquitetônico é o que maior relação tem com a definição do layout do canteiro, sendo portanto o processo no qual mais se faz necessária a integração.
Muitas vezes pequenas mudanças no projeto arquitetônico, que não afetam em nada a qualidade deste, podem criar facilidades para as instalações do canteiro, especialmente para as de armazenamento e movimentação de materiais, justamente aquelas que mais influência têm sobre a facilidade ou dificuldade de executar a obra (SAURIN, 1997:19).
Segundo o mesmo autor, há também interfaces entre o projeto estrutural do projeto do canteiro com o projeto estrutural, como por exemplo, o suporte e/ou posicionamento de equipamentos de movimentação vertical de materiais interfere na estrutura da edificação;
estoques de materiais sobre as lajes; circulação de veículos sobre rampas e lajes para movimentação de materiais; abertura em paredes para descarga de materiais. Se estas situações não estão previstas no projeto estrutural, deve-se consultar o autor acerca da viabilidade técnica destas atividades.
Há também a integração com os projetos elétricos e hidrossanitários, com o objetivo de já aproveitar as instalações definitivas da obra para uso durante a execução.
5. Etapas para o processo de planejamento do canteiro de obras
Os autores Souza e Franco (1997:1) apresentam um roteiro de ações que devem ser desenvolvidas para o planejamento do canteiro. A Figura 1, apresenta o fluxograma descritivo.
ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - Edição nº 10 Vol. 01/ 2015 dezembro/2015 Figura 1 – Fluxograma das atividades que compõem o planejamento de um canteiro de obras
Fonte: Souza e Franco (1997)
Abaixo serão discutidas cada uma das etapas elucidadas no fluxograma da Figura 1, como exposto por Souza e Franco (1997:2).
a) Prazo da obra: decisão básica preliminar que, além de fundamental para a definição do cronograma, pode ter reflexos na própria concepção do projeto. A definição do tempo total disponível para a obra pode influenciar a decisão de se adotar construções provisórias de alvenaria ou madeira compensada; assim como, a verificação da época do ano em que certos serviços serão realizados pode induzir a concepção do canteiro, por exemplo, ter de iniciar a obra em época de chuva, pode servir de alerta quanto à localização de um portão e das condições de pavimentação do acesso à obra;
b) Projeto: a disponibilidade dos projetos executivos e mesmo dos projetos para a produção seriam a condição ideal, pois quanto maior a quantidade de informações sobre o produto que será executado, maior será a chance de se planejar um bom canteiro de obras. É necessário,
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portanto, que se disponha das plantas de topografia, subsolos, térreo e tipo, sempre com a delimitação do terreno. A anotação das condições presentes nos vizinhos (tais como níveis de piso, características de construções eventualmente existentes) e nas vias de acesso ao terreno (largura, declividade e tipo de calçamento da via, localização da rede de energia, entradas de água e pontos de coleta de esgoto) são bastante úteis para as futuras decisões;
c) Plano de ataque: nesta etapa, define-se a relação de precedência entre as atividades principais que serão executadas;
d) Cronograma físico: a partir do projeto a ser executado deve-se elaborar um cronograma físico para a obra. Para alguns serviços é recomendado que se faça o detalhamento semanal (como exemplo, armadura, concretagem, alvenaria, revestimentos de argamassa); para outros somente a indicação de início e término é importante em termos da definição do canteiro. Este primeiro grupo, que deve ser detalhado semanalmente pertencem os insumos de maior relevância quanto ao planejamento de transporte e de espaço para estocagem;
e) A escolha das tecnologias a utilizar: nesta etapa serão escolhidos os equipamentos para transporte vertical, o tipo de argamassa, o equipamento para acesso à fachada etc. São diversas as opções que podem ser utilizadas, e para tomar a decisão, pode-se tomar por base as capacidades unitárias, ou seja, qual a capacidade do equipamento para o transporte do material, sendo recomendável se avaliar se os transportes necessários numa fase crítica da obra “cabem” dentro do “cronograma semanal de uso do sistema de transportes”;
f) Planejamento para entrada/saída e localização de equipamentos: é importante que as datas de entrada e saída dos equipamentos no canteiro de obras estejam bem definidas, principalmente se está pagando por sua locação. Para locações por curto período de tempo, o custo da montagem pode ser significativo, devendo-se, portanto questionar-se quanto a posições onde estas dificuldades sejam atenuadas. A Figura 2 demonstra algumas considerações que devem ser feitas para detectar as possíveis regiões para instalar a torre da grua.
ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - Edição nº 10 Vol. 01/ 2015 dezembro/2015 Figura 2 – Considerações geométricas para posicionamento da grua
Fonte: Souza e Franco (1997)
Souza e Franco (1997:6) citam algumas considerações adicionais devem ser feitas quanto ao posicionamento adequado da grua, como:
- Se deverá ser feito furos nas lajes;
- Se será utilizado algum orifício da laje, como por exemplo, o poço do elevador;
- Qual a distância que deve estar das edificações vizinhas, devido ao giro da lança e contralança;
- Posição que garantirá maior agilidade nos transportes de concreto, aço, tijolos etc.;
- Posição mais adequada para fundações da grua;
- Facilidade de montagem e desmontagem.
Os mesmos autores também citam algumas recomendações quanto à posição do elevador de cargas, a seguir:
- Distância ao recebimento;
- Distância aos estoques;
- Distância aos processamentos intermediários;
- Distância aos pontos “de entrega”;
- Segurança quanto à queda de materiais;
- Proximidade à casa de máquinas (minimização de rampas);
- Minimizar a interferência com outros serviços: paredes com instalações; paredes com revestimentos cerâmicos;
- Uso de sacadas;
- Chegar em ambiente amplo;
- Verificar a necessidade de localizar o segundo elevador próximo ou distante do primeiro;
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- Analisar mudanças de canteiro e de materiais a serem transportados ao longo do tempo (por exemplo, portões existentes a cada momento, execução de partes da estrutura que impedem acesso etc.).
g) Demanda por materiais e mão-de-obra: de posse de um cronograma completo ou simplificado, deve-se fazer a previsão de mão-de-obra, serviços e materiais que serão necessários. O cronograma deve conter informações relativas às atividades desenvolvidas desde o início até o fim da obra, ou seja, qual será a duração de cada atividade que envolve:
movimento de terra, contenções e fundações; estrutura para cada um dos pavimentos (subsolo, térreo, pavimento tipo, ático); alvenaria para cada um dos pavimentos; contrapiso e revestimento interno para cada pavimento; revestimento da fachada; instalações elétricas e hidráulicas; assentamento de azulejos e cerâmicas. Com isto, será possível determinar quanto de insumo será gasto por determinado período;
h) Definição das fases do canteiro: é interessante que se observe as diferentes fases da obra para que se realize a subdivisão do canteiro, ou seja, realizar alterações e adaptações que se encaixem com as atividades que estão sendo desenvolvidas naquele momento. Deve-se atentar para os marcos importantes para a definição de modificações no canteiro, que são, período de início e fim de atividades, o que implica que algumas áreas devem ser reservadas e outras estão sendo desocupadas;
i) Disponibilidade de áreas: a cada fase da obra, elaborar plantas que demonstrem quais são as áreas ocupadas e disponíveis no canteiro de obras;
j) Definição do layout do canteiro: serão feitas proposições para a organização do canteiro em cada uma de suas fases, os responsáveis pelo mesmo procurarão, da melhor maneira possível, compatibilizar as necessidades com a disponibilidade de áreas. Vários outros aspectos deverão ser simultaneamente considerados, tais como segurança, custos etc., valendo-se de que não há uma solução única e que seja aplicável a vários tipos de obras, e sim diferentes possibilidades que podem ser melhores ou piores em função do contexto em que se inserem.
Por fim, os autores Souza e Franco (1997:14), propõe um roteiro simplificado para posicionamento dos elementos no canteiro, e sugerem a sequência:
- posicionamento do “stand” de vendas;
- escolha do local do(s) acesso(s);
- posicionamento da guarita;
- escolha do posicionamento do(s) equipamentos(s) de transporte vertical;
- localização da área de alojamento/sanitários;
- localização dos almoxarifados;
- localização, em ordem decrescente de importância, dos principais processamentos intermediários (exemplo: central de argamassa; corte/dobra/pré-montagem de armadura) associados a seus respectivos estoques;
- localização do escritório técnico.
Formoso e Saurin (2006) elaboraram um método que se constitui de quatro etapas para o processo de planejamento do canteiro de obras. São eles:
a) Diagnóstico de canteiro de obras já existentes;
b) Padronização das instalações e dos procedimentos de planejamento;
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c) Planejamento do canteiro de obras propriamente dito;
d) Manutenção da organização dos canteiros.
Na etapa de diagnóstico serão gerados subsídios para as etapas de padronização e planejamento. E consiste na aplicação de três ferramentas: uma lista de verificação ou checklist, elaboração do croqui do layout e registros fotográficos. A lista de verificação é a mais abrangente dentre as ferramentas, permitindo uma ampla análise qualitativa do canteiro.
A análise de plantas de layout é útil para a identificação de problemas relacionados ao arranjo físico propriamente dito, permitindo observar, por exemplo, a localização equivocada de alguma instalação ou o excesso de cruzamentos de fluxo em determinada área. E por fim, a inclusão de registros fotográficos ou filmagens nos resultados do diagnóstico, torna-se interessante, pois poderão ser mostradas situações negativas e apresentar exemplos com solução para o problema encontrado.
Posteriormente, a padronização destaca-se como uma das etapas mais importantes e mais eficientes, podendo trazer uma série de benefícios à empresa, facilitando as atividades de planejamento, controle e execução; mas, não deve ser usada indiscriminadamente em qualquer situação, devem ser feitos estudos com bastante critério para identificar sua real necessidade. É mais recomendada para empresas que constroem obras com tipologia e tecnologia semelhantes, como é o caso da grande maioria das construtoras e incorporadoras de edificações. Conforme citado por Maia et al (1994, apud Formoso e Saurin, 2006:32);
Dentre os principais critérios para determinar os processos a serem padronizados na construção de edifícios devem estar a sua importância em termos de custo e o grau de repetição. A padronização das instalações de canteiro é fortemente justificada e recomendada pelo segundo critério (repetição), pois qualquer obra, independentemente do porte ou tecnologia, necessita de tais instalações. Para empresas que constroem obras com características semelhantes, a repetição assume um caráter ainda mais forte, existindo a possibilidade das instalações de canteiro serem praticamente idênticas em todas as obras, respeitadas as particularidades intrínsecas ao layout de cada canteiro (MAIA et al, 1994, apud FORMOSO e SAURIN, 2006:32).
A padronização pode trazer alguns benefícios, a saber: diminuição da perda de materiais, pois poderá haver o reaproveitamento dos mesmos; facilidade ao planejar layout de novos canteiros de novas obras; contribuição para a formação de uma boa imagem da empresa perante o mercado.
Formoso e Saurin (2006:34) cita quais são as etapas necessárias a serem desenvolvidas pela empresa para o processo de padronização dos canteiros;
A padronização dos canteiros pode ser normalmente realizada em um período que varia de dois à três meses, incluindo quatro etapas: diagnóstico, reuniões do grupo de padronização, elaboração do manual de padrões e elaboração do plano de implantação e controle (FORMOSO e SAURIN, 2006:34).
A terceira etapa definida por Formoso e Saurin (2006) para o processo de planejamento de canteiros, se trata do “planejamento do canteiro propriamente dito”, e definem um processo sistematizado dividido em cinco etapas, que estão descritas abaixo:
a) Análise preliminar: nesta fase devem ser listadas todas as instalações necessárias ao canteiro bem como a estimativa de suas áreas; também devem ser informadas todas as
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informações do terreno e de seu limite e vizinhança; definir todas as tecnologias construtivas que são adotadas; deve também, ser estimado o número de operários no canteiro para três fases básicas do layout, ou seja, para a etapa inicial da obra, a etapa de pico máximo de pessoal e a etapa final ou de desmobilização do canteiro; consultar o cronograma físico da obra para elaboração do layout;
b) Arranjo físico geral: etapa também denominada de macro layout, onde será estabelecido relativamente o local de cada área no canteiro;
c) Arranjo físico detalhado: definição do micro layout, no qual é estabelecida a localização de cada equipamento ou instalação dentro de cada área do canteiro. Nesta etapa define-se, por exemplo, a localização de cada instalação dentro das áreas de vivência, ou seja, as posições relativas entre vestiário, refeitório e banheiro, com as respectivas posições de portas e janelas;
d) Detalhamento das instalações: planejamento da infraestrutura necessária para o funcionamento das instalações do canteiro;
e) Cronograma de implantação: graficamente deve estar demonstrado as fases do layout, e as atividades e fases de execução da obra também devem ser explicitados.
A quarta e última etapa do processo de planejamento se trata do programa de manutenção da organização do canteiro, e verifica-se a importância de integração de todos os funcionários neste processo de gestão do canteiro. Treinamentos, estabelecimento de metas, avaliação de desempenho e recompensas como premiações, podem conscientizar e estimular os trabalhadores a manter a obra limpa e organizada.
Estes programas têm como base os princípios dos programas 5S, os quais visam a criar nas organizações um ambiente propício a implantação de programas de qualidade, através do desenvolvimento de cinco práticas ou sensos nos indivíduos:
descarte (seiri), ordem (seiton), limpeza (seiso), asseio (seiketsu) e disciplina (shitsuke) (OSADA, 1992, apud FORMOSO e SAURIN, 2006:45).
A primeira prática, descarte, inclui a identificação e eliminação de materiais que não são mais necessários, com isso são liberadas áreas do canteiro. A segunda prática, trata-se da organização, ou seja, estabelecer locais apropriados e padronizados para armazenamento de materiais, instrumentos e documentos, o que trará a diminuição do tempo gasto para procurá- los. A limpeza proporciona um ambiente de trabalho mais agradável e passa uma boa imagem da empresa aos clientes. O asseio refere-se a conscientizar os funcionários da obra da importância da higiene pessoal, bem como, da importância de manter limpo o local de trabalho. A última prática visa o desenvolvimento da responsabilidade individual e a iniciativa nos trabalhadores.
6. NR-18 e o layout do canteiro
A Norma Regulamentadora de número 18 estabelece diretrizes de ordem administrativa, de planejamento e de organização, que objetivam a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos processos, nas condições e no meio ambiente de trabalho na Indústria da Construção.
Esta NR-18 (2011) cita a obrigatoriedade de se ter o PCMAT - Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção, em estabelecimentos com mais de 20 funcionários, e na subseção 18.3.4 coloca quais são os itens que devem integrar o PCMAT,
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sendo eles:
a) memorial sobre condições e meio ambiente de trabalho nas atividades e operações, levando-se em consideração riscos de acidentes e de doenças do trabalho e suas respectivas medidas preventivas;
b) projeto de execução das proteções coletivas em conformidade com as etapas de execução da obra;
c) especificação técnica das proteções coletivas e individuais a serem utilizadas;
d) cronograma de implantação das medidas preventivas definidas no PCMAT em conformidade com as etapas de execução da obra;
e) layout inicial e atualizado do canteiro de obras e/ou frente de trabalho, contemplando, inclusive, previsão de dimensionamento das áreas de vivência;
f) programa educativo contemplando a temática de prevenção de acidentes e doenças do trabalho, com sua carga horária.
A seção 18.4 da NR-18 (2011) trata das áreas de vivência do canteiro de obras, onde serão estabelecidas todas as condições mínimas que devem ser seguidas para as instalações necessárias. Logo, na subseção 18.4.1, são colocadas as áreas de vivência que devem estar dispostas no canteiro de obras, sendo elas:
a) instalações sanitárias;
b) vestiário;
c) alojamento;
d) local de refeições;
e) cozinha, quando houver preparo de refeições;
f) lavanderia;
g) área de lazer;
h) ambulatório, quando se tratar de frentes de trabalho com 50 (cinquenta) ou mais trabalhadores.
Os itens alojamento, lavanderia e área de lazer são necessários somente quando há trabalhadores alojados no canteiro. Também é determinado que as áreas de vivência devem ser mantidas em perfeito estado de conservação, higiene e limpeza.
A subseção 18.4.1.3 trata sobre a utilização de instalações móveis, nas áreas de vivência, mas para tanto devem satisfazer as seguintes condições:
a) possuir área de ventilação natural, efetiva, de no mínimo 15% (quinze por cento) da área do piso, composta por, no mínimo, duas aberturas adequadamente dispostas para permitir eficaz ventilação interna;
b) garanta condições de conforto térmico;
c) possua pé direito mínimo de 2,40m;
d) garantir os requisitos mínimos de conforto e higiene que estão estabelecidos na NR- 18(2011);
e) possuir proteção contra riscos de choque elétrico por contatos indiretos, além do aterramento elétrico.
As instalações sanitárias são definidas como o local destinado ao asseio corporal e/ou ao atendimento das necessidades fisiológicas e deve apresentar as seguintes características:
estado de conservação e higiene, possuir pisos e alvenarias impermeáveis e laváveis, não ter ligação direta com ambientes para refeições, pé direito mínimo de 2,50 m; situar em locais de
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fácil acesso, não sendo permitido deslocamento superior a 150 metros do posto de trabalho.
Deve possuir um conjunto de lavatório, vaso sanitário e mictório para cada 20 trabalhadores e um chuveiro para cada 10 trabalhadores.
Quanto aos vestiários fica definido que todo canteiro de obra deve possuir e sua localização deve ser próxima aos alojamentos e/ou à entrada da obra.
Os alojamentos devem possuir área mínima de 3 m2 por módulo (cama e armário), pé-direito mínimo de 2,5 m para cama simples e de 3 m para cama dupla. Não é permitido três ou mais camas na mesma vertical e a altura entre as camas devem ser de 1,2 m. É proibido cozinhar e aquecer refeições no alojamento e neste deve haver água potável disponível, sendo um bebedouro para cada 25 trabalhadores.
Fica estabelecida a obrigatoriedade da existência de local adequado para refeições.
Independentemente do número de trabalhadores, todo canteiro de obras deve ter local exclusivo para o aquecimento de refeições.
7. Conclusões
Verificou-se que são diversas as etapas necessárias ao planejamento de um canteiro de obras, fator que pode justificar a sua ausência na grande maioria dos casos. Sempre se trabalha com cronogramas atrasados, prazos curtos, o que é fruto de falta de planejamento.
Logo, fica evidente, que o planejamento do canteiro de obras, facilitará todos os demais processos e atividades que serão desenvolvidos ao longo da obra, desde o início até o fim. E trará benefícios, como, evitar atrasos em cronogramas, garantir a organização de materiais, máquinas, instrumentos de trabalho, o que facilitará o trabalho dos funcionários, evitando perdas de tempo para localização de insumos. Com isto, ocorrerá também uma redução de custos, pois um canteiro organizado e planejado, evitará desperdícios.
Além disto, tem a questão de segurança, com máquinas e materiais em locais bem definidos e seguros.
Outro fator de extrema importância trata-se da imagem que a empresa passará ao cliente, quando se tem organização a começar pelo canteiro de obras.
Assim, fica clara, a importância dos gestores em se pensar no planejamento do canteiro de obras, buscando métodos e alternativas que melhor irão atender às peculiaridades de sua obra.
Referências
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