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Estudo da luminesce ncia opticamente estimulada em BeO e CaF 2

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Academic year: 2022

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Estudo da luminesce ncia opticamente estimulada em BeO e CaF 2

Supervisor: Profa Dra. Elisabeth Yoshimura Candidato: Felisberto Alves Ferreira Junior

Instituto de Física da USP Resumo

As radiações cada vez mais estão sendo empregadas nas diversas atividades humanas, porém as radiações ionizantes são agentes cancerígenos e seu uso deve estar associado à proteção radiológica. O uso de dosímetros luminescentes passivos, que permitem a determinação da dose absorvida durante um período de exposição à radiação, é uma prática comum ao redor do mundo e em várias instituições brasileiras. Uma das carências na dosimetria por luminescência opticamente estimulada (OSL) é de variedade de materiais e métodos de leitura. Este projeto tem como objetivo ampliar os conhecimentos atuais de alguns materiais interessantes para a técnica OSL, mas que apresentam limitada bibliografia. Serão estudados o óxido de berílio (BeO) e a fluorita natural Brasileira (CaF2 contaminado com terras raras).

O óxido de berílio já é reconhecido como bom material para dosimetria OSL, porém ainda não foi estudado exaustivamente. A fluorita brasileira é interessante para dosimetria OSL por ser um material abundante e de fácil aquisição, com comprovado uso como dosímetro TL. O sinal OSL desses materiais será caracterizado observando a resposta do material a diferentes tipos de radiação, correlacionando o sinal OSL com o sinal TL e determinando os valores dos tempos de vida do sinal para a realização de medidas POSL. A execução do presente trabalho também inclui a integração de um espectrômetro de luz ao sistema TL/OSL Risø, permitindo medir o espectro de luz emitido por TL e, se possível, por OSL.

Será observado o espectro de luz com a mudança de temperatura, de comprimento de onda da luz estimuladora e do tipo de radiação utilizada para exposição. A realização deste projeto poderá abrir novas frentes de estudo e prover materiais alternativos para dosimetria OSL no Brasil.

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Study of optically stimulated luminescence in BeO and CaF 2

Supervisor: Profa Dra. Elisabeth Yoshimura Applicant: Felisberto Alves Ferreira Junior

Instituto de Física da USP Abstract

Radiations are increasingly being employed in various human activities, but ionizing radiation is carcinogen and its use should be associated with radiological protection. The use of passive luminescent dosimeters to determine absorbed dose over a period of exposure to radiation is a common practice around the world and in various Brazilian institutions. One of the shortcomings in dosimetry by optically stimulated luminescence (OSL) is the lack of variety of materials and methods of reading. This project aims to expand current knowledge of some interesting materials for OSL technique, but which have a limited bibliography. We will study beryllium oxide (BeO) and natural Brazilian fluorite (CaF2 contaminated with rare earth elements). The beryllium oxide is already recognized as good material for OSL dosimetry, but has not yet been studied extensively. The Brazilian fluorite is interesting for OSL dosimetry as it is an affordable and abundant material, besides being a good TL material. The OSL signal of these materials will be characterized observing the response of the material to different types of radiation, correlating the OSL signal with the TL signal and determining the values of the signal life-times to carry out POSL measurements. The objectives of this work also include the integration of a light spectrometer to a Risø TL/OSL system, making possible the measurement of the TL spectra and, if possible, OSL spectra.

The changes of light spectra with variations of sample temperature, wavelength of stimulating light and type of radiation will be investigated. This project may open new areas of study and provide alternative materials for OSL dosimetry in Brazil.

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Enunciado do problema

A luminescência oticamente estimulada (Optically Stimulated Luminescense - OSL) é observada durante a iluminação de isolantes ou semicondutores cristalinos que foram previamente excitados, tipicamente por radiação ionizante [1]. Quando o sinal OSL é proporcional à dose absorvida, o material em questão pode ser usado como dosímetro. A OSL já vem sendo observada desde o século XIX, porém só tem sido usada para datação e dosimetria pessoal a partir de meados do século XX [2] [3]. Apesar de ser um conhecimento bem fundamentado, o uso de OSL para dosimetria tem sido pouco difundido devido ao número limitado de materiais.

A diversidade das aplicações das radiações exige a leitura de doses com várias ordens de grandeza de diferença, para diferentes tipos de radiações e com diferentes energias. Os materiais usados como dosímetros respondem de formas diferentes a cada radiação incidente [4], por isso cada técnica dosimétrica deve estar associada a um grupo de materiais cuja resposta à técnica já foi analisada. A proposta deste projeto é então aprofundar os estudos de alguns materiais interessantes para a dosimetria OSL, para que se tenha mais confiança ao usá-los.

A leitura de dose em materiais por meio de OSL apresenta uma série de vantagens em relação à leitura por meio de termoluminescência (TL). A leitura OSL é mais precisa, pois depende de menor número de parâmetros de controle e, por não exigir um esquema de aquecimento reprodutível, pode ser realizada com os dosímetros a temperaturas convenientes, permitindo a realização de medidas em tempo real e a mistura de plásticos e outros materiais com baixa temperatura de fusão ao dosímetro. Outra vantagem é que a leitura OSL pode não remover toda a informação contida no material, permitindo múltiplas leituras parciais da informação contida em um material irradiado.

Geralmente o sinal OSL é medido com a técnica de estimulação por iluminação contínua (Continuous Wave Optically Stimulated Luminescense - CW-OSL), onde o material luminescente é exposto à luz e o sinal de luminescência é monitorado ao longo da exposição. Outras opções de leitura do sinal OSL são a Linear Modulation OSL (LM-OSL) e Pulsed OSL (POSL). A LM-OSL consiste em estimular o material luminescente com uma fonte de luz que aumenta de intensidade linearmente com o tempo de exposição, enquanto a POSL consiste em estimular o material com uma luz pulsada e fazer a medida de

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luminescência nos intervalos entre um pulso e outro. A estimulação pulsada e detecção com resolução em tempo do sinal OSL permite melhor discriminação entre luz estimuladora e o OSL, resultando em uma melhora na razão sinal para ruído [5].

O material mais usado nos laboratórios de dosimetria pelo mundo é o óxido de alumínio dopado com carbono (Al2O3:C). Apresentado no início da década de 90 como um material termoluminescente, o Al2O3:C logo se mostrou um dos materiais mais sensíveis a radiação conhecidos, apresentando luminescência proporcional a dose absorvida desde doses da ordem de Gy até ~50 Gy. Porém uma das desvantagens que apresentava em relação aos materiais concorrentes era sua alta sensibilidade à luz visível, o que foi um indicativo de que o material apresenta OSL [2]. Desde então uma série de estudos do sinal OSL do Al2O3:C foram publicados e o material foi adotado como referência para a técnica OSL.

O Al2O3:C apresenta maior intensidade de sinal OSL para luz estimuladora com comprimento de onda entre 400 e 500 nm [6] [7], por isso é normalmente estimulado com luz azul ou verde. Apesar das características atrativas do Al2O3:C, seu número atômico efetivo de 11,3 e a falta de alternativa de materiais OSL têm destacado as desvantagens da técnica OSL [8].

Os materiais que serão estudados no presente projeto como opção ao Al2O3:C serão, principalmente, o óxido de berílio (BeO) e a fluorita brasileira (CaF2). Serão usados o BeO da Brush Wellman Inc. (Thermalox™ 995), em forma de pastilhas cerâmicas, e a CaF2

natural do solo do Estado de Santa Catarina, subproduto da extração de carvão mineral.

Outros possíveis materiais a serem estudados são óxidos de boro e ítrio dopados ou não com terras raras, que serão preparados pelo grupo de Compostos Híbridos Orgânicos/Inorgânicos e Reações em Sistemas Heterogêneos da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto – USP (Prof. Dr. Herenilton Paulino Oliveira, também participante do Projeto de Pesquisa Temático “Caracterização e aplicações de materiais dosimétricos utilizando a luminescência opticamente estimulada e técnicas complementares”).

A CaF2 natural foi apontada como material interessante para dosimetria OSL por Yoshimura e Yukihara [9] devido seu sinal OSL intenso quando estimulada por luz azul e por ser abundante no Brasil; porém o único estudo sistemático realizado foi quanto ao esvanecimento do sinal em relação ao tempo (fading). Outros estudos foram realizados com CaF2, mas com diferentes contaminantes ou dopantes em relação a CaF2 natural do Brasil.

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A fosforescência oticamente estimulada da fluorita dopada com manganês (CaF2:Mn) foi estudada por Bernhardt e Herforth [10] e foi observado que o material apresenta sinal proporcional a dose absorvida para doses entre 10 mGy e 1 kGy. Allen e McKeever [11] compararam a CW-OSL de amostras irradiadas de CaF2:Mn com a fotoluminescência (PL) de amostras de CaF2:Mn não irradiadas. Devido às bandas de excitação OSL induzidas pela radiação serem instáveis e se sobreporem às bandas de excitação PL, que não são induzidas por radiação, concluíram que o CaF2:Mn não apresentava características de um bom dosímetro.

Chougaonkar e Bhatt [12] observaram a OSL para luz azul (=470±30 nm) de amostras de CaF2 natural da Índia. As amostras de CaF2 apresentam terras raras como impurezas e três picos de TL as temperaturas de 126, 196 e 264oC; portanto a curva de termoluminescência típica para a fluorita indiana é muito parecida com a curva de emissão da fluorita brasileira [13]. Foi observado também que, em condições experimentais específicas, a CaF2 apresenta resposta 5,7 vezes menor que o Al2O3:C, porém é mais fácil de se obter por ser um material natural e abundante, enquanto o Al2O3:C é um material sintético resultado de uma produção custosa. A CaF2 natural da Índia apresenta resposta linear o intervalo de dose absorvida entre 70 e 3200 Gy, mas o valor de limiar inferior de detecção pode ser diminuído se usado POSL.

Considerando tais resultados, é possível apontar a CaF2 como uma opção para a técnica OSL que merece investigação sistemática aprofundada.

Rhyner e Miller [14] foram os primeiros a avaliar o potencial do BeO como material para dosimetria OSL, porém só foram publicados alguns poucos estudos sistemáticos do BeO como dosímetro OSL algumas décadas depois [2].

O óxido de berílio (BeO) é um material interessante para dosimetria pessoal [15] [16]

[17] devido seu número atômico efetivo ser equivalente ao do tecido humano e ao do ar.

Outras vantagens são sua alta sensibilidade à radiação, sinal OSL termicamente estável e proporcional à dose absorvida para doses entre 10 Gy a 10 Gy [18], estar disponível em forma de discos cerâmicos de fácil manuseio, ser barato de se produzir e de se obter.

O número atômico efetivo do BeO de 7,2, próximo ao do tecido humano (entre 7,3 e 7,6) significa que os fatores de correção para a resposta dependente da energia dos fótons devem ser pequenos [19] para aplicações dosimétricas em Radiologia e Radioterapia. Outro

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fato interessante é que o sinal OSL do BeO pode chegar a ser da mesma ordem de grandeza do sinal OSL do Al2O3:C, considerando tamanhos e massas típicas das amostras usadas atualmente em dosimetria [20]. Apesar disso, o BeO ainda não foi estudado exaustivamente, pois o número de trabalhos publicados sobre ele é limitado [21].

O presente trabalho pretende então ampliar o conhecimento acerca do sinal OSL do BeO, observando a resposta do material a estimulação por luz infravermelha e o espectro de luz da luminescência.

Resultados esperados

Os materiais serão irradiados por feixes de raios-X padronizados, radiação  proveniente de fontes de 90Sr/90Y, radiação  de fontes de 241Am e radiação  provenientes de fonte de 60Co. As leituras TL podem ser realizadas em um sistema desenvolvido no Laboratório de Dosimetria do IFUSP ou em um sistema Risø que também é capaz de realizar leituras OSL usando LEDs de luz azul (com pico em 470 nm e largura a meia altura de 20 nm) ou infravermelho (com pico em 870 nm e largura a meia altura de 40 nm). Este conjunto de informações é importante para fundamentar a viabilidade de cada material a aplicações dosimétricas específicas.

Os estudos iniciais do BeO serão focados na OSL estimulada por luz infravermelha, que foi pouco estudada e pode apresentar características diferentes das OSL obtidas com luz verde e azul. O sinal OSL estimulado por infravermelho apresenta intensidade menor que as obtidas por luz verde e azul [20], porém é mais fácil observar o espectro de luz emitida pela amostra, dado que os filtros para infravermelho limitam menos a faixa do espectro que pode ser observada. Caso a OSL para luz infravermelha apresente tempo de vida da ordem de milissegundos, será possível realizar medidas com o sistema POSL do Laboratório de Dosimetria.

Para a fluorita brasileira, inicialmente será feito um estudo da diminuição do sinal OSL após a irradiação do material realizando medidas com diferentes tempos de espera (fading). A fluorita brasileira apresenta, entre outros átomos, as terras raras [22] como contaminantes, assim como a fluorita da Índia, portanto se espera que apresente resultados similares aos da fluorita da Índia. Para a TL é fato conhecido o papel dessas impurezas como centros de recombinação [23]. Entretanto, mesmo para a fluorita da Índia ainda há questões

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em aberto. Serão feitas, inicialmente, medidas de comparação entre as respostas TL e OSL da fluorita, com a finalidade de identificar picos TL relacionados com defeitos opticamente ativos. Será também observada a resposta da fluorita a luz de estímulo azul e seu espectro de luz OSL. Será medido o tempo de vida dos centros luminescentes da fluorita para verificar a viabilidade de medidas usando a técnica POSL, que segundo Chougaokar e Bhatt [12]

poderá ter limiar de detecção de dose menor que os resultados para CW-OSL e LM-OSL. A técnica POSL pode auxiliar também na identificação de bandas de emissão que se sobrepõem, mas que se originam em centros de luminescência com diferentes tempos de vida [1]. Portanto, caso sejam viáveis, serão realizadas medidas com a técnica POSL.

Objetivos

Os principais objetivos deste projeto são:

 Correlacionar defeitos responsáveis pelos sinais TL e OSL da fluorita;

 determinar a curva de fading do sinal OSL da fluorita;

 determinar a curva de extinção térmica do sinal OSL da fluorita (thermal quenching);

 estudar o sinal OSL de óxido de berílio estimulado por IV;

 determinar o tempo de vida do sinal OSL da fluorita e do óxido de berílio, com intenção de avaliar a viabilidade de medidas com a técnica POSL;

 caso seja viável, realizar medidas com a técnica POSL da fluorita e do óxido de berílio, identificando as vantagens e desvantagens da utilização da técnica para esses materiais.

Desafios científicos e tecnológicos e os meios e métodos para superá-los

Estudos de materiais dosimétricos tratam do estudo da variação de um sinal com a dose absorvida em um material padrão. Dosímetros ideais possuem uma relação linear de seu sinal com a dose absorvida em uma ampla faixa de doses. Para dosimetria OSL e TL buscam-se materiais cuja emissão de luz, nas condições de medida, seja proporcional à dose à qual foram anteriormente submetidos. Em particular, com o uso do estímulo luminoso (OSL) deve-se evitar observar sinal de fotoluminescência (absorção e retransmissão de luz

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no mesmo comprimento de onda, ou ligeiramente maior). Com o uso de feixes intensos no infravermelho, pode ocorrer a absorção de dois fótons na excitação de átomos de terras raras, o que também deve ser evitado. Experimentalmente, o uso de filtros ópticos adequados só permite que cheguem à fotomultiplicadora fótons com energia bastante superior aos de estímulo (faixa do UV para estímulo no azul, faixa do verde para estímulo com IV). Além disso, como a fotoluminescência e a conversão ascendente de fótons ocorrem sem relação com a dose absorvida, a simples realização da curva de luz emitida em função da dose permite evidenciar a presença ou não desses fenômenos espúrios. O uso do espectrômetro de luz a ser implementado neste projeto também é importante, pois permite observar os comprimentos de onda emitidos pelos materiais. Portanto o experimento inicial para se certificar que o sinal observado é OSL é a comparação dos sinais de uma amostra antes e depois de ser irradiada, aplicando os tratamentos térmicos necessários para reestabelecer a estrutura cristalina do material.

A fluorita natural pode apresentar uma série de impurezas dependendo de sua origem e método de obtenção. A fluorita a ser usada será processada a partir de cristais provenientes de Criciúma, Santa Catarina. A presença de termoluminescência e ausência de heterogeneidades ou impurezas macroscópicas nos cristais usados permitem inferir que as amostras a serem usadas terão alto teor de fluorita, comparável aos teores das fluoritas comercializadas em grau ácido ou cerâmico.

O cristal de fluorita será triturado e será feita uma seleção do material obtido por sua cor, granulação e sensibilidade à radiação. Será analisada a fluorita verde, cuja composição foi obtida com análise por ativação de nêutrons e o resultado é apresentado na tabela 1 [22].

A fluorita triturada será compactada em pastilhas com aglutinante para padronização da metodologia, melhor manuseio das amostras e reprodutibilidade dos resultados.

A composição da fluorita pode variar de amostra para amostra, por isso é feita a seleção descrita e o preparo homogeneizado de um lote grande de pó para o preparo de pastilhas de características semelhantes. Eventuais dificuldades com a padronização das características do sinal OSL proveniente deste material poderão ser superadas com análise complementar: diferentes grupos de fluorita natural (separados por cor) e amostras de fluorita sintética com teor conhecido de Eu, Tb e Ce que o Laboratório de Dosimetria já possui. Tais amostras podem também servir para melhor avaliar o papel de algumas dessas impurezas no aprisionamento de cargas ou na emissão de luz. A confiabilidade dos

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resultados, quantificada por meio dos desvios padrão das grandezas medidas, será estimada a partir de medidas sistemáticas em grupos de amostras indistinguíveis, segundo o critério de classificação, comparadas com as mesmas medidas em amostras distintas.

Tabela 1: Impurezas contidas na fluorita verde proveniente de Criciúma, Santa Catarina [22].

Impureza Concentração (ppm)

Mn 5

Al 2000 ± 20

Mg 120

La 4,10 ± 0,02

Ce 10,0 ± 0,4

Nd 9,74 ± 0,03

Sn 7,70 ± 0,03

Eu 0,776 ± 0,004

Tb 2,16 ± 0,03

Ho 3,28 ± 0,04

Yb 6,26 ± 0,04

Lu 0,76 ± 0,01

Materiais dosimétricos luminescentes são em geral reutilizáveis, desde que não tenha havido dano por irradiação com doses elevadas. Para a reutilização se empregam tratamentos térmicos que têm o papel de liberar todas as cargas ainda armadilhadas e de redistribuir defeitos na rede cristalina que podem ser afetados por ciclos de aquecimento e resfriamento. Para cada material é escolhido um tratamento térmico, ou recozimento padrão.

Será feita uma série de tratamentos térmicos com diferentes temperaturas e tempos, partindo da informação que, para leituras TL, 15 minutos a 400º C é suficiente para reestabelecer a estrutura cristalina da fluorita natural [24] e do óxido de berílio [20]. No caso da leitura OSL do óxido de berílio é desejável um tratamento térmico a 125º C por 125 s entre a irradiação do material e a medida OSL para remover componentes instáveis do sinal [18] e será buscado tratamento semelhante para a fluorita.

Para realizar as medidas com a técnica POSL serão necessários pulsos de iluminação com frequências específicas e intervalos precisos de detecção pela fotomultiplicadora. A sincronia desse sistema e a obtenção dos valores necessários para essas grandezas pode se

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tornar um desafio experimental do projeto. Há um equipamento com essa técnica em montagem no Laboratório de Dosimetria, voltado inicialmente para aplicação em Radiologia, empregando Al2O3:C. Na adaptação para o uso com outros materiais, podemos encontrar dificuldades e uma das formas de superá-lo é entrar em contato com laboratórios que já possuem sistemas POSL funcionando (por exemplo, o grupo do Dr. Yukihara, da OSU, com o qual o Laboratório de Dosimetria tem colaborações) e extrair destes sugestões para soluções.

Já foi iniciado o processo de compra de um espectrômetro de luz para ser acoplado ao sistema Risø. Os principais desafios em relação a este acoplamento são a vedação ótica do sistema, a captação de luz pouco intensa pelo espectrômetro, e a influência da luz estímulo para obtenção dos espectros OSL. Contaremos com assistência técnica dos fabricantes e da equipe técnica do Laboratório de Dosimetria para a superação desses desafios.

Cronograma

Trimestre Atividades programadas

1º Familiarização com os equipamentos e medidas do sinal OSL da fluorita com intenção de determinar sua curva de fading.

2º Medidas do sinal OSL da fluorita com tratamento térmico prévio para correlacionar os sinais TL e OSL. Estudo de thermal quenching da fluorita.

3º Medidas do sinal OSL do BeO estimulado por luz infravermelha. Medidas do sinal OSL da fluorita e do óxido de berílio usando a técnica POSL.

4º Análise de dados e conclusão do trabalho em forma de artigo científico.

Disseminação e avaliação

A maioria dos estudos propostos no presente projeto é inédita. Portanto os resultados obtidos serão enviados a periódicos científicos de circulação internacional, como Nuclear Instruments and Methods in Physics Research B, Radiation Measurements e Radiation Protection Dosimetry. O trabalho também será divulgado oportunamente em eventos científicos nacionais e internacionais por meio de seminários ou posters.

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Outros apoios

Como já citado, este projeto está vinculado ao Projeto de Pesquisa Temático “Caracterização e aplicações de materiais dosimétricos utilizando a luminescência opticamente estimulada e técnicas complementares” (processo 10/16437-0), portanto poderá usufruir de equipamentos e auxílios obtidos por meio do projeto temático.

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Bibliografia

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Referências

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