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SILANE APARECIDA FERREIRA DA SILVA

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Academic year: 2022

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UN U NI I VE V ER RS SI ID DA A DE D E F FE ED DE ER RA A L L DO D O A AM MA AZ ZO ON NA A S S U UF FA AM M

IN I NS ST TI IT TU UT TO O N NA AC CI IO ON NA AL L D DE E P PE ES SQ QU UI IS SA AS S D DA A A AM MA A Z ÔN NI IA A I I NP N PA A

PALINOLOGIA DO NEÓGENO DA AMAZÔNIA SUL OCIDENTAL, BRASIL.

SILANE APARECIDA FERREIRA DA SILVA

Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Biologia Tropical e Recursos Naturais do convênio INPA/UFAM, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em CIÊNCIAS BIOLÓGICAS, área de concentração em BOTÂNICA.

MANAUS - AM

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UN U NI I VE V ER RS SI ID DA A DE D E F FE ED DE ER RA A L L DO D O A AM MA AZ ZO ON NA A S S U UF FA AM M

IN I NS ST TI IT TU UT TO O N NA AC CI IO ON NA AL L D DE E P PE ES SQ QU UI IS SA AS S D DA A A AM MA A Z ÔN NI IA A I I NP N PA A

PALINOLOGIA DO NEÓGENO DA AMAZÔNIA SUL OCIDENTAL, BRASIL.

Silane Aparecida Ferreira da Silva

ORIENTADORA: Dra. Maria Lúcia Absy CO-ORIENTADOR: Dr. Rodolfo Dino

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Biologia Tropical e Recursos Naturais do convênio INPA/UFAM, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em CIÊNCIAS BIOLÓGICAS, área de concentração em BOTÂNICA.

MANAUS – AM 2004

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Silva, Silane A. F. da

Palinologia do Neógeno da Amazônia sul ocidental, Brasil/ Silva, Silane A. F.

da – Manaus, 2004.

Nº de p. : 105 il.

Dissertação de Mestrado – INPA/UFAM.

1. Palinomorfos 2. Bioestratigrafia 3. Paleoambiente 4. Neógeno 5. Amazônia

Código catalográfico:

CDD 19° Ed. 582.0463

Sinopse:

O presente trabalho apresenta os principais eventos paleoambientais ocorridos no Intervalo do Mioceno Médio/Superior e Superior. O material de estudo foi sedimentos de amostra de testemunho do Estado do Amazonas e amostras de superfície coletadas em sítios fossilíferos no estado do Acre.

Palavras-chave: Paleoambiente, palinomorfos, Neógeno, Amazônia sul ocidental.

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À minha família pelo apoio, incentivo e constante presença apesar da distância, Dedico.

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AGRADECIMENTOS

Ao CNPq pelo financiamento do projeto PNOPG “Implantação do núcleo de Paleontologia na Amazônia sul ocidental” Proc. N° 551531-01/2.

A CAPES pela bolsa de estudo concedida.

Ao INPA, principalmente a Prof. Dra. Maria Lúcia Absy pela orientação e por não ter medido esforços para concretização deste trabalho.

A Dra. Vera Maria Fonseca de Almeida e Val, chefe da divisão dos cursos de Pós- Graduação, Beatriz Nascimento e Elci Batista pelo apoio na concessão e implementação da bolsa de estudos.

A Universidade Federal de Rondônia- UNIR, pela minha inclusão no quadro de professora credenciada voluntária desta instituição.

Ä Prof. Dra. Maria Tereza Piedade, chefe da divisão do Curdo de Pós-Graduação em botânica, e Helcineide Andrade pela ajuda em materiais essenciais para a conclusão dessa dissertação.

Ao Sr. Raimundo Gato e Dr. Fernando Burgos, representantes do CPRM e DNPM, pela liberação das amostras pertencentes ao “Projeto Carvão no Alto Solimões” .

Ao Prof. Dr. Rodolfo Dino e Dra. Luzia Antonioli pela valiosa ajuda na identificação de alguns palinomorfos.

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Ao Professor e Amigo Dr. Mario Alberto Cozzuol pela paciência em explicar e discutir a complicada história ambiental amazônica.

Às Profs. Dra. Norma da Costa Cruz e Dra. Carina Hoorn, pelos dados valiosos dos trabalhos pioneiros sobre palinologia Neógeno da Amazônia que muito contribuíram na realização deste trabalho.

À Jean Caminha pelo constante companheirismo, força e amor doados ao longo desses 6 anos e também pelos conhecimentos compartilhados em informática, na ajuda na confecção de escalas, Programa Tília e paciência em tentar me ensinar.

À Otilene dos Anjos Santos que, sem dúvida, foi a irmã que Deus colocou no meu caminho.

À Cleonice de Oliveira Moura pela ajuda nas medições dos grãos.

À Dona Maria Gilda Spener, bibliotecária do CPRM, pela ajuda na obtenção da literatura.

À Dr. Mário Sérgio/ CPRM pelas figuras de localização da Formação Solimões.

Ao Dr. Mitsuro Arai e a Fátima Praxedes e pelas sugestões sobre a palinologia do Neógeno da Amazônia.

À Turma de Pós-Graduação de Botânica de 2002, em especial à Christinny Giselly Bacelar e Mary Anne Gama e ao agregado Alexadre Coletto pela força e constante presença.

A Dra. Monika Barth, Dra. Márcia Barros e Eduardo/ UFRJ pelos ensinamentos do misterioso programa TILIA.

À Dra. Marlene Freitas da Silva/Universidade Estadual do Amazonas que identificou as sementes provenientes das amostras de sedimentos aflorantes do Acre.

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Ao Prof. Dr. Arnaldo Carneiro Filho, pela ajuda na obtenção do material bibliográfico.

À Elizete Holanda, a homenageada com o Barranco da Elizete, pela colaboração no envio das fotos e das lâminas.

À Rose Martins e Diana Fernandes do setor de importação do INPA pela competência em agilizar a burocrática compra de reagentes controladas pelo exército e Polícia Federal.

À Jorge Luiz Santos e Rosalva do Laboratório Geológico de processamento de amostras da UERJ pela ajuda e atenção despendida no processamento das amostras.

À Equipe de Paleontologia da Universidade Federal do Acre- UFAC que nos acompanhou na saída de campo.

Aos Drs. Edgardo Latrubesse e Carlos Eduardo Toledo, geólogos que revisaram o texto relacionado sobre a Formação Solimões.

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ÍNDICE

ÍNDICE DE TABELAS E QUADROS ... 10

ÍNDICE DE FIGURAS ... 10

RESUMO ... 11

SUMMARY ... 12

I. INTRODUÇÃO ... 13

II . OBJETIVOS... 15

2.1. Objetivo Geral ... 15

2.2. Objetivos específicos... 15

III. FORMAÇÃO SOLIMÕES ... 16

3.1. Localização... 16

3.2. Características Geológicas... 17

3.3. Características Paleontológicas ... 21

IV. MATERIAL E MÉTODOS... 26

4.1. Áreas de estudo... 26

4.2. Coleta do material... 27

4.2.1. Amostras de subsuperfície... 27

4.2.2. Amostras de Afloramento... 27

4.3. Seleção das amostras ... 28

4.4. Preparação das amostras... 29

4.5. Análise polínica ... 31

4.6. Interpretação Paleoambiental e Idade... 32

(9)

V. RESULTADOS E DISCUSSÕES... 33

5.1. Zoneamento palinoestratigráfico ... 33

5.2. Descrição da associação estudada ... 36

5.2.1. Amostras de testemunhos ... 36

5.2.2. Amostras de superfície ... 40

5.3. Correlação entre os sedimentos analisados ... 42

5.4. Idade estabelecida... 44

5.5. Interpretação paleoambiental... 42

5.5.1. Vegetação ... 45

5.5.2. Clima ... 46

5.6. Sistemática... 48

VI. CONCLUSÕES ... 78

VII. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 79

VIII. PRANCHAS... 92

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ÍNDICE DE TABELAS E QUADROS

TABELA 1: Coordenadas das localidades de coleta do material de superfície...28

TABELA 2: Afinidades botânicas e ecológicas dos principais tipos ...47

QUADRO 1: Quadro comparativo do zoneamento palinoestratigráfico do Neógeno, estabelecido para o Norte da América do Sul...35

ÍNDICE DE FIGURAS FIGURA 1: Mapa de localização da Formação Solimões em território brasileiro ...17

FIGURA 2: Carta estratigráfica das Bacias do Acre e Solimões, mostrando o posicionamento cronoestratigráfico ...20

FIGURA 3: Mapa de Isópacas da Formação Solimões na região do Alto Solimões ...23

FIGURA 4: Localização das áreas de coleta...26

FIGURA 5: Diagrama polínico das amostras do poço 1AS-32-AM...39

FIGURA 6: Diagrama polínico da localidade de Murici...41

FIGURA 7: Sementes coletadas in situ na localidade de Patos...42

FIGURA 8: Correlação entre as amostras do poço e afloramentos ...43

FIGURA 9: Modelo Paleoambiental...46

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RESUMO

Foram analisadas 14 amostras de sedimentos de testemunhos, distribuídas em aproximadamente 132m de profundidade, do poço de sondagem 1AS-32-AM cedidas pela CPRM e DNPM proveniente da região do Alto Solimões e oito amostras de afloramentos coletadas em algumas localidades fossilíferas ao longo do Rio Acre na fronteira Brasil/Peru.

Foram estudados, descritos e ilustrados 50 esporos e 52 tipos grãos de pólen. A abundância do marcador bioestratigráfico Grimsdalea magnaclavata em todo o intervalo estudado e na localidade de Murici e Crassoretitriletes vanraadshoovenii a partir de 71m de profundidade permitiram datar os sedimentos como pertencentes ao intervalo Mioceno Médio/Superior. A presença de Echitricolporites spinosus a 25m de profundidade em sedimentos coletados no Amazonas e nas localidades fossilíferas de Patos e Barranco da Elizete ao longo do Rio Acre evidenciaram idade do Mioceno Superior para a região do Acre e para a parte superior de amostras das subsuperfície estudadas. Essas informações corroboram com a datação relativa estabelecida por meio de registros de idade de mamíferos da Argentina (SALMA), método atualmente usado para datação dos fósseis coletados na Amazônia. Os dados palinológicos mostraram que o paleoambiente amazônico durante o Mioceno Médio/Superior e Mioceno Superior foi definido por regiões pantanosas e alagadiças evidenciadas pela grande quantidade de esporos de pteridófitas e por áreas cobertas por vegetação arbórea e arbustiva representadas por grãos de pólen de angiospermas. Nas amostras estudadas não houve indicativo de savanas ou ambientes costeiros representados pela associação Rhizophora e Acrostichum.

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SUMMARY

Fourteen sediment samples from cores distributed at approximately 132 m deep in well 1AS-32-AM provided by CPRM and DNPM from the Upper Solimões region and eight outcrop samples collected from some fossil rich localities along the Acre River in the Brazil/Peru border were analised. Fifty spores and fifty-two pollen types were studied and illustrated. The abundance of the biostratigraphic marker Grimsdalea magnaclavata throughout the studied period as well as at the site in Murici and of Crassoretitriletes vanraadshoovenii from 71m deep downwards allowed dating the sediments as belonging to the Middle/Late Miocene period. The presence of Echitricolporites spinosus upwards from 25m deep within sediments collected in Amazonas State and fossil rich sites of Patos and Barranco da Elizete along the Acre River suggested a Late Miocene age of the Acre region and of the upper part of the studied well samples. These occurrences agree with the relative dating established through correlation of the South American Land Mammals Age sequence from Argentina (SALMA), which is the method being presently used for dating fossils bearing strata in Brazilian Amazônia. The palynological data showed that the Amazonian paleoenvironment during the Middle/Late Miocene and Late Miocene was characterized by flooded swampy regions confirmed by the great amount of fern spores and by areas covered by arboreal and shrubby vegetation represented by Angiosperm pollen. There was no indication of savannah or coastal environments represented by Rhizophora and Acrostichum association in the studied samples.

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I. INTRODUÇÃO

É indiscutível a diversidade de plantas e animais que ocorre na Amazônia evidenciada nos diferentes ambientes encontrados nessa região e nas variações abióticas que existem na maior floresta tropical do mundo. Esse cenário também pode ser observado em trabalhos relativos aos paleoambientes amazônicos, tais como: influência marinha, mudanças drásticas na temperatura e padrões de pluviosidade, isolamento de regiões seja por deslocamento de terras ou existência de barreiras físicas. Essas características peculiares fazem da região amazônica alvo de especulações quanto à origem e manutenção de sua biodiversidade.

Além da atual riqueza biótica, a Amazônia possui um imenso registro fossilífero pouco explorado e discutido, provavelmente devido à extensa área que abriga essa floresta.

Os trabalhos paleontológicos e geológicos realizados na região são escassos e muitas vezes são utilizados apenas alguns parâmetros e com base nesses parâmetros se levantam hipóteses gerais para explicar um ecossistema complexo com mosaicos de habitats. Por essa razão, o presente trabalho abrange estudos multidisciplinares que integram dados faunísticos, florísticos e geológicos. Esses estudos permitirão um melhor conhecimento do ambiente amazônico durante o final do Terciário, período que, de acordo com alguns autores, iniciou a biodiversidade amazônica ou até mesmo suportou uma diversidade maior que a atual (Morner et al., 2001; Van der Hammen, 2001).

Os sedimentos estudados no presente trabalho, pertencentes à Formação Solimões, datam do período correspondente ao final do Terciário e foram depositados a partir do soerguimento andino que determinou o início de um novo cenário para a floresta amazônica

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por causar mudanças nos cursos das drenagens dos rios e padrões de chuva. A Formação Solimões também é conhecida pela riqueza fossilífera de fauna e flora, sendo que estes dados integrados dariam forte evidência sobre a história evolutiva da Amazônia a cerca de 20 milhões de anos antes do presente.

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II. OBJETIVOS

2.1. Objetivo Geral

Esta pesquisa tem como objetivo principal elaborar uma escala padrão da seqüência estratigráfica que permita integrar os dados paleoecológicos obtidos da ocorrência de fauna e flora em algumas áreas da Amazônia sul ocidental contribuindo para a história geológica e ambiental dessa região durante o final do Terciário.

2.2. Objetivos específicos

- Definir biozonas baseadas em análises palinológicas dos sedimentos do Mioceno Superior da Amazônia sul ocidental.

- Elaborar uma escala padrão que permita posicionar estratigraficamente as associações fossilíferas encontradas em sítios de superfície.

- Integrar as pesquisas ambientais e da biota nessas localidades.

- Indicar por meio da análise palinológica a vegetação, condições paleoambientais e inferências paleoclimáticas ocorridos durante o Neógeno na Amazônia.

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III. FORMAÇÃO SOLIMÕES

3.1. Localização

Situada na Amazônia sul ocidental, a Formação Solimões ocupa uma extensão de aproximadamente 1.000.000 de Km2 (Santos, 1976) e distribui-se pelas Bacias do Solimões e Acre. Prolonga-se pelas Bacias do Amazonas e Caquetá-Putumayo na Colômbia e Bacias de Pastaza e Ucayali no Peru (Schobbenhaus et al., 1984; Valderrama & Marmos, 2000). Em território brasileiro abrange toda área a oeste do Arco de Iquitos, a leste os domínios do Rio Solimões, ao norte o Rio Japurá e, finalmente, o Rio Purus ao sul (Santos & Silva, 1976; Maia et al., 1977). Os limites exatos da Formação ainda são desconhecidos dado a falta de trabalhos de campo e grandes extensões de áreas existentes o que impossibilita o conhecimento dos limites da unidade. O mapa com a localização estimada da Formação Solimões, em território brasileiro, encontra-se na figura 1.

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Figura 1: Mapa de localização da Formação Solimões em território brasileiro. Extraído da Geologia tectônica e recursos minerais do Brasil, CPRM. 2001

3.2. Características Geológicas

Geologia histórica- As primeiras pesquisas geológicas na unidade iniciaram com trabalhos desenvolvidos por Chandless (1866) e Orton (1870) que descreveram seqüências litológicas fossilíferas presentes na região limítrofe entre o Brasil e Peru. No entanto, somente no século XX, a denominação Série Solimões foi sugerida por Moraes Rego (1930) para essa unidade, termo ignorado durante algumas décadas por pesquisadores que utilizaram várias outras denominações para a seqüência (Caputo et al., 1972). Caputo et al., (1971) observaram as semelhanças litológicas regionais e revalidaram o termo criado por Moraes Rego (1930) como Formação Solimões para designar o pacote sedimentar que ocorre na porção ocidental

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da Amazônia brasileira, que cobre também, territórios do Peru e Colômbia. O termo Formação Solimões é amplamente usado no Brasil mas recebe outras denominações em países vizinhos como Pebas no Peru e Terciário amazônico na Colômbia (Hoorn, 1993). Na década de 70, pesquisas abrangentes desenvolvidas pelo Radambrasil (1976) e Projeto Carvão no Alto Solimões (1977) forneceram informações mais detalhadas sobre a geologia e geomorfologia da área em questão.

Litologia- Os sedimentos aflorantes da Formação Solimões podem ser divididos em duas fácies: a primeira de alta energia que é constituída por argilitos, argilitos sílticos e arenosos, siltitos argilosos e níveis arenosos de granulometria fina a média; de cor variando de vermelho amarronzado a marrom e estratificação cruzada. A outra depositada em ambiente de baixa energia composta por sedimentos de cor verde a verde-acinzentado e estratificação planar ou massiva (Maia et al., 1977; Latrubesse et al., 1997).

Nos sedimentos pertencentes à Formação Solimões são freqüentemente encontrados restos vegetais e intercalações de linhito, argilas carbonosas e calcáreos (Maia et al., 1977). O contato inferior da unidade é discordante e encontra-se uma seqüência areno-argilosa de ambiente oxidante (Formação Ramon) e alguns autores consideram que o contato superior está recoberto por um sequência arenosa apoiada sobre uma discordância erosiva de possível idade pleistocênica denominada Formação Içá (Caputo et al., 1971; Maia et al., 1977;

Valderrama & Marmos, 2000), que pode ser interpretada como uma unidade de terraço Quaternário (Latrubesse, com. pes.). A figura 2 representa a carta estratigráfica da Bacia do Acre e Solimões.

Cronologia- Pesquisas pioneiras com informações cronológicas da unidade datam erroneamente a sedimentação da Formação Solimões, tais como os trabalhos mencionados em seguida: Caputo et al., (1971) consideraram por meio de dados geológicos como sendo de

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idade do Paleoceno a Pleistoceno. Esta idéia foi contestada por Barros et al., (1977) que admitiu idade Plio-Pleistoceno e caracterizou esta Formação pela presença de argilitos vermelhos. Discussões ainda maiores vieram após os trabalhos publicados por Campbell &

Frailey (1984) e Kronberg et al, (1991) que utilizaram datações absolutas de sedimentos e lenho de duvidosa procedência e afirmaram que a deposição ocorreu durante Pleistoceno Superior/ Holoceno. Maia et al., 1977; Cruz, 1984; Latrubesse, 1992; Hoorn, 1993;

Latrubesse et al. 1997 por meio de estudos geológicos e palinoestratigráficos indicaram idade do Neógeno para a sedimentação da Formação Solimões.

Recentemente, Campbell et al., (2001) confirmam essa informação apartir de resultados de magnetoestratigrafia e isótopos de Ar da Formação Madre Dios no Peru, encontrando idades absolutas de 9,01±0,28 Ma e 3,12 ± 0,02 Ma.

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Figura 2: Carta estratigráfica das Bacias do Solimões (à esquerda) e do Acre (à direita) mostrando o posicionamento estratigráfico da Formação Solimões. Extraído do CD-Rom: Geologia tectônica e recursos minerais. CPRM, 2001.

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Ambiente de deposição- Os sedimentos clásticos pertencentes à Formação Solimões foram depositados em conexão com a orogenia Andina durante o Neógeno em um ciclo flúvio e flúvio-lacustre com episódios de incursões marinhas durante o Mioceno Inferior e Médio devido ao aumento global do nível dos oceanos (Haq et al., 1987; Hoorn 1993;

Valderrama & Marmos, 2000). A abundância e a preservação dos fósseis encontrados indicam um ambiente redutor de baixa energia, evidenciados por abundantes níveis carbonosos e sedimentos finos. A ocorrência de veios de gipsita e material carbonático nesta unidade, indica a presença de clima tropical, depositados em ambiente continental (Radambrasil, 1976; Hoorn, 1993; Monsh, 1998).

Espessura- Dados de sondagem demonstram que o espessamento da Formação Solimões se dá no sentido ocidental (Cunha & Appi, 1990) mais precisamente, no sentido Oeste e Sul, sendo que o espessamento de aproximadamente 2200 m na Bacia do Acre é maior do que as camadas encontradas na Bacia do Solimões que apresenta cerca de 800 m. de espessura (Cunha & Appi, 1990; Geologia tectônica e recursos minerais. CPRM, 2001). A figura 3 apresenta o mapa de isópacas indicando a espessura da Formação Solimões na região do Alto Solimões.

3.3. Características Paleontológicas

O pacote sedimentar da Formação Solimões é conhecido por apresentar abundante conteúdo fossilífero como observado na literatura (Paula-Couto, 1956; Maia et al., 1977;

Vonhof et al., 1998; Rancy, 2000; Carvalho et al., 2002). As primeiras coletas paleontológicas nessa área foram iniciadas no século XIX por Chandless (1866) no chamado

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Rio Aquiri, hoje conhecido como Rio Acre e os achados foram identificados e datados por Agassiz (1868) apud Rancy (2000) como pertencentes ao Cretáceo Superior.

A falta de estudos geológicos integrados às pesquisas paleontológicas tem estimulado discussões quanto ao estabelecimento da idade de fósseis encontrados, fato que retardou os estudos paleoambientais na Amazônia por algumas décadas. Atualmente, a idade dos vertebrados fósseis do Neógeno coletados na Formação Solimões é estimada por datação relativa por meio de correlações com idade de mamíferos da Argentina. Tendo em vista o curto Biocron desses animais, este método constitui a ferramenta mais importante de datação relativa (Pascual, 1965 apud Latrubesse, 1992). A utilização de datação relativa ocorre devido a ausência de rochas Terciárias potencialmente datáveis na região.

Abaixo serão destacadas as principais descobertas na área em questão:

Fauna - A associação fossilífera encontrada na Formação Solimões é composta por peixes, répteis, aves, mamíferos e moluscos. Os dados quanto hábito de alimentação e porte dos animais permitem inferir paleoambiente amazônico durante o Neógeno.

Peixes e Répteis - A associação de peixes e répteis indica um sistema de lagos interconectados maiores que os atuais e com ampla disponibilidade de oferta trófica devido a presença de formas em média um pouco maiores em tamanho do que as atuais. A ocorrência de certos grupos, como Crocodylidae e Gavialidae indicam temperaturas ligeiramente mais altas que as atuais nas mesmas áreas (Pereira & Bocquentin, 1989). Por outro lado, Monsh (1998) afirma que a presença de grupos de peixes de ambientes de água doce e salobras indicandoincursões marinha marginal na Amazônia durante o Mioceno.

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Figura 3: Mapa de isópacas da Formação Solimões na região do Alto Solimões indicando que o espessamento é maior na direção oeste-sul.

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Mamíferos - As formas indicadoras de ambientes de floresta estão representadas por roedores (especialmente das famílias Erethizontidae e Echimyidae), primatas Cebidae e preguiças como Xenartra e Pilosa (Rancy, 2000). A existência de ambientes abertos é evidenciada pela presença de mamíferos terrestres como gliptodontes e tatus pampaterinos (Xenartra, Glyptodontidae e Pampatheriidae), notougulados da família Toxodontidae, roedores Dinomyidae, Neoepiblemidae e Caviidae, litopternos da família Macraucheniidae. A presença de Proboscidea Gomphotheriidae (Amahuacatherium peruvium,) sugere ambientes abertos com dependência de vegetação arbórea (Campbell et al., 2000). Grupos de hábitos aquáticos ou semi-aquáticos, como capivaras (família Hydrochoeridae), cetáceos odontocetos (família Iniidae) e peixes-bois (família Trichechidae) indicam ambientes flúvio-lacustres.

Moluscos: A assembléia encontrada por Nuttall (1990), Vonhof et al., (1998) e Wesselingh et al., (2001) sugerem a deposição em ambiente lacustre para a unidade.

Flora - Os registros vegetais na região foram demonstrados por estudos palinológicos realizados no Alto Rio Solimões em amostras de sedimentos de vários poços coletados pelo projeto Carvão no Alto Solimões que estabeleceu três zonas palinológicas, correspondendo ao Mioceno, Mioceno/Plioceno e Plioceno (Cruz, 1984). Apesar da pesquisa realizada por Cruz (1984) ter sido bastante abrangente não foi encontrada a relação entre a localidade, nível e espécies encontradas nas amostras.

Estudos de cunho bioestratigráficos e paleoambientais desenvolvidos por Hoorn (1993) em sedimentos do referido projeto permitiram o estabelecimento de cinco zonas palinológicas que dataram Mioceno Inferior (zona Verrutricolporites e zona Retitricolpites), Mioceno Inferior/Médio (zona Psiladiporites - Crototricolpites), Mioceno Médio (zona Crassoretitriletes) e Mioceno Médio/Superior (zona Grimsdalea) para a sessão estudada (Hoorn, 1993; 1994). A referida autora propõe duas fases ambientais características definida

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por fases de planícies costeiras representadas por vegetação típica de mangue e pteridófitas do gênero Deltoidospora e Crassoretitriletes, e uma fase de planície aluvial contendo palmeiras e vegetação arbórea. Van der Hammen (2001) afirma que a diversidade de plantas durante o Mioceno ocorreu devido à influência marinha que atingiu a área e que foi maior que a atual sendo registrados 280 tipos polínicos em relação à metade de tipos encontrados para os sedimentos do Holoceno.

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IV. MATERIAL E MÉTODOS

4.1. Áreas de estudo

As amostras de testemunhos e afloramentos coletadas para análise palinológica pertencem a depósitos da Formação Solimões abrangendo os Estados do Amazonas e Acre, respectivamente. A localização das áreas de estudo está representada na figura 4.

Figura 4: Localização das áreas de coleta.

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4.2. Coleta do material

4.2.1. Amostras de subsuperfície

As amostras de subsuperfície foram cedidas pela CPRM e DNPM e são provenientes de furos de sondagem do Projeto Carvão do Alto Solimões. Este projeto tinha como objetivo determinar o potencial linhítico da porção ocidental do Estado do Amazonas. O material para estudo palinológico foi obtido de amostras de testemunho do poço 1AS-32-AM, próximo a localidade de Tambaqui no Rio Curuçá (Lat. 4˚32’38’’S / Long. 71˚24’24’’W) com 361,50 metros de profundidade, dos quais, foram retiradas 14 amostras da parte superior até aproximadamente 132 metros de profundidade.

A litologia do poço 1AS-32-AM no intervalo de 132m a 12,10m é definida na base por uma camada de argilito linhitico, coberta por intercalações de siltito, arenito e linhito (camadas variando de 1,65m a 0,40m de espessura) por toda sessão. A cerca de 55 m de profundidade são abundantes os níveis de calcário, nódulos de pirita e restos vegetais. O topo é definido por argila carbonosa, localmente conglomerático sendo este, o topo da Formação Solimões neste poço. As amostras foram retiradas das seguintes profundidades: 12,10m;

17m; 25m; 48m; 59m; 71m, 92m; 100m; 106m; 115,69m; 120m; 126m e 132m.

4.2.2. Amostras de Afloramento

A excursão realizada para a coleta das amostras de afloramentos ocorreu no mês de setembro de 2002, período de estiagem na região, quando grande parte dos sedimentos da Formação Solimões ficam expostos. As amostras de superfície foram coletadas na região do alto Rio Acre ao longo do Município de Assis Brasil-AC e a desembocadura da localidade fossilífera de Patos. Um total de oito amostras de superfície foram coletadas em distintas

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localidades ao longo do Rio Acre. Na tabela 1 estão representadas as coordenadas geográficas das áreas onde foram coletadas as amostras:

Tabela 1: Coordenadas das localidades de coleta do material de superfície

4.3. Seleção das amostras

Dos 84 furos de sondagem realizados pelo Projeto Carvão do Alto Solimões -CPRM na década de 70, foi desperdiçado muito material devido ao apodrecimento das caixas de madeira ao longo desses anos. Por essa razão, para a seleção do poço foram estabelecidos dois critérios: 1) localização da sondagem mais ao sul da Amazônia ocidental brasileira, uma vez que o espessamento da camada é maior em direção ao sul e permite estabelecer correlação com os sedimentos aflorantes do Acre; 2) condições de armazenagem adequadas de forma a evitar à contaminação desse material por outras caixas contendo amostras de outras localidades. Escolhido o poço que apresentasse essas condições, procurou-se obter amostras em intervalos aproximados de 10 em 10 metros contendo características litológicas que indicassem a fertilidade do material.

Por outro lado, a coleta de sedimentos de superfície no Estado do Acre foi acompanhada por paleontólogos da Universidade Federal do Acre- UFAC e da Universidade Federal de Rondônia- UFRO que indicaram as localidades ricas em macrofósseis. O nível

Localidades Coordenadas

Localidade de Murici Lat: 10˚ 57’24’’S/Long: 69˚44’44’’W Cachoeira de Gracinda Lat: 10˚56’06’’S/Long: 69˚46’46’’W São Lourenço Lat: 10˚55’31’’S/Long: 69˚48’35W’’

Barranco do Geraldo Lat: 10˚55’50’’S/Long: 69˚46’02’’W Cavalcante Lat: 10˚55’42’’S/Long: 69˚49’53’’W Barraco de Elizete Lat: 10˚ 56’25’’S/Long: 69˚45’44’’W Ipiranga Lat: 10˚ 57’09’’ S/Long: 69˚ 39’22’’W Patos Lat: 10˚ 55’00’’ S/Long: 69˚ 55’00’’W

(29)

contendo o material fossilífero corresponde ao conglomerado maciço, e desse modo observou-se níveis litológicos que apresentavam características de fertilidade adequadas para análise palinológica.

A escolha do material de subsuperfície e superfície foi feita baseando-se na tabela de cor do sedimento de cinza-claro a preto (Arai, 1982) e granulometria fina com maior concentração de matéria orgânica e conseqüentemente, mais rica em palinomorfos.

As amostras foram acondicionadas em sacos plásticos, lacradas e identificadas quanto à localidade e/ou profundidade. Em seguida, foram transportadas ao Laboratório de Palinologia do INPA onde foram preparadas, analisadas e os palinomorfos identificados.

4.4. Preparação das amostras

A metodologia utilizada foi descrita por Uesugui (1979) e consiste no ataque com ácido clorídrico e fluorídrico de modo que não restem mais resíduos de materiais inorgânicos como: carbonatos, silicatos e matéria orgânica carbonizada.

Em linhas gerais o tratamento empregado foi: maceração das amostras, ataque com HCL a 32% por 2 horas para eliminação de carbonatos. Em seguida com HF a 40% por 18 horas para eliminação de silicatos, para retirada do produto resultante (fluorsilicato) utiliza-se HCL a 10%. Em todas as etapas lava-se com água destilada por três vezes para neutralizar a ação dos ácidos. Após a acidificação das amostras, peneirou-se em malha de 200µm visando eliminar a parte inorgânica grosseira e assim concentrar os palinomorfos na fração restante.

Nos casos de sedimento com muita matéria orgânica carbonizada utilizou-se solução de Schulze composta por HNO3 e KCLO3 de 15 min. a 1 hora dependendo do grau de

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oxidação da amostra. O tempo de duração é determinado pela mudança da cor de preto para castanho (Antonioli, 1998).

Após a lavagem com HCL a 10% e, em seguida com água destilada foi feita a preparação da amostra para a separação de constituintes orgânicos pela diferença da densidade entre eles. Esse método consiste na separação por flotação utilizando ZnCl2 de densidade entre 1,95 a 2,0 que é então, centrifugado por 20 minutos em velocidade de 1500 a 2000 rpm. A parte sobrenadante é retirada e novamente submetida a centrifugação com ZnCl2 por 20 min. a 1500-2000 rpm. O anel resultante na parte superior é colocado em outro tubo com álcool comercial e centrifugado por 5 min. a 1500-2000 rpm. O resíduo foi lavado com água destilada por 1 min. e em seguida centrifugado com HCL a 10% por 1 min. em velocidade de 1500-2000 rpm.

Finalmente, as amostras foram lavadas por três vezes com água destilada. Entretanto, quando encontrado o material húmico nas amostras adicionou-se KOH sendo o material aquecido em banho-maria por 15 min. Após essas etapas o resíduo foi então peneirado com malha de 10 µm e a fração retida na peneira foi transferida para tubos de 10 ml para a etapa seguinte.

A preparação das lâminas foi feita adicionando uma gota do resíduo, duas gotas de água e uma gota de goma de acácia sobre uma lamínula em uma placa aquecedora com temperatura de aproximadamente de 30ºC. As lamínulas devidamente secas foram coladas com entellan em lâminas de vidro e identificadas com relação: localidade e profundidade.

Para análise palinológicas foram confeccionadas quatro lâminas de cada amostra.

As lâminas foram analisadas na objetiva de 40x com auxílio do microscópio óptico Axioplan plus da Zeiss e fotografadas com máquina MC-80 acoplada, utilizando-se filme ISO 100 da Kodak.

(31)

4.5. Análise polínica

A análise polínica baseou-se na identificação (análise qualitativa) e contagem (análise quantitativa) dos palinomorfos contidos nos sedimentos amostrados.

A análise qualitativa consistiu na identificação dos morfotipos presentes no material estudado. Nesse caso a identificação foi feita por comparação com a coleção de referência do Laboratório de Palinologia do INPA com auxílio da Dra. Maria Lúcia Absy e os Drs. Luzia Antonioli da UERJ e Rodolfo Dino do CENPES/PETROBRAS e UERJ e por consulta a literatura palinológica existente (Germeraad et al. (1968); Lorente, 1986; Muller et al., 1987;

Hoorn, 1993; Jaramillo & Dilcher, 2001).

Após a identificação, os palinomorfos foram fotografados em microscópio óptico Axioplan plus da Zeiss em objetiva de 100x.

Foi feita a descrição morfológica e feitas medidas do diâmetro equatorial de cada tipo.

Para cada tipo estudado foi indicada afinidade botânica do mesmo. Para todas as espécies estudadas foram mencionados os nomes dos autores que as descreveram e quando possível, o número da página do trabalho onde se encontra a descrição.

A análise quantitativa baseou-se na contagem de 300 grãos de cada amostra. Em seguida, foram feitos cálculos da freqüência relativa dos tipos para se poder estimar o tipo de vegetação predominante e a idade de sedimentos pela existência de marcadores bioestratigráficos. Os palinomorfos analisados foram enquadrados em quatro categorias: 1) Elementos aquáticos: Azolla sp., Chomotriletes minor, Magnastriatites grandiosus, 2) marcadores bioestratigráficos: Grimsdalea magnaclavata e Crassoretitriletes vanraadshoovenii, 3) marcadores ambientais: palmeiras (M. franciscoi), gramíneas (M.

annulatus) e pteridófitas, 4) outras angiospermas e outros esporos.

(32)

Com os resultados da análise palinológica foi elaborado um diagrama que apresenta as curvas indicando as flutuações dos diferentes taxa encontrados nas amostras. Os diagramas polínicos foram elaborados por meio da utilização do programa TILIA 5.0 e TILIA GRAPH (Grimm, E. Illinois State Museum) de acordo com as percentagens dos tipos ao longo dos níveis estratigráficos.

4.6. Interpretação Paleoambiental e Idade.

Estudos de interpretação paleoecológicas e de datações relativas são realizados por meio de presença ou ausência de determinados tipos que tenham um significado ambiental e bioestratigráfico, respectivamente.

Para o estabelecimento do paleoambiente foram utilizadas referências que continham informações sobre afinidades botânicas, ecológicas (Germeraad et al, 1968; Frederiksen, 1983; Lorente, 1986; Muller et al., 1987; Hoorn, 1993; Antonioli, 2001; Jaramillo & Dilcher, 2001). Como indicadores de ambientes continentais aquáticos e terrestres foram estabelecidos grupos:

- Elementos continentais: presença de fragmentos quitinosos de conchostráceos, grãos de pólen, esporos de pteridófitas, briófitas.

- Elementos aquáticos: cistos de algas, Chomotriletes minor, Azolla sp., M. grandiosus.

- Elementos costeiros: associação de Rhizophora (Zonocostites ramonae) e Acrostichum (D. adriennis).

Os palinomorfos encontrados foram enquadrados em biozonas definida por Lorente (1986) e Hoorn (1993) para definir a idade dos sedimentos analisados.

(33)

V. RESULTADOS E DISCUSSÕES

5.1. Zoneamento palinoestratigráfico

O conteúdo fossilífero contido nos sedimentos pode caracterizar camadas geológicas pela presença de certas espécies-guias ou associações que têm ampla distribuição geográfica e período curto de existência. Esse princípio básico rege o conceito de unidades bioestratigráficas ou biozonas que possuem diversas aplicações como na datação de camadas, correlação estratigráfica, estudos paleoecológicos e determinação de áreas com potencialidades petrolíferas. Em função da abundância, dispersão e características resistentes que favorecem a preservação, os palinomorfos constituem um excelente instrumento para o estabelecimento de biozonas em uma região.

Pesquisas palinológicas de cunho bioestratigráfico na região setentrional da América do Sul no Terciário foram realizadas por: Germeraad et al. (1968) que estudaram sedimentos terciários Caribenhos, Wijmstra (1971) pesquisou o Terciário Inferior no Suriname e Guiana Francesa, Regali et al. (1974) em todo território brasileiro, Lorente (1986) na Venezuela analisou o Mioceno e Plioceno, Muller et al. (1987) com material de todo Terciário em regiões distintas ao norte da América do Sul, Cruz (1984) e Hoorn (1993) ao norte do Estado do Amazonas. A tabela 1 apresenta as diferenças entre o zoneamento palinoestratigráfico durante o Neógeno definido pelos autores acima citados, com exceção de Wijmstra (1971) que não o Neógeno.

(34)

O zoneamento determinado por Hoorn (1993) é atualmente usado na Formação Solimões, sendo este o mais completo registro da palinoflora durante o Mioceno Inferior, Médio e transição para o Superior na Amazônia.

A associação encontrada em amostras de testemunho e afloramentos na Amazônia sul ocidental aqui apresentada se enquadram no zoneamento estabelecido por Hoorn (1993) como pertencentes a Zona Grimsdalea (Lorente, 1986) e a Zona Asteraceae (Lorente, 1986; Muller et al., 1987; Hoorn, 1993).

A base da biozona Grimsdalea é definida pelo primeiro aparecimento de G.

magnaclavata. Nesta biozona de idade Mioceno Médio/Superior, há também o primeiro aparecimento de Retitricolporites lorentae e Bombacacidites bellus e abundância de Crassoretitriletes vanraadshoovenii, Deltoidospora adriennis, Magnastriatites grandiosus e Zonocostites ramonae na base do intervalo (Hoorn, 1993). O topo da zona de Grimsdalea é definido pela primeira ocorrência de Echitricolporites spinosus, Fenestrites spinosus ou F.

longispinosus (Lorente, 1986).

A base da zona de Echitricolporites spinosus é definida pelo primeiro aparecimento da espécie que dá o nome da zona, Compositae e Avicennia tipo. Nesta zona há presença de Grimsdalea magnaclavata, Psilaperiporites minimus, Cyatheacidites annulatus e Bombacacidites ciriloensis (Muller et al., 1987).

(35)

Autor Idade

Germeraad et al., 1968 Regali et al.., 1974

Cruz, 1984

Muller et al., 1987 Lorente, 1986 Hoorn, 1993 Silva, 2004

P L I O

Echitricolpites mcneillyi

B E. mcneillyi

E. spinosus

Fenestrites longispinosus

A-B Asteraceae

E. spinosus

Superior Echitricolporites

spinosus

Grimsdalea Grimsdalea Grimsdalea Médio

Pachidermites diederixii

C.vanraadshoovenii Crassoretitriletes Crassoretitriletes Psiladiporites Psiladiporites/

Crototricolpites G. magnaclavata

Verrutricolporites Retitricolpites M.vanderhamenii

P.minimus

E.maristellae/

P. minimus M

I O C E N O

Inferior

J.saemrogiformis

E. muelleri

A

V.rotundiporus E.barbeitoensis

Verrutricolporites/

Cicatricosisporites

Verrutricolporites

(36)

5.2. Descrição da associação estudada

5.2.1 Amostras de testemunhos

As amostras analisadas do poço 1AS-32-AM apresentaram predominância de Grimsdalea magnaclavata em todo o intervalo, seguido pela abundância de Crassoretitriletes vanraadshoovenii a partir de 71m de profundidade. Mais detalhadamente são descritos os tipos polínicos encontrados em cada nível:

-132m: A primeira amostra estudada apresentou predominância de Crassoretitriletes vanraadshoovenii (41,20%), seguido por Perisyncolpites pokornyi (12,80%), Grimsdalea magnaclavata (9%), Mauritidiites franciscoi (8,20%), Deltoidospora adriennis (7,50%) e Magnastriatites grandiosus (5,20%).

-126m: Nesse intervalo observa-se a predominância de C. vanraadshoovenii (14%), Psilatriletes sp. (11%), D. adriennis (10,50%), Grimsdalea magnaclavata (9,50%) e P.

pokornyi (8,50%).

-120m: O intervalo apresenta uma grande similaridade entre as amostras sendo que, C.

vanraadshoovenii com 22,10% continua sendo o mais freqüente elemento da amostra, seguido por G. magnaclavata (17%), P. pokornyi (10%), D. adriennis (7,61%) e M. franciscoi (6,2%).R. lorentae, B. bellus e M. howardii têm o primeiro aparecimento neste nível.

-115m: A associação encontrada nesta amostra é composta principalmente por: C.

vanraadshoovenii (60%), G. magnaclavata (14%), D. adriennis (10,5%) e P. pokornyi (7,7%) e M. franciscoi (1,33%).

-106m: Este nível é dominado por esporos de pteridófitas. A assembléia é formada pela predominância de M. grandiosus (33,40%), Cicatricosisporites sp. 3 (19%), Cicatricosisporites sp. 4 (13%), C. vanraadshoovenii (7,50%), Azolla sp. (6,70%) e G.

(37)

magnaclavata (2,70%). Como pode ser observado na figura 5, nesse período houve uma diminuição drástica na freqüência de Grimsdalea magnaclavata a favor de elementos aquáticos, evidenciando a preferência de G. magnaclavata, provável palmeira (Germeraad et al., 1968) por ambientes secos.

-100m: A partir desse nível temos o crescente aparecimento de G. magnaclavata (35%) sendo este o mais freqüente componente deste intervalo seguido pela abundância de C.

vanraadshoovenii (19,3%), P. pokornyi (10%) e M. grandiosus (8,70%) .

-92m e 71m: Cerca de 60% da assembléia é constituída por G. magnaclavata, acompanhada pela presença de C. vanraadshoovenii (11%) e M.grandiosus (9%).

-59m: Neste nível predomina ainda G. magnaclavata (40,20%), P. pokornyi (13,60%) e D. adriennis (10%). Observa-se um decréscimo de C. vanraadshoovenii para 1,50%.

Observa-se a na base do intervalo abundância de C. vanraadshoovenii que vai diminuindo a favor de Grimsdalea magnaclavata até o topo da coluna.

- 48 m: Este nível há predominância de G. magnaclavata (23,40%), P. pokornyi (20%), D.

adriennis (12%) e Grimsdalea sp. 1 (10,7%). Não se observa a presença de C.

vanraadshoovenii.

- 25m: Nessa amostras há predominância de G. magnaclavata (28,30%), D. adriennis (18,30%), E. maristellae e M. grandiosus (6,3%), P. pokornyi e V. usmensis (3,3%).

Encontram-se também, E. spinosus (1%), C. annemariae, P. tibui e P. tertiaria. Um fato importante é o não aparecimento de C. vanraadshoovenii que como Grimsdalea é um marcador bioestratigráfico. O primeiro aparecimento de E. spinosus permite definir este intervalo como pertencente ao Mioceno Superior de acordo com Lorente, 1986 e Muller et al.

(1987).

(38)

- 17m: O elemento mais freqüente é D. adriennis (22%), P. pokornyi (19%) e G.

magnaclavata (10,8%).

-12,10m: Na última amostra estudada observou-se a predominância de G. magnaclavata (19,7%), P. pokornyi (15%) e D. adriennis (12%).

A figura 5 apresenta o diagrama de pólen com marcadores bioestratigráficos da sessão estudada.

(39)

Figura 5: Diagrama polínico dos principais constituintes da associação encontrada no poço 1AS-32-AM. As linhas representam os limites entre Mioceno Médio Superior e Mioceno Superior

(40)

5.2.2. Amostras de superfície

Das oito localidades estudadas em apenas uma foi possível contar 300 palinomorfos, as outras se mostraram com poucos palinomorfos ou algumas onde não foram encontrados palinomorfos, como descrito abaixo:

A amostra retirada da localidade de Murici foi a única a apresentar os 300 tipos de palinomorfos. Destacam-se a predominância de G. magnaclavata (27,50%), D. adriennis (12,80%), Verrucatosporites usmensis (9,40%), Psilatriletes sp. (8,30%)., Monoporopollenites annulatus (7%) e P. pokornyi (6,42%).

A presença de G. magnaclavata somado a ausência de C. vanraadshoovenii representa um indício da correlação do sedimento da localidade de Murici à parte superior (até 48m) do poço 1AS-32-AM, indicando a idade do Mioceno Médio Superior. O diagrama polínico da localidade de Murici está representado na figura 6.

Nas localidades de Cavalcante, Cachoeira da Gracinha, Patos, barranco da Elizete, os poucos tipos encontrados estão ilustrados nas pranchas I, II, III e VI. Em nenhuma amostra dessas localidades foi encontrado Grimsdalea magnaclavata. Por outro lado, o material proveniente de Patos apresentou abundância de esporos e, nessa mesma localidade foram coletadas sementes “in situ” de Myrtaceae e Euphorbiaceae, Piranhea, sendo esta última típica de ambiente tipo várzea. As sementes estão ilustradas na Figura 7.

No sítio fossilífero de Patos e no barranco da Elizete houve presença e abundância de E.

spinosus o que define estes sedimentos como pertencente ao Mioceno Superior (Lorente, 1986; Muller et al., 1987).

As amostras obtidas nas localidades de São Geraldo, Ipiranga e São Lourenço não continham palinomorfos. A ausência de palinomorfos na maioria das amostras de afloramento

(41)

Figura 6: Diagrama polínico dos principais constituintes da associação encontrada na amostra de afloramento de Murici.

(42)

impossibilitou a correlação temporal ou ambiental das localidades estudadas através da análise multivariada.

Figura 7: Sementes coletadas na localidade de Patos. A) Myrtaceae B) Euphorbiaceae, Piranhea. Identificação:

Dra. Marlene Freitas e Ilustração Felipe Moraes (DESENHO/INPA).

5.3. Correlação entre os sedimentos analisados

Por meio da presença de Grimsdalea magnaclavata, E. spinosus e ausência de C.

vanraadshoovenii tentou-se estabelecer uma possível correlação bioestratigráfica entre a associação encontrada no poço 1AS-32-AM e afloramentos de Murici, Patos e Elizete. A Figura 8 mostra correlação entre as amostras.

A B

(43)

Figura 8: Correlação estratigráfica entre amostras do poço e afloramento.

A ausência de G. magnaclavata em Patos e no Barranco da Elizete não permite inferir a localização estimada destes sedimentos. Germeraad et al. (1968) afirmam que Grimsdalea aparece até a zona de Alnipollenites verus, ou seja, até o limite Terciário/Quaternário.

Entretanto, a presença de E. spinosus indica idade Mioceno Superior para essas localidades.

Em relação a C. vanraadshoovenii há desaparecimento deste tipo na base da zona de E. spinosus (Germeraad et al. 1968). Como pode ser observado no diagrama da Figura 5 o desaparecimento de C. vanraadshoovenii ocorre antes do primeiro aparecimento de E.

spinosus. Neste intervalo correlacionam-se os sedimentos coletados em Murici como pertencentes ao Mioceno Médio Superior / Superior devido a presença de G. magnaclavata.

(44)

5.4. Idade estabelecida

A associação palinoflorística das amostras de testemunho e superfície de Murici mostrou ser constituída em sua maior parte por Grimsdalea magnaclavata. Na porção superior da coluna estratigráfica estudada (12-48m) não houve o aparecimento de C. vanraadshoovenii, fato que ocorreu também em sedimentos coletados no Acre, sendo portanto, estes sedimentos correlacionados na porção superior da coluna. A presença do marcador bioetratigráfico Grimsdalea magnaclavata define o sedimento como ao intervalo do Mioceno Médio a Superior.

O primeiro aparecimento de Echitricolpites spinosus no nível de 25m define o topo da Zona de Grimsdalea e base da Zona Asteraceae (Interval Zone sensu Lorente, 1986) definida por Lorente (1986) e Muller et al. (1987) como pertencente ao Mioceno Superior. Não foram encontrados E. spinosus, Fenestrites spinosus ou Alnipollenites verus nos sedimentos coletados em Murici, a primeira localidade a ser coletada amostras. Esta localidade está na jusante sendo que todas as outras localidades rio acima são mais contemporâneas que Murici.

Fato que pode ser constatado pela presença de E. spinosus nas localidades de Patos e Barranco da Elizete. Sendo assim, esse dado suporta a idade estabelecida para os macrofósseis coletados no Rio Acre como sendo do Mioceno Superior (Latrubesse, 1992;

Latrubesse et al., 1997).

(45)

5.5. Interpretação paleoambiental

5.5.1. Vegetação

Durante o Mioceno Médio Superior/ Superior pode-se inferir que a vegetação predominante é constituída por elementos aluviais composta por palmeiras, pteridófitas e gramíneas (tabela 2). A vegetação está representada principalmente pelos seguintes tipos: 1) florestas representadas por palmeiras: Mauritia, Grimsdalea (?), Cicatricosisporites sp., M.

vanderhammenii, Proxapertitites tertiaria, R. lorentae e Cyatheaceae (Wijnistra, 1996), 2) pântanos representados por Crassoretitriletes sp., Compositae, Onagraceae, gramíneas, Bombacaceae- Bombacacidites baculatus (Wijnistra, 1996) e 3) elementos aquáticos como Azolla sp., Magnastriatites grandiosus, D.adriennis e Chomotriletes minor (Hoorn, 1993;

Germeraad et al., 1968; Collinson, 2002).

Hoorn (1993) estabeleceu um modelo paleoambiental para o noroeste da Amazônia, sendo que no intervalo aqui pesquisado não se observou abundância de elementos costeiros representados pela associação Rhizophora (Zonocostites ramonae) e Acrostichum (Deltoidospora adriennis). No entanto, na Figura 5 pode ser observada abundância de Deltoidospora adriennis em todo o intervalo e que de acordo com Collinson (2002) significa ambiente de lagos e pântanos de água doce.

O modelo estabelecido por Hoorn (1993) consiste em três tipos vegetacionais: 1) planície costeira composta por Rhizophora e Acrostichum; 2) Vegetação típica de planície aluvial representada por palmeiras e gramíneas e 3) vegetação de floresta (Figura 9). Nesse estudo não foram encontrados indicadores de ambiente marinho como microforaminíferos e dinoflagelados contrariando estudos realizados por Rasanen et al. (1995) que por meio de interpretação de estruturas sedimentares afirmam a presença de um seaway que cobriu parte

(46)

da Amazônia durante o Terciário. No Acre, a associação permite inferir ambiente úmido a alagadiço devido a abundância de esporos de pteridófitas.

Figura 9: Modelo paleoambiental (modificado de Hoorn, 1993).

5.5.2. Clima

Hoorn (1994) e Monsh (1998) sugerem que o clima na Amazônia durante o Mioceno Médio/Superior foi quente e úmido, fato justificado pela presença de gramíneas aquáticas, palmeiras, indicadores de ambientes alagadiços e presença de crocodilianos .

Durante o Mioceno Superior houve esfriamento global como definido por Kennett (1982) por meio de registros paleoceanográficos. No entanto, o clima predominante na Amazônia durante o Mioceno Superior permanece tropical úmido como pode ser observado pelos principais taxa encontrados e listados na tabela 2, representados principalmente por elementos florestais e de ambientes pantanosos. A diminuição de G. magnaclavata e aumento em elementos aquáticos e dependentes de umidade durante este período evidencia um aumento da umidade para a região.

No intervalo estudado, não foi encontrado palinomorfos que indicassem vegetação aberta tipo savana como Byrsonima, Didymopanax e Curatella e com grandes quantidades de gramíneas como registrados em estudos do Pleistoceno (Absy & Van der Hammen, 1976).

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Tabela 2: Afinidades botânicas e ecológicas dos principais tipos.

Grupo Taxa Afinidade Vegetação Clima Referência

Outros Azolla Salviniaceae Aquática

Cyathidites Cyatheaceae Arbórea Tropical e subtropical Antonioli, 2001

Cicatricosisporites Schizaeaceae Herbácea Tropical e subtropical Antonioli, 2001

Chomotriletes Schizaeaceae Herbácea Tropical e subtropical Antonioli, 2001

Crassoretitriletes Schizaeaceae Pantanosa ou

costeira

Hoorn, 1993

Deltoidospora Cyatheaceae/

Gleicheniaceae

Ambiente aquático. Tropical e subtropical Antonioli, 2001 Collinson, 2002 Gleichenidites Gleicheniaceae Herbácea Tropical e subtropical Antonioli, 2001

Magnastriatites Parkeriaceae Costeira ou aluvial Hoorn, 1993

Matonisporites Matoniaceae Herbácea Tropical úmido Antonioli, 2001

Verrucosisporites Osmudaceae Herbácea Tropical úmido e temperado Antonioli, 2001 P

T E R I D Ó F I T A

S V. usmensis Polypodiaceae Terrestre Hoorn, 1993

B. baculatus Bombacaceae/

Pachira

Ambiente alagado em florestas

Hoorn, 1993

Corsinipollenites oculusnoctis Onagraceae Vegetação aberta Hoorn, 1993 Crototricolpites annemariae Euphorbiaceae Herbácea

Echiperiporites estelae Malvaceae Costeira Hoorn, 1993

Echitricolporites maristellae Bombacaceae / Malvaceae

Grimsdalea magnaclavata Arecaceae (?) Germeraad et al. 1968

Mauritiidites franciscoi Arecaceae Ambiente alagado Hoorn, 1993

Monoporopollenites annulatus Poaceae Herbácea Tropical seco e temperado Antonioli, 2001 Mutimarginites vanderhammeni Acanthaceae Arbustiva/ Herbácea Germeraad et al. 1968 Perisyncolpites pokornyi Malphigiaceae Ambiente costeiro

Floresta

Hoorn, 1993

Jaramillo & Dilcher, 2001 Proxapertites tertiaria Anonnaceae Arbórea/Herbácea

Retibrevicolpites triangularis Desconhecida Germeraad et al. 1968

A N G I O S P E R M A S

(48)

5.6. Sistemática

As espécies encontradas estão apresentadas dentro de cada gênero. Quando possível foram incluídas informações sobre o autor que a descreveu, Prancha e Figura onde se encontra a espécie, citação do autor, ano e página. Informações adicionais como: diâmetro equatorial, afinidade botânica e afinidade ecológica também foram fornecidas.

DIVISÃO SPORITES H. Potonié, 1893

Classe Triletes (Reinsch, 1881) Potonié e Kremp, 1954

Gênero Chomotriletes (Kedves) Pocock, 1970

Chomotriletes minor (Kedves, 1961) Pocock, 1970 Prancha I, figura 18

Vide Pocock, 1970 para descrição.

Descrição: Esporo trilete, estriado formando círculos, de ± 42µm. Contorno esférico.

Laesura trilete indistinta.

Afinidade botânica: Afinidade desconhecida, possivelmente um cisto de alga ou fungo comum em áreas subtropicais de águas-rasas. (Leroy, 1992).

Gênero Cicatricosisporites Potonié & Gelletich, 1933 Cicatricosisporites sp. 1

Prancha II, figura 3

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Descrição: Esporo trilete, estriado, de ± 60µm. Contorno triangular a circular. Lados convexos e ângulos arredondados. Laesura central bem visível, aberta e com margem.

Afinidade botânica: Schizaeaceae

Cicatricosisporites sp. 2 Prancha II, figura 4

Descrição: Esporo trilete, estriado, de ± 55µm. Contorno circular. Laesura atingindo a extremidade, bem visível, fechada e sem margem.

Afinidade botânica: Schizaeaceae

Cicatricosisporites sp. 3 Prancha II, figura 5

Descrição: Esporo trilete, estriado, de ± 56µm. Contorno circular a triangular. Lados convexos e ângulos arredondados. Laesura central bem visível, fechada e sem margem.

Afinidade botânica: Schizaeaceae

Cicatricosisporites sp. 4 Prancha II, figura 6

Descrição: Esporo trilete, estriado, de ±60µm. Contorno triangular. Lados retos e formando ângulos de 90º. Laesura central bem visível, aberta e sem margem.

Afinidade botânica: Schizaeaceae

Cicatricosisporites sp. 5 Prancha II, figura 7

(50)

Descrição: Esporo trilete, densamente estriado, de ±55µm. Contorno triangular. Lados convexos e ângulos arredondados. Laesura central bem visível, aberta e sem margem.

Afinidade botânica: Schizaeaceae

Cicatricosisporites sp. 6 Prancha II, figura 8

Descrição: Esporo trilete, finamente estriado, de ±50µm. Contorno triangular. Lados convexos e ângulos arredondados. Laesura indefinida.

Afinidade botânica: Schizaeaceae

Cicatricosisporites sp. 7 Prancha II, figura 9

Descrição: Esporo trilete, densamente estriado, de ±47µm. Contorno triangular. Lados convexos e ângulos arredondados. Laesura bem visível atingindo o equador, fechada e sem margem.

Afinidade botânica: Schizaeaceae

Cicatricosisporites sp. 8 Prancha II, figura 10

Descrição: Esporo trilete, densamente estriado, de ±38µm. Contorno circular . Laesura bem visível quase atingindo o equador, fechada e sem margem.

Afinidade botânica: Schizaeaceae

Gênero Cingutriletes Pierce, 1961 emend. Dettmann, 1963

(51)

Cingutriletes sp.

Prancha III, figura 5

Descrição: Esporo trilete, psilado, de ±50µm. Contorno triangular a esférico. Lados convexos e ângulos arredondados. Laesura atingindo o equador, fechada e sem margem.

Afinidade botânica: Desconhecida.

Gênero Clavatriletes Regali et al., 1974 Clavatriletes sp.

Prancha III, figura 12

Descrição: Esporo trilete, grosseiramente clavado (clavas de ±4µm), de ±32µm. Contorno de esférico a triangular. Lados côncavos e ângulos arredondados. Laesura central bem visível, fechada e sem margem.

Afinidade botânica: Cyatheaceae

Clavatriletes sp.1 Prancha III, figura 13

Descrição: Esporo trilete, com finas clavas na margem (de 2µ), ±36µm. Contorno triangular.

Lados côncavos. Laesura fechada e sem margem.

Afinidade botânica: Cyatheaceae

Clavatriletes sp.2 Prancha III, figura 15

Descrição: Prancha III, figura 13

(52)

Descrição: Esporo trilete, com clavas em toda superfície (de 2µ), ±28µm. Contorno esférico.

Sem laesura aparente.

Afinidade botânica: Cyatheaceae

Clavatriletes sp. 3 Prancha III, figura 15

Descrição: Esporo trilete, com clavas grossas em toda superfície (de 2µ), ±52µm. Contorno esférico. Sem laesura aparente.

Afinidade botânica: Cyatheaceae

Clavatriletes sp. 4 Prancha III, figura 12

Descrição: Esporo trilete, clavado (com clavas de 4µ), ±35µm. Contorno triangular. Lados côncavos. Laesura fechada.

Gênero Cyathidites Couper, 1953 Cyathidites minor Couper, 1953 Prancha III, figura 4

Descrição: Esporo trilete, psilado, de ±47µm. Contorno triangular. Lados côncavos e ângulos arredondados. Laesura central bem visível, fechada e sem margem.

Afinidade botânica: Cyatheaceae

Gênero Crassoretitriletes Germeraad et al. 1968

Crassoretitriletes vanraadshoovenii Germeraad et al., 1968

(53)

Prancha I, figura 1

Vide Germeraad et al. (1968, p. 286) para descrição genérica e específica.

Descrição: Esporo trilete densamente reticulado, de ± 67µm. Contorno triangular a circular.

Lados pouco convexos e ângulos arredondados. Laesura central bem visível, sem margem.

Afinidade botânica: Lygodium microphyllum, Schizaceae (Germeraad et al. 1968; Lorente, 1986).

Indicador ambiental: Comumente encontrado em pântanos, florestas pantanosas ou pântanos costeiros (Hoorn, 1993).

Idade: Encontrado desde o Eoceno até a base da zona E. spinosus no Mioceno Superior (Germeraad et al., 1968).

Gênero Deltoidospora Miner, 1935 emend Potonié, 1956

Deltoidospora adriennis (Potonié & Gelletich, 1933) Frederiksen, 1983 Prancha III, figura 1

Vide Frederiksen et al., (1983, p.18) para descrição.

Descrição: Esporo trilete, psilado, de ±50µm. Contorno que vai de triangular a esférico.

Lados pouco côncavos e ângulos arredondados. Laesura atinge o equador, pouco ondulada e sem margem.

Afinidade botânica: Lygodium, Schizaeaceae (Frederiksen et al., 1983) ou Acrostichum aureum, Pteridaceae (Hoorn, 1993).

Indicador ambiental: Associado com Rhizophora indica vegetação de mangue (Hoorn,1993). Collinson, 2002 afirma que sua presença é comum em lagos e ambientes alagadiços de água doce.

Idade: De acordo com Lorente, 1986, distribui-se desde o Oligoceno até o recente.

(54)

Gênero Echitriletes Potonié, 1956

Echitriletes muellerii Regali et a., 1974 Prancha II, figura 10

Vide Regali et al. (1974, p.265) para descrição.

Descrição: Esporo trilete, equinado, de ±30µm. Contorno esférico. Lados convexos e ângulos arredondados. Laesura fina, central pouco visível.

Afinidade botânica: Selaginellaceae (?)

Gênero Kuylisporites Potonié, 1956 Kuylisporites waterbolkii Potonié, 1956 Prancha I, figura 14

Vide Potonié (1956, p.38) para descrição.

Descrição: Esporo trilete, aparentemente psilado com três fissuras laterais, de ±36µm.

Contorno triangular. Lados convexos e ângulos arredondados. Sem laesura aparente.

Afinidade botânica: Cyatheaeceae, Cyathea horrida (Hoorn, 1993)

Gênero Magnastriatites Germeraad et al., 1968

Magnastriatites grandiosus (Kedves & Soles de Porta, 1963) Dueñas, 1980 Prancha II, figura 2

Vide Germeraad et al. (1968, p. 288) para descrição genérica.

Descrição: Esporo trilete, densamente estriado, de ±65µm. Contorno triangular. Lados convexos e ângulos arredondados. Laesura pouco visível, fina e sem margem.

Afinidade botânica: Ceratopteris, Pteridaceae (Germeraad et al., 1968).

(55)

Indicador ambiental: Samambaia associada a ambientes aquáticos como rios, lagos em planícies aluviais e costeiras.

Idade: Distribui-se do Oligoceno ao Recente (Germeraad et al., 1968).

Magnastriatites howardi (Baksi, 1962), Sah & Dutta (1968) Prancha II, figura 1.

Vide Germeraad et al., 1968 (p. 288) para descrição genérica.

Descrição: Esporo trilete, densamente estriado, de ±70µm. Contorno tendendo a esférico.

Lados convexos e ângulos arredondados. Laesura quase atinge o equador, pouco ondulada e com margem.

Afinidade botânica: Ceratopteris, Pteridaceae.

Indicador ambiental: Samambaia associada a ambientes aquáticos como rios, lagos em planícies aluviais e costeiras.

Gênero Matonisporites Couper, 1958 Matonisporites sp.

Prancha III, figura 7

Descrição: Esporo trilete, psilado, de ±40µm. Contorno triangular. Lados pouco côncavos e ângulos arredondados. Laesura central, fechada e sem margem.

Afinidade botânica: Matoniaceae

Gênero Polypodiaceoisporites Potonié, 1951 ex Potonié, 1956 Polypodiaceoisporites sp.

Prancha I, figura 6

Referências

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