1
Aula 5
5.1– Descontinuidade de uma Função
Graficamente falando, diz-se que uma função é contínua em um ponto se o gráfico não apresenta falha (do tipo, “quebra”, “pulo”, etc.) Essa é uma das mais importantes propriedades da maioria das funções. Podemos ilustrar o conceito com exemplos de gráficos abaixo:
Continuidade removível Continuidade de salto
Continuidade infinita Contínua para todos os valores de x
2 5.2– Funções crescentes ou decrescentes
Definição 1 – Dizemos que uma função f, definida num intervalo I, é crescente neste intervalo se para quaisquer x1,x2 I , x1 x2temos f
x1 f x2 .Definição 2 - Dizemos que uma função f, definida num intervalo I, é decrescente neste intervalo se para quaisquer x1,x2 I , x1 x2temos f
x1 f x2 .5.3– Funções Limitadas
Uma função f é limitada inferiormente se existe algum número b que seja menor ou igual a todos os números da imagem de f. Qualquer que seja o número b ele é chamado limite inferior de f. Uma função f é limitada superiormente se existe algum número B que se já maior ou igual a todos os números da imagem f. Qualquer que seja o número B, ele é chamado limite superior de f. Uma função é limitada quando ela é limitada das duas formas, superiormente e inferiormente.
3 Não limitada superiormente
Não limitada inferiormente
Não limitada superiormente Limitada inferiormente
Limitada Superiormente Não Limitada Inferiormente
Limitada
Podemos estender a definição anterior para a ideia de limitação da função para x em um intervalo, restringindo o domínio no intervalo de interesse. Por exemplo, a função
x xf 1
é limitada superiormente sobre o intervalo
,0
e é limitada inferiormente sobre o intervalo
0,
.5.4– Extremo Local e Extremo Absoluto
Muitos gráficos são caracterizados por “altos” e “baixos” quando mudam o comportamento de crescente para decrescente, e vice-versa. Os valores extremos da função, também chamado extremo local, podem ser caracterizados como máximo local ou mínimo local.
-4 -2 2 4 x
-6 -4 -2 2 4 6 y
-4 -2 2 4 x
-6 -4 -2 2 4 6 y
-4 -2 2 4 x
-6 -4 -2 2 4 6 y
-4 -2 2 4 x
-1 -0.75
-0.5 -0.25 0.25 0.5 0.75 1
y
4 A figura abaixo mostra um gráfico com três extremos locais: máximo local no ponto Q, além de mínimos locais nos pontos P e R.
Esse conceito é mais fácil de observar graficamente do que de descrever de forma algébrica. Observe que um máximo local não tem que ser o máximo de uma função; ele precisa ser somente um máximo pertencente a algum pequeno intervalo dessa função.
DEFINIÇÃO: Um máximo local de uma função f é o valor f(c) que é maior ou igual a todos os valores da imagem de f, então f(c) é o valor máximo, também chamado máximo absoluto de f.
Um mínimo local de uma função f é o valor f(c) que é o menor o igual a todos os valores da imagem de f sobre algum intervalo aberto contendo c. Se f(c) é menor ou igual a todos os valores da imagem de f, então f(c) é o valor mínimo ou mínimo absoluto de f.
Extremos locais são chamados também de extremos relativos.
5.5– Simetria
Em Matemática, a simetria pode ser caracterizada numérica e algebricamente. Veremos três tipos particulares de simetria e analisaremos cada tipo a partir de um gráfico, de uma tabela de valores e de uma fórmula algébrica, uma vez conhecido o que se deve observar.
5 Simetria com o eixo vertical y
Exemplo: f(x)= x²
O gráfico parece o mesmo quando olhamos do lado esquerdo e do lado direito do eixo vertical y
Algebricamente: Para todos os valores de x do domínio de f temos f
x f(x).Funções com essa propriedade ( por exemplo xn, com n par) são chamadas funções pares.
x f(x)
-3 9
-2 4
-1 1
0 0
1 1
2 4
3 9
x f(x)
9 -3
4 -2
1 -1
0 0
6 Simetria com relação ao eixo vertical x
Exemplo: x=y²
O gráfico parece o mesmo quando olhamos acima e abaixo do eixo horizontal x
Algebricamente: Gráficos com esse tipo de simetria não são funções, mas podemos dizer que (x,y) está sobre o gráfico quando (x,y) também está.
Simetria com relação à origem Exemplo: f(x)= x³
O gráfico parece o mesmo quando olhamos tanto do seu lado esquerdo inferior, como do seu lado direito superior.
-4 -2 2 4
x
-7.5 -5 -2.5 2.5 5 7.5 y
1 1
4 2
9 3
x f(x)
-3 -27
-2 -8
11 -1
0 0
1 1
2 8
3 27
7 Algebricamente: Para todos os valores de x do domínio de f, temos f
x f(x). Funções com essa propriedade ( por exemplo xn, com n ímpar) são chamadas funções ímpares.5.6– Assíntotas
Considere o gráfico da função
2 1
x x
f na figura abaixo.
O gráfico parece ficar cada vez mais próximo da reta horizontal y 2 quando observamos a parte debaixo do eixo x. Chamamos de reta assíntota horizontal. De maneira similar, o gráfico parece ficar mais próximo da reta vertical x=2. Chamamos essas retas de reta assíntota vertical. Traçamos as assíntotas e podemos que elas formam uma barreira, assim como observamos o comportamento do gráfico.
Uma maneira de descobrir as retas assintóticas é fazer a divisão da função
2 1
x x f , então,
Usaremos agora a regra da divisão que diz: Dividendo=Quociente x Divisor + Resto Portanto: 11(x2)3 Dividindo toda equação por (x2), temos,
2
3 ) 2 (
) 2 ( 1 2 1
x x
x x
2 1 3
2 1
x x
Essa regra também é chamada de Teorema do Resto na divisão de polinômios.
8 O número 1 (um) que é a primeira parcela da função modificada é a assíntota horizontal, e o valor que zera o denominador, que é o número 2 (dois) da segunda parcela é a assíntota vertical. Desse modo, podemos desenhar o gráfico. Podemos pegar valores bem próximos dessas suas assíntotas e testar na função a fim de saber se o seu sinal de positivo ou negativo. O sinal indica a continuidade da curva ao longo de eixo y. Se o sinal de y for positivo a curva tende para , se y for negativo, a curva tende para .
5.7– Comportamento da Funçao nas Extremidades do Eixo Horizontal
Uma assíntota horizontal para os valores de x que tendem a ou , mostra como a função se comporta para valores de x nos extremos do eixo horizontal. Nem todos os gráficos se aproximam de retas nessas condições (para valores de x nos extremos do eixo horizontal), mas é interessante saber o que ocorre além do que estamos visualizando.
Exemplo:
Associe cada função a um dos gráficos abaixo, considerando o comportamento nos extremos do eixo horizontal.
a)
1 3
2
x x x
f b)
1 3
2 2
x x x
f c)
1 3
2 3
x x x
f d)
1 3
2 4
x x x f
9
i) ii)
iii) iv)
Solução:
Quando x assume um valor muito grande, o denominador 𝑥2+ 1, em cada uma dessas funções, assume quase o mesmo valor de x². Se trocarmos 𝑥2+ 1, em cada denominador, por x² e simplificarmos as frações, teremos funções mais simples.
(a) 𝑦 =3
𝑥 (fica próximo de zero quando x é grande (b) 𝑦 = 3
(c) 𝑦 = 3𝑥 (d) 𝑦 = 3𝑥²
Para valores de x nos extremos do eixo horizontal, temos que:
-3 -2 -1 1 2 3
x
-4 -2 2 4 6 8 y
-6 -4 -2 2 4 6
x
-4 -2 2 4 y
-10 -5 5 10 x
-2 -1 1 2 3 4 y
-6 -4 -2 2 4 6 x
-3 -2 -1 1 2 3 y
10
𝑦 =3
𝑥 tende à zero, o que nos permite associar a função (a) com o gráfico iv.
𝑦 = 3 mantém esse comportamento constante, o que nos permite associar (b) com (iii).
𝑦 = 3𝑥 tende para +∞ quando x tende para +∞, e essa função tende para −∞ quando x tende à −∞, o que nos permite associar (c) com (ii).
𝑦 = 3𝑥² tende para +∞ quando a x tende a +∞ ou −∞, o que nos permite associar (d) com (i).
5.8– Translação, Reflexão e Mudança de Escala
Para transladar o gráfico de uma função y f(x) para cima, adicione uma constante positiva do lado direito da fórmula y f(x).
Para transladar o gráfico de uma função y f(x) para baixo, adicione uma constante negativa do lado direito da fórmula y f(x).
Para transladar o gráfico y f(x) para a esquerda, adicione uma constante positiva à x.
Para transladar o gráfico y f(x) para a esquerda, a direita, adicione uma constante negativa à x.
Fórmulas para Translação Translação Vertical:
k x f y ( )
Translada o gráfico k unidades para cima se k>0.
Translada o gráfico k unidades para baixo se k<0.
Translação Horizontal:
11 )
(x h f
y
Translada o gráfico h unidades para a esquerda se h>0.
Translada o gráfico h unidades para a direita se h<0.
Exemplo 6: Mostre a função modificada transladando o gráfico da função x x
f 1
) ( :
a) 1 unidade para cima
A função modificada fica
x x x x f
x
f 1
) ( 1 1
) (
b) 2 unidades para baixo
12 A função modificada fica
x x x
x f x
f 1 2
) ( 1 2
)
(
c) 2 unidades para a esquerda
A função modificada fica
2 ) 1
(
x x f
d) 1 unidade para a direita
A função modificada fica
1 ) 1
(
x x f
13
Fórmulas da Reflexão )
(x f
y Reflete o gráfico de f em torno do eixo x.
) ( x f
y Reflete o gráfico de f em torno do eixo y.
Exemplo 7:
Para a função f(x)x2 2x:
a) Efetue uma reflexão em torno do eixo x.
A função modificada é f(x)
x2 2x
f(x)x2 2xb) Efetue uma reflexão em torno do eixo y.
14 A função modificada é f(x)(x)2 2(x) f(x) x²2x
Mudança na inclinação de uma função linear por um fator a:
Consideramos a expressão função linear y f(x)ax, onde a é uma constante real não nula. A questão é investigar a ação do coeficiente a quanto comparada ao gráfico da função identidade y f(x) x.
Exemplo: Mude a inclinação do gráfico y f(x) x, pelos fatores a2e 2
1
a .
15
Translação das Funções Lineares
Consideramos a expressão da função afim y f(x)xb, onde b é uma constante real. A questão é investigar a ação do coeficiente b quando comparada ao gráfico da função identidade y f(x)x.
Exemplo: Desloque o gráfico y f(x)x, pelos fatores b2 e b2.
Como mudar de escala o gráfico de uma função y f(x)
Mudar a escala de um gráfico de uma função y f(x) significa alonga-lo ou comprimi-lo, vertical ou horizontalmente. Para tanto, multiplica-se a função f, ou a variável independente x, por uma constante c apropriada. Reflexões em torno dos eixos coordenados são casos especiais em que c1.
Fórmulas para mudança de escala vertical ou horizontal
Para 𝑐 > 1:
) (x cf
y Alonga o gráfico de f verticalmente por um fator c.
) 1 (
x c f
y Comprime o gráfico de f verticalmente por um fator c.
) (cx f
y Comprime o gráfico de f horizontalmente por um fator c.
16
c f x
y Alonga o gráfico de f horizontalmente por um fator c.
Exemplo: Dada a função𝑦 = 𝑓(𝑥) = 𝑥2 multiplique o lado direito dey f(x), por um fator c, de modo que c3e
3
1 c .
x x² 3*x²
1 1 3
2 4 12
3 9 27
17
x x² 1/3*x²
1 1 1/3
2 4 4/3
3 9 3
5.9– Exercícios de fixação
1) Dada a função 𝑦 = 𝑓(𝑥) = 𝑥2 multiplique x dey f(x), por um fator c, de modo que c3e
3
1 c .
2) A origem grega da palavra assíntota significa “sem encontro”, o que mostra que os gráficos tendem a se aproximar, mas não encontrar suas assíntotas. Quais das seguintes funções têm gráficos que podem interseccionar suas assíntotas horizontais?
18 (a) 𝑓(𝑥) = 𝑥
𝑥2−1 (b)𝑔(𝑥) = 𝑥
𝑥2+1 (c)ℎ(𝑥) = 𝑥²
𝑥3+1
3) Qual função é contínua?
(a) O número de crianças inscritas em uma escola particular, como uma função do tempo;
(b) A temperatura externa como uma função do tempo.
(c) O custo para postar uma carta, como uma função do seu peso.
(d) O valor de uma ação, em função do tempo.
(e) O número de bebidas não alcóolicas vendidas, como função da temperatura externa.
4) Qual das funções é decrescente?
(a) A temperatura externa como função do tempo.
(b) A média do índice Dow Jones, como função do tempo.
(c) A pressão do ar na atmosfera terrestre, como uma função da altitude.
(d) A população mundial desde 1900, como função do tempo.
(e) A pressão da água no oceano, como função do tempo.
5) Determine se a função é limitada superiormente ou limitada inferiormente:
(a) 𝑦 = 32 (b) 𝑦 = 2𝑥 (c) 𝑦 = √1 − 𝑥² (d) 𝑦 = 2 − 𝑥2 (e) 𝑦 = 2−𝑥 (f) 𝑦 = 𝑥 −x³