CONSELHO DE MINISTROS PROPOSTA DE LEI N.º /IX/2017
DE DE
ASSUNTO: estabelece os princípios gerais para a realização de controlo oficial destinados a verificar o cumprimento dos requisitos que visam prevenir, eliminar ou reduzir para níveis aceitáveis os riscos para os seres humanos e para os animais.
EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS
Em Cabo Verde, a matéria relativa à realização do controlo oficial destinado a verificar o cumprimento dos requisitos de segurança e higiene dos géneros alimentícios e alimentos para animais é regulada essencialmente pelo Decreto-legislativo n.º 3/2009, de 15 de junho, que estabelece os princípios gerais para o controlo da segurança e qualidade dos géneros alimentícios e dos alimentos para animais, as responsabilidades que incumbem aos operadores do setor alimentar, bem como os procedimentos em caso de risco e pelo Decreto-lei n.º 25/2009, de 20 de julho, que estabelece as normas gerais de higiene a que estão sujeitos os géneros alimentícios e os alimentos para animais.
A experiência de aplicação desses diplomas permitiram identificar alguns constrangimentos, mormente no que se refere a delimitação das competências de intervenção das entidades com responsabilidade em matéria de controlo da segurança e qualidade dos géneros alimentícios e alimentos para animais, a articulação, as medidas preventivas a serem adotadas pelas autoridades competentes, por conseguinte, o quadro legal vigente merece ser atualizado, por forma a reforçar o controlo oficial através de criação de condições legais institucionais e técnicas de modo a garantir a aplicação da legislação relativa à segurança dos géneros alimentícios e alimentos para animais, as normas relativas à saúde e ao bem-estar dos animais, e bem assim verificar a observância dos requisitos relevantes das mesmas pelos operadores em todas as fases da produção, transformação e distribuição.
Foram ouvidos o Ministério da Saúde e da Solidariedade Social, a Direção Nacional de Energia, Indústria e Comércio, a Direção Nacional da Economia Marítima, o Instituto de Gestão da Qualidade e da Propriedade Intelectual, a Inspeção Geral das Atividades Económicas, a Agência Nacional de Água e Saneamento, a Direção Geral da Agricultura, Silvicultura e Pecuária, a Direção Nacional do Ambiente e os Representantes de Operadores Económicos e de Consumidores.
Assim,
Nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 203.º da Constituição, o Governo submete à Assembleia Nacional a seguinte Proposta de Lei:
CAPÍTULO I
OBJETO, ÂMBITO E DEFINIÇÕES Artigo 1.º
Objeto
1. O presente diploma estabelece os princípios e normas da legislação alimentar em Cabo Verde, bem como os princípios gerais para a realização de controlo oficial destinado a verificar o cumprimento dos requisitos que visam, em especial:
a) Prevenir, eliminar ou reduzir para níveis aceitáveis os riscos para os seres humanos e os animais, quer se apresentem ou não diretamente pelos géneros alimentícios e alimentos para animais;
b) Garantir práticas leais no comércio dos géneros alimentícios e alimentos para animais e defender os interesses dos consumidores, incluindo a rotulagem dos géneros alimentícios e alimentos para animais e outras formas de informação dos consumidores. 2. A realização de controlo oficial nos termos do presente diploma não afeta a responsabilidade legal dos operadores do setor alimentar e do setor dos alimentos para animais, nomeadamente garantir a segurança dos géneros alimentícios e alimentos para animais, nos termos previstos em diploma específico, nem a responsabilidade civil ou penal
decorrente do incumprimento das suas obrigações.
Artigo 2.º Âmbito
O presente diploma aplica-se a todas as atividades de controlo oficial realizadas pelas Autoridades Competentes que atuam no sector alimentar e do setor dos alimentos para animais.
Artigo 3.º Definições
alimentos para animais, no que se refere à sua higiene, segurança, e às responsabilidades dos operadores do setor alimentar, bem como:
a) Acompanhamento: a realização de uma sequência planeada de observações ou medições com vista a obter uma imagem de conjunto da situação no que respeita ao cumprimento da legislação no domínio dos géneros alimentícios ou dos alimentos para animais e das regras no domínio da saúde e do bem-estar dos animais;
b) Amostragem para efeitos de análise: a colheita de um género alimentício ou de um alimento para animais, ou de qualquer outra substância relevante para a produção, a transformação e a distribuição de géneros alimentícios ou de alimentos para animais ou para à saúde dos animais, para verificar, através de análise, o cumprimento da legislação em matéria de géneros alimentícios ou de alimentos para animais ou das normas relativas à saúde dos animais;
c) Análise dos riscos: processo constituído por 3 (três) componentes interligadas: avaliação de riscos, gestão de riscos e comunicação de riscos;
d) Apreensão oficial: o procedimento através do qual à autoridade competente assegura que os géneros alimentícios ou os alimentos para animais não sejam colocados no mercado, deslocados nem adulterados na pendência de uma decisão da autoridade competente sobre o seu destino; inclui a armazenagem pelos operadores das empresas do setor alimentar e dos alimentos para animais de acordo com as instruções da autoridade competente;
e) Auditoria: um exame sistemático e independente para determinar se as atividades e os respetivos resultados estão em conformidade com as disposições previstas e se estas disposições são aplicadas eficazmente e são adequadas para alcançar os objetivos;
f) Autoridade competente: a autoridade nacional designada com competência para organizar e realizar controlo oficial de géneros alimentícios ou alimentos para animais ou qualquer outra autoridade a quem tenha sido atribuída ou delegada essa competência; g) Avaliação de riscos: um processo de base científica constituído por 4 (quatro) etapas: identificação do perigo, caraterização do perigo, avaliação da exposição e caraterização do risco;
h) Certificação oficial: o procedimento através do qual a autoridade competente ou os organismos de controlo, autorizados a atuar para esse efeito, fornecem uma garantia escrita, eletrónica ou equivalente em matéria de cumprimento;
i) Comunicação dos riscos: o intercâmbio interativo, durante todo o processo de análise dos riscos, de informações e pareceres relativos a perigos e riscos, fatores relacionados com riscos e perceção do risco, entre avaliadores e gestores dos riscos, consumidores, empresas do setor alimentar e do setor dos alimentos para animais, a comunidade universitária e outras partes interessadas, incluindo a explicação dos resultados da avaliação dos riscos e da base das decisões de gestão dos riscos.
k) Equivalência: a capacidade de sistemas ou medidas diferentes de alcançarem os mesmos objetivos;
l) Equivalentes: sistemas ou medidas diferentes capazes de alcançarem os mesmos objetivos;
m) Gestão de riscos: o processo, diferente da avaliação dos riscos, que consiste em ponderar alternativas políticas, em consulta com as partes interessadas, tendo em conta a avaliação dos riscos e outros fatores legítimos e se necessário, selecionar opções apropriadas de prevenção e controlo;
n) Importação: a importação e a colocação de mercadorias sob regime aduaneiro, bem como a sua entrada numa zona franca ou num entreposto franco;
o) Incumprimento: não cumprimento da legislação em matéria de géneros alimentícios ou alimentos para animais e das normas para a proteção da saúde e do bem-estar dos animais;
p) Inspeção: o exame de quaisquer aspetos dos géneros alimentícios ou de alimentos para animais e da saúde e do bem-estar dos animais, a fim de verificar se esses aspetos cumprem os requisitos da legislação no domínio dos géneros alimentícios e alimentos para animais e as regras no domínio da saúde e do bem-estar dos animais;
q) Introdução de mercadorias: a introdução em livre prática de géneros alimentícios ou de alimentos para animais ou a intenção de introduzir esses géneros alimentícios ou de alimentos para animais em livre prática;
r) Laboratório oficial: laboratório designado pela autoridade competente para a realização de análises relativas ao controlo oficial;
s) Legislação alimentar: todas as disposições, regulamentares e administrativas que regem os géneros alimentícios em geral e a sua segurança, em particular, abrange todas as fases de produção, transformação e distribuição de géneros alimentícios, bem como de alimentos para animais;
t) Licenciamento sanitário: é o ato de aprovação sanitária pelo qual a autoridade competente verifica a conformidade do cumprimento das condições de higiene e segurança dos géneros alimentícios e alimentos para animais estipuladas na legislação em vigor e que culmina com a emissão de uma licença sanitária;
u) Organismo de controlo: entidade independente no qual a autoridade competente tenha delegado determinadas tarefas de controlo;
v) Plano ou programa de controlo: uma descrição feita pela autoridade competente, com informações sobre a estrutura e a organização do respetivo sistema de controlo oficial; w) Verificação: o controlo, mediante exame e ponderação de provas objetivas do cumprimento dos requisitos especificados;
CAPÍTULO II
OBJETIVOS E PRINCÍPIOS GERAIS DA LEGISLAÇÃO ALIMENTAR Artigo 4.º
Objetivos gerais
1. A legislação alimentar tem por objetivo garantir a proteção da vida e da saúde humana, a defesa dos interesses dos consumidores, incluindo as boas práticas no comércio de géneros alimentícios e alimentos para animais, prevenindo os riscos resultantes de géneros alimentícios impróprios para o consumo humano ou potencialmente perigosos para a saúde humana.
2. A legislação alimentar tem ainda por objetivo, sempre que adequado, à proteção da saúde e do bem-estar animal, a fitossanidade e o ambiente.
3. Ainda, a legislação alimentar tem como objetivo a proteção dos interesses dos consumidores e fornecer-lhes uma base para que façam escolhas com conhecimento de causa em relação aos géneros alimentícios que consomem, visando prevenir:
a) Práticas fraudulentas ou enganosa;
b) Adulteração de géneros alimentícios e alimentos para animais; e c) Quaisquer outras práticas que possam induzir em erro o consumidor.
Artigo 5.º
Contribuição para a harmonização de normas internacionais
1. Sempre que existam normas internacionais ou esteja eminente a sua aprovação, estas devem ser tidas em conta na formulação ou na adaptação da legislação alimentar nacional, exceto quando as referidas normas ou os seus elementos pertinentes constituírem meios ineficazes ou inadequados para o cumprimento dos objetivos legítimos da legislação alimentar ou quando houver uma justificação científica ou ainda quando puderem dar origem a um nível de proteção diferente do considerado adequado.
2. Sem prejuízo dos direitos e obrigações previstos em Acordos ou Convenções Internacionais de que Cabo Verde seja parte, compete às autoridades competentes:
a) Contribuir para a formulação de normas técnicas internacionais relativas aos géneros alimentícios e aos alimentos para animais, bem como de normas sanitárias e fitossanitárias;
c) Promover a coerência entre as normas técnicas internacionais e a legislação alimentar nacional;
e) Promover a coordenação dos trabalhos sobre normas relativas aos géneros alimentícios e aos alimentos para animais levados a cabo por organizações internacionais, governamentais e não-governamentais.
Artigo 6.º Análise dos riscos
1. A fim de alcançar o objetivo geral de garantir a proteção da vida e da saúde humana, à legislação alimentar baseia-se na análise dos riscos, exceto quando tal não for adequado às circunstâncias ou à natureza da medida.
2. A avaliação dos riscos baseia-se nas provas científicas disponíveis e é realizada de forma independente, objetiva e transparente.
3. A gestão dos riscos tem em conta os resultados da avaliação dos riscos e outros fatores legítimos para a matéria em consideração e o princípio da precaução, a fim de alcançar os objetivos gerais da legislação alimentar definidos no artigo 4.º.
Artigo 7.º Consulta pública
Durante a preparação, avaliação ou revisão da legislação alimentar é obrigatória a realização de uma consulta pública atendendo ao princípio da transparência, diretamente ou através de organismos representativos, salvo nos casos em que a urgência da questão não o permita.
CAPÍTULO III
AUTORIDADES COMPETENTES PARA A REALIZAÇÃO DO CONTROLO OFICIAL
Artigo 8.º
Autoridades competentes
Sem prejuízo das competências especialmente atribuídas por lei a outras autoridades, para efeitos do presente diploma são autoridades competentes as autoridades com jurisdição nas atividades do controlo oficial do setor alimentar, nomeadamente nos setores da saúde, da pecuária, da agricultura, das pescas, da inspeção das atividades económicas, da regulação alimentar, do comércio e indústria, incluindo os municípios no âmbito das suas respetivas competências.
Artigo 9.º
Delegação de competências a organismos de controlo
1. As autoridades competentes podem delegar competências específicas relacionadas com o controlo oficial no âmbito da sua jurisdição, num ou mais organismos de controlo, desde que:
b) Existirem provas de que o organismo de controlo:
i) Dispõe dos conhecimentos técnicos, de equipamentos e das infraestruturas necessárias para exercer as competências que nele sejam delegadas;
ii) Dispõe de pessoal com qualificações e experiência adequadas; e
iii) É imparcial e não tem quaisquer conflitos de interesses no que se refere ao exercício das competências que nele sejam delegadas.
2. As autoridades competentes auditam os organismos nos quais tenha delegado competências específicas no âmbito do exercício das competências atribuídas.
3. Caso se verifique, no âmbito da auditoria, que as competências delegadas não são exercidas devidamente, a autoridade competente pode revogar a delegação de competências em questão.
4. A revogação tem lugar imediatamente se o(s) organismo(s) de controlo não tomar(em) medidas corretivas adequadas e atempadas.
Artigo 10.º
Designação de laboratórios oficiais
1. A autoridade competente deve designar os laboratórios habilitados a efetuar a análise das amostras colhidas aquando da realização de controlo oficial.
2. Os laboratórios a que se refere o número anterior devem ser reconhecidos pelas autoridades competentes e/ou acreditados.
3. A entidade reguladora independente do setor alimentar define os métodos de análise laboratorial de referência para o controlo dos alimentos, tendo em conta as disposições internacionais.
4. A autoridade competente do setor da pecuária define os métodos de análise laboratorial de referência para o controlo dos alimentos para animais, tendo em conta as disposições internacionais.
5. A autoridade competente do setor das pescas define os métodos de análise laboratorial de referência para o controlo dos produtos das pescas, tendo em conta as disposições internacionais.
CAPÍTULO IV
PRINCÍPIOS DE ATUAÇÃO DAS AUTORIDADES COMPETENTES Artigo 11.º
Transparência e informação ao público
desse risco, adota as medidas adequadas para informar a população da natureza do risco para a saúde, identificando tanto quanto possível, o género alimentício ou o alimento para animais de que se trata, o risco que pode representar e as medidas tomadas ou a tomar para prevenir, reduzir ou eliminar esse risco.
2. As autoridades competentes devem assegurar que as atividades do controlo oficial sejam realizadas com alto nível de transparência, devendo para esse efeito, quando existirem motivos razoáveis para suspeitar que o género alimentício ao alimento para animal pode apresentar um risco para a saúde humana ou animal, pode facultar ao público com a possível brevidade as informações relevantes.
Artigo 12.º Sigilo
As autoridades competentes e o pessoal encarregue do controlo oficial não podem revelar informações a que tenha tido acesso na execução de controlos oficiais e que pela sua natureza, sejam abrangidas pelo sigilo profissional, nomeadamente:
a) A confidencialidade de processos de investigação preliminar ou de processos judiciais em curso;
b) Dados pessoais;
c) As informações protegidas pela legislação, nomeadamente, o sigilo profissional, a confidencialidade das deliberações relativa a relações internacionais e à defesa nacional.
Artigo 13.º
Pessoal encarregue do controlo oficial
As autoridades competentes devem garantir que todo o seu pessoal encarregue do controlo oficial:
a) Tenha, na respetiva esfera de competência, uma formação adequada que lhe permita exercer as suas funções com competência e efetuar controlo oficial, nomeadamente em áreas referidas no anexo à presente Lei, da qual faz parte integrante;
b) Se mantenha atualizado na sua esfera de competência e se necessário, receba regularmente formação suplementar;
c) Não tenha quaisquer conflitos de interesses.
CAPÍTULO V CONTROLO OFICIAL
Artigo 14.º
Princípios aplicáveis ao controlo oficial
segurança dos géneros alimentícios e alimentos para animais, estabelecidos em diploma específico.
2. A natureza e a frequência de controlo oficial devem depender do risco estimado, para o efeito, à autoridade competente deve avaliar periodicamente:
a) Os riscos identificados associados aos animais, aos alimentos para animais ou aos géneros alimentícios, às empresas do setor dos alimentos para animais ou do setor alimentar, à utilização de alimentos para animais ou de géneros alimentícios ou a qualquer processo, material, substância, atividade ou operação que possa influenciar a segurança dos alimentos para animais ou dos géneros alimentícios ou a saúde e o bem-estar dos animais;
b) O tipo e a capacidade de produção dos processos realizados pelas empresas do setor alimentar e do setor de alimentos para animais;
c) Os antecedentes dos operadores das empresas do setor alimentar ou do setor dos alimentos para animais no que toca ao cumprimento da legislação em matéria de géneros alimentícios ou alimentos para animais ou das normas em matéria de saúde e o bem-estar dos animais;
d) A fiabilidade de quaisquer autocontrolos que já tenham sido realizados; e) Qualquer informação que possa indiciar um incumprimento.
3. O controlo oficial deve ser efetuado sem aviso prévio, exceto em casos como as auditorias, em que é necessária a notificação prévia do operador da empresa do setor alimentar ou do setor dos alimentos para animais, podendo, também, ser efetuados numa base ad hoc.
4. Sempre que um processo relativo ao controlo oficial seja abrangido pela jurisdição de diversas autoridades competentes, ou unidades diferentes de uma mesma autoridade competente deve ser garantida a coordenação e cooperação eficientes e eficazes entre os diferentes intervenientes, nomeadamente pela definição e planificação da intervenção de cada uma das entidades.
5. O controlo oficial é efetuado em conformidade com procedimentos documentados.
Artigo 15.º
Abrangência do controlo oficial
1. O controlo oficial deve ser efetuado em qualquer fase da produção, transformação e distribuição dos géneros alimentícios e alimentos para animais, incluindo o transporte dos géneros alimentícios e de alimentos para animais, bem como dos animais vivos.
2. O controlo oficial deve abranger as importações e exportações de géneros alimentícios, de alimentos para animais, animais.
Artigo 16.º
Tarefas do controlo oficial
vigilância, a verificação, a auditoria, a inspeção, a amostragem e a análise incluindo nomeadamente, as seguintes atividades:
a) Exame de todos os sistemas de controlo postos em prática por operadores de empresas do setor alimentar e dos alimentos para animais, assim como dos resultados obtidos; b) Inspeção de:
i. Instalações dos produtores primários, empresas do setor alimentar e dos alimentos para animais, incluindo zonas circundantes, instalações, escritórios, equipamento e máquinas, transportes, bem como géneros alimentícios e alimentos para animais; ii. Matérias-primas, ingredientes, auxiliares tecnológicos e outros produtos utilizados
na preparação e produção de géneros alimentícios e alimentos para animais; iii. Produtos semiacabados;
iv. Materiais e artigos destinados a entrar em contacto com géneros alimentícios; v. Produtos e processos de limpeza e de manutenção, assim como pesticidas; vi. Rotulagem, apresentação e publicidade.
c) Controlo da conceção, manutenção e higiene das instalações e do equipamento dos estabelecimentos do setor alimentar e do setor dos alimentos para animais;
d) Avaliação dos procedimentos em matéria de boas práticas de fabrico (BPF), de boas práticas de higiene (BPH), de boas práticas agrícolas (BPA) e de aplicação do Sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controlo (HACCP, em inglês para a Hazard Analysis and Critical Control Point), nomeadamente:
i.Verificação das informações relativas à cadeia alimentar; ii.Higiene das operações, antes, durante e após a sua realização; iii. Higiene do pessoal;
iv.Formação em matéria de higiene e métodos de trabalho; v.Luta antiparasitária;
vi.Controlo de Pragas; vii.Qualidade da água; viii. Controlo da temperatura;
ix.Controlo dos alimentos que entram e saem do estabelecimento e de toda a documentação que os acompanha;
x.Observância dos critérios microbiológicos aplicáveis;
xi.Observância das normas relativas a resíduos, contaminantes e substâncias proibidas; e
e) Exame de documentos escritos e outros registos que possam ser relevantes para a avaliação do cumprimento da legislação em matéria de géneros alimentícios e de alimentos para animais;
f) Entrevistas com operadores de empresas do setor alimentar e do setor dos alimentos para animais e respetivo pessoal;
g) Leitura de valores registados pelos instrumentos de medição utilizados pelas empresas; h) Controlos realizados com os instrumentos da autoridade competente para verificar as
medições efetuadas pelas empresas do setor alimentar ou do setor dos alimentos para animais;
i) Colheita de amostras para análise laboratorial, sempre que necessário; j) Testes de desempenho, a fim de avaliar o desempenho do pessoal;
k) Quaisquer funções específicas de verificação ou outra atividade necessária para assegurar o cumprimento dos objetivos do presente diploma ou estabelecidos em outros diplomas específicos que regulem esta matéria.
Artigo 17.º
Controlo na importação
1. Os géneros alimentícios e os alimentos para animais importados para serem colocados no mercado devem cumprir os requisitos relevantes da legislação alimentar nacional ou as condições reconhecidas como sendo pelo menos equivalentes ou ainda, caso exista um acordo específico com o país exportador, os requisitos previstos nesse acordo.
2. Os géneros alimentícios e os alimentos para animais importados estão sujeitos ao controlo oficial regular em vigor no território nacional.
3. Quaisquer resultados satisfatórios dos controlos de mercadoria à importação, incluindo as colocadas sob regime aduaneiro ou destinadas a ser manuseadas em zonas francas ou em entrepostos francos, não isentam os operadores das empresas do setor alimentar e dos alimentos para animais da obrigação de assegurarem que os géneros alimentícios e os alimentos para animais cumpram os requisitos da legislação em vigor, a partir da sua colocação em livre prática, nem tão pouco impedem que os mesmos sejam sujeitos a um novo controlo oficial.
4. Em caso de suspeita de incumprimento ou de dúvidas quanto à identidade ou ao destino real da remessa, ou à correspondência entre a remessa e as respetivas garantias certificadas, a autoridade competente deve efetuar controlos oficiais por forma a confirmar ou eliminar a suspeita ou as dúvidas.
5. A autoridade competente deve reter oficialmente a remessa a que se refere o número anterior, até obter os resultados desses controlos oficiais.
7. Sempre que houver suspeitas que um género alimentício ou alimento para animal represente risco para a saúde pública, a autoridade competente, pode tomar medidas de precaução, para impedir a introdução desse produto no mercado.
Artigo 18.º
Planos setoriais de controlo oficial
1. As autoridades competentes propõem, no âmbito das suas atribuições, planos anuais sectoriais e respetivos procedimentos de controlo oficial.
2. Os planos são elaborados com fundamento na avaliação de risco e decididos de acordo com os critérios de gestão de risco aplicáveis, devendo prever:
a) Identificação da autoridade competente para coordenação do plano e relações entre as autoridades competentes e as autoridades em que estas tenham delegado tarefas de realização de controlos oficiais;
b) Relações entre as autoridades competentes e os organismos de controlo em que estas tenham delegado tarefas relacionadas com o controlo oficial;
c) Declaração relativa aos objetivos a alcançar; d) Funções, responsabilidades e deveres do pessoal;
e) Procedimentos de amostragem, métodos e técnicas de controlo, interpretação dos resultados e decisões daí decorrentes;
f) Previsão das medidas corretivas sempre que necessário; g) Programas de acompanhamento e vigilância;
h) Verificação da adequação dos métodos de amostragem, dos métodos de análise e dos testes de deteção
i) Mensuração da eficácia do exercício do plano de controlo oficial;
j) Quaisquer outras atividades ou informações necessárias para o funcionamento eficaz dos controlos oficiais; e
k) Revisão do plano, considerando os resultados alcançados e a experiência adquirida.
Artigo 19.º
Sistema Nacional de Controlo de Alimentos 1. É instituído o Sistema Nacional de Controlo de Alimentos.
2. O Sistema Nacional de Controlo de Alimentos é constituído por todos os serviços que têm como atribuições gerais e/ou sectoriais velar pelo cumprimento das leis, regulamentos, instruções, despachos e demais normas sobre o controlo da segurança sanitária e qualidade dos alimentos, organizando a prevenção das respetivas infrações.
4. As autoridades competentes, sob a coordenação do órgão central do Sistema Nacional de Controlo de Alimentos, devem elaborar e executar Plano nacional de controlo oficial plurianual integrado.
5. As atribuições e competências, a organização e o funcionamento do Sistema Nacional de Controlo de Alimentos são estabelecidos por legislação específica.
Artigo 20.º
Plano nacional de controlo oficial plurianual integrado
1. As autoridades competentes, em sede do Sistema Nacional de Controlo de Alimentos, agregam os planos sectoriais, por forma a obter um plano nacional de controlo plurianual integrado, que comporta os controlos relativos às cadeias alimentares dos géneros alimentícios e alimentos para animais, incluindo a saúde animal.
2. O plano nacional de controlo oficial plurianual integrado integra informações gerais sobre a estrutura e a organização dos sistemas de controlo dos géneros alimentícios e dos alimentos para animais e da saúde dos animais.
3. O plano nacional de controlo plurianual integrado deve conter:
a) Os objetivos estratégicos e a forma como estes se refletem na atribuição de prioridades aos controlos e na afetação de recursos;
b) Identificação da autoridade competente para coordenação do plano e relações entre as autoridades competentes e as autoridades em que estas tenham delegado tarefas de realização de controlos oficiais;
c) A classificação dos riscos das atividades em questão;
d) A designação das autoridades competentes e respetivas funções a nível central e local, bem como os recursos de que dispõem;
e) A organização e a gestão gerais dos controlos oficiais a nível central e local, incluindo os controlos oficiais nos diferentes estabelecimentos;
f) Os sistemas de controlo aplicados nos vários setores e a coordenação entre os diversos serviços das autoridades competentes responsáveis pelo controlo oficial nesses setores; g) Os planos sectoriais de controlo oficial e a forma e frequência de execução;
h) A formação do pessoal encarregue do controlo oficial;
i) Os procedimentos documentados relativos aos planos sectoriais;
j) A organização e o funcionamento de planos de emergência em caso de doenças animais ou de origem alimentar, de incidentes de contaminação de géneros alimentícios e de alimentos para animais e de outros riscos para a saúde humana;
k) A organização da cooperação entre autoridades competentes.
a) Nova legislação;
b) Surgimento de novas doenças ou de outros riscos para a saúde;
c) Alterações significativas na estrutura, na gestão ou no funcionamento das autoridades competentes nacionais;
d) Resultados dos controlos oficiais; e) Descobertas científicas;
f) Resultados das auditorias a organismos de controlo.
Artigo 21º
Guia de boas práticas e adequação do HACCP
1. De forma a possibilitar ou facilitar a aplicação de processos baseados nos princípios do HACCP a autoridade competente pode emanar normas relativas à sua aplicação e promover a elaboração de guias de boas práticas, de aplicação voluntária, adequadas às atividades dos operadores dos géneros alimentícios.
2. A autoridade competente aprova guias de boas práticas para servirem de orientação aos operadores económicos do setor alimentar e dos alimentos para animais, propostos por entidades representativas dos setores e caso não existam, pelos operadores, no prazo máximo de 60 (sessenta) dias.
3. O prazo referido no número anterior é interrompido sempre que for solicitado ao proponente algum esclarecimento ou alguma alteração.
4. A avaliação dos guias de boas práticas deve ter em consideração:
a) A adequação do seu teor de forma a que possam ser aplicados na prática pelos operadores dos setores a que se destinam;
b) Os códigos do Codex Alimentarius e de outras entidades internacionais no domínio. 5. Sem prejuízo de quaisquer outras formas de divulgação, a autoridade competente edita e mantém atualizada no respetivo portal na internet uma lista de onde constem os guias de boas práticas.
Artigo 22.º
Controlos oficiais específicos
1. Para além das medidas de controlo oficial constantes do presente diploma, podem ser determinadas regras de controlos específicas de carácter eminentemente técnico, nomeadamente para o setor da carne, do leite e produtos lácteos e de outros géneros alimentícios.
animais vivos e a exportação, para garantir a segurança sanitária de alimentos, nomeadamente sobre os critérios microbiológicos, os suplementos alimentares, os aditivos, os coadjuvantes, os conservantes, entre outros.
Artigo 23.º Certificação oficial
1. As autoridades competentes, em funções das suas competências, podem emitir certificado oficial sempre que tal seja requerido, nomeadamente:
a) Por determinação legal;
b) No caso de exportação, por exigência do país de destino da mercadoria; c) Qualquer outra circunstância do interesse do operador.
2. A certificação deve ser emitida pela autoridade com competência no controlo oficial das atividades, processos e produtos a certificar ou na entidade na qual esta tenha delegado funções de controlo ou certificação.
3. O ato de certificação deve assegurar que:
a)Existe uma relação entre o certificado e a remessa;
b)As informações constantes do certificado são exatas e verdadeiras.
4. Se for caso disso, devem ser combinados num modelo único de certificado os requisitos relativos à certificação oficial dos géneros alimentícios e dos alimentos para animais e outros requisitos de certificação oficial.
5. Sem prejuízo dos requisitos relativos à certificação oficial adotados para fins de saúde animal ou de bem-estar dos animais, podem ser adotados requisitos relativos:
a) Às condições em que é exigida a certificação oficial; b) Aos modelos de certificados;
c) Às qualificações dos responsáveis pela certificação;
d) Aos princípios a respeitar para garantir a fiabilidade da certificação, incluindo a certificação eletrónica;
e) Aos procedimentos a seguir no caso de retirada de certificados e relativamente aos certificados de substituição;
f) Às remessas que são divididas em remessas de tamanho inferior ou que são misturadas com outras remessas;
Artigo 24.º
Medidas em caso de incumprimento
1. Sempre que a autoridade competente identifique um incumprimento, deve determinar medidas a serem levadas acabo pelo operador, com vista a correção da situação conforme a legislação.
2. Ao decidir da ação a empreender, a autoridade competente tem em conta a natureza do incumprimento, o potencial risco para a saúde, e os antecedentes do operador no tocante ao incumprimento.
3. Essa ação deve incluir, se for caso disso, as seguintes medidas:
a) Imposição de procedimentos sanitários ou de quaisquer outras medidas consideradas necessárias para garantir a segurança dos géneros alimentícios e alimentos para animais ou o cumprimento da legislação em matéria de géneros alimentícios ou de alimentos para animais e das normas relativas à saúde dos animais;
b) Apreensão oficial de bens e mercadorias;
c) Restrição ou proibição da colocação no mercado, da importação ou da exportação de géneros alimentícios, de alimentos para animais, ou de animais;
d) Acompanhamento e se necessário, imposição da recolha, retirada e destruição dos géneros alimentícios e dos alimentos para animais;
e) Autorização de utilização dos géneros alimentícios e dos alimentos para animais para fins diferentes daqueles a que inicialmente se destinavam;
f) Suspensão do funcionamento ou encerramento da totalidade ou de parte do estabelecimento em questão durante um período adequado;
g) Suspensão ou retirada da licença sanitária concedida ao estabelecimento; e h) Quaisquer outras medidas consideradas adequadas pela autoridade competente.
4. Todas as despesas incorridas por força do presente artigo são suportadas pelos operadores responsáveis das empresas do setor alimentar ou dos alimentos para animais.
Artigo 25.º Princípio da precaução
1. Nos casos específicos em que, na sequência de uma avaliação das informações disponíveis, se identifique uma possibilidade de efeitos nocivos para a saúde, mas persistam incertezas a nível científico, podem as autoridades competentes adotar as medidas provisórias de gestão dos riscos necessárias para assegurar o elevado nível de proteção da saúde, enquanto se aguardam outras informações científicas que permitam uma avaliação mais exaustiva dos riscos.
3. Tais medidas devem ser reexaminadas dentro de um prazo razoável, consoante a natureza do risco para a vida ou a saúde e o tipo de informação científica necessária para clarificar a incerteza científica e proceder a uma avaliação mais exaustiva do risco.
CAPÍTULO VI
SISTEMA DE ALERTA RÁPIDO, GESTÃO DE CRISES E SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA
Secção I
Sistema de Alerta Rápido Artigo 26.º
Criação
É estabelecido um sistema de alerta rápido em rede para a notificação de riscos diretos ou indiretos para a saúde humana, ligados a géneros alimentícios ou a alimentos para animais.
Artigo 27.º Regulamentação
A composição, as atribuições e competências, bem como a organização e funcionamento do sistema de alerta rápido é objeto de regulamento específico.
Artigo 28.º Confidencialidade
1. As informações de que disponham os membros da rede acerca de um risco para a saúde humana ligado a géneros alimentícios ou a alimentos para animais, são colocadas à disposição da população, tendo em conta os princípios previstos no artigo 11.º.
2. As informações abrangidas pelo segredo profissional não são divulgadas, exceto se as circunstâncias assim o exigirem, com o fito de defender a saúde pública.
Secção II
Situações de emergência Artigo 29.º
Medidas de emergência
Sempre que for evidente que um género alimentício ou um alimento para animais de origem nacional ou proveniente de um país terceiro é suscetível de constituir um risco para a saúde humana, a saúde animal ou o ambiente, e que esse risco não pode ser dominado de maneira satisfatória através das medidas previstas neste diploma e outras disposições específicas, as autoridades competentes adotam imediatamente, em função da gravidade da situação, uma das seguintes medidas:
a) No caso de géneros alimentícios ou de alimentos para animais de origem nacional: i. Suspensão da colocação no mercado ou da utilização do género alimentício; ii. Suspensão da colocação no mercado do alimento para animais em questão;
iii. Estabelecimento de condições especiais relativamente ao género alimentício ou ao alimento para animais em questão; e
iv) Qualquer outra medida adequada.
b) No caso de géneros alimentícios ou de alimentos para animais importados de países terceiros:
i. Suspensão das importações do género alimentício ou do alimento para animais em questão provenientes da totalidade ou parte do território do país terceiro em causa e se for caso disso, do país terceiro de trânsito;
ii. Estabelecimento de condições especiais relativamente ao género alimentício ou ao alimento para animais em questão proveniente da totalidade ou parte do território do país terceiro em causa; e
iii.Qualquer outra medida adequada.
Secção III Gestão de crises
Artigo 30.º
Plano geral de gestão de crises
1. A entidade reguladora independente do setor alimentar elabora, em estreita cooperação com os Ministérios que tutelam os setores da agricultura, das pescas e da saúde, os Municípios e outras entidades públicas, um plano geral de gestão de crises no domínio da segurança dos géneros alimentícios e dos alimentos para animais, a seguir designado “plano geral”.
disposições em vigor ou que não podem ser devidamente geridos unicamente pelas disposições constantes do artigo anterior.
3. O plano geral deve especificar ainda as modalidades práticas necessárias para a gestão de uma crise, incluindo os princípios da transparência a aplicar e uma estratégia de comunicação.
Artigo 31.º Unidade de crise
1. O plano geral deve prever a criação de uma unidade de crise responsável pela recolha avaliação de todas as informações pertinentes, bem como pela identificação das possibilidades existentes de prevenir, eliminar ou reduzir para um nível aceitável o risco para a saúde humana, com a maior eficácia e rapidez possíveis.
2. A unidade de crise pode solicitar a assistência de qualquer entidade pública ou privada, cujos conhecimentos e experiência considere necessários para a gestão da situação de crise. 3. A unidade de crise deve manter a população informada dos riscos envolvidos e das medidas adotadas.
CAPÍTULO VII
REGISTO SANITÁRIO E LICENCIAMENTO SANITÁRIO Artigo 32.º
Registo sanitário dos estabelecimentos da produção primária
1. As autoridades competentes dos setores das pescas, dos setores da agricultura e pecuária procedem ao registo sanitário dos estabelecimentos da produção primária abrangidos pelo diploma que estabelece os requisitos gerais aplicáveis aos géneros alimentícios e alimentos para animais, no que se refere à sua higiene e segurança, e às responsabilidades dos operadores do setor alimentar, sem prejuízo de legislação específica.
2. As autoridades competentes referidas no número anterior devem manter listas atualizadas dos registos realizados e facultá-las às restantes autoridades competentes em matéria de controlo oficial dos géneros alimentícios e alimentos para animais, animais e seus produtos.
Artigo 33.º
Registo sanitário de estabelecimentos do setor alimentar
1. As autoridades competentes em matéria de registo sanitário dos estabelecimentos do sector alimentar e de alimentos para animais procedem ao registo sanitário desses estabelecimentos, devendo manter listas atualizadas dos registos realizados e faculta-las às restantes autoridades competentes em matéria de controlo oficial dos géneros alimentícios e alimentos para animais.
2. Os procedimentos de registo sanitários são definidos pelas autoridades competentes em diplomas próprios.
abrangidos pelas disposições do diploma que estabelece os requisitos aplicáveis aos géneros alimentícios e alimentos para animais, no que se refere à sua higiene e segurança, e às responsabilidades dos operadores do setor alimentar e alimentos para animais.
4. Sem prejuízo do dever de sigilo, as listas referidas no número anterior podem ser divulgadas no portal da internet da referida autoridade competente de registo ou licenciamento.
Artigo 34.º
Licenciamento sanitário
1. O licenciamento sanitário dos estabelecimentos do setor alimentar e alimentos para animais é realizado pela entidade reguladora independente do sector alimentar e pelas autoridades competentes dos setores da pecuária, da agricultura e das pescas, no âmbito das suas competências e nos termos definidos nos respetivos regulamentos.
2. O licenciamento sanitário constitui um pré-requisito para a emissão da licença comercial ou industrial dos estabelecimentos do setor alimentar, nos termos dos regulamentos referidos no número anterior.
CAPÍTULO VIII REGIMES ESPECIAIS
Artigo 35.º
Produtos tradicionais e pequenas quantidades
1. Mediante proposta das autoridades competentes, a entidade reguladora independente do setor alimentar pode conceder regimes especiais referente às disposições do diploma que estabelece os princípios gerais e normas que regem os géneros alimentícios e alimentos para animais, no que se refere à sua higiene e segurança, nomeadamente no que respeita à admissibilidade dos produtos e métodos de produção tradicionais, com fundamento na avaliação do risco que as respetivas práticas de produção possam ter nos géneros alimentícios. 2. Para o efeito, as autoridades competentes elaboram a lista de produtos tradicionais ou métodos de produção tradicionais.
3. Mediante proposta das autoridades competentes, a entidade reguladora independente do setor alimentar pode conceder regimes especiais às disposições relativas ao controlo microbiológico implementado pelos operadores de forma a adaptar a amostragem à dimensão das empresas abrangidas, com fundamento na avaliação do risco que essa adequação possa nos géneros alimentícios ou alimentos para animais.
Artigo 36.º
Produção doméstica para uso doméstico
que demonstre o impacto que o consumo ou utilização de géneros alimentícios possam ter para a saúde. CAPÍTULO IX DISPOSIÇÕES FINAIS Artigo 37.º Entrada em vigor
O presente diploma entra em vigor 180 (cento e oitenta) dias a contar da data da sua publicação.
Aprovada em Conselho de Ministros do dia 16 de fevereiro de 2017.
O Primeiro-ministro,
José Ulisses de pina Correia e Silva
O Ministro dos Assuntos Parlamentares e da Presidência do Conselho de Ministros,
ANEXO
[A que se refere a alínea a) do artigo 13.º]
ÁREAS DE FORMAÇÃO DO PESSOAL ENCARREGUE DO CONTROLO OFICIAL O pessoal técnico da autoridade competente para a realização do controlo oficial, deve possuir um nível de formação de caráter técnico, que lhe permita assegurar o exercício das suas tarefas com um nível adequado de competência técnica. Para o efeito, é necessário que tenha formação numa das seguintes áreas:
a) Técnicas de Inspeção; b) Auditoria;
c) Amostragem;
d) Procedimentos de controlo;
e) Legislação em matéria de géneros alimentícios e alimentos para animais;
f) Diferentes fases da produção, da transformação e da distribuição, e riscos potenciais para a saúde humana e, se for caso disso, a saúde dos animais, a fitossanidade e o ambiente;
g) Avaliação do incumprimento da legislação em matéria de géneros alimentícios e de alimentos para animais;
h) Perigos relacionados com a produção de géneros alimentícios, produção animal e produção de alimentos para animais;
i) Avaliação da aplicação do HACCP;
j) Sistemas de gestão, como os programas de garantia da qualidade aplicados pelas empresas do setor dos alimentos para animais e do setor alimentar e respetiva avaliação, na medida em que sejam úteis para o cumprimento dos requisitos da legislação em matéria de alimentos para animais ou de géneros alimentícios;
k) Sistemas de certificação oficial;
l) Disposições de intervenção em caso de emergência; m) Implicações e procedimentos jurídicos do controlo oficial;
n) Exame de documentos escritos e outros registos, incluindo os relativos aos testes de aptidão, à acreditação e à avaliação dos riscos, que possam ser relevantes para a avaliação do cumprimento da legislação em matéria de alimentos para animais e de géneros alimentícios, podendo incluir aspetos financeiros e comerciais;
o) Microbiologia alimentar;
p) Tecnologias comuns de processamento e transformação de alimentos; q) Análise de risco;
r) Interpretação de boletins analíticos;