Índice
Pág.
Índice ... 1
Simbologia utilizada ao longo do módulo ... 5
Objectivos gerais ... 7
1. Osteo-artrologia... 9
Noções gerais ... 9
Os ossos ... 10
As articulações... 13
Articulações imóveis ou assinoviais ... 13
Articulações semi-móveis... 13
Articulações móveis ou sinoviais ... 13
Superfícies articulares ... 14 Cartilagem articular... 15 Meios de união ... 15 Membrana sinovial... 17 Líquido sinovial... 18 Meios de correcção ... 18 Movimentos articulares ... 19 2.Osteo-artrologia da cabeça... 22 Ossos do crânio ... 22 Ossos ímpares ... 22 Ossos pares... 23 Ossos da face ... 23 Ossos ímpares ... 23 Ossos pares... 24
3. Osteo-artrologia da coluna vertebral... 24
Características próprias das vértebras de cada região... 26
Características próprias a algumas vértebras... 29
Artrologia da coluna vertebral... 31
Articulações comuns à maioria das vértebras ... 31
Articulações das apófises articulares ... 33
Articulações próprias de algumas vértebras... 34
Articulações entre a coluna vertebral e a cabeça ... 37
4. Osteo-artrologia do tórax ... 40 Artrologia do tórax ... 42 Mecanismo articular ... 43 5.Osteo-artrologia da bacia... 44 Artrologia da bacia ... 45 Exercício ... 48
6.Osteo-artrologia do membro inferior ... 50
Osteologia da coxa... 50
Artrologia da anca ... 51
Osteologia da perna ... 52
Artrologia do joelho e da perna... 52
Osteologia do pé ... 55
Artrologia do tornozelo e do pé ... 56
7.Osteo-artrologia do Membro Superior... 58
Osteologia da cintura escapular ... 58
Artrologia da espádua ... 59
Osteologia do braço ... 60
Artrologia do ombro... 60
Osteologia do antebraço ... 61
Artrologia do cotovelo e do antebraço ... 62
Osteologia da mão ... 65
Artrologia do punho e da mão ... 67
Resumo ... 73
Bibliografia ... 76
Sites de interesse ... 77
Simbologia utilizada ao longo do módulo
Atenção / Reter
Definição / Informação Adicional
Estudar com atenção
Exercício
Teste de Avaliação
Bibliografia
Sites de Interesse
Objectivos gerais
• Identificar a constituição do osso e classificá-lo relativamente às suas dimensões;
• Reconhecer e indicar os constituintes de uma articulação, relacionando-os com o tipo de mobilidade articular;
• Definir os movimentos articulares e orientá-los segundo conceitos próprios;
• Identificar a constituição do esqueleto, por regiões, conseguindo indicar os consti-tuintes de cada segmento articular;
• Reconhecer os acidentes anatómicos ósseos e a sua orientação, uma vez que per-mitem interpretar com maior precisão a localização e o posicionamento do osso;
• Indicar os movimentos articulares de cada articulação com base na sua constitui-ção.
1.
Osteo-artrologia
O esqueleto é formado por 206 ossos que correspondem às estruturas mais resistentes e flexíveis que suportam o nosso corpo. Podemos dividi-lo em axial e apendicular: o esqueleto axial é formado pela cabeça – crânio e face – e, pelo tronco – coluna vertebral, caixa torácica e bacia; o esqueleto apendicular é composto pelo membro superior – cintura escapular, braço, antebraço e mão – e, pelo mem-bro inferior – coxa, perna e pé.
O esqueleto é composto de ossos e cartilagens que, mantêm a sua estrutura, protegem os órgãos internos, servem de ponto de apoio aos músculos, armazenam sais minerais e produzem células sanguí-neas.
Noções gerais
Antes de se abordar as articulações torna-se necessário definir alguns princípios básicos para o seu estudo anatómico e morfológico. Três noções fundamentais são requeridas: a posição descritiva anatómica, os planos descritivos e um conjunto de termos direccionais.
A descrição de qualquer órgão ou região do corpo humano é feita de acordo com uma posição de referência – a posição descriti-va anatómica – para que os termos direccionais sejam claros e pos-sam ter correspondência correcta. Nesta posição o indivíduo encon-tra-se de pé olhando o observador, com os membros superiores ao longo do corpo e com as palmas das mãos viradas para a frente (em supinação), as pernas em extensão e os pés ligeiramente afas-tados.
Além da posição de referencia, consideram-se planos descri-tivos ou de orientação do corpo humano no espaço.
Fig . 1 Esqueleto Humano
Plano sagital – é também um plano vertical que passa pelo meio da coluna vertebral dividindo o corpo em duas metades, direita e esquerda.
Plano horizontal – é um plano paralelo ao solo que passa pela zona do umbigo e divide o corpo numa porção superior e noutra inferior.
Para uma explicação exacta da localização das estruturas no corpo e da sua posição umas em relação às outras, utilizam-se um conjunto de termos direccionais precisos, que evitam descrições exaustivas ou pouco objectivas.
Superior (cefálico) – próximo da cabeça ou a parte de cima de uma estrutura.• Inferior (caudal) – afastado da cabeça ou a parte de baixo de uma estrutura.
• Anterior (ventral) – na parte da frente do corpo ou de uma estrutura.
• Posterior (dorsal) – na parte de trás do corpo ou de uma estrutura.
• Interno – próximo do plano sagital.
• Externo – afastado do plano sagital.
• Proximal – próximo da união de um membro ao tronco; próximo do ponto de origem.
• Distal – afastado da união de um membro ao tronco; afastado do ponto de origem.
• Exterior – diz-se da superfície que está fora.
• Interior – diz-se da superfície que está dentro.
Os ossos
Os ossos são tecido ósseo constituído por células ósseas separadas por uma matriz na qual se considera uma parte inorgânica ou mineral (60-70%) e uma parte orgânica (30-40%). A dureza carac-terística deste tecido bem como a resistência à compressão e à tensão derivam da sua composição química. Enquanto os sais de cálcio conferem resistência à compressão, as fibras de colagénio encon-tram-se preparadas para resistir à tensão.
Os ossos são classificados segundo a sua morfologia em ossos longos, curtos, chatos e irregula-res. Esta classificação assenta na preponderância relativa de cada uma das dimensões do osso –
com-primento, largura e espessura. Assim temos:
• Ossos longos – o comprimento predomina sobre a largura e a espessura. Apresentam uma parte média, o corpo ou diáfise e, duas extremidades, a epífise superior e inferior.
São considerados ossos longos a maioria dos ossos dos membros, como o fémur e o úmero, assim como os metacarpos, metatarsos e as falanges que, embora sejam ossos de pequenas dimen-sões, têm uma forma alongada.• Ossos chatos – o comprimento e a largura predominam sobre a espessura, são finos e usualmen-te curvos.
Encontram-se a revestir cavidades protegendo os órgãos vitais nelas contidos. Constituem exem-plos, os ossos da cavidade craniana, a omoplata e o ilíaco.Fig . 3 Ossos Longos (Úmero, Rádio, Cúbito) Fig . 4 Osso Chato - Omoplata
• Ossos curtos – as três dimensões são sensivelmente equivalentes e apresentam uma forma mais ou menos cubóide.
São exemplos os ossos que entram na constituição do carpo e do tarso.• Ossos irregulares – estes apresentam as três dimensões mas de forma irregular.
Fig . 5 Ossos Curtos - Tarso Fig . 6 Ossos irregulares - Etmóide
Os ossos apresentam bordos, faces e, alguns deles, ângulos, que permitem uma melhor com-preensão e descrição da sua morfologia óssea.
Existem dois tipos básicos de tecido ósseo, compacto ou cortical e esponjoso ou trabecular, que se distribuem em proporções diferentes nos três tipos de ossos. O osso compacto apresenta uma zona densa que aparenta ser macia e homogénea e o osso esponjoso, apresenta zonas com cavidades comunicantes entre si fazendo lembrar uma esponja. O osso esponjoso é constituído por lamelas ou placas ósseas – trabéculas – que contactam entre si em alguns pontos constituindo um sistema de pequenas cavidades.
As cavidades do tecido ósseo esponjoso e os canais dos ossos longos – osso compacto – são ocupadas por uma substância mole e polposa – a medula óssea. Distinguem-se duas variedades de medula óssea: a medula óssea vermelha e a medula óssea amarela. A medula óssea vermelha consiste numa rede de fibras reticulares que suportam uma massa de células precursoras dos elementos figura-dos do sangue (linfócitos e glóbulos vermelhos) e um sistema de vasos sanguíneos.
Com o avançar da idade, a medula dos ossos longos periféricos torna-se menos activa, embora persista em alguns locais (cabeça do fémur, vértebras, costelas, esterno e ossos do crânio), sendo subs-tituída progressivamente por tecido adiposo – a medula óssea amarela. Esta preenche a quase totalida-de das cavidatotalida-des ósseas do adulto, sobretudo o canal medular, tornando mais leves os ossos longos.
As articulações
Os ossos encontram-se unidos entre si através de um conjunto de tecidos moles característicos designando-se por articulação, a zona de contacto entre dois ou mais ossos. Além dos constituintes articulares que são próprios de cada grupo de articulações, o grau de união entre os ossos é variável.
A classificação geral dos diferentes tipos de articulação faz-se de acordo com o grau de mobili-dade que cada tipo permite, considerando-se três grupos:
Articulações imóveis ou assinoviais
A união entre os ossos faz-se através de bordos e não por superfícies ósseas. Existem dois tipos de articulações imóveis, as suturas e as sincondroses. As suturas apresentam uma membrana fibrosa entre as superfícies articulares. As sincondroses apresentam uma membrana cartilaginosa entre os seus componentes articulares. Temos como exemplo de suturas, a articulação entre os ossos da abóbada craniana – entre os parietais, temporal e frontal, etc.; e, como sincondroses as articulações entre os ossos da base do crânio – entre o esfenóide e o occipital.
Articulações semi-móveis
Neste tipo de articulações existe pouca mobilidade e as superfícies articulares aderem por super-fície, apresentando ligamentos periféricos ou interósseos. Podem ser anfiartroses ou sinfises, quando aderem por superfícies planas e temos a sinfise púbica, articulação sacro-iliaca, e dos corpos vertebrais; ou, gonfartroses quando aderem por superfícies curvas ou alveolares e temos, a articulação entre as costelas e as cartilagens costais.
Articulações móveis ou sinoviais
A maioria das articulações do corpo humano fazem parte do sistema articular móvel, ou seja, são articulações que permitem realizar movimentos mais amplos. Além dos seus constituintes
específi-cos, as articulações móveis caracterizam-se pela existência de uma cavidade articular que separa as superfícies articulares.
Mesmo dentro das articulações móveis, os componentes articulares podem assumir característi-cas particulares. Os elementos comuns à maioria das articulações móveis são as superfícies ósseas, cartilagem articular, cápsula articular, membrana sinovial, liquido sinovial e ligamentos. Além destes componentes articulares, é ainda possível encontrar em determinadas articulações estruturas fibrocarti-lagíneas tais como os meniscos ou debruns, que têm em comum a função de melhorar a concordância entre as superfícies articulares. Assim temos:
Superfícies articulares
Apresentam como características o facto de serem lisas e de se encontrarem revestidas por um tipo de cartilagem – cartilagem hialina. Nos ossos longos, as superfícies articulares situam-se ao nível das epífises, sendo a sua localização variável nos ossos chatos e curtos.
As superfícies ósseas articulares assumem uma morfologia diversa, que determina, em parte, a extensão e o tipo de movimento articular. As superfícies articulares podem ser planas, apresentar uma forma cilíndrica, de uma tróclea ou roldana, de uma esfera, podem ainda ter uma forma arredondada de contorno circular ou oval e, por último, ser uma superfície simultaneamente côncava/ convexa ou seja, em forma de sela.
A diferente configuração das superfícies ósseas permite classificar as articulações móveis em seis tipos diferentes:Artrodias, apresentam superfícies relativamente planas como na articulação acrómio-clavicular. Trocleartrose, quando apresenta uma superfície articular em forma de tróclea ou roldana. Trocartrose, uma das superfícies articulares tem a forma de um cilindro e a outra, de uma superfície mais ou menos côncava.
Condilartroses apresentam superfícies de contorno circular ou por vezes oval, sendo uma côncava e a outra convexa (côndilo).
Efipiartroses ou articulações em sela caracterizam-se pelas suas superfícies serem simulta-neamente côncavas/convexas. As duas extremidades ósseas lembram a disposição de um cavaleiro sentado numa sela.
Enartroses, apresentam uma superfície articular em forma de esfera e outra côncava. Na maioria dos casos, a cavidade é aumentada por um debrum.
Cartilagem articular
As superfícies ósseas articulares são revestidas por cartilagem articular do tipo hialino. A cartila-gem hialina constitui o tipo de cartilacartila-gem mais frequente no corpo humano.
A observação macroscópica da superfície articular revela uma superfície lisa, deslizante e esbranquiçada, que varia em transparência e espessura de área para área numa mesma articulação, de articulação para articulação na mesma espécie e de espécie para espécie. As articulações de carga apresentam uma maior espessura de cartilagem, dado esta ser proporcional à pressão suportada por unidade de superfície.
A cartilagem articular é formada por células – condrócitos – e uma matriz cartilagínea que os envolve. Esta matriz é formada por fibras de colagénio, macromoléculas de protoglicanos e água.
A função da cartilagem é revestir as superfícies articulares protegendo-as da abrasão e de outras agressões; evita o desgaste articular, ao proporcionar uma superfície lubrificante e lisa que facili-ta o movimento entre as superfícies articulares com um mínimo de fricção; tem uma função amortece-dora ao transmitir e distribuir as elevadas forças compressivas e cargas de deformação ao osso subcon-dral; e, providencia a congruência articular reduzindo os esforços resultantes do contacto entre as superfícies ósseas opostas.
Meios de união
Os constituintes articulares que asseguram a união das peças ósseas na articulação e que contribuem, em parte, para a sua estabilidade, são a cápsula articu-lar e os ligamentos.
A cápsula articular é uma estrutura fibrosa que se assemelha a uma manga e envolve todas as articula-ções móveis, separando o meio intra-articular do meio envolvente.
Este componente articular fixa-se em redor da extremidade articular de cada osso constituinte da articulação, continuando-se com o periósteo. De acordo com determinadas características, como o local de inserção, as dimensões e o grau de lassidez, assim a cápsula contribuirá para uma menor ou maior estabilidade articular.
A cápsula articular apresenta partes fracas e partes reforçadas – os ligamentos capsulares – nos locais onde deve ser oferecida grande resistência. Podem, ocasionalmente, existir intervalos e, quando tal acontece, é a membrana sinovial que se relaciona com as estruturas que circundam.
Atribui-se à cápsula um papel de protecção, pois defende os elementos intra-articulares contra infecções, dado que constitui uma barreira entre o meio circundante e o meio envolvente. A cápsula contribui, ainda, para a manutenção das superfícies ósseas em contacto. Auxiliando a cápsula na estabi-lização da articulação consideram-se dois sistemas: um passivo, do qual fazem parte os ligamentos e outro activo, constituído pelo conjunto músculo-tendinoso que circunda a articulação.
Relativamente aos ligamentos distinguem-se duas grandes categorias: por um lado, os ligamen-tos que ligam um osso ao outro nas articulações e, por outro, aqueles que unem dois ossos entre si, mas fora da articulação.
Os primeiros são os ligamentos articulares e os segundos os ligamentos à distância.
Os ligamentos não possuem propriedades contrácteis devido à sua composição: são compostos por muitos feixes espessos de fibras de colagénio onde se encontram redes de fibras elásticas e células. Nos ligamentos elásticos, a quantidade de elastina é quase o dobro da de colagénio, ao contrário do que acontece nos restantes ligamentos. Nos locais de inserção ligamentar, a estrutura dos ligamentos passa por uma zona de transição de fibrocartilagem. As suas ligações ao osso são tão fortes que uma tensão anormal ou excessiva provoca mais frequentemente o arrancamento do que a sua ruptura. O aporte sanguíneo é reduzido, e o seu conteúdo celular é pobre, por isso, quando lesionado, a sua recu-peração é lenta.
A resistência que os ligamentos apresentam varia com o tipo de forças a que estão sujeitos e com a sua composição. São flexíveis e maleáveis, embora pouco extensíveis e pouco elásticos, à excep-ção dos ligamentos em que as fibras elásticas são abundantes. São ainda mais resistentes à tracexcep-ção do que à torção e se forem sujeitos a longos períodos de stress, tornam-se frouxos. Em situações de movimentos forçados ou traumatismos, não conseguem resistir aos movimentos para os quais a articu-lação não se encontra adaptada, podendo sofrer distensão ou ruptura. Pelo facto da sua elasticidade ser reduzida após o estiramento, o período de recuperação é prolongado, e se forem excessivamente dis-tendidos, podem não readquirir o seu comprimento normal.
As funções ligamentares passam por proporcionarem estabilidade articular, reforçando a cápsula nos pontos onde é necessária uma maior contenção, encontrando-se em maior número onde as ten-sões são mais elevadas. Graças às suas características físicas, os ligamentos encontram-se adaptados a
não permitir movimentos para os quais a articulação não se encontra preparada, limitando desta forma os movimentos articulares, ao não permitir que a amplitude dos mesmos ultrapasse os limites fisiológi-cos. Esta capacidade/ função deve-se fundamentalmente à sua reduzida extensibilidade.
Para além de limitarem os movimentos orientam-nos, ao conterem as deslocações das superfí-cies articulares como se fossem rédeas ou amarras.
Membrana sinovial
A membrana sinovial consiste numa membrana delgada, macia, flexível e móvel que reveste interiormente a cápsula articular e todas as superfícies não cobertas por cartilagem hialina, as porções ósseas não articulares e, caso existam, os ligamentos intra-articulares ou tendões que passam através da articulação.
A membrana é constituída por células endoteliais, fibroblastos, sinoviocitos, macrófagos, mastó-citos e células adiposas que lhe conferem a capacidade de se moldar conforme os movimentos articula-res. Apresenta uma rede vascular e linfática altamente especializada.
São diversas as funções desempenhadas pela membrana sinovial, desde a capacidade fagocitá-ria e de depuração, ao constituir uma barreira de filtração e de trocas entre a cavidade articular e os tecidos periarticulares, até à produção de líquido sinovial.
O seu papel na fagocitose, lutando contra infecções, consiste na digestão de partículas nocivas, de bactérias e de resíduos celulares, função esta que é confirmada pela existência de organelos cito-plasmáticos específicos – mastócitos e macrófagos.
A membrana sinovial produz o líquido sinovial e tem a capacidade de reabsorver este mesmo fluído, estabelecendo-se um equilíbrio que possibilita a regulação do seu volume e da sua composição macromolecular através da modificação de glicoproteinas ou das variações da permeabilidade vascular. A água ou as substâncias dissolvidas atravessam rapidamente a sinovial, entrando na corrente sanguí-nea, enquanto as partículas de grandes dimensões passam para os canais linfáticos.
É reconhecida à membrana sinovial uma capacidade de regeneração notável que deriva sobre-tudo da sua rica vascularização e de ser um tecido conjuntivo onde se encontram células capazes de se diferenciarem nas células sinoviais típicas.
Líquido sinovial
O líquido sinovial encontra-se em todas as articulações sinoviais. As suas características, tais como viscosidade, volume e cor, variam com a articulação e também com a espécie. No homem, este fluido apresenta-se em quantidades variáveis, podendo variar de nenhum até cerca de 3,5 ml de líquido livre. O líquido sinovial normal é claro, incolor ou amarelo pálido e quando contém muitas proteínas torna-se opalescente. É mais viscoso que a água, mucoso e com pH ligeiramente alcalino (cerca de 7,3 em repouso) que pode descer para valores neutros ou ligeiramente ácidos durante o exercício.
Este fluido constitui um dialisado do plasma sanguíneo, sem fibrinogénio e com proteínas plas-máticas, glucose e ureia em concentrações diminuídas, ao qual os sinoviocitos adicionam hialuronato (responsável pelas propriedades viscoelásticas e plásticas do liquido sinovial) e mais algumas proteínas. Além dos constituintes referidos encontram-se, ainda, lípidos, ácido úrico, cálcio, electrólitos, monócitos, macrófagos e linfócitos.
São duas as funções principais desempenhadas pelo líquido sinovial. Por um lado, consiste na principal fonte de nutrição da cartilagem articular e possibilita o aporte de nutrientes a outras cartila-gens avasculares. Por outro, actua como um liquido lubrificante facilitando o deslizamento suave entre as superfícies articulares, tal como o óleo o permite entre as peças metálicas. O movimento articular é um estímulo para a sua produção.
A articulação contém em situação normal apenas liquido sinovial para humedecer e lubrificar as superfícies articulares, mas perante um processo inflamatório, infeccioso ou traumático, a membrana sinovial produz grandes quantidades de líquido e a articulação aumenta de volume. Geram-se dores se a cápsula ou a membrana sinovial forem distendidas. Estes mecanismos têm como objectivo limitar os movimentos da articulação e, desta forma, protegê-la.
Meios de correcção
Os meniscos e os debruns encontram-se nas arti-culações em que não existe uma perfeita concordância entre as superfícies articulares. A sua função genérica comum consiste em melhorar a adaptação entre as superfícies ósseas, contribuindo para uma maior estabili-dade articular.
semelhante a um disco, regra geral completo, ou em meia-lua, que se encontram interpostos entre as superfícies articulares preenchendo os espaços formados pelas duas superfícies ósseas. Apresentam uma região periférica e uma região central.
A região periférica, que cumpre fundamentalmente o papel de preenchimento de espaço e que se liga à cápsula articular, é constituída por tecido fibrocartilagíneo e a região central, ao estar vocacio-nada para o amortecimento de pressões, corresponde ao tecido cartilagíneo. O facto da constituição histológica não ser uniforme, faz com que o modo de nutrição do menisco se faça de maneira diferente. Enquanto a região periférica contém pequenos vasos sanguíneos, a região central é avascular e a sua nutrição faz-se a partir do líquido sinovial. Resulta daí uma capacidade de regeneração variável. Portan-to, no caso de ruptura do menisco na sua região periférica a regeneração pode ser bem sucedida, ao passo que uma lesão ao centro aconselha a maior parte das vezes extracção.
Os debruns são estruturas que morfologicamente se assemelham a anéis vistos de topo e a cunhas quando analisados em corte. São de natureza fibrocartilagínea, portanto são estruturas vascula-rizadas. Tendo uma secção prismática triangular, inserem-se pela base no contorno das superfícies arti-culares, enquanto a sua face externa se prende à cápsula.
A necessidade de existência deste elemento resulta da dimensão reduzida da superfície côncava (cavidade articular) comparativamente com a superfície esférica oposta (cabeça), aumentando a primei-ra em profundidade. Deste modo, asseguprimei-ra uma adaptação mais perfeita entre as superfícies articulares e, ao conter uma maior superfície da cabeça, auxilia a refrear os movimentos de maior amplitude, aumentando a coesão da articulação e diminuindo os riscos de luxação.
Quando uma articulação móvel necessita de meios de correcção para se adaptar perfeitamente, diz-se discordante. Se for corrigida por meniscos é classificada de meniscartrose e, se não for corrigida classifica-se de heteroartrose.
Movimentos articulares
Como já foi referido, a morfologia das superfícies ósseas condiciona o tipo de movimento dos ossos articulados (movimento articular).
A descrição desses movimentos é feita a partir de uma posição de referência – posição anatómi-ca descritiva – considerando-se a existência de duas anatómi-categorias de movimentos: de deslize quando os ossos articulados se deslocam linearmente num plano do espaço, segundo uma ou mais direcções; angulares quando os ossos se deslocam ao logo de um ou mais planos no espaço, em torno de um ou
mais eixos de rotação.
Os movimentos de deslize são específicos das articulações do tipo artrodias, enquanto os movi-mentos angulares acontecem nos restantes tipos de articulações móveis.A descrição dos movimentos articulares é feita em termos direccionais, com base em planos e eixos de movimento, definidos no plano tridimensional. Tradicio-nalmente, são utilizados três planos perpendiculares entre si – frontal, sagital e horizontal – aos quais correspondem três eixos articulares: ântero-posterior, transversal e verti-cal. Um eixo pode ser definido como uma linha imaginária perpendicular ao plano do movimento, em redor da qual acontece o movimento.
Os movimentos de deslize inserem-se no plano sagital e frontal, sem eixo de rotação. Os movimentos inseridos no plano sagital são de protacção e de ção. A protacção acontece no sentido anterior e a retrac-ção no sentido posterior.
Os movimentos ralizados no plano frontal são de elevação e depressão. Elevação acontece no sentido superior e depressão no sentido inferior.
Os movimentos angulares realizam-se nos três planos e orientam-se segundo um eixo de rotação. Podem ser:
- Movimentos de flexão e extensão realizam-se no plano sagital segundo um eixo transver-sal. O movimento de flexão caracteriza-se, genericamente, pela diminuição da distância e ângulo entre os ossos articulados, enquanto a extensão resulta no movimento inverso.
- Movimentos de adução e abdução, neste tipo de movimentos os ossos deslocam-se no plano frontal segundo um eixo ântero-posterior, sendo a adução caracterizada pela aproximação do osso relativamente ao plano sagital e, a abdução pelo afastamento do osso em relação ao plano sagital.
- Movimentos de rotação, nos movimentos de rotação os ossos descrevem trajectórias
vas em torno de um eixo vertical, geralmente coincidente com a linha longitudinal média da diáfise do osso e realizam-se no plano horizontal. Quando a rotação é no sentido do plano médio sagital, refere-se como rotação interna; quando acontece no sentido contrário, o movimento recebe a designação de rotação externa.
- Movimentos de circundução, certas articulações permitem este movimento especial que resulta da combinação dos vários movimentos articulares descritos. Nestes movimentos o osso descreve um cone com vértice na articulação, passando pelas várias posições.
Em algumas articulações os ossos utilizam planos e eixos diferentes daqueles considerados habi-tualmente:
- Articulações da coluna vertebral, realizam movimentos de rotação direita e rotação esquerda segundo um eixo vertical num plano horizontal. No plano frontal e segundo um eixo ântero-posterior, realizam movimentos de flexão lateral direita ou inclinação lateral direita e de flexão lateral esquerda ou inclinação lateral esquerda.
- Articulações do cotovelo e antebraço, os movimentos realizam-se no plano horizontal segundo um eixo oblíquo e são de supinação e pronação. A pronação é o movimento de rotação do polegar para dentro e a palma da mão para trás, enquanto a supinação vira o polegar para fora e a palma da mão para diante (para a frente).
- Articulação do tornozelo executa movimentos de flexão plantar e flexão dorsal segundo um eixo transverso e no plano sagital.
- Articulações do pé realizam movimentos de inversão e eversão no plano frontal orientados segundo um eixo oblíquo.
A seguir vamos abordar a osteologia do esqueleto e a articulação entre os ossos. Nesta aborda-gem irá encontrar descrito: a morfologia óssea, com os acidentes ósseos visíveis em cada osso; os constituintes de cada articulação e os movimentos executados por cada uma delas.
A importância desta descrição prende-se com a necessidade de ter uma noção mais realista do osso em si, visto proporcionar uma melhor compreensão das estruturas e facilitar o estudo dos músculos, relativamente às suas origens, inserções e acções musculares.
2.
Osteo-artrologia
da cabeça
A cabeça é constituída pelos ossos do crânio e pelos ossos da face.
Estes ossos apresentam características morfo-lógicas adaptadas à sua principal função, o revestimen-to e protecção de cavidades que são em grande núme-ro na face e no crânio e alojam órgãos de extrema importância como o encéfalo, olhos ou órgãos do ouvi-do interno.
O crânio é uma caixa óssea, onde se encontra o encéfalo, sendo constituído por uma parte superior, a abóbada craniana e uma parte inferior, a base do crâ-nio.
A face é constituída por um maciço ósseo, situado adiante da base do crânio e limitando, com este, um conjunto de cavidade, onde se encontra a maior parte dos órgãos dos sentidos.
As articulações entre os ossos da cabeça são articulações imóveis (suturas e sincondroses), à excepção
da articulação entre o osso temporal e a mandíbula que possui mobilidade.
Ossos do crânio
O crânio é constituído por oito ossos, sendo dois pares e quatro ímpares.
Ossos ímpares
Osso frontal, forma a testa e articula-se com os dois ossos parietais, o etmóide, o esfenóide, os dois maxilares superiores, os dois malares, os dois nasais e os dois lacrimais.
Osso etmóide forma a base do crânio e articula-se com o frontal, o esfenóide, os dois palatinos, os dois nasais, os dois maxilares, os dois lacrimais e o vómer.
Osso esfenóide forma juntamente com o etmóide a base do crânio e articula-se com todos os ossos do crânio e também com os dois malares, com os dois palatinos e com o vómer.
O occipital ocupa a porção posterior e inferior do crânio e articula-se com o esfenóide, os dois parietais, os dois temporais e o atlas.
Ossos pares
Osso parietal é um osso superior e lateral, que se articula com o frontal, o occipital, o outro parietal, o temporal e o esfenóide.
Osso temporal é um osso inferior e lateral, que se articula com o parietal, o esfenóide, o malar e o maxilar inferior.
A base do crânio é constituída pelo osso frontal, etmóide, pelo esfenóide, rochedo do temporal e occipital. Esta superfície óssea é atravessada por numerosos orifícios que servem de passagem a estru-turas provenientes da face e do tronco e que se destinam ao cérebro. Destes orifícios, pelo seu grande diâmetro e importância, destaca-se o buraco do occipital, por onde a medula dá lugar ao tronco cere-bral. Na face inferior da base do crânio encontramos de cada lado do buraco occipital, os côndilos do occipital que assentam nas superfícies articulares do atlas.
A abóbada craniana é constituída à frente pelo frontal, lateralmente pelos temporais e parte do esfenóide; em cima, pelos parietais; na parte posterior, pelo occipital.
Ossos da face
A face óssea é constituída por catorze ossos, sendo dois ímpares e seis pares.
Ossos ímpares
Osso vómer faz parte da porção posterior do septo das
Articula-se com o esfenóide, os dois palatinos e os dois maxilares superiores.
Maxilar inferior ou mandíbula, é um osso que limita a cavidade bucal inferior e lateralmente e, articula-se com os dois ossos temporais.
Ossos pares
O maxilar superior ou maxila, articula-se com o frontal, o etmóide, o outro maxilar superior, o malar, o lacrimal, o vómer, o corneto inferior e o palatino.
O osso malar ou zigomático, articula-se com o frontal, o maxilar superior, o temporal e a grande asa do esfenóide.
O osso lacrimal, articula-se como frontal, o etmóide, o maxilar superior e o corneto inferior. O osso nasal, forma a porção óssea do nariz e articula-se com o outro osso nasal, com o frontal, o etmóide e o maxilar superior.
O corneto inferior, forma a parte lateral das fossas nasais e articula-se com o osso etmóide, o maxilar superior, o osso lacrimal, e o osso palatino.
O osso palatino, forma a base das narinas e a abobada palatina. Articula-se com o outro osso palatino, o maxilar superior, o esfenóide, o etmóide, o corneto inferior e o vómer.
3.
Osteo-artrologia da coluna
verte-bral
A coluna vertebral, coluna raquidiana ou ráquis, situa-se na porção posterior e mediana do tron-co e divide-se em quatro porções: cervical, dorsal ou torácica, lombar e sacro-tron-coccígea.
A coluna vertebral é constituída por 33 ou 34 vértebras, sendo sete vértebras cervicais, doze vértebras dorsais, cinco vértebras lombares, cinco vértebras sagradas, que se encontram soldadas, para constituírem uma peça óssea única, o sacro, e quatro ou cinco vértebras coccígeas, que constituem também uma peça óssea única, o cóccix.
A coluna vertebral é formada pela sobreposição das vértebras desde o atlas ao cóccix e apre-senta um comprimento médio de 75 cm.
Fig . 13 Constituição da Coluna Vertebral
Características gerais das vértebras
Todas as vértebras apresentam o corpo vertebral, o buraco vertebral, a apófise espinhosa, as apófises transversas, as apófises articulares, as lâminas vertebrais e os pedículos.
O conjunto de todas as apófises, as lâminas e os pedículos, constitui o arco vertebral e a sobre-posição de todos os buracos vertebrais origina o canal vertebral ou canal raquidiano.
O arco vertebral corresponde à porção mais volumosa e cilindróide da vértebra e, é anterior. O buraco vertebral, encontra-se situado entre o corpo vertebral adiante e o arco vertebral atas e dos lados.
ângulo de união das lâminas.
As apófises transversas, em número de duas, uma direita e outra esquerda, dirigem-se transversalmente para fora.
As apófises articulares, em número de quatro, sendo duas superiores e duas inferiores, implantam-se no ponto de união dos pedículos e das lâminas. As apófises articulares superiores articulam-se com as apófises inferiores das vérte-bras suprajacentes e as apófises articulares inferiores articu-lam-se com as apófises articulares superiores das vértebras
infrajacentes.
As lâminas vertebrais, em número de duas, uma direita e outra esquerda, têm uma forma quadrilátera. Os pedículos, são duas porções ósseas, finas e estreitas, que unem de cada lado, o corpo verte-bral à base da apófise transversa, lâmina e apófises articulares.
Características próprias das vértebras de cada
região
As vértebras cervicais, dorsais e lombares, apresentam características que as diferenciam entre si.
Vértebras cervicais
As vértebras cervicais são sete, identificadas de CI a CVII.
O corpo vertebral apresenta nas duas extremidades laterais da face superior, as apófises semi-lunares e na face inferior, duas chanfraduras que correspondem às apófises semi-semi-lunares da vértebra infrajacente.
O buraco vertebral é triangular.
A apófise espinhosa bifurca-se ao nível do seu vértice, para constituir duas saliências – tubércu-los.
Fig . 14 Vértebras dorsais sobrepos-tas e vissobrepos-tas pela face superior
As apófises transversas, terminam por dois tubérculos (anterior e posterior). A face posterior apresenta a goteira transversária, onde está situado o nervo raquidiano e ainda o buraco tranversário, onde passa a artéria vertebral.
C7 – vista superior Vista lateral direita
C3 – C4 – C5 vista frontal Vista posterior
A C1 designa-se por atlas, a C2 por áxis, a C7 por proeminente Vértebras dorsaisAs vértebras dorsais são doze e identificadas de TI a TXII ou DI a DXII.
O corpo apresenta na sua porção lateral, duas hemifacetas articulares, que se articulam com a cabeça das costelas. O buraco vertebral é circular.
A apófise espinhosa é fortemente inclinada para baixo.
As apófises transversas, apresentam na sua face anterior uma faceta articular que se articula com a tuberosidade da costela.
T6 – vista superior T6 – vista lateral esquerda
T12 – vista lateral esquerda Vértebras lombares
As vértebras lombares são cinco e identificadas de L1 a L5; O corpo é reniforme e volumoso; O buraco vertebral é triangular; A apófise espinhosa é rectangular, espessa e disposta horizontalmente; As apófises transversas são pouco desenvolvidas e apresentam o tubérculo acessório.
L2 – vista superior L3 e L4 – vista posterior
Características próprias a algumas vértebras
As vértebras que apresentam características muito próprias são a C1, C2, C7, sacro e cóccix. Primeira vértebra cervical – C1 ou Atlas
A primeira vértebra cervical ou atlas é uma vértebra incompleta, constituída por dois arcos, um anterior e outro posterior, que reúnem as duas porções laterais, designadas por massas laterais. As superfícies articulares situam-se na face superior das massas laterais – cavidades glenoideias para os côndilos do occipital –, na face inferior das massas laterais localiza-se, a faceta articular para o áxis e, na face externa das massas laterais, a apófise transversa. No arco anterior, situa-se a faceta articular para o dente do áxis.
Nesta vértebra não existe corpo vertebral, sendo este substituído pela apófise odontoideia do áxis; a apófise espinhosa é representada por um tubérculo posterior; as apófises articulares estão representadas pelas cavidades glenoideias e pelas facetas existentes na face inferior das massas late-rais. As lâminas estão representadas pelo arco posterior e os pedículos estão representados pelas por-ções laterais do arco posterior.
Fig . 15 C1 - Atlas
Segunda vértebra cervical – C2 ou Áxis
A porção mais volumosa do osso e cilíndrica é anterior. O corpo do áxis é caracterizado por apresentar uma saliência volumosa e vertical, a apófise odontoideia ou dente, que apresenta uma face-ta articular anterior para o arco anterior do atlas e a faceface-ta articular posterior para o ligamento trans-verso. As apófises articulares situam-se em cada lado do dente e as inferiores na extremidade anterior das lâminas.
Sétima vértebra cervical – C7 ou vértebra cervical proeminente
A sétima vértebra cervical é designada também por proeminente, porque apresenta uma apófi-se espinhosa muito deapófi-senvolvida. O corpo vertebral pode apreapófi-sentar uma pequena faceta articular para
a cabeça da primeira costela.
Fig . 16 Vértebras cervicais
O sacro
O sacro é constituído pelas cinco vértebras sagradas, que estão soldadas entre si. Apresenta a forma de uma pirâmide quadrangular achatada no sentido antero-posterior, formando com a 5ª vérte-bra lombar um ângulo conhecido por promontório.
A face anterior é constituída na linha mediana, pelos corpos das cinco vértebras sagradas. A separação entre os corpos vertebrais é feita por linhas transversais, que terminam nos buracos sagra-dos anteriores, por onde passam os ramos anteriores sagra-dos nervos sagrasagra-dos.
A face posterior apresenta na linha média, a crista sagrada, que corresponde às apófises espi-nhosas das vértebras; de cada lado da crista, são visíveis os buracos sagrados posteriores por onde passam os ramos posteriores dos nervos sagrados, os tubérculos articulares que resultam da fusão das apófises articulares e, os tubérculos conjugados que resultam da fusão das apófises transversas.
As faces laterais apresentam, em cima, a faceta articular do sacro, que se articula com a faceta homóloga do osso coxal.
A base apresenta na linha média atrás uma faceta articular para a 5ª vértebra lombar e lateral-mente, as apófises articulares do sacro, que se articulam com as apófises articulares inferiores da 5ª vértebra lombar.
O vértice apresenta uma faceta articular para a base do cóccix. O cóccix
O cóccix é constituído por quatro ou cinco vértebras coccígeas, que estão soldadas entre si. Face anterior é côncava e a posterior, convexa. A base apresenta uma faceta articular para o sacro.
Sacro – vista superior em corte Sacro – vista lateral esq. Em corte
Sacro – vista frontal Sacro – vista posterior
Artrologia da coluna vertebral
As articulações da coluna vertebral são as articulações comuns à maioria das vértebras, as arti-culações próprias de algumas vértebras e as artiarti-culações entre a coluna vertebral e a cabeça.
Articulações comuns à maioria das vértebras
As vértebras articulam-se entre si, por intermédio do corpo vertebral e das apófises articulares, sendo ainda reunidas à distância pelas lâminas, apófises espinhosas e apófises transversas.
Articulações entre os corpos vertebrais
As articulações deste tipo são anfiartroses e efectuam-se entre os corpos de duas vértebras justapostas.
Os meios de união são os ligamentos interósseos, também conhecidos por discos intervertebrais e, os ligamentos periféricos.
Discos intervertebrais
Os discos intervertebrais têm a forma de uma lente biconvexa, interpondo-se entre os corpos verte-brais de duas vértebras adjacentes. As duas faces do disco moldam-se intimamente às superfícies vertebrais.
A espessura dos discos intervertebrais varia em cada uma das regiões da coluna vertebral, sendo em média, 5 mm na região dorsal e 9 mm na região lombar. Nas regiões cervical e lombar os discos são mais sos adiante do que atrás, e na região dorsal mais espes-sos atrás, sendo estas diferenças de espessura que permitem explicar as várias curvaturas da coluna, no sentido antero-posterior. São eles os responsáveis por 25% do comprimento da coluna pré-sacral.
A porção central dos discos intervertebrais é formada por uma substância gelatinosa e mole, constituída por 70% a 90 % de água e proteoglicanos, situada mais perto da porção posterior da perife-ria do disco, o núcleo gelatinoso ou pulposo. É esbranquiçado na cperife-riança e torna-se amarelado à medi-da que o adulto vai envelhecendo, perdendo a capacimedi-dade de reter água, sendo substituído por feixes fibrocartilaginosos.
A porção periférica dos discos intervertebrais é muito resistente e formada em parte por fibro-cartilagem e em parte por lâminas fibrosas dispostas concentricamente, constituindo o anel fibroso. Estas camadas passam do corpo da vértebra superior para a inferior em diagonal, apresentando obli-quidades diferentes. O cruzamento em “x” destas camadas dá elasticidade ao anel fibroso: no estira-mento do disco o “x” fica alongado e estreito e o oposto ocorre na compressão, diminui de comprimen-to e alarga.
Ligamentos periféricos
São constituídos por duas fitas fibrosas, que ocupam toda a extensão da coluna vertebral, sendo conhecidos por ligamentos vertebrais comuns, anterior e posterior.
O ligamento vertebral comum anterior encontra-se situado na face anterior da coluna vertebral, estendendo-se desde o occipital, até à face anterior da 2ª vértebra sagrada.
Na porção cervical é mais estreito, ocupando a porção média da coluna. Na região dorsal é mui-to largo, estendendo-se até à cabeça das costelas. Na região lombar é de novo muimui-to estreimui-to, ocupan-do a porção média da coluna. Na região sagrada ocupa apenas a face anterior da primeira vértebra sagrada, terminando na segunda.
O ligamento vertebral comum posterior encontra-se atrás dos corpos vertebrais, em pleno canal raquidiano, estendendo-se desde o buraco do occipital, até à primeira vértebra coccígea. Este ligamento é bastante largo ao nível dos discos intervertebrais e muito mais estreito ao nível dos corpos vertebrais.
Articulações das apófises articulares
As articulações entre as apófises articulares das vértebras e cervicais e dorsais são artrodias e as das vértebras lombares são condilartroses rudimentares.
As superfícies articulares das vértebras cervicais têm uma forma ovalar e plana, as das vértebras dorsais são planas e as das vértebras lombares têm a forma de superfícies elípticas. Todas estas super-fícies são revestidas por cartilagem.
Estas articulações são reforçadas pela cápsula articular, cuja espessura varia, existindo na região dorsal e lombar um ligamento posterior de reforço.
União das lâminas
As lâminas vertebrais das vértebras adjacentes são unidas por dois ligamentos amarelos, de forma rectangular. O bordo superior insere-se na face anterior da lâmina da vértebra que está por cima, e o bordo inferior insere-se no bordo superior da lâmina da vértebra que está por baixo.
O comprimento dos ligamentos vai diminuindo de cima para baixo e a sua altura vai aumentan-do no mesmo sentiaumentan-do.
União das apófises espinhosas
As apófises espinhosas são unidas pelos ligamentos interespinhosos e supra-espinhosos.
Os ligamentos interespinhosos ocupam os espaços compreendidos entre as apófises espinhosas. Estes ligamentos inserem-se em cima na apófise espinhosa da vértebra subjacente e em baixo na apó-fise espinhosa da vértebra infrajacente. O ligamento supra-espinhoso é um cordão mediano e ímpar, que se estende de uma extremidade à outra da coluna vertebral. Este ligamento adere ao vértice de
cada uma das apófises espinhosas. Ao nível da região cervical o ligamento supra-espinhoso é muito desenvolvido, constituindo o ligamento cervical posterior, de forma triangular. O seu vértice insere-se na apófise espinhosa da 7ª vértebra cervical e a sua base na base do occipital.
União das apófises transversas
As apófises transversas encontram-se unidas por intermédio dos ligamentos intertransversários, sendo muito desenvolvidos ao nível da região lombar e faltando ao nível da região cervical.
A estrutura óssea no corpo humano
Equivalências
Articulações próprias de algumas vértebras
Destas articulações, merecem particular referência as articulações entre o sacro e a 5ª vértebra lombar, entre o sacro e o cóccix, entre as vértebras que constituem o cóccix, entre as vértebras cervi-cais e entre o atlas e o áxis.
Articulações sacro-vertebrais
São constituídas pelas articulações sacro-vertebral propria-mente dita, pelas articulações sacro-vertebrais laterais e por liga-mentos à distância.
A articulação sacro-vertebral propriamente dita é uma anfiar-trose, constituída pelos corpos vertebrais da 5ª vértebra lombar e da 1ª vértebra sagrada. Os meios de união são formados pelo ligamen-to interósseo ou disco intervertebral, mais espesso adiante do que atrás, e por parte dos ligamentos vertebral comum anterior e poste-rior.
As articulações sacro-vertebrais laterais são artrodias, consti-tuídas pelas apófises articulares do sacro e da 5ª vértebra lombar.
Os ligamentos à distância reforçam a união do sacro e 5ª vértebra lombar. Essa união é feita por dois ligamentos amarelos, um ligamento interespinhoso e um ligamento supra-espinhoso. Exis-te ainda o ligamento sacro-verExis-tebral da 5ª vérExis-tebra lombar à asa do sacro.
Articulação sacro-coccígea
É uma anfiartrose e compreende a articulação entre o sacro e o cóccix.
As superfícies articulares consistem em facetas elípticas, localizadas na base do sacro e do cóccix. O sacro e o cóccix encon-tram-se unidos por intermédio de vários ligamentos, tais como: o ligamento interósseo, que é uma fibrocartilagem em forma de disco, que se interpõe entre as superfícies articulares; o ligamento sacro-coccígeo anterior; ligamento sacro-sacro-coccígeo posterior; e, os ligamentos sacro-sacro-coccígeos laterais que são constituídos por dois feixes, um interno e outro externo.
Articulações intercoccígeas
São articulações do tipo anfiartrose, existentes entre as vértebras coccígeas.
As diferentes vértebras coccígeas unem-se muito cedo, à excepção da 1ª e da 2ª, que persis-tem articuladas por mais persis-tempo e constituem a articulação médio-coccígea.
Articulações entre o atlas e o áxis
O atlas articula-se com o áxis por intermédio das articulações atlóido-axoideias propriamente ditas e pela articulação atlóido-odontoideia.
A articulação atlóido-axoideia propriamente dita consiste numa heteroartrose e, resulta da arti-culação entre as apófises articulares do atlas e do áxis. Do lado do atlas encontram-se facetas que ocu-pam a face inferior das massas laterais e do lado do áxis, as apófises articulares superiores desta vérte-bra.
Os meios de união são constituídos por quatro ligamentos:
O ligamento atlóido-axoideu anterior estende-se do arco anterior do atlas à face anterior do cor-po do atlas.
O ligamento atlóido-axoideu posterior, que se estende do arco posterior do atlas até às lâminas e base da apófise espinhosa do áxis.
Os ligamentos atlóido-axoideus laterais, em número de dois, são constituídos por uma espécie de cápsula, que se insere em volta das facetas atloideia e axoideia.
A articulação atlóido-odontoideia é uma trocartrose e consiste na articulação entre o atlas e o dente do áxis.
As superfícies articulares são constituídas pela apófise odontoideia do áxis e por um anel osteo-fibroso, o anel atloideu, sendo este constituído adiante pelo arco anterior do atlas e atrás pelo ligamento transverso.
O ligamento transverso apresenta duas extremidades que se inserem na face interna das mas-sas laterais do atlas – o ligamento tranverso-axoideu e ligamento transverso-occipital.
O conjunto destes três ligamentos apresenta a forma de uma cruz, sendo conhecido por liga-mento cruciforme.
Articulações entre a coluna vertebral e a cabeça
A cabeça encontra-se unida, por intermédio do occipital, ao atlas e ao áxis. Consideram-se, por-tanto, duas articulações diferentes, a articulação occipito-atloideia e os ligamentos occipito-axoideus.
A articulação occipito-atloideia é uma bicondilartrose, porque do lado do occipital as superfícies articulares são dois côndilos. Do lado do atlas as superfícies articulares são as cavidades glenoideias situadas na face superior das massas laterais. As superfícies articulares encontram-se revestidas por fibrocartilagem.
Existem quatro ligamentos como meios de união da articulação: o ligamento occipito-atloideu anterior; o ligamento occipito-atloideu posterior e, os ligamentos occipito-atloideus laterais que se inse-rem em cima nos côndilos e em baixo no contorno das cavidades glenoideias correspondentes.
O occipital é mantido em contacto com o áxis, por intermédio de ligamentos à distância. Estes ligamentos compreendem os ligamentos occipito-axoideus e ligamentos occipito-odontoideus.
Os ligamentos occipito-axoideus são em número de três, um mediano que se estende do buraco occipital à face posterior do corpo do áxis; e, dois laterais, que se inserem de lado no buraco occipital e na face posterior do áxis.
Os ligamentos occipito-odontoideus são também em número de três, sendo um mediano que se insere no buraco occipital e no vértice da apófise odontoideia; e, dois laterais, que se inserem nos côn-dilos occipitais e na porção superior da apófise odontoideia.
Curvaturas da coluna vertebral
A coluna vertebral não é rectilínea, apresentando dois tipos de curvaturas: ântero-posteriores ou sagitais e laterais.
As curvaturas ântero-posteriores ou sagitais são quatro:
A curvatura cervical é convexa para diante; a curvatura dorsal ou torácica, côncava para diante; a curvatura lombar, convexa para diante, e a curvatura sacro-coccígea, côncava para diante.
As curvaturas laterais, menos pronunciadas e muito variáveis, são normalmente em número de três:
curvatura lombar, convexa para a esquerda.
Ângulos vertebrais (equilíbrio) Amplitude dos vários segmentos vertebrais
Alteração das curvaturas fisiológicas
As curvaturas fisiológicas da coluna podem-se acentuar ou inverter por motivos congénitos ou adquiridos. Pode ser uma consequência postural, de fractura, de patologia das próprias vértebras ou da coluna em geral, de uma prótese mal adaptada, de um joelho valgo unilateral, etc.
Pode ocorrer aumento das curvaturas laterais e, temos uma escoliose; das curvaturas cervical e lombar e, temos uma lordose; e, da curvatura da coluna torácica, e temos uma cifose.
Quando ocorre uma inversão das curvaturas cervical e lombar, designamos estas deformidades por cifose cervical e cifose dorsal. Quando ocorre na coluna dorsal, dizemos que estamos perante uma lordose dorsal.
A cifose torácica pode ser uma compensação de uma lordose lombar e a lordose cervical e lom-bar, pode ser uma compensação da cifose dorsal.
Cifose Lordose Escoliose
Configuração da coluna vertebral
A coluna vertebral apresenta quatro faces e no seu interior o canal vertebral ou raquidiano. A face anterior é constituída pelos corpos vertebrais e discos intervertebrais.
A face posterior apresenta, indo de dentro para fora: a crista espinhal, constituída pelo conjunto das apófises espinhosas e as goteiras vertebrais, formadas pelas lâminas
As faces laterais apresentam, cada uma indo de diante para trás: os corpos vertebrais, os pedí-culos, os buracos de conjugação, as apófises articulares e as apófises transversas.
O canal raquidiano encontra-se em toda a extensão da coluna vertebral, sendo prismático trian-gular nas colunas cervical, lombar e sacro-coccigea e, cilíndrico na coluna dorsal.
Aspectos funcionais da coluna
O conjunto dos corpos vertebrais e dos discos intervertebrais suporta o peso da cabeça, do tronco e dos membros superiores e transmitem esta carga aos membros inferiores, transformando a coluna vertebral num órgão estático. A coluna vertebral, como órgão estático, é formada pelas 24 vér-tebras, cervicais, dorsais e lombares, que constituem a sua porção móvel e pelo sacro e cóccix, que formam a sua porção fixa.
O conjunto dos arcos vertebrais permite a execução dos movimentos, quer de uma vértebra quer do ráquis em conjunto, transformando a coluna vertebral num órgão cinético ou de movimento.
O canal vertebral e as suas paredes transformam a coluna vertebral no órgão protector da medula espinhal, das raízes dos nervos raquidianos e das meninges.
A coluna vertebral como órgão de movimento, permite os movimentos conjuntos da cabeça, do pescoço e do tronco.
As articulações occipito-atloideias e atlóido-axoideias permitem movimentos de flexão e extensão, inclinação lateral e rotação da cabeça.
Os movimentos da coluna vertebral são a flexão, extensão, inclinação lateral e rotação. Os movimentos de fle-xão produzem a diminuição das curvaturas cervical e lombar, o aumento da curvatura dorsal e, a deslocação dos núcleos pulpo-sos para trás. Na extensão ocorre o contrário.
Na inclinação lateral as transversas do lado da inclinação aproximam-se e o núcleo pulposo des-loca-se para o lado oposto. Na coluna lombar o movimento de inclinação é reduzido, aumentando de amplitude nas colunas dorsal e cervical.
Os movimentos de rotação da coluna vertebral, são muito pouco evidentes ao nível das colunas lombar e dorsal, mas muito desenvolvidos na coluna cervical.
4.
5.
Osteo-artrologia do tórax
O tórax ou caixa torácica tem a forma de um cone truncado, que apresenta uma superfície exterior, uma superfície interior, uma abertura superior ou vértice e uma abertura inferior ou base. O espaço limitado pela parede torácica é a cavidade torácica.
O tórax é uma caixa ósteo-cartilagínea, constituída pelas vértebras dorsais, costelas, cartilagens costais e esterno.
Fig . 19 Vértebras Lombares, sobrepos-tas com medula e raízes
O esterno
A porção mais volumosa do osso é superior e a sua face convexa anterior.
O esterno é um osso ímpar e mediano, que faz parte da parede anterior da caixa torácica. Pode ser dividido em três segmentos: o segmento superior, o punho ou manúbrio; o segmento médio ou corpo; e o segmento inferior, o apêndice xifóideu.
A face anterior relaciona-se directamente com os tegumentos.
A extremidade superior apresenta, na sua porção mediana, a fúrcula do esterno e, para fora desta, duas facetas articulares para a clavícula.
A extremidade inferior é constituída pelo apêndice xifóideu, podendo apresentar o buraco xifói-deu.
Os bordos laterais têm a forma de S itálico, apresentando várias chanfraduras (reentrância óssea). As chanfraduras articulares, em número de sete, articulam-se com as cartilagens costais e as chanfraduras não articulares, em número de seis, correspondem aos espaços intercostais.
As costelas
As costelas implantam-se na coluna vertebral, 12 de cada lado, condicionando o ângulo costo-vertebral. De acordo com a sua aderência ao esterno, podem ser classificadas em: esternais ou verdadeiras, quando cada uma adere ao esterno através de uma cartilagem costal própria – da 1ª à 7ª; artesanais ou falsas, que podem ser aderentes – da 8ª à 10ª – quando se encontram todas ligadas a uma cartilagem comum e, flutuantes – 11ª e 12ª – quando não aderem a nenhuma cartilagem costal,
encontram-se livres anteriormente.
A extremidade mais volumosa da costela é posterior, a concavidade é interna e, dos bordos, o que apresenta uma goteira, é inferior. Cada costela é constituída por um corpo e duas extremidades. O
corpo apresenta uma face externa, convexa, que se relaciona com os tegumentos e uma face interna, côncava, que se relaciona com a pleura. Dos bordos, o inferior apresenta a goteira costal, onde se encontram indo de cima para baixo, a veia, a artéria e o nervo intercostal.
A extremidade posterior da costela apresenta a cabeça da costela, constituída por duas facetas articulares, que se vão articular com as semifacetas existentes no corpo das vértebras. A tuberosidade apresenta uma faceta articular, que se vai relacionar com uma faceta existente na apófise transversa das vértebras.
As costelas apresentam diferenças relativamente à sua morfologia nomeadamente, a 1ª, 2ª,11ª e 12ª costelas.
As duas primeiras não apresentam a goteira costal na face inferir e ambas apresentam superfí-cies rugosas para a inserção muscular.
A 1ª costela apresenta duas goteiras na face superior, uma para a artéria subclávia e outra para a veia subclávia e, a cabeça tem uma faceta articular única.
A 11ª e 12ª costelas são caracterizadas por possuírem uma faceta única na cabeça e ausência de facetas na tuberosidade.
Cartilagens costais
São em número de 24, sendo doze de cada lado. As sete primeiras inserem-se directamente no esterno e da 8ª à 10ª, não se inserem no esterno mas sim na cartilagem costal que se encontra por cima. A 11ª e a 12ª cartilagem costal têm a sua extremidade anterior livre.
Artrologia do tórax
O tórax apresenta cinco grupos de articulações: as articulações das costelas com a coluna ver-tebral; as articulações das costelas com as cartilagens costais; as articulações das cartilagens costais com o esterno; as articulações das cartilagens costais entre si; e as articulações entre as diferentes por-ções do esterno.
As costelas articulam-se com os corpos das vértebras, constituindo as articulações vertebrais propriamente ditas e com as apófises transversas, constituindo as articulações costo-transversárias, sendo ambas artrodias.
As primeiras têm como superfícies articulares as duas facetas planas da cabeça das costelas e as duas hemifacetas do lado dos corpos vertebrais, uma situada na vértebra acima e outra na de baixo. Os ligamentos são o cos-to-vertebral anterior, posterior e ligamento interósseo.
As articulações costo-tranversárias reúnem a tuberosidade da costela à apófise transversa correspondente. Os ligamentos passam pelo costo-tranversário posterior, superior e inferior.
As articulações condro-costais são gonfartroses e realizam-se entre as costelas e as cartilagens costais. Os meios de união são substituídos pela união entre o pericôndrio que envolve a cartilagem costal e o periósteo que envolve a costela.
As articulações condro-esternais são artrodias e correspondem às articulações entre as sete primeiras cartilagens costais e o esterno. Os ligamentos de reforço são o ligamento radiário anterior, posterior e ligamento interósseo.
As articulações inter-condrais, são artrodias e consistem nas articulações entre a 6ª, 7ª e 8ª car-tilagens costais e, por vezes, com a 5ª e a 9ª. As superfícies articulares situam-se na porção média das cartilagens, unindo os bordos adjacentes destas cartilagens. Os meios de união são constituídos pelo pericôndrio que se estende de uma cartilagem costal à outra.
As articulações esternais são anfiartroses, e dividem-se em articulação esternal superior e infe-rior. A articulação esternal superior consiste na articulação entre o punho e o corpo do esterno. Os meios de união desta articulação são o ligamento interósseo e o periósteo que passa ininterruptamente do punho ao corpo do esterno.
A articulação esternal inferior consiste na articulação entre o corpo e o apêndice xifóideu. As superfícies articulares são mantidas por intermédio do ligamento interósseo e pelo periósteo que passa ininterruptamente do corpo ao apêndice xifóideu.
Mecanismo articular
No tórax podemos distinguir dois tipos de movimentos: os movimentos realizados por cada uma das articulações e, o movimento do tórax em geral proporcionado pelo conjunto de ossos, articulações e músculos.
Os movimentos realizados por cada tipo de articulação são: as articulações do tipo artrodia
reali-Fig . 21 Ligamentos da costela
zam movimentos de deslize; as articulações do tipo anfiartrose executam movimentos de inclinação para diante e para trás; e, a articulação do tipo gonfartrose é semi-móvel e realiza movimentos de des-lize de muito pouca amplitude.
Os movimentos do tórax em geral são a inspiração e expiração.
O movimento de inspiração origina a elevação das costelas e a deslocação da sua extremidade anterior para diante e para fora, aumentando os diâmetros antero-posterior e transversal.
O movimento de expiração conduz ao abaixamento das costelas, que leva à diminuição dos diâmetros antero-posterior e transversal.
6.
Osteo-artrologia da bacia
A bacia ou pelve é constituída pelo conjunto dos dois ossos coxais, pela coluna sacro-coccígea e pelas articulações e ligamentos que os unem.
Osso coxal ou ilíaco
O osso coxal é um osso chato, par, que apresenta um contorno irregularmente quadrilátero e que é constituído por três porções ósseas: o ílion, o ísquion e o púbis, que se ossificam independente-mente e se unem em torno de uma cavidade articular situada na face externa do osso coxal, a cavidade cotiloideia ou acetábulo.
O ílion constitui a porção mais volumosa e superior, encontrando-se por cima da cavidade coti-loideia e constituindo um local de fixação de numerosos músculos.
Por baixo do acetábulo encontra-se o buraco obturado adiante do qual se situa o púbis e atrás do qual se encontra o ísquion. Estas duas porções inferiores apre-sentam uma dimensão bastante mais reduzida e, como é perceptível, estão separadas pelo buraco obturado, que se encontra quase totalmente tapado pela membrana obturadora, que permite a fixação de músculos apesar da ausência de osso.
A face externa apresenta, como já foi referido, a cavidade cotiloideia na sua porção média. Por cima desta cavidade encontra-se uma superfície, a fossa ilíaca externa e, por baixo da mesma cavidade, o buraco obturado. A cavidade cotiloideia é constituída por duas porções: uma não articular, constituin-do o funconstituin-do da cavidade e, uma porção articular periférica.
A face interna encontra-se dividida em duas partes por uma crista dirigida obliquamente para baixo e para diante, a linha inominada. Por cima e por fora desta linha, encontra-se uma escavação, a fossa ilíaca interna, onde se inserem músculos.
Por baixo e por trás da linha inominada encontram-se três estruturas de especial interesse, indo de cima para baixo, temos a tuberosidade ilíaca, onde se inserem ligamentos; a faceta auricular do osso coxal, que se articula com uma faceta semelhante existente no sacro; e, uma superfície plana quadrilá-tera, que corresponde à cavidade cotiloideia, onde se inserem músculos.
O bordo superior, também conhecido por crista ilíaca, tem a forma de um S itálico, dando inser-ção aos músculos do abdómen.
O bordo inferior apresenta em cima a faceta púbica, que se vai articular com a faceta do lado oposto para constituir a sínfise púbica.
Os bordos anterior e posterior são muito acidentados, apresentando saliências de especial inte-resse por constituírem locais de inserção ligamentar, muscular e por darem passagem a vasos e nervos. Pretende-se que retenha se se localizam anterior ou posteriormente:
O bordo anterior apresenta, indo de cima para baixo: espinha ilíaca ântero-superior; chanfradu-ra fémuro-cutânea; espinha ilíaca ântero-inferior; chanfchanfradu-raduchanfradu-ra do psoas-ilíaco; superfície pectínea; crista pectínea; e, espinha do púbis.
O bordo posterior apresenta, indo de cima para baixo: espinha ilíaca póstero-superior; chanfra-dura inominada; espinha ilíaca póstero-inferior; grande chanfrachanfra-dura ciática; espinha ciática; pequena chanfradura ciática.
Artrologia da bacia
Os dois ossos coxais articulam-se com o sacro, constituindo as articulações sacro-ilíacas e ainda entre si, por intermédio do púbis, para constituírem a sínfise púbica. Além destas articulações, existem ligamentos à distância, os ligamentos sacro-ciáticos.
Articulação sacro-ilíaca
Esta articulação é uma anfiartrose e, estabelece a união do sacro lateralmente com os dois ossos coxais.
Do lado do sacro encontra-se a faceta auricular e, do lado do osso coxal, encontra-se também a faceta auricular deste osso. As superfícies articulares são mantidas em posição por intermédio de uma cápsula e por ligamentos intrínsecos, os ligamentos sacro-ilíacos anterior, posterior – apresenta quatro feixes que reforçam posteriormente a articulação – e interósseo. O ligamento interósseo é um plano ligamentar profundo que une entre si a tuberosidade ilíaca e o sacro.
Encontra-se ainda um ligamento extrínseco, o ligamento ílio-lombar, que se estende da apófise transversa da 5ª vértebra lombar à crista ilíaca, tuberosidade ilíaca e linha inominada.
Sínfise púbica
Resulta da união dos dois púbis e constitui uma articulação do tipo anfiartrose.
As superfícies articulares são constituídas por facetas elípticas corrigidas por uma fibrocartila-gem, o disco interpúbico, que ocupa o espaço situado entre as superfícies articulares.
Os ligamentos periféricos, em número de quatro, distinguem-se em anterior, posterior, superior e inferior.
Os ligamentos à distância são os ligamen-tos sacro-ciáticos. Distinguem-se dois ligamenligamen-tos de reforço à distância: o grande ligamento sacro-ciático, muito resistente e que se estende do ísquion à coluna sacro-coccígea; e, o pequeno ligamento sacro-ciático, que se encontra adiante do primeiro.
Configuração da bacia
A superfície exterior é constituída, adiante pela sínfise púbica, pelo púbis, pelo bordo ascen-dente do ísquion e pelo buraco obturado.