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Academic year: 2021

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TÍTULO: ESTUDO FITOQUÍMICO E AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ANTIMICROBIANO DE EXTRATOS DE AGAPANTHUS AFRICANUS L.

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:

SUBÁREA: Ciências Biológicas SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO(ÕES): UNIVERSIDADE DE SANTO AMARO - UNISA INSTITUIÇÃO(ÕES):

AUTOR(ES): LUCAS BORGES SILVA AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): MARCO AURÉLIO SIVERO MAYWORM, LEONARDO SOKOLNIK DE OLIVEIRA ORIENTADOR(ES):

COLABORADOR(ES): GLEICE MARTINS COLABORADOR(ES):

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Estudo fitoquímico e avaliação do potencial antimicrobiano de extratos de Agapanthus africanus L.

Resumo

Agapanthus africanus L. é uma espécie herbácea, originaria na África do Sul,

pertencente a família Agapanthaceae, apresentando caule do tipo rizoma, apresentam inflorescências do tipo Umbela. Poucos são os trabalhos que mostram atividade biológica de extratos de A.africanus. Os principais grupos de compostos com propriedade antimicrobiana extraídos de plantas são os terpenóides, óleos essenciais, alcalóides, lectinas, polipeptídios, quinonas, flavonoides, saponinas e taninos .Esse trabalho deve como objetivo realizar testes fitoquímicos e avaliar o potencial antimicrobiano de extratos de A.africanus. Para tanto amostras da planta foram coletadas no campus I da Universidade Santo Amaro. Foi produzido extratos em etanol, os quais foram concentrados sob pressão reduzida em evaporador rotativo, a 45°C, para obtenção de soluções 2%. Os extratos foram testados em estudos fitoquímicos e de atividade antibacteriana sobre Staphylococcus aureus e

Escherichia coli. Os extratos apresentaram saponinas e fenóis totais. Os extratos de

folha e raiz apresentaram atividade bacteriostática sob S.aureus e E.coli nas concentrações testadas.

Introdução

Agapanthus africanus L. é uma espécie herbácea, originaria da África do Sul,

da família Agapanthaceae, apresentando caule do tipo rizoma, apresentam inflorescência do tipo Umbela, com coloração nos tons de azul e lilás, raro branco. Sobrevive em clima tropical, subtropical, mediterrâneo, temperado e são tolerantes ao frio. 1,2

Poucos são os trabalhos que mostram atividade biológica de extratos de

A.africanus. Swart3 em seu trabalho realizou testes antifúngicos com extratos de

A.africanus, mostrando que as partes aéreas da planta apresentaram atividade

antifúngica, em relação a outros órgãos vegetais. Bisaio4, observou que extratos de

A.africanus possuem efeito fitotóxíco sobre plântulas de Lactuca sativa L. Outros

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a estimulação da hipófise gerando a produção de Oxitocina, sendo usada antigamente para fins abortivos.5

Antimicrobiano é qualquer substância que possa matar ou inibir o desenvolvimento de microrganismos, como protozoários, fungos e bactérias. As substâncias antimicrobianas reagem de diversas formas, degradando a membrana celular, alterando o genoma do microrganismo ou degradando proteínas essenciais, que desregulam seu metabolismo e acaba matando o organismo.6 Segundo a Organização Mundial de Saúde, vários países em desenvolvimento dependem das plantas medicinais como única forma de acesso aos cuidados básicos de saúde graças a presença de metabolitos secundários, que possuem várias atividades farmacológicas, entre quais a atividade antibacteriana7

Os principais grupos de compostos com propriedade antimicrobiana extraídos de plantas são os terpenóides, óleos essenciais, alcalóides, lectinas, polipeptídios, quinonas, flavonoides, saponinas e taninos.7

Objetivos

Esse trabalho teve como objetivo avaliar a composição fitoquímica e o potencial antimicrobiano de extratos produzidos a partir de amostras de folhas, rizomas e raízes adventícias de Agapanthus africanus L.

Metodologia

1. Produção do extrato

Amostras de folhas, rizomas e raízes adventícias de Agapanthus africanus L. foram coletadas no jardim da Universidade Santo Amaro – UNISA Campus I, fragmentadas e submetida a imersão em álcool etílico P.A., agitadas diariamente, trocando o solvente a cada sete dias, durante 45 dias. Após a segunda extração, os matérias foram triturados e em seguida submersos novamente em etanol P.A. As extrações foram feitas a temperatura ambiente e protegidas de luz. A concentração dos extratos foi realizada sob pressão reduzida em evaporador rotatório a 45°C, para obtenção de soluções a 2%. O armazenamento das amostras foi feito em geladeira a temperatura média 4 a 10°C.8

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No teste antimicrobiano, se secou 4mL de cada extrato, para se remover o etanol presente, e se ressuspender os extratos com uma solução preparada de Tween 20 (Polisorbato 20) e água destilada na proporção 1:4

2. Verificação da atividade antimicrobiana do extrato

Foram utilizadas cepas padrão de bactérias gram positivo Staphylococcus

aureus (CCCD – S007) e gram negativa Escherichia coli (NEWP – 0022). As

bactérias foram repicadas em meio de cultura ágar-sangue e mantidas em estufa a 37ºC por 24 horas. Após este período, as bactérias foram diluídas em solução salina estéril na concentração 0,5 da escala de McFarland, essas suspensões bacterianas ainda sofrerão uma nova diluição de 1:10 em meio de cultura Mueller-Hinton (MH).

O teste de sensibilidade foi realizado pela técnica de microdiluição. As bactérias foram incubadas na concentração de 5 x 105 UFC/mL em caldo Mueller-Hinton contendo concentrações decrescentes do extrato por 24 horas a 37ºC. Após este período fora acrescentados 50 µg do reagente TTC, que é reduzido pelas bactérias vivas passando para a cor vermelha. O crescimento bacteriano fora medido pela intensidade de cor vermelha em cada poço da microplaca medido em espectrofotômetro a 630nm. Todos os experimentos foram feitos em triplicata com controle positivo contendo somente caldo Mueller-Hinton e bactéria e controle negativo contendo somente caldo Mueller-Hinton. Foram realizados testes para rejeitar a hipótese de o próprio diluente do extrato inibir per se o crescimento bacteriano.9

Todavia, para se ter uma clareza se os extratos de A.africanus são bactericida ou não. Se fez uma alíquota de parte das amostras que apresentaram um inibição visual com a coloração TTC, e passou essa alíquota em meio TSA e incubou por 24 horas, após esse período visualizou-se houve crescimento bacteriano

3. Testes fitoquímicos

Para o teste de saponinas 2mL de cada extrato foram colocados em tubos de ensaio, em triplicata, e levados à banho-maria, com o objetivo de evaporar o etanol do extrato, restando somente a parte solida e água. Após a secagem, colocou-se 2mL de água destilada e agitou-se por 15 segundos. A ocorrência de formação de espuma persistente, foi admitido como resultado confirmatório para saponinas.10

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O doseamento de fenóis totais foi elaborado a partir da metodologia de Salgado adaptada. Os testes foram realizados em triplicatas em balões volumétricos de 10mL. Montou-se uma curva padrão utilizando-se uma solução padrão de ácido tânico (100μg/mL) nos seguintes volumes (µL) da solução padrão 100/ 200/ 400/ 600/ 800/ 1000, acrescentando-se 1mL da solução de Follin-Ciocauteau e 2mL da solução de Carbonato de Sódio (20%). Para as amostras foram utilizados 100µL de cada extrato, em triplicata, utilizando-se mesma metodologia. O volume foi completado com água destilada e após duas horas realizada a leitura em espectrofotômetro a 760nm. 11

Resultados e Discussão

A tabela 1 apresenta a composição química e atividade antimicrobiana de extratos de Agapanthus africanus L.

Todos os extratos de A.africanus L. apresentaram resultado positivo para saponinas, algo que na literatura já se era conhecido12 na espécie.

Folhas e rizomas de A.africanus apresentaram um quantidade similar de fenóis totais, em relação a raiz. Isso se deve ao fato que esses órgãos vegetais são mais suscetíveis a ataque de animais herbívoros, e uma das funções biológicas dos fenóis, especificamente dos polifenóis é de complexação de proteínas e enzimas envolvidas com a digestão.13

O extrato de folha de A.africanus apresentou uma menor concentração inibitória mínima (CIM) sobre S.aureus e E.coli. O extrato de raiz apresentou um valor alto de CIM sobre S.aureus e, porém eficiência semelhante ao extrato de folha sobre E.coli.

Apenas o extrato de rizoma mostrou teores elevados de fenóis em relação aos outros extratos, mostrou-se pouco efetivo na inibição das bactérias. Os extratos não apresentou nas concentrações testadas atividade bactericida, mas apenas bacteriostática.

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Tabela 1 – Composição química e Concentração inibitória mínima nos extratos de Agapanthus africanus L.

Saponinas Fenóis totais

(mg/mL) CIM (mg/mL) S.aureus E.coli

Folha ++ 3,3 0,36 2,85

Raiz ++ 1,5 5,75 2,86

Rizoma ++ 3,9 4,6 9,2

Saponinas: ++ formação e persistência de espuma; + formação de espuma sem persistência; - sem formação de espuma.

Considerações finais

Os extratos de folhas e raízes mostraram maior atividade bacteriostática sobre S.aureus e E.coli.

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Fontes consultadas

1. PATRO R. Agapanto - Agapanthus africanus [Internet]. 2015. Available at: https://www.jardineiro.net/plantas/agapanto-agapanthus-africanus.html

2. BRAGA C. Agapanto - Agapanthus africanus [Internet]. Available at: http://www.floresefolhagens.com.br/agapanto-agapanthus-africanus/

3. TEGEGNE, G., PRETORIUS, J.C., SWART WJ. Antifungal properties of Agapanthus africanus L. extracts against plant pathogens. Crop Prot [Internet].

2008;27:9. Available at:

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0261219407003316

4. BISAIO B. Análise do potencial fitotóxico de extratos etanólicos de Agapanthus africanus L. (Agapanthaceae). São Paulo: UNISA; 2017. p. 26.

5. ROQAIYA, M. et al. A Review on Herbs with uterotonic Property [Internet]. Vol. 4, The Journal of Phytopharmacology. 2015. p. 7. Available at: http://www.phytopharmajournal.com/Vol4_Issue3_11.pdf

6. JUNIOR A. Mecanismos de ação das drogas antimicrobianas [Internet]. São Paulo: Universidade Estatual Paulista; p. 55. Available at: http://www.ibb.unesp.br/Home/Departamentos/MicrobiologiaeImunologia/aula_ mecanismo_acao_drogas.pdf

7. GONÇALVES, A.L., FILHO, A.A., MENEZES H. Estudo comparativo da atividade antimicrobiana de extratos de algumas árvores nativas [Internet]. Vol. 72. São Paulo: Arquivos do Instituto Biologico de São Paulo; 2005. p. 5.

Available at:

http://www.biologico.sp.gov.br/uploads/docs/arq/V72_3/goncalves.PDF

8. Reschke A, Marques LM, Mayworm MAS. Atividade antibacteriana de Ficus benjamina L. (Moraceae). Rev Bras Plantas Med. 2007;9(2):67–70.

9. Gudiña EJ, Rocha V, Teixeira JA, Rodrigues LR. Antimicrobial and antiadhesive properties of a biosurfactant isolated from Lactobacillus paracasei ssp. paracasei A20. Lett Appl Microbiol [Internet]. 2010;50(4):419–24.

Available at:

https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/10683/1/Gudiña_Letters in Applied Microbiology.pdf

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medicamento. Porto Alegre: Artmed; 2017. p. 285–305.

11. SALGADO P. Fenóis totais no cafeeiro em razão das fases de frutificação e do clima [Internet]. Piracicaba; 2004. p. 78. Available at:

www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11136/tde-26042005-145455/.../paula.pdf%0A

12. González AG, Freire R, Francisco CG, Salazar JA, Suárez E. 7-Dehydroagapanthagenin and 8(14)-dehydroagapanthagenin, two new spirostan sapogenins from Agapanthus africanus. Phytochemistry. 1974;13(3):627–32.

13. SANTOS, SC. MELLO J. Taninos. In: SIMÕES, C et al Farmacognosia: da planta ao medicamento. 6o ed Porto Alegre: Editora da UFRGS; 2007. p. 615– 57.

14. SCHENKEL, EP. GOSMANN, G. ATHAYDE M. Saponinas. In: SIMÕES, C et al Farmacognosia: da planta ao medicamento. 6o ed Porto Alegre: Editora da UFRGS; 2007. p. 711–64.

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