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História e meio ambiente: tecendo saberes e repensando práticas na sala de aula

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HISTÓRIA E MEIO AMBIENTE:

TECENDO SABERES E REPENSANDO PRÁTICAS NA SALA DE AULA

Rúbia Micheline Moreira Cavalcanti* Dar encaminhamentos e respostas objetivas às questões envolvendo o Meio Ambiente tem se constituído um campo de interesses e debates constantes envolvendo os mais distintos segmentos da sociedade contemporânea. O mais interessante, é que estes debates não se levantam sozinhos, todos se cruzam em algum momento da discussão.

Procurando alinhar-se ás discussões ambientais, governantes tem procurado inserir nas suas propostas governamentais elementos técnicos amparados por instrumentos teóricos que lhes permitam subsidiar e acompanhar o desenrolar desses debates e, assim enfrentar o desafio ambiental.

No Brasil a questão ambiental tem sido tratada com uma Política Nacional de Educação, Ministérios,i Decretos,ii Portarias,iii Pareceres,iv novos Institutos como o ICMBIOv e outros, no sentido de politizar e refletir as questões ambientais a partir de propostas e projetos que transitam sob a perspectiva ambiental. Sendo o maior deles, a permanência do homem na Terra e a sobrevivência dessa nos próximos séculos. Importante dizer, que estas preocupações passaram a serem projetadas em alguns países quando a ONU (Organização das Nações Unidas) preocupada com a depleção de recursos não renováveis colocou em pauta o problema, reunindo, em 1968, em Roma autoridades e cientistas que naquele ano, já sinalizavam futuros problemas que o planeta iria enfrentar, entre eles, “o crescimento demográfico e consequentemente o consumo”. Conforme escreve SORRENTINO (2008, p. 16) tais discussões nos colocavam, “Diante do aparente paradoxo de promover uma cidadania planetária que encare o desafio de decodificar e enfrentar essa complexa matriz de fatores que ameaçam a nossa existência”.

Diante das premissas que envolveram o chamado “Clube de Roma”vi é que se garantiu que a temática ambiental ganhasse contornos mundiais. O projeto de preservar a vida no planeta não seria mais um problema á ser tratado por um seleto e ilustre grupo de convidados da ONU, mas as populações em geral. O planeta todo, que busca incessantemente encontrar soluções para o assunto: preservação da vida e da terra.

Apresentada como problema, a questão ambiental torna-se imperante para a Conferência Mundial de Meio Ambiente Humano, quando se realizou em Estocolmo, Suécia,

* Professora Mestra - Departamento de História da Universidade Regional do Cariri – URCA: Crato - CE,

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no ano de 1972, o encontro que marcou definitivamente os sucessivos e ininterruptos debates envolvendo o efeito estufa, o buraco na camada de ozônio e, para alavancar ainda mais a discussão, clamando especialmente a atenção para os países desenvolvidos, um dos maiores vilões do planeta quando se trata de emissão de gases, não poderia ficar de fora: a poluição. Era chegada a hora de solidificar os discursos. Para tanto, era necessário revisitar os padrões culturais, comportamentais, políticos e principalmente educacionais das sociedades. Afinal de contas, os problemas ambientais seriam minimizados a partir do momento em que as sociedades se engajassem num processo que envolveria reorientação e reeducação no quesito meio ambiente. Criava-se o termo “Educação Ambiental” sob o qual se ergueria um novo debate, desta vez o encontro aconteceu em Belgrado, 1975, sob o olhar da ONU, que juntamente com estudiosos atentos às questões ambientais cuidaram de redigir “A Carta de Belgrado”.vii

Novas articulações governamentais e educacionais resultaram finalmente, no Primeiro Congresso Mundial de Educação Ambiental, que aconteceu em Tibilisi, Geórgia (na época ainda compunha parte do território da Ex-URSS), 1977, quando novos e antigos problemas passaram á condição de anexos das questões ambientais. Estava em pauta, naquela Conferência falar da produção de armas nucleares ou, antes, do desarmamento dos países que as possuíssem. Afinal de contas, era incoerente falar da preservação da espécie e do planeta, quando outros se preparavam exatamente para o contrário,extermínio. E o que de fato será feito, quando dessa conferência é redigido o livro “Nosso Futuro” (Our Common Future) que é avaliado por alguns estudiosos, como a cartilha que reuniu os elementos que norteou o encontro no Rio de Janeiro em 1992 (ECO – 92), assim como ficou reconhecido.

Entre as várias resoluções da Conferência de Estocolmo (1972), uma merece ser realçada, refiro-me especialmente a resolução em que intermediou o discurso em que se deve educar o cidadão no sentido de aplacar de perto os problemas ambientais.

Penso que esta questão, educação, é a que estimula e leva o indivíduo á pensar e ponderar sobre sua responsabilidade e inserção no meio ambiente. Contudo, esta mesma questão envolve os sujeitos em posições controversas diante de seus posicionamentos, especialmente quando o discurso ambiental se volta para a questão do consumo, questão que por sinal, continua gerando uma série de debates envolvendo especialistas de várias áreas do conhecimento, visto que para (BAUDRILLARD, 1995) “consumo constitui um ato de diferenciação social”.

Para outros, esse discurso ecológico deve levar em consideração que,

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vivemos numa sociedade moderna impregnada de valores consumistas, tudo leva a crer que a tarefa da redução do consumo será árdua, pois será preciso reverter valores culturais enraizados pela invasão maciça da vida pública e doméstica (PENNA, 1999).

Não faz parte dessa proposta, fazer considerações exaustivas sobre as tendências interpretativas que amparam a discussão envolvendo a EA (Educação Ambiental), embora claro, fique registrado aqui, que estas reflexões merecem espaço em qualquer discussão teórica e prática que envolve o tema meio ambiente. Como escreve ( LIMA 2008, p.125-125) “o campo demarcado pela EA é plural e reflete as principais tendências políticas, éticas e culturais do atual debate sobre sustentabilidade”. De modo, que me permitirei apenas em ilustrar o texto com duas grandes tendências interpretativas de caráter político-ideológico que fundamenta e legitima as discussões acerca dessas tendências: a tendência conservadora e a tendência emancipatória.

Considerei importante, mesmo com certa brevidade, esboçar uma leitura sobre a EA, visto a sua importância para compreender o contexto em que se inserem as novas proposições da UNESCO, no contexto das novas demandas socioambientais, em que se configura a criação da Rede Global de Geoparks como uma das idealizações pensadas por um dos seus segmentos (Divisão de Ciências da Terra) em parceria com outros organismos que pensam a questão da geoconservação, da geopreservação, do ensino e do geoturismo.

Não menos importante é a trajetória da História Ambiental. Contudo, nesta proposta buscaremos compreender a História Ambiental mais compactada em relação às demandas e necessidades do tempo presente. Para isso tomamos de empréstimo o que diz (SOFIATTI, p.2008, 50-51).

A crise ambiental da atualidade origina-se de uma concepção antropocêntrica, instrumentalizadora e utilitarista da natureza, cujas raízes remotas situam-se na tradição judaico-cristã, que constituiu o substrato dos paradigmas humanistas e mecanicistas, formulados na Europa entre os séculos XV e XVIII.

Nesses termos, (MARTINS, 2007, p. 75) esclarece ao aspirante desejoso em refletir sobre questões envolvendo História e Meio Ambiente que esta temática já era um instrumento teórico e recorrente nos textos historiográficos bem antes dos primeiros debates surgirem na década de 1970. Para tanto, diz o autor, que basta revisitar as obras de Roger Dion (1934); March Bloch (1930); Robert Gradman (1934). Ou, mesmo, parte da produção da chamada Segunda Geração dos Analles, onde encontraremos uma significativa produção historiográfica

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que já dava conta dos debates socioambientais. Dando visibilidade á esta consideração temos Braudel(1977) e Le Roy Ladurie(1977)

Foi através da Revista American Society for Environmental History (1977), que a História Ambiental se projetou no meio acadêmico, isso graças ao empenho de um grupo de especialistas norteamericanos, que de uma modesta associação onde se reuniam para discutir sobre natureza, a questão ambiental cruzou fronteiras e ganhou projeção entre os debates historiográficos, tornando-se atualmente, uma das questões mais frequente nos estudos que envolvem o tripé: homem/ sociedade e natureza no tempo presente.

Muitos títulos têm surgido relacionando a historiografia com a discussão ambiental, agraciando de um modo ou de outras questões pertinentes ao meio ambiente. São vários os autores que já se prestam á esse tipo de investigação. Porém, o nome de Donald Woster, serve para representar e ilustrar o elenco de autores que nos seus estudos procuram amparar-se nas proposições teóricas metodológicas que envolvem a História Ambiental. Visto que, será através dele, que a História Ambiental será descortinada para o mundo inteiro, em termos de produção acadêmica.

No Brasil, a historiografia não ficou apenas em contemplar as obras estrangeiras. Muitos estudos agraciaram e continuam á agraciar a natureza com excelentes títulos. Lembrando, que será com Warren Dean (1996) com o livro “A Ferro e Fogo” que uma onda de produção acadêmica arrastará excelentes nomes da historiografia brasileira para o universo do Meio Ambiente.

Nesse sentido, a questão ambiental bem como, as preocupações que cercam esta temática homogeneizaram-se á custa de experiências nunca antes vivenciadas e experimentadas pelo homem: tsunamis; degelo. De forma que se alargou o olhar sobre a natureza, especialmente no que diz respeito á questões como diversidade, conservação, sustentabilidade.

Face aos debates ambientais, a Divisão das Ciências da Terra da UNESCO, entendeu a urgência em retomar de forma sistêmica e organizada os debates que já se iniciara desde 1972.

Assim, nos informa SCHOBBENHAUS & SILVA (2012, p.31):

Especialistas de mais de 30 países reuniram-se em Digne-les-Baines, França, no 1º Simpósio Internacional sobre Proteção do Patrimônio Geológico, de onde os primeiros conceitos de Geopark foram formulados na “Declaração Internacional dos Direitos à Memória da Terra”. (1991)

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Como uma nova ideia surgiu o conceito de Geopark justificando a necessidade “de proteger o nosso patrimônio natural registrado nas rochas e paisagens”.

Em 2004, é criada pela UNESCO a RGGN (Rede Global de Geoparques Nacionais) onde a cada quatro anos, seus membros se reúnem regularmente procurando avaliar e garantir a qualidade das iniciativas dos Geoparques vinculados á este organismo. Buscando, com isso, preservar os princípios básicos que mapeiam e norteiam o bom funcionamento e desempenho dos Geoparques, especialmente no que diz respeito aos resultados que envolvem: “geoconservação, educação, desenvolvimento econômico e sustentabilidade financeira do geoparque, envolvimento na RGGN e visibilidade do geoparque a nível nacional e local”.

Partindo do entendimento da UNESCO que define Geopark como,

Um território com limites definidos onde se conjuga a geoconservação com um desenvolvimento econômico sustentável das populações que o habitam, sem esquecer as ligações com o restante patrimônio natural (fauna e flora) e Cultural arqueológico, arquitetônico, etnográfico, gastronômico. Nestes territórios, procura-se estimular a criação de atividades econômicas suportadas na geodiversidade da região, em particular de caráter turístico, com o desenvolvimento empenhado das comunidades locais. (SCHOBBNHAUS & SILVA, 2012, p. 32)

A Universidade Regional do Cariri, situada na cidade do Crato, região sul do Estado do Ceará, nordeste do Brasil, apoiada por entidadesviii ligadas ao Governo do Estado no ano de 2005, concomitante aos debates envolvendo homem, sociedade e natureza aspirou sua candidatura junto à divisão de Ciências da Terra, segmento ligado á UNESCO na Rede Global de Geoparks Network- GGN, apresentando o projeto que um ano mais tarde seria aprovado no dia 03 de julho de 2006, na Conference on Geoparks, Belfast, Irlanda do Norte, que reconheceu o Geopark Araripe como o primeiro a representar o Brasil e, o único em toda América Latina.

Configurando-se no perfil desenhado pela UNESCO o Geopark Araripe tem como carro chefe a Chapada do Araripe,ix um importante complexo sedimentar que na sua composição litológica caracteriza-se pela diversidade de rochas de diferentes épocas, inclusive da Era Pré- Cambriana que representa o primeiro nível de formação que reveste o planeta, presente especialmente no Geossítio Colina do Horto (embasamento cristalino da Bacia Sedimentar do Araripe). O que particulariza ainda mais a riqueza e geodiversidade que se expressa também nas jazidas de calcário laminado, conhecido na região como “pedra cariri”, os depósitos de gipsitas e argila, e água mineral.

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O Geopark Araripe tem procurado cumprir as suas propostas quando da execução do seu plano de trabalho e metas, no sentido de se fazer cumprir os objetivos os quais se propôs quando da apresentação do projeto.

De modo que a SECITECE - Secretaria de Ciências e Tecnologia do Ceará,

Tem buscado intensificar atividades turísticas especialmente nas áreas em que compreende os nove geossítiosx onde se encontram os Centros de Interpretação, cuja

finalidade é adaptar o espaço as características de cada um deles. Oferecendo atividades lúdicas que ajudam na compreensão dos visitantes e, principalmente permitindo a integração das comunidades dos arredores dos geossítios em atividades que promovam a utilização dos recursos sustentáveis, além-claro, de promover e incentivar o turismo de qualidade. Voltando-se especialmente para o desenvolvimento local e regional dos núcleos urbanos formados pelos municípios do Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e municípios do entorno constituintes da região metropolitana do Cariri e Geopark.

Conforme consta no Livro: Educação Ambiental, (Fortaleza-Ceará, 2010/2012).

O Geopark Araripe é um projeto ambicioso de gestão compartilhada de territórios com fortes atrativos naturais e culturais, manifestando claramente o potencial de produção, de desenvolvimento econômico e social integrado... Onde a expansão dos ideais de educação ambiental, geoconservação e promoção de turismo sustentável são um desafio constante para a equipe de gestão do Geopark Araripe apoiada na URCA e nos governo Municipal, Estadual e Federal.

A “educação ambiental” constitui fundamentalmente um requisito ás comunidades que vivem no entorno dos geossítios, de modo que o Geopark Araripe tem procurado construir uma “Agenda de Compromissos” envolvendo professores e gestores no sentido de garantir a proteção e preservação do Park, sua integridade e consequentemente permanência, criando oportunidades que possam beneficiar as populações locais com conhecimento científico, emprego e renda a partir de estratégias traçadas para esse fim, bem como atender as metas que garantam a eficiência e eficácia dos conceitos de proteção, educação e desenvolvimento sustentável através da conservação, educação e geoturismo.xi

Procurando agregar valores e conhecimentos historicamente e culturalmente construídos pelos moradores in lócus dos geossítios, um elenco de profissionais envolvendo Mestres, Doutores além de assessores técnicos, que compõe um quadro de profissionais qualificados do Geopark Araripe, veem oferecendo cursos de capacitação que permitem aproximar cada vez mais os moradores que vivem nos arredores dos nove geossítios inventariados, até então. Construindo e estreitando entre as partes, uma relação de parceria que reside especialmente na confiança e no desejo de despertar em cada um deles, o senso de preservação e zelo pelo patrimônio, e de forma mais particular, formando e despertando

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nestes indivíduos certa consciência crítica diante do patrimônio natural do qual fazem parte, além de lhes permitir formar uma identidade que os tornam singular. Visto que os mesmos compõe parte da rica e exuberante riqueza natural e cultural dos geossítios, onde os mesmos se destacam pelo seu caráter ímpar, que vai do aspecto estético, paisagístico, religioso, hídrico, econômico, paleontológico, fossílitico até o favorecimento dos mesmos para as práticas de geoturismo na região que atinge o Geoparke Araripe. Práticas estas, que são fortalecidas por ações e medidas nas quais o Geopark Araripe tem procurado se envolver diretamente, especialmente aquelas que envolvem educação ambiental, fato que se comprova com a atuação do Geopark Araripe nas romarias religiosas em torno da figura do Padre Cíceroxii que acontecem numa das principais áreas onde se localiza o Geossítio Colina do Horto,xiii visto que lá se concentra o maior fluxo de visitantes que buscam conhecer a estátua do Padre e pagar promessas feitas ao líder religioso, tornando uma das preocupações em relação à preservação daquele geossítio em época de grande romaria, uma vez que na superfície daquele geossítio encontram-se facilmente substratos graníticos que compõem o substrato rochoso da Colina do Horto passivo além da depreciação do tempo, também do enorme número de visitantes daquele local.

O geoturismo na região do entorno do Geoparque Araripe também é privilegiado por um amplo setor hoteleiro, o mais popular no entorno do geossítio Colina do Horto é o rancho, geralmente moradias transformadas em acomodações temporárias, principalmente para o turismo religioso, típico da região. Mas também conta com excelentes hotéis fazenda. O geoturismo também é favorecido por um elenco de ofertas de passeio, tais como trilhas na Floresta Nacional do Araripexiv (Flona), ciclismo, passeios pedagógicos e ecológicos, enfim, tudo muito bem assessorado por órgãos minimamente estruturados para este fim.

Para tanto, um grande esforço por partes desses profissionais tem sido levado em consideração, especialmente porque procuram em seus projetos potencializar as experiências dos moradores do entorno de cada geossítio, experiências estas, que são previamente detectadas apreciadas e, por fim, aproveitadas por estes profissionais, especialmente no artesanato. De modo que lhes permitam transformá-las em instrumentos de aprendizado através de práticas educativas e alternativas que para (NASCIMENTO, 2008, p.82) permitem: “promover e favorecer a minimização dos impactos e dos problemas socioeconômicos, além, da conservação do patrimônio natural para as presentes e futuras gerações.”

Nesse sentido, vale mencionar a criação do Centro de Interpretação e Educação Ambiental do Geopark Araripe (2010), onde acontecem atividades sócio educativas, as mais plurais que se podem imaginar, tais como: oficina de réplicas de fósseis, oficina de biojoias e

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outras que permitem divulgar o conceito de Geopark e de práticas de Educação Ambiental de forma interativa proporcionando uma leitura integrada dos aspectos histórico-cultural, sócio ambiental, paleontológico e paisagístico dos geossítios .

Comprometido com a Educação Ambiental o Geopark Araripe tem ratificado sua proposta junto a RGGN, através de medidas que tornam convincentes seu discurso frente à ao meio ambiente. Importante dizer, que apenas nove geossítios encontram-se devidamente sinalizados para visitação, onde posteriormente, deverão ser construídos os receptivos, ou infraestruturas adequadas que permitirão o bom acolhimento aos visitantes.

Em consonância com os Parâmetros Curriculares Nacionais, PCNs, o Geopark Araripe tem procurado envolver-se através de projetos na Área de História através do Departamento de História da Urca, onde se desenvolve atualmente o Projeto em História e Meio Ambiente através do Programa PIBID. Esse Projeto envolve vinte e quatro licenciandos bolsistas dispersos em três Escolas Públicas de Ensino Médio e Fundamental II da cidade do Crato, nas quais são realizadas atividades e temáticas relacionadas ao meio ambiente que permitem com que tanto discentes bolsistas, como os alunos das Escolas envolvidas no Projeto, possam pensar a dimensão histórica e antropológica dos Geossítios que formam o Geopark Araripe.

Registro, que durante a escrita desse texto o projeto contava com apenas três meses de execução, embora isto não tenha constituído nenhum obstáculo, haja vista, que num curto espaço de tempo muitas atividades foram desenvolvidas com êxito, a citar: oficina de réplicas de fósseis, oficina de biojoias onde os licenciandos puderam aprender as técnicas que irão reproduzir nas oficinas que serão desenvolvidas nas escolas que integram o projeto em História e Meio Ambiente; foram oferecidos também três módulos de fotografia onde puderam aprender desde técnicas de como fazer um projeto fotográfico, uso da fotometria, realização de fotos tendo a temática ambiental como recurso, enfim técnicas que permitam a introdução do uso da fotografia na sala de aula. Também se realizou uma oficina de História Oral que teve a professora Doutora Candace Slater da Universidade da Califórnia como ministrante, além dos encontros semanais que se tornaram frequentes, cujo momento é dedicado à leitura de livros, textos artigos onde a temática ambiental é abordada permitindo futuras intervenções teóricas nos textos que serão produzidos pelos bolsistas envolvidos no projeto. Vale ressaltar, que nesse curto período de vigência do projeto, em ocasião do III Encontro de Formação Docente, que aconteceu na Urca no período de 16 a 19 de outubro de 2012, foram apresentados painéis temáticos conferindo ao grupo o reconhecimento do público presente no evento, que contou com a supervisão e avaliação de representante da CAPS.

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Nesse sentido, espera-se com estas atividades, articular o discurso ambiental na sala de aula permitindo inclusive, contribuir para que os conceitos comuns ao fazer História Ambiental sirvam para orientar os docentes supervisores envolvidos no projeto a pensarem a inserção de futuros projetos envolvendo a questão ambiental, assim como determina a Lei 9.795/99, que incluiu o meio ambiente como um dos temas transversais na sala de aula. Constituindo, inclusive, uma das primeiras preocupações quando se estava na fase de elaboração do projeto, visto que se observou o quanto a proposta ambiental estava desfocada das atividades pedagógicas previstas por esses profissionais do ensino, refiro-me com particularidade a realidade encontrada nas escolas onde o projeto acontece, especialmente uma das escolas cujo IDEB era de 2.4, caracterizando mais um desafio á ser vencido pelo projeto: História e Meio Ambiente: Geossítios, ensino, turismo e desenvolvimento local. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

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BAUDRILLARD, J. A sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 1995.

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DUARTE. Regina Horta. História & Natureza. Belo Horizonte: Autêntica 2005.

DEAN, Warren. A ferro e fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica Brasileira. São Paulo: Companhia das Letras,1996.

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LOUREIRO, Carlos Frederico B. Situando a Educação Ambiental. In: Trajetória e Fundamentos da Educação Ambiental. São Paulo: Cortez, 2004, p. 70-137.

MORAIS, Edmundo Carlos de. A construção do conhecimento integrado diante do desafio ambiental: uma estratégia educacional. In: NOAL, Fernando de Oliveira et al (orgs)

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Tendências da Educação Ambiental Brasileira . Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 1998, p. 35-53.

MARTINS, Marcos Lobato. História e Meio Ambiente. São Paulo: Annablume, 2007..

MOCHIUTTI, Nair Fernanda et al. Os Valores da Geodiversidade: Geossítios do Geopark Araripe/CE. Anuário do Instituto de Geociências-UFRJ,v.35-12012,p173-189.

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WOSTER, Donald. Para fazer História Ambiental. In: Estudos Históricos, v 4 (8), 1991, p. 198-215.

Notas

i Ministério do Meio Ambiente.

ii Decreto nº 88.51/83, estabelece que compete às diferentes esferas do Poder Público “ orientar a educação ,em

todos os níveis para a participação efetiva do cidadão e da comunidade na defesa do meio ambiente”.

iii Portaria nº 2.421/91, de 1991 do MEC: institui em caráter permanente um Grupo de Trabalho para Educação

Ambiental.

iv Parecer nº 226/87, de 1987 do Conselho Federal de Educação, MEC: considera a necessidade da inclusão da

Educação Ambiental dentre os conteúdos a serem explorados nas propostas curriculares das escolas de 1º e 2º graus.

v Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade- é uma autarquia do Ministério do Meio Ambiente,

criado em 28 de agosto de 2007 pela Lei 11.516 com a missão de executar as ações do Sistema Nacional de Unidade.

vi “Cientistas de diferentes países que se reuniram para discutir as reservas de recursos não renováveis e o

crescimento da população mundial até meados do século XXI”, segundo informa LOUREIRO (2004).

vii “A Carta de Belgrado, define que a Educação Ambiental deve ser: continuada, multidisciplinar, integrada às

diferenças regionais e voltada para os interesses nacionais... aponta, entre outros, alguns princípios básicos da Educação Ambiental como o de contribuir para descobrir os sintomas e as causas dos problemas ambientais e para desenvolver o senso crítico e habilidades necessárias para resolução de problemas” (informação retirada da cartilha Educação Ambiental: edição para professores e gestores: Geopark Araripe, 2010-2011)

viii SECITECE- Secretaria de Ciências e Tecnologia do Ceará.

ix Segundo consta no livro Geoparque Araripe: História da Terra, do Meio Ambiente e da Cultura (2012): “A

Chapada do Araripe cobre uma superfície com aproximadamente 180kmº de comprimento (na direção leste-oeste) e largura variável entre 30 e 50 kmº compreendendo o extremo sul do Estado do Ceará, noroeste do

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Estado do Pernambuco e leste do Estado do Piauí. No geral, o topo encontra-se entre as altitudes de 850 e 1.000 m, sendo que o desnível médio do topo da sua base pode chegar a 300 metros”.

x UNESCO define GeossÍtios “como lugares ou pontos de interesse geológico, cujo valor destaca-os do meio

circundante por seu interesse geológico científico e/ou educativo e/ou turístico e/ ou cultural. Compõem a lista dos noves geossitios: Pontal da Santa Cruz (Santana do Cariri); Parque do Pterossauros (Santana do Cariri);Colina do Horto(Juazeiro do Norte);Pedra Cariri ( Nova Olinda );Ponte de Pedra (Nova Olinda);Riacho do Meio (Barbalha); Cachoeira de Missão Velha (Missão Velha); Floresta Petrificada do Cariri(Missão Velha) Batateira ( Crato).

xi No livro: Geoparques do Brasil, volume 1, o termo Geoturismo é essencialmente entendido como “turismo

geológico” e se centra na Geodiversidade. É uma forma de turismo de interesse especial focado na geologia e na formação de paisagens... Geoturismo compreende os elementos geológicos combinados com os componentes do turismo, como atrações, hospedagem, passeios, atividades de interpretação e de planejamento.

xii Líder político e religioso que tem seu nome associado ao milagre da hóstia. (Ler: DELLA CAVA, R. Milagre

em Juazeiro, Paz e Terra, 1997).

xiii Colina do Horto: é o único geossítio que mostra rochas magmáticas, com cerca de 650 milhões de anos, as

mais antigas da Bacia do Araripe.

xiv “A primeira do Brasil, localizada na Chapada do Araripe, no Extremo Sul do estado do Ceará, região Nordeste

do Brasil. Possui uma área de 39.262,326 hectares, abrangendo os municípios de Santana do Cariri, Crato, Barbalha e Jardim da Micro região do Cariri Cearense”.Ver referência na bibliografia.

Referências

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