ASSOCIAÇÃO ANGOLANA DE BANCOS
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COMUNICADO DE IMPRENSA
8 de Julho de 2009
UTILIZAÇÃO DOS MEIOS DE PAGAMENTO PARA A
REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES CAMBIAIS
1Informação para o público em geral
A Associação Angolana de Bancos (ABANC) tem acompanhado de forma permanente a recente evolução das políticas monetária e cambial.
Tendo em conta os objectivos da ABANC de manter a população bancária informada, de forma a proporcionar confiança e segurança na prestação dos serviços bancários e visando a máxima cooperação com o Banco Nacional de Angola (BNA) na implementação destas políticas, entendemos conveniente transmitir ao público em geral o seguinte:
A. Operações com o estrangeiro
Em termos gerais, as operações com o estrangeiro sujeitas a controlo cambial são divididas em 3 grupos principais, devendo os pagamentos para o exterior serem enquadrados e realizados de acordo com as respectivas normas do BNA, designadamente:
1. Operações de mercadorias;
2. Operações de invisíveis correntes; 3. Operações de capitais.
1. Operações de mercadorias
Caso as mercadorias não tenham ainda sido desalfandegadas:
• O pagamento das operações de importação de mercadorias, de valor até ao limite de USD 100.000,00 (cem mil dólares), pode ser efectuado através de ordem de transferência, sendo que para valores superiores a este montante se torna obrigatória a abertura de uma carta de crédito.
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Os limites em valor incluídos nas normas cambiais estão definidos em dólares, correspondendo ao valor equivalente em outra moeda estrangeira.
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2 • Caso seja exigido um pagamento inicial, poderá ser efectuado por ordem de pagamento, até ao limite de 20% (vinte porcento) do valor global.
• É necessária a apresentação, junto do banco comercial, do original da factura proforma licenciada (franqueada) pelo Ministério do Comércio. Caso as mercadorias já tenham sido desalfandegadas:
• O seu pagamento poder ser feito por ordem de transferência.
• É necessária a apresentação, junto do banco comercial, dos seguintes documentos:
a) Factura definitiva; b) Bill of Lading(BL);
c) Documento único aduaneiro (DU) e,
d) Caso a mercadoria seja alvo de inspecção, do documento de inspecção (CRF).
2. Operações de invisíveis correntes
A execução das operações de invisíveis correntes exige o cumprimento dos requisitos de prova impostos pelo Instrutivo nº 1/06 de 10 de Janeiro do BNA.
As operações de invisíveis correntes são sistematizadas da seguinte forma:
a) Operações comerciais
Para operações comerciais de prestação de serviços, os bancos estão autorizados a executar sem prévia autorização do BNA até ao limite anual, por beneficiário, de USD 100.000,00 (cem mil dólares).
Acima deste valor, deverá ser solicitada, por via do banco comercial, o respectivo autorização e licenciamento prévio junto do BNA:
• O BNA tem o prazo de 8 (oito) dias úteis a partir da data de recepção do pedido para notificar o banco comercial caso a informação se apresente de modo deficiente ou insuficiente; • Caso o pedido não seja aceite, o BNA deverá comunicar, de forma
fundamentada, 15 no prazo de (quinze) dias úteis;
• O licenciamento é feito através da emissão do Boletim de Autorização de Pagamento de Invisíveis Correntes (BAPIC); • O prazo de validade do BAPIC é de 90 dias.
O exemplo mais comum de uma operação comercial é o de uma prestação de serviço (consultadoria ou assistência técnica) por uma entidade não residente. Neste caso, o pagamento só pode ser feito mediante a apresentação dos seguintes documentos:
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3 • Factura comercial referente ao período dos serviços prestados
(caso já tenha sido emitida);
• Contrato de prestação de serviços.
b) Operações privadas e transferências unilaterais
Tipo de operação Elementos justificativos
Viagens de negócios, serviço e
formação Bilhete de passagem
Fins educacionais, científicos ou
culturais Comprovativo de matrícula
Tratamento de saúde Factura ou nota de débito
Outras viagens de carácter pessoal Bilhete de passagem;
Passaporte com visto de entrada no pais de destino
Manutenção de pessoas físicas no
exterior Atestado de residência e de documentos comprovativos da relação familiar.
Contribuições a entidades de classe Factura ou nota de débito
Para as operações privadas e transferências unilaterais, o limite de transferência por pessoa é de USD 15.000,00 (quinze mil dólares), não cumulativo, não podendo exceder o total de USD 60.000,00 (sessenta mil dólares) no período de 12 meses.
Outros aspectos a ter em atenção
De acordo com a norma, o BNA poderá exigir outros documentos considerados necessários para a análise do processo. Por outro lado, cabe aos bancos assegurar que as indicações e evidências produzidas pelos seus clientes correspondam aos propósitos de cada pagamento.
Por estes motivos, poderão existir procedimentos de diligência reforçada, que impliquem a prestação de informação adicional, tais como:
• Pedido de elementos sobre a existência legal da entidade beneficiária do pagamento;
• Pedido de tradução oficial de contratos;
• Pedido de passaporte com visto válido para viagens ao exterior.
3. Operações de capitais
Os pagamentos de operações de capitais requerem sempre o licenciamento prévio do BNA.
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4 O BNA emitirá, consoante os casos, uma Licença de importação de capitais (LIC) ou uma Licença de exportação de capitais (LEC). As licenças têm um prazo de validade de 180 dias, salvo se circunstâncias ou requerimento do interessado justificarem um período superior.
B. Venda livre de moeda estrangeira
A venda livre de moeda (sem justificativo) é limitada a USD 5.000,00 (cinco mil dólares) por pessoa. Este limite, que também se aplica às casas de câmbio, deverá ser entendido como máximo.
C. Movimentação de contas em moeda nacional e moeda estrangeira
As condições para a movimentação de contas em moeda nacional e moeda estrangeira encontram-se definidas no Aviso nº 3/2009 de 18 de Maio.
No que diz respeito ao levantamento em numerário ou transferências para outros bancos em Angola, das contas de depósitos em moeda externa, não existem quaisquer limites impostos pelo BNA.
No caso de serem feitos pagamentos para o exterior, há no entanto que cumprir as normas estabelecidas pelo BNA, relativas a, consoante o caso, operações de mercadorias, invisíveis correntes ou de capitais, anteriormente referidas.
D. Nota final
Decorrente da redução do preço do petróleo nos mercados internacionais, a ABANC reconhece existir uma situação de escassez de oferta no mercado cambial primário que, não só está a limitar a execução dos pagamentos para o estrangeiro por venda de moeda estrangeira, como também, por via daquele mercado, poderá estar a limitar a venda de moeda estrangeira nos balcões dos bancos.
Quanto aos pagamentos em Angola relativos a bens e serviços, a ABANC incentiva fortemente que sejam feitos em moeda nacional ao invés de serem feitos em moeda estrangeira. O BNA, juntamente com a EMIS – Empresa Interbancária de Serviços, na qual todos os bancos participam, têm vindo a promover e a desenvolver cada vez mais os sistemas de pagamentos em Angola em Kwanzas:
• Para valores elevados, o Sistema de Pagamentos em Tempo Real (SPTR) é um exemplo de um sistema seguro e rápido para a
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5 realização de transferências em Kwanzas de uma conta num banco para uma conta noutro banco.
• Para valores mais reduzidos, até Kz 1.000.000,00 (um milhão de Kwanzas), o cartão Multicaixa é um exemplo de um sistema seguro e rápido para a realização de transferências entre bancos, bastando para o efeito ter o Número Bancário Angolano (NBA) do beneficiário (constituído por 21 dígitos).
• O cartão Multicaixa pode ainda ser utilizado para pagamentos de serviços. Hoje em dia já é possível proceder-se ao pagamento das facturas de prestadores de serviços através do cartão Multicaixa (por exemplo, da Angola Telecom).
De forma a garantir-se a melhor execução dos pagamentos em moeda estrangeira, a ABANC apela aos utilizadores dos serviços bancários para o escrupuloso cumprimento das normas cambiais, no sentido de prestarem toda a informação nelas exigida.
Por outro lado, é importante realçar que, independentemente de haver ou não escassez de oferta no mercado cambial, ou se tratar de moeda nacional ou moeda estrangeira, os bancos poderão adoptar procedimentos internos de gestão de risco. Estes procedimentos podem eventualmente passar pela negociação de montantes máximos de vendas ou levantamentos de numerário no próprio dia, solicitando um pré-aviso, tendo em vista garantir a segurança dos valores em cofre, e a prevenção de fraudes.
A Direcção da ABANC recomenda que, os utilizadores dos serviços bancários, procurem informar-se junto dos bancos sobre as normas em vigor, e a solicitar os necessários esclarecimentos sempre que existam dúvidas, podendo também proceder à sua consulta através do Website do BNA que, para além se ser a única fonte de informação pública das normas, tem vindo a ser sistematicamente melhorado e actualizado.
Luanda, 8 de Julho de 2009 Associação Angolana de Bancos Secretariado-geral