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O ensino de línguas no Brasil de 1978: e agora?.

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Academic year: 2017

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R e v . B r a s i l e i r a d e L in g ü í s t i c a A p lic a d a , v . l , n . l , 1 5 - 2 9 , 2 0 01 15

O Ensino de Línguas no Brasil de 1978.

E Agora?

José Carlos Paes de Almeida Filho

U N IC A M P

T h e y e a r o f 1 9 7 8 s a w th e s t a g i n g o f th e f ir s t a c a d e m i c e v e n t d e v o t e d to c o m m u n i c a t i v e l a n g u a g e t e a c h i n g in B r a z il . T h e a u t h o r t r a c e s h i s p e r s o n a l p r o t a g o n i s m in c o m m u n i c a t i v e m o v e m e n t t h a t is la u n c h e d o n t h a t d a te . T h e a r tic le , th e n a t t e m p t s to o u tlin e th e still v e r y r e c e n t h is to r y o f t h e c o m m u n i c a t i v e i d e a s f o r l a n g u a g e t e a c h i n g i n t h e c o u n t r y , r e e s t a b l i s h i n g i t s f o u n d a t i o n s , p o t e n t i a l a n d m a i n o b s t a c l e s f o r n o t d e e p e n i n g i t s r o o ts a n d b l o s s o m i n g in th e c o u n t r y ’s la n g u a g e te a c h i n g

a n d a p p l i e d r e s e a r c h s c e n e s .

Introdução

V in te e trê s an os se p a s s a ra m d esd e q u e m e v i d ia n te d e u m a p la té ia a c a d ê m ic a e m F lo ria n ó p o lis fa z e n d o u m b a la n ç o d o s d e stro ç o s d o m o d e rn o estru tu ra lism o a u d io lin g u a lista no e n sin o d e lín g u a s fa z e n ­ d o a m e s m a p e rg u n ta c o n tid a n o títu lo d este tra b a lh o : e a g o ra p a ra o e n sin o d e lín g u a s n o B ra sil? N a q u e le m o m e n to p a re c ia c o rre to e u rg e n te p a ra o s q u e e sta v a m n o c a m in h o d a p e sq u isa e d a re fle x ã o so b re o e n sin o d e lín g u a s (E L ) le v a n ta r e ssa in d a g a ç ã o sob re o p ró x im o e stá g io do d e ­ s e n v o lv im e n to n a c io n a l n e sse â m b ito . Isso p o rq u e e m 1978 v o ltá v a m o s a o B r a s il, d e p o is d e u m p r o g r a m a d e e s tu d o s p ó s - g r a d u a d o s e m L in g ü ís tic a A p lic a d a n a In g la te rra , C a rm e n R o sa C a ld a s-C o u lth a rd e eu. A m b o s se n tía m o s o p eso do s v e n to s de m u d a n ç a q u e so p ra v a m cé le re s n a E u ro p a d o e n tã o M e rc a d o C o m u m e m c o n stru ç ã o n a s q u e stõ e s e d u ­ c a c io n a is e n o â m b ito do E L e m p a rtic u la r p a ra nós.

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1 6 R e v . B r a s i l e i r a d e L i n g ü í s t i c a A p l i c a d a , v . l , n . l , 2 0 0 1

P a re c e u -n o s à é p o c a q u e v iv ía m o s a a u ro ra d a E ra d e A q u á rio p a r a a L in g ü ístic a A p lic a d a e o E n s in o de L ín g u a s E stra n g e ira s (E L E ),

N a E s c ó c ia e In g la te rra m a is p re c isa m e n te em E d im b u rg o e em M a n c h e ste r, tín h a m o s a tra v e ssa d o o tu fã o filo só fic o das p ro p o sta s c o ­ m u n ic a tiv a s d o s m e a d o s d o s a n o s 7 0 e a g o ra e s tá v a m o s d e v o lta a F lo ria n ó p o lis e S ã o P a u lo p a ra e n fre n ta r o so n h o de m u d a n ç a e a tu a liz a ­ ç ã o e m te rra p á tria .

D o m e sm o S em in ário de F lo rian ó p o lis c o n sta v a co m o p a le stra n te c o n v id a d o o a u to r d o que c o n sid e rá v a m o s c o m o a p rim e ira sé rie d id á tic a fu n c io n a l (b a se a d a e m fu n ç õ e s c o m u n ic a tiv a s) a se r in tro d u z id a n o B ra ­ s il - B ria n A bb s, q u e ju n ta m e n te c o m o In g rid F re e b a im la n ç a v a m n o país a e n tã o n o v id o sa sé rie S tra te g ie s. A série fo i p ro n ta m e n te a d o ta d a n un s p o u c o s cen tros m a is a tira do s d e e n sin o de in g lê s, en tre e les, a P U C - S ão P a u lo , a S o c ie d a d e B ra sile ira d e C u ltu ra In g le sa d e S ão P a u lo e a U n i­ v e rs id a d e F e d e ra l d e S a n ta C a ta rin a .

A m in h a te s e de m e stra d o so b re a a b o rd a g e m n o c io n a l-fu n c io n a l d e u m p la n e ja m e n to d o c u rso p a ra o c o n te x to u n iv e rsitá rio b ra sile iro d e fe n d id a no v e rã o in g lê s de 1977 q u a lific a v a -m e c o m o p a le stra n te (e m ­ b o r a v is iv e lm e n te in e x p e rie n te n a trib u n a d a fa la p ú b lic a ) e c o m o d e b a te d o r d a a b o rd a g e m e n tã o e m e rg e n te . M a is ta rd e e ssa a b o rd a g e m (c o m u n ic a tiv a ) q u e se o p u n h a à g ra m a tic a l ou fo rm a lista se ria re c o n h e ­ c id a co m o u m v e rd a d e iro p a ra d ig m a a lte rn a tiv o (p a ra u s a r a n o m e n c la ­ tu ra de K unh, 1970) p a ra o ensino da s líng uas nas escolas. E sse p a ra d ig m a o u m o d e lo te ó r ic o , v e ría m o s d e p o is , n ã o e r a u m f lo r ã o c a s u a l d a L in g ü ís tic a A p lic a d a m as u m p a d rã o n o v o a lin h a d o c o m as p ro fu n d a s m u d a n ç a s p a ra as c iê n c ia s in ic ia d a s n o ú ltim o q u a rte l d o s é c u lo 18 c o m o s tra b a lh o s d o filo s ó fic o a le m ã o H e g e l, c o n fo rm e v e re m o s a o fin a l da s e ç ã o 2 adian te.

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R e v . B r a s i l e i r a d e L i n g ü í s t i c a A p l i c a d a , v . l , n . l , 2 0 0 1 17

d ir e tr iz e s p a r a o e s f o r ç o e u r o p e u d e r e n o v a ç ã o d o e n s in o (T rim , R ic h te ric h , v a n E k en tre o u tro s) e m u ita s id é ia s e m g e sta ç ã o , c o m o as de H e n ry W id d o w so n q u e e m 7 8 p u b lic a ria ta m b é m o liv ro se m in a l

The

Teaching o f Language as Communication

a p a rtir d o se u tra b a lh o na U n iv e rsid a d e de E d in b urgo , n a E sc ó c ia . T endo sido alu n o d e W idd ow so n n o p ro g ra m a d e p ó s-g ra d u a ç ã o e m L in g ü ís tic a A p lic a d a d e E d in b u rg o , E s c ó c ia , p re p a re i eu m e sm o a tra d u ç ã o de ssa o b ra q u e e m P o rtu g u ê s re c e b e u o títu lo d e

O Ensino de Línguas para a Comunicação.

O s v e n to s c o m u n ic a tiv ísta s e ra m tã o fo rte s q u e fa z ia m lin g ü ista s c o m p e n e tra d o s e m seu e sfo rç o d e s c ritiv o d o in g lê s re d ig ire m v ersõ es c o m u n i c a t i v i s t a s d a g r a m á t ic a ( v id e L e e c h e S v a r tv ik , 1 9 7 5

A

Communicative Grammar ofEnglish).

C ríticas ao en sin o a u d io lin g u alista e n tã o v ig e n te j á se a c u m u la v a m d e s d e m e a d o s d o s a n o s 6 0 (v id e N e w m a rk , 1966, p o r e x e m p lo ) ta n to n a E u ro p a q u a n to n o s E sta d o s U n id o s . O B ra sil n e ssa é p o c a (d é c a d a s de 6 0 e 7 0) p ra tic a m e n te n ão tin h a p ro d u ç ã o p ró p ria e s p e c ífic a e m te o riz a ç ã o so b re o e n s in o d e lín ­ g u a s e m u ito m e n o s c rític a s u s te n ta d a do e n sin o e s tru tu ra lis ta fo rte m e n ­ te o rto d o x o e e m fra n c a c o n s o lid a ç ã o n o país.

N o in íc io d e 7 6 j á c o rria n o s m e io s ac a d ê m ic o s b ritâ n ic o s a n o tí­ c ia d a p u b lic a ç ã o p ró x im a d o liv ro d e D a v id W ilk in s. M in h a d isse rta ç ã o d e m e stra d o j á ap ro v a d a e n q u a n to p ro je to n ão p o d ia e s p e ra r q u e o liv ro c h e g a s s e a liv ra ria d a u n iv e rs id a d e e p o r isso v ia je i e m ju n h o a R e a d in g e m b u s c a d o te x to tã o a g u a rd a d o . E m dois ou trê s d ia s tu rb u le n to s em R e a d in g , m a n tiv e con tato c o m co la b o ra d o re s p róx im o s de W ilk in s (K eith M o rro w e K e ith J o h n so n ) e v o lte i a M a n c h e ste r c o m u m e x e m p la r do liv ro d e b a ix o d o braço .

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18 R e v . B r a s i l e i r a d e L i n g ü í s t i c a A p l i c a d a , v . l , n . l , 2 0 0 1

p la n e ja d o re s e o p ro c e d im e n to d e c o n s u lta ao s a lu n o s so b re se us in te re s ­ ses e n e c e ssid a d e s d e s lo c a ra m a g ra m á tic a c o m o p re o c u p a ç ã o c e n tra l n o p r o c e s s o de en sin o e a p re n d iz a g e m d e u m a n o v a lín g u a . E ssas c a ra c te ­ rístic a s j ã nos faziam a n te v e r que a lg o im p o rta n te e p ro fu n d o e sta v a o c o r­ re n d o e n q u a n to fu n d a m e n ta ç ã o e p r á tic a d o e n sin o de lín g ua s.

O s p ro fe sso re s e m cen tros m a is a v a n ç a d o s de e n sin o d e lín g u a s n o B r a s il n e ssa é p o c a (p o r v o lta de 7 8 ) m o stra v a m -se g e ra lm e n te m u ito c u rio so s p o r c o n h e c e r e e x p e rim e n ta r o en sino fu n c io n a l m as alg u n s p ro ­ fis s io n a is m ais g ra d u a d o s à é p o c a a p re ssa ra m -se e m m o stra r su a s o b rie ­ d a d e c é tic a so la p a n d o as in fu n da da s e sp e ra n ç a s de re v o lu ç ã o . U m a c ríti­ c a p ro d u z id a em 1979 p o r H en ry W id d o w so n , ele m e sm o u m p ro p o n e n ­ te d é id é ia s a lin h a d a s c o m o m o v im e n to c o m u n ic a tiv o , c o n tra p re s s u ­ p o s to s d a p rim e ira g e ra ç ã o de c o m u n ic a tiv a s fu n c io n a is, d eu m u n iç ã o e x tra a o s e stru tu ra lista s m o d e rn o s b ra sile iro s q u e se a p re ssa ra m e m d is ­ sip a r a lta s e x p ec ta tiv as (se m fu n d a m e n to , se g un d o o au tor) d a re v o lu ç ã o n o e n s in o d e lín g ua s. O m o v im e n to c o m u n ic a tiv o se ria u m m e ro m o d is ­ m o fa d a d o a u m a tra je tó ria e fê m e ra se m m a io r im p ac to .

A p ó s 23 a n o s d a data da a p ro v a ç ã o da m in h a d isse rta ç ã o em M a n c h e s te r e do S e m in á rio de F lo ria n ó p o lis é a in d a v á lid o in d a g a r - e a g o ra ? É u m a p e rg u n ta v á lid a p a ra u m la rg o e sp e c tro d o co rp o p ro fis s i­ on al p a r a q u e v a le u -se d e s se p e río d o d e te m p o p a ra fa m ilia riz a r-se co m as b a s e s d o c o m u n ic a tiv ism o . Q u e ro d iz e r que a in d a é líc ito in d a g a r “ o q u e f a z e r d o m o v im e n to c o m u n ic a tiv o ? ” . É o u sa d ia fa z e r a p e rg u n ta , p o rq u e m u ito s já q u e s tio n a ra m a v ita lid a d e e v a lid a d e do s fu n d a m e n to s d a filo s o fia c o m u n ic a tiv a . P a ra a lg u n s a a b o rd a g e m te ria fra c a ssa d o n a su a p ro m e s s a de m a te ria liz a r a c o m p e tê n c ia co m u n ic a tiv a no s a p re n d i­ zes. P a r a o utros h a v e ria n a a b o rd a g e m p ro b le m a s c o n c e itu a is sério s (p o r e x e m p lo , é in g ê n u a n a su a c o n c e p ç ã o d e lin g u a g e m , no q u e p ro je ta c o m o p a p e l do a p re n d iz , etc.) q u e a in v ia b iliz a ria m afin al. E ssa n ã o é a m in h a p o siç ã o co n fo rm e ex plic arei e a rg u m en ta re i m ais adian te n o texto.

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R e v . B r a s i l e i r a d e L i n g ü í s t i c a A p l i c a d a , v . l , n . l , 2 0 0 1 19

c o n c re to d a p rá tic a . A d im e n sã o d o q u e a in d a é p re c iso fo rm u la r p o d e in tim id a r n u m a p rim e ira to m a d a d e c o n sc iê n c ia m as d e v e m o s sem p re re a firm a r n o s sa d isp o siç ã o d e a v a n ç a r n o s esfo rço s d e c o n stru ç ã o te ó ri­ ca e r e n o v a ç ã o c a u te lo sa d a p rá tic a n o s ano s e d é c a d a s v in d o u ro s.

N e s te tra b a lh o v o u a rris c a r u m c o n d e n sa d o e sta d o d a arte da a b o rd a g e m c o m u n ic a tiv a d o e n s in o d e lín g u as ta n to c o m o p a ra d ig m a p a ra a fo rm a ç ã o d e p ro fe sso re s q u a n to p a ra a p e sq u isa a p lic a d a d o p ro ­ c e sso s v ita is d e e n sin o e a p re n d iz a g e m d e lín g u a v o lta d o s p a ra a a q u isi­ ç ã o . A o e n fre n ta r e ssa s d u a s q u e s tõ e s te re i o c a s iã o d e re c o m p o r o p a ra d ig m a c o m u n ic a tiv o h o je so b a ta q u e s e e n fre n ta n d o c rise s iso la d a s d e d e s c o n fia n ç a aq u i e a c o lá a lé m d e te n ta r re sp o n d e r à q u e stã o q u e nos m o v e n e s ta ta re fa - e o q u e é q u e v irá ?

Abordagem como filosofia de ensino e como paradigma de

pesquisa

O s p ro fe sso re s de lín g u a s p re c isa m , e n tre o u tra s c o u sa s, p ro d u ­ z ir o se u e n sin o e b u s c a r e x p lic a r p o rq u e p ro c e d e m d as m a n e ira s c o m o o fa z e m . P a r a d a r c o n ta d e sse d u p lo d e sa fio , o m o v im e n to c o m u n ic a tiv o tem s u g e rid o a lç a rm o s a p o s iç ã o m a is a lta o nív el d e a b stra ç ã o d a s c re n ­ ças e p re ss u p o sto s g u ia s. Isso e q u iv a le a e le v a r a a b stra ç ã o d o n ív e l do m é to d o (m a te ria lid a d e d e en sin o , fó rm u la está ve l de aç ã o p e d a g ó g ic a ) p a ra a b o rd a g e m (co njun to de c o n c e ito s n uc le ad o s so bre a sp e c to s cruciais d o a p re n d e r e e n sin a r u m a n o v a lín g u a ). N o te -se q u e o a lç a m e n to d e ssa a b stra ç ã o se d á p a ra u m p a ta m a r a in d a m a is acim a de

metodologia

to m a ­ d a c o m o c o n ju n to d e id é ia s q u e ju s tific a m o e n sin a r d e u m a c e rta m a n e i­ ra, isto é, u m m éto d o . A a b o rd a g e m é m a is am p la e a b stra ta d o q u e a m e to d o lo g ia p o r se e n d e re ç a r n ã o só ao m é to d o m a s às o u tra s trê s d i­ m e n sõ e s d e m a te ria lid a d e d o e n sin o , a saber, a do p la n e ja m e n to ap ó s a d e te rm in a ç ã o dos o b je tiv o s, a d o s m a te ria is (que se e s c o lh e m o u se p ro ­ d u z e m ) e a d o c o n tro le do p ro c e ss o m e d ia n te a va liaç õ es.

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2 0 R e v . B r a s i l e i r a d e L i n g ü í s t i c a A p l i c a d a , v . l , n . l , 2 0 0 1

p a is d e alu no s) q u e tê m p o d e r n o s c o n te x to s o n d e es tiv e re m , as id é ia s de a u to re s de m a te ria is ad o tad os e d e fo rm u la d o re s de e x a m e s o u outros tip o s d e in stru m e n to s de a v a lia ç ã o in tro d u z id o s no p ro c e ss o . In c id e ain ­ d a c o m o fo rç a c o n c o rre n te à d a a b o rd a g e m do p ro fe s so r a c o n c e p ç ã o de a p re n d e r (a c u ltu ra de a p re n d e r c o n fo rm e n o m e e i em ou tro s tra b a lh o s - A lm e id a F ilho , 1 9 9 3 ,1 9 9 7 ,1 9 9 9 ) d o s alu n o s a p re n d e n te s d e lín g u a s.

D e fo rm a su cinta, são 6 os fo rm a n te s do c o n stru to d a ab o rd a g e m q u e se eq u a c io n a m de algu m m o d o e m c a d a c a so de e n s in o /a p re n d iz a ­ ge m :

- um conceito de aluno aprendente de língua como p esso a em processo de socialização humanizadora

- um conceito de língua estrangeira e de linguagem humana - um conceito de aprender língua outra que não a L I

- um conceito de ensinar uma nova língua a quem deseja ou precisa dela

- um conceito de sala de aula d e língua estrangeira (ou de representa­ ção do lugar de aprendê-la)

- um conceito de pap éis a desem penhar no processo seja com o aluno seja como professor

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V eja m os os fo rm a n te s e sb o ç a d o s no d ia g ra m a a p re se n ta d o na F ig .l a b aixo :

R e v . B r a s i l e i r a d e L i n g ü í s t i c a A p l i c a d a , v . l , n . l , 2 0 0 1 21

d efinição de objetivos e planejam ento de cursos

materiais (produzidos ou adotados)

expenencias de ensinar e aprender a língua-alvo

controle m ediante a v a liações

A s d e fin iç õ e s m a is p re c is a s d o s fo rm a n te s ou e le m e n to s do c o n s tru to d a a b o rd a g e m e stã o p o rm e n o riz a d a s e m te x to s a n te rio re s que p o d e m se r a c e ssa d o s c o m fa c ilid a d e . V ejam -se, p o r e x e m p lo , A lm e id a F ilh o (1 9 9 3 , 1997 e 1999) e B a rç a n te A lv a re n g a (1 9 9 9 ) e n tre o utro s.

É s u fic ie n te le m b ra r a q u i q u e m u ita s a lte ra ç õ e s n a s c o n d iç õ e s e n a s a ç õ e s v e rific a d a s n as situ aç õ e s de ensino p o d e m o c o rre r p a ra as quais n ã o h a v e rá a lte ra ç õ e s no s fo rm a n te s c o n ce itu ais. N e sse c aso , d ire m o s q u e a ju ste s su pe rficiais nas m ate ria lid a d e s do e n sin o -a p re n d iz a g e m o c o r­ r e ra m e n ã o m u d a n ç a s p ro p ria m e n te d itas n o â m b ito m a is a lto e a b stra to d a a b o rd a g e m q u e e m ú ltim a in stâ n c ia de te rm in a a n a tu re z a filo só fic a ou q u a lid a d e fu n d a n te do p ro c e sso in sta u ra d o / vivid o.

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2 2 R e v . B r a s i l e i r a d e L i n g ü í s t i c a A p l i c a d a , v . l , n . l , 2 0 0 1

n o v o s p ro fe sso re s o u au xiliar p ro fe s so re s e m b u s c a de fo rm a ç ã o p e rm a ­ n e n te /c o n tin u a d a . M a s p o d e ría m o s ig u a lm e n te to m a r a p e rs p e c tiv a da a b o rd a g e m co m o re fle tid o ra d e c â m b io s e e q u a ç ã o c o n tín u a d e um p a ra d ig m a ou m o d e lo de fa z e r p e s q u is a a p lic a d a ru m o à p ro d u ç ã o de m a is c o n h e c im e n to s re le v a n te s so b re o en sin o e ap re n d iz a g e m de lín g u as n a s c o n d iç õ e s q u e te m o s.

N e ssa ó tic a d e p esq u isa, a a b o rd a g e m ra d io g ra fa d a e c o n stru íd a e m c o n stru to s te ó ric o s c a d a ve z m a is a b ra n g e n te s e fu n d a m e n ta d o s se r­ v e c o m o n u c le a d o ra d e c o n ce ito s c o n v e rg e n te s e x p lic a d o re s d a s ações típ ic a s e stu d a d as e d as u to p ia s d a é p o c a c o lo c a d a s no h o riz o n te d o s d e ­ s e jo s p ro fissio n a is d o s p ro fe sso re s. O a lto p o d e r de a b stra ç ã o p e rm itid o ao e stu d o d a a b o rd a g e m fac ulta a e le v a ç ã o d o m e sm o b e m a c im a do p a ta m a r do m é to d o (c o m o as e x p e riê n c ia s d e e n sin a r e a p re n d e r a lín - g u a -a lv o ) e isso, p o r su a vez, p e rm ite -n o s e x p lic a r p o rq u e a m u ita s m u ­ d a n ç a s ao nív el do m é to d o n ão c o rre sp o n d e m g an h o s, ou a lte ra ç õ e s p e lo m e n o s, nos re su lta d o s da ap re n d iz a g e m .

(9)

R e v . B r a s i i e i r a d e L i n g ü í s t i c a A p l i c a d a , v . l , n . l , 2 0 0 J 2 3

A r c a b o u ç o c a r te s ia n o ( D e s c a r te s , 1 5 1 6 -1 6 5 0 )

n a tu r e z a d a m e n te

é

in d iv id u a l a m e n te é e s tá tic a e p a s s iv a n a a q u is iç ã o d o c o n h e c im e n to c o n h e c im e n to é a d q u irid o a tr a v é s d e lo g a ritm o s

o c r ité r io d o c o n h e c im e n to é e x te r n o

b u s c a d o q u e é c e r to (u n iv e rs a is in v a riá v e is )

- a h is tó r ic o

A r c a b o u ç o h e g e lia n o (H e g e l, 1 7 7 0 -1 8 3 1 )

n a tu r e z a d a m e n te é s o c ia l m e n te é d in â m ic a e a tiv a n a a q u is iç ã o d o c o n h e c im e n to

c o n h e c im e n to é a d q u irid o n u m c írc u lo q u e r e to m a s e m p r e a si m e s m o

o c r ité rio d o c o n h e c im e n to é in te rn o

n a tu r e z a d ia lé tic a d o s e r (s ó p o r c o n tra d iç ã o a s c o is a s m u d a m

h is tó ric o

o cenário da

O ensino de línguas estrangeiras no Brasil

-prática e o horizonte da vanguarda

H á u m a g ra n d e d ife re n ç a n o B ra sil en tre o q u e se p rá tic a d e e n s i­ n o d e lín g u a s n a s e sc o la s e sa la s d e a u la e o q u e p ro je ta m a c a d ê m ic o s, te ó ric o s e p e sq u isa d o re s n o c e n á rio u n iv e rsitá rio d o s c u rso s d e L e tra s e p ro g ra m a s de p ó s-g ra d u a ç ã o e m L in g ü ís tic a A p lic a d a , L e tra s e E stu d o s d a L in g u a g e m .

A c e n a c o tid ia n a d e e n s in o d e líng u as n o p aís, a lé m de d ísp a r e n tre as re g iõ e s, é ig u a lm e n te d iv e rsa q u an d o c o n sid e ra m o s o tip o de e s c o la (se p ú b lic a s, p a rtic u la re s, re g u la re s ou in stitu to d e lín g u a s) e a re a lid a d e de alg u n s n ic h o s (u n iv e rsitá rio s e x p e rim e n ta is, e m p re sa ria is, im e rs iv o s te m p o rá rio s, etc).

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2 4 R e v . B r a s i l e i r a d e L i n g ü í s t i c a A p l i c a d a , v . ] , n . l , 2 0 0 1

to rn o u -s e u m a idéia te ó ric a para ser c o m pree n d id a e m sua anatom ia e dinâ­ m ic a n a s salas de au la que não q u ise ssem m ais apenas o figurino da d istin ­ ção.

É nisso que estam os. N osso tre m da distinção popularizada ainda corre v e lo z antes que possam os freiá-lo e m udá-lo de trilhos.

O cenário d a p rá tic a que tem a estética d a distinção (m e sm o que p á lid a a po nto de q ua se n e m ser recon hec ív el) é abalado p or sinais de novos te m p o s (no vas d e m a n d a s e m fu n ç ã o d e n o v a s te c n o lo g ia s e re la ç õ e s econ ôm icas) e p or co n diçõ es depauperantes do tecido social onde fic am as escolas e do processo form ativo dos n o vo s professores.

O cenário alternativo da fo rç a n o aprender em uso e para usos reais vai p o r u m lado p or n ov as exigências d a v id a e do trabalho e, p o r outro, pelo h o riz o n te desej ado p o r u m a v ang uarda o u elite acadêm ica ocupada sistem a­ tic a m e n te e m rein ven tar cam inhos.

C onform e já se p o de ver, esta racion aliza ção analítica de u m agente ac ad êm ic o desqualifica a visão p o r m ov im entos cíclicos ou pendulares, ora esta m o s a ensinar fo rm a explicitam ente, ora só im plicitam ente. S em pre que essa im a g e m valer estare m os reforç and o a noçã o de que nossa área é u m a m e ra a re n a prática p a ra eventuais aplicações de idéias m om entosas d o p ró ­ prio E n sin o de L ín gua s e das outras ciências, a lingüística princ ipalm ente entre elas.

S e não aceitarm os a im age m do pê nd ulo que vai e volta se m sair do lugar, sem que haja progresso, a pe rg un ta “e agora?” poderia então querer diz er “o que m ais ag o ra? ” ou “que n ov as transform ações esperar ag o ra?” .

S e quiséssem os perguntar h on estam en te “o que é que devem os en­ fre ntar ag o ra com o n o v o s m o vim entos gerados pelas m udanças anun cia­ d as?” , a indagação seria de todo ju sta h o je e m dia. C on siderando-se que o m o v im en to com unicativo faz vinte e três anos no B rasil em 2001, o prim eiro no n o v o século, a qu estã o que se põ e n ão é exata m en te sobre acréscim os ou variaçõe s do que se apresenta com o o no vo no ensino das línguas m as p or um de sejo no horiz on te profissional q u e j á lá está po r algum te m p o sem claras indicações de c o m o com preendê-lo e com o proceder inform adam ente pa ra fru í-lo num esforço profissional nacional.

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R e v . B r a s i l e i r a d e L i n g ü í s t i c a A p l i c a d a , v . ] , n . ] , 2 0 0 1 2 5

Q u and o o ensino reco nh ecid o n o horizonte fo r confirm ado com o c om prom e tid o com o uso, ainda assim será preciso perg un tar sob re a natu­ rez a d a ca m in ha da até lá chegar. P o d e -se tom ar o ru m o básico d e en sin ar e ap ren d er o sistem a prim eiro e ir en saian d o o uso pau latinam ente o u pode-se v iv er a co m u nicaç ão (m esm o q u e p recariam en te no início) e, nela, aprender a lín g u a e, em alguns m om entos, so bre ela. E sse segundo cam in ho é o que ten h o to m a d o co m o o cam inho d a ab orda g em com unicativa e o prim eiro o d a ab o rda ge m sistêm ica p ela fo rm a (gram atical).

É preciso re afirm ar m il ve z e s que esses cam inhos n ão são iguais variando apenas a paisagem - q u e p o ssu e m os m esm o s ele m en tos teóricos c o m ên fases distintas. T rata-se de qualidad es distintas de en sin ar e aprender lín gu as q u e precisam os rec o n he ce r p a ra escap ar de confusões retardadoras do a va nç o das concepções e d a p rá tic a de ensinar línguas.

E m seguida, quero re afirm ar alguns traços distintivos essenciais que rec o n h eç o n a grande abordagem co m unicativ a (o cam inho d a com unicação e m direção ao ho rizonte de uso adq uirid o d a nov a língua). A prim eira arm a­ dilh a será evitad a n ão se tom an do q u e tu do é com unicativo n o pro cesso de aprend izage m , c o m isso im p lican do q u e n ad a é de fato e a rig o r com u nic ati­ vo.

N o quadro que apresento a se gu ir (Q uadro 1), separei os sentidos pe riférico s ou até m esm o errôneos do que seja “abo rdagem com unicativa” p a ra as pesso as não-leigas, dos sen tid os centrais que constitu em a filosofia com unicativa. E stes dados foram prelim inarm ente levantados a p a rtir de en­ trev istas co m professores e ex am e de obras correntes de refe rê n cia teórica.

Quadro 1. Traços distintivos do paradigma comunicativo

Sentidos periféricos ou errôneos

F azer uso da m ídia

® E ntender toda ação lingüística com o comunicativa

® Tomar com unicação como de transm issão de sinais elétricos envolvendo tráfego de informação

® R eferir-se ao m ovim ento norte-am ericano de ensino de escrita a calouros baseado em habilidades e estratégias

® Indicação de fo c o na oralidade

ô E quacionar s e r com unicativo com p o ssu ir person alidade agradável, tom sim pático, aberto, fluente e desin ibido

A b o lir a gram ática

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2 6 R e v . B r a s i l e i r a d e L i n g u í s t i c a A p l i c a d a , v . l , n . l , 2 0 0 1

Interagir (pura e simplesmente)

® D ialogar ou m onologar criticam ente na L I

Sentidos centrais

® A nti-anterioridade (anticentralism o) da gram ática ou estrutura frá stica no processo d e ensino aprendizagem de línguas

© F oco em recortes de atividades desejadas produzidos na p ró p ria língua-a lvo (Ex. O u vir plíngua-alestrlíngua-a e língua-anotlíngua-ar,; receber (ler) mensagem e respondê-la, iniciar conversação, e tc )

© P r im a z ia d a c o n s tr u ç ã o d e s e n tid o s na LE num a m b ie n te d e com preensibilidade e ausência de p ressã o em ocional

© P rocesso com plexo de ensinar e apren der línguas no qual a dim ensão lingüística da fo rm a não é a m ais im portante, m as subsidiária da dim en­ são social, cultural e eventualm ente p o lítica

® A prender com unicação na com unicação, m esmo que, no inicio, com anda­ im es facilitaâores

© D eslo ca r a idéia de aprender língua p e la língua p a ra aprender outras coi­ sa s na língua-alvo e, nesse am biente, apren der a língua

® Uso de nomenclatura não-gram aticalista., isto é, de term inologia específi­ ca com o função, expoente de form u lação, recorte comunicativo, p a p el so ­ cial, tema, tópico, etc

® O bservação dos interesses e eventuais n ecessidades e fa n tasias dos p a rti­ cipantes pa ra com por objetivos do curso

A re a liz a ç ã o desses tra ç o s d o c e rn e c o m u n ic a tiv o (a c o m p a n h a ­ d o s o u n ão de tra ç o s p e rifé ric o s) n u m e n s in o alte rn a tiv o c a ra c te riz a d o p e la c o m u n ic a ç ã o en q u a n to se a p re n d e a n o v a lín g u a n ão é, p o r certo , ta re fa fá c il de se r re a liz a d a n a p rá tic a . A p rá tic a d o e n sin o c o m u n ic a tiv o n ã o te m sido g e n e ra liz a d a nos c o n te x to s n a c io n a is e n e m fa rta n o s re su l­ ta d o s d e um a a p re n d iz a g e m efic a z . O s re su lta d o s d e p e sq u is a a p lic a d a s o b re q ue stõ e s d o e n sin o c o m u n ic a tiv o n ão tê m sido su fic ie n te s p a ra c o m p o r u m q u a d ro te ó ric o só lid o q u e re sp a ld e a p rá tic a re n o v a d o ra . Isso p e lo s m o tiv o s q u e p asso a e x p o r:

• h á tra d iç ã o de a p re n d e r j á a rra ig a d a e n tre p ro fe sso re s e a lu n o s, g e ­ r a lm e n te n u m h íb r id o d e m é to d o s d a a b o r d a g e m g r a m a tic a l s e d im e n ta d o s p o r estra to soc ia l, p o r re g iã o , etc, e u m a tra d iç ã o te n ­ d e a se d e fe n d e r d e in o v a ç õ e s q u e p o s sa m a m e a ç a r o c o n fo rtá v e l e q u ilíb rio de u m a situ aç ã o de a p re n d iz a g e m ou en sin o ;

(13)

R e y . B r a s i l e i r a d e L i n g ü í s t i c a A p l i c a d a , v . ] , n . l , 2 0 0 1 2 7

d e a m p lo a lc a n c e , q u a s e se m p re a lé m d o q u e p o d e m o fe re c e r essas id é ia s à g ra n d e o p e ra ç ã o d o e n s in o de lín g u a s n a p rá tic a . (A c o m p a ­ n h a u m a p o s tu ra a p lic a d o ra e m u ita s v e z e s sa lv a d o ra q u e os in o c e n ­ tes n ão p o d ia m ver: p o r ex em p lo , alguns critica listas fu nd am en ta lista s e sc o ra d o s n a A D d e lin h a fra n c e s a ou c ritic a lista s-tra n sfo rm a d o re s n a p e rs p e c tiv a d e F re ire );

• fa lta m c o n d iç õ e s e x te rn a s c ru c ia is p a ra s u ste n ta r in ic ia tiv a s d e m u ­ d a n ç a s - é o c a so fla g ra n te d a e s c a rc id a d e o u m e sm o a u sê n c ia n o m e rc a d o d e m a te ria is d id á tic o s v e rd a d e ira m e n te a lte rn a tiv o s (e x is ­ te m , é claro, m uitos falso s com un ica tivo s ou apenas com u nicativ iza do s p a ra v e n d e r), m a s ta m b é m c u rríc u lo s co n se rv a d o re s, ex a m e s tra d ic i­ o n a is, m a te ria is -fo n te c o m o g ra m á tic a s p e d a g ó g ic a s, liv ro s so b re c o n c e p ç õ e s d a c o m u n ic a ç ã o , liv ro s so b re o e n sin o c o m u n ic a tiv o ou c o m o u tro s n o m e s m as fo c a d o s n o se n tid o e n a in te ra ç ã o p ro p o sita ­ da;

• as b a s e s te ó ric a s d o e n sin o c o m u n ic a tiv o n ã o e stã o d isp o n ív e is e m fo rm a to s ou m o d e lo s p o rtá te is q u e a u x ilie m o p ro fe s s o r c o m u m a c o m p re e n d e r o q u e s e ja e n s in a r e a p re n d e r c o m u n ic a tiv a m e n te ; • o e n sin o c o m u n ic a tiv o n ã o e s tá d isp o n ív e l o u é u m a fa ls a o p ç ã o p a ra

o s p ro fe s so re s d e u m a lín g u a e stra n g e ira q u e n ã o a p re se n ta m u m d e s e m p e n h o c o m u n ic a tiv o n e s sa lín g u a -a lv o ;

• o d e n o m in a r (-se) c o m u n ic a tiv o /a p o r u m a fa c e ta e rrô n e a , s u p e rfic i­ a l e /o u fra g m e n ta d a q u e b a n a liz a os sen tid o m ais ce n tra is d a a b o rd a ­ g e m c o m u n ic a tiv a le v a n d o as c rític a s d e e sp a n ta lh o s c o m u n ic a tiv o s c ria d o s p a ra se re m d e stru íd o s e m a rg u m e n ta ç ã o “v a n g u a rd ista ” ou “in g ê n u a ” ;

• fa lta d e c o m p re e n sã o rig o ro s a d o q u e é a b o rd a g e m . (D a í p ro life ra ­ re m as “a b o rd a g e n s” n o s te x to s d o s a uto res: a b o rd a g e m o ral, n a tu ­ ra l, h u m a n ista , c rític a , so c io -in te ra c io n a l).

Observações finais

(14)

2 8 R e v . B r a s i l e i r a d e L i n g ü í s t i c a A p l i c a d a , v . l , n . l , 2 0 0 1

p r á tic a c o m u n ic a tiv a c o m o a lte r n a tiv a s à c e n tr a lid a d e d o s is te m a lin g ü ís tic o n o e n sin o d e líng uas. Q u a n to à q u e stã o dos m é to d o s c o m os q u a is a lc a n ç a r as m e ta s, pa rte d a re s p o s ta é m ais p e sq u isa , m a is p u b lic a ­ ç õ e s e m a is a u to n o m ia no a g e n d a m e n to da s p erg u n tas da n o s sa é p o c a . A o u tra p a rte d a re sp o s ta re sid e nos p ro c e s s o de fo rm a ç ã o de p ro fe sso re s p ro v a v e lm e n te a tra v é s d a a u to -re fle x ã o o u re fle x ã o a u to -su s te n ta d a e m aç õ es te orica m ente b e m inform adas. O p arad ig m a com unicativo e stá lo nge de te r e x a u rid o seu g ra n d e p o te n c ia l d e re c u rso s p a ra re n o v a r o e n sin o de lín g u a s . O s e sfo rç o s de p e sq u isa e im p le m e n ta ç ã o d e v e rã o n o s o c u ­ p a r b e m m a is a lé m d o ano de 20 01 .

V iv em os n u m a é p o ca e m q u e m u ito s p ro fe sso re s de lín g u a s e n ­ fre n ta m q u estõ e s a in d a an te riores à d a a b o rd a g e m e m e to d o lo g ia . É o c a so d a urg en te d e m a n d a p o r u m a c o m p e tê n c ia lin g ü ístic o -c o m u n ic a tiv a q u e f o r ç a um a p rá tic a ca lc a d a no e s tu d o d e p o n to s g ra m a tic a is p a r a se­ re m “p a s sa d o s ” aos a lu n o s já p o u c o c o n v e n c id o s d e q u e o b te rã o re s u lta ­ d o s p a lp á v e is q u e ju stifiq u e m seu in v e stim e n to n o a p re n d iz a d o . N e sse c e n á rio in c e rto c ritic a d o fo rte m e n te p o r ag en te s e sp e c ia lista s n ã o su r­ p re e n d e q u e m u ito s so n h e m se r c o m u n ic a tiv o s e alg un s p o u c o s ele ito s e m s e r c rítico s e j á d ista n c ia d o s d a a b o rd a g e m c o m u n ic ativ a. A v a n g u a r­ da d o c ritic a lism o d e v e ra d ic a liz a r p e rig o sa m e n te a d istâ n c ia j á a p re c iá ­ ve l e n tre o d iz e r (o q u e p a re c e c e rto o u d ese já v e l) e o fa z e r (o q u e e c o m o se e n sin a de fa to ). E n tre m u ito s d e sa fio s é p re c iso a ju d a r os p ro ­ fe s s o re s a c o m p re e n d e r a q u a lid a d e d o seu e n sin o p e la (a u to ) o b se rv a - ç ão .

É h o ra d e esc la re c e r, re fo rç a r, d e sc a rta r ou re a firm a r p re s s u p o s ­ tos n a c o n stru ç ã o d e u m a e x p e riê n c ia q u e p o d e fa z e r a d ife re n ç a n u m p a ís o n d e o corpo p ro fissio n a l de e n s in o d e lín g u as e stá p ra g u e ja d o co m lim itaç õe s extrínsecas endêm icas e co nfusõe s teóricas sérias m as ao m esm o te m p o tã o e sp e ra n ç o sa m e n te o c u p a d o c o m a sua (re )c o n stru ç ã o .

Referências Bibliográficas

(15)

R e v . B r a s i l e i r a d e L i n g ü í s t i c a A p l i c a d a , v . l , n . l , 2 0 0 1 2 9

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Referências

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