INSTITUTO SUPERIOR DE ESTUDOS E PESQUISAS PSICOSSOCIAIS
CENTRO DE POS-GRADUAÇAO EM PSICOLOGIA
OS VETERMINANTES MORFOGENETICOS VA LINGUAGEM EXPRESSIVA:
UMA
TENTATIVA VE REINTERPRETAÇÁO VA SURVEZ
ELAINE VE SOUZA JORGE
FGV/ISOP/CPGP
Praia de Botafogo, 190 - sala 1108
INSTITUTO SUPERIOR DE ESTUDOS E PESQUISAS PSICOSSOCIAIS
CENTRO DE POS-GRADUAÇAO EM PSICOLOGIA
OS VETERMINANTES MORFOGENETICOS VA LINGUAGEM EXPRESSIVA:
UMA TENTATIVA
VE REINTERPRETAÇÃOVA SURVEZ
pOl7.
ELAINE VE SOUZA JORGE
Dissertação submetida como requisito parcial para
obtenção do grau de
MESTRE
EMPSICOLOGIA
pela~ ~ua~ valio~a~
e
inean~âvei~ eont~ibuiçoe~
ã
eiêneia
p~ieologieaao longo de
Vin-tr. e Sete
ano~,pelo exemplo de dedieação,
amo~e
inteligê~e~a
que tão bem
eon~egue t~an~mit~a
todo~ . no~que um dia
ehegamo~a
~e~ ~eu~ aluno~ .E~ta te~e
é
dedieada, também, a
a~ e~iança~,a quem
o~ eonheeimento~adqui~ido~,
óieam eomo legado.
toda~
Ao
P~o6 e~~o~FRANCO LO PRESTI SEMINERIO,
meu orientador eamigo , sem o qual este trabalho não teria existência .
Ã
Vi~eção Ge~al,ã
V ivi~ãode
Atividade~ Peda9õ9 ica~ ,ã
Coo~denação
da~ Sé~ie~ Finai~, ao~ p~o6e~~o~e~e
ao~ aluno~do
In~titutoNacional
de
Educação
de
Su~do~, que tanto colabo-raram para que este trabalho pudesse vir a ser realizado .Ao
P~o6e~~o~GERALVO CAVALCANTE
e
a
P~o6e~~o~aALPIA COUTO,
pelo interesse e carinho na transmissão de suas experiênciase, sobretudo , pelas palavras de incentivo e gestos de colabo
raçao.
Ã
GERSON FERREIRA VA COSTA,
pela presença otimista e alegre, e a paciente datilografia - deste trabalho .Ã
FRANCISCO VE P. S . MONTEIRO,
pelo enorme interesse e colaboração na execução das cópias- x erox deste trabalho .
o
presente trabalho parte de uma reinterpretação dosdeterminantes e da organizaç~o d a linguagem expressiva em
indi-víduos portadore s d e de fi ciência da audição . Neste se n tido , su b
mete a uma análise crítica as condições de estruturaç~o e
aqui-sição de um sistema de comunicação simbólica de natureza
essen-cialmente verbal por parte de tais indivíduos . Avalia , em
par-ticular modo , a perspectiva de uma organizaç~o fonológica do
discurso em portadores de surde z profunda ~pr~-linguagem~, como
um processo que ultrapassa as possibilidades d e uma mera
apren-dizagem .
A linguagem -- vista ent~o como um proce ss o
semióti-co de natureza percepto- ex pressiva, que se e stabe le ce ao long o
do desenvolvimento filogenético e ontogen~ t ico é assim inter
pretada , ~
a luz de um novo modelo teórico sobre a Cognição Huma
na . Tal modelo, pautado em contribuições da Cibernética , da
Lógica , da Linguística e da Epistemologia Genética,
estabele-ce plataformas morfogenética s , a partir das quais o psiquismo
se organizaria .
Desta maneira, 2 (dois) objetivos es s enciai s
preten--dem ser atingidos no presente e s tudo .
19 ) oferecer uma base teórica
à
dinâmica e processual cogniti-vo em que o surdo se vê encogniti-volvido ao longo da aprendizagemde um sistema verbal-simbó lico -
à
luz de uma hipótese pré-formista, de base morfogenética .-tada por deficientes auditivos com perda profunda ~pr ~-lin
guagem" , a hipótese formulada por F . Lo P . Seminério (1980)
"de uma memória morfogenética na espécie humana", a partir
do que, toda a atividade cognitiva se organi za ria, passan
-00 a operar segundo estruturas-código, pré-fixadas .
A fim de confirmar as proposições estabelecidas , apr~
senta - se uma Verificação Empírica atrav~s de estudos explorató
-rios realizado s com 6 (seis) sujeitos .
Os resultados obtidos confirmam a existência de um
marco sel eti vo e organi z ador de natureza audio-fonética , também
entre indivíduo s su rdos . Constata-se que a informação
veicula-da é capaz de ser trataveicula-da , programaveicula-da e recuperaveicula-da
linguistica-mente , ainda que sem a possibilidade de um mecanismo de
retroa-limentação ao sistema que se desenvolve . O que equivale a
di-zer , que o indivíduo surdo apesar de nao ouvir , programa a
-
ní-vel aUdio-fonético, programaçao essa que vem a ser recuperada
ou atualizada graças aos recursos e técnicas pedagógicas
espe--cializadas .
Tais resultados sugerem uma reavaliação dos m~t od os
psicopedagógicos usuais nesta área, podendo-se retomar sob nova
orientação o debate de temas atuais , nas diretrizes das
técni--cas e do instrumental utilizado .
-The present work arises from a reinterpretation Df
e x pressive lan g ua ge determinants and organization in o uditory
deficience individuaIs . In thi s way , e x po ses to a criiical
analysis their conditions Df structuring and acquiring a
symbolic and e ss entially verbal system Df communication . In a
more particular way, this study evaluates the perspective Df
the discourse phonological organi za tion in profound »pre-Iangu~
ge» deaf, as a process that surpasses the possibilities Df a
simple learning .
Language - here as a semiotic process Df a
perceptual-e x prperceptual-essivperceptual-e naturperceptual-e, and which is perceptual-establishperceptual-ed by along p h ylogperceptual-enperceptual-etic
and ontogenetic development - is so interpretaded by a new
theore t ical model Df Human Cognition . Such model, based on
Cibernetics , Logics , Linguistics and Genetics Epistemology ' s
contributions, est ablishes morphogenetic frameworks, from which
psychism is thought to be organized .
So, this study appear s under 2 (two) essential aims :
l§~)
to offer a theoretical basis to the dynamics and cogn i tiveprocessing in which deaf subjects are involved during a
verbal-symbolic system learning - according to an innatist
hypothesis , Df morphogenetic basis .
st
2--) to evaluate, by means Df the writ in g expressive language
presented on "pre-Ianguage" ~rofou nd deafs , F . Lo P . Seminerio's
(1980) hypothesis "Df a morphogenetic memory in human
spe-cies", from which, alI the cognitive activity would be
-In order to confirm the propositions that ar e
esta-blished, and Empiric Verification is presented, by means Df
ex-ploratory studies carried out with 6 (six) subjects .
The results attest the existence of an audio-phonetic ,
selective and organizing boundary, also amo~g deaf individuaIs .
Thay also confirm that the circulating information is able to
be linguistically treated , programmed and recovered, although
do not exist the possibility of a feed-back mechanism to the
system which is being developed . That is, although deaf subjects
do not hear, they program audio-phonetically, and this program
comes to be recovered or actualized thanks to the specialized
resources and pedagogic techniques .
Such results suggest a reappreciation of the usual
psychopedagogic methods in this area , and offer a new orientation
to the actual debates , concerning to the techniques and the
ins-trumental .
-Agradecimentos ---
iv
Resumo ---
v
Summary ---
vii
INTRODUÇAO -
---· CAPITULO
1 :
O PROJETO IIINVESTIGAÇAO TEORICA E
EXPERIMEN-TAL SOBRE A NATUREZA SISTtMICA DAS
LINGUAGENS
NA COGNIÇAO HUMANA II
---1.1
-
O Macrosistema
---1 .
2
-
O Microsistema
---pAG
7
14
18
CAPITULO
2:
A DEFICIENCIA AUDITIVA E SUAS IMPLICAÇOES --
28
2.1 -
Etiologia e Classificação da Deficiência Auditi
va ---
29
2.2 -
Consider~çõesacerca da Linguagem Expressiva no
Deficiente Auditivo ---
36
CAPITULO 3:
A LINGUAGEM EXPRESSIVA NO DEFICIENTE
AUDITI-VO:
UMA REINTERPRETAÇAO DO PROBLEMA
A
LUZ
DO PROJETO IILINGUAGENS NA COGNIÇAOII ---
52
CAPITULO 4:
VERIFICAÇAO EMPTRICA ---
66
1.1 - Quanto aos Sujeitos ---
69
1.2 - Quanto as Provas-Experimentais ---
87
1.3 - Quanto às Pautas de Investigação ---
95
PARTE 2: ANJ!.LISE DOS RESULTADOS
108
2.1 - Linguagem-Cõdigo
---
108
2.2 - Linguagem-Código 2 ---
121
2.3 - Linguagem-Cõdigq 3 ---
141
2.4 - Linguagem-Código 4 ---
199
2.5 - Interrelações entre as Linguagens-Código ----
236
CONCLUSAO FINAL
---
243
BIBLIOGRAFIA ---
254
ANEXOS
---
259
ANEXO 1:
Modelo do Questionãrio preenchido com
os
Professores
ANEXO 2:
Material utilizado na Prova-experimental
n9 1 (cartões-estimulo)
ANEXO 3:
Material utilizado na Prova-experimental
n9 2 (lista de palavras)
ANEXO 4:
Quadro de Organização Fonêmica (Ll)
ANEXO 5:
Quadro de Interrelações entre as
Lingua-gens-cõdi go
'
-A preocupaçao d e se def inir os proc ess os det ermina ~
tes da cognição humana ve m sendo submetida a r ptofundas reavali
ações n estas últimas d é cadas.
A
pos sibi l id ade de vir- se a fixar e mensurar esses deter mi n antes que de sen cad ei~m ou permitem certas formas de
de--sempenho nos seres humano s , assumiu recentemente nova
importân-.
.eia a p art ir do confláto t e 6ric u reaberto p e l as perspectivas
i-natistas (Etolo e; ia, Chom sk yJ em c o ntraposição ao impéri o da po~
tura mesológica, outrora impost a pelo Seha vi orismo .
.;", E aind a, em
opo s i çã~ a ambas, a colo caç~o construtivista da . Epistemologia Ge
nétic a~. ~inalmente o advento d~ nov as concep çoes for a da
Psicologi a , ta i s como a Cib ernéti ca e a Teoria da J:nformação , trou
-xeram novo s dados para refcirmular a problemaiização des ses d e
-termin antes .
A
discussão, assume portanto com o pas sa r do tempo, importância cada v ez mais con siderá vel, tanto no âmbito escolar, c om o profissiona), social e mes mo do ajustamento s ocial.
No que d iz resp ei to a area Edu cacion a l, esse tipo d e
preocupação se conf i gu r a bastunte e v idente , no sen tido e ~ qu e
será dent re outro s fat or es , a pa rtir do conh ecimen to prévio d as
possibilidad es de ' d ese nvolvi mento dos indivíduos e dos pro
ces--sos qu e d e terminam suas capacidad es de apreender e atu a r sobre
a realid ad e, qu e se poderá propor obj e ti vo s e traça~ estratégia s educ a cionais.
Segui nd o os me sm os p ri ncíp ios e fins da Educ ação Ge
belece que ' dever~ obj e tivar a habir~taç~o dos individuo s
excep-cion ais na realizaç~o d e SUas potencialidades de desenvolvi
men-to tão completamente quanmen-to possível, minimizando as
inferiori-dade s que possam advir de s ua s incapaciinferiori-dades .
Entretanto, particul a rmente no que diz respeito a
Oe-ficiência da Audição, admite-se ser esta uma area pouco estudada,
tanto no Brasil como nos demais países, existindo uma carência
muito grande de inv e s t igaç6es acerca das reais ' possibilidades do
deficiente auditivo e m todos os se us múltipl os aspectos.
Assim ~, que o problem a de ,acesso a lin guagem
expres-I ,
s i v a nos in d i v í duo s p o r t a d o r e s de .d e f
l.c
i ê n c i a d a a u di ç ~ o - e em"
p a rticular modo, a possibilidad e d ess e ind j tÍ duo s vir e m a e s
--tr u i ur~r e a fazer u so de um siste ma v erbal simb6lico de co muni
caça0, consti tu i assunto co ntr ove rtido, e que h~ muito vem
sen-do discutisen-do na Psico~ edag ogi a Especial do Surdo . Contudo, den
tr e as alguma s investiga ç 6es realizadas, pod e mos afirmar que mu~
tas sao aquelas que tªm se d esenvo 'lvido sem uma cl a ra id e ntifi
'- caça0 e postulação te6r"Íca ac e rca da din âmi ca s u b jacente a todo
o proc9ssu a l cognitivo em que o indivíduo surdo se vê envolvido
no deco r rer d e sua aprendizagém.
o
e s t a f o rm a , li d a - se 'c o rn o s u r do , e d u c a - s e o s u r do, e nsi na-se o s u rd o a fal ar , a l er , a es cr e v er , sem que e ntr etanto
se ch eg ue, via de re g ra, a condu zir as investiga ç6 es al ~ rn de
u-ma v e rificação empirica sobre a e fic~c , ia ou in efic~ cia, sobre a maio r ou menor rapid ez com qu e estes , in di víduo~ ating em d e te rm ~
n ado aprendiz ad o. As si m, ª muitas ve zes a partir ' do êxito e
remontar as explicações. Estas. todavia. parecem quase sempre
omitir o núcleo efetivo do problema: como é possível que um i~
divíduo desprovido de audição codifique em expressão falada e/ou
escrita o que deveria estar ouvindo?
Neste sentido. coube portanto ao pre~ente trabalho as seguintes indagações:
Poderíamos admitir que o comprometimento sensorial que
o impossibilita ter acesso ao mundo sonoro. seria capaz de
res-tringí-lo a utilização de um sistema simb61ico visual para org~
nizar e estruturar a sua linguagem expressiva. devendo esta se
situar num plano meramente tátil-cinestésico (para a fala) e
pictográfico (para a escrita)?
Ou poderíamos supor a existência de um marco seletivo
e organizador. de natureza fonol6gica. que pré-fixado ao longo
do desenvolvimento filogenético. seria capaz de conduzir e faci
litar estratégias psicolinguísticas com relação a informação ve~
culada? (O que equivaleria a dizer. que o indivíduo surdo
ape-sar de não ouvir. programa
à
nível audio-fonético. programação essa que seria ativadapecializadas) •
pelos recursos e técnicas pedag6gicas es
Considerando-se. portanto. a linguagem. como um
pro--cesso semi6tico relacionado aos círculos funcionais percepto-e~
pressivos que se estabelecem ao longo dos desenvolvimentos filo
genético e ontogenético. acreditou-se neste trabalho. que o pr~
blema da natureza da linguagem expressiva no deficiente da audi
ção. ou seja. a maneira como ele organiza e estrutura o seu com
(mí-mica gestual), possa ser analisado e interpretado
à
luz de um modelo te6rico sobre a Cogniç~o Humana, que beneficiando-se dascontribuiç5es da Cibe~n~tica, da L6gica, da Linguistica e da
E-pistemologia Genética, estabelece plataformas morfogenéticas,a
partir das quais o psiquismo se organizaria.
o
presente estudo, constitui-se, portanto, numarein-terpretaç~o do problema ent~o a~resentado,
à
luz de umahip6te-se de pré-formismo ou bahip6te-se morfogenética da organizaç~o cogni-tiva na esp~cie humana. Oeste modo, elegeu como fun~amentaç~o
te6rica, o projeto de pesquisa entitulado "Inv~stigaç~~ Te6ri-ca e Experimental sobre a Natureza SistêmiTe6ri-ca das Linguagens na
Cogniç~o Humana", que vem sendo desenvolvido h~ 4 (quatro) anos
no ISOP/FGV, sob a supervisão do Prof . Franco Lo Presti
Seminé-rio, e do qual a autora deste trabalho j~ tomou parte.
Desta maneira, o estudo que ora se apresenta surge com
2 (duas) finalidades essenciais:
19 ) Avaliar particularmente no que diz respeito ao deficiente
da audição com perda profunda, pré-linguagem, a hip6tese se
mineriana de uma mem6ria morfogen~tica na espécie humana ,
que contém "instruç5es" - filogeneticamente elaboradas e
onto geneticamente pré-fixadas - pelas quais a atividade co~
nitiva se organiza, passando a operar segundo essas
estru-turas-c6digo. O que equivale, portanto, a dizer, que a
presença dessas estruturas-c6digo nesses deficientes,
con-firmaria a hip6tese de uma· atividade cognitiva
inconscien-te
à
nivel aUdio-fonético, a qual, programada filogenetic~através de uma prática planejada, orientada e repetida.
29 ) Analisar o problema da linguagem expressiva no deficiente
auditivo com perda profunda pré-linguagem, e sem outro com
prometimento de ' ordem intelectual e/ou neurológico,
à
luz da hipótese de pré-formismo ou base morfogenética já expo~ta acima.
Realizou-se, inicialmente, breve exposição sobre a
fundamentação teórica que norteia este estudo, apresentando-se
as principais postulações e o modelo teórico proposto no
proje-to "Linguagens na Cognição".
Prosseguiu-se a uma análise do problema da
Deficiên--eia Auditiva, iniciando-se por defini-la e caracteriza-la segu~
do a sua etiologia e classificação, para em seguida,
levanta!"-se as principais investigações e colocações teóricas acerca da
natureza e , organização da Linguagem Expressiva no indivíduo sur
do. "
Partindo-se, então, de uma reflexão sobre as perspectivas
apreciadas, procurou-se analisar em que medida elas se compatibil~
zavam ou não com a hipótese de uma morfogénese, colocada como
fundamento do projeto; ou seja, o problema da natureza e
orga-nização da linguagem expressiva no indivíduo surdo pôde então
ser analisado,
à
luz do projeto "Linguagens na Cognição".Finalmente, com o intuito de corroborar as proposiçõe s
estabelecid as , pr ocedeu-se a uma Verificação Empírica através de
estudos exploratórios realizados com 6 (seis) sujeitos p~rtad o
comprometimento de natureza int eler' tual, neurológica e/ou oro-
.
' ,cional . Para tal, estabelecC'u-:-;c um plano metoc!ológico, em CJ.l.: e
a partir de determinadtls provas experi.mentaLs construídas segu.:::.
do o modelo teórico em quest~o, e com base em alguns co nheci
-mentos que a Lin uística nos oferece, procurou-se cl1egar a UI:lê.
análise dos d eterminantes morfo ge néticos presentes na ling ua ge:::
expressiva escrita desses indiví duos .
A escolha de uma irLVestigação TJ.alS centralizada e
menorizada acerca da lin guagem expressiva scrit a deveu-se ac
fato de que esta forma de lin g u agem expressiva a:r::arece , ao J
on·-go do desenvol imento filogenético, como a forma de comu nicaç~o
verbal simbólica de mais alta co'mplexidade e sofisticação, ex~:
gindo para seu uso um grau significativo de desenvolviment o é
maturação neur oló g ica, e sobretudo, intelectual.
Concluindo, acreditou se poder-se trazer com este tr~
balho alguma contribui ção a Psicopedagogia Lspecial destinad a 20
deficiente da audição, atrav~s de um aprofundamento dessa areê.
-de investi gaçã o. Esperou-se , ainda, estar contribuindo para
urna maior conscienti za~ã o da problem~ t ica do def ic iente auditi
-~
v o , abrindo caminhos a novas pesquisas nesta area.
Tem- se entretanto a assinala r, que em termos de li
~i-tes, contou-se com todas as dificuldades ine rentes a um
traba-lho pioneiro, realiza do numa área nova em termos de sua col oca
CAPITULO
1o
PROJETO
"INVESTIGAÇ~OTEORICA E EXPERIMENTAL SOBRE A NATUREZA
SISTnlICA O,o.S LINGL1,o.GENS NA
COGNIÇ~O HU~'ANA"A fundamentação teórica que norteia este estudo remon
ta a um projeto de pesquisa qu~ vem sendo desenvolvido h~
qua-tro anos no ISOP/FGV, sob a supervisão do Prof . Franco Lo
Pres-t i Semin~rio, e que se entitula "Investigação Teórica e Exper!
mental sobre a Natureza Sistêmica das Linguage~s na Cognição Hu ma na" •
Cabe, portanto, proceder-se neste primei·ro capítulo, a
uma breve exposição sobre o projeto "Linguagens na Cognição", ~
presentando-se as suas postulações b~sicas, o modelo teórico (1) proposto, bem como as hipóteses de trabalho que daí advém
o
projeto "Linguagens na Cognição" se propoe a uma reformulação e aprofundamento no estudo da cognição humana,
bene-ficiando-se das contribuições da Cibernética, da Epistemologia
Gen~tica, da Lógica e da Linguística, para definir e verificar
experimentalmente as linguagens básicas que constituem a plata
-forma morfogen~tica da Cognição Humana ao longo dos seus
ca-nais biopsicológicos.
(1)
Cump~e a~~inala~que
o
u~o p ~a t icame nte exau~tivode
eita-ç~e~ ex p lica -~e
re l o 6at o do
~e 6 e ~ido ~ ~oje~oainda
encon
-t~a~-~e
em
de~envolvime nt o,não
ex~~ndo, r-o~tanto,em
te~mo~
de
publicação di6,undida
e
~endo,em
con~equinc~a,de
d;
6,Zcil
ace~~oao
leito~. A~~im,o
u~ode
t~an~c~içoe~lite
-~almente ~eti~cr..da.~ .· do~ ~c..latê~io~de
p e~qui~a . ,óoi
a mane.i
-~a
que
e.ncont~ou-~ e.de
~e ar-~e~enta~ a~ idéia~do
aUto~da
'-.:. .
Segundo Seminério: '.'
li
Se. a:tJr.i .. buÁ-'t .. mo.6
ã:
.6lg nlôlc.aç.ã.o um
.6e.n:tldo amplo,
c..a
paz de.
aba~c..a~o ne.xo da
o~ganlzaç.ã.oque., ao e..6:tabe..te
c..e.~-.6 e., .6 e. ~e.:t~a.n.6ml:te. a:t~avê:.6
de. uma c..ade.la.
.6e.mlô:t[::
c..a de. .6lgnlôlc..an:te..6;
e..6e.
adml:tl~mo.6no plano da
~e.alldade.
e.mpZ~lc..aum e.nc..ade.ame.n:to
hle.~a~qulzado, pode.~emo.6
.6upo~que. :toda a
~e.alldade. .6e.de.:te.fLmlne. a:tJtavê:.6 iTe.
p~o c..e..6.6
0.6 de.
c..-<..~c..ulaç.. ão
de. lnô
oJtmaç.õr . .6
c..o d-<"ôlc..ada.6
e.de.c..od-<"ô-<..c..ada .6, c..omo um c..on:tlnuo ôluxo de.
me.n.6age.n~ ve.-<..c..ulada.6 de. ôonte. a
~e.c..e.pto~de.n:tJto de. llnguage.n.6
.6u:
pe.JLpO.6:t a.6 , ond e. a
-<..nôe.Jtlo~ .6 e.:toJtna c.. anal
e..6lgnl6-<"-c..an:te. paJta
.6lgnlô-<..c..a~a oJtganlzaç.ã.o
e.o
.6~n:t-<"doda
OJtde.m que., -<..me.dla:tame.n:te.
o
:t~an.6c..~nde." . ( 39, 1977,pag.76)-:
A p a rtir daí, Seminério (1977), supoe que a realidade
empír ica nos seria oferecida como uma : sequência entrelaçada de
;
c6 d igos e l i nguag ~ n s , tal como a s ~q uêrlcia das ord e ns física, química, bioquímic ~ 1 bio 1 6gica 8 psico16giça. Em cada um a
des-sas ordens, sup õe ainda uma superposição desdes-sas linguag ens , e a
cad~ uma dessas lingu age ns atribui a função de fixar as
instru-çoes que ~ossibilitam a vpiculação da s subsequentes .
o
auto r lembra, que dentro dos processos bio16gicos e~se encadeamento torna-sPr cada vez mais claro, desde o plano
mo-lecular e bioquímico, at~ a atuação macrosistêmica dos
organis-mos, passando p o r vários nívei.s e linguagens intermediários, tai s
como, os "intra e extracelulares e os que se processam nos orgaos
e entro os 6rg ã o s. Di z ele :
"Ve.n:t~o
de..6.6a pe.Jt.6pe.c..:tlva já ôol ave.ntada a pO.6.6lblll
dade.
de
.6e. e.n:t~e.ve.JtpadJtõe..6
dlve.~.6l ôlc..ado.6e
.6upe~po~:tO.6 na me.môJtla blolôglc..a em .6e.u c..omple.xo
.6l~:te.made
e.ngJtamaç.ã.o;
o qual pe.la. hipôte..6
e.aqui' adotada ,
não
Compreende-se, portanto, que daí para a atividade psi
quica essa sequência poderia continuar, não de modo
ininterrup-to, mas sempre através de saltos discretos, acompanhados pela
transdução ou mudança de código. Tais saltos determinados pela
mudança das estruturas de codificação dos sistemas de sinais e
pelo encadeamento de significantes e significados, representam
o fundamento hipotético do modslo elaborado, o qual pass~r~ mais adiante a ser exposto (ver item 1.2 - O MicrosistemaJ.
No sentido de fundamentar a hipótese de uma realidade
emp!rica construída a partir dos recursos de ação de que todo
ser vivo dispõe para modificar o meio, decorrente de suas
pro--priedades iniciais e do encontro destas com as propro--priedades do
meio; de uma realidade empírica determinada, então, segundo p r ~
cessas de circulação de informação codificadas e decodificadas,
sendo possível supor uma sequéncia entrelaçada de códigos e lin
guagens, Seminério oferece-nos alguns exemplos que merecem se r
aqui mencionados.
"Hoje. .6a.be.mo.6 que. a. colt
é.
-<..ne.x,ü .te.nte. como :ta.l •..
Vi~pomo.6 de. Ite.CUIt.60.6 a.1t:t-<..ó-<"c-<..a.-<...6 e.v-<"de.ncia. ndo- no.6 que.
a
óon:t~
de. in6oltma.ção que.
é.
de.cod-<" ó-<..ca.da. pOIt nô.6
co mo
COIt
e.de.codió-<..ca.da. como ólte.quência. viblta.:tôltia pOIt -<..n.6
:tltume.n:to.6 óZ.6ico.6 e..6pe.c-<..a.l-<..za.do.6.
-O
óa.:to de. di.6poltmo.6 hoje. de. me.io .6 pa.lta.
de.codiói--ca.1t o me..6mo :t-<..po de. -<..nóoltma.ção de. um modo tão
óla.g lta.~:te.me.n:te. d-<".6:tin t o
e.he.te.ltogê ne.o no.6 pe.ltm-<..:te. e.n:ten de. 1t
que. a. le.-<..:tulta. de. .6 .6a. -<..nóoltma.ção com o COIt
e
a.p ena..6
uma
e.ntlte. a..6 inó-<..n-<..ta..6 le.-<"tulta.6 pO.6.6Zve.i.6 de..6.6a. inó olt ma.
--ção •••
t
a. le.-<..tulta. que. no.6.6a. e..6 pecie. a.tltave..6 da.
e.vo-lução de..6e.nvolve.u pa.lta. a.compa nha.lt, pe.lo me. no.6 e.m
:te.It-mo.6 -<".6omôltó-<"CO .6 ce.It:ta..6 va.!t-<..a.çõe..6 de. um me.io e.m .6i -<..
n-cogno.6cZve.l"
(39, 1977,pá.g.
80 -81)."O
me..6mo t-<..po de. ob.6e.ltva.ção a.plica.-.6e. a.o .6om.
do do
a~... No entanto,
no~~o~ tZmpano~ ~epeteme o
ouv~do am~l~ó~~a e~~e~ mov~mento~
Que
ag~tamno
~ n te~o~
da
~õ~leao
lZQu~doaZ
ex~~tentee
p~ovo~am .um
óe
nômeno
pa~e~~do ~ pe~~u~~ãode um
te~ladodo qual
pa~tem novamente
~nóluxo~ elet~oQuZm~~o~e
e~te~,ao
al~~ança~
o lobo
tempo~al, p~oduzemuma
"le~tu~a" p~õp~~a:
o
~om... Novamente, o
~omnão
~uma
~eal~dade
óZ~~~a,e
~~mum óato
pu~amente P~ZQu~~o:o
mov~mento
v~b~atõ~odo
a~não
t~an~~tano
no~~o ~~~tema ne~vo~o,o Que
o~o~~eé
uma
t~an~óo~mação Qual~tat~va,com
~~mple~manutenção -
~~omõ~6~~a-
da~ ~elaçõe~quant~tat~va~" (39, 1977,
pã.g.
82I.
Será. particularmente. sobre o aspecto citado neste
último exemplo que ira-se tratar no presente trabalho.
Conside-ra-se que na medida em que o som ~ viste como algo inteiramente
construído pelo codificador humano. como fato inteiramente p s
í-quico. então tudo que a ele se rel u ciona dirá respeito as
pro--gramaçoes internas das quais o indivíduo ~ portador. e que o possibilitam codificar. decodificar e recodificar a mensagem s~
nora. esteja ela a um nível consciente ou nao em termos cognit!
vos.
Estabelece-se. então. que o que os seres vivos podem
gradativamente conhecer ~ algo que corresponde as suas próprias
construções, algo de que participaram para que tivesse
existên-cia; o que podem efetivamente representar sao relações iso
mór-ficas de um sistema com o qual interagem e que
é
recodificaco dentro de uma linguagem rigorosamente autônoma, ainda que comu-nicável aos portadores da mesma forma de linguagem. E, dest e mo
do, a evolução dos seres vivos também corresponde a evolução de
suas linguagens relacionais e referenciais.
< •
nA
mem5~ia mo~6ogenitica,na
e~piciehumana, contim a
mac~og~amãtica
nao
apena~ do~ p~oce~~o~ biolõgico~,
ma~
.também
da~ "in~.t~uçõe~"- 6ilogeneticamente elabo
~ada~
e
on.togene.ticamen.te
p~ê-6ixada~-
pela~ quai~o
p~iqui~mo ~e o~ganiza
a óim
de
ope~a~ den.t~ode
e~.t~u.tu~a~-e5digo, a.t~avi~ da~ quai~
a
inóo~maçãopode
~e4decodióicada,
.t~a.tadae cpdióieada, em
.te~mo~de
cog-nição
bem como,
a~mazenada, e~.tocada, ~ecupe~adae
~ecodióicada,
em
.te~mo~de
ap~endizageme de memõ/'..ia
.t~an.6
acio nal"
(39, 1977,pãg.
77).Admite-se que uma indagação dessa natureza deverá nos
levar preliminarmente ~ plataforma morfogen~tica comum a todos os processos cognitivos. isto ~. a tentativa de identificar as
linguagens sobre as quais repousa a conservação . do passado e
sua reativação no presente. o que parece coincidir com as
lin-guagens sobre as quais assenta e se desencadeia a atividade me~
tal. em termos de percepção e pensamento.
E
essencialressal--tar-se aqui o sentido hierárqUiCO dessas estruturas-código ou
linguagens de que o aparelho psíquico
é
dotado. pelo qual o que era mensagem e significado num nível. torna-se canal esignifi-cante no subsequente.
Semin~rio formula um modelo nao em termos evolutivos.
como o fez principalmente J. Piaget. mas sim em termos perfect~
\/0 s. i s t o ~. um mo dela c a paz de d e s c r e ver e s t r u tu F a s a c a b a das do aparelho cognitivo o que decorre da ccnvicção de que existe m
pré-requisitos psicobiologicamente programados. ~ nível filog e
néti-co.
Sabe-se que a concepçao piagetiana limita a filo g
êne-se a estruturação bioló g ica e aos invariántes funcionais.
As-sim. as estru t uras p s ic o lógic a s seriam construíd as . siste mat i c a
es--truturante a partir das propriedades iniciais do organismo e do
meio. E neste ponto que se coloca o ponto de partida da
inves-tigação proposta no projeto ~Linguagens na Cogniç~o~, por supor
a impossibilidade de uma organização uniforme e sistemática do
"sujeito epistêmico~ ( 2 ) na espécie humana, a partir da imensa
variação dos eventos ontogenéticos, se não houver programas su~
jacentes e inatos, elaborados ao longo da filogênese, co~o
con-dições "a priori".
Segundo Seminério:
"1::do e.qu-i.vo.le. o. de..6dobJe.o.Je.
OpJe.oc.e..6.60 cü'o.le.:t-i.c.o
pJe.e.-v-i..6:tO poJe. P-i.o.ge.:t e.m do-i..6 mome.n.:to.6:
O6-i.loge.Y/.e.:t-i.c.o, qu. e
de.:te.Je.m-i.no. "-i.Y/..6:tJe.uçÕe..6" e..6:tJtu.:tuJe.o.n:te..6, pJtogJe.o.mo.do..6
e.rri
c.o.do. -i.ncü'vIduo 0.0 no..6c.e.Je.; e.
OoY/.:toge.ne.:t-i.c.o, que.
o.:tuo.-l-i.zo.
e.de..6e.nvolve. de. modo oJr.de.no.do e.
.6~.6:te.mã:t-i.c.oe.m
.6
uo. Je.e.lo.çã.o c.om o me.-i.o 6I.6-i.c.o
e. .6oc.-i.al - 0..6
d-tJe.e.:tJe.-i.-ze..6
c.ogn-i.:t-i.vo..6
e.
e.mo:t-i.vo..6
pJe.e.-e.x~:te.n:te..6,o.:tJe.o.ve..6
da
pJe.o.gmã:t-i.c.o. -i.nd-i.v-i.dual que., poJe. .6uo. ve.z/.. já. pode. pJe.e.pa.
Je.0.Je. novo..6 mod-i.6-i.c.o.çõe..6 no pJe.ogJe.o.ma ge.ne.:t-i.c.o do..6
ge.Je.o.~ç.õ
e..6
ul:te.Je.-i.oJe.e..6"
(39, 1977,
pã.g.
79).
De~ta forma, pode-se hipotetizar uma circularidade ~m que a "mem6ria morfogenética" determina a ~mem6ria transacional"
em suas linhas de ação, e esta, ao longo do tempo, vai
modif1--cando essas linhas e promovendo, através de transformaç6es
epi-genetica mente , n'ova morfogênese.
(2) Te.Je.mo
~Je.opO.6:topoJe. P-i.age.:t (1970) In: L5g-i.c.0.
y
CoY/.oc.-i.m-i.e.n-:to C-i.e.n:tI6-i.c.o - No.:tuJe.e.zo.
1JMê.:todo.6
ae.
la
Ep-i..6:te.molog~a- pa
Je.a de..6.{.g naJe. "o c.omum a todo.6
0.6-6Uje..{.tO.6
de.
um me..6mo
nZve.l-de. nZve.l-de..6 e.nvolvime.n:to, -i.nnZve.l-de.pe.nnZve.l-de.Y/.:te. da.6
di
6e.Je.e.nça.6 individuai.6".
O:te.Je.mo ".6uje.Lto e.p-i..6:tê.mic.o" c.on:tJta.6:ta c.om o de. ".6uje.i:to in
div-i.duo.l" poJt de..6-i.gY/.aJe.
e..6.6e.último
110que. .6e.gue. .6e.ndo
pJe.5~pJe.-i.o de. :tal ou qual -i.Y/.d-i.vZduo".
P-i.o.ge.:t c.oloc.a que.
.6e.~0. pJe.5p~odo c.onhe.c.ime.Y/.:to c.-i.e.n:tZ6 -i. c.o
"c.he.go.Je. a uma obje.:t-i.v-i.da.de. c.ada
ve.z
ma-i..6 Jr.igoJto.6a me.diaY/.:te.
um du plo movime.n:to de. ade.quaçã.o a Je.e..6pe.-i.:to do obje.:to
e.de.
de..6c.e.n:tJe.açã.o do ".6uje.-i.:to -i.ndiv-i.du.a.i" c.om Je.e..6pe.-i.:to ao
".6ttje.:!:
Conjugando-se. portanto. a possibilidade de uma "mem6
ria morfogen~tica" com o conceito antin6mico proposto de
"mem6-ria transacional". a fim de situar respectivamente os modelos
perfectivo e evolutivo da cognição. e ainda vinculando este
em-basamento teórico com o estudo do processo informacional e semi
ótico. em termos de análise das significaçóes. conflui-se numa
perspectiva que visa avaliar a atividade mental a partir .de uma
discriminação de suas linguagens internas.
Identifica-se pois. um conjunto encadeado de
Lingua--gen~ pelas quais opera o psiquismo humano. estabelecendo os
mo-dos de receber. decodificar. tratar. emitir. codificar.
recupe-rar e recodificar a informação. A cada mudança de linguagem h~
verá necessariamente um salto qualitativo no processo e, desta
forma. as variaç6es no grau de significação e organização dos
materiais apreendidos (como na memorização e · na vigilância), pe~
mitirão identificar esses saltos.
A proposta teórica formulada pelo projeto "Linguagens
na Cognição" envolve dois planos: um abrangente; é o Macrosis
tema, o outro. mais restrito e delimitado, ~ o Microsistema. Es te último constitui o modelo propriamente dito. No entanto, sUe
16gica, e sua base epistemol6gic~ só podem ser claramente ente~
didas
à
medida que se possam deduzir do Macrosistema. Este en-volve, portanto. a plataforma de sua axiomatização: seuspostu-lados terão a mais elevada hierarquia formal e seu referencial
1.1 -
O MACROSISTEMA
Piaget (1970), coloca na açao o princípio propulsor nao
apenas da evolução de todos os seres vivos, camo também da gen~
se de todos os processos cognitivos.
Atrav~s desta açao o ser vivo modifica o mei~
assimi-lando-o~ e se modifica,acomodando-se ao mesmo tempo~ A via
afe-rente-sensorial e apenas um controle elBborado ao longo da
evolução para equilibrar a açao: assim o que está no intelecto
não prov~m dos sentidos, mas da ação. ~ a praxis que, dialeti-camente, transforma no tempo, sujeito a objeto de qualquer trans
formação.
Podemos considerar que toda açao envolve decisão. Es
te processo decisório, particularmente enfatizado pela Ci
berné-tica, ligar-se-ia
à
codificação e decodificação da informação que se torna relevante no comportamento.Semin~rio estabelece, portanto, como o pri meiro e
mais abrangente constructo do Macrosistema, o seguinte
postula-do:
"A
ac~o ~ um encadeamentode
deci~5e~ que detenmina aexi~tência" (Pl) (40, 1980, pãg. 20).
Ressalta, que evidentemente num nível primordial,
decisão e ação não envolvem nenhum caráter propositivo ou conati
-va, pois quando isto chega a ocorrer na espécie humana, já si~
nifica que foi alcançado estágio bastante significativo de uma
Admite-se contudo. na sequência dos fenômenos univer- .
sais dois aspectos essenciais:
1) um aspecto invariante ou determinista. o lado meca
nico interpretáve1 como a soma dos fatores causais.
genéticos;
2) um aspecto variável que determina o lado
"hist6ri-co" dos acontecimentos.
o
que se propõe é vincular a invariância ao princípiouniversal de organização e a variação a alternância decisória.
Assim.
"a. e.xpLi..c.a.ção da..6 mod.i..ó.i..c.a.çÔe..6 que. ge.Jta.m a h.i...6tôJt.i..a: e.m
todo.6 0.6 .6e.U.6 nZve..i...6,
huma.no-c.ultuJt~.6ou
.i..nóJta-huma.-no.6 e. natuJtaIZ.6t.i..c.o.6,
a.6~e.nta,pOJttanto, na.
~e.qu~nc..i..ade. pJtoc.e..6.60.6 de.c..i...6ôJt.i..O.6 e.nc.a.de.ado.6 no c.ompoJttamento de
tudo o que. te.m
ex.i...6t~nc..i..a" (40, 1980,pág.
21
J •Discorrendo acerca desse princípio de organização. Se
minério comenta:
"A Ep.i...6 temolo g.i..a Gené.tic.a pC.6 tula. um pJt.i..nc.Zp.i..o de
oJtgan.i..zação c.omo um ".i..nvaJt.i..ante óunc..i..onaR.." •••
Segun-do e.6ta c.onc.epção, a pJtopJt.i..edade pJt.i..moJtd.i..al de
todo
.6eJt v.i..vo
é
a de. .6eJt e.6tJtutuJtado, ou .6eja.: apJte.6entaJt
.6e.mpJte um c.onjunto de
~ela.çôe.6óunc..i..ona.i...6 c.onc.o
m.i..tan-te..6, ou .6.i..nc.Jtôn.i..c.a..6 (c.ujo .6ent.i..do
é
.i..nteJtdependenteJ,
além da.6 óunçôe.6 "gené.t.i..c.a.6" ou d.i..ac.Jtôn.i..c.a.6 (que atJta
ve.6.6am e tJtan.6óoJtmam, no tempo, e.6.6a.6 e.6tJtutuJta.6J.
-A.i..nda que P.i..aget .6e Jteó.i..Jta exc.lu.6.i..vamente ao.6 .6eJte.6 v.i..
VO.6 ao pO.6tulaJt
e~tepJt.i..nc.Zp.i..o de oJtgan.i..zação, não
pa
Jtec.e d.i..óZc..i..1 e.6tendê-Io a todo e qualqueJt objeto
d~Jte.al.i..dade óenomên.i..c.a.;
o que. e.qu.i..vale a
e.6tend~-loa
toda e. qualque.Jt "máqu.i..na" da C.i..beJtnê.t.i..c.a, ou .6eja,
a
todo ".6uje.i..to" de c.ompolttame.nto. VentJto da abJtang ente
c.onc.epção c..i..beJtnê.t.i.. c.a de "c.ompoltta.me n.to " e a.i..nda
pe
.tJtu.:tuJto./!;, a.tôm{c.a.6
e.
~Yl6JtCi.··a;tôm~c.a , ~(t;tê
a.1.> e.,5.tJtu.tUJta.6
a.6.tJL.OHÔm~c.aó
pode.m .6e.Jt CU'LCL.f.L6a.c!Cd ..como
/I . 6uje.~.t0.6"da
ação que.
de.f.C'.J~ê
de.ó.f.agJta.da."
( 40, ]980,pâg.
22) .Dentro da ccncepçao Cib8rn~tica, o comportamento du s
seres ou dos objetos exige ainda, para selJ desempe n ho, um meio
f undamental : a energia ou a i nformação l esta a pa r tir de deter
mi na d o estágio) .
A colocação de Semin~rio neste sen~idG , e de que a
e-n ergia pode ser descrita como uma moda l idade específica de ie-n--
in--f ormação . Assim:
"ê
e..6.6 e_I1c.~al adm~.t~Jtq u'e. e.la me..6ma. - , a.
e.
11e.tc
g~a.-
P0.6-.6a .6e.Jt
e.m~.t~da e. Jte.c.e.b~da.a.tJtCi.vê.6
de
pJtOc.e6.60.6 de.
c.o-d~6~c.açõ.o e. dec.od~ó~c.açã.o
num
,6 <..j!;,.tema-c.ôd~úoou
lút-guage.m
e..6pe.c.Z6~c.a.I.6.to
ê,
o que.
I1Ô.6 del'!.om~l1amo/.)"e.-n.e.Jtg~a." po de.Jt~a
/.)
e.Jt e.n..te.l1d~doc.omo uma
man.e.~tc.a.de.
.6 e.tLc.od~6~c.ada
a
~116oJtmaçã.on.e..6.6e.
I1Ive.l .. . . A
pJtopo.6~ção aqu~6oJtmu.f.ada.
ê
de
que.
~.6.ta me.ma
pJtopJt~edade. .6e.
e.6.te.n.de. -
aba~xodo.6
.6e.Jte.6 bio.f.ôg~c.O.6a mo.f.ê.c.u.f..a.6
e.ã:tomo.6 , c.ujo
"d~â..f..og()" ~n.óoJtmac.~on.a.t .6 e.e óe .
.t u aJt~aden.:tJto de.
.f.~n.g u a . ge.n..6 h J...e. Jtã.Jtq~c.aJ.,.6':};peJtpo.6-.ta.6 pote.
n.ô.6de.n.om~n.ada.6 "e.n.e.Jtg~a "" ( 40 , 1980 , PCJ..f . 21).A presença d,e um processo semi6tico - como junç~o de
significante e significado - ~ particularmente nitida n~ bioq ui mica e na biologia . Um exemplo , conside r ado o mais conhecido fe
no me no d este tipo,
é
a organização dos ácidos nucleicos, que c~i n cide com sua natureza de veículo-significante de uma mensagem
significada - que
8
por sua vez o " programa" da organização sub se qu e n te ; a biol6gica . Assim , o código genético , atrav~s deestruturas macromoleculares cont ~m em sua própria organizaç~o,
codificadas na linguagem das proprie dade s bioquimicasJôs "
pala-vras" e "frases " capazes de orga n izar como "instruç6es" a estru
Num sentido mais amplo. pode-se supor portanto, que um
nível de organização funcione sistematicamente como veículo ou
canal do nível que e geneticamente subsequente e hierarquica~
mente superior. A cada salto há uma composição semiótica em ter
mos de significante-significado: os saltos adquirem um sentido
informacional e estabelecem assim, em cada nível desses
patama-res superpostos a possibilidade de codificações e
decodifica--ções dentro de linguagens-código apropriadas a cada nível.
Depreende-se que a informação á a veste em . que os
fa-tos e fen6menos universais se apresentam a cada ' ser, o~jeto ou
sujeito do comportamento; e o mundo empírico á uma sistemática
construção através da informação organizada e hierarquizada em
termos semióticos. O princípio fundamental dê ação-decisão cons
titui o elo sistemático e circular da construção de sistemas in
formacionais organizados.
Seminério afirma que se estabelec~ portanto, um pri~
cípio kerigmático universal:
"Toda.
lLea.i-<'da.de empZlL-<'c.a.ê
mert.6a.gem"(40, 1980,
pág.
23).Concluindo, os três constructos essenciais do
Macro--sistema sao. portanto:
(3) informação.
(1) ação-decisão; (2) organização e
A partir do que foi exposto. formula-se ainda os s e
-guintes postulados: (Seminário. 1980)
n
Toda a realidade existente e informação or ganizada
Toda organ{zac~o e hierarguizeç~o de funç6es e es-truturas em termos de significant~s e significados (P
3)
Destes postulados. depreende-se ' os seguintes teoremas:
A açao constr6i sistemas de linguagens-c6digo para
se determinar e explicitar (TI)
Toda organizaç~o é hierarquizada em estruturas su-perpostas, onde a inferior é ve{culo-ca~al signifi
cante da superior e posterior,
mensagem-significa-do (T2)".
1.2 -
O MICROSISTEMA
Segundo o que foi exposto no {tem 1.1. cada ser ontogen~
ticamente. apresentaria "instruç6es" pré-fixadas ao longo da f!
1 o g ê nes e que c o n s t.i tu e mas . " 1 i n g u a g e n s" de sua p r 6 p r i a o r g a n 1 z a
-çao. Assim. os processos psíquicos podem ser descritos a
par-tir destas plataformas ou linguagens-c6digo, sobre as quais as~
senta a circulação da informação. e que possibilitam a
explici-tação da ação.
O modelo te6rico proposto no projeto "Linguagens na
Cognição", centraliza-se nas linguagens-c6digo da atividade co&
nitiva humana • . Esta proposição. até certo ponto inspirada na
teoria de Piaget, propõe uma modificação essencial. na
açao cognitiva. . ~
Nestes termos, conside~ando ser a pr6pria cognição
~-. ma plataforma para estabelecer o "feed-back" da aç~o e, ao
mes-mo tempo, o campo informacional de sua execuç~o , est a beleceu- se algum a s propo s ições;
corr eu uma redu çã o no d esem penho dos sentidos da proximid~
de ( olfato, tato e gust a ç ão ) e um a ampliação nos sentidos
d a distância (v isão e audição) .
fI .
Es ta modificação foi es sencial par a permitir a trans!
çao da representa çã o primária de perceptivô para u ma r epr~ senta ç~ o secund~ria, tal como ocor re no pen samen to .
~stes sentido~ da · dist~ncia e videnciar am , desde cedo ,
uma conexão com a ação motora correspondent e : no caso da
visão, co m a motricidade ge r a l , e no ca s o da a udi ção · com
a fo nação . Se m in~rfo defende ~ i d~ia de que:
".6ome.n,te. o a.f1.c.a ,tn'óof1.ma.c.J..ona..t que. a.bif1.c.a. a. a.ç.ã.o
e. .6ua.
f1.e..6 pe. c.,tJ..v a.
f1.e.tf1.oa.tJ..me.nta.ç.~o,be.m c.omo a.
c.a.p t a.~ ~odo
meJ..ol
,tf1.a.n.6ó0f1.ma.do
pe.la. a,tJ..vJ..da.de. do .6uje.J..,to pode.f1.J..a.
oóe. f1.e. c.e.~uma. p.ta.,ta.60f1.ma. e. x p.tJ..c a.,tJ.. va. do.6 pf1.oc.e..6.60.6
f1.e.-pf1. e..6e.n,ta.,tJ..vo.6
e. mne.m J..c.o.6 c.Of1.f1.e..6po nde.n,te..6 "
( 3 9, 1977 ,pâg. 85) .'
Desta for ma , um dos pressupostos b~sicos do modelo te
órico em questão , evidencia q ue:
,.
"V oJ...6 Únú"o.6 "J..n put.6" e.x,te.f1.0
c. tp,tJ..VO .6 : vJ...óã.o
e. a. LLdJ..ç.ã.o
-j u.n,tcr.rtI U1,te. c.am 0.6 lte...6
pec.,tJ..vo.6
"c
u.,tpu,t / ~" :mo,t/1...[cJ..da.de.
9e./1.a..t
~ão ~etevante~ pa~a
a
o~g~n~zaçãoda
eogn~ção,atuan-do eornO
' e 'ana~.6 p~~rno~d~a~1/(40, 1980, pã.g. 28)
Destacam-~e , portanto, dois ' ~~nais emergentes na esp~ cle humana, aos quais de signou-se chamar: viso-motor e
au-dió-fo né tico. Pelo canal viso-~otor, decodificam-se confi
gurações espaciais em mov.imentos e coficiam-se
configura--ções gestuais , projetadas no espaço; pelo canal audio-fon~
tico, decodificam-se configuraçõ es sonoras através de uma
dimensão temporal ' e codificam-se sons emitidos em termos
de frequ~ncia, sucess~o e ritmo, ou seja, propriedades ' te~ porais projetadas no tempo.
2 -- Ao ' lo r ) 0 dos dois canai ' fundamentai s para ' o acesso da ino
-formação encontram- se, na espécie humana, quatro níveis hi
erarquizados de "l ingu~gens ".
, Assim, a informação req e bida ou emitida pelas Vlas
a-~
ferentes ou eferentes ao longo dos canais primordiais e de
codif icada nas chamadas "ling ua gens morfo ge néticas". A se
qu~ncia desses quatro nív e is de "linguagem ", deve corr es
-ponder a quatro momentos da e volu ç~ o filo ge nética e a
qua-tro passos suceSS1VOS no desenvolvimento e na consolida
çao da cogniç~o e da memória. Estas "linguagens
morfogené-tic as " ' encontram-se ' hi erarquizada s de modo discreto,
esta-belecendo uma des continuidade de tipo "di gital " em que os
significantes do nível inferior veiculam significados no ni
vel ' superior, o 1 seja, comportam-se como veiculo canal da
~nformaç~o tran s it ante .
em ambos os canais (viso-motor e audio-fonético). como segue:
LI Corresponde
à
modalidade mais simples e imediata deorga-nizaç~o da infor~aç~o recebida.
à
linguagem mais elemen~tar e arcaica. ' Representa a possibilidade inatamente pr~
gramada de se organizarem estímulos de quaisquer natureza
em termos de estruturas figurais (tal como fora pr~visto
pela teoria gestaltista).
L
2 ~ Aqui os elementos figurais tornam-se. em ambos ' os canais. significantes de novo significado. Representa a
possibi-lidade associativa de se acoplar a uma estrutura figuraI .
o
valor representativo de uma outra experiência ausente ou substitutiva: e a linguagem dos i ndicadores, ou dos sim-bolo~. sinais ou signos.
E
neste nivel que se torna possível interca mbiar a info r-mação entre os dois grandes canais - o viso-motor e o
au-dia-fonético.
L ~ Neste nivel, os significantes saa suscetiveis de nova de-3
codificação como elementos representativos da experi ê ncia,
tornando reversivel o sentido semântico da representação.
E
o nivel das transformações e substituições de dados e x-perienciais. Representa, portanto, a possibilidade in t ~
gradora de se construire m si g nificações comple xas aci ma d a
estruturação perceptual. utili z ando seus da d os co mo sign~
ficantes e or g ani z ando, ' desta forma, o sentido dos
even--tos: em termos imaginificos no canal viso-motor, e e m
L --
Este nível é com toda evidência. o mais recente na evolu-4ção da espécie humana. Representa a possibilidade de efe
tuar-se uma reversibilidade como metaprocesso deliberado,
isto ~. uso e manejo controlado pelo sujeito ~e todas as
linguagens anteriores. em especial modo. da L3' nl.-
..
vel de captação e estruturação de regras, em que o proce~so representativo adquire a possibilidade de atuar . em ter
mos algébricos e sintagmáticos em relação a todas as
lin-guagens e onde os dois canais se reunem numa lógica
co-mum.
Neste nível. a macrogramática filogenéticamente
pro--gramada e subjacente - inconsciente mente - a todas as
de-mais linguagens, pode vir a ser repr e sentada em suas
re-gras, . cujo uso se torna consciente e controlável.
3 -- Tanto a primeira como a segunda linguagem (LI e L
2), estari a m i!2.
trínsecamente vinculadas ao plano da organização perceptiva (r~
presentação primária) tanto nos seres humanos como nos ani mais.
A partir de um certo es t ágio - provavel mente hum a n o
-ou pelo menos dos ma míferos superiores, é que se deveriam t e r
estabelecido "instruç6es" para elaborar uma repr e sentação s e
--cundária.
o
presente modelo hipotetiza a utilização de compo--nentes da L
2 para constituir conjuntos e struturados desta r e pr~
sent a ção s e c u n dári a : t rata-se d e uma or ga ni za ção a tiv a , selet ~
va, . d~ materiais da L
ma representação a nível imaginário ou de pensamento (L 3)
o
modelo estabelece ainda. que seria de todo provávelque a forma mais arcaica desta construção tenha ocorrido
inici-almente apenas no canal viso-motor. no qual teria sido
possí--vel replicar e projetar atos viso-motores independentemente de
sua execução.
o
autor do projeto vai além afirmando:UA pa~ti~ de~ta eon~t~uç~o ~i~o-moto~a, deve~-~e
ia
te~viabilizado a
l'tep~e~entaçao O'u ea ptação
~ep~e ~entativade
~eg~a~ invaft~ante~. E~~aea ptação
Qe~iao
p~inelpiode
uma
o~ganizo.çãolõgiea (L4)
o~iunda, ~nieialmente, no plano vi.6 o - motolL"
(3)uA
aqu~iç~o de/.)~a"linguagem" (L4),
at~avé~do
eanal
vi~o-moto~ deve~ia te~ pO~.6ibilitadouma
ampla
~eno
vaçã:o
de
po~ ~ibilidade.6 late
Me.6
11.0eanal ã.udio
-6
o
nétieo:
~omenteo
~o ~ep~e~entativo da~ ~eg ~a .6 (L4)~at~avé.6
do ea nal
vi/.)o-moto~, pode~ia pe~miti~,no pla
-no ã.udio-{;onétieo, a utilização
a~bit~éi.~iae
eonvel1eio
nal
de
.61mbolo.6 (L2) que
pe~mitema
o~ganizaçãoda
li~guagem {;alada,
bem
eo mo o
~alto{;undamental (L3) da
~e.p~e~entação
ã
nlvel
~emâ.ntieo" (40,19&0,péi.g. 271.
Ou seja. enquanto a passagem LI. L2. L3 e L4 pelo canal
viso-mo-tor deve ter ocorrido sequencial e progressiva me nte. no canal au
dia-fonético a passagem de L2 para L3 s6 pode ter se tornado po~
sível ap6s a obtenção das regras (L4) coordenadas pa ra organizar
a linguagem convencional e artificial da espécie humana. Daí em
diante. a L2 no canal áUdio-fonético. pôde estabelecer símbolos
arbitrários e utilizá-los para organizar palavras e frases (L3)
como uma semântica equivalente
à
representação secundária de fa-tos e fenômenos da experiência.(3) E.6ta
eoloeaç~ojã.
apa~eeena
teo~iade
J.
Piaget
embo~a ~ituada
ã
nlvel ontogenétieo.
O
que
.6êe.6tabeleee
aqui,
ê
a
L
Segue-se a configuraç;o do Mode l o Te~rico e m qu e s t ~ c .
no sentido de t ornar mais clara ao leitor a e x pos iç ~o que v e m
sendo fei t a:
19 N1vEl
+
Aumento Quanti t a ti vo
(contí nuo)
Salto
Qua li t ati vo (descon t ínuo)
29 N1VEl
+
Aument o Qua nti t at i vo
(co ntín uo)
Salto
Quali tativo (descon tí nuo)
39 NíVEL
+
Aume nt o Quantitati vo
(contín uo)
Sa lt o
Qua 11 tati vo (d es co ntínu o)
49 Ní VEL
CANAL VISO - MOTOR
FIGURAS
GEO Mn RICAS
l(a)
CANAL AUOIO-FO Nt:TI CO
S1lABAS SEM SENTI DO
l( b )
+
Aument o Quõntitativo
(cont ín uo )
.' Sa lto
Quali tativo (descon tínuo)
-I- -I-
r -
4S1MBOlO
ICON ICOS
2
APRECIAÇAo VI SUAL DE FATOS
3
EXP LICIT AÇJl.O DE REGRAS
PALAVRAS
COM +
SENTIDO Aume nt o
Qua ntitativo (contín uo )
Sa lto
,
5 Qual i t ativo
(d escont í nu o)
-I-NARRATIVA
DE +
Ff\TOS Aumen t o
Qua ntitativo (contínuo)
Sa l to
6 Qua 11 tati vo
(d esco ntínuo)
4
1-_-4 -- Seminério admite que a equivalência da L3, no canal
áudio-fonético e no canal viso-motor. parece ser estabelecida a
partir do momento em que tais "linguage~s" se consolidaram)
pelo fato do pensamento operar ou com materiais
viso-moto-res ou com materiais áudio-fonéticos desse nível.
A partir daí. o autor estabelece as seguintes
afirma-tivas. as quais considera relevantes:
"a)
O .6Vthumano pe.n.6a ou -imag-ina. atJtave.6 de.
c.onte.ú-do.6 -imaa-inZ6-ic.o.6 v-i.6o-motoJte..6 ou de. palavJta.6
~u-d-io -
6
o ne.t-ic.o.6 •
b)
Imag-inaç~oe.
Pe.n.6ame.nto
c.on.6t-it~e.m ba.6-ic.~me.nt~um
ún-ic.o pJtoc.e..6.60 c.omo Jte.pJte..6e.ntação
.6e.c.und~Jt-i.a.c.)
Enquanto a pe.Jtc.e.pção
e
de.te.Jtm-inada pOJt
e.~tZmulo.6n~o c.ontJtol~ve.-i.6
pe.la c.onação, a Jte.pJte..6e.ntação .6e.
c.undâJt-i.a de..66Jtuta de. ma-ioJt l-ibe.Jtdade. na
c.on.6tJtu~~ção de. .6ua.6 "palavJta.6" e. "-6Jta.6e..6".
d) Man-i6e..6taçõe..6 c.omo at-iv-idade..6 onZJt-i.c.a.6 e. o
de.lZJtio pode.m .6e.Jt vi.6ta.6 c.omo oJtga.nizo.çõe..6 de. "pala
-vJta.6" e. "6Jta.6e..6" dotada.6 de. .6e.nt-ido, c.on.6tJtuZda.6
ã
n.Zve.l de. L3 e.m ambo.6 0.6 c.ana-i.6 ou e.m um de.le..6.
e.)
EmboJta pJtogJtamada.6 '6-ilog e.ne.tic.ame.n.te. ,
a /~-in.6tJt
u-çõe..6
que. c.on.6t-itue.m a. l-iriguage.m L3, pode.m e.x-i g-iJt
um c.UJtto Re.JtZodo matuJtac.-ional (2 ano.6) no c.a nal
âud-io - 60 net-ic.o, e.nq uan.to tOJtn.a-.6 e.
v-i~ve.l adm-i .:túl.
.6 e.u
U.6o no c.anal v-i.6 o -motoJt de..6 de. o na.6 c.-ime.n.:to.
,í
Quanto a L4, adm-ite.-.6e. uma pJtogJtama.ção 6-il oge.
netic.a ac.Jte..6c.-ida a uma e.laboJtação ma.:tuJtac.-io na.l p/t o
gJte..6.6-iva, a paJtt-iJt do .6e.gundo ano de. v-ida"
(40;-1980,
pág.
28).5 -- Em resumo. alguns postulados básicos sao estabelecidos de
forma a explicitar formaliz ~ damente o modelo:
"
A
ação ope.Jta -inóoJtmac.-ion.alme.n.:te. atJtave.6 de. um
~-i.6te.ma de. "l-i nguage.n.6" pJte-ó-ixada.6, aJtc.abouço
da
c.ogn-ição humana (P1).
26.
Voi~ ~nico~ canai~
com
o~ ~e~pectivo~ "input~"tx-te~o
cepti
vo~ (vi~ã.o e audição) e "o
utput~ 1/(mo
t~cidade
ge~ale
6onação!, bem como
o~ co~~e~pondente~
"6
eed-
back.~" cine~té.~ico~ ~ão
~ele ' vante~ pa~ao~ganizaçã.o
da cognição humana, atuando como
ca-nai~ p~imo~diai~
(P3).
A~ "linguagen~" mo~6ogené.tica.6 e~tão hie~a~quiza
d~
de
modo
di.6c~eto, ~endo o~ ~igninicante~do nI
vel
in6e~io~e
ante~io~ veIculo~pa~a0.6
~igni6icadQ.~
do nIvel
~upe~o~e
po~te~io~ (P4)" (40,1980,-~g. 29).
A partir destes postulados sao estabelecidos os
se-guintes teoremas:
,,~ A hie~a~quia
da.6
"linguagen~" mo~60gené.tica~e:
co~t~uZda po~ quat~o
nIvei.6 em
ambo.6
o~ canai~:6igu-~al,
.6imb6lico,
~emantieoe
~int~tico (TI).Em
qualque~nIvel,
a codi6icaçã.o, decodi6icação ou
~ecodi6icaçã.o ~e
e6etua de
modo
unit~~ioe
não
comp6~ito, compo~tando-.6e .6i~tematica m e n tea.6
e~t~utu~a.6
do.6 nIv
ei~inó
e~io~e . ~co mo veIcu.lo -
ca-na.l-.6igni6icante da
in60~ma.ção t~an ; ~ita.Hte (T2)"-(40, 1980, p~g. 29).
Apresentamos na p~gina seguinte a Rede Nomo16gica pr~