Download/Open
Texto
(2) Resumo O presente estudo tem como objetivo, identificar as características sócio-demográficas de um grupo de homens idosos moradores de São Caetano do Sul, as principais redes de apoio social entre esses idosos e investigar o nível de qualidade de vida dos mesmos. Os dados foram colhidos entre outubro de 2005 e março de 2006. Ao todo foram entrevistados 40 idosos, todos do gênero masculino, com idade média de 70,68 anos. Desses sujeitos, 20 foram entrevistados em Centro de Convivência (CC) para a terceira idade e 20 foram entrevistados nas ruas e nas praças de São Caetano do Sul. Foram utilizados dois questionários sendo um sobre rede de apoio social e o outro sobre qualidade de vida, o WHOQOL bref. Ao final dos questionários foram incluídas duas questões para investigar as providências tomadas em relação à velhice e como eles gastam seu dinheiro. A comparação entre os dois subgrupos permitiu constatar que os idosos do CC revelaram maior participação em atividades de grupo (p < 0,05) e maior freqüência na prática esportiva semanal (p < 0,01). Em questões sobre situações em que as pessoas procuram por outras, em busca de companhia, apoio ou ajuda, os idosos que não freqüentam o CC obtiveram melhores resultados (p< 0,05), bem como são eles que podem contar com alguém para compartilhar suas preocupações e medos mais íntimos (p < 0,05). Idosos divorciados tendem a contar com alguém que os ajude se ficarem de cama (p < 0,05) mais do que os idosos viúvos e também obtiveram mais ajuda para preparar seus alimentos, caso adoeçam do que os idosos viúvos (p< 0,01). Foi possível observar que há maior incidência de idosos viúvos e separados que freqüentam o CC bem como se verificou que a rede social dos mesmos apresentou-se mais deficiente. Entretanto foi observada melhor qualidade de vida relatada entre esses idosos em relação aos abordados na rua (p < 0,05). Concluímos que a participação no CC para a terceira idade, pode cooperar para melhora da qualidade de vida, devido às atividades esportivas, os eventos sociais e a infra-estrutura que o mesmo proporciona à terceira idade. Palavras-chave: idosos; redes de apoio; qualidade de vida; WHOQOL-bref..
(3) Abstract This study object, to identify the partner-demographic characteristics of a men senior group of inhabitants who live in the City of São Caetano do Sul, and the main nets of social support among those senior people, investigating the level of quality of life of them. The data were picked up between October 2005 and March 2006. The sampling was obtained by an interview of 40 men; all of them were male, with medium age around 70, 68 years old. This sample was compound by 20 people who were interviewed in The Center of Coexistence (CC) for the third age and 20 were interviewed in the streets and Parks around the City of São Caetano do Sul. Two questionnaires were used being one about Social Support Net and another structured specifically about quality of life, the WHOQOL bref. At the end of the questionnaires two new subjects were included to investigate the providences took about the old people and how they spend their money in the old age. The comparison among those two sub-groups allowed us to verify that those CC seniors members, revealed the largest participation in group activities (p <0, 05) and the largest frequency in weekly sporting practice (p <0, 01). In subjects about situations where people seek for others, mainly for a kind of relationship, support or for helping, those seniors who don't take part of CC obtained better results (p <0, 05), so that, they really are privileged who could count with others to share theirs concerns and the most private fears (p <0, 05). Divorced seniors tend to count with others who help them if they need to stay in bed for any reason (p <0, 05) more than senior widowers who have a more possibility to getting help in case to prepare its food, and also in case of getting sick than the senior widowers (p <0, 01). It was possible to observe in the samples, that there are more incidences of senior widowers and divorced ones to take part of CC as well as it was verified that some samples showed The Social Net be more defective . However, it was observed a better quality of life in samples among those seniors when questions was answered by seniors who was interviewed in the streets (p <0, 05). We conclude that the participation of seniors in The CC, can help strongly for improvement of the quality of life, due to sporting activities, social events and the infrastructure offered for the third age. Word-key: senior; support nets; life quality; WHOQOL-bref..
(4) Sumário 1.. Introdução.............................................................................................................. 1. 1. 1.. Redes Sociais........................................................................................................... 3. 1. 2.. Apoio Social............................................................................................................. 7. 1. 3.. Qualidade de Vida.................................................................................................... 12. 1. 3. 1. Qualidade e Quantidade de Vida.............................................................................. 13 1. 3. 2. Qualidade de Viva e Meio Ambiente....................................................................... 15 1. 3. 3. Relação entre atividade física, saúde e Qualidade de Vida...................................... 17 1. 3. 4. As necessidades e a sua expressão como direitos.................................................... 18 1. 3. 5. Direitos à Qualidade de Vida reconhecidos em Instrumentos legais das Nações Unidas............................................................................... 20 1. 4.. Bem Estar................................................................................................................. 21. 1. 5. Terceira Idade.......................................................................................................... 26. 1. 5. 1. Uma incursão ao mundo da terceira idade............................................................... 26 1. 5. 2. A solidão na terceira idade....................................................................................... 29 1. 6.. São Caetano do Sul.................................................................................................. 34. 1. 6. 1. Um breve relato da história de São Caetano do Sul................................................. 34 1. 6. 2. Município de São Caetano do Sul, população residente por sexo e grupo de idade........................................................................................................... 39 1. 6. 3. A terceira idade em São Caetano do Sul.................................................................. 39. 2.. Objetivos ............................................................................................................... 41. 3.. Método.................................................................................................................... 42. 3. 1.. Sujeitos..................................................................................................................... 42. 3. 2.. Local ........................................................................................................................ 42. 3. 3.. Material e Instrumento............................................................................................. 43. 3. 4.. Procedimento............................................................................................................ 43.
(5) 4.. Resultado e Discussão........................................................................................ 45. 4. 1. Questões sobre apgar-familiar.................................................................................. 60. 4. 2. Qualidade de vida.................................................................................................... 62. 5.. Considerações Finais......................................................................................... 88. 6.. Referências Bibliográficas............................................................................... 92 Anexos. Anexo A- Convite à participação de um estudo ................................................................ 97 Anexo B- Questionário Rede de Apoio Social.................................................................. 98 Lista de Quadros, Gráficos e Figuras Quadro 1 – Idade dos idosos................................................................................................ 45 Quadro 2 – Renda mensal.................................................................................................... 45 Quadro 3 – Situação do imóvel............................................................................................ 46 Quadro 4 – Grau de instrução.............................................................................................. 46 Quadro 5 - Domínios dos idosos - Centro de Convivência................................................ 84 Quadro 6 – Domínios dos idosos - Rua.............................................................................. 85 Gráfico 1 – Com quantos parentes e amigos você se sente à vontade para falar sobre quase tudo. Centro de convivência............................................................................ 56 Gráfico 2 - Com quantos parentes e amigos você se sente à vontade para falar sobre quase tudo. Rua......................................................................................................... 56 Figura 1 – Situação em que as pessoas procuram por outras em busca de companhia, apoio ou ajuda................................................................................................... 47 Figura 2 – Nos últimos 12 meses, você alguma vez fez uso de terapias? ........................... 50 Figura 3 – Nas duas últimas semanas, você ficou impedido de realizar.
(6) alguma atividade habitual por ter algum tipo de dor?.......................................................... 50 Figura 4 – Qual seu estado civil?......................................................................................... 51 Figura 5 – Quantas pessoas moram na sua casa?................................................................. 53 Figura 6 – Quais sentimentos a crise do envelhecimento provoca em você?...................... 54 Figura 7 – Crise do envelhecimento por estado civil........................................................... 55 Figura 8 – Nos últimos 12 meses, você participou de atividades esportivas em grupo, ou atividades artísticas?...................................................................................... 58 Figura 9 – Indique sua religião............................................................................................ 59 Figura 10 – Nos últimos 12 meses, você participou de cultos religiosos, missas, ou outro ritual?........................................................................................................ 59 Figura 11 – Questões apgar-familiar. ( satisfação, conversam, decisões, tempo, lhe quer bem)..................................................... 61 Figura 12 – Como você avaliaria sua qualidade de vida?.................................................... 62 Figura 13 – Quão satisfeito você está com a sua saúde?...................................................... 63 Figura 14 – Em que medida você acha que a sua dor (física) impede você de fazer o que precisa?................................................................................................. 64 Figura 15 – O quanto você precisa de algum tratamento médico para levar a sua vida diária?........................................................................................................ 65 Figura 16 – Você tem energia suficiente para o seu dia-a-dia?........................................... 66 Figura 17 – Quão bem você é capaz de se locomover?....................................................... 67 Figura 18 – Quão satisfeito você está com o seu sono?....................................................... 68 Figura 19 – Quão satisfeito você está com sua capacidade de desempenhar as atividades do seu dia-a-dia?............................................................................................. 68 Figura 20 – Quão satisfeito você está com sua capacidade para o trabalho?....................... 69 Figura 21 – O quanto você aproveita a vida?....................................................................... 70 Figura 22 – Em que medida você acha que a sua vida tem sentido?................................... 70 Figura 23 – O quanto você consegue se concentrar?........................................................... 71 Figura 24 – Você é capaz de aceitar a sua aparência física? ............................................... 71 Figura 25 – Quão satisfeito você está consigo mesmo?....................................................... 72 Figura 26 – Com que freqüência você tem sentimentos negativos?.................................... 73 Figura 27 – Quão satisfeito você está com suas relações pessoais?.................................... 74.
(7) Figura 28 – Quão satisfeito você está com sua vida sexual?............................................... 75 Figura 29 – Quão satisfeito você está com o apoio que recebe de seus amigos?................ 76 Figura 30 – Quão seguro você se sente em sua vida diária?............................................... 77 Figura 31 – Quão saudável é o seu ambiente físico?........................................................... 78 Figura 32 – Você tem dinheiro suficiente para satisfazer as suas necessidades?.................78 Figura 33 – Quão disponíveis para você estão as informações que você precisa para o seu dia-a-dia?........................................................................... .....................79 Figura 34 – Em que medida você tem oportunidades de atividades de lazer?..................... 80 Figura 35 – Quão satisfeito você esta com as condições do local onde mora?.................... 81 Figura 36 – Quão satisfeito você esta com o seu acesso aos serviços de saúde?................. 82 Figura 37 – Quão satisfeito você está com o seu meio de transporte?................................. 83 Figura 38 – Você se preparou ao longo da vida para os dias de hoje (3ª idade).................. 85 Figura 39 – Como você gasta o seu dinheiro?..................................................................... 86.
(8) 1. 1. Introdução Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgadas na 2ª Assembléia Mundial sobre Envelhecimento, o número de idosos aumentará de 200% a 300% em apenas 35 anos nos países em desenvolvimento e isto tem inúmeros reflexos para a vida de um país (PORTO, 2005). Portanto, é necessário que exista, no país, métodos de conscientização para a população em relação ao envelhecimento, embora o numero de pessoas consideradas idosas venha aumentando ano após ano, segundo dados do (IBGE 2002). Bauman, (2003), retrata em sua obra, o individualismo na sociedade, o egocentrismo e o imediatismo que se sobrepõem a qualquer outro valor e que o futuro não conta. A mídia pouca atenção tem dedicado aos idosos privilegiando os jovens e os adultos que estejam na “ativa”, ou por considerar que os idosos não necessitem de informação, ou por terem peso não significativo nas relações de consumo ou mesmo por discriminação ou descaso. Também é verdade que mais recentemente a mídia voltou os olhos para os idosos com campanhas voltadas a empréstimos bancários a juros não tão elevados. Todavia sabe-se, de antemão, que a motivação dos bancos é ganhar dinheiro com um filão de pessoas aposentadas que certamente têm como honrar seus compromissos. Pensando no fato de que as pessoas idosas sofrem inúmeros tipos de discriminação e maus tratos, foi criado o estatuto do idoso. (Senado Federal, 2003) São poucas as instituições que fazem um trabalho sério para este grupo de pessoas sem visarem interesses próprios, utilizandose da “bandeira” acerca do bem estar dos idosos, enquanto outras são “sucateiras” de pessoas. A impressão que se tem é a de que a sociedade é composta de cidadãos com menos de 60 anos. Acima disso, eles são excluídos, não fazem mais parte da sociedade, por isso não podem ter direitos e nem merecem atenção. Os idosos são excluídos inclusive dos espaços de trabalho como afirmam Peres (2003) e Neri (1996). Peres (2003) fala sobre como as pessoas vão gradativamente perdendo seus espaços nos ambientes de trabalho notadamente, os que estão acima de 50 anos. Neri (1996) especula o quanto há de preconceito em relação aos idosos, não havendo oportunidades de escolha dos mesmos para assumirem novos cargos dentro das empresas. A população idosa não tem o apoio merecido e conquistado por direito pela sociedade preconceituosa, devido a sua suposta “inutilidade”. Neri desmistifica essa visão. Segundo Neri,.
(9) 2. apenas na década de 90 a velhice “com patologia” deixou de ser vista como sinônimo de velhice como um todo, tanto por parte da ciência como da cultura. O crescimento do número de idosos saudáveis estão forçando uma mudança nos pressupostos teóricos da velhice como sinônimo de doença (inutilidade) ( FLECK; CHACHAMOVICH; TRENTINI, 2003). Como seria a qualidade de vida de uma população de idosos do sexo masculino que viesse a sofrer suposto preconceito, por ter a idade avançada e ser considerada excluída, por não dispor de uma rede de apoio, visto que a velhice é “feminina”? Esta constatação é feita pelos estudiosos do processo do envelhecimento, evidenciando um fenômeno que vem sendo explorado ainda sem respostas conclusivas (SILVA; BESSA; OLIVEIRA, 2004). Existe algum subsídio para esse tipo de situação no Brasil, onde o idoso do sexo masculino, nas condições mencionadas encontre algum tipo de suporte social? Como se configura a rede de suporte social nesses casos? E como estaria a qualidade de vida desses homens idosos? São escassas as pesquisas que abrangem o tema da rede social de apoio e qualidade de vida para homem na terceira idade. Geralmente encontra-se bibliografia que abrange a terceira idade num contexto geral quanto ao gênero e não com o foco apenas para homens na terceira idade. Acreditamos que os homens, por manter a postura de ser supridor do lar ao longo de sua vida, são mais resistentes à socialização e muitos, não procuram nenhum tipo de rede social quando chegam na terceira idade e essa socialização se torna ainda mais difícil. Com isso entram em estados depressivos por motivo de solidão e a qualidade de vida não deve ser boa o suficiente para suprir suas necessidades de auto-estima e bem estar no mundo. Os idosos sofrem preconceitos e são considerados como pessoas inutilizadas, vistas como pessoas fadadas, sem desejos próprios, com auto-estima baixa e pessoas assexuadas. Esse conjunto de “atribuições mitológicas” nos leva a refletir como é a qualidade de vida de um idoso do sexo masculino, que vive supostamente sem uma rede social de apoio. Segundo constatações de estudiosos do processo de envelhecimento, a velhice é feminina, devido as mulheres terem maior índice de sobrevivência do que os homens, e pelos valores culturais de que os homens têm menos possibilidade de ficar sozinho na viúves, como também se manter solteiro, ou separado. (Walsh 1995). Baseado nesse contexto é que não podemos descurar dos projetos de pesquisa, os idosos do sexo masculino tenham ou não, um relacionamento conjugal, ou uma rede social de apoio. E a qualidade de vida desses idosos é adequada? Partindo desse princípio, pergunta-se qual a rede social que um homem na terceira idade participa e será.
(10) 3. que essa rede limita-se a uma possível família, e essa família é constituída por quem? Qual o padrão, a promoção de saúde que esse idoso mantém vivendo, sem ou com uma rede de apoio social ? Há alguma diferença considerada entre esses idosos, referindo-se a qualidade de vida entre aqueles que têm algum tipo de rede, e aqueles que não têm? Estas são algumas questões que procuraremos abordar no presente texto. 1. 1. Redes Sociais Para Silva. (2005), redes são sistemas organizacionais capazes de reunir indivíduos e instituições, de forma democrática e participativa, em torno de objetivos e/ ou temáticas comuns. Estruturas flexíveis e cadenciadas, as redes se estabelecem por relações horizontais, inter-conexas e em dinâmicas que supõem o trabalho colaborativo e participativo. As redes se sustentam pela vontade e afinidade de seus integrantes, caracterizando-se como um significativo recurso organizacional, tanto para as relações pessoais quanto para a estruturação social. Na prática, redes são comunidades, virtual ou presencialmente constituídas. Essa identificação é muito importante para a compreensão conceitual. As definições de Rede falam de células, nós, conexões orgânicas, sistemas... Tudo isso é essencial e até mesmo historicamente correto para a conceituação, mas é a idéia de comunidade que permite a problematização do tema e, conseqüentemente, o seu entendimento. Uma rede social é uma estrutura social estabelecida de forma orgânica, ou seja, se constitui a partir de dinâmicas coletivas e historicamente únicas. Sua própria história e sua cultura definem uma identidade comunitária. Esse reconhecimento deve ser coletivo e será fundamental para os sentidos de pertencimento dos seus cidadãos e desenvolvimento comunitário. A convivência entre os componentes de uma rede, inclusive o estabelecimento de laços de afinidade, será definida a partir de pactos sociais ou padrões de relacionamento. (SILVA, 2005). Celeiros (1954) e Bott (1957) desenvolveram o conceito de “redes sociais” para analisar laços que atravessam afinidade tradicional, residencial, e grupos de classes para explicar características que eles observaram como acesso a trabalhos, atividade política, e papéis matrimoniais. (apud BERKMAN; KAWACHI, 2000)..
(11) 4. Para Berkman (1988), o isolamento social, a desintegração e desconexão, influenciam no envelhecimento do organismo cooperando na redução de vida, aumentando o índice de mortalidade. A rede social é considerada como um aspecto estrutural do ambiente social, considerando que suporte social significa um ângulo funcional. O conceito de influência social foi criado em uma tentativa de descrever a habilidade das situações de influência individual em uma direção desejada para utilizar recursos em sua rede social (OSTERGEN; HANSON; ISACSSON; TEJLER, 1991) Redes sociais definem e reforçam os papéis sociais que são significantes, inclusive parentais, familiais, profissionais, e papéis de comunidade, que na sua vez, provê uma sensação de valor em que ele faz parte. São papéis que o indivíduo adquire, uma identidade que só é possível por causa do contexto de rede que provê o palco em que a apresentação do papel acontece. (BERKMAN; THOMAS; BRISSETTE; SEEMAN, 2000). As redes se definem como as cadeias de relações sociais identificadas que cercam o indivíduo e as características desse enlaces, é o conjunto de pessoas com quem uma pessoa mantém contato e que tem algum tipo de laço social. As relações e contatos sociais são caminhos importantes para que o indivíduo inclua em seu íntimo e provem as vias das quais o íntimo influa no indivíduo (SARANSON; COLS, 1977, apud BOWLING, 1994). Para Marsden; Friedkin (apud BERKMAN, KAWACHI, 2000), as redes sociais podem influenciar na saúde de diversas maneiras, porém são freqüentemente ignoradas no aspecto de influência social. Eles afirmam que a “proximidade de dois sujeitos em redes sociais é associada com a ocorrência de influência interpessoal entre os indivíduos, ou seja, uma sociabilização”. Bleger (1998) diz que uma rede social é um conjunto de pessoas que entram em interação entre si, porém, além disso, a rede é, fundamentalmente, uma sociabilidade estabelecida sobre um fundo de indiferenciação ou de sincretismo, no qual os indivíduos não têm existência como tais, entre eles atua um transitivismo permanente..
(12) 5. Mailhiot (1998) transcreve a afirmação sobre a rede social de Lewin “É necessário, pois levar em conta que o meio familiar, ou qualquer rede social ao qual pertence um individuo, não é para ele somente uma fonte de proteção ou segurança. Toda rede social inclusive a familiar desenvolve suas leis, seus tabus, as proibições, os mitos que prevalecem em uma rede, e o indivíduo que pertence a uma rede social, disporá de um espaço de movimento livre mais ou menos extenso” (pg 34). Para Feuerwerker (2000), o poder da rede social está na riqueza das conexões, na riqueza dos vínculos. A unidade básica de vinculo é a relação entre sujeitos, e é esta unidade a responsável pela conformação de uma rede, os vínculos dessa relação são: O reconhecimento do outro como par, como interlocutor, com direito a existir e a emitir opiniões. Conhecimento, quem é o outro e como vê o mundo. Colaboração, depois de conhecido o outro, criam-se vínculos de reciprocidade e colaboração. Segundo Bowling, (1994), para que uma articulação em rede tenha força, é essencial que os distintos sujeitos se articulem não apenas para trocarem experiências e fortalecerem-se mutuamente: é importante que a ação articulada traga um produto que não pode ser obtido isoladamente; Refere-se à rede social relacionando a importância de sua dimensão como: o Tamanho: o numero de pessoas que mantém contato social, podendo incluir aquelas que só procuram em casos de necessidade; o Dimensão geográfica: as redes variam desde aquelas que se limitam a um lugar, passando pelas que se encontram em bairros, até aquelas que estão mais afastadas, sendo que a facilidade de transporte pode influenciar na freqüência de contato; o Densidade / Integração: medida em que os membros se encontram entre si e em outras redes; o Composição e homogeneidade dos membros: amigos, filhos, irmãos, outros familiares; o Freqüência de contato entre os membros: contatos pessoais por cartas, telefones, e-mail; o Força do vínculo: grau de intimidade, reciprocidade, expectativa de duração e disponibilidade e intensidade emocional. Bowling (1994) diz que as redes se definem como a cadeia de relações sociais identificadas que rodeiam o indivíduo e as características das amizades. É o conjunto de pessoas com quem uma pessoa mantém contato e tem algum tipo de laço social. A importância das redes sociais e.
(13) 6. suas características radicam na medida em que satisfazem as necessidades de seus membros. Seu funcionamento pode ser resumido como: o conjunto de contato pessoal mediante o qual o indivíduo mantém sua identidade social e recebe apoio emocional, ajuda material, serviços, informações e novos contatos sociais. Segundo Marques (1999) a rede social é estruturada por vínculos entre indivíduos, grupos e organizações construídos ao longo do tempo. Os vínculos têm diversas naturezas, e podem ter sido construídos intencionalmente, embora a sua maioria tenha origem em relação herdada de outros contextos: rede como composta por várias camadas, cada qual associada a um tipo de relação e a um dado período de tempo. Todas elas encontram-se em constante interação e transformação. A rede social pode ser definida como a soma de todas as relações que um individuo percebe como significativas. Essas redes correspondem ao nicho interpessoal da pessoa e contribui para seu próprio reconhecimento como indivíduo e para sua auto-imagem. (SLUZKI, 1979; STEINMETZ, 1988) Uma rede social estável ativa e confiável que parece proteger as pessoas contra doenças, favorecer atividades positivas para sobrevida, também tem suas funções como: o Companhia social: Refere-se à realização de atividades conjunta ou simplesmente o estar juntos; o Apoio emocional: refere-se a intercâmbio que conotam atitude emocional positiva clínica de compreensão, simpatia, empatia, estímulo e apoio; o Guia cognitivo e de apoio: interações destinadas a compartilhar informações pessoais ou sociais, esclarecer expectativas e proporcionar modelos de papéis; o Regulação ou controle: interações que lembram e reafirmam responsabilidades e papéis; o Ajuda material e de serviço: colaboração específica com base em conhecimentos de especialistas ou ajuda física, incluindo os serviços de saúde; o Acesso a novos contatos: abertura de portas para a conexão com pessoas e redes que até então não faziam parte da rede social do indivíduo (SLUZKI, 1997)..
(14) 7. Para Backgroud (apud Hanson 1991), a importância de recursos sociais adequados, como rede social e suporte social, tem tido diferentes resultados nas pesquisas epidemiológicas durante as ultimas décadas voltada para a saúde. Vários estudos reconhecidos de países e populações diferentes mostraram uma associação entre recursos sociais fracos e acrescentaram mortalidade, morbidez de vários tipos, como também fatores de risco biológicos como variáveis de comportamento de hipertensão e problemas de saúde em fumantes. Redes são sistemas organizacionais capazes de reunir indivíduos e instituições de forma democrática e participativa, em torno de objetivos e/ ou temáticas comuns. Estruturas flexíveis e cadenciadas, as redes se estabelecem por relações horizontais, interconexas e em dinâmicas que supõem o trabalho colaborativo e participativo. As redes se sustentam pela vontade e afinidade de seus integrantes, caracterizando-se como um significativo recurso organizacional, tanto para as relações pessoais quanto para a estruturação social. (SILVA, 2005). 1. 2. Apoio Social A discussão da categoria teórica metodológica de rede de apoio social teve seu início em intensos debates sobre saúde publica, nos EUA, em relação ao chamado social support. Sua definição envolve uma gama de fatores inter-relacionados, dentre eles as redes sociais, as relações íntimas e as relações comunitárias (SILVA, 2005). Berkman; Kawachi, (2000) utilizam o conceito de Mangueira ao exemplificar suporte social dizendo que com pouco relacionamento podem prover vários tipos de suporte enquanto outros relacionamentos são especializados e provêem só um tipo. O suporte social está tipicamente dividido em subtipos, que incluam sentimental, instrumental, avaliação e suporte informadores. Suporte sentimental é relacionado à quantidade de amor, atenção, condolência, compreensão e estima disponíveis de outros. Ainda Berkman; Kawachi (2000) se apóiam em Thoists ao afirmarem que o suporte sentimental é mais freqüentemente provido por aspectos de confidencia ou intimidade, embora relacionamento menos íntimo possa prover suporte sob condições circunscritas. O suporte.
(15) 8. instrumental se refere à ajuda para necessidades tangíveis como conseguir mantimentos, auxiliar nos compromissos, telefonar, cozinhar, ou pagar contas. Casa, (apud COHEN, WILL; 1985) diz que o suporte informador é relacionado à provisão de conselho ou informações no serviço de necessidades particulares e que o suporte sentimental e suporte informador são freqüentemente difícil de desagregar e tem várias outras definições (ex suporte auto-estima) Na visão de Kahn; Antonucci, suporte social é de natureza transacional, potencialmente envolvendo ambos dando e recebendo; o processo de dar e receber fortalece o recurso dentro de uma armação normativa de troca em que comportamento é guiado por normas de interdependência, solidariedade, e reciprocidade. (apud BERKMAN, KAWACHI, 2000). Para Barrios (1999) o apoio social inclui qualquer atividade que permita num espaço de tempo compartilhar com familiares, amigos, grupos religiosos, entre outros grupos, ou com qualquer pessoa que ofereça um apoio afetivo ou material. A importância desta categoria está na manifestação da solidariedade e no efeito benéfico como expressão de saúde para as pessoas que participam das atividades. Lakey; Cohen. (2000) dizem que existem três perspectivas teóricas importantes em pesquisas de suporte social: (1) a tensão e forma de lidar com as perspectivas; (2) a perspectiva de construcionista social; e (3) a perspectiva de relação. A tensão de lidar com perspectiva propõe para aquele suporte contribuir para saúde protegendo pessoas dos bens adversos de tensão. A perspectiva de construcionista social propõe para suporte influências diretas de saúde promovendo auto-estima e auto-regulação, não importando a presença de tensão. A perspectiva de relação prediz que os bens de saúde de suporte social podem ser separados dos processos de relação que freqüentemente co-acontece com suporte, como companhia, intimidade e pouco conflito social. Ao analisarmos o apoio social, devemos levar em conta as especificidades existentes em cada país, principalmente os fatores que caracterizam a vida das classes populares do terceiro.
(16) 9. mundo, como por exemplo, pessoas vivendo em assentamentos irregulares sem infra-estrutura adequada de serviços, desemprego, subemprego, ruptura familiar, violência, que são parte do cotidiano da vida dos pobres urbanos das cidades do terceiro mundo. As condições de vida, as relações estabelecidas entre as pessoas, o cotidiano e o ambiente em que vivem são fatores importantes a serem analisados quando se fala em apoio social, são aspectos que para algumas pessoas podem afetar a saúde e o bem estar (ARROSSI, 1994). O apoio social pode ser medido ao nível da interação social de participação, a partir do envolvimento das pessoas com os grupos comunitários, instituições, etc e das relações íntimas e pessoais, através dos laços afetivos e emocionais com que são estabelecidos e vivenciados (GOTTLIEB, 1985). O suporte social adicionalmente pode operar sua influência em emoção, humor, e bem-estar visto que os estudos mostram que suporte social é associado com sintoma de depressão. Esta evidência é particularmente importante levando em conta o fato que suporte social, especialmente visto suporte sentimental, é visto como amortecedor das influências danosas de eventos estressores aparadores no risco de depressão e sintomas deprimentes.(LIN; DECANO, 1984 apud BERKMAN, KAWACHI, 2000). Cobb (1976) enfatiza que os atos do suporte social devam ser de forma compreensiva e preventiva, sendo que suporte social é concebido para ser informativo e pertença as três classes: 1. As informações levem o sujeito a crer que ele seja aceito e amado; 2. As informações levem o sujeito a crer que ele seja estimado e apreciado; 3. As informações levem o sujeito a crer que ele pertença a uma rede de comunicação e obrigação mútua. Para Valla (1998) o apoio social tem um papel importante na manutenção da saúde e na prevenção de doenças, e como forma de facilitar a convalescença, exerce um efeito direto sobre o sistema imunológico (BERMANN; CASSEL, apud VALLA, 1998) agindo como efeito tampão, no sentido de aumentar a capacidade das pessoas de lidar com o estresse..
(17) 10. Outro resultado do apoio social seria sua contribuição no sentido de criar uma sensação de coerência da vida e de controle sobre a mesma, o que por sua vez, afeta o estado de saúde das pessoas de uma forma benéfica. Diminuindo o apoio social, o sistema de defesa pode ser afetado, fazendo com que o indivíduo se torne mais suscetível à doença. Em momentos de muito estresse, o apoio social contribui para manter a saúde das pessoas, pois desempenha uma função mediadora. (VALLA, 1998). Segundo Cohen, (1989) as pessoas que recebem mais suporte social têm menos probabilidade de problemas de doença do que aquelas que recebem menos suporte social. Suporte social contribui para ajuste positivo e desenvolvimento pessoal, também é um amortecedor de tensão. A diversidade de medidas de suporte social é combinada pela diversidade de conceitualização relativa a seus ingredientes. Porém, não importando como é conceitualizado, suporte social parece ter dois elementos básicos: a quantidade de disponibilidade para quem pode se virar em momentos de necessidade e o grau de satisfação com o suporte disponível (SARASON, 1985). Como temos visto, a categoria de Apoio Social se define como sendo qualquer informação, falada ou não, e/ ou auxílio material, oferecidos sistematicamente por grupos e/ ou pessoas que já se conhecem, que resultam em melhorias no campo de saúde-doença. Outro fato a ser abordado sobre o apoio social é o processo de reciprocidade que gera benefícios tanto para a pessoa que recebe, quanto para quem oferece o apoio, possibilitando que ambas tenham o controle e o sentido sobre suas vidas e destinos, noções de possibilidades, trazendo melhorias significativas à saúde das pessoas.(VALLA, 1998). Bairro (1999), refere-se às hipóteses de duas formas de atuação ou dois tipos de efeitos do apoio social na saúde e no bem estar do indivíduo: 1- Efeitos diretos - o apoio social tem efeito direto sobre o bem-estar, independentemente do nível de estresse de tal modo que maior o nível do apoio social, menor mal estar psicológico, e menor grau de apoio social, maior incidência de transtornos, independentes dos acontecimentos.
(18) 11. vitais estressantes. Esta hipótese sugere que o apoio social e a saúde estão linearmente relacionados; 2- Efeitos indiretos – o apoio social funciona como um moderador de outras forças que influenciam no bem-estar. Esta hipótese afirma que quando as pessoas estão expostas a estressores sociais, estes tenderão a exercer efeitos negativos, mais ainda nas pessoas cujo nível de apoio social é baixo. Estima-se que suporte diz respeito ás informações que uma pessoa necessite para se sentir aceita, segundo Cobb,(1976) Auto-estima é realçada comunicando para pessoas que elas são estimadas e tem seus valores e, independentemente de suas experiências são aceitas apesar de quaisquer dificuldades ou culpas pessoais. Este suporte é chamado de suporte sentimental, suporte de auto-estima, suporte expressivo, ou suporte informador que é de ajuda em definir, entender e lidar com eventos problemáticos. (COHEN, 1985). Berkman; Glass; Brissette; Seeman (2000) falam sobre o compromisso social de forma em que as redes podem influenciar nas condições de saúde e promovendo a participação social e compromisso social, sendo que a participação e o compromisso resultam da representação de laços potenciais em atividade vitalícia real, conseguindo junto com amigos, freqüentando funções sociais, participando em recreação de papéis profissionais ou sociais, assistência de igrejas, estas são todas as instâncias de compromisso social. Deste modo, oportunidades para compromisso em redes sociais definem e reforçam papéis sociais significantes inclusive parentais, familiares, profissionais, e papéis de comunidade. Suporte social deve ter a função de relação interpessoais como amortecedor de tensão. E o tipo de apoio que são oferecidos por essas relações deve ser satisfatório para lidar contra sintomas estressores (COHEN, 1983). Os sociólogos crêem que as características das redes têm um poder explicativo sobre a conduta social das pessoas. (Mitchell, 1969) A importância das redes sociais e suas características crescem na medida em que satisfazem as necessidades de seus membros. Suas funções podem ser resumidas como: O conjunto de contatos pessoais mediante os quais o indivíduo mantém sua identidade social e recebe apoio.
(19) 12. emocional, ajuda material, serviços, informações e novos contatos sociais (WALKER; COLS, 1976 apud BOWLING, 1994). Spiegel (1995,1997) em Pietrukowicz (2001) tem desenvolvido nos EUA uma série de pesquisas relacionando o apoio social e o bem estar físico. Nestas pesquisas avaliou as relações entre apoio social e a redução da taxa de mortalidade e os seus benefícios para a saúde, a partir de quatro tipos de apoio social: estado civil, contato com pessoas da família e amigos, participação em grupos religiosos e filiações e outros grupos. “Especificamente, a probabilidade de morte entre indivíduos com menos ligações sociais era o dobro da probabilidade de morte entre os indivíduos com laços mais fortes, mesmo quando se levou em conta hábitos como o tabagismo, consumo de álcool, atividades físicas, obesidade e uso de programas de prevenção”. (apud PIETRUKOWICZ; 2001 p.16). 1. 3. Qualidade de Vida O termo qualidade de vida, de fato, tem sido muito utilizado ultimamente, mas não há consenso sobre sua definição, e é sempre avaliada de modo subjetivo, a partir de auto-relatos, ou seja, é própria de cada pessoa. Muitos são os fatores que influenciam na qualidade de vida e o mais importante depende de cada um de nós, da nossa visão de ideal, da nossa herança familiar e cultural, da fase da vida em que estamos, da nossa expectativa em relação ao futuro, das nossas possibilidades, do ambiente, da visão que temos do mundo e da vida, dos nossos relacionamentos, etc. É claro que existem certas condições básicas, como: ter o que comer, morar, saúde, liberdade de escolha... Quando elas não existem, torna-se prioridade numero um e não há muito que discutir (HEERDT, 2005). É importante ressaltar a participação política para a promoção da qualidade de vida como, por exemplo, a construção de uma sociedade mais justa e equilibrada, contudo, não é tarefa fácil e imediata. Demanda aprendizado demorado e às vezes até mesmo doloroso. Exige organização e grande mobilização dos brasileiros em torno de projetos de mudanças radicais, o que supõe a.
(20) 13. extensão da consciência dos direitos e deveres da cidadania e a participação política à maioria da nossa população. Não alcançamos ainda plenamente esse estágio de conscientização, mas já bastante, no exercício da luta, associando-nos a outros descobrindo canais, criando estratégias, tornando lideranças e estabelecendo programas de ação (ALVES, 1992). Alves (1992), ainda diz que é preciso que se efetivem medidas políticas de combate à pobreza para garantir um mínimo de dignidade à vida de cada indivíduo para que ele tenha, então condição de estender mais além do horizonte de suas necessidades e reivindicações. É preciso que o cidadão possa comer, se abrigar, enfim, sobreviver que, como ser humano é talvez o que conta mais na qualidade de vida. As pessoas têm o direito a ela – não simplesmente o direito de serem livres de danos evitáveis, mas de serem livres do medo dos danos. 1. 3. 1. Qualidade e Quantidade de Vida O ser humano, infelizmente, não raro, não tem uma boa qualidade de vida. Muitos, pode-se afirmar, não têm, ou têm poucos momentos de felicidade e prazer. Isso faz com que haja, também, maior suscetibilidade às doenças, sobre essa questão é importante dizer que quantidade de vida é diferente de qualidade de vida. A qualidade de vida do ser humano, no sentido amplo da expressão, somente é compreendida se for captada nas suas múltiplas dimensões, como a vida no trabalho, a vida familiar e a vida na sociedade, a espiritualidade, enfim, em toda a vida (HEERDT, 2005). “Ao procurar a melhoria sustentável da qualidade de vida, a mais alta prioridade deve ser concedida à satisfação das necessidades básicas mínimas para a sobrevivência da população. Esta prioridade não pode ser negociável. Ao nível da pobreza e abaixo desse nível, a quantidade é naturalmente essencial tanto para os rendimentos como para os serviços. Na verdade é fundamental uma quantidade mínima antes que a qualidade de vida possa ter significado” (PINTASILGO, 1998, p.74).. Conforme Minayo et al (2000), qualidade de vida é uma noção eminentemente humana que se aproxima do grau de satisfação encontrado na vida familiar, amorosa, social e ambiental. Pré-supõe uma síntese cultural de todos os elementos que determinada sociedade considera como seu padrão de conforto e bem-estar. Os autores identificam o uso polissêmico em que o modo e.
(21) 14. as condições de vida inter-relacionam-se com os ideais de desenvolvimento sustentável, ecologia humana e democracia. Estes conceitos remetem, pois, a uma relativa cultura, pois se trata de uma construção social e historicamente determinada, concebida segundo o grau de desenvolvimento de uma sociedade específica (ASSUMPÇÃO; MORAIS; FONTOURA, 2002). “Há muitos elementos da qualidade de vida: Baseiam-se na fruição garantida e tranqüila da saúde e da educação, da alimentação adequada e da habitação, de um ambiente estável e saudável, da equidade, da igualdade entre os sexos, da participação nas responsabilidades da vida de todos os dias, da dignidade e da segurança. Cada um só pode minar o sentido subjetivo da qualidade de vida” (PINTASILGO, 1998, p 75).. Algumas referências retiradas do glossário (manual de vocabulários) nos dão um panorama sobre qualidade de vida do ponto de vista de alguns teóricos: ¾. Qualidade de vida: é o conjunto de condições objetivas presentes em uma determinada. área e da atitude subjetiva dos indivíduos moradores nessa área, frente a essas condições (HOMBACK et alli, 1974, apud GLOSSÁRIO, 2005); ¾. Qualidade de vida: são aqueles aspectos que se referem às condições gerais da vida. individual e coletiva: habitação, saúde, educação, cultura, lazer, alimentação, etc. O conceito se refere, principalmente, aos aspectos de bem-estar social que podem ser instrumentos mediante o desenvolvimento da infra-estrutura e do equipamento dos centros de população, isto é, dos suportes materiais do bem-estar (SAHOP,1978, apud GLOSSÁRIO, 2005); ¾. Qualidade de vida: é a resultante da saúde de uma pessoa (avaliada objetiva ou. intersubjetivamente) e do sentimento (subjetivo) da satisfação. A saúde depende dos processos internos de uma pessoa e do grau de cobertura de suas necessidades, e a satisfação depende dos processos internos e do grau de cobertura dos desejos e aspirações (GALLIOPIN,1981, apud GLOSSÁRIO,2005); ¾. Qualidade de vida: o conceito de qualidade de vida compreende uma série de variáveis,. tais como: a satisfação adequada das necessidades biológicas e a conservação de seu equilíbrio (saúde), e a manutenção de um ambiente propício à segurança pessoal, a possibilidade de desenvolvimento cultural, e em último lugar, o ambiente social que propicia a comunicação entre os seres humanos, como base da estabilidade psicológica e da criatividade (MAYA,1984, apud GLOSSÁRIO,2005)..
(22) 15. Lyndon Johnson, presidente dos Estados Unidos, foi o primeiro a empregar a expressão Qualidade de Vida, ao declarar, em 1964, que “os objetivos não podem ser medidos através do balanço dos bancos. Eles só podem ser medidos através da qualidade de vida que proporcionam às pessoas”. (HEERDT, 2005). O interesse em conceitos como “padrão de vida” e “qualidade de vida” foi uma preocupação inicial de cientistas sociais, filósofos e políticos, pois estava muito ligado à diminuição da mortalidade ou ao aumento da expectativa de vida. Posteriormente, foram-se acrescentando outros parâmetros. O grupo de qualidade de vida da divisão de Saúde Mental da Organização Mundial da Saúde, por exemplo, definiu qualidade de vida como “a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”. Essa definição é concedida por Heerdt, 2005. O mesmo grupo enumerou algumas características importantes para a avaliação da qualidade de vida. Percebe-se que, por estas características, que qualidade de vida envolve um conjunto de fatores que devem existir para uma vida melhor. Isso quer dizer que a qualidade de vida passa pela necessária mudança de comportamento, vivência de valores, crescimento profissional e humano, disciplina e respeito, cuidados com os ambientes, atenção à saúde, vivência de uma espiritualidade... (HEERDT,2005). 1. 3. 2. Qualidade de Vida e Meio Ambiente. A qualidade de vida é talvez a parte esquecida da vida moderna. De modo a dar o próximo passo em frente na civilização, o que devemos procurar atingir é a qualidade de vida como o futuro da humanidade. Assim, neste século, a principal tarefa da humanidade deve ser um esforço intenso e prático de definição e de aplicação de uma verdadeira qualidade de vida. A comissão Brundtland defende que a sustentabilidade é tanto uma pré-condição como uma parte integrante da qualidade de vida. Se o sustento e a prosperidade não podem ser preservados, não podem ser seguros. Segurança, portanto, implica sustentabilidade. A qualidade de vida a qualquer nível, e qualquer melhoria nesta qualidade, deve ser sustentável; do outro modo, a qualidade declinará, e para as gerações futuras será pior do que no presente. Isto é uma importante dimensão da capacidade de cuidado..
(23) 16. Em termos econômicos, sustentabilidade significa conservamos intacto o nosso estoque de capital natural. Qualquer rendimento derivado de uma retirada do capital, como sabemos, não é sustentável a longo prazo. Em termos ambientais, sustentabilidade significa que devemos evitar esgotar o estoque dos recursos da natureza, e pôr em perigo a sua capacidade de absorção de resíduos. É preciso preservar, tanto quanto possível, a diversidade biológica dos habitats naturais. Por exemplo, não se devem produzir desperdícios sólidos, líquidos e gasosos que excedam a capacidade da natureza para os absorver (PINTASILGO,1998). A sustentabilidade é também a capacidade dos seres humanos se ajudarem uns aos outros, vencendo qualquer sentimento de solidão que de outro modo indicaria a diminuição e perda do potencial das pessoas. Comunidades e sociedades inteiras também constroem um capital social constituído por coesão, identidade cultural e disciplina, elementos fundamentais para a nossa sobrevivência coletiva na paz. Tal capital pode ser reduzido pela desigualdade, pelo desemprego, pela insegurança, situações socialmente insustentáveis a longo prazo, porque podem conduzir (entre outras conseqüências) ao uso de drogas e ao crime. Estas seqüelas não reduzem apenas a qualidade de vida de cada um; elas conduzem inevitavelmente ao colapso social (PINTASILGO, 1998). Qualidade de vida refere-se ao bem-estar geral e cotidiano das pessoas e pode ser dividido em três componentes principais: saúde física, mental e social. Porém, as opiniões dos médicos e pacientes, relacionadas à qualidade de vida, variam bastante, como revelam várias pesquisas. Provavelmente a melhor definição conhecida sobre qualidade de vida é a seguinte: Qualidade de vida é a resposta do indivíduo para lidar com as suas circunstâncias de vida, o equilíbrio entre estas circunstâncias e a habilidade para lidar com as mesmas. Em outras palavras: a habilidade sobre o que quer na vida (BOER, 2002)..
(24) 17. 1. 3. 3. Relação entre atividade física, saúde e qualidade de vida. A qualidade de vida, entendida enquanto fenômeno que se inter-relaciona com as diversas dimensões do ser humano, tem sido objeto de inúmeros estudos na comunidade científica (ASSUMPÇÃO; MORAIS; FONTOURA,2002). A idéia de associar exercícios físicos à qualidade de vida nasceu nos Estados Unidos, na década de 70. Para algumas pessoas é fundamental praticar alguma atividade física, enquanto outras podem optar por levar uma vida sedentária, mesmo sabendo dos prejuízos que isso acarreta para a saúde. Por mais estranho que possa parecer, tal atitude não deixa de ser uma escolha de bem-estar, isto significa que embora haja algumas linhas mestras, não é possível padronizar qualidade de vida (CORPOARTE, 2005). Em boa parte da literatura sobre Educação Física, onde estão relacionadas as várias atividades físicas e qualidade de vida, não são especificadas de forma clara as definições conceituais e operacionais relativas ao constructo qualidade de vida. A falta de um consenso em torno de sua definição tem levado muitos estudiosos a empregar o termo qualidade de vida de forma reduzida e indiscriminada (Minayo, 2000; Pires et al, 1998), desconsiderando sua riqueza e complexibilidade. Geralmente, associam-no ao conceito restrito de saúde, no sentido de ausência de doença e de bem-estar físico (Fleck et al,1999 apud ASSUMPÇÃO; MORAIS; FONTOURA,2002). A preocupação com o conceito qualidade de vida concorre para que, no âmbito das Ciências Humanas e Biológicas se estabeleçam parâmetros mais amplos que a mera ausência de doenças, diminuição da mortalidade ou aumento da expectativa de vida na determinação de níveis de qualidade de vida. Fleck et al,1999; Assumpção et al,2002 afirmam que a qualidade de vida representa uma tentativa de nomear algumas características da experiência humana, sendo ela o fator central que determina a sensação subjetiva de bem-estar. Consistem na possessão dos recursos necessários para a satisfação das necessidades e desejos individuais, a participação em atividades que permitem o desenvolvimento pessoal, a auto-realização e a possibilidade de uma.
(25) 18. comparação satisfatória entre si mesmo e os outros. (ASSUMPÇÃO; MORAIS; FONTOURA, 2002). Neste sentido, a Organização Mundial de Saúde definiu qualidade de vida como a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e do sistema de valores nos quais ele vive, considerando seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações (Fleck et al, 1999, apud ASSUMPÇÃO; MORAIS; FONTOURA, 2002). 1. 3. 4. As necessidades e a sua expressão como direitos As definições seguintes foram retiradas do trabalho presidido por Pintasilgo (1998). A qualidade de vida responde, como temos visto, às necessidades de ordem material, social e psicológica. As pessoas avaliam consistentemente a boa saúde como o elemento supremo para assegurar qualidade de vida. O pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (ICESCR) de 1996 reconhece o direito de cada um a gozar o nível mais alto possível de saúde física e mental. De acordo com o Ato Constitutivo da Organização Mundial de Saúde, este nível não é meramente ausência de doença ou enfermidade, mas um estado de bem-estar físico, mental e social e ambiental que conduzem à saúde. O direito à saúde implica assim o direito de acesso à informação, a educação e aos serviços dos cuidados de saúde preventivos e curativos. Desde a adoção do programa de ação Saúde para Todos, o acesso aos cuidados primários tornou-se um direito explicitamente reconhecido. A educação, como direito fundamental, dá capacidade às pessoas de satisfazerem várias necessidades de ordem material, social e psicológica relativa à qualidade de vida. A possibilidade de ler e escrever, por exemplo, é essencial para a asserção de direitos cívicos e políticos; sobretudo, a educação serve cada vez mais como uma via para o trabalho e para melhor salário. O ICESCR reconhece o direito de cada um a um nível de vida adequado para si e para a sua família, incluindo alimento, vestuário e habitação adequados e a contínua melhoria das condições de vida. O trabalho não é apenas um meio para atingir um fim, também serve como ambiente social para uma grande parte da vida dos adultos. Por isso as condições de trabalho tornaram-se num.
(26) 19. importante aspecto da qualidade de vida. O ICESCR reconhece também direitos à qualidade do emprego: salários justos, condições de trabalho seguros e saudáveis, oportunidades iguais de promoção, descanso, férias e outros lazeres. Os direitos políticos proporcionam a estrutura dentro da qual podem ser respondidas as necessidades sociais – razão pela qual os direitos políticos são parte intrínseca da qualidade de vida, assim como são meios de assegurar outros direitos e suporte de dignidade do ser humano. São reconhecidos no Pacto Internacional para os Direitos Civis e Políticos das Nações Unidas (ICCPR) e incluem os direitos à vida, à liberdade e a segurança, juntamente com a liberdade de opinião, expressão, reunião e movimento. O direito à igualdade, também incorporado no ICCPR, é fundamental na defesa de outros direitos básicos. O direito é realizável, contudo, apenas se existir um direito ao acesso fácil de cada um à informação, à assistência e representação jurídicas. A resposta às necessidades psicológicas contribui para enriquecer a qualidade de vida, especialmente aquelas que se relacionam com o lazer, o repouso ou a diversão (PINTASILGO, 1998)..
(27) 20. 1. 3. 5. Direitos à Qualidade de Vida reconhecidos em instrumentos legais das Nações Unidas.. DIREITO. INSTRUMENTO. _________________________________________________________________________ Dignidade. Carta, preâmbulo. Direito à vida. ICCPR, 6.1. Segurança da Pessoa. ICCPR, 9.1. Ausência do Medo. ICECSR, preâmbulo. Alimentação adequada, ausência de fome. ICECSR, 11.1-2. Nutrição Materna. CEDAW, 12.2. Direito ao Trabalho. ICECSR, 6.1. Qualidade do Trabalho. ICECSR, 7. Emprego pleno e produtivo. ICECSR, 6.2. Saúde. ICECSR, 12.1. Acesso aos cuidados primários de saúde. CRC, 24.2.b. Cuidados de Saúde pré e pós natais. CEDAW, 12.1; CRC, 24.D. Acesso a serviços de informação sobre planejamento familiar. CEDAW, 14b, 16.e. Educação preventiva da saúde. CRC, 24. e. Educação. ICECSR, 13.1. Educação Primaria obrigatória gratuita. ICECSR, 13.2,a; CRC, 28.a. Educação Secundaria disponível. ICECSR, 13.2.b. acessível para todos Habitação adequada. ICECSR, 11.1. Licença de parto. ICECSR, 10. Segurança Social. ICECSR, 9. Igualdade dos Sexos. Carta, preâmbulo; CEDAW. Proteção da Família. ICCPR, 23.1. Direitos Políticos. ICCPR, passim. Participação. CEDAW, 7,14.2.a.
(28) 21. ABREVIATURAS:. CEDAW = Convenção para a Eliminação da discriminação contra as. Mulheres; Carta = Carta das Nações Unidas ; CRC = Convenção sobre os Direitos das Crianças; ICESCR = Convenção Internacional Sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais; ICCPR = Convenção Internacional Sobre os Direitos Civis e Políticos. Fonte : Nações Unidas, Unesco (PINTASILGO, 1998) Qualidade de vida pode relacionar-se com saúde e estado subjetivo de saúde, considerados como conceitos afins, centrados na avaliação subjetiva do paciente, mas necessariamente ligados ao impacto do estado de saúde sobre a capacidade do indivíduo viver plenamente. De acordo com a conceituação de Gill e Feinstein, qualidade de vida não inclui somente fatores relacionados à saúde, tais como bem-estar físico, funcional, emocional e mental, mas também elementos não relacionados à saúde, tais como bem estar, família, amigos e circunstâncias de vida (apud ALBUQUERQUE; TRÓCCOLI, 2004). 1. 4. Bem –Estar. Desde o início da civilização grandes pensadores discutiram a qualidade de existência humana, e “a vida boa”, para alguns indivíduos o ideal é de riqueza, para outros, ter relações significantes, ou seja, boas amizades. O bem estar subjetivo refere-se à avaliação que as pessoas fazem de suas vidas, inclusive julgamentos cognitivos, tais como: satisfação de vida, avaliação afetiva (humores e emoções), como sentimentos positivos e negativos (EDDINGTON; SHUMAN, 2005). Qualidade de vida, bem estar subjetivo, satisfação de vida, bem estar social, são todos parte de uma terminologia que se relaciona com a felicidade e que pretende adquirir um status ontológico através da clarificação de conceito e sua capacidade para ser medido (CUADRA; FLORENZANO, 2003). Uma questão que surge quando avaliando componentes afetivos de bem estar é: que tipo de emoção nós devíamos medir? Em qualquer momento uma pessoa pode experimentar emoções de intensidade alta ou baixa..
(29) 22. A pesquisa mostra que a intensidade com que se sentem emoções não é a mesma coisa que a freqüência com que ele ou ela sente estas emoções, e estes dois aspectos de experiência sentimental tem implicações distintas para bem-estar (SCOLLON; LUCAS, 2003). Numa perspectiva relacionada à universalização em emoções, alguns pesquisadores dizem que existem emoções discretas que são básicas e aparecem em todas as culturas. Por exemplo: expressões faciais de raiva, tristeza e alegria, que parece cedo na infância, e estão facilmente reconhecidas em muitas culturas diferentes. Expressões faciais de rir e chorar em crianças sugere que pode haver programas genéticos dirigidos a expressão de emoções. A possibilidade de emoções básicas ser biológicas implica que podemos comparar pessoas através de sociedades em suas emoções (Ortony; Torneiro, 1990 apud TOV, 2004). Kling, Ryff,e Essex (1997), referem o efeito sobre o bem-estar da percepção de mudança num domínio particular da vida, quando este constitui uma dimensão central do Auto-Conceito. De acordo com os autores, a mudança nas auto-avaliações e na centralidade psicológica pode interagir com o bem-estar. O bem-estar é um construto tripartido: é subjetivo, por isso varia de acordo com a experiência individual, pressupõe medidas positivas e não apenas a ausência de fatores negativos, além disso, inclui a avaliação global de todos os aspectos da vivência pessoal. O bem-estar subjetivo refere-se às avaliações afetivas e cognitivas que as pessoas fazem acerca da sua vida; compreende a felicidade, infelicidade assim como a satisfação como a saúde e outras áreas específicas. Diener e Fujita, (apud GOMES; RIBEIRO, 2001) consideram que as pessoas de elevado bem-estar subjetivo apresentam uma tendência global para experimentar os eventos de uma forma positiva. As emoções de tonalidade negativa, própria das pessoas inseguras, externas, ambivalentes, pouco eficazes e depressivas, favorecem o desenvolvimento de crenças negativas sobre o self e o mundo, estabelecendo-se espirais desadaptadas. As pessoas que tendem a expressar emoções de tonalidade positiva são mais sensíveis aos sinais compensatórios e tendem a centrar-se nos objetivos..
(30) 23. O estudo do bem-estar subjetivo busca compreender a avaliação que as pessoas fazem de suas vidas. A ciência social tem uma longa tradição de análise teórica e de pesquisa na área. O construto tem tido um crescente interesse por parte dos pesquisadores nos últimos anos e cobre estudos que têm utilizado as mais diversas nomeações, tais como felicidade, satisfação, estado de espírito, afeto positivo, sendo também considerado, por alguns autores, uma avaliação subjetiva da qualidade de vida. As definições desses conceitos, e conseqüentemente sua operacionalização em termos de medida, ainda são um pouco confusas e deturpadas. Não existe um consenso entre os estudiosos do assunto, o que dificulta a investigação do bem estar subjetivo (ALBUQUERQUE; TRÓCCOLI, 2004). Embora renda pessoal alta seja associada com bem-estar, a relação entre estas duas variáveis é complicada. As pessoas em sociedades materialmente pobres às vezes tem níveis significativos de satisfação de vida (SELIGMAN, 2004). Segundo Myers, (apud CUADRA; FLORENZANO,2003) as pessoas mais felizes são menos auto-referentes, menos hostis, abusadas e vulneráveis a doenças. Também estão mais dispostas a perdoar, a ser mais generosas, tolerantes, confiáveis, energéticas, criativas, sociais e cooperadoras. O bem-estar psicológico é um resultado importante, com muitas implicações para saúde mental e adaptável em funcionamento. Sheldon; Ryan; Deci (2004) consideram o conceito de bem-estar subjetivo para ser essencialmente intercambiável com felicidade. Bem-Estar subjetivo é definido como avaliação das pessoas sobre a qualidade de suas vidas. Pessoas avaliam suas vidas em vários modos, fazendo julgamentos sobre suas vidas, se cumprem critérios de satisfação e significância. As pessoas também avaliam aspectos específicos de suas vidas como: seu casamento, saúde, trabalho e o tempo de lazer, e o modo de reação de quando as coisas então indo bem e quando as coisas estão indo mal (OISHI, 2005). Helliwell (apud. SELIGMAN, 2004), divulga que o bem-estar é alto e a taxa de suicídio é baixa onde a confiança em outros é alta, e ele também diz que o bem-estar é alto onde as sociedades em organizações fora do ambiente de trabalho estão em níveis altos. Sendo assim, existe evidência que indivíduos tem mais probabilidade para adquirir bem-estar alto quando eles.
Documentos relacionados
Anne Teresa De Keersmaeker e Jean-Guihen Queyras (o violoncelista que vai acompanhar ao vivo os bailarinos, tocando as suites de seguida, em tours de force de mais de duas
As pontas de contato retas e retificadas em paralelo ajustam o micrômetro mais rápida e precisamente do que as pontas de contato esféricas encontradas em micrômetros disponíveis
Código Descrição Atributo Saldo Anterior D/C Débito Crédito Saldo Final D/C. Este demonstrativo apresenta os dados consolidados da(s)
Nos tempos atuais, ao nos referirmos à profissão docente, ao ser professor, o que pensamos Uma profissão indesejada por muitos, social e economicamente desvalorizada Podemos dizer que
Incidirei, em particular, sobre a noção de cuidado, estruturando o texto em duas partes: a primeira será uma breve explicitação da noção de cuidado em Martin Heidegger (o cuidado
CONCLUSÕES E PROPOSTAS PARA TRABALHOS FUTUROS Nesta dissertação, foi apresentada uma avaliação do desempenho das funções de proteção aplicadas em transformadores de potência,
Use a auto hipnose para se libertar dos seus medos e fobias. A auto A auto sabotagem é sabotagem é uma constante uma constante em sua em sua vida? Sempre vida? Sempre que você
Dada a plausibilidade prima facie da Prioridade do Conhecimento Definicional, parece que não se poderia reconhecer instâncias de F- dade ou fatos essenciais acerca