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Ata notarial e o sistema probatório civil

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Academic year: 2021

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UNIJUÍ - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

DEBORA BERVIG

ATA NOTARIAL E O SISTEMA PROBATÓRIO CIVIL

Ijuí (RS) 2016

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DEBORA BERVIG

ATA NOTARIAL E O SISTEMA PROBATÓRIO CIVIL

Trabalho de Conclusão do Curso de Graduação em Direito objetivando a aprovação no componente curricular Trabalho de Curso - TC.

UNIJUÍ - Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

DEJ- Departamento de Estudos Jurídicos.

Orientador: MSc. Luiz Raul Sartori

Ijuí(RS) 2016

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AGRADECIMENTOS

Dedico este trabalho primeiramente a Deus, pôr ser essencial em minha vida, autor de meu destino, meu guia, socorro presente na hora da angústia, ао meu Pai Marcos, minha Mãe Vanice е as minhas irmãs Julia e Sofhia. A minha Avó Marlene, por ser uma segunda mãe, e que nunca mediu esforços para me ajudar e estar ao meu lado

Agradeço também à todos os professores qυе mе acompanharam durante а graduação, еm especial ао Prof. Luiz Raul Sartori, responsável pеlа realização deste trabalho.

Aos meus amigos, que sempre estiveram ao meu lado e me apoiaram nas minhas escolhas. A todos aqueles que de alguma forma estiveram е estão próximos de mim, fazendo esta vida valer cada vez mais а pena.

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“Não tenha medo de crescer lentamente. Tenha medo, apenas, de ficar parado."

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RESUMO

O presente trabalho de conclusão de curso pretende-se verificar a destinação probatória para o convencimento do juiz, a respeito dos fatos controvertidos, no qual ele é o destinatário da prova. Por isso, sua participação é imprescindível, não sendo o juiz um mero espectador das provas produzidas pelas partes. Conjuntamente, analisar a ata notarial com sua tipificação no novo Código de Processo Civil, e sua estruturação como um meio de prova e sua valoração relacionada à fé pública do notário, o qual é o maior protagonista desse ato.

Com isso, será analisado no presente trabalho, os meios de prova e sua eficácia, como se dão os esclarecimentos dos fatos provados ao juiz, e a ata notarial como um meio de prova, não só tipificada na lei notarial 8.936/94, mas ensejada no novo Código de Processo/2015.

Palavras-Chave: Teoria geral da prova. Finalidade da prova. Noções sobre ata notarial. Tipificação no novo Código de Processo Civil.

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ABSTRACT

This work of course completion, we intend to verify the probative allocation to convince the judge about the disputed facts, in which he is the recipient of proof. Therefore, their participation is essential, not being the judge a mere spectator of the evidence adduced by the parties. Jointly analyze the notarial minutes with their classification in the new Civil Procedure Code, and its structure as a means of proof and its valuation related to faith public notary, which is the greatest protagonist of this act.

It will be analyzed in this study, the evidence and its effectiveness, as it gives the clarification of the facts proven to the judge, and the notarial minutes as a means of proof, not only typified in notarial law 8.936 / 94, but occasioned the new procedure Code / 2015

Keywords: General theory of proof. proof purpose. Understanding notarial

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...08

1 TEORIA GERAL DA PROVA E PARTE GERAL DO DIREITO PROBATÓRIO: NOCÕES INTRODUTÓRIAS...09

1.1 Acepção da palavra “prova”...10

1.2 Meios e fontes de prova...11

1.3 O direito fundamental à prova...12

1.4 Classificação da prova...15

1.5 Destinatário da prova...16

1.6 Objeto da prova...17

1.7 Importância da prova para o convencimento do juiz...18

2. ATA NOTARIAL: NOÇÕES GERAIS...20

2.1 A Constituição de 1998, a lei n. 8.935/94 e o notariado brasileiro...20

2.2 Conceito de direito notarial...21

2.2.1 Objeto do direito notarial...22

2.2.2 Classificação das normas do direito notarial...23

2.3 Fontes do direito notarial...25

2.3.1 Princípios que regem a função notarial...27

2.4 Conteúdo da função notarial...28

2.5 Configuração da ata notarial...29

2.5.1 Conceito...29

2.5.2 Objeto...30

2.5.3 Forma...30

2.5.4 Eficácia...31

2.6 Diferença entre ata notarial e escritura pública...32

2.6.1 Espécies de ata notarial...33

2.7 A tipificação no novo Código de Processo Civil...34

CONCLUSÃO...35

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INTRODUÇÃO

O presente trabalho de conclusão de curso pretende-se verificar a destinação probatória para o convencimento do juiz, a respeito dos fatos controvertidos, no qual ele é o destinatário da prova. Por isso, sua participação é imprescindível, não sendo o juiz um mero espectador das provas produzidas pelas partes. Conjuntamente, analisar a ata notarial com sua tipificação no novo Código de Processo Civil, e sua estruturação como um meio de prova e sua valoração relacionada à fé pública do notário, o qual é o maior protagonista desse ato.

Para a realização deste trabalho foram efetuadas pesquisas bibliográficas e por meio eletrônico, analisando também nova estruturação no novo Código de Processo Civil, a fim de enriquecer a coleta de informações e permitir um aprofundamento no estudo do Sistema Probatório Civil e a tipificação da Ata Notarial como um meio probatório, demonstrando assim, a importância da destinação probatória para o convencimento do juiz.

Inicialmente, no primeiro capítulo, foi feita uma abordagem introdutória sobre o sistema probatório civil, os aspectos gerais sobre prova, sua finalidade e objeto, além da sua imprescindibilidade para o convencimento do juiz.

No segundo capítulo serão analisados os aspectos gerais sobre ata notarial, investigar seu conceito, a natureza e o seu alcance, demonstrar as inúmeras possibilidades praticas desse meio probatório tipificado no novo Código de Processo Civil; e por fim, investigar a compatibilidade entre o princípio do contraditório e o uso da ata notarial, como prova segura e que preserva as garantias constitucionais e processual das partes .

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1 TEORIA GERAL DA PROVA E PARTE GERAL DO DIREITO PROBATÓRIO: NOCÕES INTRODUTÓRIAS

Ao pensar no tema da prova no processo, imediatamente associa-se à função desta, intuitivamente, a ideia que por meio dela se busca investigar a verdade dos fatos ocorridos, sobre os quais será fixada a regra jurídica abstrata, que regerá determinada situação. As provas no processo são absolutamente essenciais, uma vez que elas são destinadas ao juiz para seu convencimento, o qual preocupa-se em saber se o fato reconstruído pelas partes no processo é o mesmo ocorrido no mundo físico. Tem-se se com isso a ideia de que o fato que se obtém no processo guarda consonância com o fato ocorrido no passado.

Nesse sentido, a prova também é um direito fundamental. A respeito, leciona Fredie Didier Jr. (2015, p.41)

O direito a prova é conteúdo do direito fundamental ao contraditório, no qual a dimensão substancial do principio do contraditório garante as partes do processo, o direito a adequada oportunidade de requerer provas; o direito de produzir provas; o direito de participar da produção de prova; o direito a manifestar se sobre prova produzida; o direito ao exame, pelo órgão julgador.

O direito fundamental as provas tem caráter instrumental, e sua finalidade é o alcance da tutela jurisdicional justa, buscando sempre a efetividade de tal direito.

A descoberta da verdade sempre foi indispensável para o processo, sendo um dos seus principais objetivos. No processo, o juiz descobre a verdade sobre os fatos e aplica a eles a norma apropriada. Chama-se esse instituto de “juízo de subsunção”, ou seja, tomar o fato ocorrido no mundo físico e a ele dar a regra abstrata e hipotética prevista no ordenamento jurídico.

Seria impensável o direito processual sem sua nobre função, onde o processo se destina a descoberta dos fatos, no qual o Estado é chamado a manifestar se.

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Nessa perspectiva, onde todos os sujeitos do processo estão em situação de diálogo, surge a argumentação sobre a proposição que se faz por meio de prova. A prova, então, assume a condição de um meio retórico, regulado pela lei, dirigido, dentro de parâmetros fixados pelo direito e de critério racionais, a convencer o Estado- juiz.

Feitas essas primeiras colocações, esclarece-se que o presente capítulo tem por objetivo verificar a destinação probatória para o convencimento do juiz, a respeito dos fatos controvertidos, no qual ele é o principal destinatário da prova, como se dão os esclarecimentos dos fatos provados ao juiz, seus meios e eficácia probatória.

1.1 A acepção da palavra “prova”

Nessa perspectiva, onde todos os sujeitos do processo estão em situação de diálogo, surge a argumentação sobre a proposição que se faz por meio de prova. A prova, então, assume a condição de um meio retórico, regulado pela lei, dirigido, dentro de parâmetros fixados pelo direito e de critério racionais, a convencer o Estado- juiz.

A respeito do tema sintetiza Cambi (apud DIDIER JR., 2015, p.39):

Juridicamente, o vocábulo ‘prova’, é plurissignificante, já que pode ser referido a mais de um sentido, aludindo se ao fato representado, a atividade probatória, ao meio ou fonte de prova, ao procedimento pelo qual os sujeitos processuais obtém o meio de prova ou, ainda, ao resultado do procedimento, isto é, a apresentação que dele deriva (mais especificadamente, a convicção do juiz).

Portanto, quando utilizado o vocábulo para designar a atividade probatória ou como ela se desenvolve, se está falando de prova num sentido objetivo, pois as provas produzidas no processo atingem o íntimo do julgador. Em outras palavras, o resultado que a atividade e os meios probatórios induzem no espírito do juiz, constituem o entendimento da prova em um sentido subjetivo.

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Cada uma das partes relata a sua versão sobre o que aconteceu, e a versão mais bem provada, aquela que vier convencer o juiz tem tudo para ser vencedora. Em pensamento Clássico expõe Bentham (apud DIDIER Jr., 2015, p.38, grifo nosso). A “arte do processo não é essencialmente outra coisa senão a arte de administrar as provas”.

No sentido jurídico, são basicamente três as acepções com que o vocábulo prova é utilizado, designar o ator de provar, ou seja, é nesse sentido que se diz que aquele que alega um fato cabe fazer prova dele, isto é, cabe fornecer os meios que demonstrem a sua alegação; é utilizado para designar meio de prova propriamente dito, que são as técnicas desenvolvidas para extrair a prova de onde ela jorra; nesse sentido fala se em prova testemunhal, prova pericial, prova documental; e por fim, pode ser utilizada para designar o resultado dos atos ou meios de provas que foram produzidas no intuito de buscar o convencimento judicial, no sentido em que o autor fez prova dos fatos alegados na causa de pedir.

1.2 Meios e fontes de prova

A prova dos fatos se faz por meios adequados a fixa los em juízo. Esses meios variam conforme natureza do ato, podendo um mesmo fato ser provado por vários meios. No processo, os meios de prova precisam ser juridicamente idôneos, assim disposto no art. 369 do CPC.

Art. 369. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz. (BRASIL, lei 11.310, 2015, art. 369, grifo nosso.)

Em consonância com o artigo citado, diz Luis Guilherme Marinoni (2015, p.390):

A prova constitui direito das partes e de qualquer sujeito que participe do processo. Embora o art. 369 CPC, refira se apenas as partes, é evidente que todos os que participam do processo tem o direito a produção de prova, como decorrência do principio do devido processo legal disposto no art. 5º, LVI, CF/88, a fim de influir no convencimento do juiz.

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A distinção entre meios e fontes de prova são: os meios são as técnicas desenvolvidas para se extrair prova de onde ela jorra, ou seja, da fonte. São fontes de provas às coisas, as pessoas e os fenômenos. Os meios de provas são pontes através dos quais os fatos passam para chegar, primeiro, aos sentidos, depois a mente do juiz.

Fredie Didier Jr. (2015, p.40) explica de onde podem partir essas pontes:

[...] a evidencia, de tudo quanto seja acessível aos comuns sentidos humanos. Logo os pontos de partida concebíveis são: outras pessoas, coisas fenômenos naturais (sucessão de dias e noites, precipitações atmosféricas, modificação do solo ou paisagem devidas a movimentos tectônicos e assim por diante) ou artificialmente provocados (uma reação química em laboratório).

Distintamente conceitua Carnelutti (apud Fredie Didier Jr., 2015, p.40):

[...] não atribuo importância alguma a como são chamados os dois conceitos, senão ao fato de que sejam designados com nomes distintos, ou pelo menos, a que se acentue de algum modo a diferença entre eles. Enquanto isso, e ate que não se proponha uma terminologia melhor, chamo por minha conta meio de prova a atividade que o juiz mediante a qual busca a verdade do fato a provar, e fonte de prova ao fato do qual se serve para deduzir a própria verdade.

Para o autor, as fontes de prova podem ser classificadas em duas categorias: as fontes de provas em sentido estrito, sendo os fatos que servem para a dedução do fato a provar e que estão constituídos pela representação deste, ou seja, os fatos representativos que demonstram diretamente a ocorrência de um fato (documento, depoimento da testemunha); fontes de presunção são aqueles fatos que servem para a dedução do fato a provar e que não estão constituídos pela representação deste, isto é, os fatos secundários ou circunstanciais que apenas indiretamente apontam para a possível ocorrência de um outro fato (indícios), entretanto este não é este o posicionamento do autor Fredie Didier Jr., como já preceituado acima.

1.3 O direito fundamental à prova.

O direito a prova é conteúdo do direito fundamental ao contraditório. A dimensão substancial desse princípio garante o alcance de uma tutela jurisdicional

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justa, buscando sempre a total efetividade a tal direito. Necessário assegurar todos os meios de provas imprescindíveis para a corroboração dos fatos. Tal afirmação não pode ser encarada de modo absoluto, uma vez que o direito ao manejo das provas relevantes a tutela do bem perseguido pode ser limitado, excepcionalmente, quando colida com outros valores constitucionalmente consagrados.

A respeito, leciona Fredie Didier Jr. (2015, p.42):

Mas o direito a produção de prova tem autonomia suficiente para ser objeto de um processo autônomo. A ação probatória autônoma é uma demanda que possui como único propósito a produção de uma prova, ela esta regulada nos arts. 381 e seguintes do Código de Processo civil.

O direito fundamental a prova compõe se de situações jurídicas, sendo elas: o direito a adequada oportunidade de requerer provas; o direito de produzir provas; o direito de participar da produção de provas; o direito de manifestar se sobre a prova produzida; e o direito ao exame pelo órgão julgador da prova produzida.

O direito a participação da prova é garantia básica inerente ao contraditório. Não se pode admitir prova produzida secretamente, muito menos se permite a utilização de uma prova contra quem não participou da sua produção. O art. 474 CPC, que cuida do direito das partes de terem ciência da data e do local da realização da prova pericial, concretizada essa garantia, o direito de as partes participarem da exposição de documento consiste em reprodução cinematográfica ou fonográfica, vide art. 434, § Único, CPC.1

O direito de manifestar se sobre prova produzida é concretizada em diversas regras. Por exemplo, a que permite a apresentação de laudo do assistente técnico da parte (advogado) sobre o laudo pericial, disposto no art. 477 do CPC, e a que

1Art. 434. Incumbe à parte instruir a petição inicial ou a contestação com os documentos destinados a

provar suas alegações.

Parágrafo único. Quando o documento consistir em reprodução cinematográfica ou fonográfica, a parte deverá trazê-lo nos termos do caput, mas sua exposição será realizada em audiência, intimando-se previamente as partes.

Art. 474. As partes terão ciência da data e do local designados pelo juiz ou indicados pelo perito para ter início a produção da prova.

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permite, a apresentação de razões finais, apos a audiência de instrução, art. 364 CPC.2

O direito ao exame da prova produzida é uma ocorrência imediata do direito a produção de prova. O magistrado analisa as provas trazidas ao processo, e tende realçar, em sua motivação, apenas aquelas que dão sustentação a tese vencedora. No qual é bastante comum o juiz, julgando procedente um pedido, fundamente sua decisão, apenas com base nas provas produzidas pelo vencedor.

Porém isso não é correto, uma vez que é imprescindivel que o órgão julgador indique também por que as provas trazidas pela parte derrotada não o convenceram.

Sobre esse ponto de vista, são irrepreensíveis as palavras de Luiz Guilherme Marinoni e Sergio Cruz Arenhart (apud FREDIE DIDIER JR., 2015, p.42):

[...] embora o que ocorre na pratica possa parecer logico, o certo é que o juiz não justifica as suas razoes apenas ao aludir provas produzidas por uma das partes. Para que possa realmente justificar a sua decisão, o magistrado não pode deixar de demonstrar que as eventuais provas produzidas pela parte perdedora não lhe convenceram.

2 Art. 477. O perito protocolará o laudo em juízo, no prazo fixado pelo juiz, pelo menos 20 (vinte) dias antes da audiência de instrução e julgamento.

§ 1o As partes serão intimadas para, querendo, manifestar-se sobre o laudo do perito do juízo no prazo comum de 15 (quinze) dias, podendo o assistente técnico de cada uma das partes, em igual prazo, apresentar seu respectivo parecer.

§ 2o O perito do juízo tem o dever de, no prazo de 15 (quinze) dias, esclarecer ponto:

I - sobre o qual exista divergência ou dúvida de qualquer das partes, do juiz ou do órgão do Ministério Público;

II - divergente apresentado no parecer do assistente técnico da parte.

§ 3o Se ainda houver necessidade de esclarecimentos, a parte requererá ao juiz que mande intimar o perito ou o assistente técnico a comparecer à audiência de instrução e julgamento, formulando, desde logo, as perguntas, sob forma de quesitos.

§ 4o O perito ou o assistente técnico será intimado por meio eletrônico, com pelo menos 10 (dez) dias de antecedência da audiência.

Art. 364. Finda a instrução, o juiz dará a palavra ao advogado do autor e do réu, bem como ao membro do Ministério Público, se for o caso de sua intervenção, sucessivamente, pelo prazo de 20 (vinte) minutos para cada um, prorrogável por 10 (dez) minutos, a critério do juiz.

§ 1o Havendo litisconsorte ou terceiro interveniente, o prazo, que formará com o da prorrogação um só todo, dividir-se-á entre os do mesmo grupo, se não convencionarem de modo diverso.

§ 2o Quando a causa apresentar questões complexas de fato ou de direito, o debate oral poderá ser substituído por razões finais escritas, que serão apresentadas pelo autor e pelo réu, bem como pelo Ministério Público, se for o caso de sua intervenção, em prazos sucessivos de 15 (quinze) dias, assegurada vista dos autos.

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De que adiantaria ter o direito a produção de prova, se o juiz pudesse ignora lo. Se a prova foi produzida, é porque o órgão julgador a considerou relevante para a causa, gerando para a parte a expectativa legitima de que a prova seja valorada. Trata se da imposição do principio do contraditório e o principio da cooperação, pois essa conduta revela respeito do juiz pela a atuação do processo.

Com isso, é preciso eliminar a ideia de que justificar a decisão é o mesmo do que lembrar as provas e argumentos que servem ao vencedor.

1.4 Classificação da prova

Quanto o objeto as provas podem ser diretas ou indiretas, diretas são aquelas que se ligam diretamente ao fato que se pretende demonstrar, como o recibo ao pagamento ou o instrumento ao contrato; indiretas é aquelas que não se prestam a demonstrar diretamente o fato a ser provado, mas algum outro fato e ele ligado e que, por meio de induções ou raciocínios, poderá levar a concluso desejada

Segundo Francesco Carnelutti (apud, DIDIER, 2015, p.43.), traz essa classificação de outra forma:

Direta é a prova por meio da qual o juiz percebe, com seus próprios sentidos, o próprio fato que se quer provar; exemplo típico disso seria a inspeção judicial. Indireta é a prova por meio da qual o juiz percebe, com seus próprios sentidos, um fato que representa o fato que se quer provar.

O autor ainda acrescenta:

A diferença entre esses dois tipos de prova fundamenta se na conhecidencia ou na divergência do fato provar e do fato percebido pelo juiz; precisamente, a prova indireta apresenta a separação entre o objeto da prova e o objeto da percepção; o fato submetido à percepção do juiz não serve senão de meio para o seu convencimento. Francesco Carnelutti (apud DIDIER, 2015, p.43).

Quanto à fonte, as provas podem ser pessoais, que são aquelas prestadas por uma pessoa a respeito de um fato, como ouvida de testemunhas ou depoimento pessoal das partes; e reais, na qual é obtida pelo exame de determinada coisa, como inspeção judicial ou pericia feita sobre ela.

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Quanto a forma, podem ser orais ou escritas, as orais são colhidas verbalmente, como depoimentos das partes e das testemunhas; as escritas é a que vem redigida, como os documentos e pericias.

O autor Didier Jr. (2015, p.44), classifica ainda as provas quanto sua preparação, que podem ser casuais ou simples, que são as provas preparadas durante o processo; e as pré-constituídas, em sentido amplo, se entendem como as provas preparadas antecipadamente, para possível utilização em processo futuro. E prova composta que resulta da concordância entre os meios de prova, nos quais cada um é insuficiente para demonstrar o alegado. É a combinação entre vários meios imperfeitos de prova.

1.5 Destinatário da prova

A prova é destinada a convencer o juiz, a respeito de fatos controvertidos. Ele é o principal destinatário da prova, sua participação na fase instrutória não deve ser relegada para segundo momento, sendo assim um mero expectador das provas produzidas e requeridas pelas partes, o magistrado tem como função decidir quais as provas necessárias ou uteis para esclarecer os fatos propostos na inicial, contestação, fase ordinatória, e fase instrutória, os quais estes podem ser dispensados, podendo o juiz determinar prova que não tenha sido requerida, ou indeferir prova postulada, cuja realização não lhe fizer importante.

É o juiz quem precisa saber a verdade quanto os fatos, para que possa decidir. A produção de provas devera resulta da atuação conjunta das partes e do juiz, pois nem sempre o juiz terá condições de saber que provas são viáveis.

O art. 139 do CPC atribui ao juiz poderes para o juiz de oficio determinar as provas necessárias, deve valer disso para aclarar os fatos relevantes para o julgamento do pedido. Sendo o dever de o juiz proferir a melhor sentença possível, e para tanto, é imprescindivel que fatos sejam esclarecidos. O juiz deve buscar a verdade real, determinando assim as provas necessárias para o seu convencimento.

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1.6 Objeto da Prova

O objeto da prova são os fatos controvertidos relevantes para o julgamento do processo. Costuma se dizer que os fatos da causa compõem o objeto da prova, o thema probandum.

Diferentemente do que a doutrina atual expõe Didier Jr (2015, p.52):

Afirmam que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo, portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. As alegações, sim, é que podem ser verazes ou mentirosas – e dai a pertinência de prova las, ou seja, demonstrar que são boas e verazes.

Resumidamente o objeto da prova é o fato probando, onde qualquer fato pode ser objeto da prova, tanto os jurídicos; quanto os fatos simples; e até mesmo os fatos positivos ou negativos.

Para o autor Marcus Vinicius Rios Gonçalves (2015, p.424) (grifo nosso):

Para que o juiz profira o julgamento, é preciso que forme sua convicção a respeito dos fatos e do direito controvertidos. Para que

se convença do direito, não é preciso que as partes apresentem provas, porque e o magistrado a conhece (jura novit curia), salvo

as hipóteses do art. 337 do CPC, em que pode exigi las quanto a vigência de direito estadual, municipal, estrangeiro ou consuetudinário, o que será feito por meio de certidões ou pareceres de juristas estrangeiros ou locais.

O fato probando precisa ser controvertido, relevante e determinado, isto é, onde não houver controvérsia quanto aos fatos alegados pelos litigantes, a questão se traduz a mera aplicação do direito, ou seja, fatos incontroversos não dependem de prova (art. 374, II e III do CPC).3

A incontroversia não impedira a produção de prova nos casos onde a lei exigir

3 Art. 374. Não dependem de prova os fatos: I - notórios;

II - afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; III - admitidos no processo como incontroversos;

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que o ato se prove por um instrumento probatório, onde não for admissível confissão a seu respeito e se o fato estiver em contradição com a defesa, considerado assim, a incontroversia nesses casos citados, sua irrelevância (art. 341 CPC).

Apenas devem ser provados os fatos que tenham relação ou conexão com a causa ajuizada, os fatos probandos devem ser relevantes ou influentes, ou seja, possuir condições influenciar na decisão do juiz.

São excluídos da prova os fatos que não influenciara a decisão do magistrado, por exemplo: fatos que são de prova impossível ou proibida, seja esta por disposição legal, sejam por sua natureza ou fato que por sua ocorrência física ou juridicamente impossível.

1.7 Importância da prova para o convencimento do juiz

Conforme o princípio do livre convencimento motivado ou da persuasão racional, sistema esse adotado pelo Brasil, o juiz é livre para formar seu convencimento, examinando as provas produzidas, mas sua decisão tem que estar embasada e fundamentada nos elementos probatórios que constam nos autos do processo.

O juiz não é desvinculado da prova e dos elementos existentes nos autos, mas a sua apreciação não depende de critérios legais determinados a priori. O juiz só decide com base nos elementos existentes no processo, mas os avalia segundo critérios críticos e racionais.

A prova é destinada a convencer o juiz, por isso sua participação é imprescindível. É dever do juiz proferir a melhor sentença possível, e, para isso, é indispensável que os fatos sejam aclarados.

O juiz, em face do dever de solucionar a lide, utilizará as provas para formar seu convencimento, declarando o direito com a verdade encontrada (ainda que não seja a verdade real, que deve ser buscada), eis que as partes não podem restar à

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mercê do tempo, nem mesmo o Judiciário pode omitir-se de decidir e solucionar o conflito.

A finalidade da prova é formar a convicção do juiz, permitindo-lhe, por meio do convencimento, compor a lide, ou seja, a função da prova é a apuração da verdade para convencê-lo de qual das partes tem razão. Daí concluir-se que o destinatário da prova é o juiz.

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2 ATA NOTARIAL: NOÇÕES GERAIS

A história do notariado confunde se com a história do Direito e com a própria sociedade, no qual desde os tempos mais remotos, a sociedade sentia a necessidade de ter meios para fixar convênios, surgiram então os notários, encarregados de redigir os contratos.

O notariado é então uma instituição pré-jurídica que surgiu em resposta a necessidade social e não uma criação jurídica dos meios legislativos ou acadêmico.

2.1 A constituição de 1988, a Lei n. 8935/94 e o notariado brasileiro

No Brasil, após o seu descobrimento, a regulamentação do notariado deu se por simples transplante da legislação portuguesa, tal como ocorreu, nas demais áreas do direito.

No período de grandes descobrimentos e expedições navais, as armadas portuguesas já incluíram um tabelião, que era incumbido de acompanhar as navegações para registrar os acontecimentos e as formalidades oficiais de posse das terras descobertas.

Sobre o assunto esclarece Brandelli (apud JAIME LUIZ VICARI e CAROLINA G. F. VICARI, 2014. P. 15):

Depois da reaquisição dos direitos conferidos aos donatários pela Coroa, os tabeliães passaram a ser nomeados pelo poder real e o cargo, vitalício, era adquirido através por meio de doação, compra e venda ou sucessão causa mortis.

Somente após a Constituição de 1988 que o notariado brasileiro experimentou profunda renovação e modernização, no qual lhe fixou critérios próprios, subordinou o aos princípios da Administração Pública e abriu caminhos para a edição da lei 8935/94. Ainda estabeleceu definitivamente através do art. 236, que o notário ou tabelião de notas é um agente público.

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Tendo assim como princípios institucionais do notariado brasileiro, fixados pela Constituição, são eles: exercício em caráter privado, por delegação do poder publico, lei federal reguladora das atividades e da responsabilidade civil e criminal dos notários e seus prepostos; fiscalização do poder judiciário; lei federal que fixa normas gerais para emolumentos; necessidade de concurso publico de provas e títulos para ingresso na função.

A lei 8935/94 regulamenta o art. 236 da CF e as atividades notariais, no qual dispõe que o notário é profissional do direito, dotado de fé pública, a quem é delegado o exercício da atividade notarial, no qual essa delegação é atribuída mediante habilitação em concurso publico de provas e títulos, de ingresso e remoção, promovido pelo poder judiciário estadual.

Sob o assunto expõe Ceneviva (apud Jaime L. Vicari e Carolina G. F Vicari 2014, p.17):

A delegação é ato administrativo complexo, compreende desde o concurso publico ate a outorga, quando se torna irrevogável, praticada pelo Estado como entidade social soberana. Consiste no meio pelo qual viabiliza a atuação do interesse publico através de prestador de serviço de caráter privado, habilitado para a prática de atos específicos em lei.

Após a outorga, a delegação só pode ser cassada nas hipóteses legais e obedecido o devido processo legal. Assim, ela é permanente desde então, porque não se sujeita ao estagio probatório a que se submete o servidor público da administração direta e indireta.

2.2 Conceito de direito notarial

O direito notarial se interessa nos atos jurídicos em estrito sentido, ou seja, os atos jurídicos negociais ou precisamente negócios jurídicos, mas mesmo estes quando resultantes de declaração de vontade expressa por escrito, nos casos em que devem por exigência legal ou podem, a livre escolha do interessado, assumir a forma de atos notariais, mediante escritura pública de autoria de especializado profissional do direito, o notário com as atribuições, no Brasil, o tabelião de notas.

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A respeito da teoria do negócio jurídico, conceitua Darcy Bessone de Oliveira Andrade (apud BRANDELLI, 2004, p.17):

Se originou da observação de que existem atos jurídicos que não se externam sob a forma de uma declaração de vontade, embora produzam modificações no mundo externo, tais como a ocupação, a tradição, a gestão de negócios jurídicos alheios etc., atos lícitos e voluntários, cujos efeitos decorram de lei, independente de saber se o individuo os previu ou desejou”. E comparando distingue: “ Já os negócios jurídicos decorrem sempre de uma previsão e uma intenção resultante de declaração de vontade.

Vários juristas tentaram conceituar o direito notarial, ocorre que tais conceitos incorporaram a si elementos que devem ser abstraídos da labuta conceitual, já que lhe são estranhos. Incorrem assim em equívoco, por se utilizarem de componentes mutáveis a sabor do tipo de notariado, de correntes doutrinárias e de discrepância social no qual são inseridos.

No III Congresso Internacional do Notariado Latino, realizado em Paris, em 1954, definiu o direito notarial como o conjunto de disposições legislativas, regulamentarias, usos, decisões, jurisprudência e doutrinas que regem a função notarial.

Por fim, pode se dizer que o direito notarial é o aglomerado de normas jurídicas destinadas a regular a função notarial e o notariado, é o conjunto de normas jurídicas que regulamentam o agente realizador da função notarial, bem como a própria função por ele exercida no desempenho de sua atividade profissional.

2.2.1 Objeto do direito notarial

O objeto do Direito Notarial é fonte de controvérsias; para uns seria o instrumento publico notarial e para outros, instituição notarial (Brandelli, 1998, p.79).

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Leonardo Brandelli (1998, p.80), ao sintetizar suas críticas a ambas correntes, acabou por concluir que o verdadeiro objeto do Direito Notarial é o notário e sua conduta. O objeto do direito notarial é, portanto, o próprio notariado.

Profissão jurídica que nos dizeres de Rufino Larraud (apud Jaime L. Vicari e Carolina G. F. Vicari, 2014. p. 22) “destina se a assistir os particulares e facilitar a realização espontânea e pacifica do direito através dos meios e procedimentos técnicos disponibilizados pelo ordenamento jurídico”.

Com isso, não esta a dizer que o notário é o único sujeito das normas do direito notarial, que essas normas se refiram a tão somente ao notário, pois se referem às partes, as testemunhas, ao Estado, porém ha um único personagem sempre aludido, que a norma sempre se refere, o notário, embora de forma indireta no papel de executor da atividade notarial.

2.2.2 Classificação das normas do direito notarial

Dentro da ciência do direito notarial, é possível observar diferentes classes de normas, tendo uma peculiaridade, sem prejuízo, entretanto, do nexo comum que as liga em torno do conjunto unitária dessa matéria.

Para Larraud (apud Brandelli, 2009, p.110), o conjunto normativo da disciplina é abarcado por três noções principais, que centram a problemática notarial, a saber: a) o regime orgânico; b) o regime da função; c) o regime do instrumento notarial.

As normas orgânicas do direito notarial abrangem um conjunto de disposições que dizem respeito ao regime jurídico do órgão, seja referindo se ao agente, seja ao corpo profissional. Poderia dizer que tais normas pertencem exclusivamente ao âmbito da abrangência do direito administrativo, porém uma análise mais aprofundada deixa claro que elas estão incluídas na disciplina notarial, pois consistem em um conjunto homogêneo, dotado de particularidades e especialidade que autorizam e ate determinam essa inclusa, tenho como finalidade a determinação pela índole da função notarial e pelos fins que persegue.

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Dessa forma, compreende se perfeitamente a razão de estipular determinada exigência acerca do agente a quem a função é confiada, uma vez que deve o tabelião receptar a vontade das partes, moldando se de acordo com a lei, no qual deve interpretar a vontade delas, explicando lhes sobre as consequências jurídicas de seus atos, bem como a extensão de seus direitos, é evidente concluir pela necessidade de ser o notário um jurista, sendo uma exigência para o agente sua idoneidade moral e certa aptidão se sua sensibilidade orgânica, uma vez que ele é o testemunho qualificado nos documentos que cria com a observância de determinados requisitos legais, além de ser detentor de fé pública.

Já as normas substantivas do direito notarial, são as que definem as relações jurídicas ou criam direitos, assim nessa categoria enquadram se as normas reguladoras dos poderes atribuídos ao agente e da prestação notarial, em seu aspecto substantivo.

Não é o conjunto de normas que regulam o seu aspecto formal, como pode parecer, mas os supostos básicos da função notarial que constituem o conjunto de normas que fixa previamente os seus efeitos e regulam os mecanismos que põe em movimento, prevê a relação entre notário e cliente, tendo essas normas caráter material.

Larraud (apud BRANDELLI, 2009, p. 112), assinala que via de regra essas normas não recebem sistematização adequada nas leis notariais; por isso, é preciso elaborar princípios correspondentes sobre a base de textos comum.

Por fim, as normas formais do direito estão contidas as pertencentes ao direito notarial que regem a arte documental, ou seja, as que estabelecem requisitos relativos a confecção do instrumento notarial, situando se aqui as normas adjetivas, que visam estabelecer o modo para o cumprimento e efetivação das normas substantivas e dos direitos por elas criados.

Dentre as normas formais do direito notarial, podemos citar as que visam tipificar e regular as diversas espécie instrumentais, as que fixam a situação que assumem os distintos sujeitos nos instrumentos notariais, e as que têm, por fim,

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estabelecer o regime dos registros notariais e dos respectivos fundos documentais custodiados pelo agente.

2.3 Fontes do direito notarial

As fontes do direito dividem se em materiais e formais, sendo as materiais as formadas pelos fenômenos sociais e pelos elementos extraídos da realidade social, das tradições que contribuem para formar o conteúdo ou matéria das regras jurídicas.

Já as fontes formais são os meios pelos quais o direito positivo se manifesta na história, ou seja, as leis, costumes, jurisprudência, doutrina, poder negocial, princípios do direito e analogia.

Para o direito notarial entende se como lei todo o direito escrito, positivado, abrangendo não apenas lei em sentido escrito, mas também decretos, regulamentos, normas constitucionais, uma vez que se está usando em sentido lato sensu.

Segundo Larraud (apud BRANDELLI, 2009, p. 134), o direito positivo notarial adotou apenas excepcionalmente a forma e condigo autônomo, no Canadá, o código do Notariado para a província de Quebec; o Código Notarial Cubano; e em Portugal, o Código notariado. Outros países, como Uruguai e Espanha, possuem lei orgânica do Notariado, de menor abrangência, e evidentemente, do que os códigos.

No Brasil, o notário, juntamente com os registradores, tem uma lei orgânica, a lei Federal n. 8.935, de 18 de novembro de 1994, que regulou o art. 236 da Constituição Federal, fazendo parte da legislação notarial brasileira a Lei n. 10.169, que estabelece normas gerais para fixação dos emolumentos notariais e registrais, entre outras.

Por legislação notarial, entende se o conjunto de leis destinadas especificamente a regular o regime, a função e a técnica do notariado.

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Assim muitas normas de direito notarial não se encontram na legislação notarial, como, por exemplo, no Código Civil em que encontramos vários preceitos relativos à escritura e aos instrumentos públicos em geral, bem como referentes ao testamento publico; no Código Tributário, quando prevê a responsabilidade do tabelião pelos tributos devidos sobre os atos por ele ou perante ele, em função de seu ofício.

A respeito do assunto, completa Brandelli (2009, p. 135):

Na legislação brasileira, pode se afirmar que grande parte das disposições da disciplina notarial precisa ser buscada fora da legislação notarial propriamente dita, por estarem tais disposições incorporadas a outros corpos legislativos.

Desse modo, não houve a preocupação na legislação brasileira em aglomerar as normas de direito notarial, consolidando uma legislação unificada, como fizeram outros países.

A política notarial adotada pelo Brasil no desenrolar dos tempos, deixa a cargo basicamente da organização judiciária, todavia, com o advento da CF/88 em seu art. 236, o fato parece tomar ares de mudança, ameaçando se dar uma importância legislativa maior só direito notarial.

Segundo Walter Ceneviva (apud BRANDELLI, 2009, p.136):

A competência para legislar sobre a matéria é privativa da união, em face do disposto no art. 22, XXV, CF/88, entendendo estar o notariado englobado na expressão genérica “registros públicos” contido no citado dispositivo legal.

Mas, continua o autor, que as normas emanadas do Poder Publico Federal podem ser complementadas pelos Estados, no uso de sua competência concorrente, como na questão de emolumentos, por exemplo, como disposto no § 2º do art. 226 CF/88, e também no âmbito da questão dos concursos de ingresso e remoção, disciplinada no art. 18 da lei 8.935/94.

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2.3.1 Princípios que regem a função notarial

A função notarial é regida por uma série de princípios que informam como deve se dar a atividade do tabelião. A função, como ato jurídico complexo que é, composta por uma série de características que lhe configuram e que determinam peculiaridades, e que funcionam como princípios norteadores, embora como regra não se encontrem positivados no ordenamento jurídico pátrio.

A juridicidade indica que a tarefa do notário destina se a consecução de fins jurídicos, ou seja, o notário, como se viu, é um profissional do direito e, assim analisa a relação econômica ou moral que lhe é submetida pelas partes sob o prisma jurídico, para buscar a solução jurídica mais adequada a atingir os fins que elas desejam Brandelli (apud Jaime. L. Vicari e Carolina G.F. Vicari, 2014, p.25).

A cautelaridade da função notarial significa que o notário molda juridicamente os negócios privados que lhe são submetidos, ajustando os as prescrições do ordenamento jurídico, para prevenir o máximo de futuros vícios sejam aventados ou que lides sejam instauradas sobre a questão.

A imparcialidade significa que o notário deve atender com igualdade todas as partes envolvidas no negócio em que intervém.

Nas palavras de Brandelli (2009, p. 154):

A imparcialidade notarial significa não apenas tratar igualmente as partes, mas também, trata las desigualmente, quando o caso concreto assim o exigir [...], quando a relação de direito material for uma relação díspar, em que uma das partes se sobrepõem a outra, deve o notário intervir em prol da parte hipossuficiente, de modo a permitir que esta possa manifestar a sua vontade; uma vez que materialmente desiguais as partes, deve o notário atuar de forma a amenizar essa desigualdade, permitindo que a voz do mais débil se faça ouvir.

A publicidade diz respeito ao caráter próprio do Estado, que a atividade notarial detém. A função notarial é pública porque embora incida sobre os direitos privados

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e garantir a legalidade e a prova, com fé pública dos atos e fatos das relações privadas.

A tecnicidade é decorrente de condição do notário de profissional do direito, indica que a atuação notarial depende de profundo conhecimento de técnicas e institutos e dos modos de realização do direito através de conceitos e formar apropriadas.

Por fim, a rogatoriedade diz respeito de que o notário não pode agir de ofício, mas mediante provocação da parte interessada.

Concluímos assim, que os serviços notariais e registrais, tem como finalidade ou objetivo principal garantir autenticidade, segurança, eficácia e publicidade dos atos jurídicos.

2.4 Conteúdo da função notarial

A função notarial é a atividade jurídica profissional, organizada pela lei, mediante sua interpretação, configuração, autenticação, resguardo, e fé pública, instrumentos que consubstanciam atos jurídicos extrajudiciais de interesse dos solicitantes, essas competências estão detalhadas no art. 6º e 7º da Lei 8935/94.

A função notarial, segundo Pedro Avila Alvarez (apud Jaime L. V e Carolina G.F. Vicari, 2014. p.23):

Condensa se na autorização do instrumento publico, mas é completada por uma serie de atos. Assim, cabe ao notário receber a vontade das partes, assessora las tecnicamente e dar forma jurídica a essa vontade, redigir o escrito que convertera em instrumento publico e autoriza lo, dando lhe forma publica e credibilidade, além de conservar o instrumento autorizado e dele expedir certidões.

Portanto, trata se de uma atividade complexa, na qual engloba distintas funções nesta prestação de cautela jurídica do notário, sendo elas: o tabelião é consultor jurídico de seus clientes, a quem assessora e aconselha; ele preside

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seus atos jurídicos, realizando um politica jurídica deles; reveste tais atos da forma instrumental adequada.

Com isso, haja ou não autenticação, havendo ou não instrumento publico, existira exercício de função notarial, toda vez que o notário realizar suas diligenciais cautelares, ou seja, toda vez que dirigir juridicamente seus clientes, no terreno da realização normal do direito. Todavia, somente poderá assessorar juridicamente as partes quando se trate de matéria que envolva a realização de um ato notarial, caso ao contrario, trata se de atividade privativa do advogado, na qual o notário não poderá ultrapassar, pois assim ultrapassará os limites legais do exercício de sua função.

2.5 Configuração de ata notarial

Ao contrário do que se possa parecer, a ata notarial não é um instituto novo, no mundo notarial. Faz se caracterizar a ata notarial, definindo a e diferenciando a dos demais atos notariais, pois esta molda se como ato notarial único e que tem um importante papel jurídico e social.

2.5.1 Conceito

A ata notarial é um instrumento público mediante o qual o notário capta, por seus sentidos, uma determinada situação, um determinado fato, e o translada para seus livros de notas ou para outro documento, no qual certifica por meio de sua condição pública e do decorrente do dever de imparcialidade. Sendo vedada a ele a emissão de qualquer juízo de valor sobre aquilo que se atesta, bem como atestar fatos supostos ou por ele não pessoalmente presenciados.

Com isso, não se admite que por meio da ata notarial, que o notário possa fazer juízo técnico ou científico a respeito do apreciado, sendo que o notário não tem capacidade técnica necessária para a valoração do ocorrido.

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2.5.2 Objeto

O objeto da ata notarial é o fato jurídico analisado pelo notário, e após transcritos no documento apropriado, contendo a mera narração do fato verificado, não podendo assim haver qualquer alteração por parte do notário, interpretação ou adaptação, e como já mencionado acima, não poderá o notário fazer juízo de valor.

Através de exclusão que é obtido o objeto da ata notarial, ou seja, para ser objeto de ata notarial não pode ser objeto de escritura pública, uma vez que esta subsume aquela. Trataremos sobre a diferença entre ambas em momento oportuno.

2.5.3 Forma

Tem se uma difícil tarefa, dada à ausência de parâmetros legais, que por mais que prevista a ata notarial na lei 8.935/94 e agora no art. 384 CPC/15, não há uma forma expressa, o que existe é uma construção estrutural organizada pelos notários.

A partir do exposto, vem à dúvida de que se a ata notarial é um documento notarial protocolar ou extraprotocolar, ou seja, sendo puramente protocolar, será lavrada no livro de notas, já se for extraprotocolar, será esta lavrada sempre fora do livro de notas, em documento apartado, embora possa ser arquivada cópia no tabelionato.

A ata notarial é uma espécie de instrumento publico feita por um notário e dotada de fé publica. Instrumento notarial que é em princípio protocolar, como a escritura publica, sendo que diante da lacuna legislativa no que diz respeito aos requisitos da ata notarial, devem ser observados os requisitos da escritura pública.

Com base no exposto, temos que a ata notarial deverá conter, primeiro, a data e o local de sua lavratura e, ao final, a assinatura do tabelião ou de seu proposto autorizado, conforme expõem o art. 134 do CC.

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Como a escritura pública, a ata notarial não pode ser deflagrada de ofício, sendo assim o notário não pode agir senão provocado. Tem a ata notarial uma peculiaridade, na qual se o solicitante, uma vez iniciada a atuação notarial, nega se a assinar, pode o notário consignar o fato e perfectibilizar o ato, pois na ata notarial não ha manifestação de vontade a ser confirmada pela assinatura, dado que o notário só faz a captação dos fatos, mediante solicitação de alguém.

Segundo leciona José Enrique Goma Salcedo (apud BRANDELLI, 2009, p. 328), não ha necessidade de o notário realizar um juízo de capacidade do requerente da ata notarial, bastando averiguar se acerca da capacidade natural, do interesse legítimo e da licitude da atuação notarial.

Sendo assim, pode um incapaz requerer a lavratura de uma ata notarial, desde que este tenha capacidade natural para efetuar tal requerimento e legítimo interesse. Todavia, um alienado mental que não tenha noção dos atos da vida não poderia requerer a ata por falta de capacidade natural.

Embora não necessite a capacidade jurídica do requerente, faz necessário identifica lo, ou constar duas testemunhas que o identifiquem, e qualifica lo, devendo o mesmo assinar o ato, ou alguém a seu rogo se este não souber ou não puder assinar, e apos fazer a leitura, a fim de materializar o requerimento para a lavratura da ata.

Outro ponto relevante a respeito da ata notarial, é sob a unidade do ato, podendo ela iniciar em um momento e terminar em outro.

2.5.4 Eficácia

A ata notarial tem caráter probatório, os atos e os fatos são revestidos de fé pública. Porém, segundo os ensinamentos de Pedro Ávila Alvarez (apud BRANDELLI, 2009, p.330), “que a ata notarial não é exaustiva e porquanto o ato ou fato nela consubstanciado pode ser provado por qualquer outro meio de prova admitido em direito.”

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Tal eficácia probatória da ata notarial esta firmada no art. 384 do CPC/15, tipificada agora como um meio probatório expresso com o advento do novo Código de Processo.

2.6 Diferença entre ata notarial e escritura pública

O principal elemento de distinção entre as escrituras públicas e as atas notariais, consiste na manifestação de vontade ou não, na qual é captada e moldada juridicamente pelo notário. Já na escritura pública o tabelião recebe a vontade das partes e qualifica juridicamente, assessorando as juridicamente; na ata notarial, não ha manifestação de vontade, mas sim a narração de um fato presenciado, sem qualificação jurídica do fato, muito menos juízo de valor sobre este.

Segundo José Enrique Goma Salcedo (apud BRANDELLI 2004, p.55):

“A principal classificação dos instrumentos públicos notariais é a que distingue entre escrituras públicas e atas. Tal classificação releva ao notário, porquanto, dependendo do resultado da classificação, diferente será a sua postura e diferentes serão os requisitos do ato a ser lavrado”.

Assim a escritura busca criar, modificar ou extinguir direitos, já a ata notarial se caracteriza por seu aspecto conservatório, sendo assim nas escrituras ha necessariamente um juízo de capacidade, enquanto nas atas como já visto, não ha essa análise de capacidade de direito, bastando apenas haver capacidade natural e legítimo interesse.

Pode se concluir que são claras as distinções entre ambas. Contudo, uma ata não pode nunca ser uma escritura, mas uma escritura tem sempre algo de ata, ou seja, em uma escritura sempre ha narração por parte do tabelião de fatos por ele presenciado, porém ha um diferencial que é nesse caso a manifestação de vontade.

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2.6.1 Espécies de ata notarial

No direito notarial brasileiro, não tem cabimento algumas espécies de atas, utilizadas em outros ordenamentos jurídicos, devido a falta de autorização legal, como: a ata de protocolização, na qual é um instrumento que tem como finalidade incorporar ou unir a ata propriamente dita, um documento que resulta protocolizado com ela, assim o notário ira fazer um documento a ser protocolizado e descrevera, declarando que o documento constar na ata a declaração de vontade do requerente solicitando a protocolização, sendo que assim não ha aplicação no nosso direito, uma vez que necessidade a declaração de vontade para que haja protocolização, o que foge do estabelecido em nossa legislação; atas de deposito, é a possibilidade do notário receber coisas moveis em deposito, foge completamente do objeto da atuação notarial brasileira, na qual é receptora de vontades e não se coisas; atas de notificação na qual o notário notifica uma pessoa a requerimento de outra, para que faça ou deixe de fazer algo, podendo o notificado contestar, não tem aplicabilidade no direito brasileiro, por falta de legislação especifica; atas de notoriedade, consistem na comprovação e fixação de fatos notórios, na investigação notarial da notoriedade dos fatos e a constatação do resultado, bem como na declaração e reconhecimento no fato cujo notoriedade se comprova, tal ata poderia ser utilizada no Brasil, mas para tanto deveria ter normas que a regulamentasse; atas de subnação, são através da quais o notário a requerimento das partes ou e oficio sana o erro material ou omissão contida em instrumento publico notarial, mas também não ha aplicabilidade por ausência de autorização legislativa.

Por fim a única espécie de ata que tem aplicabilidade no Brasil são as atas de presença, no qual o notário narra o fato presenciado, em interferir no desenvolvimento do fato, sendo que este está apto a lavrar por decorrência do seu poder geral de autenticar fatos, conforme dispõem art. 7. III, da Lei 8.935/94; sendo assim que para as demais espécies devera ter autorização específica e não colisão com atribuição específica de outro oficial publico.

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2.7 A tipificação no novo Código de Processo Civil

O uso da ata notarial até então não era proibido, porém com o novo Código de Processo Civil, a possibilidade de se valer deste importante instrumento como meio de prova passa ser real e expressamente regulada pelo art. 384 do CPC.

O valor probante da ata notarial é aquele disposto no art. 405 do Código

de Processo Civil, fazendo prova não apenas de sua existência, mas ainda dos fatos que o notário atestar que ocorreram em sua presença ou que foram por ele verificados, cuja finalidade especificadamente, é servir como prova.

Sendo assim, por se tratar de um documento publico, ata notarial rege se por toda disciplina dada pelo Código a essa categoria de documento. Tendo em vista que segue as mesmas regras do documento publico, não pode o notário elaborar a ata notarial quando, impedido ou incompetente, quando não observada essas formalidades, terá a mesma eficácia que um documento particular.

Os valores cobrados em cartórios são fixados por meio de lei Estadual. Assim, cada unidade Federativa estabelece um preço de acordo com critérios particulares, divulgados através da Tabela de Custos e Emolumentos, podendo ser reajustados a cada ano.

No entanto, o valor da ata notarial também pode variar de acordo com cada ocorrência, o número de páginas, documentos extraídos da internet, se serão lavradas no próprio tabelião e casos em que a ata tenha valor econômico. No Rio Grande do Sul o valor dos documentos extraídos da internet - R$ 12,50, sem deslocamento - R$ 136,20, com deslocamento, mais R$ 216,50.

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CONCLUSÃO

Conforme o princípio do livre convencimento motivado ou da persuasão racional, sistema esse adotado pelo Brasil, o juiz é livre para formar seu convencimento, examinando as provas produzidas, mas sua decisão tem que estar embasada e fundamentada nos elementos probatórios que constam nos autos do processo.

O juiz não é desvinculado da prova e dos elementos existentes nos autos, mas a sua apreciação não depende de critérios legais determinados a priori. O juiz só decide com base nos elementos existentes no processo, mas os avalia segundo critérios críticos e racionais, desde que os fundamente.

A prova é destinada a convencer o juiz, por isso sua participação é imprescindível. É dever do juiz proferir a melhor sentença possível, e, para isso, é indispensável que os fatos sejam aclarados.

O juiz, em face do dever de solucionar a lide, utilizará as provas para formar seu convencimento, declarando o direito com a verdade encontrada (ainda que não seja a verdade real, que deve ser buscada), eis que as partes não podem restar à mercê do tempo, nem mesmo o Judiciário pode omitir-se de decidir e solucionar o conflito.

A finalidade da prova é formar a convicção do juiz, permitindo-lhe, por meio do convencimento, compor a lide, ou seja, a função da prova é a apuração da verdade para convencê-lo de qual das partes tem razão. Daí concluir-se que o destinatário da prova é o juiz.

A importância das provas dentro da sistemática processual é indiscutível. O êxito da causa está intimamente ligado à existência ou não de determinada prova, e justamente através da Fé Pública do Tabelião e seus propostos, a ata notarial já se destacava com cada vez mais força, solidez e reconhecimento no mundo jurídico, pois permite conferir autenticidade a palavra de uma das partes, interferindo

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diretamente no convencimento daquele que está apto a decidir a causa e entregar a prestação jurisdicional.

A ata notarial passa a ajudar o magistrado a decidir mais fácil e rapidamente. E o que se tem observado é que o novo diploma tipificado no art. 384 do código de Processo Civil, procurou justamente incorporar algo que já vinha sendo amplamente utilizado, garantindo mais efetividade e celeridade à prestação jurisdicional.

O mais importante intuito da ata notarial se liga a inexistência de um regime próprio de demonstração de fatos ocorridos no ambiente eletrônico, como conteúdos de página da internet, gravações eletrônicas, mensagens eletrônicas etc. Sendo que ata notarial pode servir como um instrumento para dar tratamento mais seguro a tais registros.

A relevância desta possibilidade é incalculável, uma vez que com a lavratura da ata notarial se impede, por exemplo, que alguma informação seja desconsiderada ou fique ausente da devida documentação, caso a página da internet seja retirada do ar ou aquela foto e vídeo específicos sejam apagados no dia seguinte, impedindo com isso, a valoração do conteúdo pelo julgador no momento oportuno.

Pode se concluir assim, que o juiz é o principal destinatário da prova, e que é o seu dever proferir melhor sentença possível, e, para isso, é indispensável que os fatos sejam aclarados.

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REFERÊNCIAS

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BRANDELLI, Leonardo, Teoria Geral do Direito Notarial. 3. ed. São Paulo: Saraiva 2009.

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DIDIER JR., Fredie; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael Alexandria de. Curso de direito processual civil: teoria da prova, direito probatório, ações probatórias, decisão, precedentes, coisa julgada e antecipação de tutela. 10. ed. São Paulo: Jus Podivm, 2015. v.2.

GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil Esquematizado. 5. ed. São Paulo: Saraiva 2015.

MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sergio Cruz; MITIDIETO, Daniel. Novo Código de Processo Civil Comentado. São Paulo. Editora Revista dos Tribunais Ltda. 2015.

VICARI, Jaime Luiz; VICARI, Carolina G. Fogaça. ATA NORIAL: prova pré constituída, segura e célere. Florianopolis. Conceito Editorial. 2014.

Referências

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