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Experiência do ensino de computação I: um estudo de caso

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1

*.* RELATóR 10 Tr;:N:tCO *.x-*

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COMPUTACAO I -UM ESTUDO DE CASO :

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Eduardo Pei<oto Paz

José Ant,:.nio dos S<:\ntos Borges

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NCE .?;4/9 j. Dezembr'0/91

Un j ver's i d'<:'\de Feder'a1 do R i o de Jane i ro

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20001. -Iio de J \l1eiro -.I..J BRASIL

I::st e \".t i go To j c\I:lreSel1t ado 110 r COn91'.essO rIJe".oamer i cano de E:dIJ(".:\I;[o SIJPer.íor' em CompIltal;r{O, re'<:'\1izado em Santi'<:'\90 do Chi1e, de j,4 a 1.5 de OUt ubro de 1991.

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(2)

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EXPERIÊNCIA DO E:NSINO DE COMPUTAÇÃO I -UM ESTUDO DE CASO

RESUMO

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EXPERIENCE ON TEACHrNG A COMPUTER PROGRAMMING COURSE -.A CASE STUDY

ABSTRACT

Tni; p<lper- ce,:,;cr-it)s th(0: ,:\'J.t(:)mc(t izat ion pr-oc:&s':;; of th :lntl'.o(.i'J.ctor.!:J Co.-. IJ.I'..;e '::) COmtJiltel'. PI'.ogl'.,:\mmin] ,:\t: t:he !:.("'.:'(JE::I'.al I..Jnível'.;.itj (J, !iQ de ,Janei-.

r.o. The sstem, c:,:\.11ed .AMB:(ENTE:. r.'jns Ilndel'. Un i:., oP(:I'.,:\t ing ':;;stm ,,'\ncl was dsignd to \"\,:\ve ;::\ T'1'.lendl intE::1'.+'ace with te,:\c:hel'.s ,:\n(i st:ll(jer\ts. l.he pr.oblem,:;; which .led to the so1I.J.t ions Ilsci in t!. .AMB:!:ENTE. sstem al'.e al)o dscl'. i bi:?(l, I:)ot!. 1r.om ,:\n OI:)(!:I'.,:\t i onal ,:\r\(j IJer.sor\<,.\l I.1t i 1 i zat i orl points o.r viw..

(3)

1) Histórica

A Universidade Federal do Rio de Janeiro oferece para seus

alunos o curso de introdução ao uso de computadores (Computação

I) Este curso teve iníclO no Departamento de Ciência da

Computa-ção. no Instituto de Matemática. que ficou responsabilizado em

':Jferecer aos demais departamentos o curso básico de computação.

Com a disseminação do uso de computadores, nas mais diversas

áreas, um grande número de alunos passou a necessitar desta

disci-plina Hoje a oferta de vagas atende a mil alunos por semestre.

e o crescimento do número de alunos em um período curto de

tem-po, levou a organização do curso por diferentes caminhos, buscando il1elhorar o aprendizado dos alunos e a gerencia do curso. Com U(11 grupo bastante heterogêneo de .'llunos e uma abordagem de ensino li-'Ire, ocorria um alto índice de desistência do curso assim como a r-edução no grau de e><igêncid quanto ao conteúdo programátlco Tan-to alunos quanto professores ficavam desestimulados

Para suporte prático ao curso, são usados os recursos

compu-tacionais do centro de processamento de dados da Universidade

t...Júc leo de Computação Eletr-ônlca. Um curso com tantos alunos e

pro-fessores necessita de um suporte de laboratório bastante eficaz e

de uma gerencia bem próxima à sua dinâmica diária.

2) Características do pessoal envolvido

Para me 1 hor compreensão do traba I ho , daremos as car-acter- í st i -cas básicas dos diversos grupos de pessoas envolvidas com o curso de Computaão I, são atores deste cenário' os alunos, os professo-t-es, o departamento e o centro de processamento de dados

a) Alunos

O conhec imento dos alunos que procuram o curso é bastar-.te he-terogêneo. Existem alunos que estão ingressando na universidade, alunos por se formar, cursando, em especial, engenharia, química, astronornia, física e geologia. De um modo geral podemos dividir os alunos em um grupo com e outro sem dificuldades no aprendizado da computação.

c

Os alunos com dificuldades geralmente estão entrando para a

universidade. Estes alunos sofrem o processo de mudana no estilo

do ensino, do curso secundário para o universitário Alguns alunos

não têm sequer prática no uso de um teclado de máquina de

escre-ver, outros acreditam que seus conhecimentos de matemática são

in-suficientes para aprender computaão. São alunos que não têm o

há-bito de usar máquinas na sua vida cotidiana e tem uma visão de

computador de duas décadas atrás.

Os alunos sem dificuldades são aqueles que têm contato fre-quente com equipamentos eletrônicos tais como computadores pes-soais, "video gamell, caixa eletrônico de bancos, etc. Para os alu-nos com conhecimento prévio de computal;ão, normalmente o curso

bá-

..-sico é insuficiente, estando sempre procurando mals e mals OPI;Oes

(4)

b) Professores

Os professores estão ligados de alguma forma ao conhecimento de computação Não é exigido que o professor seja um programador exper i ente Mu i tos dos professores t-.ão possuem conhec i inentos cQm-pletos sobre a linguagem e muito menos sobre o sistema operacional da máquina usada para eleboração dos exercícios práticos. Como os sistemas operacionais são bastante amplos, com poucas aulas encon-tramos alunos com conhecimentos mais aprofundados que o professor sobre assuntos espec í f i cos e procurar.do o conhec i mento de li-. a i s de-talr.es. Este fato afasta o professor do laboratório e o faz enfa-tizar a ensino da linguagem em detrimento do ensino de programa-ção

c) Departamento

O departamento responsável pelo ensino de computação aplica

duas versões do curso. uina específica para os alunos de

informáti-ca (aproximadamente 40 vagas) e outra para alunos em geral

(apro-ximadamente 1000 vagas) Dentro do departamento, o coordenador da

cadeira tem autonomia para implantar todas as mudanças inecessárias

para o bom funcionamento do curso. Existe uma dificuldade básica

de avaliação se estas mudanças são realmente positivas pois os

me-canismos de realimentação são tenues.

d) Centro de processamento de dados (NCE)

A parte prática do curso é realizada no NCE em uma máquina

que necessita apoio operacional Para o funcionamento do curso o

apoio deve ser constante. A equipe do NCE encarregada desta tarefa

está acostumada a fornecer consultaria de alta nível em

implanta-ão de sistemas não possuindo pessoal para atender uma grande

mas-sa de alunos com solicitaões constantes. Para o atendimento ao

aluno, é preciso o conhecirnento do desenrolar do curso para

ava-liar suas solicitaões, e dessa forma, o atendimento ao aluno

principiante, por parte do NCE é muito pouco efetivo.

3) A operaão do curso de Computaão I ao longo dos anos

Nas pr- i rne i ras vezes em que o curso de Computação I fo i ap 1 i -cado. o ensino seguiu uma linha tradicional, descentralizada. onde cada professor era responsável pela sua turma. Cada professor pos-suia métodos diferentes de avaliação e didática fazendo COffi que alunos com mesmo diploma tivessem conhecimentos diferentes. Isso também trazia alguns problemas quando os alunos passavam para dis-ciplinas mais avançadas. que assumiam que o aluno houvesse cursado Computação I.

Uma sequência natural foi a centralizaão, com a criaão da figura de um coordenador, aplicaão de prova única, preparaão de exercícios padronizados, utilizaão de um único tipo de computa-dor, etc. A centralizaão visava principalmente- a reduão do trabalho do professor, avaliaão normalizada e coletiva, além de procurar otimizar o uso de laboratórios (terminais, microcomputa-dores, etc. ..) .

A disponibilidade de microcomputadores em ampla

levou a utiliza-los em Computaão I, esperando que

escala, nos

os problemas

(5)

operacionais (disponibilidade de equipamento, simplicidade de ope-ração, etc. ..) melhorassem a qualidade do curso. Jossa expectati-va foi frustrada, pois a causa real dos problemas não é o tipo de equipamento que se llsa

Para resolver uma série de problemas operacionais, voltou-se

ao sistema centralizado, sob UNIX executando num VAX 780 dedicado.

Foi criado um sistema automático para acompanlamento dos alunos,

visando especialmente o controle da entrega de trabalhos e

consul-ta de notas.

c

'"

o sistema foi definido e programado, mas nunca conseguiu fun-cionar direito Foi definido como uma coisa simples mas, como "em computar;ão tudo se pode fazer" foi crescendo de forma tão desorde-nada, que em 6 meses virou um sistema monstro, que não conseguia mais servir como sistema de entrega, dada a necessidade de

contro-le operacional muito dedicado. Os mádulos n1ais necessários, a ge-rênc i a de rlotas e o contro 1 e de presenr;a não furlc i onaram por pro-blemas de falta de pessoal para operar o sistema.

Aliado a isso, o rendimento dos alunos principiantes usando

UNIX foi baixíssimo, pois este sistema não é preparado para ser

operado por gente que nunca trabalhou com computaãQ. tem urna

lin-guagem de controle horrível, um sistema de arquivos muito elegante

mas difícil de ser manipulado, e mensagens nada amigáveis Os

professores, que nunca haviam trabalhado com UNIX, passaram aos

monitores a tarefa de explicar detalhes operacionais para os

moni-tores, que se tornaram excelentes operadores de SHELL (linguagem

de comando UNIX) mas péssimos programadores PASCAL. .

Soluções com automação experiências e dificuldades

4

Uma constataão irnportante é a instabilidade das soluões apresentadas. Uma olhada no passado mostra que a evoluão tecnoló-gica e problemas operacionais empurram com muita rapidez, soluões brilhantes de organizaão para a desot-dem e o descontrole Nossa experiência aponta para uma duraão média de tres anos por solu-ão. O declínio da qualidade do ensino é detetado, soluões são apresentadas, aumento da qualidade seguido de declínio O processo é ciclico e tem básicamente 'o seguinte desenrolar

Dado um cenário com problemas diversos, um professor é

indi-cado para apresentar soluões Para o cenário existente são

pro-postas reformas objetivando solucionar os problemas. Geralmente a

implementaão destas reformas envolve um grande número de pessoas,

principalmente considerando que sempre os alunos são envolvidos.

Os problemas existentes são eliminados ou reduzidos, porém surgem

novas situaões. O professor, já incomodado com a tarefa da

r-efor-ma inicial comea a receber novas demandas de mudanas com um novo

cenário. Propostas complementares são formuladas para problemas

muitas vezes não muito claros. O professor perde o objetivo

ini-cial da reforma. Este é o início da degradaão da soluão. É

im-portante se ter a consciencia que o cenário é dinâmico e precisa

de avaliaões profundas e periódicas. Este é o momento crítico do

processo, momento onde todos são induzidos a .encontrar outro

pro-fessor responsável por novas mudanas e o ciclo é reiniciado.

~ ~

(6)

i'!1f.:

A experência adquirida na gerencia do curso é muito difícil

de ser transmitida para outro professor pois possui uma enorme

componente subjetiva. Em muitos casos é mais simples jogar fora

todo o trabalho anterior do que remendar uma solução cheia de

emendas

Como exemplos de degradação temos a tecnológica e a

operacio-nal. A tecnológica está ligada ao uso de novos equipamentos,

sis-temas operacionais, linguagens de programação. Este tipo de

deman-da vem tanto dos alunos e departamentos envolvidos como dos

prá-pr i os prá-professores da d i sc i p l i na. A degradação operac i ot-Ia l vem

principalmente do fato do professor ficar encarregado de uma

tare-fd adffllt-, istrat iva bastante intensa. São propostas constarltes de

pequenas mudanças operacionais, mudanças de metodologia de ensino,

atualizações de notas, exercícios, provas etc. É muito fácil

tro-car-se objetivos gerais e duradour-os por específicos e de curto

prazo.

5) Pré-requisitos de uma soluão

Todos os erros que foram cometidos na implementação e implan-tação do sistema automático que foi descrito nos levaram a repen-sar o sistema, agora de forma mais global. Nossa idéla foi tentar erlcontrar os e 1 emer1tos que ser i am ind i spensáve i s atacar para con-seguir uma solução. Os itens a seguir foram aqueles que julgamos

"chave"

a) Aluno tem que estar sempre bem informado

Num curso que tem quase 1000 alunos, provindos de dezenas de

departamentos diferentes, com nível de conhecimento quase zero do

funcionamento da universidade (são, quase sempre, alunos de 12

ano), perguntas simples como p. ex. "qual é o dia de entrega do

trabalho ?'1 podem ser razão até mesmo para a reprovação de um

alu-no.

Por outro lado, um coordenador ou secretária tão pode dispor

de tempo para atender a essa massa de alunos, ou seja, é o

profes-sor tem que responder a qualquer pergutta, técnica ou

organi2acio-nal, e portanto também estar completamente a par- de tudo que se

passa.

,..

b) O elemento chave do processo de ensino é o professor

Nunca é demais dizer que existem professores melhores e pio-res, com maior ou menor interesse, cujas turmas tem melhor ou pior desempenho (historicamente falando} .Diferenças individuais à parte, quase sempre a dedicação e o prazer do professor ao dar o curso são fundamentais para o sucesso do ensino.

A soluão para o problema de ensino, então envolve conseguir que o professor se dê ao máximo ao curso, num envolvimento de in-tenso prazer, de corpo e alma. Tem que estar no laboratório, acompanhando de perto o trabalho do aluno e achar essa tarefa

(7)

mui-to agradável <Utopia ?)

c) Aluno não pode ter medo do curso

Computação, especialmente para quem não teve contato anterior

com computador-, é uma coisa amedrontadora. Pat-a fazer um mínimo

de tarefas, é necessário utilizar conceitos abstratos, decorar

co-mandos, dialogar com um ser invisí.vel (sistema operacional) que

admoesta o usuário em caso de erro.

Assim, é necessário, para fazer com que o aluno consiga per-der rapidamente o medo do computador, que o diálogo "homem-máqui-na" seja tão natural quanto possível. Entre as principais carac-ter í st i cas de urna inter face con-1 usuár- i o ( que deve cobr i r comp 1 eta-mente o sistema operacional da máquina) estão os seguintes elemen-tos.

sistema deve ter uma linguagem de comandos direta e intuitiva

sistema deve usar a lingua do aluno (portugues, e não inglês)

sistema deve perguntat- de forma muito slinples (p. ex. fnenus)

aluno deve responder de forma muito simples (p. ex. com uma

cla)

te-d) Edião de textos

A edição de textos, fundamental num curso de Computação I,

deve ser muito simplificada: computador deve se comportar

exata-mente igual a máquina de escrever. O editor deve ser "estilo

full-screen", tipo WVSWVG, rnas os comandos devem ser em menor

nú-mero possível (se possível não usar controls, ALTS, etc. ),

possi-bilitando a aprendizagem em curtíssimo espaço de tempo Como os

textos (programas) criados são pequenos o editor não precisa ser

poderoso. É importante notar que quanto antes o aluno consiga

te-clar, tanto mais rápido poderá treinar a parte de programação, que

é o que nos interessa.

e) o aluno deve ser induzido a fazer muitos exercícios

Uma maneira de conseguir isso é apresentar muitos exemplos já teclados e lnduzir o aluno a modificá-los. Deve-se pensar que te-c lat- um pt-ogr al-na console tempo, e ecotlomi zando tempo de tec 1 agerl1 , o aluno terá rnais tempo para entender a parte conceitual e fazer experiências.

'"'

f) A gerência de todo sistema deve ser centralizada

Distribuição de exercícios, comunicações, submissão de

tra-balhos, controle de notas, etc. devem ser controladas de maneira

centralizada para garantir a disponibilidade e controle das

infor-maões, que são a alma do curso. O uso de um computador único para

suportar o sistema, facilita bastante essa tarefa.

A saluãa autamatizada deve ser simples

9

É importante notar que soluções completamente automatizadas

(8)

lha-res de exceões são enormes Assim, a soluão deve ser bem

defi-nida para automatizar completaiflente o indispensável, e automatizar

parcialmente ou não automatizar o que for mutável ou complicado

O sistema todo deve ser operável por uma única pessoa, se

possí-vel.

Essa simplicldade de sollJção visa garantir a flexibilidade

de operação, mudanças mais rápidas no sistema, e até mesmo

atuali-zação manual nos arquivos se for necessário, para resolver casos

não previstos.

Por outro lado estamos tratando com "terr íveis"

disputa(n entre si maneiras de fraudar ou derrubar o

sistema deve ser muito robusto.

alunos, sistema que o Implementaão do sistema 6

A solução que foi adotada gira em torno de um pacote de software ( chamado AMBIENTE) que atua como um "Shell" do sistema operac i ona 1 UN I X O s 1 stema executa em uin VAX-780 I ded icado , coin 64 tet-minais no nláximo, com ULTRIX (Digital)

Ao início do curso os alunos recebecn uma conta e uma senha.

Ao entrar com eles num terminal, o AMBIENTE é ativado

automatica-mente, tomando conta do terminal e escondendo totalmente o sistema

UNIX Na tela aparece um "jornal" com as últimas novidades para

que o aluno esteja sempre informado sobre o curso e a universidade

(figuras 1, 2) .

As opões que o AMBIENTE oferece são todas apresentadas como

menus, que o aluno seleciona através de letras (figura 3) são

poucos n1enus e todos em português Os I-nerlus são apresentados I

Op-cionalmente na forma abreviada para economizar tempo de entrada e

saida

o elemento mais usado no sistema é o editor de tela (figuras

4, 5), em que o aluno tecla seus programas ou dados. A forma de

operação é muito simples. o usuário tecla e isso sai escrito na

tela. Existem apenas os seguintes comandos, controlados por uma

tecla. apaga letra sob o cursor, passa para a proxima linha e fim.

Existe um menu auxiliar que permite ainda inserir e remover

li-nhas, e auto-teclar um programa protótipo Pascal ou um cabecalho

de programa. Ao sair do editor (ESCAPE) o texto é sempre salvo (o

que evita que os alunos percam inadvertidamente o que estavam

te-clando) .

,..

Uma vez teclado o programa, o usuário manda executar aper-tando uma tecla (figura 5) .O processo de compilaão e link-edi-ão fica escondido do usuário, mas se houver erros (de compilaão ou execuão), o editor é automaticamente chamado com o cursor so-bre 0 ponto de erro. É exercido um controle muito rígido sobre a execuão e erros, garantindo que somente programas perfeitos exe-cutem (devemos lembrar que os alunos são principiantes e é melhor ser rigoroso) .

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na UFRJ I em Computac:ão I usa-se o Berkeley PASCAL Interpre-"C ,t.,

'":;;

(9)

ter

Uma das principais dificuldades que ao longo dos anos notamos

que todos os alunos tem é o entendimento do sistema de arquivos,

que, no caso do U(\JIX é especialmente complexo. Resolvemos que a

manipulação dos arquivos seria feita de maneira totalmerlte

intera-tiva e intuitiva

Para isso foi construído um manipulador de arquivos (figura 6) que mostra na tela o conteudo do diretário atual e permite mo-vendo o cursor e apertando uma tec 1 a ( i nd i cada por um iflenu) apa-gar, listar, imprimir-, duplicar, renomear, etc. Foram tornados acessíveis ao aluno apenas 2 diretários. o diretário do professor, que contém os prografl1as exemplo e o diretório do aluno, em que ele reaiiza suas operaões Não permitimos o caminhar na árvore do UNIX, o que diminuiu sensíveimente a necessidade de controle de proteão de arquivos.

,!

Foi também criado um sistema de troca de mensagens que per-Iíi i te aos a 1 urlOS tr-OCdr-em impressões e sugest ões ( eventua lmen te oferlsas) .Esse sistema foi 1 imitado para tlão permitir troca de arquivos o que obviamente seria usado para troca de soluções de programas/exercícios

Por último foi criado um sistema de controle de notas e

sub-I-nissão de traballos, que permite a admit-.istr-ação impessoal de

pra-zos e informação atualizada de notas. Os trabalhos são submetidos

pelos alunos e enviados ao monitor da turma para correção. As

no-tas são digitadas e enviadas ao coordenador que realiza a

atuali-zação de um cadastro, que pode ser consultado pelos alunos

facil-mente. (figura 7)

o sistema tem algumas soluões originais, tais como o pro-cesso de cadastramento, em que é o proprio aluno que informa seus dados, pelo computador-, teclando um texto "livre", como um exercí-cio do curso. O interessante é que o trabalho de consistência é mínimo, dada a condião de que o aluno se sente responsável por seus próprios dados.

7) Papéis no sistema

Na definião do sistema ficou muito claro que é absolutamente

indispensável a definião dos papéis das pessoas envolvidas:

alu-no, professor, monitor e coordenador. Esses papéis são

monitora-dos pelo sistema computadorizado, tornando claro, sem regras

ex-plícitas e regulamentos (ou seja de forma intuitiva, se possível)

seus limites e seus deveres.

Essa maneira de abordar o problema dá uma segurança muito

grande aos participantes do sistema, sem que haja um cerceamento

de poderes explícito (que na verdade, existe) .Neste contexto são

os seguintes os papéis: a figura do aluno .faz exercícios

a

::::...,','= """,: ~ ~ ~ ~

(10)

b) a figura do professor

dá aula teórica

orienta alunos nas soluções dos exercícios

determina prazos

.provas e trabalhos são unificados.

cada professor é responsável pela pr-eparação de

apenas um dos trabalhos práticos.

c) a figura do monitor

auxilia o professor na aula prática

corrige os trabalhos

lança notas dos trabalhos

d) a figura do coordenador

cadastra alunos

envia avisos coletivos

cadastra exercícios

coordena tudo

provê as

partici-(Oú se

Costurando todos esses papéis está o AMBIENTE, que

facilidades de informação e interrelacionamento entre os

parltes I yue são cerca de 1000 pessoas que rlão se conhecem

conhecem pouco)

É interessante notar que todos os elementos envolvidos utili-zam o AMBIENTE e não o Shell nativo UNIX Isso traz diversas con-sequências, entre outras, uma homogeneidade de linguagem entre os par-t i c i pantes ( ou sej a t-.ão é necessár i o fazer tr-e i r.alentos mú 1 t i -plos entre os usuários) .O coordenador é a única pessoa que pre-cisa, em circunstâncias especiais, sair do AMBIENTE, nas situações que exigem privilégios especiais, tais como instalação do sistema, modificações não corriqueiras no cadastro ou o lançamento de no-tas

8) Avaliaão do AMBIENTE

o sistema AMBIENTE foi implantado em 1991. Resultados preli-minares já demonstram resultados muito promissores, entre eles:

diminuião a menos de metade do índice de desistências da disciplina.

professores motivados

alunos motivados, inclusive utilizando o AMBIENTE fora do seu horário de aulas, para treinar.

alunos iniciantes sem receio da máquina

turmas que tradicionalmente rejeitavam o ensino de computa-ão, motivadas.

Departamentos pedindo a inclusão da disciplina de Computa-ão I como opcional em outros cursos.

o mais importante, entretanto é avaliar o incremento da qua-lidade de ensino. Para isso seria necessária uma avaliaão compa-rativa muito cuidadosa, que não foi ainda realizada, pois o siste-ma foi apenas aplicado em 1 semestre, e não temos ainda dados que permitam uma análise estatística adequada.

Entretanto, podemos fazer ultla comparal;"ão informal, t irada das "::j--,

(11)

Já na primeira prova, oS professores ficaram admirados com as no-tas obtidas pelos alunos, atribuindo os t-esultados a simplicidade da prova. Uma análise mais cuidadosa demonstrou que o nível da prova foi similar às provas dos semestres anteriores, com mesmo conteúdo programático, porém com resultados bastante melhores.

o sistema AMBIENTE foi implementado da forma mais simples possível, usando o mínimo possível de recursos especiais do UNIX. O AMBIENTE foi fundamentalmente programado por 2 pessoas, que cui-daram respectivamente da parte operacional do programa e das in-terfaces com o sistema operacional UNIX. A parte central do sis-tema, responsável por todo diálogo homern-máquina, edição de tex-tos, controle de arquivos, ativação do compilador, monitorador de eecução e troca de mensagens, tem aproximadamente 3500 linhas em

linguagem C, incluindo comentários. O sistema de cadastramento de alunos e lançamento de notas, cerca de 2000 linhas de C e Pascal

9) Conclusões

Não se deve imaginar que é fácil implantar (e impor) uma

no-va solução completa, ainda mais para um problema que tem 20 anos

de existência. Durante a fase de implantação, o grupo de

desen-volvimento sofreu todo tipo de pressões e desistímulos, tanto de

alunos, monitores, professores e do departamento de CiÊncia da

Computação. Todos achavam que não ia dar certo.

Isso é facilmente explicável. Um sistema de ensirlo pertence

a uma categoria de problemas tipo "malha aberta" : nunca se pode

precisar exatamente os resultados, portanto mudanas erradas são

feitas impunemente. E todos pagam pelo erro Como avaliar se uma

soluão foi boa? Só o tempo responde.

o sistema foi implantado há 4 meses e, para nosso alívio,

temos a comunidade satisfeita com os resultados. Há um cqnsenso

que, pelo menos até esse rnomento, houve realmente nlelhoria da

qua-1 i dade de ens i no, mot i vaão dos professores, a 1 UtiOS e ,-non i tores e

melhoria da organizaão.

Para concluir, todo o sistema AMBIENTE, incluindo os

progra-mas fonte e bibliotecas de e'xemplo que são usados no curso de

Com-putação I da Universidade Federal do Rio de Janeiro, estão

dispo-níveis, sem qualquer ônus, para qualquer instituição de ensino que

deseje ter acesso a eles,

f'

BIBLIOGRAFIA

1. Paz, E.P. I Borges, J.A. e Stelling, R. -Documentação de opera-ção do sistema AMBIENTE, Doc. Interna do NCE -1991

2 Digital Corp , ULTRIX -Operating System Manual -1989

~ ~

(12)

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Fig. 1 Tela inicial do AMBIENTE Fig. 2 Jornal do AMBIENTE

I AO3P0 1

1--- ODJETIYO D-." u .u.dr-dD d. cD"rd.n --.1 1-.- Inf.'r."r O.qu.'.- f..- le o, e DI o --.1

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