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Aula Suspensão do exercício do poder familiar, da tutela e da curatela:

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Academic year: 2021

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Curso/Disciplina: Direito Penal Militar

Aula: Penas acessórias e medidas de segurança.

Professor (a): Marcelo Uzêda

Monitor (a): Lívia Cardoso Leite

Aula 26

- Penas acessórias:

- Suspensão do exercício do poder familiar, da tutela e da curatela:

A expressão “pátrio poder” foi atualizada pelo professor. A lei chama assim, mas com a igualdade existente entre pais e mães há, na verdade, poder familiar.

CPM, art. 105 - Suspensão do pátrio poder, tutela ou curatela

O condenado à pena privativa de liberdade por mais de dois anos, seja qual for o crime praticado, fica suspenso do exercício do pátrio poder, tutela ou curatela, enquanto dura a execução da pena, ou da medida de segurança imposta em substituição (art. 113).

Suspensão provisória

Parágrafo único. Durante o processo pode o juiz decretar a suspensão provisória do exercício do pátrio poder, tutela ou curatela.

O condenado à pena superior a 2 anos, qualquer que seja o crime, fica suspenso do exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela enquanto dura a execução da pena ou da medida de segurança substitutiva.

Se o juiz entender necessário, pode decretar uma suspensão provisória, ou seja, uma medida cautelar durante o processo suspendendo esses exercícios.

O que tem de ser registrado?

Na esfera comum, suspensão do exercício do poder familiar é efeito específico da condenação.

CP, art. 92 - São também efeitos da condenação: I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo:

a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública;

b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais casos.

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III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática de crime doloso. Parágrafo único - Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo ser motivadamente declarados na sentença.

A suspensão do exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela, na esfera comum, é prevista como efeito da condenação. Na esfera militar não é efeito da condenação, mas pena acessória. A suspensão do exercício não depende de o crime ter sido praticado contra filho, tutelado ou curatelado. A lei não faz menção à vitima. Na esfera comum, sim. O crime tem de ter sido praticado contra o filho, o tutelado ou o curatelado, de modo que o agente tenha como efeito da condenação a suspensão do exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela. O crime tem de ter sido praticado contra essas pessoas. Por isso, a suspensão é consequência do crime, é efeito extrapenal.

Na esfera militar, é pena acessória de qualquer que seja o crime e a vítima, se houver condenação à pena superior a 2 anos.

O militar condenado à pena superior a 2 anos cumpre a pena privativa de liberdade. Não tem direito à conversão em prisão. Cumpre a pena em penitenciária militar, se houver.

Naturalmente, com o trânsito em julgado e a declaração da perda de posto e patente do Oficial ou a exclusão da Praça, o agente se torna civil.

A pena acessória decorre da imposição da pena principal superior a 2 anos.

Obs: quando o ex-militar passa a ser executado na esfera comum, essa questão pode ser repensada pelo Juiz da VEP, à luz da LEP, pois terá de haver uma adequação ao sistema comum. Se o crime não foi praticado contra filho, tutelado ou curatelado, não há porquê manter-se essa suspensão. Seria uma suspensão temporária. Há que se fazer essa transição para a esfera comum, já que o condenado à pena superior a 2 anos deixa de ser militar. Por consequência, será executado na esfera comum, de acordo com a LEP. Enquanto isso não acontece, impõe-se a pena prevista no Código Penal Militar, que é uma pena acessória. Para a esfera comum é mero efeito específico da condenação decorrente de crime praticado contra filho, tutelado ou curatelado. No Código Penal Militar não há nenhuma referência quanto a isso.

- Suspensão dos direitos políticos:

CPM, art. 106 - Suspensão dos direitos políticos

Durante a execução da pena privativa de liberdade ou da medida de segurança imposta em substituição, ou enquanto perdura a inabilitação para função pública, o condenado não pode votar, nem ser votado.

Na esfera comum também é efeito da condenação. Na esfera militar ainda é pena acessória.

Com o trânsito em julgado, ficam suspensos os direitos políticos. É pena acessória. Na esfera

comum, é efeito da condenação. O condenado não pode ser votado e nem votar durante o tempo de cumprimento da pena.

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CPM, art. 107 - Imposição de pena acessória

Salvo os casos dos arts. 99, 103, nº II, e 106, a imposição da pena acessória deve constar expressamente da sentença.

Não se exige expressa manifestação na sentença. É pena acessória que decorre da condenação à pena privativa de liberdade. Enquanto o condenado cumpre a pena ou está inabilitado fica impedido de exercer direitos políticos.

Medidas de segurança

CPM, ART. 110 - Espécies de medidas de segurança

As medidas de segurança são pessoais ou patrimoniais. As da primeira espécie subdividem-se em detentivas e não detentivas. As detentivas são a internação em manicômio judiciário e a internação em estabelecimento psiquiátrico anexo ao manicômio judiciário ou ao estabelecimento penal, ou em seção especial de um ou de outro. As não detentivas são a cassação de licença para direção de veículos motorizados, o exílio local e a proibição de frequentar determinados lugares. As patrimoniais são a interdição de estabelecimento ou sede de sociedade ou associação, e o confisco.

Esse art. traz o rol de medidas de segurança. É um rol muito mais extenso que o da esfera comum.

As medidas de segurança no Direito Penal Comum são destinadas aos inimputáveis por alienação mental e aos semi-imputáveis que necessitem de especial tratamento curativo. A medida de segurança pode ser aplicada em substituição à pena privativa de liberdade para os semi-imputáveis que necessitem de especial tratamento curativo.

Na esfera militar também existe medida de segurança para o inimputável: a internação. Existe também a substituição para o semi-imputável.

Existem outras medidas de segurança, que serão aplicadas cumulativamente com a pena. No sistema penal militar, no sistema sancionatório militar, combina-se o sistema vicariante com o do duplo trilho. O Código Penal Militar adota o sistema vicariante em relação ao inimputável, que não tem culpabilidade, não merece reprovação. A medida de segurança é a sanção adequada, a indicada para ele. Ao mesmo tempo o Código Penal Militar mantém o sistema do duplo trilho para as outras medidas de segurança.

Isso foi acolhido com a reforma penal de 1984?

O Código Penal Militar não foi afetado por ela. Há medidas de segurança que são impostas

juntamente com as penas. O Código Penal Militar diz, ainda, que essas medidas de segurança são aplicáveis

aos civis.

O rol de medidas de segurança do art. 110 do Código Penal Militar é muito mais amplo do que o da esfera comum. As medidas de segurança dividem-se em:

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Internação em manicômio judiciário: inimputável ou semi-imputável. Medida de segurança pessoal detentiva: aplicação do sistema vicariante. Nesse ponto o Código é vicariante. No lugar da pena aplica-se a medida de segurança.

As medidas de segurança não-detentivas são aplicadas cumulativamente com as penas. Têm

finalidade preventiva.

Crítica do professor: à luz das reformas que o Direito Penal sofreu, em 1984 e em 1998, quanto às penas acessórias e aos efeitos da condenação, a medida de segurança aplicada, sobretudo ao civil, considerando também a LEP, que é de 1984, e que as medidas de segurança do Código Penal Militar não existem na LEP, não são por ela reconhecidas, o civil eventualmente condenado pela Justiça Militar da União, aplicando-se cumulativamente medidas de segurança pessoais não-detentivas, ou até patrimoniais, que é o caso do confisco, tem de ter as medidas de segurança adaptadas à LEP. Como essas medidas se aplicam aos civis, aquelas que são incompatíveis com a LEP não terão aplicação, não terão cabimento, ainda que sejam aplicadas na sentença. Na execução, o juiz da Vara de Execuções Penais não terá como aplicá-las, dada a incompatibilidade com a lei de execução penal. Há impossibilidade de aplicá-las por não serem previstas dessa maneira na LEP. Podem ser tratadas, eventualmente, como efeitos da condenação, como no caso do confisco. O Código Penal Militar prevê o confisco tanto como efeito da condenação quanto como medida de segurança. Há previsão nas 2 formas.

Obs: só 2 medidas de segurança são aplicadas aos militares, enquanto nessa condição. As outras são para os civis.

Pessoais

Detentivas

manicômio judiciário

Internação em

Não-detentivas

Cassação de licença para

direção de veículos

Exílio local

Proibição de frequentar

determinados lugares

Patrimoniais

Interdição de

estabelecimento

Confisco

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As medidas de segurança do Código Penal Militar são anacrônicas, não passaram por reformas, sendo estranhas ao sistema atual. Porém, estão previstas no art. 110 do Código Penal Militar. Dividem-se em pessoais e patrimoniais. As pessoais são a detentiva, que é a internação, não existindo tratamento ambulatorial, e as não-detentivas são a cassação de licença para dirigir veículo motorizado, o exílio local e a proibição de frequentar determinados lugares.

A proibição de frequentar determinados lugares é conhecida. A suspensão da habilitação para dirigir também é conhecida da esfera comum. No Código Penal Militar é medida de segurança.

As medidas de segurança patrimoniais são interdição de estabelecimento, que na opinião do professor é um absurdo, e confisco, que pode ser a perda de instrumentos do crime etc. É medida de segurança e efeito da condenação.

CPM, art. 111 - Pessoas sujeitas às medidas de segurança As medidas de segurança somente podem ser impostas: I - aos civis;

II - aos militares ou assemelhados, condenados à pena privativa de liberdade por tempo superior a dois anos, ou aos que de outro modo hajam perdido função, posto e patente, ou hajam sido excluídos das forças armadas;

III - aos militares ou assemelhados, no caso do art. 48;

IV - aos militares ou assemelhados, no caso do art. 115, com aplicação dos seus §§ 1º, 2º e 3º.

Em regra, as medidas de segurança somente podem ser aplicadas aos civis e aos militares que tenham perdido essa condição, em virtude de condenação à pena privativa de liberdade superior a 2 anos ou que venham a perder posto e patente ou sejam excluídos por outra razão.

Para quem se aplicam as medidas de segurança em geral, em regra?

Civis, na esfera militar, e ex-militares que deixaram de ser militares porque foram excluídos ou tiveram retirados posto e patente, perdendo a condição de militar. Nesse caso, a medida de segurança se aplica.

Para os militares só existem 2 medidas de segurança cabíveis. Aos militares somente aplica-se a medida de segurança de internação, se forem inimputáveis ou semi-imputáveis, e a de cassação de licença para dirigir veículos motorizados. Para os militares, essas são as 2 medidas de segurança aplicáveis.

A medida de segurança é imposta na sentença. Esta estabelece as condições de acordo com a legislação penal militar, o que não impede a expulsão do estrangeiro. O ato de expulsão do estrangeiro é um ato de soberania, é uma saída compulsória do território nacional. O estrangeiro que é considerado nocivo ou que é condenado no Brasil é expulso por ato do Ministro da Justiça, um Decreto de expulsão. Mesmo que se aplique pena ou medida de segurança, isso não impede a expulsão, ainda que a pena não seja cumprida. Isso acontece na esfera comum também.

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Na esfera federal há condenados estrangeiros, sobretudo por tráfico de drogas, que muitas vezes não terminam o cumprimento da pena e já sai o seu Decreto de expulsão. Para eles é bom. Em alguns casos é interessante porque o sujeito volta para a sua terra de origem, seu país de origem, e não precisa cumprir pena no Brasil. No país de origem o problema é resolvido conforme se desejar. Assim, o estrangeiro não fica cumprindo a pena no Brasil até o final.

O Decreto de expulsão gera a remoção compulsória do território nacional. É um ato de soberania porque o estrangeiro é nocivo ou foi condenado definitivamente. Independente do total de pena a expulsão é decretada.

CPM, art. 120 - Imposição da medida de segurança

A medida de segurança é imposta em sentença, que lhe estabelecerá as condições, nos termos da lei penal militar.

Parágrafo único. A imposição da medida de segurança não impede a expulsão do estrangeiro.

- Internação no manicômio judiciário: CPM, art. 112 - Manicômio judiciário

Quando o agente é inimputável (art. 48), mas suas condições pessoais e o fato praticado revelam que ele oferece perigo à incolumidade alheia, o juiz determina sua internação em manicômio judiciário.

Prazo de internação

§1º A internação, cujo mínimo deve ser fixado de entre um a três anos, é por tempo indeterminado, perdurando enquanto não for averiguada, mediante perícia médica, a cessação da periculosidade do internado.

Perícia médica

§2º Salvo determinação da instância superior, a perícia médica é realizada ao término do prazo mínimo fixado à internação e, não sendo esta revogada, deve aquela ser repetida de ano em ano.

Desinternação condicional

§3º A desinternação é sempre condicional, devendo ser restabelecida a situação anterior, se o indivíduo, antes do decurso de um ano, vem a praticar fato indicativo de persistência de sua periculosidade.

§4º Durante o período de prova, aplica-se o disposto no art. 92.

Agente inimputável por alienação mental que oferece perigo à incolumidade alheia em razão de suas condições pessoais e do fato praticado. Nesse ponto, o Código Penal Militar segue o sistema vicariante, que significa que em lugar de pena aplica-se medida de segurança. Esse sistema não permite a cumulação de pena e medida de segurança no caso do inimputável. Por conta da sua incapacidade de entendimento e determinação ele não merece reprovação. Por isso não se impõe a pena. Em lugar de pena, como ele apresenta periculosidade, há necessidade de intervenção estatal.

Não há nenhuma dúvida, pois é entendimento consolidado nos Tribunais Superiores, de que a

medida de segurança é espécie do gênero sanção penal. Isso vale para a esfera militar e para a esfera

comum. Não é pena por não ter viés de reprovação, de retribuição. Mas tem viés de prevenção especial. A pessoa apresenta periculosidade, uma vez que praticou fato típico e ilícito, atingindo o bem jurídico de

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Porém, praticou um fato típico e ilícito, caracterizador de sua periculosidade. Como essa pessoa padece de uma enfermidade, de uma perturbação, de uma doença mental, de desenvolvimento mental incompleto ou retardado, precisa de tratamento e não de reprovação, de castigo.

No viés de prevenção especial negativa, a internação cumpre o papel de neutralizar aquele que apresenta periculosidade. Há segregação, afastamento da pessoa do contato com outras, de modo a preservar a incolumidade das pessoas, os bens jurídicos alheios.

Pela lógica, a internação segrega. É uma medida de segurança detentiva, que segrega, neutraliza aquele que apresenta periculosidade. Ao mesmo tempo tem de haver uma prevenção especial positiva, que é o tratamento do doente. O doente precisa ser tratado. Existem doenças que não têm reversão: doenças mentais degenerativas, incuráveis etc. O objetivo da medida de segurança é dar um apoio terapêutico, uma ajuda terapêutica também – prevenção especial positiva. Esta buscará, se possível, a cura. Se não, pelo menos o controle da enfermidade.

Medida de segurança não se confunde com pena.

O Código Penal Militar não prevê tratamento ambulatorial. Não há na lei militar. Esta só prevê internação. O que pode ser afirmado quanto a isso? Cabe aplicação de tratamento ambulatorial na esfera militar, por analogia ao Código Penal Comum? Sim. Não apenas por analogia ao Código Penal Comum, mas também por conta da reforma psiquiátrica de 2001. Esse tema é atualíssimo. O STJ tem decisão de 2016 tratando disto, da proposta da reforma psiquiátrica, que é a desinternação. Deve-se evitar a internação.

Em uma visão mais moderna e em analogia in bonam partem, é possível evitar-se a internação utilizando-se o tratamento ambulatorial, um acompanhamento, um auxílio. Uma fiscalização deve ser feita, pois é uma medida de segurança, voltada ao acompanhamento do tratamento ambulatorial, evitando-se internação. A proposta da reforma psiquiátrica de 2001 é evitar a internação. Quem apresenta doença mental deve fazer tratamento, evitando-se, sempre que possível, a internação.

Lei nº 10216/01 - Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos

mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. – Lei da reforma psiquiátrica.

Art. 4º A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes.

§1º O tratamento visará, como finalidade permanente, a reinserção social do paciente em seu meio. §2º O tratamento em regime de internação será estruturado de forma a oferecer assistência integral à pessoa portadora de transtornos mentais, incluindo serviços médicos, de assistência social, psicológicos, ocupacionais, de lazer, e outros.

§3º É vedada a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares, ou seja, aquelas desprovidas dos recursos mencionados no §2º e que não assegurem aos pacientes os direitos enumerados no parágrafo único do art. 2º.

Art. 6º A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico circunstanciado que caracterize os seus motivos.

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II - internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do usuário e a pedido de terceiro; e III - internação compulsória: aquela determinada pela Justiça.

A lei trata da lógica de que não deve ser feita internação como regra, que esta deve ser evitada, sendo o último caso. Assim, o Direito Penal Militar pode e deve ser atualizado à luz da visão, da proposta da reforma psiquiátrica.

Existem casos, e a lei não nega isso, mais extremos, em que o sujeito apresenta uma agressividade maior por conta da doença, do nível de patologia, sendo a segregação, em último caso, uma realidade necessária. Se possível evita-se a internação. Com essa lógica da reforma psiquiátrica e a omissão do legislador em prever o tratamento ambulatorial, é razoável aplicar-se o tratamento ambulatorial do Código Penal Comum, desde que a medida seja mais benéfica ao sujeito, seja menos severa, menos gravosa.

Qual o limite da medida de segurança?

O Código Penal Militar é semelhante ao Código Penal Comum nesse ponto. Estabelece um limite mínimo de 1 a 3 anos para internação, semelhante ao Código Penal Comum. Não estabelece um limite máximo, um prazo máximo.

Há 2 opiniões quanto ao tema:

1. o Supremo Tribunal Federal afirma que o máximo da medida de segurança é de 30 anos, pois esse é o limite do encarceramento, à luz do art. 75 do Código Penal Comum.

CP, art. 75 - Limite das penas

O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 30 (trinta) anos. §1º - Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a 30 (trinta) anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste artigo.

§2º - Sobrevindo condenação por fato posterior ao início do cumprimento da pena, far-se-á nova unificação, desprezando-se, para esse fim, o período de pena já cumprido.

O Supremo tem afirmado que o limite do encarceramento no concurso de crimes é de 30 anos. Curiosamente, existe um limite de encarceramento na esfera militar. Se a pena é de detenção, é de 15 anos o limite de encarceramento no caso de concurso de crimes. Se a pena é de reclusão, o limite de encarceramento é de 30 anos. Nesse ponto o Código Penal Militar é mais avançado do que o Código Penal Comum, que coloca 30 anos para todas as unificações. O Código Penal Militar, para a unificação de detenção prevê 15 anos como limite de encarceramento, e para a de reclusão, 30 anos de encarceramento.

O Supremo Tribunal Federal entende que como o limite de encarceramento é de 30 anos, este limite também tem de ser respeitado para a medida de segurança. Só que o Supremo, falando dos 30 anos, na opinião do professor, está equivocado.

O art. 75 do Código Penal Comum diz respeito ao limite de encarceramento na unificação da pena. O Supremo está equivocado. O critério utilizado, de 30 anos, é o limite de encarceramento no concurso de crimes. Se o sujeito é condenado a 180 anos, fica encarcerado 30, que é o limite da pena para o

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concurso de crimes, o limite do encarceramento, por conta da vedação de penas de caráter perpétuo. O sujeito pode pegar 1000 anos, vai cumprir 30 anos de encarceramento contínuo.

2. O STJ diz que o limite da medida de segurança é a pena máxima abstratamente cominada

ao fato.

Ex: crime de homicídio qualificado. 30 anos a pena máxima. O limite da medida de segurança será de 30 anos.

O STJ recentemente disse que pouco importa se a pena é de reclusão ou de detenção. O critério da medida de segurança não é o tipo de pena, mas a gravidade do fato em si e a periculosidade do agente. O STJ agiu certo, tendo súmula quanto ao tema.

STJ, S. 527 - O tempo de duração da medida de segurança não deve ultrapassar o limite máximo da pena abstratamente cominada ao delito praticado.

Na medida de segurança, o prazo máximo de internação, a medida mais drástica, é o máximo da pena abstratamente cominada. Esse raciocínio pode ser aplicado na esfera militar tranquilamente. É razoável a aplicação dessa ponderação do STJ.

Se o agente pega uma medida de segurança por um fato punido por pena de reclusão de até 8 anos, o limite da medida de segurança não pode passar de 8 anos. Se ele fosse condenado pelo crime, o limite seria este, 8 anos. Por que com a medida de segurança tem de ser suportada uma situação muito pior do que a que suportaria se fosse condenado? Essa consideração deve ser feita. É caso de proporcionalidade. Na opinião do professor, é correto o entendimento do STJ. Este é mais proporcional do que o Supremo quanto ao limite da medida de segurança.

CPM, art. 113 - Substituição da pena por internação

Quando o condenado se enquadra no parágrafo único do art. 48 e necessita de especial tratamento curativo, a pena privativa de liberdade pode ser substituída pela internação em estabelecimento psiquiátrico anexo ao manicômio judiciário ou ao estabelecimento penal, ou em seção especial de um ou de outro.

Superveniência de cura

§1º Sobrevindo a cura, pode o internado ser transferido para o estabelecimento penal, não ficando excluído o seu direito a livramento condicional.

Persistência do estado mórbido

§ 2º Se, ao término do prazo, persistir o mórbido estado psíquico do internado, condicionante de periculosidade atual, a internação passa a ser por tempo indeterminado, aplicando-se o disposto nos §§ 1º a 4º do artigo anterior.

Ébrios habituais ou toxicômanos

§3º À idêntica internação para fim curativo, sob as mesmas normas, ficam sujeitos os condenados reconhecidos como ébrios habituais ou toxicômanos.

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Esse art. trata da substituição da pena para o semi-imputável. O raciocínio será o mesmo, mas o limite da medida de segurança é o da pena substituída. Isso tem respaldo também na jurisprudência do STJ.

Ex: o sujeito foi condenado a 3 anos e a pena foi substituída por medida de segurança porque o juiz percebeu a necessidade de especial tratamento curativo. Na esfera militar o art. 113 fala da internação no caso de semi-imputabilidade. A internação é no estabelecimento psiquiátrico anexo ao manicômio judiciário ou ao estabelecimento penal. Não é dividido o mesmo espaço. O semi-imputável e o inimputável não podem estar no mesmo cenário. A pena é substituída por medida de segurança por prevalecer a necessidade de tratamento. Nesse caso, de substituição, o limite da medida de segurança de internação é a pena aplicada na sentença, a que foi substituída. Nesse ponto o Código Penal Militar é vicariante, não permitindo cumulação de medida de segurança de internação com pena, e nem a sucessão de pena e medida de segurança. É vicariante. Segue a mesma lógica do Código Penal Comum.

Nesse ponto, devem-se aplicar os avanços recentes desde a reforma psiquiátrica, que vêm sendo assimilados na jurisprudência dos Tribunais Superiores, mesmo que devagar. Há uma modernização do sistema no tocante à inimputabilidade.

Não há previsão de tratamento ambulatorial no Código Penal Militar. Mas podemos usá-lo

fazendo analogia in bonam partem para beneficiar o sujeito, pois a medida é menos drástica, menos gravosa.

Referências

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