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Processo nº 1140732008-4 Acórdão nº 065/2012

Recorrente : LAGOA PARK HOTEL LTDA.

Recorrida : GERÊNCIA EXEC. DE JULGAMENTO DE PROCESSOS FISCAIS. Preparadora : RECEBEDORIA DE RENDAS DE JOÃO PESSOA.

Autuante : PAULO GERMANO TEIXEIRA DE CARVALHO.

Relatora : CONSª. GIANNI CUNHA DA SILVEIRA CAVALCANTE.

RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. DIVERGÊNCIA ENTRE AS VENDAS REALIZADAS ATRAVÉS DOS CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO E AS DECLARADAS PELO CONTRIBUINTE. EXCLUSÃO DAS RECEITAS DE SERVIÇOS SUJEITOS AO ISS. RETIFICAÇÃO DO

LEVANTAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO IMPROCEDENTE.

REFORMADA A DECISÃO SINGULAR.

Mediante a comprovação da existência de receitas de serviços de hotelaria com fornecimento apenas de café da manhã, em determinado período, o procedimento de confronto entre os valores lançados nas GIM’s e aqueles informados pelas operadoras de cartão de crédito ficou comprometido, o que resultou na queda do procedimento.

Vistos, relatados e discutidos os autos deste Processo, etc...

A C O R D A M os membros deste Conselho de Recursos Fiscais, a unanimidade, e de acordo com o voto da relatora, pelo recebimento do RECURSO VOLUNTÁRIO, por regular e tempestivo, e quanto ao mérito, pelo seu PROVIMENTO, para julgar IMPROCEDENTE o Auto de Infração de Estabelecimento n.º 93300008.09.00001327/2008-00, lavrado em 22 de dezembro de 2008, contra LAGOA PARK HOTEL LTDA, inscrita no CCICMS sob nº 16.093.711-6, devidamente qualificada nos autos, eximindo-a de quaisquer Ônus decorrentes desta ação fiscal.

Desobrigado do Recurso Hierárquico, na expressão do artigo 730, § 1°, inciso II, do RICMS, aprovado pelo Decreto nº 18.930/97.

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Sala das Sessões do Conselho de Recursos Fiscais 02 março 2012.

_________________________________________________________________ GIANNI CUNHA DA SILVEIRA CAVALCANTE – CONSª. RELATORA

RELATÓRIO

Analisa-se neste Colegiado o RECURSO VOLUNTÁRIO, interposto nos termos da Lei nº 6.379/96, contra decisão singular que declarou procedente o Auto de Infração de Estabelecimento nº 93300008.09.00001327/2008-00, datado de 22/12/2008, com ciência via AR em 15/01/2009, fl. 09, no qual consta a seguinte denúncia:

Omissão de saída de mercadorias tributáveis sem o pagamento do imposto devido por ter declarado suas vendas tributáveis em valores inferiores às informações fornecidas por instituições financeiras e administradoras de cartões de crédito e débito no período de janeiro a setembro de 2007, resultando na falta de recolhimento de ICMS no valor total de R$ 4.463,80, por infração aos artigos 158, I, 160, I e 646, parágrafo único do RICMS/PB, com multa proposta de R$ 8.927,60, nos termos do art. 82, V, “a”, da Lei nº 6.379/96.

Na peça defensual apresentada tempestivamente, por meio do procurador habilitado nos autos, a autuada alega essencialmente que as receitas informadas pelas empresas de cartão de crédito referem-se a prestações de referem-serviço de hotelaria e que referem-se encontra com a atividade de comércio de alimentos paralisada desde o dia 11 de janeiro de 2007, o que tornaria o auto de infração nulo.

Em contestação, o auditor fiscal mantém o feito fiscal já que nada foi comprovado pelo contribuinte.

Remetidos os autos ao órgão de julgamento de primeira instância, a respectiva auditoria processual devolveu o processo para que fossem anexados os demonstrativos da acusação na forma orientada pela GOFE, fls. 20.

Saneado o processo, o mesmo foi distribuído à julgadora GILVIA DANTAS MACEDO, que declinou o seu julgamento pela procedência do feito diante da ausência das provas alegadas pela defendente.

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Recorrendo da decisão, o contribuinte alega que seu faturamento apurado no cartão de crédito diz respeito exclusivamente ao fornecimento de serviço de hotelaria com fornecimento de café da manhã, conforme registrado no Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados, fls. 68 a 90, o qual não está ao abrigo da incidência do ICMS, e sim, do ISS, razão por que requer a improcedência do auto de infração.

Pronunciando-se sobre a decisão singular, o autuante, em comentário às provas acostadas pela recorrente, afirma que em verdade os valores aduzidos pelas administradoras de cartão de crédito e de débito referem-se ao pagamento de serviços de hotelaria, concluindo que as operações foram realizadas dentro, exclusivamente, do campo da incidência do ISSQN.

Ao final, opina pela nulidade da ação fiscal.

Remetidos os autos a esta Corte, foram os mesmos, a mim, distribuídos, por critério de sorteio, para apreciação e julgamento.

Eis o Relatório.

VOTO

A presente contenda motivou-se pela constatação de omissão de saída de mercadorias tributáveis sem o pagamento do imposto em virtude de divergências entre as vendas realizadas através dos cartões de crédito e débito e as registradas no equipamento emissor de cupom fiscal – ECF nos meses de janeiro a setembro de 2007.

A exigência fiscal fundamenta-se na acusação de omissão de vendas em razão da inconsistência entre as informações prestadas pelas operadoras de cartão de crédito e débito e as saídas extraídas das Leituras Z dos ECFs em utilização no estabelecimento da autuada, onde os extratos emitidos pelas administradoras de cartão de crédito informavam diferença de vendas a maior no valor de R$ 26.257,59, no período fiscalizado.

Ab initio, faz-se mister ressaltar a validade do método empregado pela autoridade fiscal, uma vez que as vendas informadas pelas operadoras de cartão de crédito e débito devem corresponder exatamente às informações contidas nas leituras Z, no que se refere ao valor das vendas pagas através de cartão de crédito/débito, sob pena de a diferença encontrada no cruzamento dessas informações autorizar a cobrança sob a acusação de vendas de mercadorias sem nota fiscal.

Tal método de aferição tem por objetivo alcançar aquelas operações de venda que foram realizadas por meio de cartão de crédito ou débito cujas mercadorias não foram faturadas. O fato típico infringente é venda de mercadorias sem emissão de notas fiscais de saída.

Ao inserir em nossa legislação a presunção legal de omissão de vendas, conforme redação abaixo transcrita, através do art. 646, do RICMS/PB, que teve sua vigência a partir de 13 de junho de 2007, com a publicação do Dec. nº 28.259, de 13/06/2007, o legislador buscou facilitar a demonstração do

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fato denunciado onde a comprovação de sua ocorrência far-se-ia de forma indireta, prevenindo, com isso, a impraticabilidade de sua comprovação de forma direta. Assim, o legislador visou suprir dificuldades ou impossibilidades de comprovação direta da ocorrência dos fatos jurídicos tributários, invertendo o ônus da prova da improcedência para o contribuinte, sem, contudo, comprometer a segurança jurídica, a ampla defesa e o devido processo legal.

“Art. 646. O fato de a escrituração indicar insuficiência de caixa, suprimentos a caixa não comprovados ou a manutenção no passivo, de obrigações já pagas ou inexistentes, bem como a ocorrência de entrada de mercadorias não contabilizadas ou de declarações de vendas pelo contribuinte em valores inferiores às informações fornecidas por instituições financeiras e administradoras de cartões de crédito, autorizam a presunção de omissão de saídas de mercadorias tributáveis sem pagamento do imposto, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção.”

A alegação da reclamante incide essencialmente no fato de que não foram consideradas, no levantamento, as receitas de serviços de hotelaria, única atividade exercida desde janeiro de 2007. As provas respectivas foram trazidas somente em sede de segunda instância por meio do Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados.

Diante da comprovação do alegado pela reclamante, a fiscalização reconheceu o equívoco, opinando, inclusive pela nulidade da ação fiscal.

Assim, diante da evidência de que a reclamante forneceu, desde janeiro de 2007, os serviços de hotelaria com fornecimento unicamente de café da manhã - sujeitos exclusivamente ao ISSQN, como comprovado no Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados, fls. 68/92, e com o que concordou o autuante, não enxergo razão para manutenção do feito fiscal.

Com esses fundamentos,

VOTO pelo recebimento do Recurso Voluntário, por regular e tempestivo, e quanto ao mérito, pelo seu PROVIMENTO, para julgar IMPROCEDENTE o Auto de Infração de Estabelecimento n.º 93300008.09.00001327/2008-00, lavrado em 22 de dezembro de 2008, contra LAGOA PARK HOTEL LTDA, inscrita no CCICMS sob nº 16.093.711-6, devidamente qualificada nos autos, eximindo-a de quaisquer Ônus decorrentes desta ação fiscal.

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GIANNI CUNHA DA SILVEIRA CAVALCANTE Conselheira Relatora

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