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1º Simpósio Brasileiro Cidades + Resilientes

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Academic year: 2021

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1º Simpósio Brasileiro Cidades + Resilientes

28 a 30 de outubro de 2020

Trabalho Inscrito na Categoria de Resumo Expandido 978-65-86753-09-7

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EIXO TEMÁTICO:

( ) Tópico Especial: A Cidade e o Isolamento Social ( X ) Cidades Inovadoras

( ) Mobilidade Urbana Sustentável

( ) Geotecnologias e Investigação Geotécnica das Cidades ( ) Gestão e Tecnologias Aplicadas aos Sistemas de Saneamento

A Importância do Instrumento Jurídico de Zona Especial de Interesse Social e das

habitações de Interesse Social para a Concretização da Função Social da Propriedade

Privada Urbana: uma análise a partir da ocupação do Parque Oziel na cidade de

Campinas.

The Importance of Legal Instruments of a Special Social Interest Area and Social Interest Housing for the Realization of the Social Function of Urban Private Property: An Analysis from

the Occupation of Parque Oziel in the city of Campinas. La importancia de los instrumentos legales de Zonas

Especial de Interés Social y de Alojamiento de Interés Social para la Realización de la Función Social de la Propiedad Urbana Privada: Un Análisis desde la Ocupación del Parque Oziel en la

ciudad de Campinas.

Caio Mendonça Lari Nóbrega

Graduando, PUC-Campinas, Brasil.

[email protected]

Claudio José Franzolin

Professor Doutor, PUC-Campinas, Brasil

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Trabalho Inscrito na Categoria de Resumo Expandido 978-65-86753-09-7

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I. INTRODUÇÃO

A propriedade privada, sob a perspectiva da titularidade e dos direitos incidentes sobre ela, assimila novas funções e passa a ser reconhecida como um direito fundamental. Significa que ela se revela como um direito para, não mais, para interesses individuais, mas, para promoção dos direitos fundamentais, ou seja, uma perspectiva extrapatrimonial, para efetivar, por exemplo, direito à saúde, à liberdade 1. Isto é, se num primeiro momento a propriedade era

associada a outros fundamentos – divinos, por exemplo - a partir do século XVIII, ela ganhou inspiração liberal2.

Sob a perspectiva libera, se a propriedade privada era expressão máxima da titularidade de um direito, enquanto poder do titular sobre a coisa para atender seus interesses privatístico e de forma ilimitada, o que ocorreu é que, com a ascensão do Estado Social, este se fortalece e passa a promover uma maior intervenção nos variados conflitos interprivados, a ponto de revelar de forma mais intensa, as contradições entre a igualdade política e formal e a desigualdade social3.

Porém, na atualidade, o que se pontua é o Estado Constitucional, “caracterizado pela passagem da Constituição para o centro do sistema jurídico”4 ou seja, significa afirmar que a Constituição

“desfruta não apenas uma supremacia formal que sempre teve, mas também de uma supremacia material axiológica”5. Quer dizer que essa constitucionalização revela novos

contornos, pois, colocado os valores constitucionais no eixo central da interpretação jurídica, desenvolve, aponta Barroso6, uma nova hermenêutica: i. normatividade dos princípios; ii.

abertura do sistema; iii. fortalecimento da teoria da argumentação o que refina o debate jurídico com mais sensibilidade. Ou seja, o Estado não mais conduz, apenas, políticas públicas, mas, também potencializa debates e promove direitos fundamentais7.

É nesse contexto que é preciso compreender o estudo da propriedade privada e os instrumentos jurídicos urbanísticos. Ou seja, estudar ditos instrumentos demandam novos parâmetros hermenêuticos de maneira que sociedade, mercado e sociedade articulem posturas mais cooperativas para: i. limitação da propriedade privada a partir novos deveres ao titular da propriedade privada; ii. a funcionalização da propriedade privada. Detendo-se sob a perspectiva funcional, basta analisar os arts. 182, 185, além dos artigos 183, 186 e 191 (sobre imóvel rural), bem como art. 5º, XXVI, todos da Constituição Federal (CF/88); ainda, há a propriedade privada urbana e sua função social, com os fundamentos constitucionais, em especial, a dignidade da pessoa humana e livre inciativa, e, em especial, os seguintes objetivos expressamente

1Conforme John Locke em seu Segundo Tratado Sobre o Governo Civil LOCKE, John. Segundo Tratado sobre o

Governo Civil. Trad. Alex Martins, São Paulo: Martin Claret,2006, p.90 .

2 LOUREIRO, Francisco Eduardo. A propriedade como relação jurídica complexa. Rio de Janeiro, 2003, p. 9. Ademais, Ressalte-se, apenas que, mesmo Locke, árduo defensor da soberania da propriedade privada, no texto supracitado não argumentava em favor de um uso indiscriminado da propriedade privada, apontando sempre o valor da produção nas terras em que se é dono. (LOCKE, John. Segundo Tratado sobre o Governo Civil. Ob cit. p.94)

3 Conforme BONAVIDES, Paulo. Do Estado liberal ao Estado social. 9ª ed. São Paulo: Malheiros, 2009, p. 62. 4 BARROSO, Luis Roberto. Curso de direito constitucional: os conceitos fundamentais e a construção do novo modelo.

9ª ed. São Paulo, Saraiva, 2020, p.99.

5 BARROSO, Luis Roberto. Curso de direito constitucional. Ob. cit. p. 99. 6 BARROSO, Luis Roberto. Curso de direito constitucional. Ob. cit. p. 99. 7 BARROSO, Luis Roberto. Curso de direito constitucional. Ob. cit. p. 100.

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constantes da Carta Magna, quais sejam, construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional e erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais (art. 3, I, II e III, da CF/88); ainda, a propriedade urbana deve estar articulada como direitos sociais, como direito à moradia, ao transporte, ao lazer (art. 6º, da CF/88); há também, a importância da União para instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e transportes urbanos (arr. 20, XX, da CF/88).

A parir disso, apresenta-se como foco nesse trabalho a necessidade de se articular a função social da propriedade urbana a necessidade de se efetivar o direito à moradia. Obviamente, que há instrumentos urbanísticos, como a concessão de uso (art. 183, §1º,CF/88; art.4º, IV, h, da L. 10.257/2001, EC); ainda, há a L. 11.977/2009 (PMCMV). De forma especial, a L.11.977, trouxe a regularização fundiária (art. 46), os assentamentos irregulares (art. 47, VI), regularização fundiária de Interesse social (art 47, VII). Nesse cenário, apresenta-se um embate entre o déficit habitacional e a importância de efetivar instrumentos jurídicos urbanísticos direcionados ao aproveitamento social do espaço público em vista da propriedade privada.

Sob a perspectiva dos instrumentos espaços urbanos, surgiram em meados dos 80, na cidade de Recife, as chamadas Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) que são áreas urbanas destinadas preponderantemente à população mais pobre e, no sentido jurídico, instituídas mediante plano diretor ou outra lei municipal8.A proposta em questão foi incorporada ao Estatuto da Cidade no ano de 2001 (art. 4º,V,f); e definida, em âmbito federal, por meio da Lei 11.977/2009, e reiterada na mais recente Lei 13.465/2017. Um dos objetivos principais da ZEIS, assim como aponta a Secretaria de Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, é a promoção de habitações de interesse social9. Essas áreas funcionariam como aportes estatais para o abrigo e

habitação de pessoas de baixa renda, evitando processos como o de gentrificação e periferização.

Nesse contexto surge no ano de 1997, uma mobilização popular, liderada por Gentil Ribeiro (“Paraíba”), para a ocupação de uma área de cerca de 1.500.000 m² no atual Parque Oziel da cidade de Campinas, São Paulo. O motivo de tal movimentação foi a situação de desemprego e consequente perda de possibilidade de pagamento de alugueis dentro da área urbana campineira. Além disso, a morte de cerca de 20 trabalhadores rurais na cidade de Eldorado dos Carajás (PA) por conta de conflitos com a polícia numa operação de reintegração de posse, foi um fator determinante para acentuar a ocupação da área, instalando-se famílias o que, na região de Campinas, depois, foi denominada como Parque Oziel 10.

Em síntese, é possível sustentar que o papel das Zonas Especiais de Interesse Social se revela como um instrumento político-jurídico para concretizar o disposto constitucional de função social da propriedade urbana. Destaque-se nesse sentido, a situação do denominado parque

8 Lei 13.465, art. 18,§1º, de 2017

9 MAGALHÃES, Inês. Como delimitar e Regulamentar Zonas Especiais de Interesse Social. Secretaria Nacional de

Habitação, Brasília, 2009.

10 Site do Parque Oziel: História. Disponível em

<https://parqueoziel.wordpress.com/historia/#:~:text=O%20in%C3%ADcio%20oficial%20da%20ocupa%C3%A7%C3 %A3o,o%20fisco%20h%C3%A1%20muitos%20anos.> Acesso em 30 de agosto de 2020.

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Oziel, na cidade de Campinas, a relevância de se atribuir algum tipo de tratamento digno e humano às situações existenciais de pessoas sem moradia dispersas pela cidade de Campinas e outras metrópoles paulistas.

II. Objetivos

II.I. Objetivo Geral

a. Apresentar a relevância das Zonas Especiais de Interesse Social, juntamente com as Habitações de Interesse Social, na ideia contemporânea de cidade.

b. Delimitar conceitualmente a função social da propriedade. II.II. Objetivo Específico

a. Delimitar direito à propriedade privada Urbana sob a perspectiva do Estatuto da Cidade. b. Apresentar e descrever, apenas, sob a perspectiva da moradia, o Parque Oziel em

Campinas como a participação popular se articula para a realização do direito à moradia c. Apresentar conceito de cidades inteligentes e a importância dela ser mais inclusiva.

III. Metodologia

O método utilizado será o dedutivo. A partir de então, busca-se compreender o conceito moderno de propriedade privada urbana à luz dos dispostos constitucionais de função social (vagueza semântica) Ao mesmo tempo, faz-se mister a correlação entre os dispostos acima mencionados, e a implementação desses por meio das Zonas Especiais de Interesse Social. Tal conteúdo poderá servir de subsídio para a compreensão e efetivação de cidades Inteligentes, a fim de criar espaços urbanos de caráter menos segregacionistas e mais atentos ao convívio interno socialmente inclusivo e comunitariamente saudável.

IV. Resultados Esperados

Apresentado o conceito de função social de propriedade urbana, e compreendido o instrumento jurídico urbanístico, revela como há mecanismos os quais podem contribuir para que as cidades sejam mais inclusivas e também mais aparelhadas para que ela seja mais sensível à promoção dos valores da pessoa humana. O resultado principal é apresentar a necessidade cada vez mais cooperativa e compartilhada entre poder público, sociedade e iniciativa privada, estejam mais alinhavadas para que o direito de moradia se efetive, mas que ainda, prescide de desafios. Apresentamos como exemplo o Parque Oziel, a partir de dados e informações colhidos sob uma perspectiva abstrata, coletadas no site.

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Faz-se mister igualmente, o escrutínio dos elementos normativos municipais para a promoção, não só do direito à moradia, mas da efetivação dos preceitos constitucionais de dignidade da pessoa humana (art. 1º,III,CF/88), principalmente, o direito ao patrimônio mínimo existencial, onde moradia não é apenas, um bem imóvel, é a efetivação de vários outros direitos: direito ao domicílio, direito de conviver com a vizinhança, direito à cidade, direito à moradia, direito ao recato, direito de ser identificado por meio de um endereço individualizado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARROSO, Luis Roberto. Curso de direito constitucional. 9ª ed. São Paulo, Saraiva, 2020.

BRASIL. Lei 13.465, de 11 de julho de 2017. Dispõe sobre a regularização fundiária rural e urbana. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm . Acesso em 15 de ago de 2020.

BRASILIA. Como delimitar e Regulamentar Zonas Especiais de Interesse Social. Secretaria Nacional de Habitação, 2009. Disponível em http://planodiretor.mprs.mp.br/arquivos/vazios.pdf . Acesso em 15 de ago. 2020.

BONAVIDES, Paulo. Do Estado liberal ao Estado social. 9ª ed. São Paulo: Malheiros, 2009. LOCKE, John. Segundo Tratado sobre o Governo Civil, São Paulo: Martin Claret,2006.

LOUREIRO, Francisco Eduardo. A propriedade como relação jurídica complexa. Rio de Janeiro, 2003. MAGALHÃES, Inês. Como delimitar e Regulamentar Zonas Especiais de Interesse Social. Secretaria Nacional de Habitação, Brasília, 2009.

PARQUE OZIEL. Parque Oziel wordpress. A História de uma Ocupação. Disponível em <https://parqueoziel.wordpress.com/historia/> Acesso em 30 de agosto de 2020.

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