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Sao Paulo Med. J. vol.123 suppl.spe

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Academic year: 2018

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INTRODUÇÃO

A espondilite anquilosante (EA) é um processo inflamató-rio que causa diminuição da mobilidade da coluna vertebral. A extrema deformidade da coluna vertebral, em especial no pescoço, pode tornar muito difícil a intubação da traquéia e a ventilação do paciente.

RELATO DO CASO

Paciente do sexo masculino, 47 anos, IHCC 32, P2 (antigo ASA II), Goldman I, consciente, orientado. Dados vitais: pressão arterial 108/75 mmHg, freqüência cardíaca em 76 bpm, freqü-ência respiratória de 18 ipm, temperatura de 36,5°C. Apresenta comprometimento ósseo importante de quadril, “coluna em bambu” com fraturas nos níveis da décima primeira e décima segunda vértebras torácicas, anquilose em quinta vértebra lom-bar e primeira sacral. Avaliação de vias aéreas: fixação cervical em flexão, pescoço curto, boca pequena com abertura menor de 3 cm, próteses dentárias fixas em incisivos superiores, teste de Mallampati Classe II, distância tireomentoniana menor de 6 cm. Tabagista. Exames complementares hematológicos dentro da normalidade. Eletrocardiograma apresentando ritmo sinusal com distúrbio da condução do ramo direito e alteração da repolarização ventricular. Ecocardiograma com diminuição do relaxamento de ventrículo esquerdo. Foi explicado ao paciente na visita pré-operatória os eventos que ocorreriam, incluindo a realização de intubação nasotraqueal com ele consciente. Na sala de operações, o paciente foi posicionado e mantido o mais confortável possível com o auxílio de coxins. Procedeu-se a monitorização não-invasiva e a pré-oxigenação por meio de máscara facial. Foi instalado um cateter de teflon 16 G em acesso venoso periférico e iniciada a infusão contínua (com auxílio de bomba infusora Baxter) de remifentanil de 0,1 mcg/kg/min. Foi obtida a anestesia tópica borrifando-se lidocaína 10% na língua, orofaringe e faringe, e utilizando-se lidocaína gel 2% nas fossas nasais. Após 10 minutos, iniciaram-se as manobras de compressão laríngea externa, a introdução do tubo traqueal de

polivinil Portex 8,5, previamente amolecido ao ter sido mergu-lhado em cuba-rim com soro fisiológico aquecido, direcionado por guia Macintosh-Venn-Escchmann em narina esquerda. Na primeira tentativa, foi percebido ruído respiratório no tubo e o guia foi retirado; foi dada continuidade à anestesia geral balanceada. A estabilidade cardiovascular foi mantida durante todo o procedimento. Após o término da artroplastia de quadril, realizada com sucesso, o paciente foi extubado, encaminhado à sala de recuperação estável e, posterirmente, ao leito hospitalar, confortável e sem dor.

DISCUSSÃO

Em pacientes acometidos de EA, pode ocorrer a impossi-bilidade de intubação, e mesmo da ventilação, em virtude da fusão ou deformidade da coluna cervical. Fraturas da coluna podem acontecer durante a manipulação da via aérea. Muitos pacientes podem ter alterações no sistema cardiovascular, como cardiomiopatias e defeitos da condução, facilitando a presen-ça de arritmias. No presente caso, o bom resultado deveu-se fundamentalmente ao preparo prévio adequado do paciente, ao conforto e à analgesia. O uso da técnica correta e do ma-terial apropriado e a disponibilidade de outros instrumentos, como máscara laríngea, laringoscópio Bullard e material para cricotireoidostomia, facilitaram e permitiram tranqüilidade na realização da intubação nasal às cegas.

REFERÊNCIAS

1. Roizen MF, Fleisher LA. Essence of anesthesia practice. 1st ed. Philadelphia: WB Saunders; 1997.p.144.

2. Pao-Ping L, et al. The intubating mask airway in severe ankylosing spondylitis. Can J Anesth. 2001;48:1015-19.

3. Melhado V, Fortuna. Via aérea difícil. In: Curso de educação à distância. IV. SBA. São Paulo. Office, 2004.

Endereço para correspondência:

Rosane do R. Charello

Rua Jeremias Maciel Perreto, 300 – Campo Comprido Curitiba (PR) – CEP 81210-310

Maria Célia B. F. de MeIo

Rosane do R. Charello

Intubação traqueal

em paciente acometido

de espondilite anquilosante

Instituto de Neurologia de Curitiba, Hospital Ecoville, Curitiba, Paraná

Sao Paulo Med J. 2005;123(Suppl):42.

Referências

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