• Nenhum resultado encontrado

Modelos de previsão de insolvência

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2022

Share "Modelos de previsão de insolvência"

Copied!
121
0
0

Texto

(1)

Universidade de Brasília

Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade Departamento de Administração

MARCOS CESAR BARBOSA RIBEIRO

MODELOS DE PREVISÃO DE INSOLVÊNCIA

Brasília – DF 2011

(2)

MARCOS CESAR BARBOSA RIBEIRO

MODELOS DE PREVISÃO DE INSOLVÊNCIA

Monografia apresentada ao Departamento de Administração como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Administração.

Professor Orientador: Prof. Dr. José Carneiro da Cunha Oliveira Neto

Brasília – DF 2011

(3)

Ribeiro, Marcos Cesar Barbosa.

Modelos de Previsão de Insolvência / Marcos Cesar Barbosa Ribeiro. – Brasília, 2011.

121 f.: il.

Monografia (Bacharelado) – Universidade de Brasília, Departamento de Administração, 2011.

Orientador: Prof. Dr. José Carneiro da Cunha Oliveira Neto, Departamento de Administração.

1. Modelos de Previsão de Insolvência. 2. Falência. 3. Lei de Recuperação de Empresas. 4. LRE. 5. Análise Discriminante. I.

Título.

(4)

MODELOS DE PREVISÃO DE INSOLVÊNCIA

A Comissão Examinadora, abaixo identificada, aprova o Trabalho de Conclusão do Curso de Administração da Universidade de Brasília do

aluno

Marcos Cesar Barbosa Ribeiro

Prof. Dr. José Carneiro da Cunha Oliveira Neto Professor-Orientador

Mestre André Luiz Marques Serrano Professor-Examinador

Brasília, 13 de julho de 2011

(5)

“A riqueza de uma nação se mede pela riqueza de seu povo, e não pela riqueza de seus príncipes”

Adam Smith

(6)

AGRADECIMENTOS

Ao orientador deste trabalho de conclusão de curso, Prof. Dr. José Carneiro da Cunha Oliveira Neto, pelo auxílio para o bom andamento do trabalho.

Aos meus avós, por todos os ensinamentos de vida que me fizeram e ainda fazem crescer, diariamente.

Aos meus pais, por serem responsáveis por quase tudo que eu me tornei, por me mostrarem o significado de honestidade, justiça e dignidade.

À minha irmã, por mostrar o que é acreditar em um sonho;

Ao meu irmão e à Carol, por me convencerem a entrar no curso de Administração e me mostrarem o comprometimento com ele e com o trabalho;

À Lelê, por tantas coisas, que poderiam preencher um livro maior do que este, mas, principalmente, por ser tudo que preciso para ser feliz;

Aos meus amigos de colégio, por todas as risadas, viagens e momentos inesquecíveis por que passamos.

(7)

RESUMO

O atual ambiente econômico mundial exige das empresas uma capacidade adaptativa elevada. Nesse contexto, a necessidade de capital de terceiros também aumenta. Desta forma, as entidades credoras necessitam de informações confiáveis quanto à saúde financeira das organizações para tomar suas decisões na hora de conceder crédito. Esta é uma das utilidades dos modelos de previsão de insolvência.

Visando preencher esta lacuna, o presente estudo testou a confiabilidade de alguns dos modelos de previsão de insolvência mais presentes na literatura. Foram consideradas empresas que entraram em falência ou recuperação judicial entre os anos de 2004 e 2011, além de empresas consideradas solventes para formar um grupo de controle. Com base nos indicadores financeiros, foram aplicados cinco modelos de previsão de insolvência para testar suas confiabilidades. Pela análise, concluiu-se que alguns modelos tendem a classificar as empresas mais como insolventes, enquanto outros tendem a classifica-las mais como solventes. Concluiu- se, também, que pode haver uma relação entre a confiabilidade dos modelos e o ano em que foram elaborados. Além disso, também pode ser percebido que alguns modelos tiveram melhores resultados com empresas de determinados setores, enquanto outros modelos tinham melhores números com organizações de outros setores. Também pode ser verificada uma leve tendência de aumento na confiabilidade dos modelos em anos mais próximos à falência do que em anos anteriores.

Palavras-chave: Modelos de Previsão de Insolvência. Falência. Lei de Recuperação de Empresas. LRE. Análise Discriminante.

(8)

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Comparação dos Resultados Originais dos Modelos de Previsão de Insolvência ... 38 Gráfico 2 – Comparação dos Resultados Originais com Resultados da Pesquisa ... 68

(9)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Resultado por Ano dos Modelos das Empresas Solventes ... 51 Tabela 2 – Resultado de Erros e Acertos por Ano dos Modelos das Empresas Solventes ... 54 Tabela 3 – Percentual de Acerto dos Modelos das Empresas Solventes ... 58 Tabela 4 – Resultado por Ano dos Modelos das Empresas Insolventes ... 60 Tabela 5 – Resultado de Erros e Acertos por Ano dos Modelos das Empresas Insolventes ... 63 Tabela 6 – Percentual de Acertos dos Modelos das Empresas Insolventes ... 67 Tabela 7 – Percentual de Acertos dos Modelos em Todas as Empresas ... 68

(10)

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Empresas Consideradas na Amostra ... 46 Quadro 2 – Indicadores Financeiros Utilizados ... 47

(11)

LISTA DE EQUAÇÕES

Equação 1 – Modelo de Kanitz (1978) ... 38

Equação 2 – Modelo de Altman et al. (1979) ... 39

Equação 3 – Modelo de Sanvicente e Minardi (1998) ... 40

Equação 4 – Modelo de Silva (2001) ... 41

Equação 5 – Modelo de Guimarães e Moreira (2008) ... 42

(12)

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ADVFN – Advanced Financial Network

BM&FBOVESPA – Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo CVM – Comissão de Valores Mobiliários

BP – Balanço Patrimonial

DL 7.661 de 1945 – Decreto-Lei 7.661, de 1945 DRE – Demonstração do Resultado do Exercício LRE – Lei de Recuperação de Empresas

PR – Plano Real

SOX – Lei Sarbanes-Oxley

TI – Termômetro de Insolvência de Kanitz

(13)

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 14

1.1 Contextualização... 14

1.2 Formulação do problema ... 15

1.3 Objetivo Geral ... 16

1.4 Objetivos Específicos ... 16

1.5 Justificativa ... 17

2 REFERENCIAL TEÓRICO ... 20

2.1 A Lei de Recuperação de Empresas ... 20

2.1.1 Definições da Lei de Recuperação de Empresas ... 21

2.2 As Causas de Insolvência ... 26

2.3 Custos de Falência ... 28

2.4 O Cenário Econômico Brasileiro ... 31

2.5 A Confiabilidade das Demonstrações Contábeis ... 32

2.6 Técnicas Estatísticas dos Modelos de Previsão de Insolvência ... 34

2.7 Modelos de Previsão de Insolvência ... 36

2.7.1 Breve histórico ... 36

2.7.2 Modelo de Kanitz (1978) ... 38

2.7.3 Modelo de Altman et al. (1979) ... 39

2.7.4 Modelo de Sanvicente e Minardi (1998) ... 40

2.7.5 Modelo de Silva (2001) ... 41

2.7.6 Modelo de Guimarães e Moreira (2008) ... 42

3 MÉTODOS E TÉCNICAS DE PESQUISA ... 43

3.1 Tipo e descrição geral da pesquisa... 43

(14)

3.2 Caracterização da organização, setor ou área do objeto de estudo ... 44

3.3 População e amostra ... 45

3.4 Instrumentos de pesquisa ... 47

3.5 Procedimentos de coleta e de análise de dados ... 49

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 50

5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ... 72

REFERÊNCIAS ... 75

APÊNDICES ... 80

Apêndice A – Dados financeiros das empresas da amostra ... 80

Apêndice B – Cálculo das variáveis dos modelos das empresas da amostra ... 111

(15)

1 INTRODUÇÃO

1.1 Contextualização

No sistema econômico atual, o fenômeno negativo chamado de falência é normal e pode ter efeito purificador tanto na sociedade quanto na economia (ALTMAN et al., 1979). No longo prazo, empresas ineficientes, com tecnologia ultrapassada ou que fabricam produtos que vão à direção oposta à necessidade da sociedade são eliminadas (WHITE, 1989).

A economia, portanto, sugere que a falência deveria servir apenas como um processo para eliminar as empresas economicamente ineficientes, e cujos recursos poderiam ser utilizados de uma melhor forma.

Porém, é possível identificar que algumas empresas vão à falência não somente pela falta de eficiência econômica, mas, também, por mudanças na legislação (CARTER; AUKEN, 2006).

Os estudos de previsão de insolvência fornecem informações que podem ser usadas pela gerência das organizações para desenvolver diferentes estratégias, de modo a permanecerem no mercado. São, também, requisitos utilizados pelo governo no desenvolvimento de novas políticas públicas e mudanças na legislação.

A análise de indicadores extraídos das demonstrações financeiras pode influenciar a tomada de decisão sobre investimento e empréstimo, tendo em vista que são um instrumento auxiliar na avaliação do grau de solvabilidade de uma empresa (MASSARO et al., 2004).

Por outro lado, conforme afirma Altman et al. (1979), “o uso massificado, indiscriminado e não qualificado dos modelos de previsão de insolvência poderia servir como uma sentença a determinadas firmas” (ALTMAN et al., 1979, p. 19),

(16)

sentença a qual se dá no caso de uma organização demonstrar um perfil característico de problemas financeiros, e de este perfil ser divulgado às suas fontes de crédito, o que resulta em uma grave advertência para tais credores e agrava, ainda mais, a oferta de capital para a empresa em dificuldades, o que caracteriza, dessa forma, a sentença de falência.

Conforme afirma Júnior (2010), a falência é um procedimento que gera perdas para a empresa insolvente, para os credores e para a sociedade. Neste sentido, a sua previsão, se feita em tempo suficiente, pode evitar estes efeitos negativos, seja por meio de mudanças estratégicas aprovadas pela gerência, ou pelo processo de recuperação judicial proposto pela Lei brasileira.

1.2 Formulação do problema

A necessidade de prever a insolvência de empresas não é recente. Pode-se afirmar que os estudos tiveram origem após a crise de 1929, nos Estados Unidos, com a tentativa de justificar o grande número de falências ocorrido naquele período (ARANHA; LINS, 2005). Em 1932, Fitzpatrick comparou empresas dos Estados Unidos e estabeleceu um padrão nas demonstrações financeiras da empresa. Foi possível observar, então, que empresas não falidas ultrapassavam este padrão, enquanto empresas falidas estavam abaixo dele (ARANHA; LINS, 2005).

A partir de então, diversos modelos surgiram, com o uso variadas técnicas que fazem que utilizam inteligência artificial, como a análise discriminante, a regressão logística, os algoritmos genéticos as redes neurais e os sistemas especialistas.

Entretanto, estudos recentes começam a contestar se os modelos desenvolvidos podem ser aplicados no Brasil. Os autores questionam o tempo que se passou entre o desenvolvimento dos modelos em questão e a época atual (ARANHA; LINS, 2005;

PINHEIRO et al., 2007). Além disso, também é criticada a falta de adaptação dos modelos ou o surgimento de novos modelos mais confiáveis, frente às mudanças econômicas e legais ocorridas no Brasil nos últimos 20 anos (ASSAF, 2010b;

KRAUTER et al., 1995; ROBERTS, 2006). Um terceiro argumento levantado pela

(17)

literatura é o da confiança das demonstrações contábeis utilizadas na previsão de insolvência (HOPP; LEITE, 1989; KRAUTER et al., 1995).

Porém, algumas pesquisas mostram que os modelos ainda podem ser considerados confiáveis (SANVICENTE; MINARDI, 1998; CARMO, 2002). Quanto ao surgimento de novos modelos, porém, ainda há uma contradição entre autores. Alguns afirmam que as previsões são válidas (RYU; TUE, 2005; ALMEIDA; MATIAS, 2001), enquanto outros dizem que as novas técnicas não têm surtido efeito (BACK et al., 1996; SANVICENTE; MINARDI, 1998).

Nesse sentido, o problema de pesquisa do presente estudo desenvolve-se acerca da seguinte questão: ao considerar que ocorreram mudanças legais e econômicas no Brasil nos últimos anos, os modelos de previsão de insolvência mais comuns na literatura indicam, hoje, resultados confiáveis em relação aos resultados originais?

1.3 Objetivo Geral

Testar a confiabilidade atual dos modelos de previsão de insolvência mais comuns na literatura, ao considerar as mudanças legais e econômicas ocorridas no Brasil.

1.4 Objetivos Específicos

a) Pesquisar a literatura pertinente, capaz de influenciar os modelos de previsão de insolvência;

b) Caracterizar os métodos matemáticos mais comuns nos modelos de previsão de insolvência;

c) Definir os modelos a serem utilizados; e

(18)

d) Mensurar, empiricamente, o grau de sucesso atual dos modelos apresentados.

1.5 Justificativa

Atualmente, existem muitas explicações para os motivos pelos quais as empresas entram em processo de falência ou recuperação judicial. Seja em casos de descontinuidade da administração (quando ocorre uma mudança estratégica brusca na empresa), da exagerada perda para credores, ou do grande fracasso na escolha de projetos no alcance de ousadas metas, que leva a grandes perdas financeiras (CARTER; AUKEN, 2006), a literatura parece ser quase unânime quando afirma que o processo de falência não traz benefícios para nenhum dos envolvidos. Nesse sentido, Júnior (2010) discute o princípio da preservação da empresa:

Na crise econômica de uma empresa, sofre o próprio devedor, sofrem os credores e sofre a sociedade. A empresa é uma unidade econômica que interage no mercado, com extraordinária repercussão social. É uma unidade de distribuição de bens e/ou serviços. É um ponto de alocação de trabalho, oferecendo empregos. É um elo na imensa corrente do mercado que, por isso, não pode desaparecer, simplesmente, sem causar sequelas.

Pretende-se, com a Lei de Recuperação de Empresas (LRE), priorizar o princípio de preservação da empresa, visando a recuperação sobre a liquidação. (JUNIOR, 2010. p. 21)

É importante destacar que, em sua afirmação, Junior (2010) deixa claro que a recuperação deve ser priorizada em relação à falência. Porém, não afirma que esta última não possa existir.

Entende-se, portanto, que a recuperação não é um mecanismo que visa evitar que empresas ineficientes continuem no mercado, pois para estas, a recuperação judicial não será suficiente, já que, mesmo ao utilizar o recurso de recuperação, as

(19)

companhias ineficientes irão à falência após curto período de tempo. Esta afirmação é validada pela própria LRE, quando esta não permite que uma organização recorra à recuperação judicial se já o tiver feito em um período inferior a 5 anos, obrigando-a a seguir com o processo de falência (LEI 11.101, 2005).

Adicionalmente à ideia do princípio de preservação da empresa, gerentes da empresa que está em processo de falência deveriam ser favoráveis à recuperação, tendo em vista que, por meio dela, eles têm maiores chances de continuarem empregados (WHITE, 1989).

Porém, em análise feita por White (1989), quando uma empresa entra em processo de recuperação, atualmente, ela não muda sua linha de negócios, sua maneira de produção, e, desta forma, continua com a mesma deficiência anterior, sendo, portanto, o processo de recuperação apenas um prolongamento do inevitável: a liquidação.

O processo de recuperação, ao promover o afastamento do devedor de suas atividades, visa preservar e aperfeiçoar a utilização produtiva dos bens, ativos e recursos produtivos, a fim de evitar um choque na sociedade. (LEI 11.101, 2005) É nesse sentido que, principalmente após a mudança na legislação de recuperação de empresas, surge um ideal que visa ao máximo evitar a liquidação da empresa, e priorizar a sua recuperação.

Ainda no sentido de tentar impedir a liquidação, Assaf (2010a) afirma que uma organização não possui apenas objetivos de maximização de sua riqueza, mas pode ter, também, objetivo de crescimento constante, a fim de aumentar a capacidade de adaptação a mutações frequentes e crises na economia (o que evita uma possível insolvência em consequência a uma crise). Objetivos sociais e econômicos também são extremamente importantes, como a geração de impostos (objetivo imposto pelo governo) e a abertura de novos postos de trabalho.

Segundo Famá e Grava (2000), ao deixar de honrar um compromisso, a empresa pode apenas ter alocado recursos inadequadamente, ou seja, possui recursos suficientes, porém não consegue utilizá-los da melhor forma. Essa situação motiva o

(20)

processo de recuperação judicial, pois a empresa só necessita de um prazo maior.

Diz-se que a empresa está inadimplente, e não insolvente.

Portanto, a informação que é utilizada para identificar uma organização insolvente, por meio dos modelos de previsão, pode também ser utilizada pela própria empresa em questão, a fim de evitá-la. (FAMÁ; GRAVA, 2000)

Desta forma, pelas recentes mudanças na legislação, e pelas mudanças também ocorridas no cenário econômico brasileiro depois da criação dos modelos abordados, conforme afirma Assaf (2010b), acredita-se ser extremamente necessário existir modelos de previsão de insolvência que possam prever a má situação financeira a tempo suficiente de a empresa conseguir reverter a situação, ou que possam prever a situação de insolvência a tempo de conseguir criar um plano econômico confiável para a recuperação judicial.

Os resultados do presente estudo são extremamente relevantes para nortear o caminho a ser seguido: sensibilizar o senso de urgência de criação de novos modelos de previsão de insolvência ou reformulação dos já existentes, e despertar a importância da opção pela recuperação judicial em tempo hábil.

(21)

2 REFERENCIAL TEÓRICO

No presente referencial, são abordados e discutidos os temas influentes nos modelos de previsão de insolvência e em seus resultados. Os assuntos abordados nesta seção são: a Lei de Recuperação de Empresas (LRE), as diversas causas de insolvência, os custos relativos à falência de empresas, as mudanças no cenário econômico brasileiro, a confiabilidade das demonstrações contábeis, a técnicas estatísticas aplicadas nos modelo, e, por fim, os modelos aplicados na pesquisa.

2.1 A Lei de Recuperação de Empresas

Para tratar do tema de previsão de falências, inicialmente é necessário compreender como a legislação se posiciona quanto a este processo e, dessa forma, vislumbrar a dimensão em que os modelos de falência e, consequentemente, o presente estudo estão inseridos.

A legislação falimentar, ou lei de falências, é a peça que estabelece as normas e procedimentos a serem adotados quando uma firma se encontra em insolvência financeira. Esta, porém, não significa falta de viabilidade econômica para a empresa, pois uma vez superadas as dificuldades, a empresa pode voltar a ser lucrativa (CARVALHO, 2003). É nesse sentido que surge, também, a definição de concordata e de recuperação judicial.

Desta forma, esta seção tem por objetivo descrever a Lei de Recuperação de Empresas (LRE) a partir dos seguintes aspectos: o conceito de falência, concordata e recuperação judicial conforme a legislação, o Decreto-Lei 7.661 de 1945 e suas principais críticas; e a nova lei de recuperação de empresas (Lei 11.101 de 2005) e as mudanças proporcionadas por ela.

(22)

2.1.1 Definições da Lei de Recuperação de Empresas

2.1.1.1

Definição de falência

O conceito de falência verificado na Lei 11.101 de 2005 não foi alterado em relação ao proposto no DL 7.661 de 1945. Segundo ela:

A falência se dá quando o comerciante, em relevante razão de direito, não paga no vencimento obrigação líquida, constante de título que legitime a ação executiva, sendo necessária intervenção judicial para liquidação de seus bens e direitos. (DL 7.661, 1945, p.1).

O conceito definido pela lei, segundo Carvalho (2003), pode ser interpretado de formas diferentes de acordo com o leitor e a situação econômica em que se encontra a organização. Nesse sentido, alguns outros autores conceituam falência, com base na lei e em suas interpretações.

Para Carvalho (2003), “a falência é um procedimento judicial para a coleta, disposição e liquidação dos ativos de uma empresa, liquidação esta supervisionada pelo poder judiciário” (CARVALHO, 2003, p.20).

Roberts (2006), define falência como “um processo guiado pelo poder judiciário para a liquidação de todos os bens do devedor, inclusive direitos e ações, tanto existentes na época de sua declaração quanto os adquiridos durante o processo” (ROBERTS, 2006, p.7).

Uma última definição, um pouco destoante das anteriores, é a proposta por Ferreira (2006). O autor afirma que falência “é o processo que, pelo afastamento do devedor

(23)

de suas atividades, visa a preservar e otimizar a utilização produtiva dos bens, ativos e recursos próprios, inclusive os intangíveis, da empresa” (FERREIRA, 2006, p.14).

Com base nestes conceitos, podemos estabelecer os principais pontos presentes na definição de falências:

a) é um processo guiado pelo poder judiciário;

b) o processo liquida todos os bens e direitos da organização, para pagamento das dívidas com credores, enquanto o devedor é afastado de suas atividades;

c) tem por objetivo otimizar a utilização produtiva dos bens, ativos e recursos próprios da empresa.

2.1.1.2

Definição de concordata

A concordata é um processo presente apenas no DL 7.661 de 1945. Na lei atual, ele foi substituído pelo processo de recuperação judicial. De acordo com o referido decreto, a concordata é “um instituto pelo qual um devedor insolvente renegocia sob supervisão judicial suas dívidas com credores” (DECRETO-LEI 7.661, 1945, p.21).

Se na falência o devedor é afastado de suas atividades, na concordata eles continuam a gerir o negócio, enquanto pagam os credores (CARVALHO, 2003).

Portanto, a concordata é um dispositivo que conduz uma negociação entre credores e devedores, para alteração apenas dos prazos ou abatimento das dívidas (CARVALHO, 2003).

O objetivo principal deste processo, segundo Ferreira (2006), é possibilitar ao empresário o retorno à normalidade de seu empreendimento via intervenção judicial.

Visa, portanto, a manutenção da firma em questão.

(24)

2.1.1.3

Definição de recuperação judicial

De acordo com Ferreira (2006), as semelhanças na definição entre recuperação judicial e de concordata são muito grandes. Porém, o processo sofreu diversas alterações. A definição proposta pela lei, contudo, está muito mais clara no que diz respeito a evidenciar o objetivo principal do processo de recuperação de empresas.

O conceito proposto pela Lei 11.101 de 2005 é:

Processo que tem por objetivo viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e a atividade econômica. (LEI 11.101 de 2005, p.13).

O objetivo do processo de recuperação na nova lei é claro, conforme Roberts (2006). O autor afirma que está presente o princípio de preservação da empresa, a fim de prevalecer, no processo, as funções sociais e econômicas das empresas.

2.1.1.4

O Decreto-Lei 7.661 de 1945

O Decreto-Lei de 1945 sofreu diversas críticas nos anos anteriores à aprovação da nova lei, pela falta de atualização que este sofria. As críticas são dadas tanto no processo referente à falência quanto no referente à concordata.

Para optar entre a falência ou a concordata, a lei estabelece apenas um critério. Era necessário que a empresa possuísse, ao menos, 50% de seus ativos líquidos disponíveis para liquidação a fim de poder ser aplicada a concordata (Decreto-Lei 7.661, 1945). A partir daí, uma análise era feita pelo próprio poder judiciário para

(25)

estabelecer se a organização efetivamente poderia concorrer à concordata. Caso contrário, seguia-se o processo de falência e liquidação dos ativos.

Surge, então, a primeira crítica à antiga lei. A análise feita apenas pelo setor judiciário não era suficiente para estabelecer se a organização podia, efetivamente, se recuperar do estado de insolvência (FERREIRA, 2006; CARVALHO, 2003). Para a obtenção da concordata não era necessária apresentação de nenhum plano de reestruturação e nem mesmo a aprovação pelos credores. Enquanto ficava a cargo do judiciário, a avaliação da viabilidade da empresa era seriamente comprometida (CARVALHO, 2003).

Outra questão abordada por Roberts (2006) é a ordem de prioridade de pagamento dos credores. Segundo o autor, quando a empresa entra em dificuldades financeiras, as primeiras contas a serem atrasadas são os salários e os impostos.

Dessa forma, os montantes finais das dívidas trabalhistas e fiscais são, geralmente, os mais elevados. A lei prioriza justamente o pagamento as dívidas trabalhistas e fiscais, sendo que em muitas ocasiões os demais credores não eram contemplados (FERREIRA, 2006).

Mais uma crítica é feita quanto ao encerramento das atividades da empresa.

Conforme afirma Carvalho (2003), a falta de atividade desvaloriza os ativos da companhia, o valor de sua marca, a clientela, o ponto comercial. Juntamente com a demora no processo judicial, os custos de falência se elevam rapidamente (CARVALHO, 2003).

Ainda quanto à liquidação dos ativos, o modo como estes eram vendidos era extremamente ineficiente. A única forma proposta é por meio de leilão oral (Decreto- Lei 7.661, 1945). Nesse leilão, todos os bens são vendidos separadamente, sendo que, em alguns casos, o conjunto de bens gera um valor maior em sua utilização (ROBERTS, 2006; CARVALHO, 2003).

Uma última crítica evidenciada é quando à questão da inflexibilidade dos prazos e percentuais no caso da concordata. Segundo o DL 7.661 (1945), os devedores podem renegociar as dívidas em no mínimo 50%, se for à vista, ou em 60%, 75%, 90% ou 100%, se for a prazo, sendo este, respectivamente, de até 6, 12, 18 ou 24 meses. Esta falta de flexibilidade tornava o processo de concordata, muitas vezes,

(26)

em apenas um prolongamento do inevitável: a liquidação da empresa (FERREIRA, 2006; CARVALHO, 2003).

2.1.1.5

A Lei 11.101 de 2005

Conforme afirma Roberts (2006), a nova LRE visa solucionar a maioria das críticas referentes ao DL 7.661 de 1945. Em primeiro lugar, foi estabelecida a necessidade de um plano de recuperação da empresa que se candidatar à chamada recuperação judicial (substituiu a concordata) em um prazo máximo de 60 dias. Neste plano, dois quesitos se destacam: deverá conter uma demonstração de sua viabilidade econômica e um laudo devidamente aprovado por profissional legalmente habilitado ou empresa especializada (LEI 11.101, 2005; CARVALHO, 2003).

Outro ponto alterado na nova lei foi a questão dos créditos referentes à legislação trabalhista e fiscal. Em ordem de prioridade, mantem-se a mesma. Porém, o seu valor foi limitado a até 150 salários mínimos por credor, tanto para ações trabalhistas quanto para fiscais (LEI 11.101, 2005).

Em relação ao processo pelo qual o ativo é vendido, duas novas formas foram implantadas. As três opções atuais, das quais uma deve ser escolhida pelo juiz, são:

leilão por lances orais, propostas fechadas, ou pregão eletrônico (LEI 11.101, 2005).

Segundo Ferreira (2006), a diversidade apresentada pode proporcionar uma venda por preços mais elevados que os da lei antiga.

Ainda quanto à venda dos bens, foi priorizada, também, a união, na ocasião do leilão ou pregão, de blocos de bens. Dessa forma, há a prioridade para propostas que visem à compra de toda a organização, depois as que separam em filiais e unidades produtivas, em seguida, blocos que separam bens de acordo com a sua finalidade, e, por fim, os bens vendidos separadamente (LEI 11.101, 2005; CARVALHO, 2003).

A última grande alteração, verificada por Ferreira (2006), foi em relação à inflexibilidade da concordata. Os limites de prazo e percentual de pagamento foram extintos, e estão, agora, sujeitos à aprovação pelo juiz, de acordo com o plano

(27)

econômico montado pela empresa (LEI 11.101, 2005). Foram adicionadas formas aceitas de negociação como cisão, incorporação, fusão, transformação de sociedade, cessão de ações, aumento de capital social, redução salarial (mediante acordo ou convenção coletiva), e a venda parcial dos bens (LEI 11.101, 2005).

Ao considerar as mudanças estabelecidas pela nova lei, Roberts (2006) afirma:

Somente a lei não recupera empresas. É necessário um fomento de capital na atividade econômica, o que exigirá dos bancos e fornecedores das empresas em recuperação o vital prestígio, além da possível partilha dos trabalhadores em seus direitos, para que as empresas viáveis e apenas estas continuem a sobreviver, se o infortúnio for de origem justa e os planos de recuperação forem igualmente justos, equitativos e viáveis. (ROBERTS, 2006, p. 2).

2.2 As Causas de Insolvência

A fim de tornar eficiente a recuperação judicial proposta pela lei, ou até mesmo evitar o estado de insolvência, caso este possa ser previsto pelos modelos, é necessário identificar as razões que levaram a organização a resultados financeiros altamente insatisfatórios.

Segundo Carter e Auken (2006), as empresas que estão próximas à falência costumam se focar em problemas financeiros, quando, na verdade, estes são, geralmente, apenas sintomas de uma deficiência operacional muito maior.

É nesse sentido que Shleifer e Vishny (1996) argumentam sobre a necessidade de interação entre a gerência e a área financeira. Os autores estabelecem que a falta de comunicação entre as áreas da empresa é a maior responsável pela não recuperação de companhias que se mostram no início da insolvência.

(28)

Segundo a pesquisa realizada por Carter e Auken (2006), as principais causas de falência são pertencentes a duas categorias principais: fatores econômicos externos e problemas operacionais internos.

Quanto à primeira categoria, dois quesitos se destacam: primeiro, as crises no sistema econômico do país causam uma deficiência na demanda e no acesso ao crédito (WHITE, 1989); segundo, foi verificado que, geralmente, as organizações que, nos anos anteriores à crise, procuravam a máxima expansão, conseguiam sobreviver ao período inoportuno, enquanto aquelas que ficavam estagnadas no período anterior eram justamente as que entravam em processo de insolvência (SHLEIFER; VISHNY, 1996).

Na mesma pesquisa, Shleifer e Vishny (1996) indicam que outro fator extremamente relevante para a sobrevivência da empresa é o investimento em novos conhecimentos e novas tecnologias. Por estas razões, qualquer mudança no mercado, seja uma crise, seja o surgimento de um novo produto com alta qualidade resultado de uma nova tecnologia, poderá ser suficiente para a extinção da organização, levando em consideração que o seu tempo de resposta à modificação estabelecida poderá ser demasiadamente grande.

Quanto à segunda categoria de causa de insolvência, de acordo com os resultados apresentados por Carter e Auken (2006), as empresas que entravam em falência tinham um planejamento estratégico muito menos desenvolvido que aquelas que se mantêm no mercado.

Outro fator identificado nessa categoria é a falta de experiência dos gestores (BRANDER; LEWIS, 1988), principalmente em empresas de médio porte. Essa razão é consequência, segundo os autores, da alta rotatividade encontrada no mercado de trabalho.

Por fim, foi encontrada mais uma razão pertencente à categoria de problemas operacionais internos: nos estudos de White (1989) e Pereira e Ness (2004), problemas com os fornecedores é o motivo que menos influencia no processo de insolvência. Isto se dá pelo fato de ser uma das dificuldades mais fáceis de identificar, e, consequentemente, mais rápidas de se solucionar (WHITE, 1989).

(29)

Para que o processo de recuperação judicial seja efetivo, ou para que os modelos de previsão de insolvência possam ser usados como ferramentas auxiliares nas decisões estratégicas das empresas, é necessária uma atenção maior dos gerentes para entender quais podem ser as causas dos problemas financeiros. Identificadas as causas, cabe a eles tomarem as atitudes necessárias para evitar que a insolvência aconteça.

2.3 Custos de Falência

A grande crítica feita por Carvalho (2003) em relação à demora no processo de liquidação da empresa, devido à lentidão do setor judiciário brasileiro, e que gera custos cada vez maiores para a falência é totalmente válida e confirmada por outros autores.

Em relação aos custos de falência, eles podem ser divididos em dois tipos: custos diretos e custos indiretos (WHITE, 1989; WARNER, 1997; GIMENES, 1997). Os custos diretos são aqueles como despesas judiciais, honorários advocatícios, honorários de contadores, pareceres de peritos, taxas e impostos referentes ao processo de falência ou recuperação judicial, e os valores do tempo gasto pelos gerentes das empresas com a liquidação, enquanto poderiam trabalhar para melhorar a situação da organização (WARNER, 1997). Os custos indiretos, por sua vez, são referentes às vendas perdidas, às oportunidades de investimento passadas, à perda no valor da marca, e ao prejuízo pela demora na liquidação dos bens (WHITE, 1989; GIMENES, 1997).

Os custos administrativos têm a mais alta prioridade de pagamento em caso de liquidação. Assim que a venda dos bens ocorre, e quando o pagamento for aprovado pelo juiz, os advogados, contadores, taxas e impostos referentes ao processo de insolvência devem ser os primeiros contemplados (LEI 11.101, 2005).

Em sua pesquisa, Brander e Lewis (1988) mostram, porém, que os custos diretos são praticamente irrelevantes na liquidação de grandes empresas, e variam entre 1% e 3% do valor de mercado das organizações. Por outro lado, conforme mostra

(30)

Altman (apud BRANDER; LEWIS, 1988, p.240), em casos de empresas de pequeno porte, estes custos podem se elevar a até 20% do valor de mercado das empresas.

Contudo, os maiores custos de falência são, certamente, os indiretos (WARNER, 1997; GIMENES, 1997; ROSS et al., 2007). As formas de cálculo destes custos ainda são inexatas, porém, os autores concordam que a sua influência é muito maior que a dos custos diretos.

Para entender a influência dos custos indiretos no valor das organizações, Ross et al. (2007) cita o exemplo da Chrysler:

Muitos clientes leais da Chysler transferiram-se para outros fabricantes, quando a Chrysler passou perto da insolvência na década de 70. Esses compradores questionavam se haveria peças e serviços de assistência se a Chrysler falisse. Às vezes, um indício de possibilidade de falência é o bastante para afugentar os clientes. (ROSS et al., 2007, p.347)

ROSS et al. (2007) ainda citam como custos indiretos de dificuldades financeiras outros fatores. O primeiro é a redução da capacidade de operação. De acordo com os autores, a falência pode proporcionar uma alta dificuldade no relacionamento com os clientes e com os fornecedores, vendas perdidas por receio de dificuldades em termos de assistência técnica (como o caso da Chrysler) e perda de confiança.

O segundo fator é o que o autor define como custos de agência. Em suma, estes são relativos aos conflitos de interesse dos acionistas. O incentivo dos acionistas diminui consideravelmente quando o risco das empresas falirem aumenta. Além desse quesito, os acionistas sabem que, de acordo com a própria lei, eles não terão prioridade na liquidação, caso a empresa venha à falência, o que incentiva o subinvestimento na empresa.

Também são comentados os custos por aceitar projetos arriscados. As organizações próximas à falência, algumas vezes, têm de optar entre dois projetos, um com risco menor, mas que provavelmente não será suficiente para evitar a situação de insolvência da empresa, e outro com risco maior, que poderá evitar a falência,

(31)

porém tem grandes chances de não obter resultado algum, e até piorar a situação da organização, o que a conduz, de vez, à insolvência.

Um quarto tipo de custo é identificado pelos autores, sendo ele a distribuição de fundos aos acionistas antes da falência. Neste caso, sabe-se do risco de insolvência e os acionistas usam sua influência para contratarem os próprios familiares para trabalhar na empresa, com salários extremamente elevados. Sabendo que, em caso de falência, dentre primeiras dívidas pagas, de acordo com a LRE, estão as relacionadas com dívidas trabalhistas, os familiares dos acionistas seriam altamente beneficiados financeiramente. Porém, pela legislação brasileira, esta atitude tomada pelos acionistas é considerada crime (COIMBRA, 2005).

Por fim, Adam Smith (1776 apud ROSS et al., 2007, p.353) afirma que, dentro da própria organização, pode haver negligência quanto ao uso do capital, impactando nos custos de falência:

“Os diretores de tais companhias [por ações], porém, sendo os gestores do dinheiro de outras pessoas, e não do seu próprio, não tenderão a cuidar dele com a mesma vigilância atenta com a qual os membros de uma sociedade por quotas frequentemente o vigiam. Como servos de um homem rico, tenderão a dar atenção a pequenas coisas de seu interesse, e não de seu senhor, e muito facilmente beneficiarão a si mesmos com isso.

Negligência e desperdício, portanto, devem sempre existir, para mais ou para menos, na gestão dos negócios de tal empresa.” (ADAM SMITH, 1776 apud ROSS et al., 2007, p.353)

Os custos indiretos de falência, portanto, podem ser extremamente elevados, e devem ser considerados na decisão de se candidatar ao processo de falência ou recuperação judicial.

(32)

2.4 O Cenário Econômico Brasileiro

Desde o desenvolvimento dos mais utilizados modelos de previsão de insolvência, o país passou por diversos planos econômicos distintos que alteraram, por várias vezes, o padrão monetário, o índice de inflação e a realidade econômica (ARANHA;

LINS, 2005).

A busca por novos modelos de previsão de insolvência tem sido incentivada por fatos como a desregulamentação dos mercados, a ampliação dos mercados de crédito, os avanços da teoria de finanças e o aumento dos riscos não avaliáveis nas demonstrações financeiras (CAUOETTE et al., apud KRAUTER et al., 1995, p.7). A mudança no tamanho das organizações e o perfil financeiro das empresas em falência são razões para se tentar a construção de novos modelos (ALTMAN et al., 1977).

Alterações políticas, tecnológicas e, principalmente, econômicas ocorridas em todo o mundo causaram consequências como: a crescente mobilidade de capital; a oferta de recursos; a demanda por novos produtos financeiros para captação; e, principalmente, o interesse pelo desenvolvimento da modelagem do risco de crédito (GUIMARÃES; MOREIRA, 2008).

O sistema financeiro brasileiro sempre foi marcado por uma grande instabilidade, quadro que mudou bastante, contudo, após a adoção do Plano Real (PR) (ROCHA, 1999). Até a entrada em vigor deste, as elevadas taxas de inflação debilitavam demais a economia (ASSAF, 2010b).

Os bancos brasileiros foram forçados a aumentarem seus volumes de crédito, em compensação à forte e rápida redução dos ganhos inflacionários (ALMEIDA;

MATIAS, 2001). Porém, ainda assim, o Brasil é extremamente deficiente em relação ao crédito. Tanto o acesso ao crédito é restrito, quanto às taxas de juros praticadas são exorbitantes (CARVALHO, 2003).

(33)

De acordo com Carvalho (2003), o crédito no Brasil é totalmente incompatível com o nosso nível de desenvolvimento econômico, seja em termos de taxas de juros ou de acesso ao crédito empresarial. O autor demonstra os seguintes dados:

Podemos observar que o crédito bancário no Brasil está muito aquém do padrão de países em nível de desenvolvimento similar: a média brasileira é de 46,7% - correspondendo à trigésima oitava posição – padrão comparável ao de países como Colômbia, Paquistão e México. Alguns países em estágio similar de desenvolvimento, como Índia, Malásia, Tailândia e Hong Kong, apresentam valores em torno de 150%. Para outros, como Cingapura, Egito, Coréia do Sul, Portugal, Israel e Grécia, o indicador está entre 70% e 80%. Se, por um lado, isto indica que o crédito no Brasil é muito pouco desenvolvido, por outro, mostra que podemos obter ganhos expressivos caso possamos adequar as nossas instituições. (CARVALHO, 2003, p.14)

A deficiência no crédito brasileiro afeta diretamente o crescimento das empresas, na medida em que estas têm de buscar outros meios de alavancagem. Com a crise de 2008, os bancos em todo o mundo diminuíram o volume de empréstimos e elevaram as taxas de juros cobradas (ASSAF, 2010b). Neste momento, há uma grande oportunidade para o país de diminuir as suas taxas de juros para proporcionar uma alavancagem maior, ao mesmo tempo em que outros países, como a China, estão fazendo o mesmo (ASSAF, 2010b).

2.5 A Confiabilidade das Demonstrações Contábeis

As demonstrações contábeis e sua confiabilidade são, frequentemente, alvo de crítica pela literatura. Em toda crise que não foi prevista, como as crises do petróleo, como afirmam Hopp e Leite (1989), ou os escândalos que incentivaram a criação da lei Sarbanes-Oxley (SOX), em 2002, nos Estados Unidos (ASSAF, 2010b), ou a crise de 2008, as demonstrações contábeis são contestadas.

(34)

De acordo com Hopp e Leite (1989), a previsão de falências e crises financeiras não depende das demonstrações contábeis utilizadas atualmente. Para os autores, esse exercício requer números retirados, principalmente, do demonstrativo de fluxo de caixa.

Como poderia um demonstrativo estático como o balanço patrimonial enxergar a possibilidade de insolvência? Para Hopp e Leite (1989), as informações extra contábeis são, da mesma forma, requisitos essenciais e constituem instrumentos mais adequados para esta finalidade.

De fato, alguns estudos indicam que a análise do fluxo de caixa pode ser mais adequada para a previsão de falências, já que existem pesquisas que atingiram a marca de sucesso de 73% (HOPP; LEITE, 1989).

Da mesma maneira, Krauter et al. (1995) afirmam que as demonstrações utilizadas nos modelos atuais têm sido insuficientes no que tange à captura da realidade das empresas, e é isto que resulta nos escândalos financeiros no final do século XX e início do século XXI. “Empresas como Enron, WorldCom, Parmalat, apresentaram como característica comum o fato de terem ido à falência em decorrência de más práticas de governança corporativa.” (KRAUTER et al., 1995, p.14)

Após estes recentes fatos, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a lei Sarbanes-Oxley (SOX), em 2002, como uma resposta do governo aos escândalos empresariais ocorridos em 2000. De acordo com Assaf (2010b), o principal objetivo é tornar obrigatórios os princípios éticos e as boas práticas de governança corporativa, a fim de estabelecer uma maior transparência no resultado das empresas. Atualmente, no Brasil, algumas empresas já se adaptaram à lei americana para poderem operar suas ações nos Estados Unidos.

Entretanto, mesmo com a mudança na legislação, outra crise atingiu os Estados Unidos. Em 2008, a elevada oferta de crédito, acompanhada das baixas taxas de juros, criaram uma bolha de crédito na economia, que em 2008 se revelou (ASSAF, 2010b). A grande questão neste momento é se, mesmo com constantes mudanças na legislação, os demonstrativos contábeis podem ser confiáveis.

(35)

Alguns estudos mostram que era possível prever algumas insolvências, com resultados melhores que os propostos por Hopp e Leite (1989), em torno de 82%

(SANVICENTE; MINARDI, 1998).

Kanitz (1978) afirma que os balanços projetados podem valer como indicadores de insolvência. O autor se baseia no princípio de que eles poderiam revelar uma deterioração das empresas, caso a administração das empresas continuasse a tomar as mesmas atitudes que no último ano, ou seja, é definida a situação financeira dos anos seguintes se ela sofrer as mesmas consequências da situação econômica do país, de clientes e da gerência.

Ainda em sua obra, Kanitz (1978) concluiu que não importa se as demonstrações contábeis são fidedignas ou não, pois a capacidade de previsão se dá diante da utilização da posição relativa daquela empresa frente às demais do mesmo setor. Se suas demonstrações são muito divergentes, a insolvência se faz presente.

Entretanto, de acordo com esta afirmativa, o autor não considerou a possibilidade de as demonstrações serem ajustadas pelas organizações de modo a torná-las, justamente, semelhantes às das companhias do mesmo setor.

2.6 Técnicas Utilizadas nos Modelos de Previsão de Insolvência

Diversas técnicas são apresentadas na literatura para previsão de insolvência. A primeira utilizada foi a análise discriminante no modelo criado por Altman (1968).

Essa técnica estatística define, inicialmente, dois grupos, e classifica a influência de determinados índices (pesos) em um destes grupos, no caso, empresas solventes ou insolventes (SANVICENTE; MINARDI, 1998; PINHEIRO et al., 2007). As previsões originais dos métodos criados indicam um percentual de acerto entre 80%

e 95% (ALTMAN, 1968; SANVICENTE; MINARDI, 1998; PINHEIRO et al., 2007;

KANITZ, 1978).

A segunda técnica, a regressão logística, também foi bastante utilizada, inicialmente por Lo (1985). Ela possui a vantagem sobre a análise discriminante de produzir resultados não lineares. Porém, no teste efetuado por Lo (1985), não houve

(36)

diferenças de resultados na previsão de insolvência entre os modelos que utilizavam análise discriminante e os que utilizavam regressão logística.

Uma terceira técnica presente na literatura são os algoritmos genéticos. Esta técnica parte do princípio da teoria evolutiva de Darwin, a fim de identificar o índice que se destaca e prevalece durante o tempo. Porém, os resultados desta técnica são inferiores ao da análise discriminante, com grau de precisão em torno de 57%

(BACK et al., 1996).

A quarta técnica mais presente nos modelos de previsão de insolvência é a utilização de redes neurais. É, também, extremamente recente em comparação com as anteriores mencionadas (ALMEIDA; MATIAS, 2001). Ela consiste em uma análise da relação entre neurônios (índices), e suas conexões (BACK et al., 1996). Utiliza computadores para fazerem simulações de tentativa e erro para gerar o melhor resultado (MINUSSI et al., 2002).

Durante os anos 90, as redes neurais se tornaram muito promissoras como técnicas de mensuração dos resultados financeiros das organizações (BACK et al., 1996).

Porém, até o presente momento, as pesquisas indicam um grau de sucesso que varia entre 55% (RYU; YUE, 2005) e 68% (ALMEIDA; MATIAS, 2001), tendo, portanto, índices relativamente baixos comparados aos da análise discriminante.

A quinta e última técnica mais comum nas previsões de falência, é considerada por Flores (2003) como a mais recente, e muito promissora. Ao analisar os estudos realizados por Souza e Pereira (2005), o sistema especialista utilizado obteve um índice de acerto muito elevado, de 92,7%. Os sistemas especialistas são ferramentas de inteligência artificial que visam tomar decisões baseadas no raciocínio humano, ou seja, é gerada uma base de conhecimento e informações que são infiltradas no sistema por um especialista da área em questão, e o sistema usa estas informações para gerar suas análises, para, posteriormente, ser tomada uma decisão (FLORES, 2003; SOUZA; PEREIRA, 2005).

Pela comparação verificada nos modelos de previsão de insolvência encontrados, a análise discriminante apresentou alto grau de sucesso na previsão de insolvência de empresas. Porém, para obter dados mais precisos e confiáveis sobre qual técnica pode ser mais confiável, seria necessário analisar outros resultados na literatura.

(37)

Portanto, a escolha da análise discriminante como método para este estudo foi realizada por conveniência, já que são modelos mais abundantes na literatura. De acordo com Sanvicente e Minardi (1998), ainda é possível confiar neste método, mesmo após um longo tempo passado da criação dos modelos.

2.7 Modelos de Previsão de Insolvência

2.7.1 Breve histórico

O primeiro trabalho sobre previsão de insolvências, de acordo com Pinheiro et al.

(2007), foi elaborado pelo americano Fitzpatrick, em 1932, ao comparar empresas durante o período pré-crise de 1929. O autor americano chegou à conclusão de que os índices financeiros das empresas que foram à falência eram piores do que as que se mantiveram no mercado.

A partir daí, começou-se a utilizar métodos estatísticos nos modelos de previsão de insolvência. O percursor desta utilização, por meio da análise discriminante, foi Altman (1968). No Brasil, Kanitz (1978) foi o primeiro a desenvolver um modelo estatístico para previsão de falências.

Após o modelo de Kanitz (1978), outros modelos brasileiros surgiram, também, baseados na análise discriminante. Altman et al. (1979) criaram um modelo fundamentado no de Altman (1968), voltado ao mercado americano. Mais recentemente, surgiram os modelos de Sanvicente e Minardi (1998), o de Silva (2001), e o de Guimarães e Moreira (2008).

Esses foram os modelos escolhidos para abordar nesta pesquisa, com base na técnica estatística da análise discriminante. Foi considerada, na escolha, a grande importância dos modelos de Kanitz (1978) e Altman et al. (1979), apesar do grande tempo decorrido de sua produção. Os outros modelos foram escolhidos por serem

(38)

os três mais recentes com grau de confiabilidade similar aos de Kanitz (1978) e Altman et al. (1979).

Nas pesquisas realizadas por Pinheiro et al. (2007), Bruni et al. (2003), Aranha e Lins (2005), e Carmo (2002), foram encontrados resultados díspares dos originais, em relação dos modelos de Kanitz (1978) e Altman et al. (1979). Isso se dá, principalmente, por causa da falta de atualização destes modelos. Porém, os modelos mais atuais aqui apresentados parecem ter adaptados seus índices para conseguirem resultados melhores.

Cabe ressaltar que para uma análise completa da situação econômica de uma organização, é recomendável o uso de outras técnicas, como análise do cenário econômico e político (BRUNI et al., 2003). O tempo pode afetar os modelos e seu grau de previsão, como afirma Carmo (2002). Porém, não os inviabilizam. Os instrumentos de previsão de insolvência devem servir de suporte para a decisão de gestores sobre o desempenho econômico-financeira das organizações (PINHEIRO et al., 2007).

Outra questão que deve ser levada em consideração é a comparação necessária entre as empresas de um mesmo setor. Os modelos aqui apresentados não são específicos para cada setor, porém, as demonstrações contábeis padrão podem sofrer diferenças neste quesito (BRUNI et al., 2003). Portanto a questão geográfica (de que país é a empresa) e setorial (se pertence à indústria, ao comércio) devem ser levadas em consideração e utilizadas como forma de comparação.

Mostra-se, no Gráfico 1, um comparativo entre os resultados originais encontrados pelos autores dos modelos utilizados neste estudo:

(39)

Gráfico 1 – Comparação dos Resultados Originais dos Modelos de Previsão de Insolvência

Fonte: Elaboração própria, a partir de Kanitz (1978), Altman et al. (1979), Sanvicente e Minardi (1998), Silva (2001) e Guimarães e Moreira (2008)

2.7.2 Modelo de Kanitz (1978)

Kanitz (1978), realizou o primeiro estudo de previsão de falências no Brasil. A partir de cinco índices das demonstrações contábeis, e ao utilizar a análise discriminante, formulou a seguinte função:

F = 0,05(A1) + 1,65(A2) + 3,55(A3) – 1,06(A4) – 0,33(A5)

onde,

A1 = (Lucro líquido) / (Patrimônio líquido)

A2 = (Ativo circulante + Realizável a longo prazo) / (Passivo circulante + Exigível a longo prazo)

Equação 1

(40)

A3 = (Ativo circulante – Estoques) / (Exigível a curto prazo) A4 = (Ativo circulante) / (Passivo circulante)

A5 = (Exigível total) / (Patrimônio líquido)

O modelo foi denominado Termômetro de Insolvência (TI). Os valores, segundo o autor, devem ser considerados da seguinte forma:

a) os valores menores que -3 indicam que a empresa se encontra em uma situação que poderá levá-la à falência;

b) se o fator de insolvência está entre 0 e -3, considera-se como um intervalo de penumbra, uma área em que não é possível determinar se a empresa é solvente ou insolvente;

c) se uma empresa apresenta fator de insolvência maior que 0, menores são as suas possibilidades de vir a falir.

O estudo utilizou uma amostra composta por 25 empresas insolventes e 49 empresas solventes, com um total de 74 empresas. O grau de precisão do modelo foi de 86,62% (KANITZ, 1978).

2.7.3 Modelo de Altman et al. (1979)

O modelo de Altman et al. (1979), elaborado no Brasil, foi baseado no modelo ZETATM elaborado por Altman (1968) nos Estados Unidos (o qual foi o primeiro modelo que utilizou a análise discriminante). No Brasil, foi testada a seguinte função discriminante:

Z = – 1,44 + 4,03(B1) + 2,25(B2) + 0,14(B3) + 0,42(B4)

Equação 2

(41)

onde,

B1 = (Lucros acumulados) / (Ativo total)

B2 = (Lucros antes dos juros e imposto de renda) / (Ativo total) B3 = (Patrimônio líquido) / (Exigível total)

B4 = (Vendas líquidas) / (Ativo total)

De acordo com Altman et al. (1979), a empresa que apresenta Z superior a 0 é considerada saudável. Já aquela que apresenta Z inferior a 0, considera-se que possui problemas financeiros. O modelo de Altman (1968) obteve 90% de confiabilidade. O modelo de Altman et al. (1978) atingiu 88%. No Brasil, foram analisadas 58 companhias, sendo 23 com problemas financeiros comprovados e 35 consideradas saudáveis (Altman et al., 1979).

2.7.4 Modelo de Sanvicente e Minardi (1998)

Sanvicente e Minardi (1998) elaboraram um modelo que foi criado a partir de seus estudos sobre os modelos de Kanitz (1978) e Altman et al. (1979). A função de análise discriminante por eles sugerida para a previsão de insolvência é:

X = – 0,042 – 0,209(C1) – 0,875(C2) + 3,636(C3) + 0,172(C4) + 0,029(C5)

onde,

C1 = (Ativo circulante – Passivo total) / (Ativo total) C2 = (Patrimônio líquido – Capital social) / (Ativo total)

C3 = (Lucro operacional – Despesas financeiras + Receitas financeiras) / (Ativo total) C4 = (Patrimônio líquido) / (Exigível total)

C5 = (Lucro operacional antes de juros e imposto de renda) / (Despesas financeiras)

Da mesma forma que o modelo de Altman et al. (1979), o modelo de Sanvicente e Minardi (1998) pode ser interpretado da seguinte forma: caso o índice X seja inferior

Equação 3

(42)

a 0, a empresa é considerada insolvente. Caso seja superior, é considerada solvente. O índice de acerto do modelo foi de 81,8% (SANVICENTE; MINARDI, 1998).

2.7.5 Modelo de Silva (2001)

O modelo de Silva (2001), foi elaborado com base na análise discriminante. A função apresentada pelo autor foi:

W = 0,722 – 5,124(D1) + 11,016(D2) – 0,342(D3) – 0,048(D4) + 8,605(D5) – 0,004(D6)

onde,

D1 = (Duplicatas descontadas) / (Duplicatas a receber) D2 = (Estoques) / (Custo da mercadoria vendida) D3 = (Fornecedores) / (Vendas)

D4 = (Estoque / Custo da mercadoria vendida) x 360

D5 = (Lucro operacional + Despesas financeiras) / (Ativo total – Investimentos) D6 = (Exigível total) / (Lucro líquido + 0,1 x Imobilizado)

Quanto aos resultados da função, Silva (2001) classifica da seguinte forma: se o W da empresa for maior que 0, ela é considerada solvente, mas caso o W seja menor que 0, ela é considerada insolvente. A pesquisa realizada por Silva (2001), foi composta por 20 empresas solventes e 33 insolventes. O percentual de acerto do modelo foi de 75,77% (SILVA, 2001).

Equação 4

(43)

2.7.6 Modelo de Guimarães e Moreira (2008)

Com base em modelos anteriores, Guimarães e Moreira (2008) elaboraram um modelo de previsão definido pela seguinte função, gerada por meio da análise discriminante:

Y = 0,526 + 1,6791(EstA) – 1,8301(EstC) + 0,012(RCMCPd) + 2,0812(LAJIRC)

onde,

EstA = (Capital de giro líquido) / (Ativo total)

EstC = (Passivo circulante + Exigível a longo prazo) / (Passivo total)2 RCMCPd = ((Patrimônio líquido – Ativos de baixa liquidez)1/3)/100

LAJIRC = (Lucro operacional antes de juros e imposto de renda) / (Passivo corrente + Exigível a longo prazo)

Para os resultados superiores a 0, considera-se que a empresa é solvente. Caso o resultado seja inferior a 0, a empresa é declarada insolvente. O modelo de Guimarães e Moreira (2008) registrou um índice de acerto de 88,6% (GUIMARÃES;

MOREIRA, 2008).

Equação 5

(44)

3 MÉTODOS E TÉCNICAS DE PESQUISA

Será apresentada, neste capítulo, a forma pela qual a pesquisa será realizada, sendo esta classificada com base em seus objetivos. Da mesma forma, será definida a amostra e a população do estudo, além da apresentação dos instrumentos de pesquisa, de coleta e de análise dos dados.

3.1 Tipo e descrição geral da pesquisa

De acordo com Silva e Menezes (2001), existem várias formas de se classificar uma pesquisa: de acordo com seus objetivos; pela sua natureza; pelo ponto de vista da forma de abordagem do problema; e por seus procedimentos técnicos.

O objetivo geral desta pesquisa é testar a confiabilidade atual dos modelos de previsão de insolvência mais comuns na literatura, ao considerar as mudanças legais e econômicas ocorridas no Brasil. Enquadra-se este objetivo, de acordo com a classificação proposta por Gil (1991), como uma pesquisa descritiva. Para Gil (1991), geralmente, os pesquisadores sociais que se preocupam com a atuação prática recorrem a este tipo de pesquisa, a qual “visa descrever as características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis” (GIL, 1991, p. 25).

Quanto à natureza, a pesquisa é classificada como aplicada, tendo em vista que objetiva gerar conhecimento para a aplicação prática de seus resultados (SILVA;

MENEZES, 2001). Para Silva e Menezes (2001), em geral, as pesquisas das Ciências Sociais Aplicadas, como a Administração, são classificadas como aplicadas.

Quanto à forma de abordagem do problema, o presente estudo é classificado como uma pesquisa quantitativa, tendo em vista que os resultados serão apresentados em números, por meio do uso de técnicas estatísticas (SILVA; MENEZES, 2001).

(45)

Por fim, em relação aos procedimentos técnicos empregados na pesquisa, são utilizados dados secundários, e é classificada como uma pesquisa documental. De acordo com Gil (1991), a pesquisa documental é aquela que pode utilizar dados de documentos como relatórios de pesquisa, tabelas estatísticas, ou informações financeiras das empresas. A pesquisa documental é baseada em dados que não receberam tratamento analítico ou que podem trazer novas análises com base em diferentes objetivos de pesquisa (GIL, 1991).

3.2 Caracterização da organização, setor ou área do objeto de estudo

As organizações pesquisadas serão, em sua totalidade, empresas de capital aberto, participantes da BM&FBOVESPA.

A Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo (BM&FBOVESPA) é, atualmente, a bolsa de valores oficial do Brasil, surgida em 8 de maio de 2008, pela fusão entre a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a Bolsa de Mercados e Futuros (BM&F) (BM&FBOVESPA, 2011). De acordo com eles, a BM&FBOVESPA é a segunda maior bolsa de valores do mundo em valor de mercado.

Sendo a única bolsa de valores brasileira, todas as empresas de capital aberto do Brasil possuem ações na BM&FBOVESPA. As organizações estudadas neste trabalho são, em sua totalidade, empresas de capital aberto. Nesse sentido, e de acordo com o sítio da Advanced Financial Network (ADVFN), uma empresa de capital aberto é uma organização que tem capital formado por ações que são livremente vendidas ao público. As empresas de capital aberto são, também, chamadas de sociedades anônimas.

Por fim, para caracterizar a amostra aqui utilizada, temos também algumas das empresas que fazem parte do índice IBX50, divulgado pela BM&FBOVESPA.

Apenas as organizações consideradas solventes serão pesquisadas com base neste índice. De acordo com o sítio da bolsa, o índice avalia o retorno de uma carteira que é formada pelas ações das 50 sociedades anônimas mais negociadas na bolsa. A

(46)

seleção é feita com base em critérios de liquidez e serve, principalmente, como um índice de referência de desempenho das demais empresas participantes da bolsa. A carteira é atualizada a cada quadrimestre (de quatro em quatro meses).

Dessa forma, ao considerar que o índice serve como referência para o mercado de ações brasileiro, pode ser justificada a escolha de organizações que fazem parte desse índice como pertencentes ao grupo da amostra de empresas consideradas solventes, como podemos ver no item 3.3 deste presente trabalho.

3.3 População e amostra

A presente pesquisa irá analisar dois grupos de organizações de capital aberto. Em um primeiro grupo, levantar-se-á 10 empresas que foram à falência ou utilizaram do recurso de recuperação judicial, ou seja, empresas consideradas insolventes. Tais fatos deverão ter ocorrido entre os anos de 2004 e 2011. A escolha das 10 sociedades será feita aleatoriamente entre as organizações encontradas no período indicado.

O segundo grupo, também composto por 10 empresas, será formado por organizações que não entraram em falência ou recuperação judicial no período analisado (2004 a 2011), ou seja, empresas solventes. Esta última amostra será gerada aleatoriamente com base nas empresas de capital aberto que fizeram parte do índice IBX50 (índice que considera as 50 maiores empresas presentes na BM&FBOVESPA) durante o período estudado. A escolha de dez dentre as maiores empresas pode ser considerada demasiadamente tendenciosa. Porém, o objetivo deste estudo é não somente verificar a confiabilidade dos modelos em relação às empresas insolventes, mas, também, verificar se os métodos são capazes de identificar se uma empresa é solvente, e as maiores empresas da bolsa de valores são as que podem efetivamente ser consideradas solventes antes mesmo de saber os resultados dos estudos.

As demonstrações contábeis analisadas serão referentes a 5 anos. Para o primeiro grupo, serão considerados os 5 últimos anos antes de decretada a falência ou

Referências

Documentos relacionados

O Estado Burocrático- Industrial e o Estado Gerencial são estados de transição de uma política de elites para uma democracia moderna, ou seja, em uma democracia na qual a sociedade

AtravŽs dessas iniciativas, Paula e Cristiano buscam atingir o quanto antes a vis‹o da Onodera EstŽtica - Unidade Bela Vista ÒSer referncia no ramo de estŽtica

A pecuária de corte no Brasil passa por rápidas e intensas transformações que acionam, diretamente, diversos segmentos de sua estrutura de produção, passando pelos geradores

Acredita-se que as pes- soas especiais devem estar presentes não só como ouvintes, mas como agentes que possam estar envolvidos nas discussões e decisões sobre uma

3.2 Objetivos específicos a utilizar técnicas de sensoriamento remoto para determinar índices de vegetação e avaliar a dinâmica da cobertura vegetal no Alto Ipanema ao longo dos anos

Professor André: A questão da robótica na licenciatura eu tive uma introdução mas foi bem rápida, não foi bem detalhada não, mas a questão de trabalhar na escola foi quando chegou

Os desfechos pesquisados foram o impacto do diabetes mellitus tipo 1 sobre a qualidade de vida de crianças e adolescentes com esse problema e os principais

tratando do ambiente escolar, quando a criança se desvincula do seio familiar para inserir na escola ela já trás consigo um referencial de aprendizagem referente aos