PATOGÊNESE VIRAL
PROF. DR. ARIPUANÃ WATANABE
DPMI/ICB/UFJF
O prefixo
“pato” (do grego, pathos) significa
sofrimento
ou
doença
sendo
atualmente
utilizado para definir os processos envolvidos
nas doenças.
Patógeno: agentes infecciosos capazes de
causar doença
Patologia: estudo da natureza e das
modificações estruturais e/ou funcionais
produzidas por doença no organismo
Patogenicidade: capacidade do agente de
infectar o hospedeiro e causar doença
Patogênese ou patogenia: os dois termos são
sinônimos e são utilizados para definir as etapas
ou mecanismos envolvidos no desenvolvimento
de uma doença.
Virulência é uma palavra que vem do latim
(virulentia) e pode ser usada de várias
maneiras; em algumas situações, o termo
virulento é usado como sinônimo de patogênico.
- variantes virulentas (ou patogênicas), capazes
de causar doença
- variantes não virulentas (ou não patogênicas),
não causam doença ou causam doença branda
PATOGÊNESE VIRAL
• Transmissão
• Entrada
• Disseminação
• Mecanismos de Doença
• Resposta imune
• Excreção
Os vírus são parasitas intracelulares
obrigatórios.
Portanto, são parasitas obrigatórios de
tecidos dentro do organismo.
24 famílias de vírus que infectam
humanos
Centenas de Espécies
1 cél. eucarionte : 7 partículas virais
A patogênese viral é o estudo da relação
entre o vírus e o organismo infectado.
O termo patogênese descreve a indução de
doença pelo vírus e não apenas a infecção.
Infecção não é sinônimo de doença.
Mecanismos importantes podem ser
elucidados ao comparar indivíduos
infectados assintomáticos e indivíduos
com doença.
PATOGÊNESE VIRAL
- Entrada do vírus
- Pode ou não
ocorrer sintomas
- sintomas “leves”
INFECÇÃO
- Vírus atinge órgão
alvo
- Sinais e sintomas
associados a doença
PATOGÊNESE VIRAL
PATOGÊNESE VIRAL
Microorganismo Principais doenças infecciosas Período de incubação Adenovírus Infecção das vias aéreas superiores 2 a 18 dias. Média: 8 dias Coronavírus Infecção das vias aéreas superiores 2 a 5 dias
Influenza vírus Gripe 1 a 3 dias
Poliovírus Poliomielite 3 a 35 dias. Média: 7 a 14 dias
Rinovírus Infecção das vias aéreas superiores 12 horas a 5 dias. Média: 48 horas
Rotavírus Gastroenterocolite 24 a 72 horas
Simplex vírus Herpes 2 a 12 dias
Vírus da hepatite B Hepatite 45 a 180 dias. Média: 2 a 3 meses
Vírus da hepatite C Hepatite 2 semanas a 6 meses. Média: 6 a 9 semanas Vírus da imunodeficiência
humana AIDS
Menos de 1 ano até acima de dez
PATOGÊNESE VIRAL
A relação infecção – doença vai depender:
do tipo de vírus
da espécie viral
do hospedeiro infectado
da via de infecção
Patogênese viral
Destruição de tecidos
Indução e secreção de citocinas
inflamatórias – “cytokine storm”
Disfunção celular – sincício
Efeito parâcrino – HHV 8
Definir em termos moleculares a diferença entre
infecção e doença: infecção ocorre replicação
celular, porém ainda não ocorreu nenhum dos
mecanismos de patogênese, ao contrário da
doença, em que o mecanismo está instalado.
Infecção
- mecanismo pelo qual o vírus introduz seu material genético na célula.Infecção
Produtiva
Abortiva
Latente
Novos vírus infecciosos
Novos vírus infecciosos
X
Novos vírus infecciosos ReativaçãoPATOGÊNESE VIRAL
Infecção
≠
doença
O estabelecimento de uma infecção viral produtiva depende de:
PATOGÊNESE VIRAL
Resposta imune
: pode determinar o estabelecimento,
eliminação ou persistência da infecção
Susceptibilidade:
existência de receptores para o vírus
Permissividade
: presença de fatores celulares que
permitam a replicação viral eficiente
Vias de transmissão
ENTRADA E
Portas de Entrada =
Mucosa do sistema respirat
ó
rio,
digest
ó
rio, urin
á
rio,
conjuntiva/c
ó
rnea
Pele
Sangue: agulhas, picadas,
transfusão, DI, mordeduras
animais
sexual
From Flint et al Principles of Virology ASM Press
A via respiratória é a mais comum.
Á
rea, superf
í
cie, do pulmão humano = 140 m
2(8.500 L/dia)
Mecanismos de defesa:
Epit
é
lio mucociliar, (c
é
lulas ciliadas, c
é
lulas que secretam
muco, linf
ó
citos, macr
ó
fagos)
Secre
ç
ão de IgA
A transmissão respirat
ó
ria ocorre por:
Aeros
ó
is - v
í
rus influenza
Contato direto
–
rinovírus e RSV
A infec
ç
ão pode ser
localizada
–
rinov
í
rus
sistêmica
–
v
í
rus influenza
From Flint et al Principles of Virology ASM Press
Goblet cells - liberação de muco - este pode ser “digerido” pela neuraminidase do vírus Influenza.
Adenovírus se multiplicam em células da camada basal e rompem as ligações intercelulares para passar para o lúmen.
Muitos receptores virais são
mol
é
culas de adesão:
ICAM - 1 para Rhinov
í
rus
CAR- Coxsackie,Adenovirus-
Receptor - componente das
“
tight junctions
”
From Spear: Dev Cell 3:462-464 (2002)
Durante a infecção por adenovírus, um
excesso de proteínas virais é liberado
(fibras). Estas proteínas interagem com o
receptor CAR e rompem as junções
intercelulares, permitindo a liberação dos
novos vírus e disseminação pelo epitélio.
From Walters et al Cell 110:789-799 (2002)
Células epiteliais e receptores virais
Vírus entéricos
Infecções localizadas: Rotavírus - diarréias Norovírus- diarréias Coronavírus- diarréias Infecções sistêmicasEnterovírus - pólio e hepatite A Reovírus - infecções
respiratórias e entéricas Adenovírus - infecções respiratórios, entéricas, renais
Virus que penetram e se multiplicam no trato alimentar precisam ser resistentes a variações de pH, ação de enzimas digestivas e a condições ambientais extremas.
O epitelio intestinal é recoberto por células polarizadas, colunares, com microvilosidades.
Parece uma excelente barreira, no entanto os rotavírus, adenovírus e poliovírus se multiplicam muito bem neste epitélio.
A infecção pode ser localizada ou sistêmica.
Sítio primário de replicação - junto
à porta de entrada
Passagem para o sistema linfático, amplificação. Passagem para o sangue - viremia Sítio secundário de multiplicação - órgãos alvo ou sistêmica, vários órgãos envolvidos
From Flint et al Principles of Virology ASM Press
Presença de vírus no sangue = viremia
Vírus livres no soro ou dentro de linfócitos.
Os vírus passam do epitélio para o sangue via sistema linfático.
• Viremia:
• Ativa - produzida pela replicação do vírus
•Passiva - causada pela injeção de vírus direto na corrente sangüínea.
Após entrada na corrente sangüínea os vírus se disseminam por via
hematogênica.
PADRÕES DE
INFECÇÃO VIRAL
PADRÕES DE INFECÇÃO VIRAL
Infecção
Aguda
Crônica
(persistente)
Infecção de hospedeiro suscetível
A infecção continua por longos períodos.
PADRÕES DE INFECÇÃO VIRAL
Replicação
INFECÇÃO LATENTE
PADRÕES DE INFECÇÃO VIRAL
Latência
– representa um estado transcricional e traducional único do vírus. O ciclo produtivo não funciona mas pode ser ativado a qualquer momento.Latência
Reativação
INFECÇÃO LATENTE
HSV
INFECÇÃO LATENTE
800nm/s = 280
m/h
Diâmetro médio cél. = 40
m
1 hora – 7 células
Hepatite B (aguda)
Hepatite B (crônica)
INFECÇÃO CRÔNICA
15-20%
cronificam
Hepatite C (aguda)
Hepatite C (crônica)
INFECÇÃO CRÔNICA
70-85% desenvolvem infecção
persistente, destes 20-25%
PADRÕES DE INFECÇÃO VIRAL
INFECÇÃO PROGRESSIVA
“Set point”
PADRÕES DE INFECÇÃO VIRAL
INFECÇÃO PERSISTENTE
zur Hausen Nature Reviews Cancer 2, 342-350 (2002)
PADRÕES DE
INFECÇÃO
PADRÕES DE INFECÇÃO VIRAL
Resposta do
hospedeiro:
Infecção aguda vs. crônicaVirulência
Tropismo
Resposta do
hospedeiro:
Infecção crônica
Infecção aguda
Resposta
inata
Resposta
adaptativa
Mecanismos de Evasão
VIRULÊNCIA
É a capacidade relativa de
um vírus causar doença.
Existem diferentes tipos: • Morte rápida
• Falência de orgãos • Indução de tumores
Em geral, está associada à capacidade replicativa do vírus. No entanto, fatores como tropismo e a resposta do hospedeiro são importantes.
VIRULÊNCIA
Estirpes virulentas causam doença – gripe espanhola
Estirpes avirulentas ou atenuadas não causam doença, mas são
capazes de infectar organismos - vacinas
A virulência depende:
do vírus (alguns variantes são mais virulentos que outros)
da dose ou carga viral recebida pelo hospedeiro
da via de inoculação
O rotavírus é o principal vírus causador de diarréia em crianças.
A proteína viral não estrutural NSP4, tem ação semelhante às enterotoxinas.
Desencadeia uma via de sinalização na mucosa intestinal que causa elevação do potencial de Ca2+ que aumenta a secreção de Cálcio = diarréia
VIRULÊNCIA
• Família : Reoviridae
• Vírus não envelopado de 60-80 nm • Genoma de RNA (ds) segmentado • Sete tipos: A-G
Numa segunda etapa: lise das células em escova, do epitelio intestinal, isto é, as células produtoras de lactase.
Consequente, acúmulo de lactose no lúmem que é compensado pela liberação de água = diarréia osmótica
NA (N) Neuraminidase HA (H) Hemaglutinina M2 Envelope Genoma • Família : Orthomyxoviridae • Vírus envelopado de 100 nm • Genoma de RNA (-) segmentado • Três tipos: A, B, C
- 8 segmentos em influenza A e B - 7 segmentos em influenza C
Vírus influenza
Tipo A: Eqüinos, suínos, aves
e humanos
Epidemias – epidemias de influenza A e
B acontecem por mudanças menores nos antígenos virais HA e NA.
Pandemias – As pandemias de influenza A se dão
quando um vírus com um novo tipo de hemaglutinina surge como resultado de mudança de antígenos (antigenic shift). Como resultado, a população não possui imunidade contra a nova cepa viral.
Caracterísiticas da Infecção
HA (H)– Hemaglutinina
• Vírus se liga ao receptor na célula alvo na mucosa respiratória (ác. siálico)
• Reconhecidos por anticorpos do hospedeiro
• Alta variabilidade
Causas das epidemias
VIRULÊNCIA
VIRULÊNCIA
Pandemias
– As pandemias de influenza A são desencadeadas quando surgeum novo vírus com um tipo de hemaglutinina distinta. Esta mudança resulta em antígenos de superfície diferentes (antigenic shift). Desta forma, a população não apresentará imunidade contra a nova cepa viral.
Causas das Pandemias
“Antigenic shift”
“Antigenic shift”
Aves
Porcos
Humanos
Cepa patogênica de aves ou porcos Cepa humanaNova cepa humana patogênica
Causas das Pandemias
“Antigenic shift”...entre diferentes espécies
VIRULÊNCIA
Triptase Clara e digestão de HA
Importância Zoonótica
“Antigenic
shift”...entre
diferentes espécies
VIRULÊNCIA
Maior produção
de genomas
virais defectivos
Estimula mais
resposta imune
inata
Doença mais
branda
Menor produção
de genomas
virais defectivos
Estimula menos
resposta imune
inata
Doença mais
grave
Vasilijevic J, et al. Reduced accumulation of defective viral genomes contributes to severe outcome in influenza virus infected patients. PLoS Pathog. 2017 Oct 12;13(10):e1006650.
Vasilijevic J, et al. Reduced accumulation of defective viral genomes contributes to severe outcome in influenza virus infected patients. PLoS Pathog. 2017 Oct 12;13(10):e1006650.
~
200 Tipos
~ 40 INFECTAM MUCOSA ANOGENITAL
BAIXO RISCO
(HPV 6, 11, 42, 43, 44)
ALTO RISCO
(HPV16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51,
52, 56, 58, 59 e 66)
LESÕES DE BAIXO GRAU
E VERRUGAS GENITAIS
LESÕES DE ALTO GRAU
CARCINOMA INVASIVO
Papilomavírus humano
Epidermodisplasia
verruciforme
Tipos não genitais
Tipos Genitais
~
200 Tipos de HPV
Epidermodisplasia verruciforme
HPV3, 4, 5a, 5b, 8-10, 12, 14, 15, 17, 19-21, 23-26, 36-38, 47 e 50
~
200 Tipos de HPV
TROPISMO
Dede Koswara
“Homem árvore”
Tipos não genitais
HPV1, 2, 3, 4, 10, 28, 41
~
200 Tipos de HPV
Tipos genitais
HPV 16, 18, 31 e 45~
200 Tipos de HPV
TROPISMO
responsáveis por
65% câncer genital
Rota de infecção dos vírus respiratórios
Fossas nasais
Cavidade bucal Faringe
Laringe Traquéia Pulmões Lobo superior Lobo inferior Lobo médio Bronquíolos Alvéolos Brônquios Pleura gotículas de saliva
ou secreção nasal + vírus
Superfícies contaminadas