Pensamento
Revista
Volume 1 Nº1 2007
Volume 1 Nº1 2007
Revista Científica do
Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino - FAE
Plural
Plural
ISSN 1982-3088
Artigo
Artigo
Análise por Bioimpedância da Composição Corporal de Indivíduos
antes e Imediatamente após a Prática de Exercício Físico
E
05
20
-
Hugo
vangelista Brandino e eonardo Duarte Picchi,
Cibercultura: Comunicação On-Line nas Cidades
-
Carolina Dotta
Milan e Francisco de Assis Carvalho Arten, 11
Abuso Sexual de Mulheres: Um Estudo da Percepção na
Avaliação de Risco e nas Ações de Prevenção
- Luciene Cazaroto e
Carmen Beatriz Fabriani, 14
Encontro de Gerações - Diversidade de Olhares
- Erica Passos
Baciuk, Maria Helena Cirne de Toledo, Sérgio Eduardo Nassar, Elizabeth Regina
Jesumary Gonçalves e Vagner Luiz da Silva,
L
Análise por Bioimpedância da Composição Corporal de Indivíduos
antes e Imediatamente após a Prática de Exercício Físico
Cibercultura: Comunicação On-Line nas Cidades
Encontro de Gerações - Diversidade de Olhares
-
Resenha, 68
Resenha
UNIFAE - Documento
UNIFAE - Documento
Efeitos da Utilização do Cavalo como Recurso Terapêutico na
Motricidade de Crianças Portadoras de Mielomeningocele
- Mônica
Cristina P. Andrade e Valéria Augusto, 28
Avaliação da Amplitude de Movimento dos Ombros em Mulheres
Operadas por Câncer de Mama
- Maria Catarina Valério Riograndense da
Silva e Laura Ferreira Rezende, 41
Avaliação Funcional de Cardiopatas após Fisioterapia
Cardiovascular Fase III
- Tatiana Lucio de Souza e Daniele Albano Pinheiro,
40
Efeitos do Tratamento Metformina Associada ao Exercício Físico
Anaeróbio sobre as Funções Cardíacas de Ratos Diabéticos por
Aloxana
- Carlos Fabrício de Moraes e Eunice Cristina da Silva Costa, 49
Implantação de uma Cultura de Segurança: Estudo sobre a
Avaliação e Prevenção do Risco
- Luciene Cazaroto, Elisângela de Souza,
Eda Terezinha Tassara e Carmen Beatriz Fabriani, 59
Avaliação da Amplitude de Movimento dos Ombros em Mulheres
Operadas por Câncer de Mama
Avaliação Funcional de Cardiopatas após Fisioterapia
Cardiovascular Fase III
Efeitos do Tratamento Metformina Associada ao Exercício Físico
Anaeróbio sobre as Funções Cardíacas de Ratos Diabéticos por
Aloxana
Implantação de uma Cultura de Segurança: Estudo sobre a
Avaliação e Prevenção do Risco
Perfil
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS
FACULDADES ASSOCIADAS DE ENSINO - FAE
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Pró Reitora de Graduação: Pró Reitora de Graduação:
Pró Reitora de Graduação: Pró Reitora de Graduação: Prof. Dra. Carmen Beatriz Fabriani
PPPPPró Rró Rró Rró Rró Reitor de Pós Graduação e Peitor de Pós Graduação e Peitor de Pós Graduação e Peitor de Pós Graduação e Peitor de Pós Graduação e Pesquisa: esquisa: esquisa: esquisa: esquisa: Prof. Ms. Sérgio Venício Dragão Pró Reitor de Assuntos Comunitários e de Extensão:
Pró Reitor de Assuntos Comunitários e de Extensão:Pró Reitor de Assuntos Comunitários e de Extensão:
Pró Reitor de Assuntos Comunitários e de Extensão:Pró Reitor de Assuntos Comunitários e de Extensão: Prof. Ms. Danilo Leite Vicentini Secretária Geral:
Secretária Geral:Secretária Geral:
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Corpo Editorial do UNIF Corpo Editorial do UNIF Corpo Editorial do UNIF Corpo Editorial do UNIFAEAEAEAEAE Editor Geral:
Editor Geral: Editor Geral: Editor Geral:
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Comissão Editorial: Comissão Editorial: Comissão Editorial: Comissão Editorial:
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Editor Adjunto: Editor Adjunto: Editor Adjunto: Editor Adjunto:
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Expediente
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PPPPProjeto Gráfico: rojeto Gráfico: rojeto Gráfico: rojeto Gráfico: rojeto Gráfico: Junior - Agência Experimental de Publicidade e Propaganda do UNIFAE ISSN 1982-3088 Comitê Científico: Comitê Científico: Comitê Científico: Comitê Científico: Comitê Científico: Adão Carlos Bertocin (UNIFAE)
Adolpho Carlos Françoso Queiroz (UMESP) Adriana Maria Procópio (USP-Ribeirão) Aldarí Wagner de Souza (UNIFAE) Antonio Terzis (PUC-Campinas) Betânia Alves Veiga Dell Agli (UNIFAE) Camilo Antonio de Assis Barbosa (UNIFAE) Carlos Roberto Corrêa (UNIFAE)
Carmen Beatriz Fabriani (UNIFAE) Daniele Albano Pinheiro (UNIFAE) Danilo Leite Vicentini (UNIFAE)
Eduardo Francisco Simon Ciaco (UNIFAE) Ellika Trindade (UNIFAE)
Emerson Aparecido Pelaquim Rabelo (UNIFAE) Érica Passos Baciuk (UNIFAE)
Ester Evangelista da Costa (UNIFAE) Eunice Cristina da Silva Costa (UNIFAE) Francisco de Assis C Arten (UNIFAE) Gilberto Brandão Marcon (UNIFAE) Gino Giacomini Filho (USP – ECA) Gisele Ap do Patrocínio Bazi (UNIFAE) Gleber Paula (UNIFAE)
Guilherme Marson Junqueira (UNIFAE) Helder Luis Azevedo da Silva (UNIFAE) Israel Valdecir de Souza (UNIFAE) João Sérgio Januzelli de Souza (UNIFAE)
João Soares Sobrinho (UNIFAE) José Acácio Rissardi (UNIFAE) José Carlos Sibila Barbosa (UNIFAE) Kamal Abdel Radi Ismail (UNICAMP - FEM) Laura Ferreira de Rezende (UNIFAE) Leonardo Duarte Picchi (UNIFAE) Lucas Vieira Dutra (UNIFAE)
Luciene Maria Barbieri Ázar (UNIFAE) Luiz Antonio de Souza (UNIFAE) Marcolino Fernandes Neto (UNIFAE)
Maria de Fátima Antunes Pinto Catunda (UNIFAE) Maria do Socorro F. Veloso (UNIFAE)
Maria Helena Cirne de Toledo (UNIFAE) Maria Izabel Ferezin Sares (UNIFAE) Maria José Scassiotti de Souza (PUC-Minas) Marcio Luiz de Andrade (UNICAMP - FEE) Milton Mori – UNICAMP - FEQ
Renata Carolina Zanetti Lofrano (UNIFAE) Roberto de Toledo Assumpção (UNIFAE)
Rogério Eduardo Rodrigues Bazi (PUC-Campinas) Rosa Helena Carvalho Serrano (UNIFAE)
Sérgio Eduardo Nassar (UNIFAE) Sérgio Venício Dragão (UNIFAE)
Silvia Maria Rodrigues Teixeira Valota (UNIFAE) Trézia Ieda Ballerini Bruno (UNIFAE)
Valdete Maria Ruiz (UNIFAE) Valdemir Samonetto (UNIFAE) Valéria Augusto Alves (UNIFAE)
Editorial
Editorial
Editorial
Editorial
Editorial
Prezado leitor,
A revista PPPPPensamento Pluralensamento Pluralensamento Pluralensamento Pluralensamento Plural inicia sua trajetória com quatro artigos, cinco textos Unifae-Documento, um perfil e uma resenha, voltados aos mais diversos interesses científicos. Todos foram produzidos dentro dos três núcleos de pesquisa do UNIFAE: Qualidade de Vida e Desenvolvimento Sustentável, Gestão de Negócios e Inclusão Social. O objetivo é agregar idéias e pesquisas em torno de temas que possam contribuir para a troca de conhecimento e experiências em variadas áreas do saber. Nesse primeiro número foram priorizados os artigos publicados com o apoio do PAIC (Programa de Apoio à Iniciação Científica) e PAPEC (Programa de Apoio à Pesquisa Científica).
Nos artigos, os temas partem de uma pesquisa comparativa da composição corporal, através do uso da bioimpedância elétrica; na seqüência, Cibercultura, sobre como o poder público, no âmbito dos municípios, trata a democratização e participação popular na comunicação on-line; seguido do estudo sobre abuso sexual com mulheres, a avaliação de risco e as formas de prevenção e, por fim, um estudo das condições de exclusão social de um grupo de idosos em São João da Boa Vista/SP, antes e depois do convívio com universitários.
O UNIFAE-Documento traz o uso da fisioterapia como reabilitador, num estudo dos efeitos da equoterapia na melhora dos movimentos de crianças portadoras de mielomeningocele; acompanhado de um estudo sobre o movimento dos ombros em mulheres pós operadas de câncer de mama; um levantamento sobre a performance de pacientes que têm problemas de coração e os efeitos da metformina associada ao exercício físico anaeróbio. Finalizando, um trabalho sobre a implantação de uma cultura de segurança: estudo sobre a avaliação e prevenção do risco.
No perfil, Pensamento Plural apresenta uma entrevista com o professor Kamal Abdel Radi Ismail, sobre a relevância científica e o exemplo de um percurso dedicado à produção e a divulgação do conhecimento e a formação de novos pesquisadores. E, fechando, uma resenha sobre a obra Agenda: o que as empresas devem fazer para dominar esta década, de Michael Hammer.
Esperamos que com este trabalho o PPPPPensamentoensamentoensamentoensamentoensamento seja realmente PluralPluralPluralPluralPlural, ampliando os horizontes e contribuindo para o desenvolvimento da pesquisa universitária e de ações que viabilizem a melhoria da sociedade em seus mais variados campos.
Carta aos leitores
Carta aos leitores
Carta aos leitores
Carta aos leitores
Carta aos leitores
É com grande satisfação que trazemos à comunidade mais uma produção do UNIFAE. Em continuidade ao apoio que o Centro Universitário tem dado ao ensino, à pesquisa e à extensão, nasce a revista Pensamento Plural – Revista Científica do UNIFAE, com circulação semestral.
A revista Pensamento Plural - Revista Científica do UNIFAE visa “promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação” (PDI/UNIFAE 2005).
Trata-se, portanto, de uma revista que pretende contribuir para a difusão do conhecimento científico, com uma linha editorial que abre também espaço para a produção da graduação, da pós-graduação e da pesquisa dentro de uma dimensão multidisciplinar. Esperamos que a pluralidade seja uma constante neste periódico, no tratamento de temas a partir dos três núcleos de pesquisa do UNIFAE: Gestão de Negócios, Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida e Inclusão Social.
Por fim, aproveito para agradecer àqueles que direta e indiretamente contribuíram para mais essa conquista, que não é só nossa, mas de todos que podem usufruir e participar da construção de uma sociedade melhor e mais justa através do ensino.
Valdemir Samonetto Reitor do Unifae
5 Pensamento Plural: Revista Científica do , São João da Boa Vista, v.1, n.1, 2007
Resumo
Palavras-chave
Análise por
Análise por
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Análise por bbbbbioimpedância da
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omposição
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orporal de
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orporal de
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indivíduos antes e imediatamente após a prática de exercício físico
indivíduos antes e imediatamente após a prática de exercício físico
indivíduos antes e imediatamente após a prática de exercício físico
indivíduos antes e imediatamente após a prática de exercício físico
indivíduos antes e imediatamente após a prática de exercício físico
Hugo Evangelista Brandino, Leonardo Duarte Picchi
A Bioimpedância ou Impedância Bioelétrica (BIA) é um método de análise da Composição Corporal (CC). É utilizada para realizar a avaliação da CC, de modo a mensurar a quantidade de Massa Magra (MM), Massa Gorda (MG) e o Índice de Massa Corpórea (IMC). Estudou-se os efeitos que o exercício físico prévio pode ocasionar na avaliação da CC, conforme discutido por Emed (2006). Foram utilizados 30 voluntários, homens, com idade en-tre 18 e 25 anos, clinicamente saudáveis, submetidos à realização do exame seguindo um protocolo usual, onde permaneceram 30 minutos em repouso (Medida Inicial - MI), depois foram submeti-dos ao Teste de Cicloergômetro de Balke (caracterizou a prática de exercício físico) e assim submetidos ao exame de BIA (Medida Pós-Teste – MPT), por fim mais 30 minutos de repouso e finalmen-te realizaram a última aferição da CC por BIA (Medida Pós-Re-pouso – MPR). Os resultados mostraram que não houve mudan-ças nos valores da CC. Pode-se afirmar estatisticamente com um p=0,05 que as variáveis IMC da MPT comparada com a MI e as variáveis MG, MM e IMC da MPR comparada com a MPT, assim como podemos afirmar com um p=0,1 que as variáveis MG, MM da MPT comparadas com a MI; MG, MM e IMC da MPR compara-das com a MI, que a amostra populacional utilizada transfere os valores obtidos para uma população infinita. Pode-se concluir nesse estudo, que a prática de exercícios físicos não influencia significa-tivamente nos resultados dos exames de avaliação da composi-ção corporal obtido por meio da BIA.
Bioimpedância Elétrica, Composição Corporal, Exercícios Físi-cos.
Autores
Leonardo Duarte Picchi, professor do
Cen-tro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino - FAE; Fisioterapeuta com Mestrado em fisioterapia pela Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP.
E-mail: E-mail: E-mail: E-mail: E-mail: [email protected] [email protected] [email protected] [email protected] [email protected] Hugo Evangelista Brandino, aluno do 5o
se-mestre do curso de Fisioterapia do Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino - FAE. E-mail: E-mail: E-mail: E-mail: E-mail: [email protected] [email protected] [email protected] [email protected] [email protected] Recebido em 18/março/2007 Aprovado em 04/setembro/2007
Pensamento Plural: Revista Científica do , São João da Boa Vista, v.1, n.1, 2007 BRANDINO, H. E. e PICCHI, L. D. 6
1. Introdução
1. Introdução
1. Introdução
1. Introdução
1. Introdução
A Bioimpedância Elétrica (BIA) vem sendo aplicada desde 1940, quando foi relatado o uso da impedância elétrica no estudo da relação do eletrocardiograma e dos sons cardía-cos. A utilização mais conhecida deste tipo de tecnologia está na avaliação do volume sistólico, débito cardíaco e es-tudo do ciclo cardíaco pela bioimpedância torácica. Mas foi somente na década de 80 que o uso da BIA para a avaliação da Composição Corporal (CC) foi corroborado pela com-paração da técnica com métodos tradicionalmente utilizados para este fim. Desde então, novos rumos se deram ao apro-veitamento dos equipamentos e dados fornecidos pela análi-se da BIA (RICIERI, 2003).
Pode parecer que a preocupação com a CC é primeira-mente reservada a atletas, pois a performance atlética é par-cialmente influenciada pela proporção entre Massa Gorda (MG) e Massa Magra (MM). Porém, a CC é um importante aspecto na saúde dos indivíduos, independente da idade, sexo e origem. De acordo com o Colégio Americano de Medicina do Exercício (ACSM’s), a obesidade está associada ao aumento no risco de desenvolver doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, certos tipos de cân-cer e outras doenças crônicas.
Tradicionalmente, o modelo clássico de dois componen-tes (BROZEK, 1963) que separa a Massa Corporal Total (MCT) em MM e MG, vem sendo usado na obtenção de medidas de referência de CC e baseai-se nas seguintes su-posições: a) a densidade de gordura é de 0,901 g/cc; b) a densidade de MM é de 1,100 g/cc; c) a MM contém 73,8% de água, 19,4% de proteína e 6,8% de mineral.
Sabe-se que as proporções de água, proteína e mineral na MM variam de acordo com a idade, sexo, etnia, níveis de gordura corporal e, conseqüentemente, modificam a densi-dade de MM (dMM) (BAUMGARTNER, 1991; WANG, 1989; WILLIANS, 1993). Qualquer variação do valor assumido pela dMM pode resultar em erro sistemático na estimativa da gor-dura corporal relativa. Portanto, enquanto o modelo de dois componentes fornece uma estimativa precisa da gordura re-lativa, em homens brancos, esse modelo pode não ser ideal pra subgrupos populacionais, nos quais a dMM é diferente do valor assumido.
Do mesmo modo, a CC pode variar de acordo com os níveis de atividade física, visto que não se possui na literatura especializada um consenso se existem diferenças nos resul-tados obtidos por meio da BIA frente à prática ou não de atividade física antes da realização do exame.
O objetivo desse estudo foi verificar se a prática de exer-cícios físicos ocasiona mudanças na CC do indivíduo, utili-zando para isso o método de análise quantitativa da CC conhecido como Bioimpedância.
2. Composição Corporal (CC)
2. Composição Corporal (CC)
2. Composição Corporal (CC)
2. Composição Corporal (CC)
2. Composição Corporal (CC)
Composição Corporal é a proporção entre os diferentes componentes corporais e a massa corporal total, sendo resu-midamente expressa pelas porcentagens de gordura e de massa magra, porém as quantidades de água, estimativa do metabolismo basal, etc também podem ser observadas. Os valores de tais componentes são de grande importância para os profissionais da saúde, visto que as quantidades dos dife-rentes componentes corporais, principalmente gordura e massa muscular, apresentam estreita relação com a aptidão física, relacionada tanto à saúde como ao desempenho esportivo.
Composição Corporal é considerada um componente da aptidão física relacionada à saúde, em razão das relações
existentes entre a quantidade e a distribuição da gordura corporal com alterações no nível de aptidão física e no esta-do de saúde das pessoas.
O treinamento da aptidão física pela prática de atividades físicas promove muitos benefícios para a saúde; entre eles, com relação à CC, o aumento da massa corporal livre de gordura e a diminuição da porcentagem de gordura corpo-ral, o aumento da eficiência de trabalho, uma menor suscep-tibilidade para doenças, além da melhora da aparência física e menor incidência de problemas de autoconceitos relacio-nados à obesidade.
Reduzir a quantidade de gordura e/ou aumentar a quan-tidade de massa muscular estão entre aos anseios de grande parte dos praticantes de exercícios físicos. Esta preocupação pode ser notada não somente do ponto de vista estético, mas também do ponto de vista de qualidade de vida dos indivídu-os, já que a obesidade está associada a um grande número de doenças crônico-degenerativas.
Observando essa relação entre quantidade de gordura corporal e estado de saúde, verifica-se a necessidade da utilização de métodos capazes de avaliar, de forma válida, a quantidade de gordura corporal em relação à massa corpo-ral total. Nesse sentido, a importância da avaliação da com-posição corporal deve-se ao fato de a massa corporal isola-damente não ser considerada um bom parâmetro para a iden-tificação do excesso ou da carência dos diferentes compo-nentes corporais (massa gorda, massa muscular, massa ós-sea e massa residual) ou ainda para a avaliação das altera-ções nas quantidades proporcionais destes componentes, em decorrência de um programa de exercícios físicos e/ou dietas alimentares (COSTA, 2001).
A elevada porcentagem de gordura é um grave problema de saúde que reduz a expectativa de vida, pois aumenta o risco individual de desenvolver doenças crônico-degenerativas. O aumento dos riscos de saúde associados à obesidade é relacionado não apenas com a quantidade total de gordura corporal, mas também com a maneira pela qual a gordura está distribuída, especialmente na região abdominal (gordura intra-abdominal ou visceral). A gordura visceral é preditor de doença cardiovascular e outras desordens meta-bólicas – como diabetes tipo II – mais forte do que a quanti-dade total de gordura corporal.
Pouca gordura corporal, por outro lado, também repre-senta risco à saúde, porque o corpo necessita de certa quan-tidade de gordura para a manutenção das funções fisiológi-cas normais. Os lipídios essenciais – como fosfolipídios – são necessários para a formação da membrana celular, en-quanto os lipídios não-essenciais – como os triglicérides, encontrados no tecido adiposo – fornecem isolamento tér-mico e armazenam energia metabólica (ácidos graxos livres). Em adição a isso, os lipídios estão envolvidos no transporte e armazenamento de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), no funcionamento do sistema nervoso, no ciclo menstrual e no sistema reprodutor, bem como no crescimento e maturação durante a puberdade. Assim, a carência de gordura corporal como a encontrada em indivíduos com desordens alimenta-res (anorexia nervosa), viciados em exercícios e certas doen-ças como fibrose cística, pode levar a sérias disfunções fisio-lógicas. Devido aos riscos de saúde associados a quantida-des anormais de gordura corporal em ambos os extremos dessa escala, profissionais de saúde devem entender os prin-cípios que regem a avaliação da composição corporal total e a distribuição regional de gordura.
A quantidade de gordura corporal é determinada avalian-do-se a massa magra (MM) e a massa gorda (MG) do indiví-duo. A MG inclui todos os lipídios que podem ser extraídos do tecido adiposo e outros tecidos. A Massa Livre de
Gordu-7 77 77
Análise por bioimpedância da composição corporal de indivíduos antes e imediatamente após a prática de exercício físico
7 Pensamento Plural: Revista Científica do , São João da Boa Vista, v.1, n.1, 2007
ra (MLG) consiste em todos os tecidos e substâncias residu -ais, incluindo água, músculos, ossos, tecidos conjuntivos e órgãos internos. A Massa Magra (MM) consiste em massa livre de gordura mais uma pequena quantidade de lipídios essenciais (2-3% em homens e 5-8% em mulheres). Apesar de os termos MLG e MM serem às vezes usados indistinta-mente, existe essa pequena diferença na presença de lipídios essenciais na MM. (PATE, 1988)
2.1 Discriminação da Composição Corporal 2.1 Discriminação da Composição Corporal2.1 Discriminação da Composição Corporal 2.1 Discriminação da Composição Corporal2.1 Discriminação da Composição Corporal
Dentre as variáveis que são avaliadas para obtenção dos valores da CC, utilizou-se nesse estudo as seguintes variá-veis com suas respectivas definições:
– Índice de Massa Corpórea (IMC): define-se por razão do peso corporal pela altura elevada ao quadrado. Na prática clínica o cálculo de índice de massa corpórea (IMC ou BMI, de Body Mass Index), também conhecido como Ìndice de Quetelet, é o mais utilizado. O IMC tem cálculo sim-ples e rápido, apresentando boa correlação com a adiposidade corporal.
– Massa Gorda (MG): todos os lipídios que se podem extrair do tecido adiposo e de outros tecidos do corpo; – Massa Magra (MM): massa livre de gordura mais lipídios
essenciais;
3. Exercícios Físicos x Atividade Física x
3. Exercícios Físicos x Atividade Física x
3. Exercícios Físicos x Atividade Física x
3. Exercícios Físicos x Atividade Física x
3. Exercícios Físicos x Atividade Física x
Aptidão Física
Aptidão Física
Aptidão Física
Aptidão Física
Aptidão Física
De acordo com BÖHME (1993) a atividade física é con-siderada o processo do qual resultará o estado de aptidão física do individuo. Os benefícios para a saúde estão asso-ciados a ambos: a atividade física (como processo) e a ap-tidão física (como produto). Assim sendo, quanto mais atividade física for praticada, melhor aptidão física será de-senvolvida e um melhor estado de saúde resultará para o indivíduo.
Por definição, exercício físico é toda atividade física planejada, estruturada e repetitiva que tem por objetivo a melhoria e a manutenção de um ou mais componentes da aptidão física.
A atividade física é definida como qualquer movimento corporal, produzido pelos músculos esqueléticos, que resul-ta num gasto energético maior do que os níveis de repouso. Assim, a quantidade de energia necessária à realização de determinado movimento corporal deverá traduzir o nível de prática da atividade física exigido por esse mesmo movi-mento (GUEDES, 1995).
PATE (1998) definiu aptidão física relacionada à saúde como “a capacidade de realizar as atividades do cotidiano com vigor e energia e demonstrar traços e capacidades associados a um baixo risco de desenvolvimento prematu-ro de distúrbios orgânicos pprematu-rovocados pela falta de atividade física”.
Ainda neste contexto, GUEDES (1995) afirmou que a “aptidão física relacionada à saúde abriga aqueles atribu-tos biológicos que oferecem alguma proteção ao apareci-mento de distúrbios orgânicos provocados pelo estilo de vida sedentário que se torna, portanto, extremamente sen-sível ao nível de pratica de atividade física”.
Como componentes da aptidão física relacionada à saú-de, consideram-se aqueles voltados às dimensões morfológicas, funcional-motora, fisiológica e comportamental; sendo que, segundo estes autores, a di-mensão morfológica reúne aqueles componentes que apre-sentam alguma relação com o melhor estado de saúde, ou seja, que se identificam com a CC e com a distribuição de gordura corporal.
4. Bioimpedância Elétrica
4. Bioimpedância Elétrica
4. Bioimpedância Elétrica
4. Bioimpedância Elétrica
4. Bioimpedância Elétrica
A bioimpedância elétrica é um método rápido, não-invasivo e relativamente barato para estimar a composição corporal, inclusive a distribuição dos fluidos corporais nos espaços intra e extracelulares. A bioimpedância elétrica ba-seia-se no princípio de que os componentes corporais ofere-cem uma resistência diferenciada à passagem da corrente elétrica. Os tecidos magros são altamente condutores de corrente elétrica devido a grande quantidade de água e eletrólitos, ou seja, apresentam baixa resistência à passa-gem da corrente elétrica. Por outro lado, a gordura, os ossos e a pele constituem um meio de baixa condutividade apre-sentando, portanto, elevada resistência.
Uma corrente elétrica imperceptível de 500 a 800mA e 50 kHz é introduzida pelos eletrodos distais e captada pelos eletrodos proximais, gerando vetores de resistência (medida de oposição pura ao fluxo de corrente elétrica através do corpo) e reactância (oposição ao fluxo de corrente causada pela capacitância produzida pela membrana celular). Assim, após identificar os níveis de resistência e reactância do orga-nismo à corrente elétrica, o analisador avalia a água corpo-ral total e, assumindo uma hidratação constante, prediz a quantidade de massa magra. Porém, se o indivíduo apresen-tar hiperhidratação o valor da massa magra fica superestima-do. Portanto, a alteração no estado de hidratação é a princi-pal limitação deste método.
O trabalho pioneiro de Thomasett (1962) estabeleceu os princípios básicos da BIA. Com esse método, uma corrente elétrica de baixo nível é passada através do corpo do paciente e a impedância (z), ou oposição ao fluxo da corrente, é medida com um analisador de BIA. A água corporal total do indivíduo (ACT) pode ser estimada pela medida de impedância, porque os eletrólitos na água corporal são excelentes condutores de cor-rente elétrica. Quando o volume de ACT é grande, a corcor-rente flui mais facilmente através do corpo com menor resistência (R). A resistência ao fluxo da corrente será maior em indivíduos com grande quantidade de gordura corporal, dado que o tecido adiposo é mau condutor de corrente elétrica pela sua relativa baixa quantidade de água. Devido ao fato de o conteúdo de água da massa livre de gordura (MLG) ser relativamente grande (73% de água), esta pode ser predita por meio das estimativas de ACT. Indivíduos com grande MLG e ACT têm menos resistência ao fluxo de corrente elétrica através do seu corpo, em comparação aos que têm menos massa livre de gordura.
Hoffer, Meador e Simpson (1969) descobriram uma forte relação entre as medidas de impedância total do corpo e ACT, sugerindo que o método de BIA pode ser uma ferramenta valio-sa para analivalio-sar a CC e avaliar a ACT no ambiente clínico. Além da pesquisa que reforça que a ACT pode ser estimada pela medida de impedância com um grau moderado de exatidão, outro pesquisador demonstrou que a MLG e a gordura corporal relativa (%G) também poderiam ser estimadas com exatidão utilizando o método da BIA.
Vários autores referem que o avaliado tem participação de-cisiva no exame, pois apesar da relativa facilidade e rapidez da medida, a utilização da técnica de bioimpedância requer um conjunto de procedimentos prévios por parte do avaliado, sem os quais poderá ocorrer prejuízo na qualidade das informações. O conjunto de procedimentos necessários depende do autor considerado por não haver um consenso na literatura especializada. Os itens de mais apontados são: suspender o uso de medicamentos diuréticos de 24 horas a 7 dias antes do teste; estar em jejum de pelo menos 4 horas; estar em abstinência alcoólica por 24 a 48 horas; evitar o consu-mo de cafeína 24 horas antes do teste; estar fora do
perío-Pensamento Plural: Revista Científica do , São João da Boa Vista, v.1, n.1, 2007
BRANDINO, H. E. e PICCHI, L. D.
8
do pré-menstrual; não ter praticado atividade física intensa nas últimas 24 horas; urinar pelo menos 30 minutos antes da medida; permanecer pelo menos 5 -10 minutos de re-pouso absoluto em posição de decúbito dorsal antes de efetuar a medida; Contra-Indicação absoluta para a reali-zação do teste: portadores de marcapasso e gestantes.
O nível de desidratação e a temperatura ambiente tam-bém podem apresentar alguma influência na qualidade das informações (EMED, 2006).
5. Sujeitos e Métodos
5. Sujeitos e Métodos
5. Sujeitos e Métodos
5. Sujeitos e Métodos
5. Sujeitos e Métodos
No estudo foram utilizados 30 indivíduos de 18 a 25 anos, do sexo masculino, clinicamente saudáveis, que se dispunham a seguir as recomendações dadas a cada.
Não houve nenhum indivíduo excluído por ingerir diuréticos regularmente ou por apresentar lesão músculo-esquelética que impossibilitasse a realização do exercício físico, assim como não houve descontinuidade por falta de comparecimento dos indivíduos nos dias de realização do estudo.
Os sujeitos foram divididos em 3 grupos:
- Grupo 1: A Composição Corporal foi obtida por bioimpedância seguindo a recomendação de 30min de repouso (n=30).
- Grupo 2: A Composição Corporal foi o obtida por bioimpedância imediatamente após a execução de exer-cícios físicos, tendo o indivíduo ficado por 30 minutos de repouso antes da execução do exercício físico (n=30). - Grupo 3: A Composição Corporal foi obtida por
bioimpedância seguindo a recomendação de 30 minutos de repouso após execução de exercício físico (n=30).
Foi utilizado um único grupo de 30 indivíduos (n=30), onde os mesmos realizaram o protocolo convencional - 1ª aferição da Composição Corporal - sendo em seguida sub-metidos à execução de exercícios físicos - 2ª aferição da Com-posição Corporal - e novamente submetidos à 30 minutos de repouso antes da 3ª aferição da Composição Corporal. 5.1 Procedimento para Avaliação por 5.1 Procedimento para Avaliação por 5.1 Procedimento para Avaliação por 5.1 Procedimento para Avaliação por 5.1 Procedimento para Avaliação por Bioimpedância
Bioimpedância Bioimpedância Bioimpedância Bioimpedância
As aferições foram executadas do lado direito do corpo, com o indivíduo deitado em decúbito dorsal em uma super-fície não-condutora, em uma sala com temperatura ambiente normal.
Os eletrodos-sensores foram colocados na superfície dorsal da articulação do punho de modo que a borda supe-rior do eletrodo se alinhe à cabeça da ulna, e a superfície dorsal do tornozelo, de modo que a borda superior do eletrodo se alinhe aos maléolos medial e lateral.
Os eletrodos-fontes (distais) foram posicionados na base da segunda ou terceira articulação metacarpo-falangeana da mão e metatarso-falangeana do pé. Foi assegurado de que havia pelo menos cinco centímetros entre os eletrodos proximal e distal.
Não houve contato entre as coxas e entre os braços e o tronco, conforme Stolarcztk (2000).
5.2 Procedimento para a Realização do 5.2 Procedimento para a Realização do 5.2 Procedimento para a Realização do 5.2 Procedimento para a Realização do 5.2 Procedimento para a Realização do Exercício Físico
Exercício Físico Exercício Físico Exercício Físico Exercício Físico
Os sujeitos foram submetidos ao protocolo de Cicloergômetro de Balke, seguindo todas as recomenda-ções pertinentes ao mesmo.
O Teste de Cicloergômetro de Balke consiste no monitoramento dos indivíduos por freqüencímetro cardía-co, que foi colocado no indivíduo momento antes de se
iniciar o teste, onde o eletrodo foi umidificado a fim de otimizar seu funcionamento, e o relógio que demonstra a freqüência cardíaca foi colocado no punho esquerdo do indivíduo. Utilizou-se também um esfigmomanômetro para verificação da pressão arterial (PA) que foi feita sempre nos 45 segundos finais de cada carga. Foi dada a orientação de manter velocidade constante de 50 rotações por minuto (rpm) com carga inicial de 25 Watts (W). Houve um incre-mento de 25W de carga a cada 2 minutos. O teste cessou quando o indivíduo apresentou estabilização ou variação acima de 20mmHg de uma carga para outra na PA sistólica; variação acima ou abaixo de 10mmHg de uma carga para outra na PA diastólica; alcançou sua freqüência cardíaca máxima (FCmáx); relatou fadiga muscular ou quando finali-zou todas as cargas do teste.
5.3 Materiais Utilizados 5.3 Materiais Utilizados 5.3 Materiais Utilizados 5.3 Materiais Utilizados 5.3 Materiais Utilizados
Balança elétrica para aferição do peso; Estetoscópio; Aparelho de Bioimpedância (Maltron body fat analiser II); Eletrodos auto-adesivos; Freqüencímetro cardíaco; Esfigmomanômetro; Bicicleta Ergométrica; Protocolo de Balke para BE; Ficha de Avaliação: para registro das variá-veis do teste.
6. Estatística
6. Estatística
6. Estatística
6. Estatística
6. Estatística
Para cada variável de cada teste foram calculados a mé-dia (X), o desvio padrão (SD) e a Variância (S22222), para verifi-car diferenças significativas entre as variáveis obtidas em cada grupo. O teste estatístico t de Student foi utilizado, considerando o nível de significância de 95% (p<0,05), compatível com a área da saúde.
7. Resultados
7. Resultados
7. Resultados
7. Resultados
7. Resultados
7.1 Massa Gorda e Massa Magra 7.1 Massa Gorda e Massa Magra 7.1 Massa Gorda e Massa Magra 7.1 Massa Gorda e Massa Magra 7.1 Massa Gorda e Massa Magra
Não foram observadas diferenças estatísticas significantes quando comparadas as variáveis MG e MM da MPR (17,09 ± 6,31% e 82,89 ± 6,25Kg., respectivamen-te; p=0,05) com as da MPT (17,46 ± 6,34% e 82,54 ± 6,27Kg., respectivamente; p=0,05).
Assim como as variáveis MG e MM da MPT (17,46 ± 6,34% e 82,54 ± 6,27Kg., respectivamente, p=0,1) não mostraram diferenças significantes quando comparadas a MI (17,22 ± 6,65% e 82,76 ± 6,58Kg, respectivamente; p=0,1) nem as MG e MM da MPR (17,09 ± 6,31% e 82,89 ± 6,25Kg., respectivamente; p=0,1) quando comparadas a MI (17,22 ± 6,65% e 82,76 ± 6,58Kg., respectivamente; p=0,1). 7.2 IMC ou BMI 7.2 IMC ou BMI 7.2 IMC ou BMI 7.2 IMC ou BMI 7.2 IMC ou BMI
Os valores do IMC apresentaram uma diferença estatis-ticamente significante quando comparados os resultados do grupo 1 (protocolo convencional) com o grupo 2 (pós exercício físico); e do grupo 3 (pós 30 minutos de repouso após exercícios físicos) com o grupo 2 (pós exercício físico) como assim representados nos gráficos 1,2 e 3.
8. Discussão
8. Discussão
8. Discussão
8. Discussão
8. Discussão
Não foram encontrados na literatura relatos de estudos semelhantes ao realizado. Fez-se desse assim, um estudo pioneiro da Avaliação da Composição Corporal e suas res-postas frente à prática de exercícios físicos.
Os resultados obtidos nas variáveis: Massa Magra e Massa Gorda não apresentaram significância estatística pe-rante a aplicação do teste t de Student.
9 99 99
Análise por bioimpedância da composição corporal de indivíduos antes e imediatamente após a prática de exercício físico
9 Pensamento Plural: Revista Científica do , São João da Boa Vista, v.1, n.1, 2007
Gráfico 1: Média do Índice de Massa Corpórea nas três aferições.
Gráfico 2: Desvio Padrão do Índice de Massa Corpórea nas três aferições.
Gráfico 3: Variância do Índice de Massa Corpórea nas três aferições.
A variável “Índice de Massa Corpórea” apresentou resulta-dos com significância estatística frente ao teste t de Student, porém como também não foi encontrada bibliografia comprobatória de tal relato, sugere-se que se realize estudos com a finalidade de descobrir a causa da modificação dos valores do Índice de Massa Corpórea devido à pratica de exercícios físicos, analisados por meio do Exame de Bioimpedância.
9. Conclusão
9. Conclusão
9. Conclusão
9. Conclusão
9. Conclusão
Com base no modelo experimental utilizado, os resulta-dos encontraresulta-dos permitiram concluir que:
a) Não foram verificadas modificações dos valores da Com-posição Corporal apresentados por meio do exame de Bioimpedância.
b) A prática de exercícios físicos antes da realização do exa-me de Bioimpedância não interfere nos resultados das variáveis, exceto do Índice de Massa Corpórea.
Conclui-se que as orientações nos manuais de BIA (EMED, 2006) não conferem com os resultados observados neste trabalho. Sendo assim, este estudo apresenta resultados que suge-rem que a prática de atividade física prévia ao exame de BIA não alterou os valores finais da CC apresentados pelo mesmo.
Pensamento Plural: Revista Científica do , São João da Boa Vista, v.1, n.1, 2007
BRANDINO, H. E. e PICCHI, L. D.
10
Referências
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estimates in man and women aged 49-82 yearsestimates in man and women aged 49-82 years
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This electrical bio-impedance exam (BIA) is a method for analyses of body composition (BC), to measure the Lean Mass (LM), Fatty Mass (FM) and the Body Mass Index (IMC). This study compares the values related to the Body Composition (BC) before and just after the performance of physical exercises, as discussed in Emed (2006). Participated in this study, 30 men volunteered, age from 18 to 25 years old, all clinically healthy and subjected to the usual evaluation protocol, when they remained 30 minutes rest (Initial Measure – IM) and in sequence submitted to the Cycling Balke’s test (characterizing physical exercise) followed by the BIA exam (Pos test measure- PTM). Finally 30 more minutes of rest and the final measure of BC according to BIA (Post Rest Measure – PRM). The results showed no differences in BC values. The population sample transfers its results to the infinite population considering the statistic results p = 0,05 concerning the variables BMI in the PTM compared with the IM and p = 0,1 concerning the variables FM and LM in the PTM compared with the IM; FM, LM and BMI in the PRM compared with IM. It can be also concluded in this study that the performance of physical exercises does not significantly influences the results of the body composition evaluated by BIA.
Abstract
Key words
11 Pensamento Plural: Revista Científica do , São João da Boa Vista, v.1, n.1, 2007
Resumo
Palavras-chave
Cibercultura: comunicação on-line nas cidades
Cibercultura: comunicação on-line nas cidades
Cibercultura: comunicação on-line nas cidades
Cibercultura: comunicação on-line nas cidades
Cibercultura: comunicação on-line nas cidades
Carolina Dotta Milan, Francisco de Assis Carvalho Arten
O foco dessa pesquisaé estudar como estão sendo desenvolvidos os projetos principalmente no âmbito dos municípios com o objetivo de detectar se realmente as iniciativas estão atingindo as metas de promover a democracia e a participação popular nas decisões. São várias as faces da pesquisa, como análise dos sites públicos e retorno nas iniciativas que visam à interatividade. Várias pesquisas estão sendo realizadas no campo da cibercultura, volta-das à comunicação on-line pública. Entre elas estão os projetos de cidades digitais ou cibercidades. Tais projetos, entre outros objetivos, visam possibilitar um avanço democrático na comunica-ção pública, promovendo a interatividade entre os munícipes, a prestação de serviço, principalmente através dos programas deno-minados “governos eletrônicos”, disponibilização dos dados pú-blicos etc. O importante é que se desenvolvam esforços para pen-sar as cibercidades, tendo em mente as possibilidades de avanços sociais, a valorização humana e a inclusão social e digital. Preten-demos, ao final do trabalho, apresentar sugestões aos poderes públicos locais, para dinamizar a comunicação on-line, incentivar a participação popular e trabalhar para o desenvolvimento da de-mocracia.
Cibercultura; Comunicação Pública; Inclusão Digital
Autores
Francisco de Assis Carvalho Arten,
professor do Centro Universitário das Fa-culdades Associadas de Ensino – FAE; Cientísta Jurídico pela Fundação de Ensino Otávio Bastos – UNIFEOB e Jornalista com Mestrado em Comunicação e Mercado pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero E-mail: E-mail: E-mail: E-mail: E-mail: [email protected]@[email protected]@[email protected]
Carolina Dotta Milan,
aluna do 2o ano do curso de Comunicação
Social - habilitação Jornalismo do Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino – FAE. E-mail: E-mail: E-mail: E-mail: E-mail: [email protected] [email protected]@hotmail.com.br [email protected]@hotmail.com.br Recebido em 18/março/2007 Aprovado em 04/setembro/2007
Pensamento Plural: Revista Científica do , São João da Boa Vista, v.1, n.1, 2007 MILAN, C. D. e ARTEN F. de A. C. 12
1. Introdução
1. Introdução
1. Introdução
1. Introdução
1. Introdução
Várias inovações estão acontecendo nos meios de comuni-cação a partir do advento da internet e das novas médias. Entre as ações interativas e modificadoras estão as experiências rela-cionadas à cibercidades, governos eletrônicos, portal das cida-des, enfim, a comunicação on-line na polis. Até aqui estas expe-riências, grosso modo, buscam a implementação de fóruns de debates, incentivando a participação do cidadão, visando a interatividade a fim de proporcionar a transparência. Também estão sendo disponibilizados cada vez mais serviços on-line, como o “Acessa São Paulo”, que luta contra a exclusão digital. Alguns pesquisadores afirmam que estamos na era da conexão, que não é apenas uma era da expansão dos contatos sobre forma de relação telemática, mas sim a era da mobilidade. Como a cibercultura provém de um espaço de comunicação mais flexí-vel que o produzido nas mídias convencionais como rádio, jor-nal e televisão, etc, a comunicação on-line pode se constituir numa peça fundamental para o combate a exclusão e incentivadora da participação popular nas decisões políticas da comunidade. Os projetos de cibercidades pretendem, entre outros objetivos, colocar os indivíduos em sinergia, utilizando o potencial do ciberespaço como vetor de agregação social. Al-gumas iniciativas de cibercidades promovem a virtualização de museus, galerias, bibliotecas, centros culturais, arte, escolas e meio ambiente, o que resgataria a memória, tornando disponí-vel para a comunidade. Outra idéia é de incentivar oficinas para a construção de home pages pessoais. Um dos objetivos é o de fortalecer o conhecimento individual e detectar competências que possam entrar em sinergia. O importante é que se desen-volvam esforços para pensar as cibercidades, tendo em mente as possibilidades de avanços sociais, a valorização humana e a inclusão social e digital, porque estamos na era da Internet, na qual estar conectado é estar envolvido com todos os assuntos que regem a sociedade.
2. Objetivos
2. Objetivos
2. Objetivos
2. Objetivos
2. Objetivos
Um dos objetivos desta pesquisa é analisar o alcance dos meios de comunicação on-line na sociedade atual, a partir dos projetos de cibercidades. Especificamente estudamos a comunicação on-line pública na região, analisando sites dos poderes públicos municipais para saber se seus conteúdos estão contribuindo para melhor transparência dos atos dos poderes públicos e, paralelamente, se atingem o objetivo de incentivar a participação popular possibilitando sua interven-ção nas tomadas das decisões.
Estudar as iniciativas que visem à inclusão digital foi uma das preocupações que tivemos, já que existe um grande nú-mero de cidadãos que ainda não tem acesso a essa nova comunicação. Uma das metas é detectar se as informações on-line, os projetos de cibercidades, estão promovendo interação com o contribuinte e se as mensagens estão atin-gindo seus objetivos. O senso crítico em relação a essa nova cultura é uma das reações que pretendemos despertar, prin-cipalmente em profissionais de comunicação.
3. Materiais e métodos
3. Materiais e métodos
3. Materiais e métodos
3. Materiais e métodos
3. Materiais e métodos
A metodologia usada para a pesquisa foi o acompanha-mento do processo de comunicação on-line em Prefeituras e Câmaras Municipais da região, principalmente no Legislativo de São João da Boa Vista. Realizamos pesquisa em vários modelos de cidades digitais fazendo comparações com a co-municação on-line de São João da Boa Vista e região.
A leitura de livros e artigos sobre cibercultura, ciberespaço, cibercidades foi o primeiro passo e início do estudo. A análise
de como se processa a comunicação on-line dos Poderes Pú-blicos locais foi uma das preocupações. Os estudos estão sendo desenvolvidos para aprimorar a comunicação on-line, visando maior participação do cidadão.
4. Resultados e discussão
4. Resultados e discussão
4. Resultados e discussão
4. Resultados e discussão
4. Resultados e discussão
Com a pesquisa desenvolvida, podemos perceber que existem duas linhas distintas de pensamento sobre a cibercultura. Alguns estudiosos como Tony Negri e Eugênio Trevinho, entre outros, são pessimistas em relação à comu-nicação on-line como vetores do desenvolvimento da demo-cracia e aprimoramento da participação popular. Acreditam que, pelo contrário, as novas tecnologias estão distanciando ainda mais as diferenças sociais, promovendo uma verdadei-ra exclusão digital, já que o acesso é limitado. Também de-fendem a idéia de que os Poderes Públicos não estão preocu-pados em desenvolver a participação popular, utilizando a internet e os novos veículos de comunicação como “simula-cro” dos antigos meios, com suas mazelas e déficits demo-cráticos. Todos concordam, no entanto, que a comunicação on-line se constitui num ambiente propício para o desenvol-vimento democrático, porém, discordam se este objetivo está sendo alcançado.
Pierre Lévy e outros teóricos são mais entusiasmados com a internet e acreditam que, por si só, o ciberespaço faz com que os navegantes da rede participem democraticamen-te de um modelo indemocraticamen-terativo entre os povos, consolidando a idéia de “aldeia global”, profetizada por MacLuhan, que morreu antes da invenção da Internet.
O que ficou claro com o estudo foi que os poderes muni-cipais não perceberam o potencial que a Internet possui. Ela tem sido tratada como um “simulacro” dos demais veículos de comunicação, isto é, estão copiando os outros meios e transferindo para a Internet seu conteúdo, sem entender que esse veículo possui maior alcance e é o único com poder de interatividade.
Ainda não se foi possível chegar a um resultado concre-to, mas o que ficou explícito é que a comunicação on-line está aquém do que poderia proporcionar e que os poderes públicos ainda não entenderam o enorme poder desta nova comunicação, como vetor de processos democráticos interativos, proporcionando, aí sim, uma grande colabora-ção para a democracia.
5. Conclusão
5. Conclusão
5. Conclusão
5. Conclusão
5. Conclusão
Através desta análise inicial chegamos a algumas constatações que consideramos importante para, a partir delas, canalizar nossos esforços para entender melhor a co-municação on-line e sugerir modelos e ações para que se-jam mais eficientes no objetivo de se conseguir a interatividade e participação do munícipe:
a) A comunicação on-line desenvolvida em São João da Boa Vista, Câmara e Prefeitura Municipal, assim como em cida-des da região, são apenas ‘simulacro’ dos antigos meios de comunicação.
b) Os Poderes Públicos locais não perceberam que a lingua-gem a ser utilizada neste tipo de comunicação deve ser diferenciada. O que está havendo é apenas uma transposi-ção de textos.
c) Não encontramos nenhuma iniciativa dos Poderes Públi-cos locais para promover a interatividade – uma das principais características da comunicação on-line. d) Conseqüência desta falta de entendimento sobre
comu-nicação on-line é que o interesse do munícipe é nulo. São raras as navegações nos sites públicos, através de
1 3 1 3 1 3 1 3 1 3
Cibercultura: comunicação on-line nas cidades
13 Pensamento Plural: Revista Científica do , São João da Boa Vista, v.1, n.1, 2007
pesquisa particular que desenvolvemos, já que tanto no site da Câmara Municipal de São João da Boa Vista como da Prefeitura, não existe possibilidade de aferimento de audiência.
e) Não existe em São João da Boa Vista ou região nenhuma experiência de governo eletrônico, nem para pagamen-to de tribupagamen-tos, impospagamen-tos ou informações relacionadas ao Poder Público.
f) Constatamos que setores vitais da Prefeitura Municipal de São João da Boa Vista, como o Departamento de Saúde, por exemplo, não está informatizado, o que cons-titui num enorme desperdício de recursos e dificuldades e transtornos para o contribuinte.
g) Que a comunicação on-line da Câmara Municipal que deveria, sobretudo, promover a participação popular aca-bou sendo apenas um informativo qualquer, sem aprofundamento dos temas, o que é uma das maiores e melhores possibilidades da comunicação on-line.
h) Que não é dado ao contribuinte, cidadão, o direito de participar das decisões, através da comunicação on-line, uma vez que as informações são superficiais e não foi implantado mecanismo como fóruns de debate, sala de discussões, etc. Enfim, que a comunicação on-line, que deve ser interativa, e o receptor igualmente um agente ativo desta comunicação, não vem acontecendo. i) Não foi implantando ou está em projeto, nenhum programa
de inclusão digital como tipo quiosques eletrônicos, etc. j) Que outros serviços públicos, como biblioteca, também
não foram digitalizados.
A partir destas constatações, pretendemos levar nossa crítica à Mesa Diretora da Câmara Municipal e ao Prefeito de São João da Boa Vista. E em seguida aos outros poderes públicos da região, apontando sugestões e caminhos para corrigir as possíveis distorções, visando assim, alertá-los do grande potencial comunicador que estão perdendo, e pro-porcionar à comunidade uma participação mais efetiva e avan-ço nas conquistas contra a exclusão digital.
Key words
Cyberculture, Cybercities, Public Communication
The research’s aim is to study how these projects have being developed, trying to identify observing the cities mainly, if the initiatives are really reaching the objectives to promote democracy and popular participation in the decisions. Several points had being analyzed, as the public sites and the return initiatives that looks for the interactivity. What is important is to think about the cybercities, having im mind the possibilities of social advances, the human being valuation and the social and digital inclusion. Some researches about cyberculture have being done, considering the on-line public communication. Among these are projects of digital cities or cybercities. The aim of these projects, among others objectives, is to make possible a democratic advance in the public communication, promoting the interactivity among the citizens, the providing services – mainly through the programs called “electronic governments” – the availability of the public data etc.as a conclusion, it intends to present suggestions to the local public government, trying to the on-line communication, to stimulate the popular participation and to work for the democracy.
Abstract
Referências
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14 Pensamento Plural: Revista Científica do , São João da Boa Vista, v.1, n.1, 2007
Resumo
Palavras-chave
Abuso sexual
Abuso sexual
Abuso sexual
Abuso sexual
Abuso sexual de
de
de
de
de mulheres: um estudo da
mulheres: um estudo da
mulheres: um estudo da
mulheres: um estudo da
mulheres: um estudo da
percepção na avaliação de risco e nas ações de prevenção
percepção na avaliação de risco e nas ações de prevenção
percepção na avaliação de risco e nas ações de prevenção
percepção na avaliação de risco e nas ações de prevenção
percepção na avaliação de risco e nas ações de prevenção
Luciene Cazaroto, Carmen Beatriz Fabriani
Este estudo tem como objetivo realizar uma investigação com vítimas de violência sexual para buscar sua compreensão em relação às experiências e aos fatores determinantes que as colocaram na situação de risco. Busca também verificar se ocorreu uma elaboração que permita o desenvolvimento de um conjunto de atitudes que visem à prevenção de sua repetição. Foram selecionados seis históricos de abuso sexual, por meio de um levantamento dos protocolos de casos atendidos no Neap (Núcleo de Estudo e Atendimento em Psicologia do UNIFAE), com prévia autorização da coordenação do curso. Após contato telefônico, foram marcadas três entrevistas qualitativas com vítimas de violência sexual, com idades entre 23 e 46 anos, todas do sexo feminino. Foi colhido o consentimento livre e esclarecido das participantes no projeto. O método utilizado foi a análise do argumento construído pelas vítimas, mediante a identificação no discurso da entrevistada, a relação entre a experiência do abuso, a atribuição de causas para o fato, a compreensão da relação entre o antes e o depois e a elaboração de estratégias de evitação da repetição da experiência. Como resultado, tem-se que a primeira entrevistada estabelece uma relação de causa e efeito e cria uma estratégia pragmática de evitação não passando pelo mesmo lugar do ocorrido. A segunda entrevistada não estabelece nenhuma relação de causa e efeito, não se vendo sujeito da história; a terceira entrevistada estabelece a relação de causa e efeito e tem uma idéia de evitação em relação a sua prole, através da informação e do conhecimento. Diante disso, pode-se concluir que ao se estabelecer uma relação entre a elaboração do trauma, sua resignificação simbólica cria-se a possibilidade de construção de estratégias de segurança. Estas considerações podem subsidiar o encaminhamento de políticas públicas por parte dos agentes de intervenção visando a prevenção do abuso sexual e encaminhamento de ações por parte dos agentes de intervenção.
Autores
Carmen Beatriz Fabriani,
Pró-reitora de Graduação e Professora do Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino - FAE; Psicóloga com Doutorado em Psicologia Social pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo - IP/USP e Mestrado em Engenharia de Produção pela Coordenação dos Programas de Pós-graduação em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – COPPE/UFRJ. E-mail: E-mail:E-mail: E-mail: E-mail: [email protected] [email protected] [email protected] [email protected] [email protected] Luciene Cazaroto,
Aluna do 5o ano do curso de Psicologia do
Centro Universitário das Faculdades Asso-ciadas de Ensino – FAE.
E-mail: E-mail:E-mail: E-mail: E-mail: [email protected] [email protected] [email protected] [email protected] [email protected] Recebido em 18/março/2007 Aprovado em 04/setembro/2007 Abuso Sexual, Psicanálise, Psicologia Social, Risco.
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Abuso sexual de mulheres: um estudo da percepção na avaliação de risco e nas ações de prevenção
15 Pensamento Plural: Revista Científica do , São João da Boa Vista, v.1, n.1, 2007
1. Introdução
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1. Introdução
1. Introdução
1. Introdução
A realidade do abuso sexual está presente no mundo desde épocas longínquas. Durante anos, por razões religiosas, políticas e sociais, negavam à criança direitos fundamentais (descritos atualmente no ECA), tais como a integridade do corpo, a independência da mente, controlando-a como propriedcontrolando-ade pcontrolando-articulcontrolando-ar.
Cronologicamente, livros religiosos como o Alcorão colocavam as mulheres e as crianças como seres inferiores, de capacidade jurídica restrita, só possuindo privilégios como a educação religiosa e profissional. Existem no Antigo Testamento passagens envolvendo fatos de violência contra menores. A violência familiar é encontrada na Bíblia de forma expressiva, mostrando o círculo vicioso da violência, seja por questões políticas, sociais, religiosas ou culturais.
[...] Esaú e Jacó, filhos de Isaac, nutrem um ódio mortal entre si, Siquien, filho de Hamour, violentara Dinah, filha de Jacó. (Gênesis 27:41) [...] O rei do Egito ordena às parteiras Hebréias que todo e qualquer filho homem seja assassinado ou lançado ao Nilo. Moisés com três meses de idade, por proteção materna, é abandonado dentro de um cesto de junco, ao rio [...].(Êxodo 1:16)
No século XVII, é consignada a luta contra o poder patriarcal e a figura materna é vista como estabilizadora da relação. Até o final deste século, a criança se mantém em poder do adulto pelo reconhecimento do pátrio poder pelo estado que se exime de responsabilidade direta sobre a criança.
Permanece durante grande parte do século XVIII a criança considerada como um peso para a família devendo colaborar em seu sustento e com a revolução industrial, reconhecida como força de trabalho e de interesse do Estado. Nesse sentido, o primeiro caso de retirada de pátrio poder se dá em Nova York, no ano de 1846, por uma menina severamente espancada, com intervenção da sociedade protetora dos animais, alegando que a criança era membro do reino animal e, entretanto, estaria protegida pelas leis que protegem os animais contra crueldade. Mais tarde é criada a primeira instituição preocupada com a crueldade às crianças. No início do Século XIX, com o fortalecimento do Estado, buscou-se transferir o cuidado e a educação para a mãe principalmente de classe social média ou alta, ficando e o Estado responsável pelas crianças das classes menos favorecidas. Em 1881, surge em Nova York a “Sociedade Provedora de Proteção à Infância”, cuja preocupação é com a quantidade de crianças maltratadas e abandonadas.
A psicanálise no final do século XIX e século XX se dedica à compreensão do desenvolvimento humano e é fortemente influenciada pela passagem de Freud em Paris (1885), como parte de sua formação acadêmica, sob supervisão de Charcot, onde tem contato com crianças vítimas de abuso sexual na primeira infância, em sua maioria no âmbito familiar.
Na literatura brasileira, é escasso o material sobre a violência contra crianças. No século passado, há casos de denúncia de exploração de menores de quatro anos de idade que trabalhavam nas minas de carvão (SANTOS, 2005).
A violência sexual contra menores, hoje, representa 10% das violências cometidas, caracterizadas pelo estupro, atentado violento ao pudor, sevícias etc. Para Azevedo e Guerra (1989), a violência sexual se configura como todo ato ou jogo sexual, relação hétero ou homossexual, entre um ou mais adultos e uma criança ou adolescente, tendo por
finalidade estimular sexualmente esta criança ou adolescente ou utilizá-los para obter uma estimulação sexual sobre sua pessoa ou de outra pessoa. Esta situação aqui descrita se constitui em um acontecimento traumático na vida da criança ou adulto que motiva o desenvolvimento de estratégias de defesa do eu da vítima e que cristalizam os comportamentos e atitudes, relativos à expressão da sexualidade e dos afetos. Por outro lado, tais comportamentos não garantem o desenvolvimento de atitudes que no cotidiano representem uma proteção à não repetição do fato traumático.
Para Laplanche e Pontalis (2001), trauma é todo acontecimento da vida do sujeito que se define pela sua intensidade, pela incapacidade em que se encontra o sujeito de reagir a ele de forma adequada, pelo transtorno e pelos efeitos patogênicos duradouros que provocam na organização psíquica. Em termos econômicos, o traumatismo caracteriza-se por um afluxo de excitações que é excessivo em relação à tolerância do sujeito e à sua capacidade de dominar e de elaborar psiquicamente estas excitações. Assim, o abuso sexual é extremamente marcante para a criança que é vítima, causando um desgaste emocional bastante severo. De acordo com Gabel (1997), essas marcas são profundas e traumáticas pela vulnerabilidade, a idade, a repetição e o tipo de abuso ou o silêncio em torno da criança fundamentando a gravidade do traumatismo.
A psicologia, como ciência, trouxe algumas contribuições para a compreensão do desenvolvimento infanto-juvenil, que dentro do contexto social tem importância para enfrentar as conseqüências da violência sexual contra crianças e adolescentes. As crianças e adolescentes têm estruturas mentais diferentes das do adulto. Não são adultos em miniatura, como há tempo se pensou e no Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente reconhece essa nova visão, ao considerá-los como sujeito de direito. Inicialmente, se interpretou o ser sujeito principalmente como sujeito social, com direito à educação, saúde, profissionalização, moradia etc. E com o avanço da preocupação social, voltou-se o olhar para o direto à liberdade, ao respeito e à dignidade, integrando o entendimento da criança e adolescente, também, como sujeitos psicológicos, com vontades, desejos e com processo particular de desenvolvimento.
Para alguns pesquisadores da área de saúde, mesmo com a falta de integração e escassez de dados, é possível inferir que as várias modalidades de violência ocorridas no ambiente familiar podem ser responsáveis por grande parte dos atos violentos que compõem o índice de morbi-mortalidade (Minayo, 1994). Apesar de ser um fenômeno que ocorre desde a Antiguidade, o abuso sexual, em especial aquele dirigido à criança e ao adolescente, passou a ser mais discutido no meio científico a partir dos anos 80 (Santos, 1987; Azevedo & Guerra, 1988; 1989; 1995; Marques, 1986; Minayo, 1993; Safioti, 1997). É também nessa década que começam a surgir os primeiros programas específicos para atendimento dessa problemática. Desde então, o conhecimento sobre essa forma de violência vem sendo ampliado e sua gravidade reconhecida, ainda que os dados globais sobre sua magnitude não estejam devidamente dimensionados. No Brasil, a padronização para registrar situações de violência familiar é fragmentada, o que provoca prejuízo para uma rotina clara e eficaz, ocasionando deficiências nos procedimentos a serem seguidos pelos profissionais e instituições.
Verifica-se que a questão do abuso sexual continua sendo tratado de forma ambígua pelo Estado, principalmente no que se refere a crianças do sexo feminino, não dispondo de mecanismos jurídicos e sociais que possam responder a multiplicidade de implicações decorrentes destas questões,