• Nenhum resultado encontrado

Funções de variação entre grandezas

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Funções de variação entre grandezas"

Copied!
10
0
0

Texto

(1)

Funções de variação entre grandezas

Segue, abaixo, uma proposta de trabalho em grupo que lhe pe rmitirá ve r a Matemática como um conjunto de técnicas e estratégias para serem aplicadas no cotidiano.

Materiais necessários:

 Varetas de madeira (cabos de vassouras)

 Durex colorido

 Papel quadriculado

 4 potes de plástico de formato variado

 Papel quadriculado

Desenvolvimento:

Cada grupo receberá 6 varetas, 4 delas com marcas feitas por durex colorido e 2 outras sem marcas. E realizará as seguintes atividades:

A) Considere as 4 varetas com marcas. Imagine que as marcas representam o nível de água, ao longo do tempo, observado por uma pessoa que enche um pote (inicialmente vazio) com água. Se você fosse essa pessoa, desenhe no espaço, abaixo, o formato deste pote e

responda a seguinte pergunta: Existe alguma relação entre as marcas do nível da água e o

formato do pote? Justifique sua resposta.

B) Considere, agora, as duas varetas sem marcas e os quatro potes. Faça, com durex colorido, marcas sobre estas varetas que retratem o nível da água, ao longo do tempo se fossem considerados os potes que você recebeu. Justifique suas marcas, explicando, através de um texto, o comportamento do líquido no pote. Responda: Existe alguma relação entre estas grandezas: formato do pote e nível da água?

(2)

C) Agora, utilize as 6 varetas e para cada uma delas represente, graficamente, a forma como a altura h depende do tempo t no papel quadriculado. Responda à pergunta: O gráfico desenhado representa uma relação de dependência entre duas grandezas? Por quê?

As atividades anteriores permitiram explorar o conceito de função . Vamos agora rever um pouco da história e algumas curiosidades sobre o tema.

(3)

Um pouco da história

O conceito de função teve sua origem na tentativa de filósofos e cientistas em compreender a realidade e encontrar métodos que permitissem estudar e descrever os fenômenos naturais. Esse conceito baseia-se em duas características fundamentais: a interdependência, que faz com que todas as coisas estejam relacionadas umas com as outras e a fluência, que faz com que tudo, no mundo, esteja em permanente mudança. O conceito de função levou muito tempo para ser aperfeiçoado e, apesar de ter sido explicitado apenas a partir do século 18, em algumas ideias anteriores, já aparece de forma implícita.

Na Grécia Clássica, as explicações para os fenômenos naturais eram baseadas, sobretudo em mitos. A partir da fundação da primeira escola filosófica grega por Tales de Mileto, por volta de 600 a.C, os filósofos/cientistas procuraram dar explicações mais racionais para os eventos que ocorriam no mundo que os cercava. Desse modo, uma pedra, ao ser largada, cai, não por ser esta a vontade dos deuses, mas porque possui uma qualidade chamada peso, que atrai os corpos para o centro da Terra. Fenômenos como este, segundo Platão (427-347 a.C.), deveriam ser estudados pela Matemática.

O conceito de função nasceu a partir do momento em que os cientistas passaram a descrever o movimento de forma quantitativa. No período Renascentista, surgiram, na Europa, novas traduções, em latim, das obras gregas, e foi nesta época que os europeus entraram em contato com o pensamento de Platão. Segundo Kline (1990), os cientistas da época absorveram a filosofia platônica e combinaram estes pensamentos com os da Igreja: Deus criou e governa todas as coisas através da Matemática. Esta nova filosofia influenciou grandes cientistas, como o astrônomo alemão Johannes Kepler (1571-1630), que adotou a teoria heliocêntrica, de Nicolau Copérnico (1473-1543) e enunciou leis matemáticas, que descreviam o movimento dos planetas. A terceira Lei de Kepler afirma que os quadrados dos períodos orbitais dos planetas são proporcionais aos cubos dos semi-eixos maiores das órbitas. Esta lei descreve, de forma quantitativa, um fenômeno físico e expressa matematicamente a relação entre as duas grandezas envolvidas, trazendo em seu enunciado, implicitamente, o conceito de função. O rompimento definitivo com a maneira aristotélica de explicar os fenômenos naturais veio através de Galileu Galilei (1564-1642), considerado o fundador da ciência moderna. Galileu chamou a atenção das autoridades da Igreja, ao questionar publicamente dois grandes pilares da filosofia cristã: o homem como centro do universo e a Física de Aristóteles como modelo para a ciência.

Para estabelecer o conceito de função - como relação entre grandezas que variam – foi necessária a definição do conceito de variável, o que se deu, inicialmente, a partir da simbolização da álgebra. O uso de símbolos ingressou na Matemática através de duas vias principais: pela álgebra, desenvolvida na Grécia por Diofanto, e pela álgebra hindu.

Segundo Kline (1990), a definição mais explícita de função do século 17 foi dada por James Gregory, em 1667, que definiu função como “uma quantidade obtida de outras quantidades pela sucessão de operações algébricas ou por qualquer outra operação imaginável.O estudo das diversas variáveis, associadas a uma curva (por exemplo, a tangente num ponto, a área sob a curva, o comprimento e a velocidade de um ponto, ao longo de uma curva) os levou a estabelecer relações entre estas variáveis.

G. H. Leibniz (1646-1716) mostrou uma forma de relacionar somas e diferenças entre termos de uma sequência, que foram a base para o estabelecimento de seu Calculus Summatorius ou Calculus Integralis e o Calculus Differentiallis. Ao longo de suas obras, criou notações, como um S longo ∫ para integral, e estabeleceu fórmulas para derivadas e integrais de

(4)

diversas funções. Leibniz introduziu o uso das palavras “constante”, “variável” e “parâmetro”. Leibniz utilizou pela primeira vez a palavra “função” para indicar quantidades que variavam, ao longo de uma curva, por exemplo, a tangente. Segundo Kliner (1989), este interesse em curvas fez também com que os matemáticos voltassem sua atenção para os símbolos que apareciam nas fórmulas e equações, independentemente das curvas originais que estas equações representavam.

Em 1718, Bernoulli definiu função da seguinte maneira: Chamamos aqui Função de uma

grandeza variável uma quantidade composta de qualquer maneira desta grandeza variável e de constantes (Rüthing, 1984).

Para Bernoulli, cada função poderia ser representada por uma única expressão analítica, podendo-se observar, na definição acima, o conceito de função como combinação de símbolos algébricos.

Em 1797, Joseph-Louis Lagrange (1736-1813) definiu função: Chamamos função de uma

ou várias quantidades toda expressão para cálculo na qual estas quantidades entram de uma maneira qualquer, envolvidas ou não com outras quantidades que consideramos como sendo dadas e valores invariáveis, enquanto as quantidades da função podem assumir todos os valores possíveis. ... Designaremos em geral pela letra f ou F, colocada antes da variável, toda função desta variável, isto é, toda quantidade que depende desta variável e que varia com ela segundo uma lei dada (ibid.).

Os matemáticos do século 18 exploraram o uso de séries trigonométricas relacionadas aos fenômenos astronômicos devido à sua periodicidade. Estas séries foram estudadas por Joseph Fourier (1768-1830) em sua Teoria Analítica do Calor, publicada pela primeira vez, em 1822, o que provocou uma revisão no conceito de função.

Na definição de função dada por G.H. Hardy (1877-1947) foram enumeradas três características que devem ser satisfeitas por uma função determinada pela relação entre duas quantidades variáveis x e y:

(1) y é sempre determinado por um valor de x;

(2) para cada valor de x para o qual y é dado, corresponde um e somente um valor de y;

(3) a relação entre x e y expressa através de uma fórmula analítica, na qual o valor de y, que corresponde a um dado valor de x pode ser calculado por substituição direta de x. (Silva, 1999). Uma tradução da definição de Hardy para a linguagem dos conjuntos foi dada por Bourbaki, em 1939:

Sejam E e F dois conjuntos, distintos ou não. Uma relação entre uma variável x de E e uma variável y de F é dita uma relação funcional em y, ou relação funcional de E em F, se, para qualquer x ∈ E existe um único y ∈F, e apenas um, que está na relação dada com x. Damos o nome de função à operação que associa a todo elemento x ∈E o elemento y ∈F que se encontra na relação dada com x; dizemos que y é o valor da função para o elemento x, e que a função é determinada pela relação funcional considerada.

Podemos verificar através deste breve histórico que o conceito de função passou por diversas mudanças e que sua construção foi bastante lenta. Identificamos também algumas representações, na evolução do conceito de função através de sua história: função como relação entre quantidades variáveis, como expressão analítica, como relação entre conjuntos e como transformação.

A ideia central do conceito de função, presente, tanto no nascimento da Física quantitativa quanto em nosso cotidiano, é a de relação entre quantidades variáveis. Não pensamos em fórmulas matemáticas ou em subconjuntos de um produto cartesiano, quando compramos um

(5)

produto. O que fazemos é relacionar a quantidade comprada com o preço a ser pago através do conhecimento que temos sobre a maneira com que estas grandezas, quantidade e preço variam. Adaptado de

http://www.uff.br/dalicenca/images/stories/caderno/volume6/UM_BREVE_HISTRICO_DO_CONC EITO_DE_FUNc.

Uma função especial - Função Modular

"Arquitetura é antes de tudo construção, mas, construção concebida com o propósito primordial de ordenar e organizar o espaço para determinada finalidade e visando a determinada intenção. E nesse processo fundamental de ordenar e expressar-se ela se revela igualmente arte plástica, porquanto nos inumeráveis problemas com que se defronta o arquiteto desde a germinação do projeto até a conclusão efetiva da obra, há sempre, para cada caso específico, certa margem final de opção entre os limites - máximo e mínimo - determinados pelo cálculo, preconizados pela técnica, condicionados pelo meio, reclamados pela função ou impostos pelo programa, - cabendo então ao sentimento individual do arquiteto, no que ele tem de artista, portanto, escolher na escala dos valores contidos entre dois valores extremos, a forma plástica apropriada a cada pormenor em função da unidade última da obra idealizada."

"A intenção plástica que semelhante escolha subentende é precisamente o que distingue a arquitetura da simples construção."

"Por outro lado, a arquitetura depende ainda, necessariamente, da época da sua ocorrência, do meio físico e social a que pertence, da técnica decorrente dos materiais empregados e, finalmente, dos objetivos e dos recursos financeiros disponíveis para a realização da obra, ou seja, do programa proposto."

"Pode-se então definir arquitetura como construção concebida com a intenção de ordenar e organizar plasticamente o espaço, em função de uma determinada época, de um determinado meio, de uma determinada técnica e de um determinado programa."

(6)

COSTA, Lúcio (1902-1998). Considerações sobre arte contemporânea (1940). In: Lúcio Costa, Registro de uma vivência. São Paulo: Empresa das Artes, 1995. 608p.il http://www.iabsp.org.br/oqueearquitetura.asp

É impossível pensar na arquitetura, sem pensar no trabalho do arquiteto. Em seus projetos, ele faz uso dos conceitos matemáticos de funções e geometria. Dentre as funções mais utilizadas para modelar muitas ideias, os arquitetos utilizam a FUNÇÃO MODULAR, cujo gráfico e sua composição com outras funções permitem a criação de construções arquitetônicas esteticamente perfeitas e que enchem os olhos das pessoas que as admiram. São as funções modulares nosso objeto de estudo, a partir de agora, mas, antes disso, relembre alguns lindos projetos do arquiteto brasileiro mais famoso: Oscar Niemeyer.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG55907-6014,00.html

Função Modular é aquela cuja lei envolve o módulo de um número real. Módulo de um número real x é definido por:

      0 x se x, -0 x se x, x

(7)

Exemplo 1: O gráfico de f(x) = x2 x y -2 0 -1 1 -3 1 2 4 -6 4 Exemplo 2: O gráfico da função y = x x .

Observe que o domínio é R*. Se x > 0 então x = x e a função vale 1. Se x < 0 então x = -x e a função vale -1. O gráfico é:

(8)

Agora é com você – Resolva os exercícios abaixo:

1) Observe o gráfico da função f(x):

Sendo f(f(a)) = 3, o conjunto que torna verdadeira a inequação

0 . ) ( 2 7    a a x a x é: a) { x  IR / -5  x  5 } b) { x  IR / x  5 } c) { x  IR / x  5 } d) { x  IR / x  5 e x  -5 }

2) Se o gráfico da função f(x) = x2 5x6 intercepta a reta y = 6x – K em dois pontos distintos,

então é correto afirmar que

a) K pode ser qualquer valor real b) K deve ser menor que uma fração c) K deve ser maior que uma fração d) K deve ser negativo

(9)

Considere que g(x) é a inversa de f(x-2) + 1. Sejam A e B, respectivamente, o domínio e a imagem de g(x). Podemos afirmar que A – B é o intervalo:

a) ] 5 , 8 ] b) [ -7 , 0 [ c) ] 4 , 6 ] d) [ -8 , -2 [ 4) Se f(x) = x+2 e g(x) = x+2 então o valor de f(2)g(2) é: a) –2 b) 1 c) 2 d) –1

5) Temos, abaixo, o gráfico de uma função f(x).

(10)

a)

b)

c)

Referências

Documentos relacionados

5.2 Importante, então, salientar que a Egrégia Comissão Disciplinar, por maioria, considerou pela aplicação de penalidade disciplinar em desfavor do supramencionado Chefe

Em função do volume de dados, foram selecionados 20 transformadores com dados históricos, totalizando 212 amostras, distribuídas em 180 amostras com condições normais, 10 amostras

O mesmo pode ser relatado por Luz &amp; Portela (2002), que testaram nauplio de Artemia salina nos 15 pri- meiros dias de alimentação exógena para trairão alcançando

Se errar, será concedida uma nova chance para que as demais equipes acionem seu sinal luminoso ao tempo determinado pelo(a) apresentador(a), e assim

“O aumento da eficiência e o plano de produção fizeram com que a disponibilidade das células de fabricação aumentasse, diminuindo o impacto de problemas quando do

Este trabalho apresenta um relato de experiência da parceria educacional entre a IBM Brasil por meio do programa IBM Academic Initiave 1 e a CETEC-GFAC 2 do Centro Paula

Conforme demonstrado neste estudo os pontos de monitoramento são localizados próximo ao lançamento do esgoto, em distância máxima de 400 metros, entretanto a

Guilherme, depois de ter trabalhado no Mato Grosso, retorna a Itabirito (um ano depois de Vicentina voltar à fiação na CIIC) e não saiu mais da cidade. Um dos maiores