OS ASPECTOS LEGAIS E AS CONTROVÉRSIAS SOBRE A MINERAÇÃOEM TERRAS INDÍGENAS

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Texto

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OS ASPECTOS LEGAIS E AS CONTROVÉRSIAS SOBRE A MINERAÇÃOEM TERRAS INDÍGENAS

Paulo Henrique Cardoso1

Gabriel Arcanjo de Miranda2

Letícia Botelho³

RESUMO: O presente artigo tem como objetivo mostrar os aspectos legais e suas controvérsias que

estão na lei no que se refere às discussões relativas as minerações que são realizadas nas terras indígenas que, atualmente, está sendo amplamente posta em pauta pelo atual governo brasileiro cujos interesses entram em confronto com os interesses dos povos indígenas que integram o território nacional. A mineração é algo danoso quando for realizada em áreas próximos de rios, bem como locais onde existe muita água que o caso das nossas florestas equatoriais e tropicais. Pode contaminar lençóis freáticos e, principalmente, nossos rios e, com isso gerando mais mal do que bem no que se refere aos impactos ecológicos sob o nosso ecossistema.

Palavras-chave: Terras indígenas. Minérios. Leis.

THE LEGAL ASPECTS AND THE CONTROVERSIES ABOUT THE MINING IN THE INDIANS LANDS

ABSTRACT: The purpose of this article is to show the legal aspects and their controversies that are in

the law with regard to discussions related to mining that are carried out on indigenous lands that, currently, are being widely discussed by the current Brazilian government whose interests come into play. Confrontation with the interests of the indigenous peoples that integrate the national territory. Mining is harmful when carried out in areas close to rivers, as well as places where there is a lot of water than the case of our equatorial and tropical forests. It can contaminate groundwater and, above all, our rivers and, as a result, do more harm than good in terms of ecological impacts on our ecosystem.

Keywords: Indian lands. Ores. Laws.

1 Autor Paulo Henrique Cardoso, graduando em Direito do Centro Universitário São Lucas, 2019. E-mail: paulohcco2_@hotmail.com

2 Autor Gabriel Arcanjo de Miranda, graduando em Direito do Centro Universitário São Lucas, 2019. E-mail: gabriellmiiranda@outlook.com

3Orientadora Letícia Botelho, Graduada em Direito Pela Faculdade de Rondônia-Faro, Pós-Graduada em Direito Público, Mestranda especial em Direito pela UNICEUB-Brasília/DF Advogada e Professora, . E-mail: advogada@leticiabotelho@adv.br

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INTRODUÇÃO

A fim de iniciarmos, saibamos que a legislação brasileira que protege o índio no Brasil é a Lei nª 6.001 de1973 a qual é conhecida como Estatuto do Índio; a lei pré-citada regula a situação jurídica dos silvícolas e, conforme explana o “caput” da Lei ela tem por finalidade integrar os índios – preservando a sua cultura - de forma progressiva bem como, também, harmoniosa, à comunhão nacional. Vale frisar que, apesar de a lei expressamente falar que a cultura dessas pessoas deve ser preservada, ao mesmo tempo observa-se que, quando a lei diz “integração à comunhão nacional”, automaticamente a cultura daquele povo, ou pelo menos boa parte dela já é perdida com essa denominada integração, pois, atentemo-nos que quando o índio ou silvícola sai de sua aldeia ou lugar onde exerce a plenitude de seu modo de vida, estando em confronto com o meio social da sociedade nacional a qual possui valores e cultura totalmente diferentes da sua própria cultura e valores, o mesmo é forçado a deixar para trás boa parte do que era ou fazia quando morava no seu meio(CASSETARI, 2012, ps. 179). Vejamos o que diz o “caput” da referida lei.

(...)

Art. 1º Esta Lei regula a situação jurídica dos índios ou silvícolas e das comunidades indígenas, com o propósito de preservar a sua cultura e integrá-los, progressiva e harmoniosamente, à comunhão nacional. (BRASIL, 1973).

A posição do atual governo brasileiro com relação aos índios no Brasil é a de que esses deveriam ser integrados à sociedade e não serem tratados como homens das cavernas por assim dizer e, no pensar pelo menos do atual presidente da república Jair Bolsonaro que o índio quer é ser integrado à nossa sociedade. O atual presidente sempre foi contra a política de demarcação de terras indígenas desde os tempos quando era Deputado Federal. Em um pronunciamento na câmara em 1998 teria dito a seguinte frase: realmente, a cavalaria brasileira foi muito incompetente. “Competente, sim, foi a cavalaria norte-americana, que dizimou seus índios no passado e, hoje em dia, não tem esse problema em seu país – se bem que não prego que façam a mesma coisa com o índio brasileiro; recomendo apenas o que foi idealizado há alguns anos, que seja demarcar reservas indígenas em tamanho compatível com a população” (BOLSONARO, 1998). A frase do atual presidente não é usada de forma política aqui, é usada apenas para ressaltar que, infelizmente

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atualmente, há um pensamento arcaico de apenas visar à exploração e não à preservação ainda está muito presente no pensamento brasileiro.

Se perguntássemos a um brasileiro médio se ele acharia melhor que o indígena fosse de forma total integrado à nossa sociedade urbana tendo “acesso” a tudo o que ele próprio possui, no mesmo momento ele responderia que sim; mas, se formos pensar bem, uma pessoa que se desloca de sua terra sem um plano de onde se instalar de forma adequada em um lugar onde esse não conhece nada e, somados a isso, em um lugar onde o modo de vida é completamente diferente do qual aquele ao qual o mesmo estava acostumado, não seria uma boa idéia e muito menos seria garantida uma vida melhor a esta pessoa. O que deveria ser realmente feito é garantir àquela pessoa meios para deixar a sua sociedade, se for de sua própria escolha e, posteriormente dar meios para que ela se estabilize.

A mineração nas terras indígenas é uma atividade que poderia acarretar muitas consequências impactantes pois a mesma poderia contaminar cursos d´água, o solo e bem como causar problemas à fauna e à flora do ambiente. Segundo Almeida, Futada e Klein (2016) em seu infográfico elaborado para o Instituto Socioambiental existem 28 milhões de hectares de terras indígenas na Amazônia nas quais estão sendo feitos processos minerários e isso é 24,5% da área total das terras indígenas que estão presentes no bioma amazônico. Conforme consta da projeção se, caso a mineração em terras fosse realmente aprovada 177 terras indígenas seriam impactadas pelos mais de 4.181 processos que estão em trâmite com a finalidade de serem liberadas as minerações nessas respectivas terras; 77 povos indígenas irão ter os seus territórios afetados por essa medida e; vale mescla a tudo isso que 8 terras indígenas terão 90% de sua área degradada.

Uma medida do atual governo com relação às terras indígenas que reforça a sua intenção de explorar as terras indígenas foi a edição da MP nª 886 de 2019 que quis transferir a competência de demarcação de terras indígenas para o Ministério da Agricultura e que nesse diapasão foi suspensa por uma liminar pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso. Segundo Cassetari (2012) as terras indígenas não podem ser arrendadas ou mesmos serem objeto de determinado negócio jurídico que restrinja o exercício da posse pela comunidade indígena ou por aqueles denominados silvícolas; bem como, também, nestas áreas são proibidas que as pessoas estranhas que não sejam das tribos indígenas pratiquem caça, pesca,

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coleta de frutos e, exercer atividades agrícolas e de “extração de qualquer natureza incluindo a de minérios, obviamente”.

1. UMA ANÁLISE LEGAL DA LEI Nª 4.505 DE1964 E OS DIREITOS POR ELA GARANTIDOS NO QUE SE REFERE À MINERAÇÃO

Dando continuidade, a fim de analisarmos mais amplamente os aspectos legais no que se refere, especificamente, à mineração em terras indígenas, devemos virar os nossos olhos, também, para o Estatuto da Terra que regula a manutenção dos direitos e obrigações que concernem aos bens imóveis rurais a fim de executar a denominada reforma agrária bem como visando a promoção da política agrícola, conforme explana o “caput” da lei. O que devemos nos atentar é que mediante a promulgação dessa supracitada lei foi garantido o direito dos índios com relação às suas terras. O artigo 2ª da respectiva lei diz que é assegurado a todos o acesso à propriedade e isso é condicionado à função social da mesma, porém, no § 4ª da lei, que está no mesmo artigo, é explanado os direitos dos indígenas com relação às suas terras. Vejamos:

Art. 2ª É assegurada a todos a oportunidade de acesso à propriedade da terra, condicionada pela sua função social, na forma prevista nesta lei (BRASIL, 1964).

(...)

§ 4ª É assegurado às populações indígenas o direito à posse das terras que ocupam ou que lhes sejam atribuídas de acordo com a legislação especial que disciplina o regime tutelar a que estão sujeitas. (BRASIL, 1964)

Haja vista do que foi explanado no artigo supracitado retirado do Estatuto da terra, foi assegurado que seria aplicada aos indígenas uma legislação especial regulamentando o seu regime tutelar. Essa legislação foi Lei nª 6.001 de 1973 também chamado de Estatuto do Índio que veio 10 (dez) anos depois do Estatuto da terra. Como acabamos de perceber o processo de formação de uma política agrícola para os povos indígenas foi aos poucos tomando forma com uma promulgação de uma lei ali, outra regulamentação acolá e, desta forma, garantiram-se alguns meios de proteção ao índio, bem como, consequentemente, às suas terras. De modo geral podemos afirmar que apenas se garante proteção ao índio protegendo a terra onde ele vive.

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2. DA CONEXÃO ENTRE O DECRETO-LEI Nª 227 DE 1967 (CÓDIGO DE MINAS) E O SEU DIPLOMA ALTERADOR A LEI Nª 7.805 DE 1989

Conforme o “caput” do Decreto-Lei nª 227 de 1967 (BRASIL, 1967) compete à união a administração dos recursos minerais brasileiros e, também a indústria de produção mineral, sua distribuição, consumo de produtos minerais e o comércio desses. Dessa afirmação podemos retirar o seguinte pensamento: tudo, ou pelo menos quase tudo no que se refere aos minérios encontrados em zona sob a jurisdição brasileira é da união bem como a forma como devem ser explorados e, também, comercializados, compete à união regulamentar. Anteriormente ao Decreto-Lei nª 227 de 1967, de forma mais objetiva no seu artigo 2ª inciso III, existia o regime de matrícula que era quando o garimpeiro dependia de se registrar nas assim denominadas “Exatorias Federais” presentes no local da jazida da qual o mesmo extrairia o minério; com a promulgação da Lei nª 7.805 de 1989 foi extinto o regime de matrícula e adveio o regime de permissão de lavra garimpeira. Vale mesclar que, diferentemente do Decreto-Lei de 1967, a Lei de 1989 apesar de extinguir e criar outros meios de exploração de minérios no Brasil como foi visto acima deixou bem claro em seu artigo 23, alínea “a”, que a permissão de lavra garimpeira não se aplica às terras indígenas. Algo muito importante que foi incluído na Lei e que no código de minas inexistia dando assim proteção a essas terras passíveis de má interpretação do Código de Minas, pois, saibamos, somente podemos fazer aquilo que a lei não proíba e, antes, o respectivo código não se referia às terras indígenas.

3. DA MEDIDA PROVISÓRIA Nª 886 DE 2019

Dando continuidade ao assunto em pauta, muito importante falarmos desta respectiva MP nª 886 de 2019 pelo fato de ela alterar a competência para a demarcação de terras indígenas em território nacional da Fundação Nacional do Índio – FUNAI para o Ministério da Agricultura; medida essa muito controversa, pois, as medidas provisórias, em tese, somente poderiam ser editadas pelo Presidente da República quando forem urgentes. Senão vejamos o que explana o artigo 62 da nossa Constituição Federal.

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Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional (BRASIL, 1988).

Pelo que nos traduz o artigo supracitado, somente em casos de urgência poderia o presidente da república aplicar tais medidas; um questionamento muito relevante é: qual seria o motivo do governo editar uma medida provisória com a finalidade de alterar a competência de dois órgãos federais, entretanto, essa não é a controvérsia que ocorrera, foi apenas uma citação a fim de analisarmos mais amplamente e nos perguntarmos o porquê tal modificação seria de relevante urgência. A real controvérsia é a seguinte: O Presidente da República Jair Bolsonaro, já havia editado a MP nª 870 de 1ª de janeiro de 2019 que reestruturou o governo, conforme consta do artigo 21 da citada MP, foi alterada a competência para a demarcação de terras indígenas que deixaram de ser da Fundação Nacional do Índio – FUNAI e passaram a ser de competência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Vejamos:

Art. 21. Constitui área de competência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento:

(...)

XIV - reforma agrária, regularização fundiária de áreas rurais, Amazônia Legal, terras indígenas e quilombolas;

(...)

§ 2º A competência de que trata o inciso XIV do caput , compreende: (...)

I - a identificação, a delimitação, a demarcação e os registros das terras tradicionalmente ocupadas por indígenas; e (BRASIL, 2019).

Entretanto, apesar da respectiva medida ter sido aprovada pelo congresso nacional, esse artigo restou suprimido e, contanto, a competência continuou sendo da Fundação Nacional do Índio – FUNAI conforme prescreve o artigo 19, § 1ª da Lei nª 6.001 de 19 de dezembro de 1973. Após o objetivo de modificar a competência das demarcações não atingir pleno efeito, Bolsonaro editou outra MP – que é a nª 886 de 2019 – tratando do mesmo assunto a qual foi suspensa, reiterando, por uma liminar impetrada pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso. Com isso, a competência para demarcar terras indígenas continua sendo da FUNAI e vinculada ao Ministério da Justiça. A decisão de Barroso, que apesar de suspender a MP do presidente Bolsonaro, não decidia de forma definitiva sobre o caso tendo, portanto,

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que ser analisada pelo plenário do Supremo. Da análise pelos ministros esses decidiram, em unanimidade, por manter a decisão de Barroso, ficando, desta forma, decidido que a demarcação de terras indígenas ainda é da FUNAI.

Essas medidas do atual governo, caso fossem postas em prática e aprovadas em seu inteiro teor pelas demais instituições, abririam espaço para que, futuramente, começassem a ser amplamente exploradas inúmeras terras indígenas para uso tanto pela agropecuária quanto, também, para mineração e, consequentemente, poderia prejudicar em muito os povos indígenas destas regiões causando degradação ao meio ambiente que, quando se trata de mineração, causaria impactos ambientais que poderiam ser irreparáveis tendo em vista que para se tirar do solo qualquer tipo de minério é necessário muitas escavações que liberam não apenas o minério o qual se pretende extrair, mas também, outros minérios que podem contaminar rios e o solo, causando, assim, danos não apenas à flora que seria degradada mas à fauna e, ainda, é corrido o risco destas possíveis contaminações serem levadas para mais além da área de mineração quando se trata de áreas contidas na Amazônia devido que lá o que não falta é água é rios que levariam de fato detritos das minerações para outras lugares.

4. A POPULAÇÃO BRASILEIRA REJEITA ABRIR A MINERAÇÃO EM TERRAS INDÍGENAS

Uma Pesquisa de um jornal de grande circulação nacional(DataFolha) apontou que 86% da população brasileira discorda sobre abrir exploração mineral em terras indígenas, no qual o presidente Jair Messias Bolsonaro tem um projeto para abrir este exploração em terras indígenas, a constituição prevê que a exploração de minério em terras indígenas poderá ser realizada com a aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional (CN).

A convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) descreve que os povos indígenas terão que ser consultados em todas as etapas sobre a exploração de minérios em suas terras, para não ter um final de prejuízos a estes povos sendo assim a sua anuência antes de empreender e autorizar qualquer tipo de exploração dos recursos existentes em suas terras.

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Conforme o artigo 15 desta convenção que descreve sobre o direito e a participação dos povos indígenas em recursos existentes em suas terras.

Artigo 15- CONVENÇÃO 169 vejamos:

1. Os direitos dos povos interessados aos recursos naturais existentes nas suas terras deverão ser especialmente protegidos. Esses direitos abrangem o direito desses povos a participarem da utilização, administração e conservação dos recursos mencionados.

2. Em caso de pertencer ao Estado a propriedade dos minérios ou dos recursos do subsolo, ou de ter direitos sobre outros recursos, existentes na terras, os governos deverão estabelecer ou manter procedimentos com vistas a consultar os povos interessados, a fim de se determinar se os interesses desses povos seriam prejudicados, e em que medida, antes de se empreender ou autorizar qualquer programa de prospecção ou exploração dos recursos existentes nas suas terras. Os povos interessados deverão participar sempre que for possível dos benefícios que essas atividades produzam, e receber indenização equitativa por qualquer dano que possam sofrer como resultado dessas atividades.

Mas segundo os estudos que vem sendo feito não e isto que está ocorrendo sobre os projetos de leis que tramitam hoje, conforme o secretário de geologia e mineração do MINISTERIO DE MINAS E ENERGIA (MME), Alexandre Vidigal relatou que o governo de Bolsonaro elabora um projeto de lei para permitir a mineração em terras indígenas, foi as palavras dadas por ele em Agosto, o qual colocou em pauta que este projeto ficaria pronto até os meados de setembro, para ser enviado ao CN (Congresso Nacional).

O secretário mencionou que o governo não detém números e levantamentos sobre detalhados sobre o potencial mineral em terras indígenas, ele foi indagado nesta entrevista o motivo pelo qual os povos indígenas não estavam participando desta fase do projeto de lei para a autorização de minérios em terras indígenas, e em sua resposta foi que só poderão participar quando o projeto chegar ao CN (Congresso Nacional), também foi mencionado sobre a possibilidade de os povos indígenas vetarem a mineração em suas terras, e a nossa Constituição Federal não prevê tal veto, o secretario mencionou a necessidade de um consenso entre empresários, indígenas, e órgão de controle, antes de tal projeto fosse colocado em pauta pelo Congresso Nacional (CN).

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5. A QUANTIDADE DE ÁREAS ATINGIDAS PELA MINERAÇÃO EM TERRAS INDÍGENAS

Segundo estudos recentes a mineração em terras indígenas pode e vai atingir 1/3( um terço) das áreas de recursos naturais indígenas, a determinação do governo e de permitir a exploração mineral em terras indígenas tem um potencial para afetar quase um terço destas reservas do Brasil, conforme a previsão na nossa constituição federal de 1988, descreve a atividade em territórios demarcados nunca foi regulamentada e tem uma grande circulação de discussões há décadas no Congresso Nacional (CN), e o atual presidente Bolsonaro vem por muita insistência tratando deste assunto, que e favorável a mineração em terras indígenas.

5.1 Pesquisas sobre a exploração do subsolo

Com estudos recentes do Instituto Socioambiental (ISA) há conforme a Agencia Nacional 4,332 requerimentos para exploração do subsolo em 2014 das 735 áreas indígenas registradas na ANM, assim o total e de 29,1 % das áreas são de parques indígenas de TUMUCUMAQUE(AP E PA), ARAGUAIA(TO) E ARIPUANA(MT).

Acerca destes requerimentos para esta determinada exploração que envolve 66 substâncias, sendo o principal o Ouro, a maior parte destes pedidos são para pesquisas, sem a comprovação cientifica que existam minérios nessas áreas de terras indígenas, boa partes destes pedidos são da décadas de 1980 e 1990, que foram protocoladas antes da demarcadas das terras indígenas, e assim se for autorizada a exploração eles terão prioridade.

6. OS IMPACTOS SOBRE A EXPLORAÇÃO EM TERRAS INDÍGENAS

Atualmente, a mineração esta atividade exploração em terras indígenas. Pode contaminar os cursos de águas, solo, e fauna e flora locais, podendo assim expor os povos indígenas diretamente afetados a situações de violências, assim como ocorre atualmente, por muitas vezes os povos irem em defesa das suas terras e acabam colocando a sua vida em ameaça.

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Tramita há 23 anos o projeto de lei que vem tirar o poder de participação e de consulta dos povos indígenas sobre a exploração de minérios em suas terras, sendo contra a nossa constituição e a convenção 169 da IOT, conforme dados recentes da sócio ambiental há 28 milhões de hectares de áreas das terras indígenas na Amazônia sobre as quais incidem processos minerários. Isso e 24,5% da área total das terras no bioma, com 177 terras indígenas serão impactadas por 4181 processos minerários, com 77 povos indígenas, entre eles, 6 povos isolados, que terão suas terras afetadas.

7. A MINERACÃO EM TERRAS DO POVO INDÍGENA KARIPUNA

Sobre o contexto Histórico deste povo que irei aplicar a esta artigo e superficial e breve, porque o ponto de vista e sobre a mineração e exploração em terras indignas Karipuna de Rondônia com população atual de 60 indígenas, que hoje estão localizados ocupando as terras segundo fontes históricas e relatos orais, na região do rio mutum-paraná e seus afluentes da margem esquerda, igarapé contra e rio Francisco, e os rios Capivari, formoso e jacy-paraná, essas terras anteriormente pertencia a ocupação de outros povos como os Uru-Eu-Wau-Wau e Amodawa,Pakaá-noca e Karitina.

Conforme pesquisas feitas para este artigo e entrevista com o atual cacique que está contida neste artigo ele descreve uma grande instabilidade com o atual governo e órgão de controle, esta entrevista foi feita dentro dos normas do seu povo e dos órgão de controle.

Entrevista realizada com o cacique André Karipuna

Estou aqui com o André Karipuna. Eu vou fazer umas perguntas pra ele referente ao assunto atual referente à mineração em terras indígenas. Boa noite, André Tudo bem? André: Boa noite.

Entrevistador: Há quanto tempo o povo Karipuna resiste às invasões dos garimpeiros? Em gerais assim?.

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André: Desde muito tempo, eu só não sei o ano é nem a época... A gente vem sofrendo grande pressão desde a época do contato. Nesse tempo eu não era existido ainda. A gente vem sofrendo esse problema: das invasões, garimpo, madeireira, grilagem de terra e a gente tá muito preocupado com essa situação novamente acontecer nesse atual governo e nesse... Daqui pra frente com nós o povo Karipuna. E a gente vem passando por outro problema agora que é quase a gente, são cinquenta e sessenta pessoas que pra trás, mas era e oito. Nosso detectado situação do de perna e cheguei uma fica e oito pessoas hoje e décadas atrás nós era em oito. Muitos foram mortos executado. Nessa mesma situação de invasão de terra, grilagem de terra e chegamos a ficar em 8 pessoas.

Entrevistador: você acabou de falar pra mim que você é o atual cacique, Certo... porque também tem irmãs que são lideranças e o seu primo. Vocês são quatro, né, Vocês trabalham juntos. em todos os aspectos, quando falam em extração de madeira, você tá junto quando eu falar em conflito. Vocês estão juntos. Mineração. Vocês estão junto, certo?.

André: A gente trabalha tudo junto, mas sempre de forma diferente. Ele trabalha diferente e eu trabalho diferente. E outro meu primo trabalha diferente, mas tudo na causa do Karipuna, né.

Entrevistador: ele tem uma visão e ele tem outra visão, certo? André: Tem, mas tudo na causa pelo Karipuna.

Entrevistador: É visão diferente, mas tudo pelo mesmo objetivo, certo?

André: Sim, sim. Nós faz o mesmo trabalho, na verdade é o mesmo trabalho e a diferença é essa.

Entrevistador: Você considera que a Funai desempenha um papel importante na proteção da sua aldeia atualmente hoje?

André: Na verdade a Funai só tem nome hoje. Quem é que ta na frente da Funai é o governo... A Funai hoje é dominada pelo Presidente do Brasil. É o atual presidente. Então o órgão competente a Funai junto com o presidente do Brasil que é o Jair, né... Hoje ele enfraqueceu muito esses órgãos. Antigamente na época a Funai era muito forte ela... protegia e coibia, mas como o governo: esse atual enfraqueceu a Funai... Então a Funai enfraqueceu muito, muito e tá quebrado... Financeira para trabalhar na proteção territorial... E outras coisas assim, porque a Funai hoje ta muito fraca por isso que a gente vem lutando para ver se levanta ao menos a Funai que essa luta é muito

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grande pra não deixar isso acontecer... Sobre invasões... garimpo e outros problemas que pode acontecer no território.

Entrevistador: Então... o seu ponto de vista sobre o órgão... Porque a Funai é um órgão de controle... Ela é um órgão que controla... Você... Também conhece o ICMbio, ele tá ligado mais a... referente à proteção do bioma, e não é um órgão diretamente ligado a vocês. A Funai ela já – como você informou – ela já foi muito boa antigamente, hoje ela tá mais politicamente, ela não esta mais Interagindo em coisas social referente àquilo que ela deveria atuar, certo. Hoje. Isso que você tá falando, né? André: E sem falar também que algumas leis que o governo tá criando... Ela enfraqueceu muito... Como enfraqueceu o Ibama, enfraqueceu o SEDAM.

Entrevistador: Eu vou te falar que eles estão tirando os valores que eles antigamente repassavam, você tem essa informação? .

André: É, os direitos. Hoje a Funai não tem o mesmo poder... Sem falar nos estados que é o Ibama que também protege isso... Enfraqueceu bastane o Ibama, ICMBio e outros órgãos de proteção.

Entrevistador: É... Quantas comunidades indígenas próximas a sua sofrem o mesmo problema?... Hoje que é o Urué Uau Uau.

André: É... Urué Uau Uau é um dos que sofrem o mesmo problema que nós, mas só que eu não posso falar muito por aí porque eu não conheço. Sei que em invasão é quase o mesmo, mas o problema deles é que a terra é maior e eles são bastante. Mais do que nós. 1000 pra 3000 ou mais. Então a diferença é essa. E nós somos poucos e... modifica alguma coisa. E eles não.

Entrevistador: Eu estava lendo referente à Vocês que antigamente... Vocês eram mais... Unidos não... Vocês... Como... perto... Vocês compartilhavam, hoje não compartilha mais... assim... povos... assim... Lá pra lá, pra cá... Não, sim. Ou nunca foi assim?

André: Na luta que você ta falando? Entrevistador: Sim.

André: Na luta sim.

Entrevistador: na área de defender a terra é o mesmo, certo?

André: na luta a gente encontra os povos que estão passando pela mesma situação e sem falar que a minha terra já é homologada e registrada. Na lei garante que a terra homologada e registrada como minha não pode ser invadida, ela não pode ter

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extração de madeira, não pode ter grilagem de terra, não pode ter garimpo; e sem falar naquele povo que tão lutando pra eles... porque eles não têm.

Entrevistador: Em que ano foi homologada e registrada a sua terra? André: Época de 70, eu acho.

Entrevistador: Outra pergunta: Algum integrante da sua aldeia ou de outras comunidades indígenas já ajudaram os garimpeiros? Sim ou não?

André: Tipo... a favor? Entrevistador: Sim.

André: Não, no meu não tem, mas em outros lugares, outros parentes que eu conheço e que eu ouço diz que tem. Isso aí que ta gerando a maior confusão, conflito entre os povos e... porque têm alguns parentes que são muitos... Um é a favor e um contra. O que acontece? O próprio governo ta gerando conflito entre os indígenas mesmo. Da mesma terra, do mesmo... dos parentes mesmo... Divisão de família... divisão de liderança... Divisão de cacique, porque tem aldeia que dois caciques três caciques... Um quer apoiar e outro não quer. Não to falando a minha... só tem só eu e os líderes. Dos outros povos que eu ouço sim.

Entrevistador: Então esse tipo de coisa já ocorreu, certo? Já ocorreu e esta ocorrendo até hoje, né? Dos índios ajudarem os garimpeiros.

André: Assim, essa lei aí tem muitos que ta a favor... Essa lei agora aí.

Entrevistador: Essa atual P.L... projeto de lei, que o governo esta formulando, Eles querem aprovar desde maio, e de maio pulou pra setembro – que era o limite – e agora ta com outros pontos de vista pra sair agora em outubro, era pra ser final de outubro agora, aí pularam pra novembro. Ele querem colocar essa P.L. em pauta, mas referente a essa P.L. 2019 ela é bem difícil para sair agora... entendeu? Porque ela tem pontos muito obscuros... ele fala já em empresas que vão atuar; ele já fala a quantidade de empresas que fizeram os requerimentos. Já sabe que são 4300 requerimentos de garimpagem, todas em terras indígenas. Entendeu? Eu acho bem difícil a P.L. sair mas posteriormente a gente fala sobre ela.

André: Assim, essa lei aí tem muitos que ta a favor... Essa lei agora aí.

Entrevistador: Quais os males que você enxerga para o futuro da sua comunidade? André: As leis que estão sendo criadas... As leis que está enfraquecendo muito, e sem falar que isso pode gerar muito conflito, derramamento de sangue.

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Entrevistador: E já aconteceu antes pela madeira, certo? Que é superficial. A madeira é superficial, que está por cima, agora eles querem o subsolo. Mineração é subsolo, certo?

André: A terra também que eles pega e revende.

Entrevistador: os órgãos de controle não querem ajudar?

André: É porque como eu falei: ajudar eles podem ajudar, só que o problema é que eles dependem do governo federal. O governo federal enfraquecendo e ele não dando recurso pra executar o trabalho.

Entrevistador: Qual a preocupação com o atual governo? Qual a sua preocupação com essa P.L. que ele vai colocar referente às terras indígenas?

Entrevistador: Quando eu fui apresentar esse trabalho eu passei um vídeo do fantástico. Eu acho que você não teve acesso a ele... Que fala sobre... que o atual presidente ele mostrou antes da época de se candidatar. Ele falou que, posteriormente, se ele fosse eleito ele iria liberar a mineração em terras indigenas. Agora atualmente ele esta tentando liberar. Quando ele foi no Japão esta semana ,agora ele falou, ele voltou a falar. Então a preocupação é essa, certo?

André: É um preocupação muito grande pra nós povos indígenas, porque no discurso dele antes de ele ser presidente ele já falava coisas que era muito triste. Ele dizia assim: Dizia que ia diminuir terra indígena; dizia que a terra era muito pra pouco índio e outros parentes também. Que índio não gerava renda pro Brasil. Atrapalhava o desenvolvimento do Brasil. Então esse discurso dele e que ia diminuir a terra. Então o discurso dele no meu território quando ele começou na internet falar e fazer a campanha dele... A campanha dele... foi nisso. E o que aconteceu? Ele fortaleceu os invasores, o garimpo. Entendeu? Porque quem já tava dentro. Opa! Nós queremos um presidente desse. Aí fortaleceu. Entendeu?

Entrevistador: O que os órgãos internacionais têm a dizer sobre a situação do seu povo?

André: o que os órgãos internacionais têm a dizer sobre o Brasil é que o Brasil não ta... O Brasil conta um versão porque o Brasil tem embaixador, né. Que fala pelo Brasil. Quando chega lá eles contam uma versão e quando vai alguém própria denúncia já vem com uma denúncia diferente. Sendo que já tem embaixador do Brasil que fala pelo Brasil: que aqui não ta passando nada; que o presidente ta tratando por igual... Mas depois de tanta denúncia, não só eu, mas outros parentes que foram

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afora. O Brasil se sentiu meio que pressionado. É vergonhoso pro Brasil, né. Agora ta calmo esse negócio de invasão. Quer dizer: na minha, né? Tá calmo agora: com essa denúncia toda.

Entrevistador: Teve uma GLO (garantia da lei e da ordem) que ele mesmo assinou pra proteção, referente àquela dos incêndios. Então ela funcionou também pra isso, certo? Pra repelir os garimpeiros que estavam tentando a garipagem. Por isso que esse período atual agora ta meio calmo. Mas quando acabar essa GLO, o que vai acontecer, né?

André: É a gente fica muito preocupado quando acabar isso aí.

Entrevistador: Quais medidas poderiam ser adotadas para que sua comunidade seja realmente protegida?

André: Queria que o governo olhasse mais pra nós e... não criasse mais leis contra as leis que já tem na constituição federal. É o que a gente quer. Porque a maioria dessas leis está na Constituição Federal. Que é a constituição maior de todos. Então queremos que o governo olhe mais pra nós de forma diferente e que essas leis que tem, pra nós povos indígenas não foram conquistadas... Ah, que o deputado foi lá e... tem indígena... Foi a ida no congresso, fechando BR. Isso muito tempo atrás. Indo naquele negócio que tem em Brasília... 6ª câmara, né. Indo lá e pedindo que... Até que essa lei foi criada. Foi nós mesmo, viajando daqui pra Brasília, de carona, de ônibus e chegando lá fazendo aqueles barulho lá. Através disso que a gente não quer que as leis seja tirada.

Entrevistador: para a sua comunidade quais os direitos poderiam ser garantidos pelo governo brasileiro com a finalidade de preservar sua cultura, nomes e línguas? André: proteção territorial, porque índio sem terra ele não é nada. Índio sem terra ele não tem educação, não tem saúde. Perde sua cultura. Por que onde ele vai viver? Sua tradição, né.

Entrevistador: Qual o seu ponto de vista se acontecer a liberação de mineraçao em terras indígenas, em todas as terras indígenas. Você acha que terá algum aspecto econômico bom pra vocês ou não?

André: Não. Só vai trazer coisas negativas. Tipo: doença, prostituição, trabalho escravo para os povos indígenas porque muito vai querer trabalhar com essas empresas. Malária. E fora as outras coisas que não é cabível, né.

Entrevistador: O ponto de vista seu hoje referente a esse governo atual liberar essa nova P.L. esse projeto de lei. Se ela for tramitar pro congresso... Ela vai pro congresso;

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do congresso vai pra votação... Qual o seu ponto de vista sobre a consulta de vocês no final? O artigo 15 da OIT ele fala que os povos indígenas vão ser consultados em todos os trâmites da P.L. o outro fala que é só o final, só para consulta no final. A minha pergunta agora: Você acha que isso vai ser feito?

André: Não. Pra tu ver uma coisa que o governo é um pouco que mentira. Pro lado da mentira porque... Essa usina aqui da Santo Antônio fomos prejudicados com essa usina aqui e quando eles fizeram tentar fazer essa usina aqui. Só estou dando um exemplo: quando eles tentaram fazer essa usina aqui e tentaram conversar com nós já tava sendo feito. Nós foi prejudicado na época. Hoje o rio enche... então... essa OIT era bom se fosse assim: consultada antes, vai acontecer, né. Mas aí fala isso, só que na prática... Quando um indígena já ta sabendo ele já ta feito já. É isso que o governo... eles são estrategistas na hora que vai chamar o indígena pra consultar já ta feito já. Ou ta aprovado. É assim.

Entrevistador: Quais são os riscos reais se a mineração hoje em terra indígena for aprovada?

André: Muita morte. Muito conflito. Muita desavença entre parentes. E fora as outras coisas que pode vim.

Entrevistador: Você sabe que, atualmente, existem 4.300 pedidos de mineração em terras indígenas... E a sua terra, mais especificamente, ela é rica em ouro. Ela a dos cinta largas e dos Yanomami. Você sabia dessa informação de que existem requerimentos para mineração em sua terra?

André: Já sabia. O Brasil todo, né. Tem alguns que tem mais, como eu disse, né: o governo não ta nem protegendo o que ta na lei, o que deve cumprir na lei como é que ele vai ajudar? Como é que o indígena vai sair bem aprovando essa lei? Não ta nem ajudando agora os invasores pra ser preso ou pra ser punido. Ele não ta conseguindo nem fazer isso como ele vai colocar um monte de garimpeiro, um monte de coisa lá na terra indígena? Vai ser problema, né?

Entrevistador: Você sabe a quantidade de indígenas que não são registradas? André: Não, isso aí não sei não. Que não tem terra?

Entrevistador: Não, que não tem registro. Você disse que o seu vizinho... os Urué Uau Uau tem a terra deles mas não são registradas, né?

Entrevistador: Eu fiz uma pesquisa na minha sala. Com 30 alunos presentes na apresentação deste trabalho. Como o objetivo desta pesquisa se eles são favor ou contra a mineração em terras indígenas e quatro pessoas falaram que é a favor da

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exploração em terras indígenas. Qual o seu ponto de vista sobre essas pessoas querem a exploração indígena?

André: Esse que são a favor? Vejo assim que... Já sei que ele acha que o indígena vai ficar bem. Mas sendo assim que não é, né? O indígena nunca vai ficar bem aprovando esse negócio. Sempre vai sair perdendo. Esse que tu falou eu também ouço às vezes: O Bolsonaro vai aprovar. Ah! Vocês vão ter muito dinheiro; vocês vão ficar bem; vão andar bem. Não! Antes de ele aprovar a gente ta vivendo. Por que ele vai aprova uma coisa e a gente vai ficar melhor? Não. Nós não queremos isso. Porque ele não sabe a causa e também não conhece a política. Eu vejo assim por esse pessoal que fala que a gente vai ficar bom. Que nós vai ter dinheiro; que nós estamos sentados em cima da riqueza; pra nós poder explorar, mas não é assim.

Entrevistador: Você acha que o problema da mineração vai começar agora ou isso já vem acontecendo antes?

André: Aham. Rapaz, tem tanta coisa. Entre eles também, os deputados. Tem um que é a favor e outro é contra, mas só que nós queremos que não, né. Nós povos indígenas. Eu também digo que não. Alguns parentes também não, né. Mas tem outros parentes que quer que aconteça isso.

Entrevistador: Se liberar a mineração nas terras indígenas haverá um convívio entre as empresas de mineração e vocês na mesma terra?

André: Isso pode atrapalhar muita coisa, né?

Entrevistador: Você acha o que vai acontecer se vocês ficarem na mesma terra e eles junto ali trabalhando?

André: Ou eles expulsar nós, né. Porque onde tem... Com a minha são 60... No cinta larga começou com 10 garimpeiro, quando eles foram olhar já tinha 3.000 garimpeiro. Tava passando até do povo do Cinta Largas. Os indígenas pode ser expulso da própria terra.

Entrevistador: Tiveram muitos indígenas presentes na audiência pública na qual o Ministro de Minas e Energia Alexandre Vidal veio ao Estado de Rondônia. Qual o seu ponto de vista sobre isso? Não era uma audiência legítimas, por que eles foram? André: Muitos foram porque iam contra e outros também foram a favor, né. Disso que eu fiquei um pouco triste, mas eu não tava aqui. Eu estava viajando.

Entrevistador: Você conhece o Ministro de Minas e Energia Alexandre Vidal? Já tratou com ele sobre esses assuntos?

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Entrevistador: A Funai ela é mediadora nesses conflitos que tem referente a todos os conflitos que vem vindo? Ela media ou ela não esta ajudando vocês?

André: Não todos. O presidente da Funai é um, né. Porque quem colocou ele lá foi a bancada ruralista que só faz o que o governo faz. Se ele bater de frente com o presidente do Brasil ele já é exonerado. Agora quem ta mais próximo que faz serviço de proteção sim. Luta, enfrenta. Eles sofrem as ameaças.

Entrevistador: Hoje vocês estão localizados ali entre nova dimensão e bandeirante, certo?

André: Sim.

Entrevistador: A língua atual de vocês é o Tupi-Guarani, né? André: Pikawawebo.

Entrevistador: Você está há quanto tempo como cacique? André: Desde 2017.

Entrevistador: Quem era o seu antecessor? André: Era o meu primo.

Entrevistador: Ele mora lá ainda?

André: É ele mora ainda. Agora ele ta estudando. Entrevistador: Está na faculdade, certo?

André: Sim.

Entrevistador: Vocês são casados há quanto tempo? André: 1 ano.

Entrevistador: Rosimar, você é dos Mucuá, esposa de andre? Me fala um pouco do seu povo assim.

Rosimar: O meu povo acabou devido ao garimpo. Foi o que destruiu o meu território. O meu local onde eu morava. E ao decorrer desse tempo minha família teve traumas que passou até hoje, traumatizados. Tenho uns irmãos que tiraram Mucuá com medo da realidade hoje. Praticamente vive com medo.

Entrevistador: Vocês vai nos eventos que o André vai?

Rosimar: Nem sempre, mas no da mineração eu estava. Ele não. Entrevistador: Você está há quanto tempo em Porto Velho, Rosimar? Rosimar: Faz muitos anos. Não lembro não.

Entrevistador: Você veio pra cá para estudar?

Rosimar: Não, a gente viemos expulso do nosso território e fomos parar num local próximo de Humaitá.

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Entrevistador: Por causa da garimpagem?

Rosimar: Isso. Aí depois disso nós fomos morar próximo da coca cola numa chácara. Foi lá que eu fui criada, numa chácara praticamente isolado... A gente não podia estudar por causa das família. Muito medo. Receio.

Entrevistador: Ainda estão atuando lá com a garimpagem, certo? Rosimar: Isso.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Afim de concluirmos, verificou-se que foi tratado aqui de todos aspectos legais e as controvérsias sobre a exploração de mineração em terras, deixando por exposto que o referido artigo vem trazer os acontecimentos atuais sobre este assunto e que a regulamentação da mineração e da utilização de recursos naturais em terras indígenas poderá trazer muitos males para o meio ambiente, bem como à população indígena brasileira, apesar de realmente puderem ser trazidos benefícios econômicos para o povo brasileiro como um todo. O governo atual e, não é tomando um lado político ideológico que todos percebemos isso, poderia muito bem alimentar o desenvolvimento econômico sustentável e, se forem para minerar, que minerassem em terras não pertencentes a grupos indígenas, pois, com toda a certeza essas terras existem. A atividade minerária causa danos às vezes irreversíveis para o meio ambiente, mas não precisa causar danos a todo um povo, a aplicação deste artigo ao povo indígena Karipuna foi um método de integração com este povo e por eles estarem ameaçados com diversas ameaças e conflitos, assim a entrevista posta neste artigo visa atingir este objetivo.

A Amazônia é a floresta equatorial que está dentro, principalmente, do território brasileiro compondo uma grande biodiversidade de animais e plantas que fazem parte de um todo maior que garante a nós e a todos que virão depois de nós um ambiente saudável. Nem tudo que brilha é valioso, existem coisas mais valiosas que, se avaliadas como deveriam, saberíamos que a longo prazo valem muito mais que ouro e outros metais preciosos que podem estar escondidos no interior da Amazônia brasileira e, consequentemente, dentro das reservas indígenas. Muito se fala que, como um exemplo, há muito Nióbio na Amazônia que serve para construir foguetes, mas não é falado o porquê da sua utilização em um país que, infelizmente, não desenvolveu - o que justificaria a exploração deste minério – o seu sistema aeroespacial. Ou seja, apenas importaríamos, mas desenvolvimento tecnológico-científico do país não justifica, pelo menos no presente momento, a exploração deste minério. Temos que tratar as reservas indígenas como nossos aliados que garantem a preservação das nossas tão necessárias florestas e o seu bioma. Isso ainda é possível. Podemos sim garantir a sustentabilidade e o nosso desenvolvimento. Apenas precisamos nos esforçar e não tirar direitos dos povos indígenas.

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AGRADECIMENTOS

Primeiramente gostaríamos de agradecer ao Criador.

Nós os alunos do Centro Universitário São Lucas agradecemos imensamente à nossa Orientadora Letícia Botelho por aceitar conduzir o nosso trabalho de pesquisa, bem como total apoio e dedicação referente ao tema que foi nos dado deste artigo da disciplina de Direito Agrário do 10º Período de Direito da supracitada faculdade.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BRASIL. Medida Provisória nª 870, de 1ª de janeiro de 2019. Estabelece a organização básica dos órgãos da Presidência da República e dos Ministérios. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1ª jan. 2019. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv870.htm>. Acesso em: 11 out. 2019.

BRASIL. Lei. 6.001, de 19 de dezembro de 1973. Dispõe sobre o estatuto do índio. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 21 dez. 1973. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6001.htm>. Acesso em: 12 out. 2019. BRASIL. Lei. 4.504, de 30 de novembro de 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 30 de nov. 1964. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4504.htm>. Acesso em: 12 nov. 2019.

BRASIL. Decreto-Lei nª 227 de 28 de fevereiro de 1967. Dá nova redação ao Decreto-Lei nª 1.985, de 29 de janeiro de 1940. (Código de Minas). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 28 de fev. 1967. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0227.htm>. Acesso em: 12 out. 2019.

BRASIL. Lei nª 7.805, de julho de 1989. Altera o Decreto-Lei nª 227, de 28 de fevereiro de 1967, cria o regime de permissão de lavra garimpeira, extingue o regime de matrícula, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 de jul. de 1989. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7805.htm>. Acesso em: 11 out. 2019.

BRASIL. Medida Provisória nª 886, de 18 de junho de 2019. Altera a Lei nª 13.844, de 18 de junho de 2019, a Lei nª 8.171, de 17 de janeiro de 1991, a Lei nª 12.897, de 18 de dezembro de 2013, a Lei nª 9.613, de 3 de março de 1998, e a Lei nª 13.334, de 13 de setembro de 2016, para dispor sobre a organização básica os órgãos da Presidência da República e dos Ministérios. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 de jun. de 2019. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv886.htm>. Acesso em: 11 out. 2019.

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