• Nenhum resultado encontrado

Contribuição sindical urbana

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Contribuição sindical urbana"

Copied!
168
0
0

Texto

(1)

UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA NATALIA CORDINI PAVANELLO MASSIH

CONTRIBUIÇÃO SINDICAL URBANA:

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Nº 4033 E O IMPACTO NAS RECEITAS SINDICAIS PATRONAIS DO SETOR TERCIÁRIO EM SANTA

CATARINA

Tubarão 2011

(2)

NATALIA CORDINI PAVANELLO MASSIH

CONTRIBUIÇÃO SINDICAL URBANA:

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Nº 4033 E O IMPACTO NAS RECEITAS SINDICAIS PATRONAIS DO SETOR TERCIÁRIO EM SANTA

CATARINA

Monografia apresentada ao Curso de graduação em Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito.

Linha de Pesquisa: Interferência do Estado nas relações privadas

Orientador: Profa. Sandra Luiza Nunes Angelo de Mendonça Fileti, Esp.

Tubarão 2011

(3)

NATALIA CORDINI PAVANELLO MASSIH

CONTRIBUIÇÃO SINDICAL URBANA:

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Nº 4033 E O IMPACTO NAS RECEITAS SINDICAIS PATRONAIS DO SETOR TERCIÁRIO EM SANTA

CATARINA

Esta monografia foi julgada adequada à obtenção do título de Bacharel em Direito e aprovada em sua forma final pelo Curso de Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Tubarão, 22 de Junho de 2011.

______________________________________________ Orientadora, Sandra Luiza Nunes Angelo de Mendonça Fileti, Esp.

Universidade do Sul de Santa Catarina

_______________________________________________ Profa. Keila Comelli Alberton , Esp.

Universidade do Sul de Santa Catarina

________________________________________________ Prof. Fábio Zabot Holthausen, Msc.

(4)

Dedico este trabalho à minha mãe Maria Cristina Cordini, à minha avó Nilza de Bittencourt Cordini e ao meu irmão Edgar Cordini Fernandes que sempre estiveram ao meu lado.

Ao meu marido Aldo Abrahão Massih Júnior, por ser meu apoio, fonte de amor, compreensão e paciência.

À minha filha Bianca que nascerá nas próximas semanas, mas que há muito já faz festa na minha barriga e no meu coração, proporcionando inúmeros sorrisos e lágrimas de alegria.

(5)

AGRADECIMENTOS

A Deus, que deu-me a vida e o livre arbítrio para errar e acertar, e a sabedoria de sempre tentar evoluir.

À Nossa Senhora de Fátima, por sempre olhar por mim, mesmo quando eu não imaginava precisar.

À minha mãe, Cristina e à minha avó Nilza, por tudo o que me ensinaram na vida, e por me ajudarem a levantar todas as vezes em que caí.

Ao meu avô Elpídio Cordini (in memoriam), por ter sido figura de amor e carinho na minha infância, e por sempre ter me incentivado a estudar e crescer, apesar dele mesmo não ter tido essa oportunidade.

Ao meu marido, Aldo, por ser meu porto seguro, fonte de amor e inspiração, por estar ao meu lado sempre e nunca me deixar desistir.

À minha amiga Cláudia Rosa de Medeiros, pela amizade de tantos anos, pelo apoio e incentivo ao longo desta jornada, pelos incontáveis sorrisos, com os quais posso contar a qualquer momento.

À minha amiga e orientadora, Sandra Luiza Nunes Angelo de Mendonça Fileti, por quem tenho grande carinho e admiração desde o primeiro contato, pelo incentivo e amizade ao longo dos anos, e sem a qual a concretização desde trabalho não seria possível.

Aos professores Maurício Daniel Monçons Zanotelli e Amanda Pizzolo, por possibilitarem que eu realizasse a monitoria no Escritório Modelo de Advocacia por dois semestres consecutivos, trazendo uma experiência muito especial à minha vida.

Ao professor Vilson Leonel, que com toda a paciência atendeu a todos os chamados ansiosos e angustiados durante a realização deste trabalho.

(6)

Aos 51 professores do Curso de Direito da Unisul que compartilharam comigo o seu conhecimento.

Aos advogados Fábio Abul-Hiss, Marcos José da Silva Arzua e Rafael Souza Arruda, que compartilharam comigo conhecimentos específicos que orientaram e fundamentaram esta monografia.

Aos meus chefes José Batista Masiero e Fernando Soares Nandi que incentivaram e permitiram o casamento entre meu estudo e meu trabalho.

Aos colegas com quem compartilhei essa longa jornada, pelo conhecimento que dividiram comigo, pelas oportunidades e pela compreensão.

E, por fim, à minha tia Maria Regina Cordini Golle, que há 22 anos deu o pontapé inicial para a conclusão deste trabalho quando pegou a minha mão e ensinou-me a escrever.

(7)

RESUMO

Este trabalho visa demonstrar a importância dos sindicatos no cenário nacional, e analisar o impacto financeiro causado nas entidades sindicais patronais do setor terciário de SC. É imprescindível ainda demonstrar a iminente falência do sistema sindical, em vista da impossibilidade de cobrança da Contribuição Sindical urbana de mais de 97% dos representados. Esta monografia não apresenta uma tese, mas, sim, faz uma explanação, baseada em material já existente, caracterizando-se como pesquisa de nível exploratório, com base em documentos e bibliografias. O método de abordagem é o dedutivo, mais adequado à pesquisa qualitativa. As pesquisas resultaram em comprovação da importância das receitas sindicais, e das atividades desenvolvidas por todo o sistema sindical. Foi feita uma análise do controle de constitucionalidade, bem como das inconstitucionalidades encontradas na Lei Complementar nº 123 de 2006. Por fim, foi apresentado o resultado do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4033 ajuizada pela Confederação Nacional do Comércio que resultou na declaração de constitucionalidade da referida lei, contrariando o entendimento de inconstitucionalidade defendido neste trabalho. De acordo com os dados levantados, é possível concluir que o sistema sindical patronal do comércio está se encaminhando rapidamente para sua extinção.

Palavras-chave: Contribuição Sindical. Direito Sindical. Liberdade de Associação. Representação Sindical.

(8)

ABSTRACT

This paper demonstrates the importance of trade unions on the national scene, and examine the financial impact caused in the trade unions of employers tertiary sector of SC. It is also essential to demonstrate the imminent collapse of trade union system in view the failure of collecting the Union Contribution of urban more than 97% of those represented.This monograph not shows a theory, but one explanation is based on existing equipment, being characterized as an exploratory research level, based on documents and bibliographies.The method of the deductive approach is more appropriate to qualitative research. The studies resulted in confirmation the importance of trade union income, and activities around the trade union system. An analysis was made the control of constitutionality, as well as inconstitutionalities found in Complementary Law No. 123 of 2006.Finally, we present the results of the judgment of Direct Unconstitutionality Action No. 4033 adjudged by the National Confederation of Commerce that resulted in the declaration of the constitutionality of that Law, contrary to the view of unconstitutionality defended in this work. According to the survey findings, we conclude that the employer's trade trade union system is moving rapidly to extinction.

Key-words: Union Contribution. Law Trade Union. Freedom of Association. Trade union representation.

(9)

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 - Participação das micro e pequenas empresas no número de

empresas do setor de comércio e serviços - 1985/2001……….. 56 Gráfico 2 - Distribuição das micro e pequenas empresas de comércio e

(10)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Alíquotas para cálculo da Contribuição Sindical patronal………… 46 Tabela 2 – Valores de capital social para cálculo da Contribuição Sindical

(11)

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ADI – Ação Direta de Inconstitucionalidade CCT – Convenção Coletiva de Trabalho CEF – Caixa Econômica Federal

CGSN – Comitê Gestor do Simples Nacional CLT – Consolidação das Leis do Trabalho

CNC – Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo CRFB/88 – Constituição da República Federativa do Brasil de 1988

CTN – Código Tributário Nacional EPP – Empresa de Pequeno Porte

FAMPESC – Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina

Fecomércio-SC – Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Santa Catarina

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ME – Microempresa

MTE – Ministério do Trabalho e Emprego OIT – Organização Internacional do Trabalho SC – Santa Catarina

SIMPLES – Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte

STF – Supremo Tribunal Federal STJ – Superior Tribunal de Justiça TJ – Tribunal de Justiça

(12)

SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO... 14 1.1. TEMA... 14 1.2. DELIMITAÇÃO DO TEMA... 14 1.3 PROBLEMA... 14 1.4 JUSTIFICATIVA... 15 1.5 OBJETIVOS... 17 1.5.1 Geral... 17 1.5.2 Específicos... 17 1.6 DELINEMENTO DA PESQUISA... 18 1.6.1. Método... 18 1.6.2. Tipo de pesquisa... 19 1.7. PLANO DE DESENVOLVIMENTO………. 19 2. DIREITO SINDICAL... 21

2.1. SÍNTESE HISTÓRICA DO MOVIMENTO SINDICAL... 23

2.1.1. Sindicalismo no mundo... 23

2.1.2. Sindicalismo no Brasil... 25

2.2. PRINCÍPIOS DO DIREITO SINDICAL NO BRASIL………... 28

2.2.1. Princípio da Liberdade Sindical... 29

2.2.1.1. Liberdade de associação... 29

2.2.1.2. Liberdade de constituição... 31

2.2.2. Princípio da Unicidade Sindical... 33

2.2.3. Princípio da Autonomia Sindical... 36

3. RECEITAS SINDICAIS... 41

3.1. CONTRIBUIÇÃO SINDICAL... 43

3.1.1. Natureza da Contribuição Sindical... 44

3.1.1.1. Cálculo da Contribuição Sindical... 46

3.1.1.2. Prazo para recolhimento………...……… 47

3.1.1.3. Penalidades por atraso ou não recolhimento……….………… 48

3.1.2. Destinação da Contribuição Sindical... 48

3.1.3. Rateio da Contribuição Sindical... 49

3.2. OUTRAS RECEITAS SINDICAIS DE MAIOR IMPORTÂNCIA... 50

(13)

3.2.2. Contribuição Associativa... 52 4. A INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N º 123/2006 E A ADI Nº 4033... 55

4.1. CONTRIBUIÇÃO SINDICAL E A INCONSTITUCIONALIDADE NA LEI Nº 123/2006... 55 4.2. INTERVENÇÃO DA CNC COM O REQUERIMENTO DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE... 58

4.2.1. Do cabimento da Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a

inconstitucionalidade da LC Nº 123/2006... 59

4.2.1.1. Controle de constitucionalidade... 59 4.2.1.2. Do cabimento da ADI contra a inconstitucionalidade da LC nº

123/2006 ………... 64 4.2.1.3. Da possibilidade do amicus curiae na ADI... 65

4.2.2. Legitimidade da CNC para o ingresso da ADI... 66 4.2.3. Legitimidade da Fecomércio-SC para ingresso na ADI como

amicus curiae... 68

4.3. A INCONSTITUCIONALIDADE DA LC Nº 123/2006 NA ADI Nº 4033…. 68

4.3.1. Das inconstitucionalidades formais….……….. 69

4.3.1.1. Inconstitucionalidade formal face o art. 150, §6º da CRFB/88…. 70 4.3.1.2. Inconstitucionalidade formal face o art. 146, inc. III, alínea “d” da

CRFB/88………..………… 72

4.3.2. Das inconstitucionalidades materiais…..……… 73

4.3.2.1. Da inconstitucionalidade material face o art. 8º, inc. I e IV da

CRFB/88……….….….….….….….….……. 74

4.3.2.2. Da inconstitucionalidade material face os arts. 5º, caput, e 150, inc.

II, da CRFB/88………..……….. 75

4.4. RESULTADO DA ADI 4033 E O IMPACTO NA SUSTENTABILIDADE

DAS ENTIDADES SINDICAIS EM SANTA CATARINA……... 76

4.4.1. A decisão do STF……… 76

4.4.1.1. Julgamento da alegada violação ao art. 150, §6º, da CRFB/88……… 77 4.4.1.2. Julgamento da alegada violação do art. 146, inc. III, alínea “d”,

da CRFB/88…………..………. 77 4.4.1.3. Julgamento da alegada violação ao art. 8º, inc. I e IV, da CRFB/88… 78

(14)

4.4.1.4. Julgamento da alegada violação ao art. 5º, caput, e art. 150, inc. II,

ambos da CRFB/88……… 78

4.4.2. Impacto financeiro nas entidades patronais do setor terciário em SC………. 79

5. CONCLUSÃO... 83

REFERÊNCIAS... 84

ANEXOS... 90

ANEXO A – ACÓRDÃO ADI Nº 4033 ... 91

ANEXO B – PARECER DA FECOMÉRCIO-SC SOBRE A CONTRIBUIÇÃO SINDICAL APÓS O RESULTADO DA ADI Nº 4033……….… 124

ANEXO C – TABELA DE CONTRIBUIÇÃO SINDICAL VIGENTE EM 2011… 127 ANEXO D – ACÓRDÃO ADI Nº 4364 ……….……… 129

(15)

1 INTRODUÇÃO

Este trabalho trata de tema de grande relevância na área jurídica: o custeio do sistema sindical do setor terciário em todo o país, abalado por conta da declaração de constitucionalidade da Lei Complementar nº 123/2006 que beneficia as micro e pequenas empresas, que hoje compõem quase 98% do setor.

Na sequência, o plano de desenvolvimento técnico do presente.

1.1 TEMA

Receitas Sindicais.

1.2 DELIMITAÇÃO DO TEMA

Contribuição sindical urbana: ação direta de inconstitucionalidade nº 4033 e o impacto nas receitas sindicais patronais do setor terciário em Santa Catarina

1.3 PROBLEMA

Inicialmente, destacamos a importância de uma receita para a mantença do sindicato. Os sindicatos patronais, diferentemente das empresas que representam, não objetivam lucro. Desta forma, não lidam com clientes, e sim, com representados e associados. Estas entidades podem prestar serviços visando a melhoria do atendimento à comunidade e o incremento de sua receita, porém, estas devem ser atividades secundárias. As receitas dos sindicatos são provenientes,

(16)

principalmente, do recolhimento de tributos e contribuições das pessoas físicas ou jurídicas que representam.

Grande parte dos sindicatos patronais enfrenta uma violenta dificuldade de arrecadação de receitas1. Há várias espécies de contribuições que podem formar a receita de um sindicato. Algumas receitas são ordinárias, outras extraordinárias. As ordinárias são provenientes da arrecadação de contribuições de empresas filiadas ou não, e previstas em lei, como os bens e valores adquiridos e as rendas produzidas por eles, doações e legados, multas e outras rendas eventuais, e por fim, a Contribuição Sindical (objeto de nosso estudo), a Contribuição Confederativa e a Contribuição Associativa. As extraordinárias são provenientes de serviços prestados pelo sindicato, como, por exemplo, o aluguel de sua estrutura para realização de eventos, o serviço de fotocópias e a realização de cursos.

O presente trabalho monográfico procura apontar qual é a principal receita ordinária que sustenta estas entidades, com foco na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4033 que vedou a possibilidade de cobrança de determinadas empresas, e o impacto financeiro ocorrido nas entidades patronais do setor terciário em Santa Catarina (SC).

Em virtude da instabilidade e do alto corte de receitas causados pela referida ADI surge a problemática: Com a impossibilidade de cobrança da

Contribuição Sindical urbana em relação às empresas optantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) gerada pelo indeferimento da ADI nº 4033, o impacto financeiro causado nas entidades patronais do setor terciário em Santa Catarina ainda viabiliza o seu trabalho?

1.4 JUSTIFICATIVA

A escolha do assunto deu-se porque os sindicatos são entidades representativas de classes com funções administrativas, jurídicas e políticas. Os sindicatos têm a existência devidamente regulamentada na Constituição da

1

Informação verbal obtida em reunião realizada na sede do Sindicato do Comércio Varejista e Atacadista de Tubarão e Região (Sindilojas), em maio de 2011.

(17)

República Federativa do Brasil de 1.988 (CRFB/88) e na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e embora desempenhem grandes papéis na sociedade, devido a fatores históricos – tais quais as formas violentas e marginalizadas como eram feitas as manifestações no passado – a importância que lhes é dispensada pelas pessoas é prejudicialmente desproporcional às atividades exercidas.

Importa pesquisar o assunto, pois a manutenção financeira do sindicato é necessária, considerando as despesas com seus representantes, estrutura física, e realização de todas as atividades pertinentes à sua função. A crescente gama de serviços prestados pelos sindicatos traz consigo despesas que devem ser suportadas pelas entidades.

Devido à falta de valorização supracitada, há grandes dificuldades de cobranças das três principais fontes de renda (contribuições) responsáveis pela manutenção do sindicato: a Contribuição Sindical (antigo imposto sindical, previsto na CRFB/88, bem como no Código Tributário Nacional (CTN), e na CLT, a Contribuição Confederativai (também prevista na CRFB/88, porém, deliberada em Assembleia Geral e regulamentada em instrumento coletivo de trabalho), e a Contribuição Associativa (devida individualmente pelo filiado ao sindicato, e regulamentada pelo estatuto social da entidade sindical).

Essa dificuldade de cobrança dá-se em face de divergências opinativas sobre a obrigatoriedade do recolhimento das contribuições, que não deveriam existir ante a sua regulamentação por Lei Federal.

Outro óbice à cobrança da Contribuição Sindical das empresas optantes do SIMPLES foi a alteração trazida pela Lei Complementar (LC) nº 123/2006.

Objetivando resolver o conflito interpretativo da norma e a sua irregular forma, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), juntamente com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Santa Catarina (Fecomércio-SC) e diversas outras federações requereu através de ADI a suspensão da eficácia e a definitiva declaração de inconstitucionalidade do § 3º do art. 13 da LC nº 123/2006, de 14 de dezembro de 2006ii, com que isentou o pagamento da Contribuição Sindical patronal as microempresas e empresas de pequeno porte que fossem optantes do SIMPLES.

Ocorre que o Supremo Tribunal Federal (STF) indeferiu esta ADI, o que levou à definitiva impossibilidade de cobrança da Contribuição Sindical de empresas

(18)

optantes do SIMPLES, reduzindo a principal receita sindical. Tal impossibilidade gerou impacto negativo na sustentabilidade das entidades, levando algumas até à iminente “morte por inanição”.

O presente estudo se trata de um trabalho científico, pois, segundo Motta2 “é fundamental que se escreva para o mundo (e não para si próprio), pois se trata de um trabalho científico e não um trabalho de autoajuda, cuja importância reside na tese que se defende e não na opinião que se emite.”

1.5 OBJETIVOS

Apresentaremos agora os objetivos que pretendemos alcançar com a pesquisa e confecção da presente monografia.

1.5.1 Geral

Analisar a importância do impacto financeiro causado nas entidades sindicais patronais do setor terciário de SC pela redução da possibilidade de cobrança da Contribuição Sindical urbana.

1.5.2 Específicos

Explicitar a relevância da atividade sindical na representação da classe patronal através de uma breve retrospectiva histórica, esclarecendo porque o sindicato se destaca de outras entidades representativas de classes.

2

MOTTA, Alexandre de Medeiros. O TCC e o fazer científico: da elaboração à defesa pública. Tubarão : Copiart, 2009, p.23.

(19)

Apresentar quais são as três principais fontes de renda dos sindicatos patronais advindas das contribuições, com foco na Contribuição Sindical urbana, excluindo-se as diversas possibilidades de receitas alternativas.

Demonstrar a obrigatoriedade do recolhimento das contribuições sindicais pelas empresas representadas e associadas, e a limitação gerada pela ADI nº 4033.

Comprovar o impacto financeiro negativo nas entidades sindicais patronais no setor terciário em SC gerado pelo não recolhimento da Contribuição Sindical Urbana Patronal pelas empresas optantes pelo SIMPLES Nacional.

1.6 DELINEMENTO DA PESQUISA

Apresentaremos a seguir o método de procedimento e o tipo de pesquisa utilizados na elaboração deste trabalho.

1.6.1. Método

A metodologia científica é um processo através do qual o pesquisador define a forma mais adequada para o desenvolvimento de sua pesquisa, definindo também o tipo de abordagem a ser aplicado.

Motta assim define metodologia:

Metodologia é uma palavra de origem grega que significa ‘estudo do método’, pois deriva dos termos methodo (caminho) e logia (estudo). É uma forma de controlar os fenômenos.

Diz respeito aos procedimentos aplicados no processo de investigação que facilitam o alcance dos objetivos definidos na fase de planejamento do TCC, uma vez que já foram experimentadas ao longo do desenvolvimento da ciência. 3

O método de procedimento a ser aplicado nesta pesquisa será o monográfico, com estudo minucioso e contextualizado das citadas contribuições, na legislação nacional, nos entendimentos doutrinários pátrios, e nos entendimentos

3

(20)

judiciais brasileiros, da obrigatoriedade do recolhimento das receitas cobradas pelos sindicatos patronais, com o fito de embasar a cobrança por todas as entidades patronais.

1.6.2. Tipo de pesquisa

No presente trabalho monográfico serão utilizadas as pesquisas documental e bibliográfica. Será de nível exploratório, pois apresentará os tipos de tributos pertinentes à composição da receita sindical, e buscará analisar se há de fato legalidade para exigibilidade dos mesmos. Não haverá apresentação e defesa de tese criada pela autora do trabalho, e sim, uma explanação e estudo sobre material já existente criando, nas palavras de Gil apud Silva e Menezes4, “uma maior familiaridade com o problema com vistas (sic) a torná-lo explícito”.

O método de abordagem dedutivo é o mais adequado à pesquisa qualitativa a seguir, pois o trabalho a ser apresentado, parte de pesquisa bibliográfica e documental, para confirmar as hipóteses levantadas no curso do projeto.

1.7. PLANO DE DESENVOLVIMENTO

Iniciaremos o trabalho apresentando uma síntese histórica do desenvolvimento do sistema sindical no mundo e no Brasil, a fim de situar o leitor da importância destas entidades hoje tão desvalorizadas.

A seguir, trataremos dos princípios do Direito Sindical, apresentando também divergência existente entre os doutrinadores nacionais sobre a autonomia ou não do Direito Sindical.

Apresentada a base do sindicalismo, passaremos a discorrer sobre a Contribuição Sindical urbana patronal, e faremos também um breve registro das

4

SILVA, Edna Lúcia da. MENEZES, Estera Muszkat. Metodologia da pesquisa e elaboração de

(21)

contribuições confederativa e associativa, que também representam receitas importantes dos sindicatos, mas não foram objeto da Ação Direta de Inconstitucionalidade discutida neste trabalho.

Isto posto, passaremos a tratar do assunto da Ação Direta de Inconstitucionalidade frente à Lei Complementar nº 123/2006, analisando o cenário nacional e do Estado de Santa Catarina em relação às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, e a intervenção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

Passo seguinte, faremos uma breve abordagem do controle de constitucionalidade, analisando o cabimento da Ação Direta de Inconstitucionalidade no caso em tela, e abordaremos as inconstitucionalidades contidas na Lei Complementar nº 123/2006.

Por fim, faremos uma análise da decisão proferida na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4033, e apresentaremos o impacto financeiro ocorrido nas entidades sindicais do setor terciário no Estado de Santa Catarina.

i

A contribuição confederativa será objeto de estudo no lugar da contribuição assistencial, pois esta é voltada para o sindicato de classe profissional, enquanto aquela é voltada para o sindicato de classe patronal, foco do trabalho.

ii

A vigência para matérias de índole tributária, conforme preconiza o art. 88 da LC nº 123/2006, ocorreu a partir de 01 de julho de 2007.

(22)

2 DIREITO SINDICAL

O Direito Sindical, chamado de Direito Coletivo do Trabalho por alguns doutrinadores como Martins5 eRussomano6, trata das relações coletivas de trabalho, em que as partes organizam-se em categorias profissionais e patronais (também denominadas econômicas), visando a sempre melhores condições de trabalho e crescimento para todos.

O Direito Sindical difere-se do Sindicalismo pela sua natureza.

Podemos tratar o Direito Sindical como o ramo do direito do trabalho que tem por objeto o estudo das normas e das relações jurídicas que dão forma ao modelo sindical7.

Já o Sindicalismo cuida da parte prática das atividades de defesa coletiva dos interesses através da organização dos trabalhadores e empregadores.8 Desta forma, Russomano destaca o sindicalismo como “manifestação do espírito associativo do homem”9, e remete ao pensamento aristotélico de que o homem é o animal social, e que sua condição humana impede que ele sobreviva fora das dimensões da comunidade, levando-o ao associativismo.

Em relação à doutrina sindical nacional, encontramos duas correntes distintas: uma nega a autonomia do Direito Sindical face o Direito do Trabalho, e outra afirma existir essa autonomia.

Martins defende a corrente doutrinaria que nega a autonomia do Direito Sindical:

O Direito Coletivo do Trabalho é o segmento do Direito do Trabalho encarregado de tratar da organização sindical, da negociação coletiva, dos contrato coletivos, da representação dos trabalhadores e da greve. O Direito Coletivo do Trabalho é apenas uma das divisões do Direito do Trabalho, não possuindo autonomia, pois não tem diferenças específicas em relação aos demais ramos do Direito do Trabalho, estando inserido, como os demais, em sua maioria, na CLT.10

5

MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. 24 ed. São Paulo : Atlas, 2008.p. 675.

6

RUSSOMANO, Mozart Victor. Princípios gerais de direito sindical. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p.47.

7

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Compêndio de direito sindical. 3. ed. São Paulo : LTr, 2003, p.19. 8 Ibid., p. 37. 9 RUSSOMANO, op.cit., p.1. 10

(23)

Nascimento também entende não haver autonomia do Direito Sindical em relação ao Direito do Trabalho, pois aquele pertence a este, embora hajam esforços para reconhecê-lo como setor próprio do ordenamento jurídico.11

Já a segunda corrente doutrinária que entende que o Direito Sindical pode, sim, ter reconhecida sua autonomia é defendida por Arouca, que entende que os Direito Coletivo e a ação sindical não comportam separação pois cuidam da organização de classe dos conflitos coletivos e formas de solução12

, assim, destaca em seu texto:

Hoje, quando se discute o contrato de trabalho, ficam num plano menor seus componentes e implicações, quando dele se cuida em função do trabalhador considerado individualmente. Tem importância maior a ampliação do mercado de trabalho, a preservação dos empregos, a contenção das dispensas, a garantia de um ambiente seguro, a proteção da saúde, considerando-se a classe trabalhadora na sua totalidade. Com isso o Direito Coletivo ou Sindical destacou-se, adquirindo autonomia suficiente, desmembrando-se do Direito do Trabalho, voltado para as relações individuais de trabalho, seguro e reparações decorrentes de infortúnios trabalhistas, previdência social, Justiça do Trabalho e processo do trabalho.13

Brito Filho, que acompanha Arouca na defesa da autonomia do Direito Sindical, aponta:

É regra considerar as normas sobre sindicalização como integrantes da disciplina Direito do Trabalho, negando-se, por via de conseqüência, sua autonomia.

[…]

É que as normas relativas ao Direito Sindical servem agora para regular não só as relações que envolvem entidades sindicais que representam empregados e empregadores – ligados por uma relação contratual, de emprego –, mas também para regular as relações das entidades sindicais que congreguem servidores públicos, via de regra sujeitos a um regime administrativo, e que mantém relações com a Administração Pública.

Nota-se então a inaplicabilidade das normas previstas na CLT, por uma razão que nos parece óbvia, qual seja a de que os servidores sujeitos ao regime administrativo não são destinatários das normas coletivas. […]

Como regra geral, uma disciplina é considerada autônoma quando dotada de autonomia em três aspectos: científico, didático, e legislativo. Não entendemos que a autonomia jurisdicional deva ser considerada como um aspecto importante.

[…]

Não quer dizer que não se possa considerar uma disciplina como autônoma sem que todos os seus aspectos estejam presente. Não, a autonomia pode existir, de fato, sem a ocorrência de todos os aspectos, bastando que esteja presente a autonomia científica.

É o caso do Direito Sindical, que possui autonomia científica, já que tem objeto de estudo próprio, que não se confunde com as demais disciplinas

11

NASCIMENTO, 2003, op. cit., p.27.

12

AROUCA, José Carlos. Curso básico de direito sindical. 2. ed. São Paulo : LTr, 2009, p.36.

13

(24)

jurídicas, e, mais ainda, não pode ser considerado como compartimento de determinada disciplina, na caso do Direito do Trabalho.14

Conforme informado por Arouca e Brito Filho, o Direito Sindical é tema de grande relevância nos cenários jurídico e social brasileiro, de modo que podemos considerá-lo, juntamente com os pontos apresentados pelos doutrinadores, como uma ciência autônoma, ramo do Direito. No próximo item, teremos umas breve noção histórica de como isso aconteceu.

2.1. SÍNTESE HISTÓRICA DO MOVIMENTO SINDICAL

Prosseguindo, será apresentada uma breve consideração histórica do movimento sindical no mundo, e de sua chegada e desenvolvimento no Brasil, a fim de situar o leitor sobre a importância dos sindicatos e do risco iminente no Brasil, com a inanição financeira de muitas entidades sindicais, que poderá ser causada pelo resultado da ADI nº 4033.

2.1.1. Sindicalismo no mundo

Remonta desde o tempo dos romanos, a existência das associações de fato, reconhecidas nas lei de Sólon, que aludiam ao colégio dos nautas. Esse colégio era referenciado como constituído por trabalhadores que exerciam determinado ofício. Neste momento, foi fixado o primeiro regramento jurídico sobre a constituição de categorias profissionais.15

Os colégios de Roma objetivavam apenas dividir as pessoas por classes, sem defesa de seus interesses. Foram extintos em 64 a.C.16

Contudo, não podemos considerar tais movimento como sindicais, mas tão somente, organizações precedentes, que demonstram a necessidade de união dos trabalhadores,desde a época em que não havia trabalho livre.17

14

BRITO FILHO, op. cit., p. 25.

15

RUSSOMANO, op. cit., p. 5.

16

(25)

Entre os povos germânicos e saxônicos surgiram as guildas, inicialmente com fins religiosos, tornaram-se corporações com a finalidade de defender os interesses dos seus integrantes.18

Na França surgiram as corporações de ofícios que objetivavam separar os trabalhadores por classes, em categorias hierarquizadas: mestres, companheiros e aprendizes. Essas corporações constituíram-se em reuniões de pessoas da mesma classe, que recolhiam impostos e pagavam ao império para poderem exercer suas atividades.19

As corporações de ofícios entraram em declínio com a Revolução Francesa, quando os trabalhadores começaram a se revoltar contra seus mestres e a exigirem melhores salários e o direito de entrada no mercado de trabalho. Para conter as revoltas existentes e as iminentes, foi editada na França, em 1791, Lei

Chapelier, que proibia a constituição de organizações profissionais.20

Tempos mais tarde o movimento sindical manifestou-se fortemente no momento histórico da Revolução Industrial, com o escopo de lutar por condições dignas de trabalho e salários decentes, conforme escreve Arouca:

A Primeira Revolução Industrial deu causa à questão social. Os baixos salários, as longas jornadas, as péssimas condições de vida e, a par disso, a concentração industrial, provocada pelo avanço tecnológico, aproximou os trabalhadores, que se uniram e reagiram. Primeiro, reuniões e coalizões ocasionais, depois, organizações duradouras e propósitos bem definidos.

Se a força de trabalho era o único bem que os proletários possuíam, negá-la, comprometendo a atividade empresarial e a obtenção do lucro, passou a ser a forma de pressão em favor de suas reivindicações. Em outras palavras, a greve tornou-se o instrumento de ação coletiva. 21

As associações profissionais foram sendo reconhecidas pouco a pouco. Em 1871, na Inglaterra, esse reconhecimento se deu pelo Trade Union Act, seguido da Lei Waldeck Rousseau, na França em 1874, que teve a primeira confederação fundada no ano seguinte. Em 1875, na Alemanha, os trabalhadores conquistaram a liberdade de associação. Em 1880, nos Estados Unidos já haviam sindicatos nacionais. Porém, o pioneiro na atividade legislativa trabalhista foi o

17

MOREIRA, Gerson Luis. Breve estudo sobre o sindicato. Jus Navigandi, Teresina, ano 7, n. 55, 1 mar. 2002. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/2781>. Acesso em: 7 jun. 2011.

18

RUSSOMANO, op. cit., p.9.

19

AROUCA, op., cit. p. 15.

20

Ibid., p. 15.

21

(26)

México, que em 1916 constitucionalizou o direito de associação, greve e conflitos econômicos.22

De todos os movimentos citados, o mais antigo movimento caracteristicamente sindical foi o Trade Union Act inglês. O chamado tradeunionismo reuniu sindicatos profissionais e industriais. Os gentleman’s agrementi realizados no tradeunionismo deram origem às convenções coletivas no modelo que conhecemos hoje.23

A expansão do sindicalismo teve uma pausa forçada pela situação de conflito existente entre os anos de 1914 a 1918 enquanto durou a Primeira Guerra Mundial. Após, ressurgiu com força total ao conseguir a criação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Tratado de Versalhes em 1919. A partir da criação da OIT, iniciou-se amplo desenvolvimento do sindicalismo no mundo.24

Apesar de, atualmente, as entidades sindicais representarem tanto a classe trabalhadora (profissional), quanto a classe patronal (econômica), ainda há uma imagem de que o sindicato defende apenas aos profissionais. Por conta desta imagem, o sindicato representativo da classe patronal costuma ser deixado de lado e não receber a importância proporcional ao trabalho que desempenha.

2.1.2. Sindicalismo no Brasil

A história brasileira, na didática básica, inicia-se com a vinda dos portugueses para o Brasil, quando houve a escravização dos índios que aqui moravam. Os portugueses não vieram para cá com intenção de trabalhar ou colonizar o Brasil, mas querendo gerenciar o trabalho escravo e levar embora as riquezas nacionais.25

Porém, os nativos eram guerreiros e não se deixariam dominar facilmente. Inicialmente, fugiram para longe dos centros coloniais, mas eram buscados pelos coloniadores. O governo dos colonizadores, querendo legalizar a

22

AROUCA. op. cit., p. 18-19.

23

NASCIMENTO, 2003, op. cit., p.43.

24

AROUCA, op. cit., p. 19.

25

(27)

escravização dos índios, tornou-a legal, limitando-a aos ‘aprisionados em guerra justa’.26

O passo seguinte dos colonizadores, após marginalizar e dizimar grande parte da população indígena, foi trazer aqueles que não consideravam humanos (os negros africanos) e escravizá-los para suprir a falta de obreiros nos latifúndios. Essa substituição do trabalho escravo do índio pelo do negro durou até o final da era colonial.27

A repressão de classe trabalhadora que havia no sistema de corporações de Ofício foi extinta com o art. 179, XXV da Constituição Imperial de 1824 que dispôs expressamente “Ficam abolidas as Corporações de Officios, seus Juizes, Escrivães, e Mestres”28. Foi instituído o trabalho livre no Brasil.29

Essa escravidão durou, oficialmente, até o ano de 1888 quando houve o ato de abolição da escravatura. A partir deste momento era necessário arrumar outra mão-de-obra. A abolição gerou o fim do predomínio agrário, formando uma nova composição social.30

Em 1891, o governo brasileiro, através de incentivos, começou a receber imigrantes para trabalharem nas lavouras. Entre esses, vieram os anarquistas, que esboçaram a organização dos trabalhadores (índios, brancos e negros) como classe, apresentando o conhecido anarcossindicalismo.31

Nascimento sobre o assunto:

O anarcossindicalismo fundou-se nas idéias do sindicalismo

revolucionário contestativo do Estado, da autoridade e das leis, segundo os princípios o anarquismo voltados para o movimento sindical, trazidos para o Brasil pelos imigrantes, especialmente italianos, que tiveram uma influência significativa na primeira fase do nosso movimento sindical, entre 1890 e 1920 […]32

26

AROUCA. op. cit., p.16.

27

Ibid., p.16.

28

BRASIL. Constituição do Império. Constituição Política do Império do Brazil de 1824. Rio de Janeiro, RJ : 25 de março de 1824. Disponível em: <

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao24.htm>. Acesso em: 03 jun. 2011.

29

CERDEIRA, Eduardo de Oliveira. Ações coletivas e a substituição processual pelos

sindicatos. São Paulo : LTr, 2010. p.32. 30

HOLANDA apud AROUCA. op. cit., p.17.

31

AROUCA. op. cit., p.20.

32

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho: história e teoria geral do direito

do trabalho: relações individuais e coletivas. 23. ed. rev. e atual. São Paulo : Saraiva, 2008. p.

(28)

A decadência do anarquismo no Brasil, com a expulsão dos estrangeiros, culminou entre 1907 e 1920. 33

Em 1903, o Estado, visou fortalecer o setor agrícola que restou muito abalado com o fim da escravidão. Decretou-se, então, a criação de sindicatos rurais. O estímulo ao associativismo legalizado, pode ser considerada a primeira lei sindical no Brasil. A segunda lei foi feita em 1907, ao possibilitar a criação de cooperativas e estender o direito de associativismo também aos trabalhadores urbanos.34

Porém, somente em 1930 o Governo Vargas determinou novos rumos da organização da classe trabalhadora, com os primeiros traços da atual formação sindical. Houve a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, e a criação da leis que foi considera, oficialmente, a primeira lei sindical do Brasil: Lei dos Sindicatos (Decreto nº 19.770, de 1931).

A partir deste momento, com a criação dos sindicato, estas entidades receberam duas funções essenciais: representação política e jurídica da categoria.35

Com o passar dos anos houve o aperfeiçoamento das atividades sindicais, bem como seus princípios, organização e objetivos. A criação do sindicalismo como representação dos trabalhadores deu ensejo à representação patronal também. Ora, se alguém tem que exigir, outro alguém tem que responder. Por este motivo o sindicato patronal tem a função representativa dos empregadores pagadores.

Em 1937 a Constituição proibiu a greve, e dois anos depois, em 1939, o Decreto-lei nº1402/39 sujeitava os sindicatos ao enquadramento sindical oficial, à intervenção do Ministério do Trabalho, na ocorrência de ‘dissídio ou circunstância que perturbe o funcionamento do sindicato’, e à cassação da Carta Sindical pelo ministro do trabalho. Isto ocorreria se deixasse de cumprir exigência de lei, ato do Presidente da República, às normas corporativas econômicas ou às regras administrativas previstas em lei.36

Nascimento leciona a respeito da fase mais atual do movimento sindical no Brasil, que desenhou o formato de sindicalismo que temos hoje:

A terceira fase [do sindicalismo no Brasil] é o sindicalismo autônomo, caracterizado pela abertura política, que proporcionou um diferente tipo

33

NASCIMENTO, 2008. op. cit., p.1107.

34

CERDEIRA. op. cit., p.33.

35

VIANA apud NASCIMENTO, 2008. op. cit., p.1107.

36

(29)

de relacionamento entre o Estado e os sindicatos, e que tem como um dos seus aspectos iniciais o movimento sindical. […] A Constituição Federal de 1988 rompeu em diversos pontos com o sistema intervencionista da CLT, em especial ao vedara interferência e intervenção do Estado na organização sindical. […] O Ministério do Trabalho e Emprego interpretou as novas disposições constitucionais com uma abertura legal, no sentido de liberdade sindical. […] Desativou a Comissão de Enquadramento Sindical. […] O Ministério considerou desnecessário o processo de fundação de sindicatos estabelecido pela CLT, que exigia a prévia criação de associações não sindicais que, depois de um estágio, poderiam pedir a sua transformação em sindicato. […] A administração de sindicatos passou a ser concebida como ato interno, sendo atribuída ao próprio sindicato, não mais sujeita a fiscalização. […] A implementação dessas novas diretrizes, pelo Ministério do Trabalho e Emprego, tiveram o propósito de valorizar a liberdade sindical, em consonância com o princípio da Convenção n. 87, da Organização Internacional do Trabalho, não ratificada pelo Brasil, mas acolhida em parte pela Constituição de 1988.37

A boa notícia é que a evolução sindical trouxe um papel mais apaziguador e conciliador aos sindicatos nos últimos anos. Atualmente, as reuniões entre sindicatos têm o intuito de chegar a um acordo utilizando-se o máximo da técnica ganha-ganha, na qual todos os envolvidos saem ganhando com as decisões tomadas, e fortalecendo as entidades sindicais.38

O movimento sindical no Brasil então ganha mais força, organização e começa a ser respeitado como a entidade representativa de classes que é, perdendo a cada dia a imagem de “grupo baderneiro” que adquiriu ao longo dos anos, com as desordeiras e desordenadas manifestações públicas.

Essa organização estrutural em Sindicatos, Federações e Confederações (e no casos dos profissionais, as Centrais Sindicais) traz maior confiança nos trabalhos e objetivos das entidades. Porém, para estas entidades poderem existir e trabalhar, precisam se sustentar. Como não tem a finalidade de gerar lucros, elas não têm, em regra, autossustentabilidade, sendo responsáveis por isso os seus representados.

Veremos adiante a questão da sustentabilidade financeira da entidade sindical ao tratarmos das receitas sindicais.

2.2. PRINCÍPIOS DO DIREITO SINDICAL NO BRASIL

37

NASCIMENTO, 2008. op. cit., p.1109-1111.

38

(30)

O Direito é um ramo das Ciências Sociais muito baseado em princípios. Importa, então, conceituarmos princípios, que, segundo Martins, são espécies do gênero norma.39

Podemos tomar os princípios por verdades fundantes de um sistema de conhecimento, admitidas desta forma por terem sido comprovadas,40 e que são proposições básicas fundamentais, típicas que condicionam todas as estruturações subsequentes, tornando-se, assim, alicerces da ciência.41

Escreve Espíndola:

Pode-se concluir que a idéia de princípio ou sua conceituação, seja lá qual for o campo do saber que se tenha em mente, designa a estruturação de um sistema de idéias, pensamentos ou normas por uma idéia mestra, por um pensamento chave, por uma baliza normativa donde todas as demais idéias, pensamentos ou normas derivam, se reconduzem e/ou se subordinam.42

No Brasil o sindicalismo baseia-se em três princípios primordiais. Liberdade Sindical, Unicidade Sindical e Autonomia Sindical são esses os pilares do Direito Sindical, e que vamos apresentar a partir de agora.43

2.2.1. Princípio da Liberdade Sindical

Ao falarmos sobre liberdade sindical devemos analisá-la sob dois enfoques básicos: liberdade de associação e liberdade de constituição.

2.2.1.1. Liberdade de associação

O princípio da liberdade sindical de associação trata do direito que cada pessoa, física ou jurídica, tem de associar-se ao sindicato competente para

39

MARTINS, 2008. op. cit., p.58.

40

REALE apud MARTINS, 2008. op. cit., p.58.

41

CRETELLA JÚNIOR apud MARTINS, 2008. op. cit., p.58.

42

ESPÍNDOLA, Ruy Samuel. Conceito de princípios constitucionais: elementos teóricos para

uma formulação dogmática constitucionalmente adequada. São Paulo : Revista dos Tribunais,

1998, p. 47-48.

43

(31)

representá-lo, ou, na sua inexistência, agrupar-se e criar o sindicato competente.44 No setor terciário, caso do comércio, são as empresas, pessoas jurídicas, empregadoras que tem o direito de associar-se ao sindicato patronal que a representa em sua base territorial, ou criá-lo se já não existir.

A CLT rege a liberdade sindical em seus artigos 511ii e 540iii ao facultar ao exercente de determinada categoria econômica ou profissional que se associe ao respectivo sindicato, porém, somente enquanto perdurar as condições que o enquadram como representado.

A liberdade de associação é prevista nos artigos 5°, inc. XVIIIiv e 8°, inc. Vv, da CRFB/88. Desta forma, ninguém pode ser obrigado a filiar-se a entidade sindical (CRFB/88, art. 5º c/c inc. XX e 8º, inc. V) por qualquer motivo, tendo total proteção jurisdicional. Neste sentido o STF:

Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 2º, IV, "a", "b" e "c", da Lei nº 10.779/03. Filiação à colônia de pescadores para habilitação ao seguro-desemprego. Princípios da liberdade de associação e da liberdade sindical (arts. 5º, XX, e 8º, V, da Constituição Federal). 1. Viola os princípios constitucionais da liberdade de associação (art. 5º, inciso XX) e da liberdade sindical (art. 8º, inciso V), ambos em sua dimensão negativa, a norma legal que condiciona, ainda que indiretamente, o recebimento do benefício do seguro-desemprego à filiação do interessado a colônia de pescadores de sua região. 2. Ação direta julgada procedente.45

Nascimento46 conceitua a liberdade sindical:

Liberdade sindical é manifestação do direito de associação. Pressupõe a garantia prevista no ordenamento jurídico, da existência de sindicatos. Se as leis de um Estado garantem direito de associação, de pessoas com interesses profissionais e econômicos, de se agruparem em organizações sindicais, esses serão leis fundantes da liberdade sindical. Assim, liberdade sindical, no sentido agora analisado, caracteriza-se como o reconhecimento, pela ordem jurídica, do direito de associação sindical, corolário do direito de associação; portanto, liberdade sindical, nessa perspectiva, é o princípio que autoriza o direito de associação, aplicado ao âmbito trabalhista.

Importante destacar que a representatividade independe do associativismo, embora este seja mais interessante para o representado. A partir do momento em que a pessoa exerce a atividade ela já é representada pelo sindicato

44

MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 20ª ed. São Paulo: Atlas, 2007, p. 193.

45

BRASIL. Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 3464. Relator Min. Menezes Direito, Brasília, DF, 29 de outubro de 2008. Disponível em: <

http://www.stf.jus.br/portal/diarioJustica/verDiarioProcesso.asp?numDj=43&dataPublicacaoDj=06/03/2 009&incidente=2285483&codCapitulo=5&numMateria=5&codMateria=1> Acesso em: 31 maio 2011.

46

(32)

competente, tendo, a partir de então representação sindical.47 Porém, com a filiação ao sindicato o representado passa à qualidade de associado, tendo o direito de voto nas assembleias e decidindo pela classe o que deve ser feito, entre outros benefícios disponíveis na entidade.

Martins conceitua liberdade sindical:

Liberdade sindical é o direito de os trabalhadores e empregadores se organizarem e constituírem livremente as agremiações que desejarem, no número por eles idealizado, sem que sofram qualquer interferência ou intervenção do Estado, nem uns em relação aos outros, visando à promoção de seus interesses ou dos grupos que irão representar. Essa liberdade sindical também compreende o direito de ingressar e retirar-se dos sindicatos.

A liberdade sindical significa, pois, o direito de os trabalhadores e os empregadores se associarem, livremente, a um sindicato. Todo aquele que tiver interesse profissional ou econômico a ser discutido poderá reunir-se num sindicato.48

Ou seja, aquele que se interessar, pode, livremente, associar-se a uma entidade sindical na qual poderá expressar as suas opiniões e procurar assistência.

Russomano ainda destaca que o importante é que o exercício da prerrogativa de associação deve ocorrer sem que o representado sofra qualquer sanção.49

2.2.1.2. Liberdade de constituição

A liberdade sindical de constituição trata do não-intervencionismo do Estado em relação à fundação da entidade sindical, de forma que, havendo o interesse de determinada categoria, e não existindo naquele espaço geográfico (que se limita à área mínima de um município) sindicato com mesmo objeto, o Estado não poderá limitar a criação de nova entidade.50

Para Brito Filho:

Liberdade sindical consiste no direito de trabalhadores (em sentido genérico) e empregadores de constituir as organizações sindicais que

47

BORTOLOTTO, Rudimar Roberto. Aspectos da representatividade no atual direito sindical

brasileiro. São Paulo : LTr, 2001, p. 83. 48

MARTINS, 2008, p. 679.

49

RUSSOMANO, op. cit., p.67.

50

(33)

reputarem convenientes, na forma que desejarem, ditando suas regras de funcionamento e ações que devam ser empreendidas, podendo nelas ingressar ou não, permanecendo enquanto for sua vontade.51

Oliveira Netovi, que descreve a liberdade sindical como direito fundamental, conclui:

Quando trabalhadores e empregadores livremente formam determinada entidade sindical, objetivam, em princípio, que tal entidade os represente em assuntos de seus interesses, pois acreditam que a união de forças terá resultado mais expressivo. Os sindicatos, como qualquer associação, deverão ser constituídos a partir de estatutos, cuja redação requer aprovação em assembleia, observado um quorum mínimo necessário. Esses estatutos, além de vantagens, estabelecem obrigações aos filiados, dentre as quais a e contribuir financeiramente em prol da entidade associativa.52

O sindicato para ser criado não depende de autorização do Estado. A Lei Maior regulamenta em seu art. 8º apenas o imprescindível registro da Carta Sindical (documento de identidade do sindicato) perante o Ministério do Trabalho e Emprego para seu correto reconhecimento:

Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte: I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical.53

Neste sentido entende o STFvii:

Acolhendo o princípio da não intervenção e não interferência na organização sindical (CF, art. 8º, I), o legislador constituinte outorgou aos trabalhadores e empregadores interessados a capacidade para definir a base territorial da entidade que não poderá ser inferior à área de um Município, afastando a competência do Ministério do Trabalho para delimitá-la na forma prevista no art. 517, §1º, da Consolidação das Leis do Trabalho.54

A importância do registro sindical perante o MTE, em respeito ao princípio da unicidade sindical já foi sumulada pelo STF em 2003, sob o nº 677 que dispõe que “até que lei venha a dispor a respeito, incumbe ao Ministério do Trabalho

51

BRITO FILHO. op. cit., p.71.

52

OLIVEIRA NETO, Alberto Emiliano. Contribuições sindicais: o direito fundamental da liberdade

sindical e as modalidades de financiamento dos sindicatos. 2008, 154p. Dissertação (Mestrado

em Direito das Relações Sociais) Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2008.

53

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. DOU, 05 de outubro de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm >. Acesso em 12 maio 2011.

54

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Agravo de Instrumento nº 207,10-3/SP – Relator Min. Maurício Corrêa, Diário da Justiça, Seção I, 26 de junho de 1998, p.7

(34)

proceder ao registro das entidades sindicais e zelar pela observância do princípio da unicidade”.55

O princípio da liberdade sindical de constituição está intrinsecamente ligado ao princípio da unicidade sindical. Segundo Nascimento:

Como se vê, a liberdade de organização envolve o problema da unicidade ou pluralidade sindical, ou seja, a permissão legal para que, numa mesma esfera geográfica, sejam fundados, no mesmo setor, mais de um ou apenas um sindicato representando pessoas que originariamente pertenceriam a um só grupo.56

A liberdade de constituição caracteriza-se pela possibilidade de trabalhadores e empregadores fundarem seus sindicatos, ressalvada a limitação do princípio da unicidade sindical.

2.2.2. Princípio da Unicidade Sindical

O princípio da unicidade sindical, também encontrado nas doutrinas como pluralidade sindical, trata da região de abrangência do sindicato. Chamamos de base territorial toda a área geográfica especificada na Carta Sindical da entidade, que é o limite de atuação de determinado sindicato.viii

Escreve Brito Filho:

Unicidade sindical é a possibilidade de existência de somente uma única entidade sindical, representativa do mesmo grupo, em determinada base física, por imposição estatal.

Suas características, então, são: 1) a representação de um grupo por uma única entidade sindical – na unicidade, qualquer integrante do grupo, qualquer que seja ele, só pode ser representado pela mesmo organização sindical; 2) que isto ocorra dentro de uma determinada base, ou seja, região geográfica – que pode ser de qualquer tamanho e 3) que isto ocorra por imposição do Estado, quer por um ato discricionário, quer por previsão no ordenamento jurídico.57

Os sindicatos terão como base mínima o município, conforme art. 8º, inc. II da CRFB/88ix. Diante de tal situação surge o princípio da unicidade sindical,

55

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula 677. Brasília, DF, 09 de outubro de 2003. Disponível em:

<http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=677.NUME.%20NAO%20S.FL SV.&base=baseSumulas>. Acesso em: 04 jun. 2011.

56

NASCIMENTO, 2003. op. cit., p.142.

57

(35)

explicitado na CLT em seu art. 516x, que limita a existência de um único sindicato representativo de determinada categoria em determinada base territorial, sistema hoje existente no Brasil.

Moraes58 expõe:

A Constituição estabelece somente uma restrição à liberdade de constituição sindical, quando veda a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa da categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um Município.

Como fica evidenciado no julgamento do Tribunal de Justiça (TJ) de SC, não serão reconhecidos dois sindicatos com mesma representação e mesma base territorial:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE. DISPUTA ENTRE SINDICATOS DA MESMA CATEGORIA POR IDÊNTICA BASE TERRITORIAL. PESSOA JURÍDICA APELANTE NÃO CONSTITUÍDA REGULARMENTE. ENTIDADE INEXISTENTE, PORQUANTO NÃO

LEVADA A REGISTRO NO ÓRGÃO COMPETENTE.

OBRIGATORIEDADE DE REGISTRO NO MINISTÉRIO DO TRABALHO QUANDO DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. EXEGESE DA SÚMULA 677 DO STF. ILEGITIMIDADE ATIVA. ART. 267, VI, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. EXTINÇÃO DO FEITO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO. RECURSO PREJUDICADO.59

Como não há possibilidade jurídica da coexistência de dois sindicatos na mesma base territorial, somente um poderá ser reconhecido. E esse reconhecimento é feito através do registro sindical junto ao MTE, conforme julgamento do TJ de SC:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA PRECEDIDA DE

CAUTELAR INOMINADA. PRETENSÃO DO SINDICATO DOS

ELETRICITÁRIOS DE CONCÓRDIA DE PERCEBER A

CONTRIBUIÇÃO CONFEDERATIVA QUE FOI FIXADA EM

ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA, CONFORME A PREVISÃO DO ARTIGO 8º, INCISO IV, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ENTIDADE

SINDICAL QUE NÃO COMPROVOU, POR MEIO DE CERTIDÃO, O

ARQUIVAMENTO DOS SEUS ATOS CONSTITUTIVOS NO

MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO À ÉPOCA DA REALIZAÇÃO DA ASSEMBLÉIA QUE PREVIU O DIREITO EM DISCUSSÃO. DOCUMENTO QUE ERA IMPRESCINDÍVEL À

58

MORAES, Alexandre de. Constituição do Brasil Interpretada e Legislação Constitucional. 5. ed. Atlas. São Paulo: 2005, p.501.

59

SANTA CATARINA. Tribunal de Justiça. Apelação Cível nº 2003.010974-9. Relator Des. Carlos Adilson Silva. Florianópolis, 03 de dezembro de 2009. Disponível em: <

http://tjsc6.tj.sc.gov.br/cposg/pcpoQuestConvPDFframeset.jsp?cdProcesso=010005GKE0000&nuSeq ProcessoMv=144&tipoDocumento=D&nuDocumento=2071233>. Acesso em 04 junº 2011.

(36)

DEMONSTRAÇÃO DA SUA LEGITIMIDADE. SÚMULA Nº 677 DO

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PRECEDENTES DA CORTE ESPECIAL DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E DESTE TRIBUNAL. SINDICATO QUE, APESAR DE OBTER A AUTORIZAÇÃO DOS SEUS ASSOCIADOS PARA RECLAMAR O DIREITO À

CONTRIBUIÇÃO CONFEDERATIVA, NÃO PARTICIPOU DA

CELEBRAÇÃO DO ACORDO COLETIVO DE TRABALHO, QUE FOI O RESULTADO DA INTERVENÇÃO DE OUTRA ENTIDADE SINDICAL, COM BASE TERRITORIAL MAIS ABRANGENTE. AUSÊNCIA DE INTERESSE EM PLEITEAR DIREITO DE CRÉDITO QUE FOI CONQUISTADO À CUSTA DO TRABALHO DE OUTRO SINDICATO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. ARTIGO 267, INCISO VI E § 3º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO.60 [grifo nosso] Há doutrinadores, como Martins e Nascimento, que defendem a pluralidade sindical, utilizada em países como a França, Espanha e Itália, que permitiria a criação de dois ou mais sindicatos com o mesmo objeto na mesma base territorial.61

Brito Filho, a respeito da base territorial mínima, infere: Temos, desta feita, um avanço e um retrocesso.

Um avanço por não mais poder o Ministro do Trabalho impor a base territorial dos sindicatos, o que era feito anteriormente pelo art. 517, §1º, da CLT.

O fato de os interessados, trabalhadores e empregadores poderem delimitar a base territorial não quer dizer, porém, que esta liberdade produza maiores efeitos.

Ela é praticamente anulada pela unicidade sindical, pois a livre vontade fica condicionada à inexistência, na base pretendida, de outra entidade sindical que reúna o mesmo grupo, profissional ou econômico.

O avanço, desta feita, resulta somente da retirada, das mãos do Estado, do poder de, contrariando a vontade daqueles que se pretendem unir em associação sindical, decidir o tamanho da base e outorgá-la.

Um retrocesso, por ter sido ampliada a base territorial mínima, de distrital para municipal. Neste caso, observe-se, já havia a restrição, considerando-se o retrocesso a ampliação em si.62

Russomano63 apresenta os dois conceitos supra, embora demonstre predileção pela existência da pluralidade sindical:

Podemos dizer que o princípio da unicidade sindical é aquele em que apenas se admite a existência, ao mesmo tempo e no mesmo local, de um único sindicato representativo dos trabalhadores ou empresários da mesma categoria.

60

SANTA CATARINA. Apelação Cível nº 2002.003318-9. Relator Des. Jânio Machado. Florianópolis, 29 de setembro de 2009. Disponível em: <

http://tjsc6.tj.sc.gov.br/cposg/pcpoQuestConvPDFframeset.jsp?cdProcesso=010004NW10000&nuSeq ProcessoMv=92&tipoDocumento=D&nuDocumento=1897135>. Acesso 04 junº 2011.

61

NASCIMENTO, 2003. op. cit., p.162,

62

BRITO FILHO, op. cit., p.89.

63

(37)

A pluralidade sindical, partindo da legitimidade dos sindicatos dissidentes, admite, ao contrário, que, na mesma base territorial, e ao mesmo tempo, dois ou mais sindicatos representem trabalhadores ou empresários da mesma categoria.

O STF já se posicionou em relação à importância da unicidade sindical, quando limitadora da liberdade de constituição sindicalxi:

AGRAVO REGIMENTAL EM RECLAMAÇÃO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA

PROPOSTA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO.

RECLAMAÇÃO AJUIZADA NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO REGIMENTAL DE DECISÃO DE RELATOR. ARTIGO 8º, INCISOS I, II E III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE DO SINDICATO PARA

ATUAR PERANTE A SUPREMA CORTE. AUSÊNCIA DE

REGISTRO SINDICAL NO MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO.

NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DO POSTULADO DA

UNICIDADESINDICAL. LIBERDADE E UNICIDADE SINDICAL. 1.

Incumbe ao sindicato comprovar que possui registro sindical junto ao Ministério do Trabalho e Emprego, instrumento indispensável para a fiscalização do postulado da unicidade sindical. 2. O registro sindical é o ato que habilita as entidades sindicais para a representação de determinada categoria, tendo em vista a necessidade de observância do

postulado da unicidade sindical. 3. O postulado da

unicidade sindical, devidamente previsto no art. 8º, II, da Constituição Federal, é a mais importante das limitações constitucionais à liberdade sindical. 4. Existência de precedentes do

Tribunal em casos análogos. 5. Agravo regimental interposto por sindicato contra decisão que indeferiu seu pedido de admissão na presente reclamação na qualidade de interessado. 6. Agravo regimental improvido.64 [grifo nosso]

Neste estudo utilizaremos a unicidade sindical por esta ser a forma legal prevista no art. 516 da CLT e aplicada pelos tribunais.

2.2.3. Princípio da Autonomia Sindical

A autonomia sindical é o poder que o sindicato tem de gerir-se sem sofrer qualquer forma de intervenção estatal, é o “poder de auto-regulamentação (sic) dos próprios interesses”65. Entende-se por isso a liberdade da plenária de

64

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Agravo Regimental em Reclamação nº 4990. Relator: Minª. Ellen Gracie. Brasília, DF, 04 de março de 2009. Disponível em: <

http://www.stf.jus.br/portal/diarioJustica/verDiarioProcesso.asp?numDj=59&dataPublicacaoDj=27/03/2 009&incidente=3657157&codCapitulo=5&numMateria=8&codMateria=1>. Acesso em 02 junº 2011.

65

MAGANO apud LEBRE, Eduardo Antonio Temponi. Sistema jurídico de custeio dos sindicatos. São Paulo : Iglu. 1997, p. 26.

(38)

redigir seu estatuto, fazer um planejamento estratégico, organizar seu quadro de pessoal, e, principalmente gerir seus recursos humanos e financeiros.

A não-intervenção estatal está prevista no art. 8º, inc. Ixii da CRFB/88. Segundo Arouca, para quem a autonomia é uma “liberdade pontecializada” entendida como um “direito de não-submissão” ao Estado, podemos conceituar a autonomia sindical da seguinte forma:

Compreende-se na autonomia a liberdade de, através da assembleia geral, redigir os estatutos, fixar as cotizações, o programa de ação, definir os quadros administrativos, disciplinar o processo eleitoral, a prestação de serviços; a garantia de suspensão ou dissolução apenas mediante decisão judicial, ficando imune a qualquer forma de intervenção por parte do Estado. 66

Em recente decisão, o STF julgou parcialmente procedente a ADI nº 4364xiii, também da CNC, contra a intervenção do Estado na fixação do salário mínimo regional no estado de SC, com base no princípio da autonomia:

Ação direta de inconstitucionalidade. Lei complementar estadual que fixa piso salarial para certas categorias. Pertinência temática. Conhecimento integral da ação. Direito do trabalho. Competência legislativa privativa da União delegada aos Estados e ao Distrito Federal. Lei Complementar federal nº 103/2000. Alegada violação ao art. 5º, caput (princípio da isonomia), art. 7º, V, e art. 114, § 2º, da Constituição. Inexistência.

Atualização do piso salarial mediante negociação coletiva com a participação do “Governo do Estado de Santa Catarina”. Violação ao princípio da autonomia sindical. Inconstitucionalidade formal. Procedência parcial.67 [grifo nosso]

No caso da ADI nº 4364 a procedência da ação deu-se justamente por conta da intervenção estatal que estava ocorrendo nas relações privadas, interferindo diretamente na autonomia sindical. Não estavam os representantes sindicais ajustando o piso mínimo regional entre si, como deveria ser feito, pois o governo estava regulamentando os valores a serem aplicados.

Com a primeira edição da lei, que entrou em vigor em 2009, apesar das inúmeras tentativas dos representantes sindicais de ajustarem o valor inicial, inexistiu o respeito ao princípio da autonomia sindical, que resultou em valores desconectados da realidade praticada no âmbito estadual. Ou seja, enquanto para

66

AROUCA, op. cit., p. 67

67

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4364. Relator Min. Dias Toffoli. Brasília, DF, 02 de março de 2011. Disponível em:

<http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=4364&classe=ADI&codig oClasse=0&origem=JUR&recurso=0&tipoJulgamento=M>. Acesso em 03 jun. 2011.

Referências

Documentos relacionados

O pro- 17 fessor Fabiano comentou que foi realizada a reunião e desta ficou acordado que os Che- 18 fes de Departamento iriam levar um esboço (proposta) para lotação, falou também

Para além das esferas governamentais de financiamento, a assistência à saúde em Cabo Verde é realizada também por meio de um sistema privado e de Mutualismo, no qual

Apesar da preocupação com o meio ambiente mostrar-se cada vez mais frequente, críticos do consumo verde apontam que este comportamento pode ser apenas

59 Wesley Henrique da Silva SUPERIOR - ENGENHARIA AGRONÔMICA 220,00 60 Geovana Lopes de Matos SUPERIOR - ENGENHARIA AGRONÔMICA 220,00 61 Stephanie Nayara Aires Silva SUPERIOR

4 - As licenças previstas neste quadro têm carácter precário, podendo a Câmara Municipal fazer cessar a validade das mesmas mediante justa indemnização, se for caso disso, ou de

O Diário Oficial da União (D.O.U.) do dia 20 de abril passado publicou uma Lei muito fora do padrão nacional para quem experimenta a vida na República Federativa do Brasil, pois é uma

4.2 As empresas, deverão apresentar, fora do envelope de habilitação a declaração firmada por contador ou técnico em contabilidade, devidamente inscrito no Conselho Regional

A pontuação final deve ser a média do total de pontos somados, excluindo a máxima e a mínima das pontuações da Exactidão (nas Poomsae Reconhecidas) ou Habilidade