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CURSO ESCOLA DE DEFENSORIA PÚBLICA Nº 58

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CURSO – ESCOLA DE DEFENSORIA PÚBLICA Nº 58 DATA – 26/10/15

DISCIPLINA – DIREITO CIVIL – OBRIGAÇÕES (NOITE) PROFESSORA – BÁRBARA BRASIL

MONITORA – JAMILA SALOMÃO AULA 02/04

Ementa:

Na aula de hoje serão abordados os seguintes pontos: Obrigações simples. Obrigações compostas. Obrigações 3) Obrigações simples: 3.1) Obrigação de dar: A partir do art. 233, CC.

Enseja necessariamente a entrega de um bem. Pode ser a entrega de um bem ensejando a transferência de:

 Propriedade – art. 234 ao 236, CC.

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Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes; se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos.

Art. 235. Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, poderá o credor resolver a obrigação, ou aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu.

Art. 236. Sendo culpado o devedor, poderá o credor exigir o equivalente, ou aceitar a coisa no estado em que se acha, com direito a reclamar, em um ou em outro caso, indenização das perdas e danos.

Art. 238. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda.

Art. 239. Se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas e danos.

Jamila firma contrato de compra e venda com o Victor de duas Tv's 52', marca Sony, modelo Bravia. O objeto desse contrato é a compra e venda. Entrega de um bem é obrigação de dar. Obrigação de dar que enseja transferência de propriedade.

Jamila firma contrato de locação de apartamento com Alexandre. O objeto é a locação, enseja a entrega de um bem, então obrigação de dar. Entrega de um bem que enseja a transferência de posse. Como enseja a transferência de posse o código civil chama de obrigação de restituir, porque ao final o bem tem que voltar para o proprietário.

Nesses artigos o código civil trata da Teoria do risco nas obrigações:

O que ocorrerá se o bem objeto do contrato vier a se perder ou a se deteriorar no intervalo do momento do nascimento da obrigação e a entrega do bem.

 Regras gerais:

a) É o proprietário que suporta o risco de perda ou deterioração do bem. A coisa perece para o dono.

Cuidado com quem está ostentando a condição de proprietário.

Bônus de ser proprietário  Se a coisa tiver um melhoramento ou um acréscimo significa que é o proprietário que se beneficia. Beneficia-se exigindo um aumento no preço. Ficando ao critério da outra parte aceitar ou não. Caso não aceite extingue a relação jurídica contratual. Art. 237, CC  Princípio do balanceamento das obrigações.

Art. 237. Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus melhoramentos e acrescidos, pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o devedor resolver a obrigação.

Parágrafo único. Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao credor os pendentes.

b) O credor pode atribuir responsabilidade ao devedor se a perda ou a deterioração proveio de uma conduta culposa dele.

Essa responsabilidade pressupõe o elemento culpa. Significa que a responsabilidade contratual é subjetiva. É uma culpa presumida.

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Toda vez que existir o elemento culpa tem a responsabilidade. A responsabilidade se materializa no exercício da pretensão de reparação de das perdas e danos. Perdas e danos consignada no art. 402, CC.

Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar.

c) Se a responsabilidade pressupõe a ocorrência do elemento culpa significa que se o bem vier a se perder ou deteriorar proveniente de caso fortuito ou força maior não tem responsabilidade. Porque caso fortuito ou força maior afasta a responsabilidade. Art. 393, p. único, CC

Art. 393. Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir.

Duas exceções, em que o caso fortuito e força maior não vão excluir a responsabilidade:

 Art. 393, caput, CC

Se o devedor assumiu a responsabilidade proveniente de cláusula contratual. Cláusula de assunção de responsabilidade.

Por intermédio de uma cláusula contratual o devedor assumiu a responsabilidade pela perda ou deteriorização do bem ainda que proveniente de caso fortuito ou força maior.

Essa cláusula não é válida caso esteja em um contrato de adesão. Art. 424, CC

Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado.

Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio.

 Art. 399, CC

Significa que o devedor está em mora. Se estiver em mora vai se responsabilizar pela perda ou deteriorização, ainda que proveniente de caso fortuito ou fora maior.

Hipótese que afasta a responsabilidade  Se o devedor comprovar que o bem se perderia ou deterioraria estando ele em mora ou não.

Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada.

 Regras específicas – Obrigação de dar – Transferência de propriedade:

Art. 234 ao 236, CC. Regula a Perda X Deterioração. E regula se a perda é sem culpa ou por culpa, se a deterioração é sem culpa ou por culpa.

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Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes; se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos.

Art. 235. Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, poderá o credor resolver a obrigação, ou aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu.

Art. 236. Sendo culpado o devedor, poderá o credor exigir o equivalente, ou aceitar a coisa no estado em que se acha, com direito a reclamar, em um ou em outro caso, indenização das perdas e danos.

 Perda  Inutilização total do bem. O bem já não existe mais.

 Deterioração  O bem existe, mas com redução de suas qualidades essenciais que geram diminuição do seu valor.

 Perda:

 Sem culpa: Se ocorreu a perda não tem mais o bem e se não tem mais o bem não tem mais contrato. Extingue o contrato e eventuais valores pagos serão restituídos. Não gera a responsabilidade porque a perda foi sem culpa.

 Com culpa: Se ocorreu a perda não tem mais objeto e se não tem mais objeto não tem mais contrato. Extingue o contrato e eventuais valores pagos serão restituídos. No caso da existência de culpa inclui perdas e danos. Todos os eventuais prejuízos que o credor teve que suportar em virtude de uma conduta culposa do devedor a ele poderá atribuir responsabilidade.

 Deterioração:

 Sem culpa: O credor pode ficar com o bem no estado em que se encontra e exige abatimento no preço. Ou se o bem deteriorado não for mais útil pode optar por extinguir o contrato e por fim à relação obrigacional, exigindo a restituição dos valores pagos.

 Com culpa: O credor pode ficar com o bem no estado em que se encontra e exige abatimento do preço mais perdas e danos. Ou se o bem deteriorado não for mais útil o credor pode optar por extinguir o contrato, re querendo a restituição dos valores pagos, mais perdas e danos.

 Regras específicas – Obrigação de dar – Transferência de posse: Art. 238 e 239, CC.

Art. 238. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda.

Art. 239. Se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas e danos.

 Perda:

 Sem culpa: O bem não existe mais. Extinto o contrato. O proprietário suporta os riscos dessa perda. O credor faz jus a todos os direitos até a data da perda.

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 Por culpa: Extinto o contrato. O credor faz jus a todos os direitos até a data da perda, acrescido das perdas e danos.

Essas perdas e danos abrangem tanto o dano emergente quanto os lucros cessantes. As perdas e danos abrange o dano material, e o dano material compreende dano emergente e lucros cessantes.

 Deterioração:

 Sem culpa: o credor pode requerer a restituição do bem no estado em que se encontra.

 Por culpa: o credor pode requerer a restituição da coisa no estado em que ela se encontrava. No status quo anterior. Sem prejuízo de eventuais perdas e danos.

3.2) Obrigação de fazer: Art. 247 ao art. 249, CC

Art. 247. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação a ele só imposta, ou só por ele exequível.

Art. 248. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor, resolver-se-á a obrigação; se por culpa dele, responderá por perdas e danos.

Art. 249. Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem prejuízo da indenização cabível.

Parágrafo único. Em caso de urgência, pode o credor, independentemente de autorização judicial, executar ou mandar executar o fato, sendo depois ressarcido.

Enseja necessariamente a realização de um serviço ou a prestação de uma atividade.

Não muda em obrigação de dar se a prestação de atividade ou serviço culmina em entrega de bem, o que será mero exaurimento da obrigação.

a) Fungível:

Substituível. O ideal é que seja executada pelo devedor. Mas se não puder, nada impede que seja executada por um terceiro. O que interessa é que a obrigação seja executada.

Se o devedor se recusar voluntariamente a cumprir a obrigação o credor poderá exigir em juízo que o devedor dê cumprimento à obrigação ou que um terceiro dê cumprimento às suas custas, sem prejuízo das perdas e danos.

Quando há recusa voluntária do cumprimento da obrigação o código civil admitiu, excepcionalmente, o exercício da autotutela. Se o credor comprovar urgência poderá, independentemente de autorização judicial, determinar que um terceiro dê cumprimento à obrigação, indo posteriormente em juízo apenas exigir apenas o ressarcimento.

Se a obrigação tornar-se impossível de ser cumprida em virtude de uma conduta involuntária do devedor o contrato estará extinto e eventuais valores pagos serão restituídos.

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Art. 249. Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem prejuízo da indenização cabível.

Parágrafo único. Em caso de urgência, pode o credor, independentemente de autorização judicial, executar ou mandar executar o fato, sendo depois ressarcido.

b) Infungível:

Insubstituível. Só pode ser executada pelo devedor. O contrato foi feito em virtudes de qualidades especiais que o devedor tem.

Se houver recusa voluntária do devedor no cumprimento da obrigação extingue o contrato, podendo requerer perdas e danos.

O credor pode ir em juízo exigir que o devedor dê cumprimento à obrigação. Tutela específica das obrigações. Art. 461, CPC.

Art. 461. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou, se procedente o pedido, determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento. (Redação dada pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994)

Se a prestação tornar-se impossível de ser cumprida em virtude de uma conduta involuntária do devedor extingue o contrato e eventuais valores pagos serão restituídos. Art. 247 e 248, CC

Art. 247. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação a ele só imposta, ou só por ele exequível.

Art. 248. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor, resolver-se-á a obrigação; se por culpa dele, responderá por perdas e danos.

3.3) Obrigação de não fazer. Art. 250 e 251, CC

Art. 250. Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem culpa do devedor, se lhe torne impossível abster-se do ato, que se obrigou a não praticar.

Art. 251. Praticado pelo devedor o ato, a cuja abstenção se obrigara, o credor pode exigir dele que o desfaça, sob pena de se desfazer à sua custa, ressarcindo o culpado perdas e danos.

Parágrafo único. Em caso de urgência, poderá o credor desfazer ou mandar desfazer, independentemente de autorização judicial, sem prejuízo do ressarcimento devido.

Impõe necessariamente uma abstenção. Conduta omissiva.

Adimplente enquanto está inerte. A partir do momento que o devedor age quando deveria ter se abstido se torna inadimplente.

Também chamada de obrigações negativas.

Na recusa voluntária do devedor em dar cumprimento à obrigação o credor pode ir em juízo e exigir que o devedor desfaça o ato praticado ou que um terceiro desfaça às suas custas. Sem prejuízo das perdas e danos, porque a recusa é voluntária.

O código civil admitiu excepcionalmente a autotuela. Se o credor comprovar a urgência pode, independentemente de autorização judicial, desfazer o ato praticado ou determinar que um terceiro desfaça. Indo posteriormente em juízo exigindo o ressarcimento.

(7)

Se a obrigação for impossível de ser cumprida em virtude de conduta involuntária do devedor o contrato vai extinguir e não gera perdas e danos.

4) Obrigações objetivamente compostas:

4.1) Obrigações alternativas: A partir do art. 252, CC.

Marcadas pela pluralidade de objetos seguindo da partícula “ou”. Mais de um objeto, mas o credor recebe um ou outro e qualquer um satisfaz o credor.

 Regras:

a) Como regra a escolha do objeto se concentra na pessoa do devedor. Nada impede que recaia para o credor ou terceiro.

Essa regra não é impositiva, é meramente dispositiva.

Quando as partes escolhem que a um terceiro competia fazer a escolha e esse terceiro não quer ou não pode e não há consenso entre credor e devedor sobre quem deva fazer essa escolha ocorre intervenção judicial. Escolha compete ao juiz. Art. 252, caput e §4º, CC.

Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou.

§4o Se o título deferir a opção a terceiro, e este não quiser, ou não puder exercê-la, caberá ao juiz a escolha se não houver acordo entre as partes.

b) Os objetos das obrigações alternativas são indivisíveis.

O credor não pode ser compelido a receber parte em um objeto e parte em outro.

O credor não pode ser obrigado, mas nada impede que aceite de livre manifestação de vontade.

Art. 252, §1º, CC

Art. 252. §1o Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra.

c) Se um dos objetos vier a se perder sem culpa do devedor concentra a escolha no objeto remanescente. Sem perdas e danos, porque não tem culpa. Art. 253, CC.

Art. 253. Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexequível, subsistirá o débito quanto à outra.

d) Se os dois objetos vierem a se perder sem culpa do devedor extingue o contrato porque não tem mais objeto. Sem perdas e danos porque ocorreu sem culpa. Art. 256, CC.

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Art. 256. Se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor, extinguir-se-á a obrigação.

e) Se perder um objeto por culpa do devedor deve questionar a quem competia fazer a escolha.

 Ao credor: o credor pode optar entre o objeto remanescente ou com o valor do objeto que se perdeu. Qualquer dessas opções será acrescida de perdas e danos.

 Ao devedor: a obrigação se concentra no objeto remanescente. *Excepcionalmente não pode ser imputado perdas e danos*.

Art. 254 e 255, CC.

Art. 254. Se, por culpa do devedor, não se puder cumprir nenhuma das prestações, não competindo ao credor a escolha, ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou, mais as perdas e danos que o caso determinar. Art. 255. Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornar-se impossível por culpa do devedor, o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra, com perdas e danos; se, por culpa do devedor, ambas as prestações se tornarem inexequíveis, poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas, além da indenização por perdas e danos.

f) Se perder os dois objetos por culpa do devedor deve questionar a quem competia fazer a escolha:

 Ao credor: o credor pode optar pelo valor de qualquer um dos objetos que se perdeu. Sem prejuízo das perdas e danos.

 Ao devedor: o devedor é obrigado a pagar ao credor o valor do objeto que por último se perdeu. Sem prejuízo das perdas e danos.

Art. 254 e 255, CC.

Art. 254. Se, por culpa do devedor, não se puder cumprir nenhuma das prestações, não competindo ao credor a escolha, ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou, mais as perdas e danos que o caso determinar. Art. 255. Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornar-se impossível por culpa do devedor, o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra, com perdas e danos; se, por culpa do devedor, ambas as prestações se tornarem inexequíveis, poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas, além da indenização por perdas e danos.

5) Obrigações subjetivamente compostas:

5.1) Obrigações solidárias A partir do art. 264, CC.

Marcadas por uma pluralidade de sujeitos. Mais de um sujeito credor ou mais de um sujeito devedor.

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 Mais de um credor  Solidariedade ativa

 Mais de um devedor  Solidariedade passiva.  Regras gerais:

a) Como regra, se na relação houver mais de um credor ou mais de um devedor, o objeto se fraciona em quantos credores e devedores existirem de modo que: cada credor só poderá exigir a sua cota parte e cada devedor somente se responsabiliza pela sua cota parte.

A solidariedade é a exceção. Em havendo solidariedade cada credor poderá cobrar o todo e cada devedor se responsabiliza pelo todo. Art. 264, CC.

Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda.

b) A solidariedade não se presume, ou seja, decorre da lei ou de ato de manifestação de vontade das partes. Art. 265, CC.

Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes.

c) A solidariedade só existe nas relações jurídicas externas. Internamente não há solidariedade. O credor solidário quando recebe repassa para os demais a quota-parte deles. Art. 272, CC. E o devedor solidário quando paga tem o direito de exigir a restituição da quota-parte dos demais. Art. 283, CC

Art. 272. O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que lhes caiba. Art. 283. O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos co-devedores a sua quota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente, se o houver, presumindo-se iguais, no débito, as partes de todos os co-devedores.

d) A morte põe fim à solidariedade. De modo que os herdeiros do credor solidário só podem exigir a quota-parte do falecido. E os herdeiros do devedor solidário só podem ser demandados na quota-parte do falecido. Art. 270 e 276, CC.

A morte põe fim à solidariedade apenas em relação aos herdeiros.

Essa regra comporta uma exceção. Se essa obrigação estiver indivisível, em que permanece na solidariedade.

Art. 270. Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros, cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível.

Art. 276. Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros, nenhum destes será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível; mas todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores.

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 Regras específicas da solidariedade ativa: A partir do art. 267, CC.

a) É admitido o pagamento parcial. Mas o pagamento parcial não gera a extinção da dívida, nem da solidariedade em relação ao remanescente. Art. 269, CC

Art. 269. O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a dívida até o montante do que foi pago.

b) O devedor tem liberdade para pagar a qualquer credor solidário. O pagamento gerará a extinção da dívida em relação ao montante pago. Contudo, para o código civil só poderá escolher a quem pagar até o devedor ser demandado. A partir do momento em que é demandando só poderá pagar ao credor solidário que o demandou. Art. 267 e 268, CC.

Art. 267. Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro.

Art. 268. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum, a qualquer daqueles poderá este pagar.

c) O credor solidário pode remitir (remissão – perdão da dívida).

Internamente não existe solidariedade. Se não colher o consentimento dos demais credores solidários o que perdoou a dívida deve pagar a quota-parte dos demais.

A remissão gera a extinção da obrigação. Art. 385, CC

Art. 385. A remissão da dívida, aceita pelo devedor, extingue a obrigação, mas sem prejuízo de terceiro.

É admitida a remissão da dívida por apenas um dos credores solidários. O consentimento de todos os credores solidários não é requisito para a remissão. Art. 272, CC.

Art. 272. O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que lhes caiba.

d) Art. 273, CC. A exceções de natureza comum são oponíveis a qualquer credor solidário. Já as exceções de natureza pessoal somente são oponíveis ao credor solidário a que ela se refere. Exemplo de exceção de natureza comum: Pagamento ou prescrição.

Exemplo de exceção de natureza pessoal: Compensação.

Art. 273. A um dos credores solidários não pode o devedor opor as exceções pessoais oponíveis aos outros.

e) Art. 204, CC x Art. 201, CC

Art. 204, CC, se refere à interrupção da prescrição. Art. 202, I, CC Art. 201, CC se refere à suspensão da prescrição. Art. 197 ao 199, CC.

Art. 201. Suspensa a prescrição em favor de um dos credores solidários, só aproveitam os outros se a obrigação for indivisível.

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Art. 204. A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros; semelhantemente, a interrupção operada contra o co-devedor, ou seu herdeiro, não prejudica aos demais coobrigados.

§1o A interrupção por um dos credores solidários aproveita aos outros; assim como a interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros.

§2o A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudica os outros herdeiros ou devedores, senão quando se trate de obrigações e direitos indivisíveis.

§3o A interrupção produzida contra o principal devedor prejudica o fiador.

Interrompida a prescrição em favor de um credor solidário favorece todos os demais credores solidários. As causas interruptivas da prescrição são atos jurídicos.

Suspensa a prescrição em favor de um credor solidário não atinge os demais credores solidários. As causas suspensivas da prescrição são atos de natureza pessoal, subjetiva e particular.

A suspensão tem uma exceção:

Salvo se a obrigação for indivisível. Suspendeu para um, suspendeu para todos.

 Regras específicas da solidariedade passiva: A partir do art. 275, CC.

a) O pagamento parcial não vai gerar a extinção da dívida e nem da solidariedade em relação ao remanescente.

O pagamento parcial gera a extinção de parte da dívida. Não gera a extinção do todo. Permanece a dívida e a solidariedade em relação ao remanescente.

Art. 275, CC

Art. 275. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto.

Parágrafo único. Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores.

b) É admitida a renúncia à solidariedade. Art. 282, CC.

Que não se confunde com a remissão da dívida. Art. 277, CC

Art. 282. O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de todos os devedores. Parágrafo único. Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais devedores, subsistirá a dos demais.

Art. 277. O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida não aproveitam aos outros devedores, senão até à concorrência da quantia paga ou relevada.

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