Download/Open
Texto
(2) 2. CLÁUDIA MARIA ARANTES DE ASSIS. Os jovens e o Jornal Nacional: fragmentos das relações entre cultura e educação na recepção do noticiário Dissertação apresentada em cumprimento parcial às exigências do Programa de PósGraduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo, para obtenção do grau de Mestre. Orientador: Prof. Dr. José Salvador Faro. Universidade Metodista de São Paulo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social São Bernardo do Campo - SP, 2009.
(3) 3. FOLHA DE APROVAÇÃO. A dissertação de mestrado sob o título “Os jovens e o Jornal Nacional: fragmentos das relações entre cultura e educação na recepção do noticiário”, elaborada por Cláudia Maria Arantes de Assis, foi defendida e aprovada em 14 de abril de 2009, perante a banca examinadora composta por José Salvador Faro, Antonio Adami e Verônica Patrícia Aravena Cortês.. Declaro que o autor incorporou as modificações sugeridas pela banca examinadora, sob a minha anuência enquanto orientador, nos termos do Art.34 do Regulamento dos Cursos de Pós-Graduação.. Assinatura do orientador: __________________________________________________ Nome do orientador: _____________________________________________________ Data: São Bernardo do campo, _______ de _______________________ de ________. Visto do Coordenador do Programa de Pós-Graduação: ______________________________. Área de concentração: Ciências Sociais Aplicadas Linha de Pesquisa: Processos Comunicacionais Midiá ticos.
(4) 4. DEDICATÓRIA Aos meus pais, mestres da paciência e incentivo; aos meus irmãos, companheiros de vida; e, ao meu namorado, ombro amigo e encorajador..
(5) 5. O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis. (Fernando Pessoa).
(6) 6. AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus pela vida e pelo caminho percorrido. À UMESP por ter me aberto as portas. À CAPES por tornar possível a realização deste objetivo. Aos professores do programa por terem contribuído com minha formação. Ao professor José Salvador Faro pela confiança. Aos diretores das escolas em que a pesquisa foi realizada. E aos alunos que participaram da pesquisa com entusiasmo..
(7) 7. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS. BBC: A British Broadcasting Corporation, inicialmente chamada de British Broadcasting Company Ltd. é uma emissora pública de rádio e televisão do Reino Unido, com reputação internacional, consagrada como uma das mais respeitadas do mundo. A origem da BBC Brasil é resultado de atitudes adotadas, no final da década de 30, pela tradicional empresa de comunicação britânica devido à iminência de uma nova Guerra Mundial. Na época, a BBC, fundada em 1926, vivia uma fase de intenso crescimento. Detentora do monopólio do rádio na Grã-Bretanha era ouvida pela maior parte da população do país. Mas nos anos de 1930, viu a necessidade de expandir seus serviços para além das fronteiras britânicas. Inicialmente, essa expansão se deu, a partir de 1932, para os países que faziam ou haviam feito parte do Império Britânico. O início do serviço de notícias em português, em 14 de março de 1938, foi marcado por uma notícia que mostrava o caminho que o mundo percorria na época em direção ao que seria a Segunda Guerra Mundial. “O senhor Hitler entrou hoje à noite em Viena”, disse o apresentador Manuel Braune, o Aimberê, inaugurando o noticiário da BBC para o Brasil, transmitido na época apenas no rádio, em ondas curtas. Ao ser criado, o serviço da BBC em português era apenas uma pequena parte da equipe de meia dúzia de jornalistas responsáveis pelos programas enviados para toda a América Latina. Atualmente, a BBC Brasil tem cerca de 30 funcionários, sendo eles 25 jornalistas, divididos entre suas sedes, em Londres, um escritório em São Paulo e correspondentes em Brasília, Washington (EUA) e Cairo (Egito). A produção jornalística da BBC Brasil é hoje concentrada no site bbcbrasil.com, mas inclui também, boletins de notícias transmitidas pelas rádios CBN e Globo, além de vídeos veiculados na TV pela Band. (fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/). HBO: sigla em inglês que designa Home Box Office, canal de televisão premiado, subsidiário da Time Warner. A rede oferece serviços pagos de televisão, transmitidos 24 horas por dia para mais 30 milhões de assinantes nos Estados Unidos: HBO e Cinemax. A programação da HBO é transmitida em mais de cento e cinqüenta países em todo o mundo..
(8) 8. NTSC: é a sigla de National Television System(s) Committee, sistema de televisão analógico atualmente em uso nos Estados Unidos, na maioria dos países da América (o Brasil é uma das exceções que utilizam esse sistema apenas em DVDs players) e em alguns países do leste asiático. PAL: sigla em inglês para Phase Alternating Line (Linha de Fase Alternante), é uma forma de codificação da cor usada nos sistemas de transmissão televisiva, usado por boa parte do mundo. O PAL foi desenvolvido na Alemanha, por Walter Broch, na Telefunken.. PAL-M: é o sistema de televisão em cores utilizado pelo Brasil desde sua primeira transmissão oficial, na Festa da Uva em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, em 19 de fevereiro de 1972. Consiste em utilizar o sistema PAL de codificação do sinal de cor em uma sub-portadora, no padrão de formação de imagem "M". Na verdade, desde 1963 era possível a recepção de programas em cores no Brasil no sistema NTSC, através de experiências de emissoras como a TV Excelsior e a TV Tupi e da apresentação de seriados americanos já produzidos em cores, tais como Bonanza. Entretanto, o custo dos televisores importados dos Estados Unidos era proibitivo, a política tecnológica brasileira mudou e somente no início da década de 70 o Brasil pôde desenvolver o PAL-M e viabilizá- lo.. PROJAC: Também conhecido como Central Globo de Produção é considerado o maior núcleo televisivo da América Latina, com área total de quase 4 milhões de metros quadrados, é o centro de produção da Rede Globo, localizado em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. O Projac conta com dez estúdios de gravação para a produção de novelas, minisséries e outros programas de auditório da TV Globo. As cidades cenográficas ocupam uma área de 160 mil metros quadrados e um amplo ga lpão abriga a fábrica de cenários.. UHF: é a sigla inglesa para Ultra High Frequency, que significa Freqüência Ultra Alta. Designa a faixa de radiofreqüências comum para propagações de sinais de televisão e rádio.. VHF: é a sigla inglesa para Very High Frequency que significa Frequência Muito Alta. Designa a faixa de radiofreqüências usadas para transmissão de rádio FM e transmissões televisivas (em conjunto com a faixa de frequência UHF)..
(9) 9. SUMÁRIO RESUMO.................................................................................................................................11 RESUMEN ..............................................................................................................................12 ABSTRACT.............................................................................................................................13 INTRODUÇÃO.......................................................................................................................14 1. UM BREVE PANORAMA DA TELEVISÃO NO MUNDO .........................................18 1.1 TV brasileira como um grande meio de informação ..................................23 1.3 A ética na TV..................................................................................................28 2. O IMPÉRIO ORGANIZAÇÕES GLOBO.......................................................................31 2.1 A abrangência da hegemonia........................................................................38 2.2 Breve trajetória do Jornal Nacional ............................................................39 3. A TELEVISÃO E O JOVEM NA ATUALIDADE.........................................................42 3.1 A televisão e os jovens....................................................................................44 3.2 Cidadania........................................................................................................48 4. JORNALISMO TELEVISIONADO ................................................................................50 4.1 Jornalismo cultural na TV............................................................................56 4.2 A notícia ..........................................................................................................61 5. AS MATÉRIAS EDIFI CANTES DO JORNAL NACIONAL .......................................64 5.1 Eis que surgem as Matérias Edificantes......................................................68 5.2 Os jovens e as Matérias Edificantes.............................................................70.
(10) 10. 6. A PESQUISA ......................................................................................................................72 6.1 Comparação dos dados da amostra .............................................................74 6.2 Análise da discussão em grupo .....................................................................76 6.2.1 A visão de um telejornal brasileiro ...........................................................77 6.2.2 A identificação das matérias pelos jovens ................................................78 7. A VISÃO DAS MATÉRIAS SOCIAIS E EDIFICANTES PELOS ALUNOS .............80 7.1 A associação de pensamento .........................................................................81 7.2 O Jornal Nacional de cara nova ...................................................................83 7.3 A noção de cidadania e a participação.........................................................84 7.4 A análise da Matéria Edificante feita pelos jovens .....................................85 8. CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................89 9. REFERÊNCIAS ..................................................................................................................92 ANEXO I .................................................................................................................................97 ANEXO II ..............................................................................................................................100 ANEXO III ............................................................................................................................102 ANEXO IV ............................................................................................................................103 ANEXO V ..............................................................................................................................104.
(11) 11. RESUMO Este estudo aborda as matérias edificantes do Jornal Nacional e a maneira como elas são compreendidas pelos grupos de jovens selecionados para esta pesquisa. O objetivo é avaliar se há diferença na percepção das informações dessas matérias por jovens de diferentes estratos sociais e culturais, pretende-se também, verificar se esses jovens percebem nas matérias edificantes algum tipo de ação cidadã. Este estudo se torna relevante visto que as transformações no processo de informação nos meios de comunicação de massa têm proporcionado grande velocidade na transmissão das mensagens. Sendo assim, alguns autores acreditam que o surgimento das novas tecnologias faz com que as pessoas sejam influenciadas por várias mídias, simultaneamente. Nesse sentido, o público jovem é um segmento importante dentro do universo dos receptores. É na juventude que o indivíduo tem sua formação aprimorada pelos meios que cumprem esse papel formador, como a escola, os pais e os meios de comunicação, cada um interagindo de acordo com a sua especificidade. Utilizando a discussão em grupo com alunos do Ensino Médio de uma escola pública e uma particular, foi possível ter a visão de como a amostra selecionada assimila a temática.. Palavras-Chave : Jornal Nacional, Matérias Edificantes e Jovens..
(12) 12. RESUMEN. Este estudio es acerca de las Materias Edificantes del Jornal Nacional y de la manera que es entendido por los grupos seleccionados de jóvenes para esta investigación. El objetivo es evaluar si hay diferencia de percepción de las informaciones en estas materias por jóvenes de diferentes estratos sociales y culturales. También se piensa verificar si los jóvenes perciben en las Materias Edificantes, un cierto tipo de acción de ciudadanía. Este estudio tiende a ser excelente, puesto que las transformaciones en el proceso de información en los medios masivos tienen proporcionado gran velocidad en la transmisión de los mensajes. Siendo así, algunos autores creen que el surgimiento de las nuevas tecnologías hace con que la gente sea influenciada por muchos medios, simultáneamente. En ese sentido, el público joven es un segmento importante dentro del universo de los receptores. Es en la juventud que el individuo mejora su formación a través de las instituciones que desempeñan este papel como la escuela, los padres y los medios, cada uno mantenendo interacción de acuerdo con su especificidad. Se utilizando de la discusión en grupo con alumnos del Enseño Medio de una escuela pública y una particular, fue posible tener la visión de como la muestra seleccionada asimila la temática.. Palabras-clave : Jornal Nacional, Materia Edificantes y Jóvenes.
(13) 13. ABSTRACT. This study is about the ‘Matérias Edificantes’ of the ‘Jornal Nacional’ and the way that it is understood by the selected groups of young people chosen for this investigation. The objective is to evaluate the difference in the opinion of the information of these substances for young people of different social and cultural backgrounds. Also, the study will try to verify if the young people perceive in the ‘Matérias Edificantes’, a certain type of citizenship. This study tends to be excellent, since the transformations in the course of information in massive means have great speed provided in the transmission of the messages. Because of the way it is, some authors think that through the marks of the new technologies, people are influenced simultaneously by some means. In this direction, the young public is an important segment within the universe of the receivers. It is in his youth that the individual improves his formation through the institutions that play this role like the school, the parents and medios, building each one reciprocally according to its specialty. Using the discussion in group with the pupils of average Ensino of a state school and a private school, it was possible to have the vision of how the selected sample assimilates the thematic one.. Keywords: Jornal Nacional, Edifying Material, Youngs..
(14) 14. INTRODUÇÃO A televisão é um meio de comunicação de massa de grande abrangência e desempenha papel importante na formação da opinião pública. Mesmo sem perceber, muitos telespectadores apropriam grande volume de informação e ficam envolvidos com o conteúdo apresentado, o que pode gerar algum tipo de influência no modo de agir e pensar dessas pessoas. Inserida no contexto televisivo nacional, a Globo vem se desenvolvendo cada dia mais. E é sobre este canal de televis ão, especificamente sobre o telejornal Jornal Nacional1 que é desenvolvida esta pesquisa. O Jornal Nacional foi o primeiro telejornal a ser transmitido em rede nacional, no dia 1° de setembro de 2008 ele completou 39 anos de existência, ao longo desse tempo, sofreu diversas transformações tecnológicas, acompanhando sempre o que há de mais novo no mercado televisivo. Também ocorreram mudanças no cenário, alterações de apresentadores, dentre diversas outras modificações que foram feitas para que o telejornal se aproximasse mais de seu público. Isso pode ser notado no novo cenário, que mostra, ao fundo, a redação do Jornal Nacional, podendo dar aos telespectadores a impressão de fazerem parte da equipe de jornalismo. Ou mostrar de forma subjetiva a transparênc ia da redação, dando a entender que é um telejornal que não esconde sua produção, e assim, parecer ser merecedor da credibilidade que tanto almeja. Em síntese, o telejornal tenta demonstrar transparência em suas atitudes, visando gerar um vínculo forte entre o público e a redação do telejornal. A escolha do tema se deu pelo fato de o Jornal Nacional ser um dos meios de informação mais utilizados no país, sendo considerado também como um telejornal de. 1. Em 01/09/69, foi ao ar, pela primeira vez, o Jornal Nacional, primeiro programa em rede nacional, gerado no Rio e retransmitido para todas as emissoras da rede. A equipe de jornalistas do JN conseguiu, em pouco tempo, transformá-lo no mais importante noticiário brasileiro, alcançando altos índices de audiência. Hilton Gomes, ao lado de Cid Moreira, abriu a primeira edição do JN anunciando: "O Jornal Nacional, da Rede Globo, um serviço de notícias integrando o Brasil novo, inaugura-se neste momento: imagem e som de todo o país". Cid Moreira encerrou: "É o Brasil ao vivo aí na sua casa. Boa noite”. Fonte: Jornal Nacional: a notícia faz a história (Memória Globo), 2004..
(15) 15. credibilidade. Um outro motivo que foi levado em consideração para a escolha deste tema é o fato de o telejornal ter sempre mantido altos índices de audiência. No intuito de demarcar a temática, foi abordada a matéria conhecida como ‘Matéria Edificante’ que, geralmente, é a última da edição de cada dia, mas isso não é uma regra estipulada. A Matéria Edificante possui o conteúdo mais ‘leve’, e serve para elevar o nível de humor do telespectador antes de receber o ‘boa noite’. Assim o telejornal tende a ser finalizado com um astral mais positivo. A Matéria Edificante é mais poética e retrata constantemente ações sociais. Geralmente, é uma matéria de cunho cidadão, voltada a mostrar fatos relevantes à sociedade. A falta de bibliografia sobre o tema, também teve muito peso na escolha de se analisar esse tipo de matéria. Para a realização desta pesquisa, a amostra foi composta por jovens do Ensino Médio de diferentes classes sociais. A escolha desta amostra se justifica pelo fato de ela estar inserida em um mundo globalizado, em que todos têm acesso à informação e conhecimento. Porém, há diferenças sociais que contribuem para que os jovens tenham perspectivas e subjetividades diferentes. Esse fator pode influenciar na compreensão da informação por esses jovens. Assim, se faz necessário compreender como os jovens decodificam as informações emitidas pelo telejornal, como eles assimilam estas informações e como as utilizam em seu cotidiano. A pesquisa analisou as teorias que norteiam os modelos de recepção para explicar como acontece a interação da Matéria Edificante do telejornal com os jovens. Ao perceber o processo de interação do jovem com este telejornal, é preciso verificar se os adolescentes consideram tal programa como um lócus de discussão de problemas de ordem social, contribuindo assim, para a prática da cidadania. Nesse sentido, a televisão assume importante papel, uma vez que é um meio de informação cada vez mais presente na vida das pessoas. As duas questões noteadoras da pesquisa foram: os alunos de escola pública têm melhor visão do que seja cidadania? Os jovens percebem, na Matéria Edificante do telejornal, uma contribuição para a prática da cidadania? O primeiro capítulo trata da criação da televisão e sua expansão pelo mundo. Inicia-se com uma breve história da televisão, em que assuntos como o fator cultural, político, econômico e técnico da televisão foram tratados. Ainda no primeiro capítulo foi tratada de forma sucinta a história da televisão no Brasil, traçando o panorama da televisão brasileira que, por muitos anos, seguia o mesmo padrão do rádio e ut ilizava-se de seus programas e até de seus artistas e técnicos..
(16) 16. O segundo capítulo aborda a história das Organizações Globo e o contexto político da época de sua concessão. Trata também do acordo entre a Globo e o grupo norte-americano Time Life. Fala-se também, sobre a criação do Padrão Globo de Qualidade, a empreitada internacional e o crescimento das exportações de programas e telenovelas produzidos pela Rede Globo. Por fim, destaca-se as transformações de cenários, dos apresentadores e a linguagem utilizada para cativar o telespectador. No terceiro capítulo o jovem foi o assunto em questão. São enfatizadas as perspectivas e a formação do indivíduo no período da juventude. Assuntos como individualidade, conhecimento de mundo e construção de sentidos são analisados a fim de possibilitar a compreensão do público jovem. Utilizando as idéias de teóricos que estudam assuntos ligados à construção da identidade e à formação do indivíduo foi possível avaliar a ligação entre mídia e juventude. De acordo com alguns autores, a escola, a família e a mídia influenciam o comportamento dos indivíduos. Sendo assim, foi sintetizada a relação entre jovens e a mídia. Este capítulo trata a linha tênue entre o público e o privado, em que é possível a exposição de problemas de ordem particular na mídia. Assim, com o desenvolvimento de novas tecnologias, o entendimento não necessariamente ocorre no mesmo espaço-temporal. Por isso, o indivíduo está inserido em um universo de informações que, de acordo com suas perspectivas, podem ser selecionadas. O quarto capítulo trata do jornalismo televisionado. A começar pela imprensa de Gutenberg, em um tempo em que poucos tinham acesso aos livros.. Seguindo a linha. cronológica, chegaremos à Revolução Industrial, momento de aceleração, cuja produção em série colaborou para a propagação dos meios de comunicação e, conseqüentemente, a crítica desses meios por alguns estudiosos. Neste capítulo mostra-se a comunicação de massa na perspectiva de alguns autores frente ao processo de produção e recepção da informação. Assim, a Escola de Frankfurt foi a base do estudo sobre comunicação massiva, visto a consolidação das idéias desses pensadores midiáticos e sua colaboração para o surgimento de novas perspectivas a respeito da comunicação. Por fim, analisou-se a perspectiva da recepção na contemporaneidade, utilizando-se de novos modelos de comunicação propostos por outros autores. O quinto capítulo é o espaço em que foi tratada a Matéria Edificante do Jornal Nacional, tema central deste trabalho. Para tanto são analisados os gêneros que compõem o telejornal e o formato do Jornal Nacional frente aos gêneros jornalísticos. De início, faz-se necessário esclarecer o que são as “Matérias Edificantes”, a maneira como são utilizadas e o momento em que surgiram..
(17) 17. É possível notar que foi necessária uma incessante busca de revisão bibliográfica para se fazer um apanhado de toda informação possível sobre o tema desta pesquisa, visto a escassez de bibliografia sobre o assunto. Na tentativa de colher o máximo de informações possível sobre as Matérias Edificantes, alguns jornalistas se dispuseram a colaborar com esta pesquisa lançando suas perspectivas frente às Matérias Edificantes do Jornal Nacional. O sexto capítulo trata da pesquisa em si. Após a pesquisa bibliográfica, que embasou este trabalho, foi necessário escolher as instituições de ensino nas quais se realizou a pesquisa. Foram sorteados 12 alunos, dos quais 06 de escola pública e 06 de escola particular. Todo o processo de realização da pesquisa está descrito, detalhadamente, neste capítulo. Vale ressaltar que, para maior aproveitamento da pesquisa e melhor fundamentação do trabalho, foi realizada também, uma pesquisa quantitativa, cujos dados serão descritos no decorrer deste capítulo. A essência deste trabalho se direciona de acordo com a pesquisa feita utilizando-se o pequeno grupo sorteado. Os doze jovens constituem uma pequena fração dentro do universo da juventude brasileira. Por fim, seguem-se as considerações, com o parecer sobre a pesquisa. Este trabalho visa a busca pelo conhecimento, mas não tem a pretensão de ser um trabalho conclusivo. Para tanto, algumas considerações finais são apresentadas a fim de responder as indagações feitas no problema de pesquisa. Acreditamos que este trabalho possa contribuir e ser aproveitado por outros pesquisadores que estudam tal temática e, também, por aqueles que buscam um melhor entendimento sobre a formação do indivíduo..
(18) 18. 1. UM BREVE PANORAMA DA TELEVISÃO NO MUNDO. A televisão é considerada por muitos um importante instrumento de disseminação da informação. Mas desde seu advento, na Europa, um grande número de pesquisadores se envolveu em discussões a respeito do papel social e cultural desse veículo midiático. Outros meios de comunicação, com o surgimento da televisão, viram-se diante de uma nova tecnologia que mesclava imagem e som. Sobre esse fato Silvana Gontijo (2004, p.399) explica que: (...) quando a televisão surgiu, todas as mídias sofreram o impacto e precisaram se reajustar a uma nova realidade. A diferença dos outros processos adaptativos é que a capacidade de tele -ver, ver a distância, vem transformando mais do que um sistema de transmissão de dados. O objeto central dessas mudanças é o próprio ser humano e sua capacidade simbólica.. A criação do aparelho televisor pode ter impulsionado um maior volume de estudos a respeito da comunicação, visto que a televisão causava, e ainda causa, um forte impacto na sociedade. Sabendo da transformação do cenário social, uma crescente demanda por estudos a respeito da comunicação começou a se firmar. Se apenas a criação do aparelho televisor começava a provocar transformações na sociedade, o desenvolvimento de novas tecnologias, voltadas a melhorar sua imagem e distribuição mudaria o contexto midiático da época. Em Londres, no ano de 1924, foi a primeira vez que um aparelho televisor foi posto para funcionar. Mas, só em 1925 as imagens da telinha ganharam movimento. A primeira TV pública surgiu na Alemanha, em 1935. No ano seguinte, foi a vez da Inglaterra, através da British Broadcasting Coorporation (BBC), inaugurar a televisão pública. Durante a II Guerra Mundial, as transmissões foram interrompidas, voltando a se restabelecer somente em 1946. Na América, a primeira transmissão só foi feita em 1939. E também ficou paralisada durante a Guerra. Nesse período, intensifica-se a discussão sobre a relevância da televisão, visto que ela foi desenvolvida como meio de propagar a informação, de maneira que não viesse a ferir a conduta de ética que cercava a sociedade. Para tanto, seria necessário que a programação.
(19) 19. televisiva fosse custeada com recursos oriundos da própria televisão. A solução encontrada pela Grã-Bretanha para utilizar o meio televisivo como forma de divulgação cultural era cobrar uma taxa mensal do telespectador para que este tivesse acesso à transmissão de informações de interesse público. Esse sistema de cobrança de uma taxa mensal já era utilizado no rádio, porém de forma diferente, pois qualquer pessoa que possuísse um rádio deveria pagar uma taxa, da qual metade seria destinada ao governo e a outra metade para a BBC, que era responsável por manter no ar uma programação de qualidade voltada ao interesse da sociedade. Isso se dava, porque as empresas que vendiam os aparelhos de rádio decidiram fundar a British Broadcasting Corporation. A BBC existe desde 1926 e é uma companhia transformada em corporação pública. Atualmente, ela mantém doze canais de televisão, todos com a mesma proposta de informar fatos de interesse público. Na televisão, assim como no rádio, ou em outros veículos de comunicação, não existe apenas o fator cultural como fonte de interesse. Nas palavras de Leal Filho (1997, p.17): As três razões apresentadas para explicar a adoção do modelo público na Europa ocidental, embora formuladas por fontes diferentes, não podem ser consideradas excludentes. Na verdade há sempre um conjunto de razões culturais, políticas e técnicas envolvidas nessa escolha.. Mas, sendo a televisão uma prestadora de serviços públicos, o fator técnico, político e econômico estão implícitos em sua caracterização. Laurindo Leal (1997, p.18), diz que o serviço “indica a existência de uma necessidade da população que precisa ser atendida. E público porque, segundo os idealizadores do modelo, é um atendimento especial que não pode ser feito por empresas comerciais ou órgãos estatais”. A necessidade que a sociedade tem em receber e transmitir informações, parte para o campo político no que diz respeito às concessões e à legislação vigente. E também, parte para o campo econômico, visto o desenvolvimento de novos produtos que são expostos e comercializados através da publicidade televisiva. Sobre essa temática, Sérgio Caparelli (1982, p.11) considera que: (...) sua eficácia pode ser mesmo dimensionada de acordo com sua produtividade econômica e sua produtividade política. Produtividade econômica, porque a televisão integra o setor econômico, reproduzindo o capital investido neste setor da indústria cultural. Nas mãos da classe dominante, ela é um meio de produção da mais valia. No entanto, seu produto é sui generis, porque, híbrido utiliza mão de obra física intelectual e que se redimensiona na fase de consumo..
(20) 20. Ainda levando como referência o poder que a televisão tem de redimensionar o produto a ser consumido, Sérgio Mattos esclarece que, dentre os vários fatores relevantes à manutenção da TV, destaca-se que a televisão depende da cultura, da economia, da política e da tecnologia. Por isso ela consegue distrair, entreter e informar o telespectador, além de colaborar com a sustentação e com o desenvolvimento do capitalismo. Para o autor (2002, p.66): (...) além de divertir e instruir, a televisão favorece aos objetivos capitalistas de produção, tanto quanto proporciona novas alternativas ao capital como quando funciona como veículo de valorização dos bens de consumo produzidos, através das publicidades transmitidas. Além de ampliar o mercado consumidor da indústria cultural, a televisão age também como instrumento mantenedor da ideologia e da classe dominante.. Dessa maneira, nota-se que a televisão, mesmo dependente de alguns suportes, ainda mantém seu propósito de manter informado o telespectador. Por outro lado, ela sustenta um sistema de troca, visto que o que a move são os rendimentos oriundos da publicidade televisiva. Antes da criação da televisão, o cinema estava em expansão no mundo todo. Mas com o advento da televisão, o cinema que até o momento ia muito bem, se viu diante de uma ameaça (no Brasil, o cinema não dispunha de tantos apetrechos quanto os apresentados nos filmes hollywoodianos). Com a expansão da televisão, o cinema, até então com recordes de público, se viu prejudicado e tentou resistir as transmissões de filmes nesse novo veículo. Segundo Straubhaar e LaRose, que tratam sobre o assunto (2004, p.96):. A indústria de cinema inicialmente lutou contra a televisão e não permitiu que os seus novos filmes fossem liberados para a televisão. Os filmes produzidos após 1948 tinham cláusulas em seus contratos que proibiam liberação para a televisão. A indústria de cinema era muito ligada às redes de salas de cinemas em que exibiam filmes, e a televisão rapidamente cortou esse faturamento.. Mesmo com linguagens distintas, com meios tecnológicos e públicos diferentes e, além de produzir uma leitura diferenciada por parte do público, a televisão e o cinema se viam em um impasse. As pessoas iam ao cinema ver a atuação dos atores que, muitas vezes, eram seus ídolos. A forma mercantil com que o cinema lucrava em cima da veneração do público estava perdendo espaço, visto que a televisão começava a apresentar imagens parecidas com as das.
(21) 21. películas. A respeito dessa perda de território do cinema para a televisão, Walter Benjamin (1985, p.239) afirma que: (...) o cinema constrói artificialmente, fora do estúdio, a “personalidade” do ator: o culto da “estrela”, que favorece o capitalismo dos produtores cinematográficos, protege essa magia da personalidade, que há muito já está reduzida ao encanto pobre de seu valor mercantil.. Passada a euforia proporcionada pelo advento da televisão e de todas as comodidades proporcionadas por ela, o cinema muda seus critérios e começa, novamente, a ser enxergado como um grande meio de entretenimento, uma fonte de lazer e cultura. Assim, foi visto que a televisão e o cinema apenas tinham em comum a utilização de imagens e sons. Contudo, no quesito produção técnica, estavam longe de serem confundidos. Sobre essa temática, Regina Mota, (2001, p.29) se coloca dizendo que: (...) após tentar aprimoramento de sua performance ao vivo durante quase uma década, repetindo os mesmos erros vindos do acaso, a televisão se volta para a técnica cinematográfica, com o intuito de controlar a produção, para livrá-la do incômodo dos incidentes “em direto”. Mas essa escolha impôs novos problemas ligados a custos e prazos de execução. A televisão já estava no ar e precisava de material imediato. Não podia, além disso, dar-se ao luxo do perfeccionismo característico da arte cinematográfica.. Embora o cinema tenha sido atingido pela televisão em questão de público, mais tarde se notou a importância de ambos. De um lado estava a TV como um forte meio de informação, do outro o cinema com seu alto nível de entretenimento. De acordo com Orain apud Regina Mota (2001, p.29), “o cinema aprendeu a fazer bem a televisão e essa respondeu mostrando como se pode fazer rápido e barato”. Assim, grandes produtoras de filmes foram formadas e começaram a criar programas de TV. Nas palavras de Straubhaar e LaRose (2004, p.96), “a Disney começou produzindo programas para a televisão em 1954, e outros estúdios a seguiram. Em 1961, o boicote de filmes para a televisão havia acabado”. A televisão tentou utilizar os padrões cinematográficos de qualidade e perfeição, enquanto o cinema deu o pontapé inicial na criação de programas tele visivos. Para que a TV fosse difundida pelo mundo todo, foi preciso fazer uma padronização. Assim, em 1941, os 15 fabricantes de televisão montaram o Comitê Nacional de Sistema de Televisão, conhecida por National Television Systems Committee (NTSC) para padronizar a televisão preto e branco. A sigla NTSC representa a padronização técnica pelo Comitê Nacional de Sistemas de Televisão norte-americana. Outro sistema desenvolvido é o PAL,.
(22) 22. criado na Alemanha e utilizado nos televisores brasileiros. Apenas em 1952 seria estabelecido um sistema para televisão em cores, ainda no mesmo ano, foram estabelecidos os parâmetros de freqüência. A VHF (Very Hight Frequency) que abordaria de 2 a 13 canais, enquanto a UHF (Ultra Hight Frequency) abordaria de 14 a 83 canais, mas esse número, mais tarde, foi reduzido para 69 canais. Desde o advento da televisão, a venda do aparelho televisor, nos Estados Unidos, cresceu radicalmente. Em 1948, eram 250 mil televisores e esse número subiu, em 1952, para 17 milhões. Esse dado aponta que em pouco mais de três anos, 16 milhões e 750 mil televisores foram comprados apenas nos Estados Unidos. Straubhaar e LaRose (2004, p.94), que estudaram esse fenômeno afirmam que “a disseminação da televisão nos Estados Unidos foi uma das mais rápidas e amplas difusões de uma inovação em toda a história”. No final dos anos 70 aparece uma outra versão da tecnologia televisiva. A TV convencional agora se vê entre dois fortes concorrentes que estavam em expansão, a TV a cabo e o videocassete. Pesquisadores apontam que: Quase todos os lares americanos têm ao menos uma televisão (98,3%) e quase todas são em cores (98%). Cerca de dois terços dos lares têm dois ou mais aparelhos de televisão, mais de dois terços têm controle remoto (para facilitar o chamado Zapping) e mais de quatro quintos têm gravadores de videocassete. Em cerca de 64% das casas americanas, a televisão transmitida pelo ar (broadcast television) tem de concorrer com a TV a cabo (STRAUBHAAR E LAROSE, 2004. p.109).. É perceptível a formação de novos segmentos iniciada pela TV a cabo. Por outro lado, cada um desses segmentos – o vídeo, a TV convencional e a TV a cabo – mantêm seus espaços. A televisão a cabo obteve bastante sucesso, principalmente, pelo fato de tentar fazer televisão de uma forma que fugisse da maneira tradicional, que era seguido pelas redes convencionais. Essa busca por modos alternativos ganhou espaço, especialmente com a criação da HBO (Home Box Office), em 1975. De outro lado, o videocassete já se tornava popular nos anos 80, visto que era um aparelho revolucionário que permitia ao telespectador gravar seus programas favoritos para que fossem assistidos posteriormente. No Brasil, a regulamentação da TV a cabo é considerada entre as mais democráticas do planeta. A Lei 8.977 abre perspectivas para o exercício da cidadania, para o aumento do mercado profissional para comunicólogos e para a regionalização de uma parte da programação televisiva..
(23) 23. 1.1 TV brasileira como um grande meio de informação. Por muito tempo, o rádio desempenhou papel importante na sociedade brasileira, pois era o único meio de transmissão de informações, notícias, entretenimento e música. Por este motivo, o surgimento da TV provocou uma verdadeira revolução no conceito de comunicação. Como já foi dito, a televisão uniu a imagem produzida pelo cinema com o som produzido pelo rádio, o que despertou grande fascínio e influência na vida das pessoas. Para McLuhan (1964, p.82), esse novo meio de comunicação: [...] é coisa bastante diferente do efeito narcótico e de entorpecimento das novas tecnologias, efeito que reduz a atenção enquanto a nova forma força os portões do julgamento e da percepção. A inserção de uma nova tecnologia na mente grupal requer uma cirurgia social maciça, e é obtida embutindo-se o disposit ivo de entorpecimento.. A introdução dessa “cirurgia social maciça” a que McLuhan se refere foi introduzida no Brasil pelas mãos de Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, mais conhecido por Assis Chateaubriand, um dos homens mais poderosos da sociedade brasileira entre os anos de 1949 e 1960. Ele era dono dos Diários Associados, império midiático que vinha se expandindo desde 1930, e que era composto por revistas, estações de rádio e jornais. Com o intuito de substituir o rádio por esse novo meio de comunicação, Assis Chateaubriand foi o pioneiro da televisão no Brasil, criando, em 1950, a antiga TV Tupi. Contudo, essa transição do rádio para a televisão não ocorreu de imediato, isso porque, no Brasil, não havia técnicos de televisão e, também, não havia apresentadores preparados para atuar frente às câmeras. Sendo assim, vários técnicos radiofônicos tiveram que aprender a nova função a fim de atuar no meio de comunicação que acabara de chegar ao país. Os artistas do rádio também migraram para a televisão, primeiramente transportando integralmente o programa do rádio para a TV e, posteriormente, criando novos quadros. Inserindo a televisão em contexto mundial, Sérgio Caparelli (1986, p.11) fala que:. (...) a televisão brasileira surge na época de um reordenamento da economia mundial, marcado principalmente pela hegemonia que os Estados Unidos adquirem a nível mundial em detrimento da Inglaterra, após a Segunda Guerra Mundial. Essa época se caracteriza pela cristalização de tendências na economia , ocorridas desde fins do século passado, com a oligopolização do mercado, concentração e fluxo internacional de capitais e desenvolvimento desigual e combinado a nível planetário..
(24) 24. É nesse contexto de reestruturação da economia mundial que ocorreu a inauguração oficial da TV no Brasil, está se deu no dia 18 de setembro de 1950, com a transmissão da orquestra do maestro George Henry, na TV Tupi, em São Paulo (primeira estação de televisão da América do Sul). Mas, já havia acontecido uma transmissão experimental no dia 5 de julho do mesmo ano. O programa que deu início às transmissões de televisão no país pode ser caracterizado como de variedades, pois reunia humor, musicais, esportes e orquestras, além de explicar ao público o que era a televisão. É fácil compreender que, na época, o funcionamento da televisão era pouco conhecido, por isso havia a necessidade de explicar seu funcionamento durante a programação. No início da década de 50, apenas três países tinham disponibilidade de transmissão de forma regular: França, Estados Unidos e Inglaterra. Neste ranking o México segue à frente do Brasil por uma diferença de apenas 18 dias. No dia seguinte ao da primeira transmissão oficial, foi ao ar o primeiro telejornal brasileiro, Imagens do Dia. Dois anos depois, surgiu o Telejornal Panair, fruto da TV Tupi. E em 1º de abril de 1952, surgiu o Repórter Esso 2 que marcou o horário nobre da época e era patrocinado pela empresa norte-americana de petróleo Esso, está mantinha a mesma linha de programa em vários outros países além do Brasil. O Repórter Esso ficou no ar até 1970 e ajudou a consolidar o jornalismo dentro da televisão. Caparelli (1982, p.122), faz uma transposição do tempo para explicar sobre o funcionamento dos primeiros telejornais: [...] voltar os olhos aos anos 50, quando apareceram os primeiros telejornais, traz a percepção do caminho andado: de um telejornal simples – transposição de pessoas, métodos e processos de rádio – a uma linguagem televisiva para narrar os acontecimentos e toda uma parafernália apta a varrer os quatro cantos do globo em busca de notícias.. O jornal da TV Tupi, Repórter Esso, esteve no ar por 18 anos. De acordo com Esquenazi (1993, p.25), a falta de recursos e a forma de se fazer o programa televisivo eram diferentes do modo que se faz hoje em dia. Pode-se considerar que um comercial, atualmente, não é retirado para dar espaço para as notícias. O inverso do que acontecia antigamente, eles. 2. O Repórter Esso foi criado para dar notícias da guerra e também para atrair o povo brasileiro para a causa aliada. Esse noticiário não era redigido na Rádio Nacional, que fica ainda hoje na Praça Mauá. Era redigido na Cinelândia, que fica seguramente a três quilômetros de distância. Vinha um ciclista subindo a Avenida Rio Branco e entregava o noticiário, no 22º andar do edifício A Noite, na Rádio Nacional, minutos antes do Repórter Esso entrar no ar. Extraído do site http://www.radiobras.gov.br/nacionalrj/especialnacrj/html/robertosalvador.php > acesso em 1001-2009.
(25) 25. retiravam o comercial para aumentar o tempo de uma notícia com grande repercussão. Para Rose Esquinazi (1993), era um jornal sem padrões estabelecidos de tempo, já que: [...] tinha uma abertura de 20 segundos, 10 minutos de noticiário sem intervalos, 30 segundos de comercial da Esso e mais 20 segundos de encerramento. Nos grandes acontecimentos, como guerras, retiravam o comercial e o telejornal crescia para meia -hora.. A TV norte-americana foi se moldando com base na indústria cinematográfica. Já, a brasileira se desenvolveu a partir da influência do rádio, uma vez que utilizava o mesmo formato da programação radiofônica, os mesmos técnicos e os mesmos artistas do rádio. Para tanto, a TV necessitava de uma linguagem diferenciada, os profissionais do rádio que migraram para a TV, tinham inicialmente, muita dificuldade para lidar com esse novo veículo, que viria a se tornar o principal meio de informação do Brasil. A falta de recursos e de profissionais qualificados comprometia a qualidade do trabalho. Dessa forma, o apresentador somente lia as notícias que vinham do rádio e do jornal impresso. Além de fazer uso do improviso, já que naquela época, no Brasil, não existia o recurso do vídeo tape e tudo era feito ao vivo. Após o surgimento da TV Tupi, outras emissoras foram surgindo: TV Paulista3 (14/03/1952), TV Record 4 (27/09/1953) e a TV Tupi do Rio de Janeiro (20/01/1951). Até 1957, existiam no país dez emissoras, a partir de 1959, elas se expandiram também para Bauru, Belo Horizonte, Porto Alegre e Ribeirão Preto. Em 1960, surge o vídeo tape, o que facilitou o trabalho na TV. Comerciais que antes eram feitos ao vivo, com a ajuda do vídeo tape, passaram a ser gravados. É na década de 60 que surge a Rede Globo 5 de Televisão que, mais tarde, viria a ser considerada a maior TV do Brasil. 3. A TV Paulista antecedeu a Globo nos anos 60. Com o surgimento da TV Globo carioca, o grupo de Roberto Marinho precisava de uma emissora em São Paulo para formar a sonhada rede. Acabou comprando-a. Suas transmissões se iniciaram em 14/03/1952, e os primeiros programas foram telenovelas, telejornal diário, o Circo do Arrelia, entrevistas e músicas. Os estúdios eram minúsculos, na Rua da Consolação, e os equipamentos obsoletos. Extraído do site http://www.sampaonline.com.br/colunas/elmo/coluna2001mar09.htm > acesso em 20-12-2008 4. A Rede Record de Televisão é uma rede de TV aberta do Brasil fundada por Paulo Machado de Carvalho em 1953, sendo a mais antiga emissora em atividade, já foi a maior emissora e hoje ocupa o 2º. lugar nas pesquisas. No final da década de 80, a emissora que pertencia ao Grupo Silvio Santos foi vendida ao empresário Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus. Extraído do site http://www.microfone.jor.br/hist_record.htm > acesso em 20-12-2008. 5. A Rede Globo é uma rede de televisão brasileira que iniciou as atividades em 26/04/1965, no Rio de Janeiro. Foi fundada e dirigida por Roberto Marinho. Apos sua morte em 2003, os filhos assumiram o controle. Atualmente, é uma das maiores de toda a América e a quarta maior do mundo, assistida por 80 milhões de pessoas diariamente..
(26) 26. O advento da televisão no país despertou o interesse de várias pessoas, inclusive de anunciantes estrangeiros. Esse fato se deu por causa das reformas bancárias que estipularam regras e leis específicas para anunciantes brasileiros que queriam colocar seu produto na televisão. Com essa regulamentação, o Estado começou a ter controle legal sobre a TV, pois estava sofrendo pressões econômicas. Dessa forma, a busca pelo capital estrangeiro foi se intensificando, o que proporcionou o aumento da dívida externa e da dependência tecnológica do Brasil com relação a outros países. A dependência de anunciantes estrangeiros também aumentou, visto que estes se tornaram os mais importantes anunciantes da televisão brasileira. A televisão não demorou muito para se consolidar e cair nas graças do público brasileiro, embora, em princípio, fosse considerada como um artigo de elite por causa de sua programação e do alto valor que era preciso para adquirir um aparelho televisor. Para Sandra Reimão (2006, p.21): [...] a TV brasileira em seus primeiros anos é considerada como sendo “elitista”: teatro clássico e de vanguarda, música popular e erudita e alguns poucos shows mais populares. Nesses primeiros anos, o próprio aparelho de TV era um objeto apenas possuído pela elite.. Com o passar do tempo e com as transformações e melhorias no cenário televisivo nacional, a TV se tornou o principal meio de informação do povo brasileiro, atingindo todas as classes sociais. Fato que pode ser constatado analisando o número de televisores vendidos no país, conforme apontam Borelli e Priolli (2000): De 1944 a 1998, foram vendidas cerca de 28 milhões de aparelhos quase dobrando o número existente em 1993. E o fato mais significativo é que, desse total, cerca de 6 milhões foram compradas por famílias que estavam adquirindo sua primeira televisão.. Esse aumento crescente nas vendas de televisores, em conjunto com o alto poder de informação da TV, faz com que ela seja uma grande formadora de opinião e de comportamento. Diante disso, é necessário que cada emissora esteja consciente do papel social que tem que cumprir junto à sociedade. Segundo Bezerra (1999, p.23), pode-se entender como sendo papel social da TV “o cumprimento daquilo que estabelece a Constituição Brasileira em seu artigo 221 ao regulamentar os serviços de radiodifusão: ‘(...) preferências a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas’ nessa ordem”. A televisão, ao exercer seu papel social, contribui para a formação da sociedade e para a construção de cidadãos. Dessa forma, é de grande importância que a TV seja um meio de.
(27) 27. conscient ização, visto que faz parte do processo de formação social e psicológica dos indivíduos.. 1.2 A televisão nos dias de hoje. A televisão foi introduzida no Brasil na década de 50. Naquela época, o aparelho de TV era visto como uma novidade e objeto que conotava status6 , mas aos poucos, a televisão passou a fazer parte do cotidiano de milhares de brasileiros ajudando a moldar padrões estéticos, determinando valores, comportamentos e estilos de vida. Para Ellis Cashmore (1998, p.17), “a TV pode ser considerada a invenção que refletiu, moldou e recriou a cultura do século XX. Por ser um meio incomparável de informação e formação, além de ser envolvente e acessível”. Na implantação da TV no Brasil, o número de aparelhos em cada residência era pequeno devido ao alto preço. Mais tarde, contudo, este veículo de comunicação passou a ter um preço cada vez mais acessível. Esse fato possibilitou uma expressiva ampliação de vendas de televisores. As famílias passaram a ter mais de um aparelho em casa e a TV passou a ser o veículo da mídia com maior penetração em todos os segmentos sociais. Júlio Pinto (2002), ao fazer uma reflexão sobre a imagem no mundo contemporâneo, disse que o fascínio provocado pela televisão se deve ao fato de ela trabalhar com aspectos pontuais da realidade, o que gera no telespectador, muitas vezes, a impressão de que ele está vendo a realidade propriamente dita e não uma representação dos fatos. Para Júlio Pinto (2002, p.61):. Vivemos hoje, inegavelmente sobre o jugo das imagens. Elas nos chegam o dia todo, e nos assaltam por todos os lados: os outdoors, o cinema, a fotografia, o videogame, o computador, a multi-mídia e, principalmente, e desta ninguém escapa, a televisão. É um veículo poderoso a televisão. O seu poder e o seu fascínio vêm, acho eu, da densidade e do caráter de representação verdadeira de que se reveste a imagem na telinha.. Essa colocação do autor reforça a idéia de que há uma relação recíproca entre mídia e sociedade. Essa idéia é também, defendida por Fischer (1999), que diz que a televisão tem como referencial a vida cotidiana. Para a autora, “a TV – poderíamos dizer – opera como uma espécie de processador daquilo que ocorre no tecido social, de tal forma que ‘tudo’ deve passar por ela, ‘tudo’ deve ser narrado, mostrado, significado por ela”. 6. O novo eletrodoméstico, por ser caro, permaneceu por algum tempo como privilégio das classes e camadas sociais mais elevadas..
(28) 28. Seguindo esse caminho, nota-se que o conteúdo apresentado pela TV é muitas vezes um reflexo da vida cotidiana. Para Eugênio Bucci (1958, p.29), “aquilo que o telespectador vê na tela emerge não apenas da tela em si, mas também de algo que ele, telespectador, já estava demandando antes”. Para o autor, a TV é mostrada como um veículo que se limita apenas a transportar conteúdos, servindo como um meio de passagem entre o emissor e o receptor. Para alguns autores, a televisão é considerada o meio pelo qual a informação atinge os telespectadores, e a informação é a mensagem recebida. Dessa maneira, a decodificação da informação recebida depende de fatores sócio-culturais. Nas palavras de Umberto Eco: Existe, dependendo das circunstâncias sócio-culturais, uma variedade de códigos, ou melhor, de regras de competência e interpretação. A mensagem tem uma forma significante que pode ser completada com diferentes significados. (...) Assim, havia margem para a suposição de que o emissor organizava a imagem televisual com base em seus próprios códigos, que coincidiam com aqueles dominantes, enquanto os destinatários a completavam com significados “aberrantes”, de acordo com seus códigos culturais específicos. (...) aprendemos uma coisa: não existe uma Cultura de Massa no sentido imaginado pelos críticos apocalípticos das comunicações de massa, porque esse modelo compete com os outros (constituídos por vestígios históricos, cultura de classe, aspectos da cultura transmitidos pela educação), etc. (ECO, apud GONTIJO, 2004, p.402).. O autor reforça a idéia de que há interpretação por parte do telespectador à mensagem recebida. E também, de que há uma variante do emissor que formulou tal mensagem. É uma questão de significante e significado, em que cada indivíduo envolvido no processo põe sua subjetividade.. 1.3 A ética na TV. Muito se discute a respeito da ética na televisão, visto que a TV é um poderoso instrumento de informação e está presente em quase todos os lares brasileiros. A informação se transformou em mercadoria e, embutida nesses valores mercadológicos, a notícia deve propiciar ao meio de transmissão altos índices de audiência. Na verdade, a televisão vive do que vende, mas em seu contexto ela deve oferecer boa qualidade da informação transmitida. O bom jornalismo é aquele que se aproxima ao máximo da realidade dos fatos. Que não tende a nenhum lado envolvido e, que expõe a opinião pública fatos relevantes do dia a dia. Mas não é assim que muitas vezes nós, telespectadores, vemos as coisas. Muitos jornais são tendenciosos, por buscar valores mercadológicos, tendem para o lado de maior interesse da.
(29) 29. empresa jornalística. É importante ressaltar a redoma que o jornalista ético vive dentro dessas empresas. Por um lado, ele não bate de frente com os diretores por medo de perder o emprego, por outro, a falta de ética o deixa insatisfeito com seu trabalho. Outros fatores podem levar à falta de ética no jornalismo, dentre eles se destaca a pressa dos jornalistas em fechar a matéria, que faz com que o jornalista não busque a fundo a informação de todas as partes envolvidas no fato; o domínio de um veículo de informação (monopólio), que tende a mostrar apenas o seu perfil editorial, passando por cima de outros meios; a procura pelo inusitado e a busca pelo fato exclusivo, podem até proporcionar acontecimentos ficcionais ou distorcer os fatos; e a busca desenfreada pela audiência que, muitas vezes, transforma a matéria em sensacionalista. Esses fatores distanciam muitos meios de comunicação da ética profissional. Não é possível dizer, ao certo, se a lógica do espetáculo veio antes ou depois da falta de ética nos meios de comunicação. Mas uma coisa é certa, há grande falta de ética por parte de alguns profissionais da comunicação. Ainda mais levando em conta o monopólio de algumas organizações. Muitas vezes o compromisso do jornalista com a verdade dos fatos varia de acordo com a linha editorial do jornal em que atua. Dentre os vários assuntos existentes, a edição dos programas televisivos é um dos temas mais debatidos, tanto pelos jornalistas quanto pelos telespectadores. Pois é através da edição que é selecionado o que o editor considerou importante ser visto. Um fator importante a ser discutido é a matéria sensacionalista. Elas são criadas para prender o público na frente da telinha, mas acabam extrapolando o limite da ética. Esse jornalismo duvidoso é conhecido por Imprensa Marron. Danilo Angrimani produziu um trabalho sobre esse tema, e destaca que: No Brasil quando se quer acusar pejorativamente um veículo, o termo utilizado é “imprensa marron”, possivelmente uma apropriação do termo francês para procedimentos não muito confiável. (...) O senso de “marron” como coisa ilegal, clandestina, aparece no final do século XIX na França. Segundo o “Dictionnarie des Expressions et Locution Roberts”, a origem do possível termo marron teria sido uma apropriação do adjetivo cimarron, que se aplicava na metade do século XVII aos escravos fugidos ou em situação ilegal. De acordo com a enciclopédia Larousse, trata-se de um adjetivo aplicado a pessoas que exerçam uma profissão em condição irregular, “médicin marron”, “avocat marron”. A expressão “imprensa marron” ainda é amplamente utilizada quando se deseja lançar suspeita sobre a credibilidade de uma publicação (ANGRIMANI, 1994).
(30) 30. Seguindo este pensamento, deve-se levar em consideração que as matérias plantadas dentro do jornal também dificultam o trabalho do bom jornalismo. Geralmente, essas matérias plantadas vêm através de mailings e chegam como pauta ou como matéria já pronta, mesmo que não tenham valor noticioso, o que direciona muito e torna tendenciosa a informação. E também, muitos jornalistas nem lêem o que foi escrito pelo assessor de imprensa, e divulgam informações sem prévias correções. Dessa forma, Bacellar e Bistane (2006, p.49) analisam que: [...] transformar press release em matéria é conveniente para as assessorias e também para os pauteiros, que trabalham num ritmo acelerado e têm que dar conta de vários telejornais por dia. Mas, sendo uma das funções do jornalismo dar a voz à sociedade, os sem-assessores de imprensa ficam em desvantagem. E o que parece uma facilidade criada para os jornalistas pode deturpar o trabalho de quem deveria buscar a notícia, encontrar personagens, escolher entrevistados.. Mesmo com tantas dificuldades existentes na prática do trabalho dos jornalistas um outro fator que atravanca a ética profissional é o ‘jabá’, também conhecido como ‘jabaculê’, que representa o aliciamento de jornalistas para ter um parecer favorável sobre determinado assunto. No intuito de criminalizar a prática do jabá no país, a Lei 1.048, de 2003, está em tramitação na Câmara Federal e amplia o Código Brasileiro de Telecomunicação com a Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962. Mesmo com tantas brechas para fugir do jornalismo ético, em 1987, entrou em vigor o Código de Ética dos Jornalistas, aprovado pelo Congresso Nacional dos Jornalistas. Este código estipula como deveria ser a atuação ética do profissional, inclusive impondo punição a jornalistas que burlarem o código. Servindo-se do papel de informar a população de fatos de interesse público, a mídia é considerada o quarto poder, juntamente com os poderes executivo, legislativo e judiciário. É função da mídia fiscalizar o poder público e o poder privado, mostrando transparência em suas atividades sociais, políticas e econômicas. Para que o trabalho de informar e mostrar transparência se concretize, são necessárias fontes que cedam informações à mídia. A essas fontes, é assegurado o direito de sigilo, visto que podem sofrer represálias caso sejam identificadas. O sigilo de fontes regula a livre manifestação do pensamento e informação no Brasil e está assegurado pela Lei 5.250/67, também conhecida como Lei de Imprensa..
(31) 31. 2. O IMPÉRIO ORGANIZAÇÕES GLOBO. Para analisar o objeto proposto neste trabalho, o Jornal Nacional, faz-se necessário compreender primeiro em que cenário ele está inserido e quais componentes o cercam. Começando pelo surgimento da Rede Globo, indo em direção a criação do Jornal Nacional e chegando até os dias atuais. A primeira concessão com o nome ‘Globo’ foi feita através do Decreto de número 42.946, em 30 de dezembro de 1957, como explica Carlos Eduardo Lins Silva, no livro ‘Muito Além do Jardim Botânico’. Mas em se tratando de nomenclatura, no Rio de Janeiro, já havia o Jornal O Globo, também pertencente à família Marinho. Nesta mesma data, o presidente Jucelino Kubitschek deu autorização para a Rádio Globo se estabelecer como radiodifusora no Rio de Janeiro. A partir de então a Globo S.A. se desenvolve u tecnicamente, conseguindo, em oito anos, contados após a concessão da Rádio Globo, fundar a Rede Globo de Televisão. Nas palavras de Temer (2002, p.13): [...] a história das empresas Globo de comunicação, um conglomerado que já em 1992 somava mais de 100 empresas e empregava cerca de 20 mil funcionários (...) começava bem antes da Rede Globo de Televisão. O jornal O Globo, solidamente instalado no Rio de Janeiro, existe desde 1925 e em 1944 é inaugurada a Rádio Globo.. Após a experiência no jornal e na rádio, foi a vez de iniciar uma nova forma de comunicação midiática. A Rede Globo de Televisão teve início no dia 26 de abril de 1965 e funcionava em um prédio antigo no Jardim Botânico no Rio de Janeiro. Nesta mesma data, precisamente às 11 horas, no canal 4 do Rio de Janeiro, dava-se início a consolidação de um grande império de comunicação. Em 1966, a Rede Globo comprou o canal 5 em São Paulo, canal que funcionava a TV Paulista, de propriedade das organizações Vitor Costa. E, a partir de 1968, a emissora se expandiu para Belo Horizonte e também para Brasília. Essa rápida expansão deu origem ao grande conglomerado conhecido como Organizações Globo. De acordo com Carlos Eduardo Lins da Silva (1985, p.30), a Globo:.
(32) 32. [...] em menos de quatro anos assumiria a liderança absoluta de audiência, a ponto de convertê-la em virtual monopólio e tornar comum a acusação de que se transformara numa espécie de um ministério extra-oficial da informação no País.. Quase um ano após na inauguração da Globo, o dono da emissora, Roberto Marinho, assinou um acordo de parceria com o grupo Time Life. O grupo Time Life é uma empresa norte-americana que investi em emissoras de televisão na América Latina. Mesmo após a parceria com a Time Life, já concretizada, ainda demorou cerca de três anos para que a TV Globo começasse a funcionar. Esse contrato entre Globo e Time Life garantiu que a televisão brasileira recebesse 5 milhões de dólares e, também, assistência técnica com pessoal especializado e equipamentos adequados. Enquanto a Globo firmava seus passos e lutava por novos espaços dentro da comunicação, graças ao contrato com a Time Life, a TV Excelsior estava com sua concessão cassada. Isto por que a família Simonsen (dona da TV Excelsior) mantinha ligações políticas com o governo de João Goulart que perdeu o cargo de presidente do país ao ser deposto pelo golpe militar em 1964. Com essa situação, instala-se um conflito entre os interesses da emissora nacional, com capital estrangeiro, e emissora nacional, com capital nacional. Em meio a tantas polêmicas, a Rede Globo sofreu duras críticas do Grupo dos Diários Associados, dirigido por Assis Chateuabriand, dono da mais antiga emissora brasileira, a TV Tupi e, também, detentor de um império que compreendia quase 100 empresas, dentre elas jornais, emissoras de rádio e de televisão, revistas, agências de notícias, etc. Dentre as dificuldades encontradas pela Globo estava também a necessidade de se adaptar à realidade sócio-cultural brasileira, da qual os padrões norte-americanos, seguidos até então, não disponibilizavam de modelos. Para Otto Lara Resende, citado por Borelli e Priolli no livro ‘A deusa ferida’ (2000, p.82): [...] o modelo da Globo é o modelo de uma cadeia americana, até na publicidade. Tudo, até o linguajar, é americano, a determinação de que um documentário tem 40 minutos, porque a atenção do espectador comum dura 12 minutos por segmento, tudo isso vem estudado e cronometrado dos EUA.. Mesmo com esse escândalo sobre da parceria entre Globo e Time Life ganhando visibilidade nos jornais e seguindo para o poder legislativo, a emissora tratava de ganhar a audiência enraizando, nos brasileiros, o hábito de assistir a televisão. Firmando, desse forma, sua programação. Assim, o telespectador saberia o quê assistir em determinado horário. Segundo Maria Rita Kehl (1986, p.175), “no dizer de Mauro Salles, a Globo foi ‘cercando.
Documentos relacionados
Avaliar a preocupação dos cadetes com o planejamento financeiro e a busca de conhecimento sobre este assunto para buscar semelhanças com um universo de oficiais
5 Eficácia de Simparic e afoxolaner contra carrapatos (Rhipicephalus sanguineus) em cães após 24 h7. Simparic x Fluralaner Simparic
Aproveite as novas tecnologias que serão lançadas nos próximos anos para aumentar o tempo de produção e a disponibilidade global do equipamento (OEE, na sigla em inglês), reduzir
Há também algumas coisas que devem ser guardadas dentro da Tradição porque para passá-las só verbalmente (ou por escrito) podem levar as pessoas a ter a impressão de que
Nós queremos alertar sobre a importância de cuidar da sua mente e passar algumas dicas e informações sobre o assunto para que você possa viver melhor e também ajudar quem mais
Tendo como proposta interligar a memória com aspectos da vida cotidiana e valo- rizar a consciência sobre construção de identidades culturais nos visitantes, acredi- tamos que
Isso, se “no meio do caminho”, o Governo não mudar a regra do jogo e subir a expectativa da vida, para um número maior, elevando de cara a idade mínima para 70 e 72 anos
Para a questão 3, entretanto, os alunos deverão ser capazes de fazer uma análise mais profunda, estabelecendo relações entre o texto de Mário de Andrade e o conteúdo principal a