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A utilização do quadro interativo multimédia nas diferentes áreas curriculares: relatos de estágios no 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico

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Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

A Utilização do Quadro Interativo Multimédia nas diferentes

Áreas Curriculares: Relatos de Estágios no 1º e 2º Ciclos do

Ensino Básico

Relatório Final de Estágio

para a obtenção de grau Mestre em Ensino do 1.º e 2º Ciclos do Ensino

Básico

Sara Daniela Leite Monteiro

Orientadora: Doutora Ana Maria de Matos Ferreira Bastos

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Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

A Utilização do Quadro Interativo Multimédia nas diferentes

Áreas Curriculares: Relatos de Estágios no 1º e 2º Ciclos do

Ensino Básico

Relatório Final de Estágio

para a obtenção de grau Mestre em Ensino do 1.º e 2º Ciclos do Ensino

Básico

Sara Daniela Leite Monteiro

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Dedico este trabalho aos meus pais,

por todo o esforço que fizeram

para concretizar este meu sonho.

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ii

Agradecimentos

Este relatório final resulta de um culminar de um longo período académico onde várias pessoas me ajudaram de forma direta ou indireta. Serão, certamente, poucas as palavras para agradecer às pessoas e instituições que me ajudaram e que sem as quais o presente trabalho não teria sido possível. Desde já agradeço:

Ao magnificente reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, por permitir que este curso se tornasse uma realidade;

À minha orientadora Professora Doutora Ana Maria Bastos, expresso a minha extrema gratidão por ter contribuído para a minha formação. Ao apoio que foi indispensável para o desenvolvimento do relatório e por toda a atenção e tempo que disponibilizou. Mas mais que tudo agradeço por toda a confiança que depositou em mim ao longo deste percurso;

À Professora Natália Lopes pelas várias deslocações que fez e pelo tempo que disponibilizou, para me ajudar numa fase inicial deste percurso e, ainda, pela atenção que sempre demonstrou;

A todos os Professores cooperantes pela sua sinceridade, disponibilidade e envolvimento durante o desenvolvimento do meu estágio;

Aos docentes da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro que me transmitiram conhecimentos de grande importância;

Às minhas amigas e companheiras de escola que simpaticamente manifestaram o seu apoio, curiosidade pelo meu trabalho e alguma paciência para me ouvirem. E sobretudo pela amizade, disponibilidade, ajuda, companheirismo e pelo convívio que construíram momentos que se tornam inesquecíveis.

Aos meus pais por construírem os meus referenciais de empenho, esforço e determinação. Eles são um exemplo e apoio fundamental, ajudaram-me a ultrapassar diversas dificuldades com que me deparei durante o meu percurso académico e são sem dúvida os responsáveis por tornar este meu sonho realidade.

Ao meu irmão por toda a paciência e colaboração que demonstrou em diversas fases deste caminho.

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iii

Ao meu namorado por toda a compreensão dedicação e apoio nos momentos mais difíceis. Por todos os momentos que me mostraram que ele é o meu porto seguro e que mesmo no meio das dificuldades existe sempre um lado bom.

À minha prima Ana, que é como uma irmã, e acompanhou todo o meu percurso. Agradeço pela excelente ouvinte e conselheira que é e foi. Por todas as noites mal dormidas para me ajudar sempre que foi necessário.

A todos os meus sinceros agradecimentos!

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iv

Resumo

Este trabalho tem como objetivos relatar de forma crítica a prática de ensino supervisionada nos contextos do 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico, destacando a utilização do Quadro Interativo Multimédia. O quadro interativo traz uma nova dimensão tecnológica para a sala de aula e vem renovar as discussões sobre a utilização das tecnologias no contexto educativo.

Em Portugal o programa que trouxe para as escolas o quadro interativo foi o Plano Tecnológico da Educação, que prevê o reforço dos recursos tecnológicos existentes nas escolas portuguesas e consequentemente a distribuição dos quadros interativos pelas salas de aula.

Com o quadro interativo o professor encontra um grande aliado para a superação de várias dificuldades dos alunos, desenvolvendo a participação, motivação e cooperação entre as crianças, que aprendem a respeitar-se e a relacionar-se uns com os outros.

Alinhados com a modernização tecnológica e com a problemática da inserção dos quadros interativos multimédia, desenvolveu-se o relatório, que no seu essencial, se centra nas formas como o quadro interativo pode ser rentabilizado nas diferentes áreas curriculares, em benefício de um ensino mais desafiador, rico e propício a aprendizagens significativas. Com esta experiência é possível concluir que o uso do quadro interativo traz benefícios para as aprendizagens dos alunos, tornando-os mais motivados para o ensino.

Palavras-chave: Quadro Interativo Multimédia; Prática de Ensino Supervisionada; 1º

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v

Abstract

This study aimed to report critically supervised teaching practice in the contexts of the 1st and 2nd cycles of Basic Education, highlighting the use of Interactive Whiteboard Multimedia. The interactive whiteboard technology brings a new dimension to the classroom and comes renew discussions on the use of technology in the educational context.

In Portugal the program that brought schools the interactive whiteboard was the Technological Plan for Education, which provides for the strengthening of existing technological resources in Portuguese schools and consequently the distribution of interactive whiteboards for classrooms.

With the interactive whiteboard the teacher is a great allyto overcome various difficulties of students, developing participation, motivation and cooperation among the children, who learn to respect themselves and to relate to each other.

In line with the technological modernization and the issue of integration of multimedia interactive whiteboards, the report was developed, which in essence, focuses on ways that interactive whiteboards can be monetized in different curriculum areas for the benefit of a more challenging teaching, rich and conducive to meaningful learning.

With this experience we conclude that the use of the interactive whiteboard is beneficial to student learning, making them more motivated to teach.

Keywords: Interactive Whiteboard Multimedia; supervised teaching practice; 1st Cycle of Basic Education; 2nd Cycle of Basic Education

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Índice Geral

Dedicatória ………,…………...I Agradecimentos ………...II Resumo ………...IV Abstrat ……….….V Índice Geral ……….VI Índice de Imagens ………...IX Índice de Gráficos ……….X Índice de Tabelas ………..……X Lista de Siglas e Abreviaturas ……….XI

Introdução ………...………1

1ª Parte - Enquadramento Teórico ………...3

Capitulo I – O Quadro Interativo Multimédia no Processo de Ensino e de Aprendizagem …….………5

1. As Tecnologias de Informação e Comunicação no Ensino ………5

1.1 A sociedade da Informação e do Conhecimento e a Integração das TIC no ensino…...5

1.2 A integração das TIC nas escolas portuguesas: a importância do Projeto Minerva e do Plano Tecnológico da Educação ………...………9

2. Os Quadros Interativos Multimédia no processo de ensino e de aprendizagem ...15

2.1 As caraterísticas do QIM…………..………..………15

2.2 Os QIM e software existentes no mercado………18

2.3 Potencialidades pedagógicas do QIM ………...…19

2.4 Limitações do uso do QIM ………...22

2º Parte - Intervenção Pedagógica ………25

Capítulo II – Relatos de Estágio ………...27

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vii

2. Caracterização do Meio, da Escola, da Sala e da Turma de Alunos do 1º CEB …29

2.1 Caraterização do Meio do Centro Escolar Araucária ……….29

2.2 Caraterização do Centro Escolar da Araucária ……….…29

2.2.1 Espaço Exterior do Centro Escolar ……….30

2.2.2 Espaço Interior do Centro Escolar ………..30

2.3 Caraterização do Ambiente Educativo do 1º CEB ………...31

2.3.1 A sala ………31

2.3.1.1 Espaço Horizontal……….………...31

2.3.1.2 Espaço Vertical ………....32

2.3.2 A turma ……….33

2.4 Prática de Ensino Supervisionada do 1º CEB ……….36

2.4.1 Planificação diária nº1 ………..38 2.4.1.1 Previsão diária nº1 ………44 2.4.2 Planificação nº2 ………...47 2.4.2.1 Previsão diária nº2 ………53 2.4.3 Planificação diária nº3 ……….55 2.4.3.1 Previsão diária nº3 ………61

2.5 Reflexão da prática de ensino supervisionada do 1º CEB ………..64

3. Caracterização do Meio, da Escola, das Salas e das Turmas do 2º CEB …………71

3.1 Caraterização do Meio da EB 2º e 3º Ciclos Diogo Cão ………..71

3.2 Caraterização da EB 2º e 3º Ciclos Diogo Cão ………...71

3.3 Caraterização do Ambiente Educativo ………...73

3.3.1 As salas ……….73

3.3.2 As turmas ………..74

3.4 Prática de Ensino Supervisionada do 2º CEB ……….75

3.4.1 Planificação Português nº1 ………...77

(10)

viii

3.4.3 Planificação História e Geografia de Portugal nº1 ……….…………...80

3.4.4 Planificação História e Geografia de Portugal nº 2 ………...82

3.4.5 Planificação Matemática nº1 ……….83

3.4.6 Planificação Matemática nº 2 ……….87

3.4.7 Planificação Ciências Naturais nº 1 ...………..…………..90

3.4.8 Planificação Ciências Naturais nº 2 ...………..………..92

3.5 Reflexão da prática de ensino supervisionada no 2º CEB ………..95

4. A utilização do Quadro Interativo Multimédia nas Práticas de Ensino Supervisionadas ……… 99

4.1 Utilização do QIM no 1º CEB ………..….……99

4.2 Utilização do QIM no 2º CEB ……….104

Conclusão ……….111

Referências bibliográficas ………..113

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ix

Índice de Imagens

Imagem 1 – Equipamentos necessários para a utilização do QIM ……….……15

Imagem 2 - Flipchart da atividade "História em Quadradinhos" ………...100

Imagem 3 - Flipchart da atividade "Votação" ………...101

Imagem 4 - Flipchart da atividade "Descobre onde estou" ………102

Imagem 5 - Multiple choice da atividade "Sabichão da semana" ……….…104

Imagem 6 - Category sort - text utilizada na realização da ficha gramatical………....105

Imagem 7 - Timeline reveal da atividade do friso cronológico ………106

Imagem 8 – Cronómetro ………...…108

Imagem 9 - Correção do primeiro exercício de ficha utilizando o construtor de atividades………...…108

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x

Índice de Gráficos

Gráfico 1 – Total de alunos ………....33 Gráfico 2 – Idade dos Pais ………..………34 Gráfico 3 – Escolaridade dos Pais ………..34

Índice de Tabelas

Tabela 1 – Objetivos europeus e nacionais para a modernização da educação…………12 Tabela 2 – Escolaridade dos pais ……….34 Tabela 3 – Calendarização das responsabilidades ………...36 Tabela 4 – Horário de funcionamento da EB 2,3 Diogo Cão ………..73

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Lista de Siglas e Abreviaturas

AEC – Atividades Extra Curriculares

AVEDC – Agrupamento Vertical de Escolas Diogo Cão CEB – Ciclo de Ensino Básico

EB – Escola Básica

FOCO – Formação Continua de Professores

FORJA – Fornecimento de Equipamentos Suportes Lógicos e Ações de Formação de Professores

HGP – História e Geografia de Portugal ME – Ministério da Educação

PASSE – Programa de Alimentação Saudável em Saúde Escolar PRESSE – Programa Regional de Educação Sexual em Saúde Escolar PTE – Plano Tecnológico de Educação

PTT – Plano de Trabalho de Turma QIM – Quadro Interativo Multimédia

TIC – Tecnologias de Informação e Comunicação WEB – World Wide Web

et al – entre outros p. – página

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1

Introdução

Este relatório é um dos requisitos para a obtenção do grau de Mestre em Ensino do 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico, em concordância com as normas regulamentares do 2º Ciclo de Estudos em Ensino Superior.

Neste trabalho é apresentado de forma reflexiva a prática de ensino supervisionada desenvolvida nos Estágios do 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico, dando destaque ao tema “A Utilização do Quadro Interativo Multimédia nas diferentes Áreas Curriculares”. O tema do relatório surgiu no início da responsabilização no Estágio do 1º CEB, num primeiro contato que tive com o quadro interativo multimédia. Desde logo foi percetível o aumento do entusiasmo e participação dos alunos nas atividades desenvolvidas utilizando como recurso o Quadro Interativo Multimédia. A curiosidade pela descoberta das inúmeras potencialidades que este recurso tem no processo de ensino e de aprendizagem, levou-me a uma incessante procura de atividades que podem ser desenvolvidas em sala de aula e que têm benefícios para a aprendizagem dos alunos e para a motivação do professor no processo de ensino-aprendizagem.

O relatório está dividido em duas partes fundamentais, a primeira privilegia o enquadramento teórico e apresenta um capítulo, a segunda parte trata da intervenção pedagógica.

O primeiro capítulo contextualiza teoricamente o Quadro Interativo Multimédia no processo de ensino e de aprendizagem. Para um melhor entendimento do uso do QIM no ensino, foi necessário, inicialmente, compreender como as escolas integraram as Tecnologias de Informação e Comunicação no ensino, os projetos existentes em Portugal para fomentar a integração das TIC nas escolas portuguesas e, num segundo momento conhecer as caraterísticas do QIM, o software existente no mercado, as potencialidades pedagógicas e limitações do uso do QIM.

Quanto à intervenção pedagógica estão inseridos os relatos da prática de ensino supervisionada, começando por caraterizar o meio, as salas e as turmas onde decorreram o Estágio I, do 1º Ciclo do Ensino Básico, e o Estágio II, do 2º Ciclo do Ensino Básico. Seguem-se a apresentação das planificações onde o QIM teve maior destaque e a descrição e análises reflexivas das responsabilizações. Por último é feita uma descrição

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2

detalhada e reflexiva das experiências de utilização do QIM nas práticas de ensino supervisionada nos dois contextos de Estágio.

O relatório apresenta depois uma Conclusão onde se procede a uma síntese sobre todo o trabalho desenvolvido. Seguem-se as Referências Bibliográficas e, por último, os anexos com guiões de atividades desenvolvidas no âmbito dos dois contextos estágios, bem como imagens e recursos utilizados.

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1.ª Parte

Enquadramento Teórico

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Capitulo I – O Quadro Interativo Multimédia no Processo de Ensino e de

Aprendizagem

1. As Tecnologias de Informação e Comunicação no Ensino

1.1 A sociedade da Informação e do Conhecimento e a Integração

das TIC no ensino

A escola do século XXI não deve, nem pode ficar indiferente à sociedade da informação e da comunicação. A sociedade em constante mudança coloca um desafio permanente à educação, que deve ser capaz de retorquir essas mudanças, adaptando-se e promovendo a inovação e o progresso.

Como nos refere Prensky (2001), os alunos são “nativos digitais” que respiram tecnologia e maioritariamente dominam as novas ferramentas, pelo que muitas das escolas refletem o esforço que tem sido feito ao longo dos anos pelos diferentes governos, através de diferentes programas, de as equipar com computadores e quadros interativos multimédia, no sentido de acompanhar essas mudanças e possibilitar a professores e alunos terem “aulas do século XXI”. Jonassen (2007) alude ao facto de que na sala de aula devem existir ferramentas cognitivas que facilitem e estimulem as aprendizagens, as “ferramentas informáticas adaptadas ou desenvolvidas funcionam como parceiros intelectuais do aluno, de modo a estimular e a facilitar o pensamento crítico e aprendizagem de ordem superior” (Jonassen, 2007, p.21). Ainda o mesmo autor reitera que estas ferramentas “envolvem ativamente os alunos na criação de conhecimento que reflete a sua compreensão e concepção da informação, em vez de reproduzir a apresentação de informação feita pelo professor” (Jonassen, 2007, p.22). Num ambiente mais tecnológico o professor e o aluno têm oportunidade de participar num ensino diferente com diversas experiências de aprendizagem.

O professor tem ao seu dispor novas ferramentas disponibilizadas pela tecnologia, convidando-o à inovação e à mudança de práticas, podendo assim dinamizar as suas aulas tornando-as mais dinâmicas, interativas, participativas e consequentemente mais motivadoras. O principal participante no processo de ensino e de aprendizagem deve ser o aluno, devendo assumir as novas dinâmicas de aprendizagem. O professor deve ser um mediador da aprendizagem, procurando explorar as potencialidades da tecnologia e envolver o aluno em aprendizagens significativas. Todavia Fullan & Hargreaves (2001,

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6

p.34) sublinham que “por mais nobres, sofisticadas e iluminadas que possam ser as propostas de mudança e aperfeiçoamento, elas não terão quaisquer efeitos se os professores não a adoptarem na sua própria sala de aula e não a traduzirem em práticas de ensino eficazes”. Não se tornará um processo fácil para os professores, pois estes são confrontados consecutivamente com diversas tarefas de procura e exploração de recursos e têm de ser capazes de tornar a experiência da escola relevante para a sociedade. Segundo Ferreira (2009, p.17) “A sala de aula terá de proporcionar uma nova atitude face à construção do saber, centrando o processo de ensino aprendizagem na participação e desempenho do aluno”. As tecnologias inseridas na educação ajudam a estimular os alunos na reflexão, manipulação e representação sobre o que sabem, deste modo o conhecimento é construído pelo aluno e não transmitido pelo professor. É necessário auxiliar os alunos a aprender e a ter métodos de estudo, promovendo o gosto pela procura do saber e pela troca de informações.

Em pleno século XXI promove-se uma mudança de estilo nos processos de ensino-aprendizagem, onde se criem condições para a exploração e descoberta do conhecimento por parte dos alunos, desenvolvendo deste modo aprendizagens ativas e autónomas. Contudo ainda se verifica por diversas vezes estratégias de aprendizagem muito centradas no professor e no manual. Este facto leva-nos a refletir sobre as estratégias de ensino, é necessário focar a planificação curricular dando enfâse ao aluno para que este não se torne num sujeito passivo no ensino. Segundo Rosário (2004, p.27) é necessário criar um ambiente de aprendizagem onde o aluno possa “ver o mundo de outra forma, compreendendo de forma substantiva os seus “quês e “porquês”, não apenas regurgitando fórmulas e definições avulsas”.

Perante este cenário surgem as questões: o que podem as TIC fazer para melhorar a qualidade de ensino? Que contribuição podem fornecer para lutar contra o insucesso e consequentemente aumentar os níveis de aprendizagem dos alunos?

O papel da educação é de extrema importância numa sociedade que se torna cada vez mais global. E na atual política de educação é percetível a preocupação das escolas em introduzir novos meios tecnológicos para que possam enriquecer o ambiente de aprendizagem.

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7

As TIC agregam-se ao ensino de aprendizagens facultando novos espaços de criação de conhecimento que devem propor aos alunos “abordagens multidisciplinares que os preparem para lidar com as incertezas de um mundo global em que as aprendizagens e o conhecimento são os melhores instrumentos para a inserção na sociedade” (Coutinho & Bottentuit, 2008, p. 2). A tecnologia auxilia o desenvolvimento de novas formas de comunicar e de procurar informação, é de grande importância a integração das TIC no ensino uma vez que as tecnologias ajudam no crescimento e formação das crianças. O papel das escolas nesta integração é fundamental como nos refere Díaz (2009) que tendo em conta que as escolas devem crescer com a sociedade devem, portanto, garantir uma educação atualizada, que prepare os alunos com os conhecimentos e habilidades necessários para o uso de novas ferramentas tecnológicas que a sociedade digital de hoje apresenta. Por sua vez, García & Samper (2010, p.64) também reiteram que:

la escuela debe aprovechar este recurso que demanda la sociedad y los alumnos de nuestras aulas. Si en este momento son las nuevas tecnologías las que están en la vida diária, debemos ofrecer esta oportunidad a los alumnos para que conozcan todas sus posibilidades 1

As escolas devem também proporcionar o acesso aos diferentes meios de comunicação tentando assim combater as desigualdades de condições sociais. Se os alunos estiverem privados do acesso destes meios de interação no interior de suas escolas e se em suas casas também não beneficiarem de meios tecnológicos, rapidamente se verificará uma estratificação entre os alunos que têm acesso no lar e os que não têm esse benefício. Existem vários estudos que evidenciam as potencialidades da utilização das TIC em sala de aula, Díaz (2009, p.57) suportada em Alfalla, Arena y Medina (2001) refere algumas potencialidades das TIC quando integradas na prática numa sala de aula:

a) Las TIC motivan y estimulan el aprendizaje; igualmente, pueden proporcionar un entorno de aprendizaje en el que el usuario no se siente presionado o cohibido.

b) Las TIC tienen flexibilidad para satisfacer las necesidades y capacidades individuales.

c) Los ordenadores pueden reducir el riesgo de fracaso en la formación. Los usuarios que han tenido dificultades com el aprendizaje pueden sentirse alentados com el uso de TIC, ya que favorece la consecución de buenos resultados donde previamente habían fracassado.

d) Las TIC dan los usuarios acceso inmediato a una fuente más rica de información, además de presentarla de una nueva forma que ayuda a los usuarios a entenderla y a asimilarla más adecuadamente.

1 "a escola deve aproveitar este recurso exigido pela sociedade para os alunos nas nossas salas de aula. Se neste momento são as novas

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e) Las simulaciones por ordenador permiten el pensamiento sistémico sin abandonar la profundidade n el análisis. Ideas difíciles se hacen más comprensibles cuando las TIC las hacen visibles.

f) Alumnos con profundas y multiples dificuldades de aprendizaje pueden ser motivados a hacer actividades enriquecedoras y formativas. Las TIC pueden incluso compensar las dificultades de comunicación y aprendizaje de usuarios con descapacidades físicas.

g) El uso de las TIC hace que los profesores tengan una visión actual sobre cómo enseñar y sobre la formas de aprendizaje.

h) Las TIC ofrecen potencial para un trabajo en grupo efectivo.

i) Los sistemas de aprendizaje informatizado pueden ayudar a ahorrar dinero y tiempo.2

Porém, este ideal de educar numa sociedade de informação cruza-se com algumas limitações na sua integração, havendo obstáculos relacionados com o professor e também dificuldades por parte das próprias instituições.

A par de estudos realizados, Ferreira (2009) refere outros estudos como BECTA (2006), European Schoolnet (2004) e OCDE (2004) onde é evidenciada a importância das TIC enquanto meio capaz de permitir a aprendizagem e confirmam que os professores, apesar das potencialidades que as tecnologias facultam, não a usam com regularidade na sala de aula.

As dificuldades do uso das TIC em sala de aula por parte dos professores são evidentes. Num estudo sobre a Integração das TIC realizado por Casquero, García & González (2011) são apontados três grandes obstáculos à integração, aparecendo como principal obstáculo a falta de conhecimento dos professores, seguindo-se a falta de disponibilidade de tempo dos professores e por último a ausência de computadores em sala de aula. Nesse estudo são identificados como principais obstáculos dos professores a falta de confiança e a falta de capacidade em usar as novas tecnologias, aliada a esta falta de confiança está patente a falta de experiência na manipulação de novas tecnologias. O que acontece frequentemente é estes professores não utilizarem as tecnologias nas suas aulas e ainda lhes atribuem pouca utilidade. Porém, vários estudos realizados e citados por

2 "a) As TIC motivam e estimulam a aprendizagem; Além disso, podem proporcionar um ambiente de aprendizagem em que o aluno

não se sinta pressionado ou constrangido.

b) As TIC têm a flexibilidade necessária para atender às necessidades e habilidades individuais.

c) Os computadores podem reduzir o risco de falha na formação. Os alunos que têm dificuldades de aprendizagem podem ser encorajados a utilizar com as TIC, porque promovem a realização de bons resultados onde eles haviam falhado anteriormente. d) As TIC proporcionam aos alunos um acesso imediato a uma fonte rica de informações, e apresenta-lo de uma nova maneira, que ajuda os alunos a compreender e assimilar de forma mais adequada.

e) As simulações de computador permitem um pensamento sistémico sem abandonar a profundidade de análise. Ideias difíceis tornam-se mais compreensíveis quando as TIC as tornam visíveis.

f) Os alunos com dificuldades de aprendizagem múltiplas e profundas podem ser motivados a fazer atividades enriquecedoras e educacionais. As TIC podem até compensar dificuldades de comunicação e aprendizagem dos alunos com deficiência física. g) O uso das TIC faz com que os professores tenham uma visão atual sobre como ensinar e sobre as formas de aprendizagem. h) As TIC oferecem um potencial trabalho de grupo eficaz.

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Casquero, García & González (2011) referem que a maioria dos professores que utilizam as tecnologias na educação apontam vários benefícios do seu uso. Outro dos motivos apontados pelos professores para justificarem a ausência de tecnologias em sala de aula é a falta de formação necessária, culpando por vezes as instituições.

Os professores queixam-se da falta de tempo, devido a horários sobrecarregados não dispondo de tempo para realizarem formações, outros por sua vez referem que apesar de terem formação, esta não é suficiente para aceder às tecnologias em sala de aula. Quanto às instituições justificam a ausência de tecnologia em salas de aula apontando como principais obstáculos a escassez de recursos, a falta de materiais e modelos curriculares, a falta de tempo e a falta de professores com formação tecnológica (Casquero, García & González, 2011).

Para Peralta & Costa (2007, p.84):

as TIC não são ainda um recurso integrado nas actividades de ensino; os professores usam as TIC sem a compreensão cabal dos princípios de aprendizagem subjacentes; os professores sabem usar o computador, mas não em sala de aula com os seus alunos; no caso dos professores que já usam os computadores, as TIC não alteram significativamente as atitudes, os papéis, e as formas de ensinar e de aprender.

Conclui-se assim que as grandes dificuldades encontradas, por parte dos professores, estão relacionadas com a escassez do tempo, tão necessário para estudar, utilizar e praticar com o equipamento e apoio técnico, por parte dos professores.

1.2 A integração das TIC nas escolas portuguesas: a importância do

Projeto Minerva e do Plano Tecnológico da Educação

A educação atual tem que se articular com a sociedade de informação, que se baseia na aquisição, atualização e utilização dos conhecimentos. Assim sendo a escola deve garantir o acesso às TIC, potencializando o uso da informação digital e consequentemente o enriquecimento constante de saberes.

Ao nível da educação na sociedade de informação, o ensino em Portugal deu os seus primeiros passos com o surgimento do Despacho n.º 68/SEAM/84 a 9 de Outubro. Com este despacho foi nomeado um grupo de trabalho que teria o objetivo de estudar a problemática e elaborar um documento que serviria de orientação para a introdução das

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TIC nas escolas portuguesas. O documento surge em 1985 e foi intitulado de “Introdução das Novas Tecnologias no Sistema Educativo”, mas ficando mais conhecido como “Relatório Carmona”. Segundo Carmona (1985, p. 6,7) o documento não pretendia “elaborar um projecto de introdução dos computadores/informática nas escolas, mas tão somente iniciar um processo lento mas inelutável, de proceder à alfabetização tecnológica da sociedade pela via do sistema escolar”.

As novas tecnologias foram assumindo um papel cada vez mais significativo nos diferentes setores da sociedade e assim sendo as escolas teriam como obrigação integrá-las nas suas atividades educativas. Foi em 1985 que surgiu o primeiro projeto oficial para a introdução de computadores na escola, o Projeto MINERVA (Meios Informáticos no Ensino: Racionalização, Valorização, Atualização).

O projeto foi concebido pelo Despacho 206/ME/85 a 15 de Novembro e teria como presunções a rápida evolução das tecnologias de informação, a propagação gradual e um efeito regenerador sobre a sociedade. (Fontes, Vieira & Gonçalves, 1999)

Este projeto foi concebido para todos os níveis de escolaridade, desde o pré-escolar até ao 12ºano, e foi desenvolvido entre os anos de 1985 e 1994. O Ministério da Educação financiou-o e as universidades e escolas superiores realizaram o apoio técnico.

Os grandes objetivos do Projeto MINERVA, indicados no Despacho e supracitados por Ponte (1994, p.7), seriam “(a) a inclusão do ensino das tecnologias de informação nos planos curriculares, (b) o uso das tecnologias de informação como meios auxiliares do ensino das outras disciplinas escolares, e (c) a formação de orientadores, formadores e professores”. Ainda Ponte (1994, p.11) no seu Relatório do Projeto menciona que as principais atividades inerentes ao projeto assumem as seguintes opções gerais:

- encarar as tecnologias de informação como um instrumento educativo importante para todos os níveis de ensino, incluindo o primário;

- não favorecer a criação duma disciplina específica para o ensino das tecnologias de informação;

- não privilegiar as disciplinas de natureza vocacional;

- não considerar a informática como uma área à parte, excepto no ensino secundário, nos cursos com ela mais directamente relacionados;

- manter uma forma de funcionamento descentralizado, de tipo rede; - encorajar uma grande ligação entre as escolas dos diversos níveis de ensino e os estabelecimentos de ensino superior.

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Esta iniciativa, no final do projeto abrangeu 140 escolas, milhares de alunos e professores e representou fundamentalmente um arranque no processo de transformação das escolas ligando-as à nova realidade cultural inserida nas tecnologias da informação. Possibilitou ainda o estímulo de novas iniciativas e suscitou novas ideias, permitindo a exploração de recursos informáticos como o processador de texto, o desenho assistido pelo computador, a folha de cálculo, a edição eletrónica, entre outras softwares educativos utilizados nas salas de aula.

A par do Projeto MINERVA surgiram ainda outros novos programas como o FOCO (Formação Contínua da Professores) que como o próprio nome indica foi criado para fornecer formação aos professores e integrado neste programa surge ainda o FORJA (Fornecimento de Equipamentos, Suportes Lógicos e Ações de Formação de Professores). Com este programa instalaram-se 15 computadores em rede em quarenta e quatro escolas e ainda foi facultada gratuitamente formação aos professores que participaram no programa. Várias foram as opiniões sobre o impacto do Projeto MINERVA. Silva (2001, p. 128) refere que este projeto criou as “bases para novos desenvolvimentos das escolas no domínio das TIC”, porém reconhece que o alcance do projeto foi limitado devido à “escassez dos recursos, à falta da criação de infra-estruturas e de sistemas de actualização e manutenção de equipamentos, bem como a falta de uma política adequada na formação contínua de professores”.

O Projeto MINERVA teve grande importância no ensino, uma vez que após esta experiência foram criados novos programas. Sob a tutela do Ministério da Educação, surge em 1996 o Programa Nónio XXI criado ao abrigo do Despacho nº 232/ME/96 de 4 de Outubro. Este projeto tinha como pressuposto apoiar e adaptar o desenvolvimento das escolas face às exigências que eram colocadas pela Sociedade de Informação. Com este programa surgiram quatro novos subprogramas:

1) Aplicação e desenvolvimento da Tecnologias de Informação e Comunicação no sistema educativo;

2) Formação de professores em TIC;

3) Criação e desenvolvimento de software educativo; 4) Difusão de informação e cooperação internacional.

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Assim foram melhoradas as condições de funcionamento nas escolas com o objetivo de promover o sucesso educativo.

Em simultâneo com o Programa Nónio – Século XXI, surge a iniciativa Internet na Escola com grande impacto na integração das TIC nas escolas. Esta iniciativa foi lançada pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia e tinha como objetivo instalar um computador multimédia com ligação à internet em cada biblioteca de cada escola do Ensino Básico e Secundário.

Em 2007, o Ministério da Educação promoveu um importante programa de modernização tecnológico o Programa Tecnológico da Educação (PTE). Este programa avaliou vários indicadores que possibilitaram verificar o grau de modernização tecnológica no ensino em Portugal. Foram criadas metas, ações e medidas concretas para a modernização tecnológica da educação.

Estratégia de Lisboa: Implicações para a Educação

• Europa como a economia baseada no conhecimento mais dinâmica e competitiva do mundo;

• Aumentar a qualidade e a eficácia dos sistemas de educação e formação;

• Desenvolver as competências para a Sociedade do Conhecimento;

• Assegurar acesso universal às TIC; • Tornar a aprendizagem mais atractiva; • Reforçar as ligações com o mundo do

trabalho.

Ojectivos ME

• Garantir o aparecimento informático das escolas;

• Apoiar o desenvolvimento de conteúdos; • Apostar na formação de professores em

TIC;

• Promover a generalização de portefólios de actividades em suporte digital;

• Fomentar o desenvolvimento e uso das TIC por cidadãos com necessidades especiais;

• Reforçar a divulgação de boas práticas e do sistema de monitorização de progressos;

• Promover open source, reforçar a privacidade, a segurança e a fiabilidade dos sistemas TIC.

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Para garantir uma implementação significativa do programa foram realizados estudos diagnósticos para verificar as principais barreiras e os fatores indutores para a modernização tecnológica. Foi possível concluir que as principais barreiras cruzam-se com o acesso, motivação e competências ligadas às TIC. O acesso torna-se complicado devido ao nível de equipamento das escolas com TIC e à velocidade de acesso à internet. Ao nível da motivação verificou-se pouca percentagem quanto à atitude positiva face à utilização de TIC e seus benefícios para o ensino. Por último, as competências prendem-se com a confiança na utilização das TIC e conprendem-sequentemente com o prendem-seu uso, uma vez que as TIC eram pouco utilizadas as competências necessárias também não seriam apreendidas.

O Plano Tecnológico da Educação foi constituído segundo três eixos: tecnologia, conteúdos e formação. Quanto à tecnologia foram desenvolvidos vários projetos como: kit tecnológico, Internet de alta velocidade, Internet nas salas de aula, cartão da escola e escol@segura. Nesse sentido procurou-se:

 Equipar todas as salas de aula com computadores com acesso à Internet e videoprojectores;

 Aumentar a velocidade de acesso das escolas à Internet de banda larga para, pelo menos, 48Mbps;

 Criar estruturas de redes de área local com e sem fios, nas escolas PTE, que permitam aceder à Internet a partir das salas de aula;

 Instalar 1 quadro interativo por cada 3 salas de aula;

 Generalizar o uso de cartão eletrónico nas escolas, com funcionalidades de controlo de acessos, registo de assiduidade, porta-moedas eletrónico e serviços bancários;

 Reforçar a segurança das instalações e equipamentos das escolas com sistemas de videovigilância e alarme eletrónico.

Relativamente aos conteúdos, desenvolveram-se os projetos Mais-Escola.pt e Escola Simplex. Com estes projetos pretendia-se:

 Disponibilizar às comunidades educativas um ponto de encontro virtual com funcionalidades de partilha de conteúdos, ensino à distância e comunicação;

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 Facilitar a gestão escolar e a comunicação entre as escolas e o Ministério da Educação, com o recurso a uma plataforma eletrónica integrada;

 Construir um portal único do Ministério da Educação que assegure aos cidadãos o acesso rápido e fácil à informação útil.

Por último, quanto à formação, foram criados os projetos Formação e Certificação de competências TIC – Formação Pro e a Avaliação Eletrónica. Com estes projetos pretendia-se:

 Desenvolver um programa de formação e de certificação em TIC, com vista ao reforço das competências de professores, alunos e funcionários das escolas;

 Induzir a utilização pedagógica das TIC, recorrendo a meios informáticos como suporte de realização da avaliação escolar;

 Promover a excelência e a empregabilidade do ensino profissional, garantindo aos alunos a possibilidade de efetuarem formação em contexto real de trabalho em empresas de referência da economia do conhecimento;

 Proporcionar a professores, alunos e funcionários a possibilidade de integrarem programas de formação e certificação de indústria, que se constituem como uma mais-valia no mercado de trabalho.

Em síntese, o Ministério da Educação, ao longo dos últimos anos tem desenvolvido vários projetos e iniciativas que contribuem para a modernização das escolas, influenciando a utilização e integração das TIC no contexto escolar.

Quanto à introdução de QIM no ensino em Portugal, iniciou-se com o PTE e em 2010 Portugal juntou-se ao projeto EuSCRIBE criando um Grupo de Trabalho sobre Quadros Interativos da European Schoolnet. Esta foi uma iniciativa da responsabilidade de treze ministérios da educação de diversos países que tinham como objetivo “a partilha de experiências relacionadas com a utilização crescente das tecnologias dos QIM nas escolas e a exploração de áreas de interesse comum” (Bannister, 2010, p.5). Este projeto descreveu as ferramentas, técnicas e aplicações mais frequentes do QIM.

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2. Os Quadros Interativos Multimédia no processo de ensino e de

aprendizagem

2.1 As caraterísticas do QIM

Independentemente do Quadro Interativo Multimédia (QIM) que se escolha, todos eles têm diversas caraterísticas comuns que o tornam numa ferramenta excelente para a sala de aula. Em qualquer QIM o professor pode navegar na Internet (quando existente na sala de aula), trabalhar com um livro em formato digital, realizar atividades interativas utilizando diversos recursos multimédia, entre outras ações.

O quadro interativo multimédia veio introduzir uma nova dimensão tecnológica ao ensino, que quando bem utilizado pode contribuir de forma expressiva para o sucesso escolar. Sendo uma das mais recentes ferramentas educacionais tem como objetivo melhorar a vida do professor na sala de aula, tornando as aulas mais cativantes e consequentemente e, fundamentalmente, melhorar as aprendizagens dos alunos, tornando o processo de ensino/aprendizagem mais aliciante tanto para os professores como para os alunos.

No que concerne às caraterísticas de um QIM, este é composto por diversos elementos. Para a sua correta utilização é necessário que a sala esteja equipada com computador, projetor, tela interativa, um meio de conexão entre o computador, o projetor e a tela, software de um QIM e ainda conexão à internet.

Imagem 1 - Equipamentos necessários para a utilização do QIM

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O papel desempenhado por cada um destes equipamentos é referido de uma forma clara por Guillén (2011, p.77):

- Ordenador: este debe cumplir com los requisitos mínimos de capacidad y potencia para reproducir información multimedia. Además, su sistema operativo debe ser compatible com el software que viene incluído com la PDI.

- Proyector: posibilita la proyección de la imagen y los contenidos sobre la PDI que son generados por el ordenador. Debe estar calibrado adecuadamente para asegurar una buena resolución y luminosidad, así como su buena ubicación para garantizar el bueno tamaño de la imagen. - Medio de conexión: es el canal a través del cual el ordenador envia las señales e información directamente a la PDI. Puede ser un cable o sistemas inalámbricos como Bluetooth.

- Pantalla interactiva: sobre esta se proyecta la imagen del ordenador, y puede manipularse a través de um puntero o incluso directamente com los dedos, dependiendo del tipo de PDI. Cualquier tipo de documento y cualquier formato puede ser intervenido.

- Software de la pizarra intetactiva: es el programa que viene com la PDI y que es elaborado por el mismo fabricante. Posibilita una multiplicidad de funciones, desde gestionar y administrar la pizarra, hasta capturar imágenes, facilitar plantillas de eleboración de material didáctico, herramientas tipo zoom, reconocimiento de la escritura manual y transformación a escritura impresa, entre otras.

- Conexión del ordenador a Internet, preferiblemente de alta velocidad, ya sea por ADSL o cable. 3

Estes são equipamentos básicos para uma correta utilização do QIM, podendo também acrescentar outros equipamentos como uma Webcam para realizar videoconferências e um sistema de som para reproduzir sons de melhor qualidade.

A combinação entre o quadro interativo, a internet e outros equipamentos multimédia facilitam o processo de aprendizagem e segundo Iglesias (2010, p.38) esta interação torna o ensino “independente, comunicativo, interativo, motivador e significativo”. O uso destes equipamentos torna mais fácil a compreensão dos conteúdos, uma vez que permite uma análise rápida devido à sua capacidade gráfica e representativa.

3 “- Computador: contém os requisitos mínimos para reproduzir a informação multimédia. Possui o sistema operativo que deve ser

compatível com o software que vem com o QIM;

- Projetor: possibilita a projeção da imagem e dos conteúdos do QIM que são gerados pelo computador. Deve estar adequadamente calibrado para assegurar uma boa resolução e luminosidade, assim como uma boa localização para garantir o correto tamanho das imagens;

- Meio de conexão: é através deste meio que o computador envia os sinais e informações diretamente para o QIM. Pode ser feita através de um cabo com ou sem fios como o Bluetooth;

- Tela interativa: é sobre esta que se projeta a imagem do computador, e pode ser manipulado usando um apontador ou mesmo com os dedos, dependo do tipo de QIM. Qualquer tipo de documento em qualquer formato pode ser envolvido;

- Software do QIM: é o programa que vem com o QIM e é elaborado pelo próprio fabricante. Possibilita uma multiplicidade de funções, desde gerir e administrar o quadro interativo, para capturar imagens, modelos para facilitar o desenvolvimento de materiais de formação, ferramentas, tipo de zoom, reconhecimento de escrita manual e transformação em escrita impressa, entre outros; - Conexão do computador à internet: de preferência de alta velocidade, por ADSL ou por cabo.”

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Salienta-se que o conteúdo abordado numa determinada aula pode ser guardado, modificado, impresso, usado novamente e partilhado, facilitando a continuação da aula que foi interrompida.

Como a utilização do QIM requer o uso de meios tecnológicos é necessário que haja um apoio técnico que as escolas devem garantir. Segundo Bannister (2010, p. 15) “algumas escolas tentaram resolver a questão do apoio técnico através da contratação conjunta/partilhada de um técnico externo”. É importante a existência deste apoio técnico uma vez que os professores nem sempre estão capacitados a resolver problemas de nível técnico que possam surgir durante a utilização do QIM.

Os quadros interativos disponibilizam várias funcionalidades, sendo, por exemplo, possível gravar tudo o que foi realizado durante uma aula no QIM, podendo alterar e voltar a reproduzir novamente. Facilita a preparação das aula, porém como a preparação é feita em formato digital é necessário que haja uma certa destreza e conhecimento para utilizar os softwares. É possível enriquecer as aulas com imagens, gráficos, vídeos e ainda interagir com conteúdos disponíveis na internet. O QIM também dispõe de um variado leque de ferramentas inerentes ao software que podem ser usados, como arrastar/alargar e corresponder imagens; diversas ferramentas de escrita com vários tamanhos e estilos de letra; o foco ou a lupa para explorar determinadas partes do ecrã; ferramentas de sombra de ecrã, persianas, cortina ou função de revelar que serve para cobrir o ecrã para ocultar parte ou a totalidade do ecrã; reconhecimento de texto/escrita que permite transformar um texto escrito manualmente no ecrã num texto com escrita impressa; empilhar objetos, clonar e duplicar podendo assim facilmente aceder a múltiplas cópias de objetos ou até mesmo de toda a página; relógios e cronómetros que podem ser utlizados em diferentes momentos da aula, para contratar o tempo podendo emitir um sinal sonoro quando termina o tempo determinado para a atividade; ferramentas específicas para determinadas disciplinas, como por exemplo na Matemática, o uso de transferidores, réguas, compassos e outras ferramentas de precisão; técnicas e ferramentas de preenchimento que permitem alterar a cor e a forma de um objeto de texto ou imagem; ferramentas de animação e criação interativa onde é possível criar atividades com movimento, sons, imagens e textos que programados podem das respostas corretas ou erradas; é possível aceder a comunidades de utilizadores onde já existem recursos criados e prontos a ser utilizados; existem outos dispositivos interativos que podem ser utilizados em conjunto com o QIM como sistemas de resposta, tablets interativas entre outros; e ainda existe a possibilidade

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de ter dois utilizadores no quadro através de QIM com tecnologia de múltiplas entradas ou múltiplos utilizadores, isto significa que mais do que uma pessoa pode usar o quadro ao mesmo tempo.

Podemos concluir então que as caraterísticas do QIM propiciam um ensino numa perspetiva construtivista para a educação atual usufruindo de diversas ferramentas tecnológicas, convertendo os alunos em cidadãos ativos e participativos, exigência da atual sociedade de informação e comunicação em que atualmente vivemos.

2.2 Os QIM e software existentes no mercado

Os QIM são classificados pelos diferentes tipos existentes no mercado e pela tecnologia que lhe é inerente. Quanto à tecnologia que é usada, podemos classificar quatro tipos de quadros interativos que estão relacionados com a forma como é feito o controlo com o computador. Essa tecnologia pode ser Analógica Resistente, Sensíveis ao toque (Digital Vision Touch), Eletromagnética ou por Infravermelhos.

Quanto aos quadros interativos Analógico Resistentes são compostos por materiais resistentes, contêm duas folhas separadas por uma camada de ar e instaladas numa superfície grande e plana. Sendo aplicada uma pressão na superfície do quadro, as duas folhas tocam-se e assinalam um ponto de contato. Não são necessárias canetas específicas, podendo utilizar o dedo ou outro objeto para efetuar a ligação.

Os quadros com tecnologia Digital Vision Touch têm um sistema sensível ao toque e também não requerem o uso de uma caneta especial. São utilizadas câmaras minúsculas, incorporadas na superfície do ecrã que detetam o contacto com a moldura do ecrã. Quanto aos quadros interativos eletromagnéticos ou infravermelhos, estes não contemplam nenhuma superfície especial. Requerem sim, uma caneta especial com pilhas que irá imitir um sinal eletromagnético ou infravermelho à superfície do ecrã. (Castro & Caldas, 2009)

No mercado há um diversificado leque de softwares para o QIM, existem diferenças entre eles, porém há funções que são constantes para todos. Segundo Barata & Jesus (2012, p.19) o primeiro software desenvolvido em massa para o QIM foi o Interwrite, porém outras escolas optaram pelo SMART Board que utiliza software SMART Notebook, sendo

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que este software foi fornecido de forma gratuita até à versão 9.5. Contudo deve-se destacar também o ActiveInspire da Promethean, uma vez que foram os quadros que entraram em Portugal ao abrigo do Plano Tecnológico de Educação. Em Portugal deram-se alguns passos na construção de QIM e de softwares, o primeiro quadro interativo construído foi o Bi Bright que usa um programa genérico para QIM, quanto aos softwares foi desenvolvido o A-migo da Clasus, sendo um programa muito idêntico ao do SMART, com algumas funcionalidades diferentes.

Existe uma vasta oferta, mas qualquer um deles é uma ótima solução e uma boa ferramenta pedagógica, porém também deve-se saber utilizar adequadamente o quadro. Antes de utilizar o QIM é necessário ter em conta diversos aspetos. Castro & Caldas (2009, p.7) referem alguns:

- Obter formação inicial sobre como instalar, como utilizar e adaptar a sua forma de ensinar a um novo formato de aulas interactivas;

- Partilhar e trocar experiências com os colegas que já utilizam o quadro interactivo;

- Dizer aos alunos que também irá aprender com eles, certificando-se que eles também aprendem e utilizam efectivamente o quadro;

- Ter em consideração a possibilidade de utilizar ou não a internet.

- Planear bem a aula para tirar partido do quadro interactivo, definindo objectivos a atingir bem como de que forma pode o quadro interactivo enriquecer a aprendizagem e estimular os alunos;

- Estar à vontade com o software que vai utilizar, experimentando antes da aula;

- Saber como abrir e fechar ficheiros, voltar atrás, apagar, anular acções, etc; - Prever actividades no quadro interactivo que levem os alunos a desenhar, sublinhar, realçar, escrever, mover, esconder e mostrar objectos, utilizar feedback imediato, animações, voltar atrás, etc;

- Prever avaliação formal e informal integrada na aula, fazendo uma revisão/avaliação contínua;

- Terminar com uma sessão plenária para fazer uma revisão cognitiva da aula e onde se tracem ideias em conjunto.

Com uma correta utilização do QIM o envolvimento entre o professor e os alunos é evidente e consequentemente a comunicação entre ambos possibilita que cada um deles expresse a sua opinião de forma mais eficaz.

2.3 Potencialidades pedagógicas do QIM

O quadro interativo multimédia é uma das mais recentes tecnologias incrementadas no processo de ensino/aprendizagem, que pretende modificar a vida do professor no contexto

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de sala de aula e tem como objetivo cativar a atenção dos alunos, melhorar as aprendizagens tornando o ensino mais aliciante.

Para Sampaio & Coutinho (2008, p.2) o quadro interativo tem diversas vantagens como:

a versatilidade e adequabilidade a diferentes níveis etários e área curriculares; proporcionar oportunidades acrescidas para a interacção e discussão em sala de aula; e possibilitar a concentração de recursos variados e num mesmo suporte tornando as aulas mais dinâmicas e aumentando a motivação dos alunos.

O papel do professor na utilização do quadro interativo passa apenas pela preparação da aula e pelo acompanhamento do seu desenrolar, podendo solicitar aos alunos novas ferramentas e objetos. Segundo Barata & Jesus (2012, p. 16):

O fator mais decisivo na utilização do QI é o envolvimento do aluno. O QI é um computador igual ao que os alunos utilizam em casa, mas com software mais específico. Assim, os alunos rapidamente se sentem à vontade na utilização da ferramenta. Por isso, faz todo o sentido que o professor intervenha o menos possível na sua utilização.

Neste sentido são várias as potencialidades existentes no uso do QIM, no que concerne aos alunos, é verificada uma maior motivação e participação na sala de aula, levando à participação de alunos mais tímidos que assim desenvolvem competências sociais e pessoais. Os alunos com necessidades especiais também podem e devem usufruir desta ferramenta como nos diz Guillén (2008, p. 85) a “sua simplicidade e facilidade de manuseio e de escrita, fornece a possibilidade de trabalhar com uma variedade de alunos, mesmo aqueles que apresentam algum tipo de dificuldade psicomotora ou necessidades especiais”.

O nível de motivação, como já foi referido, é elevado por parte dos alunos e vários estudos referem que o aumento da motivação melhora os resultados dos alunos nas diferentes áreas como as Línguas, Ciências e Matemática. O uso dos QIM entusiasma os alunos, levando a uma menor dispersão da atenção na sala de aula. Envolvendo-os nas tarefas a realizar, o trabalho na sala de aula pode-se tornar mais divertido explorando ludicamente as aprendizagens, tornando-as consequentemente mais criativas e mais motivadoras para os alunos. A utilização de diferentes estilos de aprendizagem melhora o ensino, ao utilizarmos ferramentas visuais usando cores e imagens irá facilitar a memorização e a manipulação do QIM também facilita a aprendizagem, uma vez que são os próprios alunos a “tocarem” e explorarem os conteúdos (Barata & Jesus, 2012).

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Também Guillén (2008, p.83) defende que a utilização do QIM melhora a atenção dos alunos e intensifica a sua motivação para a aprendizagem e reitera que “a compreensão dos conteúdos aumenta, devido à existência de grandes aplicações para exibir, comentar e interagir”, as aplicações podem ser variadas criando recursos dinâmicos usando “vídeos, áudios, sítios WEB, aplicações educativas, videoconferências, etc” e consequentemente as atividades tornam-se mais atrativas e vistosas.

Conclui-se assim que o QIM intensifica a motivação dos alunos pois estes criam uma afinidade instantânea com este recurso. As aulas tornam-se mais divertidas e interessantes o que melhora a atenção e comportamento dos alunos e consequentemente fortalece a participação dos alunos tornando as aprendizagens significativas.

Relativamente aos professores, estes também beneficiam das potencialidades do QIM, as suas aulas têm uma melhor qualidade devido aos diversificados recursos que podem utilizar. Os materiais utilizados nas aulas podem ser facilmente facultados aos alunos e até mesmo aos colegas, partilhando os ficheiros ou utilizando uma plataforma educativa se a escola possuir (Barata & Jesus, 2012).

Com a utilização do quadro, os professores são capazes de combinar as suas práticas pedagógicas com uma vasta gama de estilos de ensino-aprendizagem, sendo assim capazes de adaptar os seus recursos em função das necessidades educativas dos seus alunos. Segundo Casado, Álvarez & Fernández (2012, p. 176):

Os professores consideram o QIM um meio efetivo para rever as aulas anteriores e ao mesmo tempo ajudam no manuseamento da turma e do seu comportamento graças à sua flexibilidade, versatilidade e possibilidade de realizar uma aprendizagem colaborativa. Ao mesmo tempo, permite o conhecimento compartilhado com todos os alunos que contribui para as suas aprendizagens.

Os professores que adquirem habilidades para utilizar corretamente o QIM, são capazes de incrementar nas suas aulas atividades interativas usufruindo de diversos recursos. Com a utilização do quadro os docentes conseguem estar mais atentos ao comportamento dos alunos, pois não necessitam de estar fixados no ecrã do computador para mostrar os conteúdos que são abordados.

Um estudo realizado por Miller, et al em 2005 e citado por Barata & Jesus (2012) menciona que num primeiro contato com os QIM, os professores utilizavam o quadro interativo apenas como um suporte normal onde só escreviam, como faziam com o quadro

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branco ou negro. Porém, à medida que se iam apercebendo das potencialidades dos QIM, acabavam por utilizar as ferramentas que o quadro disponibiliza, melhorando e diversificando as suas aulas.

Ainda com base nesse estudo Barata & Jesus (2012, p. 18) referem que nos professores que utilizam o QIM se verifica:

1- uma sequência da aula com introdução/motivação, desenvolvimento com uma séria de atividades de aprendizagem e resolução/conclusão, onde há uma revisão e consolidação metacognitiva das aprendizagens; 2- aulas com competências bem definidas exploradas através de atividades que reforçam a compreensão e a integração de conhecimentos;

3 – exploração de diferentes estilos de aprendizagem com a utilização de tarefas/experiências de aprendizagem nos domínios visual, numérico, verbal, cinestético, etc.

Em suma, não só os alunos ficam motivados para as aulas, como também os professores criam um novo entusiasmo pelo ensino, pois existe uma maior criatividade para a planificação das aulas, a criação de recursos torna-se mais simples e simplificada; com as grandes dimensões do QIM toda a turma consegue visualizar os recursos que são usados e é possível guardar, modificar e partilhar os materiais utilizados.

Com uma maior motivação e envolvimento dos professores e dos alunos, a escola também irá beneficiar das potencialidades do QIM, pois são criadas novas condições de trabalho que consequentemente criam uma melhoria no ensino, gerando um impacto positivo para a imagem geral das escolas.

2.4 Limitações do uso do QIM

Apesar das enormes e múltiplas vantagens que destacamos da utilização do QIM em contexto de aula, existem limitações.

Um dos fatores que inibem as escolas de equiparem as suas salas com QIM é o preço comercial destes equipamentos e todo o manuseamento que é necessário desde a sua montagem, limpeza exterior e interior (dos filtros dos projetores), troca de lâmpadas dos projetores, calibragem e gastos elétricos. A instalação dos QIM por vezes também necessita de uma redistribuição dos espaços, uma nova colocação dos alunos nas salas e a introdução de novos elementos como cortinas nas janelas para reduzir a luminosidade exterior, o que também por vezes não é bem aceite pelas instituições.

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Para Casado, Álvarez & Fernández (2012, p.176) um dos maiores constrangimentos diz respeito aos professores que necessitam “durante um largo período de tempo, terem contacto continuado com o QIM a fim de otimizar o seu uso”. Para que tal aconteça têm que investir na sua aprendizagem e ter uma formação que irá ocupar parte do seu tempo disponível, a que nem todos os professores estão dispostos.

Relativamente aos alunos, existem obstáculos que facilmente serão ultrapassados por estes uma vez que estes são nativos digitais. É necessário que os alunos se adaptem a uma nova forma de estudar recorrendo aos novos recursos disponibilizados pelos professores e aprendam a utilizar o QIM (que como foi anteriormente referido não será de difícil aprendizagem uma vez que o quadro é como um computador com software mais específico).

Resumidamente, as escolas, os professores e os alunos deparam-se com alguns obstáculos relativamente à utilização dos QIM, porém estes podem ser ultrapassados se houver interajuda entre todas as partes.

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2.ª Parte

Intervenção Pedagógica

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Capítulo II – Relatos de Estágio

1. Caracterização de Vila Real

A cidade de Vila Real é uma das capitais dos dezoitos distritos existentes no país, sede do concelho e dela fazem parte catorze concelhos. Está situada na região de Trás-os-Montes e Alto Douro, no norte interior de Portugal, sendo banhada pelas margens do Rio Corgo e do Rio Cabril, afluentes do Douro. Desta cidade fazem parte a Serra do Marão e a Serra do Alvão.

Em Vila Real é possível encontrar várias construções, havendo uma grande diversidade de edifícios com elevada importância, como o Paços do Concelho, o antigo Palácio dos condes de Amarante e o Palácio do Governo Civil. Esta cidade além de várias indústrias também constituiu uma zona rural por ter zonas montanhosas (como a Serra do Marão e Serra do Alvão), vinhas, cursos de água e vários campos para cultivo agrícola.

Relativamente ao setor económico, as atividades Vilarrealenses estendem-se a vários níveis, mas o setor predominante é setor terciário, como a agropecuária, o comércio retalhista, a construção civil, a indústria alimentar, os serviços públicos e privados, como por exemplo seguros e correios que, respetivamente, contribuem para a economia da cidade. Outro fator que impulsionou o rápido crescimento da cidade, nas últimas décadas, foi a construção do Hospital Distrital de Vila Real e da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que trouxeram consigo vários médicos, enfermeiros, professores e muitos estudantes.

Esta cidade tem uma oferta cultural e educacional diversificada. No aspeto cultural salientam-se os diferentes Museus, como o de Numismática e o da Vila Velha, o Conservatório de Música, a Biblioteca Municipal e o Teatro de Vila Real. Como espaço de lazer salientam-se o Naturwaterpark, o primeiro parque ecológico existente em Portugal e o Parque do Corgo. Relativamente aos estabelecimentos de ensino, destacam-se a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e os Mega Agrupamentos, que apresentam diversos Jardins de Infância e escolas do 1º, 2º e 3º Ciclos e Secundário.

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2. Caracterização do Meio, da Escola, da Sala e da Turma de Alunos do 1º

CEB

2.1 Caraterização do Meio do Centro Escolar Araucária

O Centro Escolar da Araucária pertence ao Agrupamento de Escolas Morgado Mateus e situa-se na freguesia de São Pedro.

A capela de São Nicolau deu origem à freguesia de São Pedro, construída em prol da expansão da burguesia e da crescente distância à igreja matriz de São Dinis. Esta freguesia situa-se na margem oposta do Rio Corgo, é uma das freguesias que é oficialmente urbana, sendo bastante diversificada devido ao facto de o seu território ser grande parte do centro histórico de Vila Real.

Esta freguesia foi agregada pela reorganização administrativa de 2012/2013, sendo o seu território integrado na União das Freguesias de Vila Real (Nossa Senhora da Conceição, São Pedro e São Dinis).4

No início da década de 80 foi construído o Bairro Dr. Francisco Sá Carneiro, habitualmente conhecido como Bairro da Araucária. É neste local que se encontra o Centro Escolar, frequentado não só por crianças que residem no bairro, mas também por crianças que habitam nas imediações. O Bairro da Araucária torna-se bastante independente por ter um setor económico ativo, tendo várias habitações, alguns cafés, uma mercearia, talho e peixaria.

2.2 Caraterização do Centro Escolar da Araucária

O Centro Escolar da Araucária é uma Instituição da Rede Pública que pertence ao Agrupamento de Escolas Morgado de Mateus.

A coordenação do Centro Escolar encontra-se a cargo do Prof. Álvaro Costa. Este agrupamento é constituído por docentes e não docentes, dezanove docentes do 1º ciclo, três professores de ensino especial, três educadores, dez assistentes operacionais, três

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auxiliares de ação educativa e sete assistentes que não têm uma função especificada na ficha de caracterização da escola. (Costa, 2013)

Este estabelecimento de ensino abre às 07:45h e fecha às 19:00h, sendo o horário das 07:45h às 08:45h e das 17:45h às19:00h, da responsabilidade da autarquia mediante inscrição do aluno nas “Pontas Acolhimento” e “ Pontas Prolongamento”. O horário letivo dos alunos do 1º Ciclo e dos respetivos docentes titulares, funciona das 9:00h às 12:30h e das 14:00h às 17:30h.

Este estabelecimento de ensino é frequentado por 75 crianças da Educação Pré-escolar e 242 do 1.ºCiclo do Ensino Básico, completando assim um total de 327 crianças. (Costa, 2013)

2.2.1 Espaço Exterior do Centro Escolar

Este Centro Escolar situa-se no Bairro Dr. Francisco Sá Carneiro e é rodeado por espaços exteriores bastante amplos, está devidamente vedado e com sistema de segurança. O piso é na sua maioria coberto de terra batida ou areia, apenas o campo desportivo é alcatroado para facilitar a prática de exercício físico.

O espaço exterior da escola é fundamental pois oferece aos alunos atividades que a sala de aula não propicia. Para as crianças brincarem existe um grande espaço em redor da escola e um parque infantil com ótimas condições, sendo muito utilizado pelas crianças que frequentam o pré-escolar. No espaço exterior também podemos encontrar uma bancada para as crianças se juntarem em dias especiais. O espaço coberto é exíguo, o que propicia, em dias de chuva, alguns conflitos e discórdias entre os alunos, uma vez que estes se concentram todos no pavilhão da entrada.

2.2.2 Espaço Interior do Centro Escolar

Na entrada do Centro Escolar, no piso 0, existe uma área polivalente onde as crianças quando chegam, antes do horário letivo, aguardam pela chegada dos professores. Esta área serve também de apoio àsAtividades de Enriquecimento Curricular principalmente os docentes responsáveis pela AEC de Desporto. Devido à extensa área que esta zona abrange, os alunos têm espaço suficiente para realizarem as atividades.

Referências

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