• Derivada de um Vector
• Reparametriza¸c˜ao de Curvas no Comprimento do Arco • Integrais de Linha
• Trabalho de um Campo Vectorial Sobre um Caminho
Vectores
2D
Vectores da Base Standard ˆi = (1, 0) ˆj = (0, 1) Representa¸c˜ao ~ u = (ux, uy) = uxˆi + uyˆj M´odulo k~uk = qu2 x+ u2y 3D
Vectores da Base Standard
ˆi = (1, 0, 0) ˆj = (0, 1, 0) ˆk = (0, 0, 1) Representa¸c˜ao ~ u = (ux, uy, uz) = uxˆi + uyˆj + uzˆk M´odulo (comprimento) k~uk = qu2 x+ u2y+ u2z Figura 1:
Produtos Escalar e Vectorial
Produto Escalar
O produto escalar de dois vectores ~u e ~v ´e um escalar, indicado da forma ~u · ~v. ´E definido sobre espa¸cos vectoriais de qualquer dimens˜ao (2D, 3D, etc).
2D ~ u = (ux, uy) ~v = (vx, vy) ~ u · ~v = k~uk k~uk cos(θ) = uxvx+ uyvy 3D ~ u = (ux, uy, uz) ~v = (vx, vy, vz) ~ u · ~v = k~uk k~vk cos(θ) = uxvx+ uyvy+ uzvz Figura 2:
O produto escalar de dois vectores serve para representar a componente escalar (ou projec¸c˜ao escalar) u~v do
vector ~u sobre o vector ~v (figura 2). Se k~vk = 1, ent˜ao
u~v = ~u · ~v = k~ukcos(θ)
e vector com a direc¸c˜ao de ~v, definido por
u~v~v
diz-se projec¸c˜ao vectorial, ou componente vectorial, de ~u sobre ~v.
Exemplo
~ u = (−2, 1, 3) ~v = (3, 4, 1) k~uk = p(−2)2+ 12+ 32 = √14 k~vk = p32+ 42+ 12 = √26 ~ u · ~v = −2 × 3 + 1 × 4 + 3 × 1 = 1 θ = cos−1 ~u · ~v k~uk k~vk = cos−1 1 √ 14√26 ≈ 1.52 rad (≈ 87o)~ u × ~v = ˆi ˆj ˆk ux uy uz vx vy vz = (uyvz− uzvy, uzvx− uxvz, uxvy− uyvx) = (uyvz− uzvy)ˆi + (uzvx− uxvz)ˆj + (uxvy− uyvx)ˆk (1)
O produto vectorial serve para representar ´areas de paralelogramos localizados no espa¸co 3D. O m´odulo do vector representa o valor da ´area e a sua direc¸c˜ao ´e perpendicular ao paralelogramo (figura 3).
´
Area do paralelogramo = k~u × ~vk = k~uk k~vk sen(θ)
Figura 3:
Os m´odulos das coordenadas do produto vectorial (1), representam as ´areas das projec¸c˜oes do paralelogramo definido pelos vectores ~u e ~v nos planos coordenados perpendiculares ao vector unit´ario ˆi, ˆj, ˆk correspondente `
a coordenada (figura 4).
Exemplos
Produto vectorial
~ u = (−2, 1, 3) ~v = (3, 4, 1) k~uk = p(−2)2+ 12+ 32 = √14 k~vk = p32+ 42+ 12 = √26 ~ u × ~v = (1 × 1 − 3 × 4, 3 × 3 − (−2) × 1, (−2) × 4 − 1 × 3) = (−11, 11, −11) θ = sen−1 ~u × ~v k~uk k~vk = sen−1 p (−11)2+ (11)2 + (−11)2 √ 14√26 ! ≈ 1.52 rad (≈ 87o)Parametriza¸
c˜
ao de Curvas
Na imagem esquerda da figura 5 est´a representada uma circunferˆencia de raio R e duas equa¸c˜oes, x(t) = Rcos(t)
y(t) = Rsen(t)
ditas equa¸c˜oes param´etricas da circunferˆencia no parˆametro t. A cada valor de t no intervalo [0, 2π], corres-ponde um ponto (x(t), y(t)) da circunferˆencia. `A medida que t aumenta, o vector posi¸c˜ao ~r(t) = x(t)ˆi + y(t)ˆj percorre a circunferˆencia no sentido anti-hor´ario. A circunferˆencia definida pelas equa¸c˜oes param´etricas, diz-se curva param´etrica. Estabece-se assim uma diferen¸ca entre curva, que ´e uma linha no espa¸co, e curva param´etrica, que ´e uma linha no espa¸co com um sentido associado.
Uma parametriza¸c˜ao da circunferˆencia
C : (
x(t) = Rcos(t)
y(t) = Rsen(t) 0 ≤ t ≤ 2π Sentido associado: sentido anti-hor´ario ~
r(0) = (x(0), y(0)) = (cos(0), sen(0)) = (1, 0)
Na direita da figura 5, temos o mesmo conjunto de pontos (circunferˆencia de centro na origem e raio R), definida por outra parametriza¸c˜ao.
Outra parametriza¸c˜ao da circunferˆencia
C : (
x(t) = Rsen(t)
y(t) = Rcos(t) 0 ≤ t ≤ 2π Sentido associado: sentido hor´ario ~
Figura 5:
Exemplos
Exemplo 1. Escrever a equa¸c˜ao vectorial, as equa¸c˜oes param´etricas e a equa¸c˜ao cartesiana da recta que cont´em o ponto P = (4, 2) e tem a direc¸c˜ao do vector ~u = (−1, 5).
Resolu¸c˜ao. Equa¸c˜ao vectorial
~ r(t) = P + ~ut, t ∈ R ~ r(t) = (4, 2) + t(−1, 5)R ~ r(t) = (4 − t)ˆi + (2 + 5t)ˆj Qualquer uma destas duas equa¸c˜oes se diz equa¸c˜ao vectorial da recta. Equa¸c˜oes param´etricas
C : (
x(t) = 4 − t
y(t) = 2 + 5t t ∈ R
Na figura 6 est´a representado o gr´afico da recta. O ponto correspondente a t = 0 ´e (4, 2). O sentido definido sobre a curva pela parametriza¸c˜ao, dito sentido positivo, ´e o sentido dos valores de y crescentes.
Figura 6: Equa¸c˜ao cartesiana
equa¸c˜ao cartesiana.
y = 2 + 5t y = 2 + 5(4 − x) y = −5x + 22
Exemplo 2. Parametrizar a circunferˆencia x2+ y2 = 5, sendo o parˆametro 0 ≤ t ≤ 2π, de modo que
(x(0), y(0)) = (−1, 0), e o sentido definido sobre a curva seja o sentido hor´ario (figura 7). Resolu¸c˜ao. A parametriza¸c˜ao C : ( x(t) = √5sen(t) y(t) = √5cos(t) 0 ≤ t ≤ 2π
define o sentido pretendido sobre a curva, mas (x(0), y(0)) = (0, 1). Para obtermos (x(0), y(0)) = (−1, 0), retiramos π/2 ao ˆangulo. C : ( x(t) = √5sen(t − π/2) y(t) = √5cos(t − π/2) 0 ≤ t ≤ 2π. De forma equivalente C : ( x(t) = −√5cos(t) y(t) = √5sen(t) 0 ≤ t ≤ 2π. Figura 7:
Exemplo 3. Escrever uma parametriza¸c˜ao no parˆametro 0 ≤ t ≤ 1, que represente o segmento AB da recta y = 2x (figura 8) e que defina sobre este segmento o sentido indicado.
Resolu¸c˜ao.
Podemos supor uma rela¸c˜ao linear entre x e t, e usar os pontos (t, x) = (0, 2) e (t, x) = (1, 1) para obter a equa¸c˜ao x = −t + 2. A partir desta rela¸c˜ao, obt´em-se y = 2x = 2(−t + 2) = −2t + 4.
C : (
x(t) = −t + 2
Figura 8:
Derivada de um Vector
Dada uma curva C, com vector posi¸c˜ao ~r(t), consideremos a diferen¸ca de vectores ~r(t + ∆t) − ~r(t) (figura 9). Fixemos o valor de t e fa¸camos ∆t → 0. `A medida que ∆t diminui, a extremidade do vector ~r(t + ∆t) vai deslizando sobre a curva, aproximando-se da extremidade do vector ~r(t). A diferen¸ca de vectores tende para o vector nulo.
Figura 9: Consideremos o limite lim ∆t→0 ~ r(t + ∆t) − ~r(t) ∆t .
O cociente na express˜ao ´e um vector, uma vez que representa a multiplica¸c˜ao do vector ~r(t + ∆t) − ~r(t)
pelo escalar 1/∆t. Se o limite existir, tem que ser um vector. Este vector designa-se por derivada do vector ~ r(t) no ponto t, e escreve-se ~ r0(t) = lim ∆t→0 ~ r(t + ∆t) − ~r(t) ∆t .
Numa vizinhan¸ca muito pequena do ponto t, a curva confunde-se com a recta que lhe ´e tangente no ponto (imagem `a direita, na figura 10). O vector ~r0(t) tem a direc¸c˜ao da tangente `a curva, no ponto onde ´e calculado. O seu sentido ´e o sentido definido sobre a curva pela parametriza¸c˜ao.
Figura 10:
Exemplo
(a) Determinar um vector com a direc¸c˜ao da tangente `a curva C no ponto t = 2. (b) Determinar uma equa¸c˜ao vectorial da recta tangente `a curva C no ponto t = 2 (figura 11).
C : (
x(t) = t
y(t) = t2 0 ≤ t ≤ 3 Resolu¸c˜ao.
(a) Dado o vector posi¸c˜ao da curva, ~r(t), o vector ~r0(2) tem a direc¸c˜ao da tangente `a curva C no ponto t = 2.
~r(t) = tˆi + t2ˆj = (t, t2) ~r0(t) = (1, 2t)
~r0(2) = (1, 4)
(b) Seja ~q(t) o vector posi¸c˜ao da recta. A recta cont´em o ponto (x, y) = (x(2), y(2)) = (2, 4), e tem a direc¸c˜ao do vector ~r0(2).
~
q(t) = (2, 4) + t(1, 4)
= (2 + t)ˆi + (4 + 4t)ˆj (t ∈ R)
o parˆametro t representa o comprimento do arco apenas no caso em que R = 1. Neste caso, o comprimento da circunferˆencia ´e 2πR = 2π, que ´e igual ao valor m´aximo do parˆametro t. Isto significa que quando t = π/3, por exemplo, este valor de t representa o comprimento do peda¸co de curva que tem por extremos os pontos t = 0, A, e t = π/3, B. O arco AB mede π/3 (unidades de comprimento).
Figura 12:
Se for R = 2, o comprimento da circunferˆencia ´e 2πR = 4π, enquanto o valor m´aximo do parˆametro t ´e 2π. Por isso t n˜ao representa o comprimento do arco. O que se pode fazer neste caso, ´e reparametrizar a curva no comprimento do arco. Seja s(t) a medida do arco definido pelos extremos AB. Sabemos que
s = tR.
e, por isso, t = s/2, para o caso R = 2. Substituindo esta express˜ao para t nas equa¸c˜oes param´etricas, obtemos a parametriza¸c˜ao no comprimento do arco
C : (
x(t) = 2cos(s2)
y(t) = 2sen(s2) 0 ≤ s ≤ 4π
que define o ponto (x, y) = (2, 0) como o ponto de s = 0, e o sentido anti-hor´ario como o sentido em que a curva ´e descrita quando o parˆametro s aumenta.
Vimos anteriormente que a f´ormula
L = Z b
a
p
1 + (y0)2dx (2)
representa o comprimento da curva y = f (x) correspondente ao intervalo [a, b] de valores de x. Se fizermos a substitui¸c˜ao x = x(t), sendo x(t) a equa¸c˜ao param´etrica de uma dada parametriza¸c˜ao da curva, temos
dx dt = x 0 t ⇔ dx = x 0 tdx e yx0 = dy dx = dy dt dt dx = y 0 t 1 x0t = y 0 t x0t .
Podemos escrever p 1 + (y0 x)2dx = p 1 + (y0 t)2/(x0t)2x0tdt = p (x0 t)2+ (y0t)2dt = k~r 0 (t)kdt. O integral (2) pode escrever-se
s(t) = Z t
t0
k~r0(t)kdt,
sendo t = t0 o ponto da curva em que s = 0, e t o outro ponto extremo do arco cujo comprimento se quer
calcular.
Exemplos
Exemplo 1. Reparametrizar no comprimento do arco a recta
C : (
x(t) = 2t + 1
y(t) = 3t − 2 t ∈ R,
de modo que seja s = 0 no ponto (x, y) = (3, 1) e o sentido definido sobre a curva se mantenha. Resolu¸c˜ao.
Vamos obter uma express˜ao para t em fun¸c˜ao de s, e substitui-la nas express˜oes param´etricas. O ponto (x, y) = (3, 1) corresponde a t = 1. Podemos escrever
s(t) = Z t 1 k~r0(t)kdt. Vamos determinar k~r0(t)k. ~r(t) = (2t + 1, 3t − 2) ~r0(t) = (2, 3) k~r0(t)k = p22+ 33 = √13
Podemos agora escrever uma express˜ao para t em fun¸c˜ao de s. s(t) = Z t 1 √ 13dt = √13t ⇒ t = √s 13
Substitui-se o parˆametro t nas equa¸c˜oes param´etricas por esta express˜ao.
C : ( x(s) = 2√s 13+ 1 y(t) = 3√s 13− 2 s ∈ R, Exemplo 2. Determinar o comprimento da curva
C : x(t) = et y(t) = e−t z(t) = √2t − 1 ≤ t ≤ 1.
~r(t) = (et, e−t,√2t) ~r0(t) = (et, −e−t,√2) k~r0(t)k = pe2t+ e−2t+ 2 Por ser e2t+ e−2t+ 2 = et+ e−t2 , obt´em-se k~r0(t)k = q (et+ e−t)2 = et+ e−t. Escrevemos a express˜ao de L. L = Z 1 −1 (et+ e−t)dt = et− e−t 1 −1
= 2(e − e−1) ≈ 4.7 (unidades de comprimento)
Integrais de Linha
Generaliza¸c˜ao do problema da ´area: dada uma curva C no plano xy, parametrizada no comprimento do arco, e uma fun¸c˜ao z = f (x, y), cujo dom´ınio inclui os pontos de C, qual a ´area da ‘parede’ cujo fundo ´e C e o topo ´e a linha pertencente `a superf´ıcie z = f (x, y) que se projecta sobre C? (imagem na esquerda da figura 13)?
Figura 13:
Subdividir a curva C em n partes, cada uma delas delimitada pelos pontos sk, sk+1, com 0 ≤ k ≤ n − 1
(trˆes destes pontos est˜ao representados na imagem inferior da figura 13). A medida do segmento de recta que une cada par de pontos consecutivos ´e ∆s.
Considerar os rectˆangulos cujas bases s˜ao os segmentos de recta de extremos sk, sk+1, com medida
∆s, e as alturas s˜ao os valores que a fun¸c˜ao f (x, y) toma no ponto sk (imagem `a direita, em cima, na
figura 13). Tomar a soma das ´areas do rectˆangulos como uma aproxima¸c˜ao da ´area pretendida. ´ Area ≈ n X k=1 f (x(sk), y(sk)) ∆s
Se existir o limite deste somat´orio quando n → ∞, ent˜ao ele corresponde ao valor exacto da ´area e escreve-se ´ Area = lim n→∞ n X k=1 f (xk, yk)∆s = Z C f (x(s), y(s)) ds. (3)
O integral designa-se por integral de linha de f (x, y) sobre a curva C parametrizada no comprimento do arco.
Se a curva C vier parametrizada num parˆametro t, diferente do comprimento do arco, podemos fazer uma mudan¸ca de vari´avel no integral (3).
s = Z t t0 k~r0(t)k dt ⇒ds dt = k~r 0 (t)k ⇒ ds = k~r0(t)k dt
Daqui resulta uma express˜ao para o integral de linha de f (x, y) sobre a curva C, independente da parame-triz¸c˜ao desta. Z C f (x(s), y(s)) ds = Z C f (x(t), y(t))k~r0(t)k dt.
Exemplos
Exemplo 1. Determinar o integral de linha Z
C
(1 + xy2) ds sendo C o arco da curva
(
x(t) = t
y(t) = 2t t ∈ R, que tem como pontos extremos (0, 0) e (1, 2).
~ r0(t) = (1, 2) k~r0(t)k = p12+ 22 = √5 Por ser x(t) = t y(t) = 2t, a express˜ao da fun¸c˜ao f (x, y) sobre os pontos da curva C fica
(1 + xy2) = (1 + t(2t)2) = 1 + 4t3. Podemos prosseguir com o c´alculo do integral.
Z C (1 + xy2) ds = Z 1 0 (1 + xy2) k~r0(t)k dt = Z 1 0 (1 + 4t3)√5 dt = 2√5
Exemplo 2. Calcular a massa do fio semi-circular
C : (
x(t) = 5cos(t)
y(t) = 5sen(t) 0 ≤ t ≤ π, de densidade de massa δ(x, y) = 15 − y gramas (figura 14).
Figura 14: Resolu¸c˜ao.
A fun¸c˜ao densidade de massa δ(x, y) ´e cont´ınua. Dividindo o fio em segmentos com comprimento ∆s suficientemente pequeno, podemos considerar δ(x, y) aproximadamente constante em cada um deles. Se for δ(xk, yk) o valor aproximado da densidade de massa no k-´esimo segmento, a massa do segmento ´e
aproximadamente δ(xk, yk) ∆s. A massa total do fio ´e aproximada pelo somat´orio das massas assim obtidas
para todos os segmentos. Atendendo `a defini¸c˜ao de integral de linha vista anteriormente, conclui-se que o valor exacto da massa ´e dado pelo integral de linha
M = Z C δ(x, y) ds = Z π 0 (15 − y) k~r0(t)k dt
Come¸camos por calcular k~r0(t)k. ~ r(t) = (5cos(t), 5sen(t)) ~ r0(t) = (−5sen(t), 5cos(t)) k~r0(t)k = p25sen2(t) + 25cos2(t) = √25 = 5
O c´alculo da massa do fio prossegue. M = Z C δ(x, y) ds = Z π 0 (15 − y) k~r0(t)k dt ⇒ Z π 0 (15 − 5sen(t))5 dt ≈ 185.6 (gramas)
Exemplo 3. Determinar a ´area da regi˜ao do cilindro x2+ y2 = 1, delimitada inferiormente pelo plano
z = 0 e superiormente pela superf´ıcie z = 1 − x2 (figura 15).
Figura 15: Resolu¸c˜ao.
Quer-se calcular a ´area A da superf´ıcie a tracejado na figura, pertencente ao cilindro x2+ y2= 1.
A = Z C (1 − x2)ds = Z C (1 − x2) k~r0(t)k dt
A curva C admite a parametriza¸c˜ao
C : (
x(t) = cos(t)
y(t) = sen(t) 0 ≤ t ≤ 2π. Come¸camos por calcular k~r0(t)k.
~
r(t) = (cos(t), sen(t)) ~
r0(t) = (−sen(t), cos(t))
= 1 2 0
(1 − cos(2t)) dt = π (unidades de ´area)
Trabalho de um Campo Vectorial Sobre um Caminho
Caminho ´e uma curva definida por uma parametriza¸c˜ao. Campo de For¸cas (ou Campo Vectorial)
Campo de for¸cas, ou campo vectorial, ´e uma fun¸c˜ao que atribui um vector a cada ponto do espa¸co. 2D
~
F (x, y) = f (x, y)ˆi + g(x, y)ˆj = (f (x, y), g(x, y)) 3D ~ F (x, y, z) = f (x, y, z)ˆi + g(x, y, z)ˆj + h(x, y, z)ˆk = (f (x, y, z), g(x, y, z), h(x, y, z))
Exemplos
Exemplo 1. ~ F (x, y) = xˆi + yˆjˆkUm esbo¸co deste campo vectorial est´a representado na esquerda da figura 16.
Figura 16:
Na imagem da direita representa-se o vector ~F (2, 1) = (2, 1). Notar que (2, 1) representa um vector aplicado na origem. A imagem da direita serve para salientar que este vector ´e o valor de ~F (x, y) no ponto (2, 1).
Exemplo 2.
~
F (x, y) = yˆi + xˆj
Um esbo¸co deste campo vectorial est´a representado na esquerda da figura 16.
Figura 17:
Na imagem da direita representa-se o vector ~F (2, 1) = (1, 2), transportado para o ponto (2, 1). Exemplo 3.
~
F (x, y) = −yˆi + xˆj
Um esbo¸co deste campo vectorial est´a representado na esquerda da figura 16.
Figura 18:
sendo vi a velocidade do corpo quando este inicia o trajecto, e vf a velocidade com que o corpo termina o
trajecto. Esta varia¸c˜ao da energia cin´etica do corpo n˜ao depende da massa do corpo, nem da sua velocidade inicial (velocidade do corpo quando a for¸ca come¸ca a actuar sobre ele), mas apenas de F e d (primeiro membro da express˜ao), e diz-se trabalho realizado pela for¸ca F ao longo da traject´oria linear de medida d. Se a for¸ca for vari´avel ao longo da traject´oria, ou se a traject´oria n˜ao for linear (imagem `a esquerda na figura 19), podemos subdividir a traject´oria em arcos de medida ∆s suficientemente pequena, de modo que se possa considerar a for¸ca aproximadamente constante sobre cada subdivis˜ao, cada uma das subdivis˜oes sendo aproximadamente linear (imagem `a direita na figura 19). O trabalho ∆Wk realizado pela for¸ca ao
longo da k-´esima subdivis˜ao da traject´oria ´e
∆Wk ≈ k ~Fkkcos(θ)∆s. (4)
Figura 19:
Fica claro que o trabalho realizado pela for¸ca sobre a curva C ´e dado por um integral de linha, que resulta do limite do somat´orio dos trabalhos realizados ao longo dos percursos de medida ∆s.
W = Z
C
dW
Quer-se obter uma f´ormula que possamos usar, tendo como dados o campo de for¸cas ~F e uma parametriza¸c˜ao da curva C. Na f´ormula (4), a express˜ao k ~Fkkcos(θ) corresponde `a projec¸c˜ao de ~F na direc¸c˜ao da tangente
`
a curva. Esta express˜ao pode escrever-se
k ~Fkkcos(θ) = ~Fk·
~ rk0 k~r0
k(t)k
sendo ~rk0/k~rk0(t)k um vector unit´ario com a direc¸c˜ao tangente `a curva e sentido igual ao sentido que a parametriza¸c˜ao define sobre a curva. Podemos escrever
W = Z C ~ F · ~r 0 k~r0 (t)kds.
Como ds = k~r0(t)k dt, obt´em-se W = Z C ~ F · ~r 0 k~r0 (t)kk~r 0 (t)k dt W = Z C ~ F · ~r0(t) dt
Exemplos
Exemplo 1. Determinar o trabalho realizado pelo campo vectorial ~F (x, y) = −yˆi + xˆj aolongo da curva C: x2+ y2, x, y ≥ 0, orientada no sentido retr´ogrado.
Resolu¸c˜ao
A curva admite a parametriza¸c˜ao C :
(
x(t) = 3cos(t)
y(t) = 3sen(t) 0 ≤ t ≤ π/2.
Um esbo¸co do campo vectorial ~F (x, y) e da curva C, est´a representado na figura 20.
Figura 20:
Como o sentido da projec¸c˜ao do campo de for¸cas sobre a curva coincide com o sentido em que esta ´e descrita, o trabalho deve ser positivo.
W = Z
C
~
F · ~r0(t) dt
Come¸camos por calcular ~F · ~r0(t).
~r(t) = (3cos(t), 3sen(t)) ~r0(t) = (−3sen(t), 3cos(t))
~
F · ~r0(t) = (−y, x) · (−3sen(t), 3cos(t))
= (−3sen(t), 3cos(t)) · (−3sen(t), 3cos(t)) = 9sen2(t) + 9cos2(t) = 9 O c´alculo do trabalho prossegue.
W = Z π/2
0
9dt = 9 2π.