Universidade Federal de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo
ARQ 5661- TECNOLOGIA DE EDIFICAÇÃO I Professor Anderson Claro
Julho de 2013
Trabalho de Tecnologia da Edificação I
Janelas
Larissa Chaves Lia Maestrelli Maria Paula Rescke
1 . Evolução da janela através dos séculos
1.1 Resumo
“Para poder compreender as residências do passado, deve-se deixar o ponto de vista habitual e pensar do seguinte modo: os construtores antigos pensavam a casa como elemento protetor do homem, que vivia e trabalhava em plena natureza, contra as variações climáticas (janelas pequenas, salas sem luz direta, etc.). O homem do passado compreendia a sua casa como refugio. Satisfeito com o sol e o clima natural, este homem gozava da intimidade, do abrigo, do ninho. Descansava rompendo suas relações com a natureza. Na casa antiga faltam, portanto, os elementos que hoje nos são tão agradáveis e indispensáveis e o recinto doméstico, completamente diferente, nos causa, no primeiro momento, a impressão de desconforto, impressão que resulta dos nossos costumes. Para compreender a casa antiga precisamos estudar as condições em que elas foram construídas no passado”. (BROOS, 2002 pg.22)
Desde a antiguidade, a janela era uma modificação da porta. Nas casas primitivas a luz entrava através da porta e a fumaça saia através do teto. Nos locais de clima seco, já se encontravam dois tipos de aberturas, um que seria lateral para a entrada de luz e a outra seria uma espécie de poço por onde a fumaça deveria sair.
Das primeiras modificações da porta, surgiu para a iluminação e para a proteção contra o tempo, a meia porta, ou seja, a janela. Antigamente até que havia uma lógica para que a iluminação, ventilação e acesso fossem feitos por um mesmo vão, no caso a porta, mas com o tempo esses motivos deixaram de existir e a janela surgiu como derivação da porta.
Povoado de Kau, sudeste da provincia de Kordofan, no Sudão
Estética e historicamente, as janelas podem ser divididas em duas categorias: de um lado o tipo buraco na parede, característico das aberturas nas antigas paredes autoportantes e de outro lado as janelas enquadradas por um sistema estrutural de colunas e traves. Dentro destas divisões uma grande variedade de tipos de janelas se desenvolveu através da história. Construções em barro e de tijolos de barro foram usadas na antiguidade e em grossas paredes autoportantes com pequenas aberturas para portas e janelas.
Sem dúvida, diferenças de clima, materiais e métodos estruturais influenciaram os vários tipos de janelas em determinada época, mas muito importantes também na sua definição foram os costumes sociais e modas, tendências artísticas e conhecimentos artesanais. De fato, de época bem mais recente, podemos citar a arquitetura no Brasil colônia, quando as aberturas pequenas mais adequadas ao clima de determinada região passaram a presenciar a multiplicação de janelas como fator de prestígio do proprietário.
Pode-se dizer que por razões climáticas e religiosas, as janelas tiveram pouca importância na antiga arquitetura monumental do Egito e do Oriente e mesmo da Grécia. Na Europa, só com o Império Romano as janelas começaram a se destacar nos edifícios públicos, em parte devido ao uso do
arco e suas decorrências e do concreto, que contribuíram para esta mudança de enfoque.
Na arquitetura doméstica dos países com uma parte do ano ensolarada, as janelas são pequenas, mas não possuem proteção contra radiação solar.
Habitações em Obidos, Portugal.
As fachadas das casas nos séculos XVII e XVIII em Bequinage, Amsterdam, mostram claramente que os habitantes necessitavam da máxima quantidade de luz natural; são muito funcionais, tem um mínimo de área de parede de tijolo e uma área máxima envidraçada que admitem a luz suave e filtrada de Amsterdam.
Habitações dos séculos XVII e XVIII em Beguinage, Amsterdam.
No século XVIII na Grã Bretanha, com os estilos georgiano e paladiano, há uma ordenação formal e uma simetria como nunca houve: as janelas e todas as aberturas são disciplinadas. As janelas, por exemplo, deveriam ter 1/6 da largura do cômodo onde estivessem e deveriam ser sempre usadas na forma de vidraças em caixilhos.
Na França haviam certas proteções nas aberturas, tais como porta-janelas que permitiam que elas fossem totalmente abertas durante o calor. Nessa época começava-se a enfatizar o efeito panorâmico das janelas e assim elas também começaram a se desenvolver neste sentido.
Em 1970 foi construído o Royal Opera Arcade, na Inglaterra, que era uma rua comercial coberta onde a luz natural penetrava através de domus circulares de vidro.
Arcada da Royal Opera, Londres.
No fim do século XVIII o surgimento do vidro plano transparente, juntamente com o desenvolvimento do aço no século XIX proporcionaram a construção de edifícios do tipo Palácio de Cristal, em Londres, tirando o máximo proveito do clima com fraca radiação solar.
O desenvolvimento do concreto no século seguinte, empregado na estrutura de grandes edifícios para a indústria e comércio, levou a uma alteração profunda na arquitetura e ao emprego de janelas que se multiplicaram e cresceram numa sucessão vertiginosa e eclética de estilos, tanto na Europa como nos Estados Unidos. Onde a estrutura ficava aparente, as janelas ficavam a ela subordinadas no espaçamento e proporção. Passou a predominar o Movimento Moderno ou segundo alguns, o Estilo Internacional, onde as janelas deixaram definitivamente de ser buracos na parede, tornando-se elementos integrados aos planos do edifício.
1.2 Evolução da janela na arquitetura mundial
No Egito, as janelas reduziam-se a estreitas aberturas não só para impedir a entrada excessiva do calor (clima desértico, quente e seco), mas também por razões religiosas, talvez muito parecidas à da arquitetura sacra de todos os tempos, onde o ambiente místico com pouca iluminação é comum, porém expressado de maneiras diferentes em cada época.
Grande sala hipostila de Ramses II, no templo de Amon a Karnak, XIX dinastia, 1290 - 1224 a.C.
Na arquitetura doméstica, o uso de janelas nos tempos remotos dependia da situação social do habitante. Em modelos de barro achados em escavações arqueológicas, as casas mais simples eram iluminadas por buracos nas paredes e as mais abastadas pelas aberturas tipo grelha, como nos grandes templos.
Modelo em cerâmica de uma casa, encontrado em uma tumba em Deir Rifeh.
No Oriente Médio, na época dos assírios e babilônicos, as janelas dos palácios reais também eram pequenas, pelas mesmas razões que para os egípcios, sendo região com características similares. Só mais tarde, na época dos persas, encontramos aberturas maiores como, por exemplo, nas ruínas de Persépolis, o que indica a existência de outros critérios de exigências e disponibilidade do meio ambiente natural e cultural.
Os gregos orientavam as janelas para o uso dramático da luz, visto que é típico da sensibilidade grega o relacionamento do edifício com seu meio ambiente. Em Creta, as janelas quadradas e retangulares eram da mesma dimensão e quantidade das modernas construções residenciais, indicando um critério diferente de projetar, apesar do clima quente.
Na época Helenística, a iluminação nos quartos dos habitantes mais ricos era feita por pequenas aberturas (...) e as fachadas externas voltadas para a rua eram sem janelas provavelmente para evitar o barulho e a poeira da rua e ainda para manter a privacidade dos moradores. Como exemplo poderíamos citar as casas Greco-romanas de Pompéia e Herculano.
Os romanos, a contrário dos gregos, as janelas de Roma se voltavam justamente para a rua. Os romanos já conheciam a possibilidade de colocar
vidros nas janelas, mas devido ao agradável clima da maioria de suas cidades e à ainda má qualidade do material, seu uso era raro.
A partir do fim do século VIII, o estilo românico se baseia em simples formas geométricas e o uso excessivo do arco redondo, ainda com poucas janelas e muito espaço para afrescos e mosaicos, como por exemplo, no Batistério de Florença.
O estilo Gótico surge como decorrência do estilo românico. Com seu esqueleto de pedra, permitiu que as paredes fossem parcialmente abolidas, dando lugar a generosas janelas e vitrais, tornando-se praticamente uma maravilhosa gaiola de vidro. As janelas circulares das igrejas medievais denominadas “óculos” ou olho desenvolveram-se até chegar às magníficas rosetas com vitrais coloridos, e os arcos pontudos permitiram a colocação de grandes janelas sem abalar a estrutura do edifício. O surgimento da grande janela gótica ao norte da Europa se prende ainda a dois fatores: o clima com abóboda celeste menos luminosa onde é bem vinda a maior penetração de luz solar e aos progressos técnicos alcançados na fabricação do vidro, cujo alto custo no início limitava ainda seu uso a igrejas, protegendo contra a chuva e o vento. Aos poucos o vidro colorido foi adquirindo matizes mais pálidos até que no gótico tardio foi usado vidro incolor.
Interior da Catedral de Sens, França.
Vitral na Catedral Nôtre Dame de Chartres [University of Dayton] (Fonte: site Vitruvius)
Na renascensa, a revalorização da antiguidade Greco-romana, com renovado interesse pelas formas clássicas, levou à volta da parede autoportante, valorizada pelas janelas dimensionadas segundo as leis da lógica e da escala humana, em contraste com a arquitetura gótica onde a janela era resultado de uma estrutura orgânica. Coincidindo com a chegada dos fabricantes de vidro na França e na Itália, a renascença influenciou tremendamente as formas e dimensões das janelas, pois agora elas assumiam uma importância maior tanto no sentido estético como funcional. Além das janelas serem maiores, os vidros também o eram, permitindo que o sol penetrasse no ambiente ao longo do dia funcionando como luz e como calor controladamente. (...). Mesmo assim ainda havia o problema da irregularidade das suas superfícies, o que causava distorção das cores nos ambientes onde foram empregados.
No Período Industrial, considerações de higiene, eficiência, economia e ganho motivaram inovações tecnológicas no controle do ambiente, ajudadas pelo desagrado estético das pessoas educadas pela má ventilação, pela a pobre iluminação proveniente do gás e pelos consequentes inconvenientes. A arte e a tecnologia se combinaram para rejeitar o escuro, o abarrotado, o sufocante. No Modernismo é notável o fenômeno da concentração nos valores visuais e o desinteresse pela qualidade de isolamento térmico e acústico da simplicidade edilícia, assim como pela iluminação, apenas justificável pelo impacto causado pelas inovações na climatização e iluminação artificial. A parede de vidro aparece como parte de um período importante da nova arquitetura, que implicava gastos (quando não desperdício) de energia devido às perdas e ganhos térmicos próprios de sua capacidade térmica, assim como perda de iluminação artificial durante a noite.
Na Contemporaneidade se deu, pela primeira vez, uma arquitetura que não introduzia a tecnologia ambiental como um remédio desesperado, nem como uma determinante de formas da estrutura, mas que foi final e naturalmente absorvida nos métodos normais de trabalho arquitetônico, contribuindo à sua liberdade de desenho. Ou seja, foi feito um uso emblemático da tecnologia porque se incorporou como fator impulsionador de projeto, destinada a se converter em parte do discurso ideológico da forma. O encontro entre a iluminação e a arquitetura era exemplar.
1.3 Evolução da janela na arquitetura brasileira
Já antes da descoberta do Brasil pelos portugueses os índios resolveram de forma adequada, dentro de suas necessidades o seu problema de habitação. Localizados geralmente em zonas tropicais úmidas, tona-se extremamente necessário uma proteção eficiente contra a penetração dos raios diretos do sol a fim de se evitar o aquecimento do recinto. Quanto a isso a oca realiza plenamente essa finalidade, pois as aberturas existentes eram pequenas, servindo apenas como acesso.
No período colonial os lotes urbanos eram extremamente estreitos. As aberturas da fachada principal correspondiam às salas da frente e ao armazém. As aberturas dos fundos eram dos cômodos de permanência das mulheres e locais de trabalho. No centro da casa localizavam-se as alcovas, que eram locais de permanência noturna. Na colocação das janelas, deixava-se grande distância entre o frechal e as envasaduras e a sua disposição deixava-seguia um rigor métrico: nas fachadas das casas mais simples, uma porta era colocada entre duas janelas e nos sobrados as janelas dos pavimentos inferiores correspondiam com as do pavimento superior. Além disso, nos sobrados, tentava-se, através do uso de diferentes janelas, explicitar a diferença de usos de cada pavimento, visto que o térreo era ocupado pelo comércio e o superior, com a moradia da família.
Uma característica importante das edificações coloniais é o predomínio dos cheios em relação aos vazios, ou seja, poucas aberturas com relação à superfície de alvenaria. Isso acontece devido à tecnologia construtiva da época, que não permitia que se trabalhasse de outra forma.
No âmbito rural encontram-se as casas bandeiristas, relativamente bem adaptadas ao nosso clima. Suas aberturas, portas e janelas, eram moduladas, sendo que as janelas, na maioria das vezes eram guarnecidas por barras verticais de secção quadrada colocada às vezes em diagonal à face da janela. Acreditava-se que a função dessas barras fosse meramente decorativa.
Janela com barras de ferro das casas bandeiristas.
Na arquitetura religiosa barroca as janelas possuíam formas rebuscadas, que causavam um efeito luminoso de verdadeiros jorros de luz, contrastantes com a penumbra das capelas. Nas casas, as janelas, à semelhança da moldura de alguns retratos, são ricas em detalhes, como forma de expressão estética e de status social.
Modelo de janela século XVIII, Mariana, Minas Gerais.
É interessante frisar que o uso do vidro nas janelas brasileiras é relativamente recente. Em 1760, na Bahia, apenas a igreja dos Jesuítas e o Palácio dos Governadores possuíam janelas de vidro. Em seu lugar usavam-se balaústres de madeira torneados. Em residências mais simples usavam-se urupemas (estreitas de junco). Mais tarde usaram-se rótulas, constituindo-se de tiras delgadas de madeira entrecruzadas diagonalmente e derivadas de modelos portugueses.
Janela de rótula, Santana do Parnaíba, São Paulo.
A primeira fábrica brasileira de vidros transparentes surgiu na Bahia, fundada em 1810 por Francisco Inácio de Sequena Nobre. A princípio foram então preferidas as janelas de tipo guilhotina segundo a moda que os portugueses tomaram de empréstimo na Inglaterra e na Holanda, porém também se tornaram comuns as janelas francesas de batente.
Até o início da segunda metade do século passado poucas transformações substanciais ocorreram. A maioria das construções, porém, contava com um porão alto, iluminado através de pequenos óculos. E somente com a decadência do trabalho escravo e com o início da imigração europeia que as técnicas construtivas são aperfeiçoadas.
Além disso, as casas urbanas maiores começam a se utilizar de novos sistemas de implantação no lote, afastados dos vizinhos e com jardins laterais, proporcionando melhores condições de iluminação e arejamento. (Figura 14)
Residência em Taubaté - Lote grande - Afastamento dos vizinhos.
Nessa segunda metade do século XIX ocorre um grande refinamento no que diz respeito às janelas. Utilizava-se de materiais quase totalmente importados. Os balcões foram suprimidos, surgiram os peitoris, com cerca de 20 cm de largura. Na fachada esses peitoris eram marcados por elementos decorativos e, às vezes, até mesmo por falsas balaustradas. Na parte superior as bandeiras foram sendo substituídas por paletas, e no fim do século passado já existia uma forte tendência de desaparecer o ornato superior e substituir o inferior por grandes jardineiras de gerânios. Nessa época as vidraças eram ainda externas, e quando as folhas de vedação eram abertas percebiam-se, então, por dentro as cortinas de renda. Surgiram, então, nos dormitórios, as primeiras venezianas, substituindo as vidraças como vedação externa e cobrindo a maioria dos casos o vão interno, preparando o desaparecimento das bandeiras. (Figura 15)
1.4 Evolução da janela brasileira.
Aparecem nessa época, também, as janelas com montagens metálicas, geralmente com a forma de vitrais. Eram empregadas como proteção nos alpendres e jardins de inverno. Os vidros coloridos conferiam ao espaço interior um encanto especial assegurando, ao mesmo tempo, grande luminosidade. Nos palacetes assombrados do fim do século passado, existiam os grandes saguões com pé direito duplo de onde sai a escadaria. A iluminação dessas áreas era feita através de claraboias ou janelas gigantescas que eram valorizadas com vitrais.
Até não muito tempo, existia ainda uma tendência de se valorizar a fachada da frente, deixando a fachada que dava para o quintal completamente desprestigiada. Essa tendência se refletia nas janelas, onde apareceriam os modelos mais recentes de ferro nas salas, e as de madeira nas dependências mais íntimas.
Surgem no século XX os grandes prédios de apartamentos. As indústrias dessa primeira metade do século XX, muitas vezes implementadas em áreas urbanizadas, se preocupavam com detalhes estilísticos,
principalmente nas janelas. Essas janelas, sempre projetadas de acordo com o estilo em voga (acadêmico, neocolonial, ou mesmo “moderno”) eram alteadas para evitar a vista dos passantes e compunham sobre as paredes uma aparência de decoro, ainda que como fatores de iluminação pouco valessem.
2 . Concepção da Janela no Projeto
Janela como moldura tanto do mundo exterior quanto do interior:
Recortes da paisagem influenciam no modo de ver o mundo de quem está do lado de dentro da casa: enfoque em uma construção, em uma montanha, em alguma rua: sensações de pacatez, movimento, segurança ou insegurança: tudo são pontos de vista. Antigamente, com as janelas muito reduzidas, se comparadas com atualmente, e um maior número delas, os recortes da paisagem pesavam ainda mais na edificação e a relação interior-exterior era muito mais limitada do que hoje em dia, em que os grandes panos de vidro deixam o interior das construções quase nu.
Se a oposição entre o interior (o si) e o exterior (o espaço-para-outro) existe em todas as construções[1], hoje em dia esses elementos dicotômicos se aproximam cada vez mais.
[1] Livro Arquitetura E Filosofia, autor Mauricio Puls. Página 22. [2] Luz, Clima e Arquitetura- Mascaró. Página 109
[3] Luz, Clima e Arquitetura – Mascaró, página 114. [4] Luz, Clima e Arquitetura – Mascaró, página 110.
[5] Luz Clima e Arquitetura – Mascaró página 110 – parafraseei. [6] Luz, Clima e Arquitetura – Mascaró, página 114.
[8] Luz, Clima e Arquitetura – Mascaró, página 120. (parafraseei) [9] Luz, Clima e Arquitetura – Mascaró, página 120.
[10] Luz, Clima e Arquitetura – Mascaró, página 120. [11] Texto Iluminação e Arquitetura, Lucia Mascaró.
3 . Funções da Janela
“Toda a história da arquitetura gira exclusivamente em torno das aberturas nas paredes.”
Le Corbusier, 1927. São funções da janela iluminar, ventilar, proporcionar a vista externa de um ambiente. A partir dessa tríade, pode-se fazer várias reflexões sobre a permeabilidade visual que ela pode gerar entre dois (ou mais) ambientes; os problemas e soluções de segurança relacionados à ela; a questão da higiene porporcionada pelas janelas, uma vez que ambientes totalmente fechados são berçários de mofos e afins; pode-se inclusive pensar sobre o conforto psicológico porporcionado por uma janela (exemplo claro é o contraste entre um hospital/asilo e uma prisão).
Mas ela não é só importante para quem a vê do “lado de dentro”. As janelas também são muito importantes na composição de fachadas, tendo características próprias para cada movimento artístico/arquitetônico e para cada arquiteto pelo qual foram projetadas. Exemplos são: a de Adolf Loos, quadrada ou retangular, que enfatiza a simplicidade e a composição rigorosa de suas obras; a fita e o pan de verre de Le Corbusier que, ao livrar a estrutura da planta, criou aberturas de disposições e formas ilimitadas; a parede-cortina (que é a negação total da janela tradicionalmente entendida como um buraco em uma parede) por Mies van der Rohe.
Adolf Loos - Haus Wittgenstein
Mies Van der Rohe – Farnsworth House
Não se pode esquecer que para projetá-las ainda existe a preocupação com a orientação solar, a vegetação, o contexto, a geografia e etc. Preocupação essa que, quando inexistente, pode gerar ambientes totalmente desconfortáveis, seja por incidência demasiada ou irrisória de sol e vento.
No século XIX, muitas moradias foram feitas sem esse cuidado: “Estas moradias baixas, úmidas, mal iluminadas, mal orientadas, onde se empilham animais e habitantes, contribuem poderosamente para o desenvolvimento das escrófulas e da tuberculose, e imprimem a todas as infecções uma tendência em terminar em supuração [...]”.
Além das moradias, existiu o problema de conjuntos habitacionais com séries de alojamentos mal iluminados e pouco arejados. Sendo assim, eles foram focos endêmicos de várias doenças, como a febre tifóide em 1873 e a cólera em 1884. É certo a dispersão dessas doenças nesses locais se deu por uma série de motivos, dentre eles, a falta de higiene e a hiperlotação. Contudo,
os Congressos Internacionais de Higiene apontaram como uma das soluções para esse problema a preferência por ambientes arejados e bem iluminados.
A partir daí, as aberturas em moradias e em conjuntos habitacionais foram se tornando cada vez mais importantes. Ou seja, as funções principais das janelas começaram a ser seriamente pensadas: agora era imprescindível ventilar e iluminar, além de ter uma vista agradável.
As funções apenas citadas da janela são muito importantes inclusive para a manutenção do nosso ritmo circadiano (período de 24 horas sobre o qual se baseia todo o ciclo biológico do ser humano, e de qualquer outro ser vivo, influenciado pela luz solar).
Esse é mais um motivo pelo qual a entrada de luz solar é tão importante: com ela, regulamos as nossas funções biológicas mais intrínsecas: saber a hora de acordar, de ir dormir, obtemos sensações relacionadas ao clima. Além disso, a vista para fora também nos traz sensações que influenciam nosso humor, tempo de sono e etc.
4 . Técnicas Construtivas
No que concerne às janelas há uma grande variedade de tipos, e consequentemente de materiais e técnicas empregadas. Surgem a todo momento inovações tecnológicas nesse campo que propiciam janelas cada vez maiores, mais eficientes energeticamente, com maior proteção contra insolação direta, entre outras melhorias.
4.1 Materiais
Há janelas dos mais diversos materiais, dentre os principais podemos citar a madeira, aço, alumínio e pvc. Existem vários pontos a serem considerados quando se escolhe um tipo de esquadria para o projeto. Dentre eles estão a segurança, a habitabilidade (acústica e estanqueidade), a
durabilidade, a conservação e manutenção/ reparos, a estética e a facilidade no uso.
Janelas de Madeira
As janela de madeira foram utilizadas largamente por se tratar de um material, que em épocas passadas, era abundante. Hoje, não é dos mais utilizados, seja pelo custo-benefício relativamente alto, seja por haver possibilidades mais acessíveis e de fácil manutenção.
São mais utilizadas, principalmente, em projetos de casas de campos, para compor com o visual rústico. Associadas com o madeiramento do telhado e do forro dão um aspecto aconchegante e sofisticado à construção.
É importante escolher o melhor tipo de madeira, visto que isto influenciará na manutenção, na durabilidade, e também no aspecto formal, como nos tons, e desenhos dos veios.
Há muitas vantagens em se utilizar janelas de madeiras podemos citar o bom comportamento acústico, a maleabilidade, o conforto térmico, o agradável aspecto visual tanto na composição dos ambientes externos quanto na composição das fachadas e a variedade de formatos, desenhos e tamanhos.
Dentre as desvantagens podemos citar a necessidade de manutenção e cuidados com a exposição excessiva às intempéries, pois isso pode levar ao branqueamento, e posterior apodrecimento da madeira, sendo necessário trocar a esquadria, em alguns casos.
Para uma manutenção adequada é sugerido que se utilize lixa, selador e verniz, isso faz com que a esquadria dure por mais tempo, e também a durabilidade está relacionada com o tipo de madeira utilizada e o tratamento ao qual ela foi submetida.
A conservação das esquadrias é fundamental para manter a longevidade da mesma. Deve-se evitar bater as janelas ao fechar, pois isso pode gerar fissuras na alvenaria adjacente. Para a limpeza, um pano úmido, em janelas não lustradas e cera ou lustra móvel em janelas lustradas. Nunca se deve jogar jatos de água diretamente na janela. Quando houver indícios de desenvolvimento de microoganismos no material, é necessário que se faça um novo acabamento com tinta e/ou verniz.
Dentre as madeiras mais utilizadas estão Freijó, Cedro, Cedro Rosa, Lourovermelho, que são mais macias/leves e Ipê, Cumaru e Grápia mais duras, pesadas e resistentes.
Figura: Exemplo de tipologias de janelas em madeira. Retirado de http://www.portaldasideias.org/janelas-de-madeira/
Figura: Casa de Chá Chapéu aberturas em madeira. Retirado de: http://www.archdaily.com.br/br/01-54069/casa-de-cha-chapeu-a1-architects
Figura: Casa Glenhope / JOH Architects todas as aberturas foram feitas em madeira. Retirado de: http://www.archdaily.com.br/br/01-19619/casa-glenhope-joh-architects
Figura: CasaPier / Gabriel Grinspum e Mariana Simas destaque para janelas em madeira. Retirado de: http://www.archdaily.com.br/br/01-7537/casa-pier-gabriel-grinspum-mariana-simas
Figura: Fachadas de Casarios em Verona, Itália, janelas em madeira eram as mais utilizadas. Retirado de: http://pixdaus.com/verona-windows-shutters-balcony-colors-italy-by-saxonfenken/items/view/572668/ Retirado de: http://5cidade.files.wordpress.com/2008/04/reparacao-de-janelas-em-madeira.pdf manutenção e instalação http://www.slideshare.net/AlineMaria4/trabalho-de-esquadrias-de-ferro-e-madeira-12874010 http://www.monteseuprojeto.com.br/os-principais-tipos-de-materiais-utilizados-em-janelas-e-portas/ http://www.dcc.ufpr.br/wiki/images/8/81/TC025_Esquadrias_parte_2.pdf
Janelas de Aço
São das mais utilizadas em construção civil, principalmente em construções populares, devido ao baixo custo. O seu uso é limitado pelas dimensões das janelas disponibilizadas pelo fabricantes, já que as medidas são padronizadas e portanto não podem ser colocadas em qualquer abertura. É justamente essa padronização que permite a redução dos custos. É possível encomendar janelas com medidas diferentes das padrões, mas isso implica em aumento no orçamento da obra, o que deve ser bem dimensionado para não extrapolá-lo.
As vantagens em se utilizar esse tipo de material é a alta durabilidade, a fácil manutenção, além do baixo custo. Por outro lado a estética apresentada não é das melhores, além de não apresentar uma boa acústica e proteção térmica adequada.
Embora o investimento no início possa ser baixo, o custo em manutenção é mais elevado. As manutenções devem ser periódicas para que não haja formação de ferrugem e o desgaste da esquadria. São esquadrias mais comumente encontradas em estabelecimentos comerciais e industriais.
Figura: Janela em aço. Retirado de:
http://www.sasazaki.com.br/mostra_produtos_subcat.php?cod_cat=15&cod_su bcat=25
Figura: Uso de esquadrias de aço em habitação de interesse social no Vale do Jequitinhonha. Retirado de: http://blogdobanu.blogspot.com.br/2010/12/virgem-da-lapa-vai-construir-38-casas.html
Figura: Esquadria em Aço, moldado de acordo com o projeto arquitetônico. HomeMade / Bureau de Change Design Office. Retirado de:
http://www.archdaily.com.br/br/01-100561/homemade-bureau-de-change-design-office
Figura: Residência revestida em bambu, com esquadrias de aço. Casa de bambu de baixo consumo de energia / AST 77 Architecten. Retirado de: http://www.archdaily.com.br/br/01-90691/casa-de-bambu-de-baixo-consumo-de-energia-ast-77-architecten
Figura: Casa de Vidro de Lina Bo Bardi uso de pilotis e esquadrias de aço. Retirado de: http://www.archdaily.com.br/br/01-12802/classicos-da-arquitetura-casa-de-vidro-lina-bo-bardi Retirado de: ftp://ftp.unilins.edu.br/jccampos/Curso%20Gradua%E7%E3o%20Civil%20- %20Tecnologia%20dos%20Materiais/Aulas%20TecMatII%20- %20101.057%20-%20pdf/Cap.VIB%20-%20Instala%E7%E3o%20de%20Esquadrias%20de%20Ferro.pdf http://www.monteseuprojeto.com.br/os-principais-tipos-de-materiais-utilizados-em-janelas-e-portas/
Janelas de Alumínio
As esquadrias de alumínio representam cerca de 20% do volume total de caixilhos produzidos no país. Assim como as de aço, possuem medidas padronizadas, porém como o alumínio é facilmente moldável, podem-se fazer esquadrias com medidas pre-determinadas mais facilmente.
Dentre as vantagens podemos citar a fácil manutenção, alta durabilidade e resistência, principalmente em relação aos raios solares e a ação das chuvas (não enferruja), além da leveza inerente ao material, adequam-se aos mais diversos tipos de projetos e de dimensões de vãos. É o material que melhor aceita todos os componentes de uma janela, além dos elementos de vedação (escovas de vedação, borrachas de EPDM, silicone). Quando bem projetados, construídos e instalados de acordo com as normas técnicas, as janelas de alumínio apresentam elevado desempenho quanto ao isolamento do vento e da chuva.
As desvantagens são o alto custo, baixo isolamento termoacústico e a baixa resistência a impactos, devido a sua maleabilidade. Por outro lado, as desvantagens podem ser compensadas com as recentes inovações tecnológicas. Para melhorar o isolamento termoacustico utiliza-se perfis com thermobreak, constituídos por dois perfis de alumínio e um perfil de poliamida entre eles.
Há uma grande variedade de cores prontas, que podem ser escolhidas no ato da compra sem que seja, portanto, necessário pintá-las. As mais comuns são: branco, prata, bronze, vinho, preto, cinza, bege, marrom, azul, amarelo, verde e vermelho, sendo que as tonalidades variam com o fabricantes, a possibilidade de escolha das cores garante a harmonia com a decoração de interiores. Além disso, é possível a aplicação de um filme que reproduz qualquer imagem, como a da madeira, mármore, granito.
As janelas ainda passam por um processo de anodização, uma técnica eletroquímica que aumenta a camada de óxido do metal, o que possibilita uma durabilidade ainda maior.
As dicas de manutenção são de nunca: se utilizar materiais abrasivos como palha de aço; detergentes com saponáceos; produtos químicos altamente ácidos ou alcalinos, que retiram a camada de anodização, causando
manchas na janela; lavar com jatos de água muito fortes, já que pode entrar água em lugares indevidos; usar vaselina; remover borrachas e massas de vedação inerentes da janela. O correto é utilizar esponja macia ou pano úmido, e nos cantos um pincel, também macio. Em áreas rurais e urbanas a limpeza das esquadrias devem ser feitas pelo menos uma vez ao ano, enquanto que para áreas marítimas ou industriais a limpeza deve ser realizada a cada 3 meses
Ainda quanto a manutenção é importante avaliar cada componente da janela em separado. As roldanas devem ser constantemente limpas, pois a acumulação de sujeira dificulta o abrir e fechar, fazendo com que o usuário exerça uma força indevida nos outros componentes podendo danificá-los. As caixas de dreno, fundamental na vedação, equilibra as pressões internas e externas. Fica entre as folhas, evita a entrada de água, mas permite que ela saia, por gravidade, para a parte externa. As guarnições ou fitas dupla face que unem o vidro ao perfil, possuem a função de fixar o vidro à esquadria. É imprescindível que sejam realizadas inspeções para avaliar as condições destas. Parafusos fixam o quadro ao contramarco ou à alvenaria. Principalmente, em locais de influências marinhas, eles enferrujam podendo deixar o quadro com as folhas totalmente solto. Braços de articulação, principalmente encontrados em janelas Maxim-ar, podem não suportar as solicitações extremas, podendo levar à queda dos painéis móveis, por isso é fundamental a verificação continua das condições destes e inclusive substituí-los por sistemas mais modernos que garantam maior segurança ao usuário. Fechos travam as folhas, impedindo a entrada de vento ou chuva. Escovas são responsáveis por vedar as janelas de ventos e chuvas. Quando desgastadas permitem a entrada de umidade e de ventos, promovendo grandes ruídos no ambiente. Silicone de vedação, impedem a agua de entrar entre a alvenaria e o quadro, quando isso ocorre, o revestimento pode ser deslocado, causando grandes prejuízos. Guias limitadoras, encontradas na janelas de correr, limitam as folhas nos quadros, impedindo que elas saiam deste. E finalmente, os vidros, para se evitar quebras é fundamental que não haja tensionamento ou excesso de folga, pois isso pode levar à quebra do material. As espumas ou borrachas de vedação quando ressecadas ou quebradas devem ser substituídas.
Nunca se deve instalar a esquadria de alumínio anodizado antes da conclusão da obra, uma vez que respingos de concreto prejudicam a anodização. Antes de pintar as paredes, seja com tinta a óleo, látex ou cal é preciso proteger as esquadrias com fitas adesivas de pvc (não fitas tipo crepe que podem manchar o caixilho). Caso haja o contato da tinta com a esquadria, se deve limpar com pano seco e, depois, com pano umedecido em água com detergente neutro.
De forma geral o preço das esquadrias são variáveis, variam de acordo com a espessura do perfil de alumínio, com a tipologia da janela, com a complexidade do projeto, com os componentes empregados e com o tratamento de superfície. Geralmente, o preço médio de uma janela em alumínio de 1,50m x 1,20m é de mais ou menos R$ 650,00 o m², sendo que muitos fabricantes fornecem uma garantia de 5 anos.
Nesi e Daré (2012) fazem uma comparação entre as esquadrias de alumínio e as de aço quanto a aceitação entre os usuários. As esquadrias de alumínio foi mais aceita pelos usuários (Tabela 1).
Tabela 1: Comparação entre esquadrias de alumínio e aço, de acordo com o
Figura: Esquadria em alumínio. Retirado de:
http://www.sasazaki.com.br/mostra_produtos_subcat.php?cod_cat=14&cod_su bcat=31
Figura: Habitação de Interesse Social com esquadrias pré fabricadas em alumínio. Retirado de:
http://www.familiapaulista.com.br/familiapaulista/noticias/anhumas--mais-30-casas-do-pmcmv-sub-50-prontas-no-interior-de-sp/78
Figura: Esquadrias em alumínio anodizado bronze escuro. AV House / BAK Architects. Retirado de: http://www.archdaily.com.br/br/01-91628/av-house-bak-architects
Figura: The Me Too House / LADAA com esquadrias em alumínio. Retirado de: http://www.archdaily.com.br/br/01-118998/the-me-too-house-ladaa
Figura: Edifício na Rua Aimberê / Andrade Morettin Arquitetos, com esquadrias em alumínio. Retirado de: http://www.archdaily.com.br/br/01-35386/edificio-na-rua-aimbere-andrade-morettin-arquitetos
Retirado de:
NESI, A. e DARÉ, M.E. Comparativo entre Esquadrias de Alumínio e Esquadrias de Aço em Empreendimentos de Habitação de Interesse Social: Estudo de Caso. UNESC, 2012.
http://www.janelasdealuminio.org/page8.html http://www.monteseuprojeto.com.br/os-principais-tipos-de-materiais-utilizados-em-janelas-e-portas/ http://www.gw3mn.com.br/site/index.php/revista-em-foco-n-24/163-manutencao-em-esquadrias-vital-para-a-seguranca-dos-condominos http://www.afeal.com.br/portal/pagina.php?id=299 http://repositorio.unesc.net/bitstream/handle/1/1532/Alison%20Nesi.pdf?sequen ce=1 Janelas de PVC
As janelas de PVC, diferentemente das janelas de aço e alumínio, são mais fáceis de se obter modelos exclusivos para cada projeto. Possuem alta qualidade, flexibilidade e durabilidade por possuírem aço em sua estrutura interna. São de fácil manutenção, antioxidáveis, resistente a maresias, possuem um ótimo isolamento acústico e térmico, permitem a utilização de vidros duplos e não propagam fogo, são auto-extinguíveis em caso de incêndio, outra vantagem é a de que são recicláveis. Dentre os pontos negativos podemos citar o alto custo e a impossibilidade de se pintar.
As esquadrias de PVC por possuírem alta durabilidade requerem baixa manutenção, não amarelam devidos à alta concentração de dióxido de titânio, o que garante a estabilidade da cor branca, as ferragens por sua vez,
geralmente são de aço inox, o que não permite a formação de ferrugem, tornando esse tipo de esquadrias uma boa opção para áreas litorâneas.
A manutenção adequada inclui a limpeza, tanto das esquadrias quanto das borrachas de vedação com pano umedecido em água e detergente ou sabão neutro. É necessário a lubrificação das ferragens a cada seis meses, ou a cada três, em regiões litorâneas, para evitar a corrosão. É fundamental que se mantenha os trilhos e canais de deságue limpos e desobstruídos, o que impossibilita o acúmulo de água.
Por outro lado, nunca se deve utilizar produtos químicos, tais como solventes, acetonas, éter, ácidos, gasolina ou lustra móveis, pois eles podem danificar e ressecar as borrachas, fazendo com que ela não desempenhe seu papel da forma adequada. Também não de deve utilizar materiais abrasivos, como esponjas de aço, já que eles danificam a esquadrias, deixando-as foscas e riscadas.
As esquadrias de PVC possuem um perfil em multicâmeras, o que aumenta o isolamento termo-acústico, mesmo com a utilização de vidros simples. Os perfis são produzidos com elementos que protegem contra os raios UV, impedindo transformações de cor. Além disso, há reforços internos com aço galvanizado, o que aumenta ainda mais a resistência, inclusive contra arrombamentos.
A grande durabilidade dos produtos de PVC foi constatada também em locais onde nem se imaginava que fossem utilizados. A arquiteta Cristina Engel Alvarez, que colaborou com o projeto da base brasileira na Antártica conhecida como Estação Comandante Ferraz, optou pela utilização das esquadrias de PVC no local. A verificação de que a janela de PVC instalada em um refúgio, construído logo após a inauguração da base, em 1984, se mantinha intacta depois de 20 anos, incentivou a troca das janelas da estação para as de PVC. Segundo a arquiteta, quando alguns aspectos relacionados à qualidade na construção civil começarem a se tornar obrigatórios, os materiais e
técnicas construtivas tradicionais tenderão a ser substituídos por novos produtos e processos, mais eficientes, de menor manutenção e de maior vida útil, como o PVC. (Instituto PVC)
Figura 1: Perfil multicâmera e vidro duplo para melhor isolamento acústico.
Figura: Perfil de janela de PVC com conponentes. Retirado de: http://www.fazfacil.com.br/reforma_construcao/janelas_pvc6.html
Figura: Exemplo de janela em PVC. Retirado de:
http://modoconstrucao.blogspot.com.br/2012/06/orcamentos-de-esquadrias-de-pvc.html
Figura: Casa com esquadria em PVC. Retirado de: http://kootation.com/uploads/casaconstruida.com.br*wp-content*gallery*casas-em-jurere-internacional*fotos-de-casas-em-jurere-internacional-11.jpg
Figura: Casa Quince / Echauri Morales Arquitectos com esquadrias em PVC. Retirado de: http://www.archdaily.com.br/br/01-27695/casa-quince-echauri-morales-arquitectos
Figura: Edifício Amélia Teles, 315 / smart! Esquadrias em PVC. Retirado de: http://www.archdaily.com.br/br/01-37575/edificio-amelia-teles-315-smart
Figura: Casa DLW / Westphal+Kosciuk, esquadrias em PVC. Retirado de: http://www.archdaily.com.br/br/01-54593/casa-dlw-westphal-kosciuk Retirado de: http://www.institutodopvc.org/pvcatualidades/noticia.php?edicao=37&mat=76&l ang=pt http://www.luminapvc.com.br/
Abaixo segue um comparativo geral dos materiais mais empregados na confecção de esquadrias.
Figura 2: Comparativo Geral dos Materias empregados na confecção de esquadrias. Retirado de: http://www.shinewindows.com.br/comparativo.php
4.2 Tipologia
1 Janela de Correr 2 Janela Guilhotina 3 Janela de Folha Fixa
4 Janela de Abrir (eixo vertical) 5 Janela Projetante e de Tombar
6 Janela Projetante Deslizante Maxim-Ar 2 Janela Pivotante Vertical
8 Janela Basculante
9 Janela Sanfona ou Camarão
10 Janelas Especiais: constituídas de dois ou mais tipos de janelas citadas. São especiais aquelas que por características de forma, uso e funcionamento, não se enquadram nas tipologias acima.
2.1 Janelas de Correr
São as janelas (e portas) que correm lateralmente a partir de um trilho no chão ou no teto (apoiadas ou penduradas). Existem muitos tipos de trilhos diferentes, apropriados para tamanhos diversos, e a boa escolha do trilho é essencial para o funcionamento adequado destas esquadrias.
Suas vantagens são:
ventilação regulada conforme a abertura das folhas;
as suas folhas não se movimentam sob a ação dos ventos (não se fecham);
são de simples operacionalização;
possibilitam a utilização de folhas de grandes dimensões;
não se projetam para áreas internas ou externas (possibilitando a colocação de grades, persianas e cortinas);
exigem pouca manutenção. Já as desvantagens são:
quando abertas, não liberam a totalidade do vão (normalmente 50% deste);
apresenta dificuldades de limpeza na parte externa;
exige vedações nos batentes (a fim de evitar infiltrações indesejáveis de ar ou água).
2.2 Janela Guilhotina
É formada por uma folha em cima e uma embaixo, com venezianas de abrir na vertical. Você pode escolher se deixa a parte superior ou inferior aberta.
Suas vantagens e desvantagens são muito próximas as mesmas da esquadria de correr.
As vantagens são:
permitir ventilação constante na totalidade do vão, mesmo em dias chuvosos;
ocupar pouco espaço ao abrir ou fechar;
facilidade de limpeza;
possibilita a entrada do ar frio e saída do ar quente no mesmo vão.
pode-se aplicar grades, telas e/ou persianas.
Como desvantagem dessa tipologia de janela aponta-se:
também libera apenas 50% do vão da janela;
necessita de manutenção com maior frequência para regulagem de cabos;
possível quebra dos cabos.
2.3 Janela de Folha Fixa
Não possui movimento, sendo apropriada para iluminação do ambiente.
2.4 Janela de Abrir de Eixo Verticial
Uma folha ou mais se abre, girando sobre dobradiças ou pivô (no caso das portas pivotantes, por exemplo) para fora ou para dentro do ambiente.
As vantagens são:
abertura completa do vão;
facilidade de limpeza e manutenção;
boa estanqueidade do ar e água;
permite a colocação de grades ou telas exteriores, quando se abre para dentro, e internas quando se abre para fora.
As desvantagens são:
não é possível regular a ventilação;
ocupa espaço interno se as folhas abrirem para dentro;
não podem permanecer abertas quando ocorrem chuvas oblíquas em relação ao plano da fachada em que se encontram inseridas, se não houver algum tipo de proteção.
2.5 Janela Projetante e de Tombar
As folhas podem ser movimentadas por rotação em torno de um eixo horizontal fixo, situado na extremidade superior (projetante) ou inferior (de tombar) da folha.
Como vantagem podem ser citados:
no caso da projetante, possibilita boa ventilação nas áreas interiores;
permite debruçar-se no vão aberto;
boa vedação ao ar e à água;
na de tombar, ocorre boa ventilação, boa vedação ao ar e a água;
Quanto às desvantagens:
na projetante, a limpeza externa é difícil;
libera parcialmente o vão;
não permite uso de fechamentos como persianas ou grades na parte externa;
a de tombar é de difícil limpeza externa;
necessidade de grande rigidez no quadro da folha para evitar deformações.
2.6 Janela projetante deslizante ou maxim-ar
Muito comum nos modelos de alumínio, é a janela que se abre de forma similar à basculante, mas toda sua folha se projeta para fora do ambiente, podendo chegar a uma abertura de quase 90 graus. Ela pode parar em qualquer ponto de sua abertura, graças ao uso de uma corrediça especial de mesmo nome em suas laterais, ao invés do pivô da janela basculante.
As suas vantagens podem ser:
possibilitar ventilação das partes inferiores, mesmo nos dias chuvosos;
não ocupar espaço interno;
facilidade de limpeza devido à distância que a separa do vão superior. Como desvantagens, citam-se:
liberação parcial do vão para ventilação;
não permite o uso de grades ou telas externas. 2.7 Janela Pivotante Vertical
Possui uma ou várias folhas que podem ser movimentadas mediante rotação em torno de um eixo horizontal ou vertical não coincidente com as laterais e extremidades da folha.
As suas vantagens são:
facilidade de limpeza da face externa;
a janela pivotante horizontal permite direcionamento do fluxo de ar para cima ou para baixo;
a pivotante vertical permite direcionar o fluxo de ar para a direita ou para a esquerda;
ambas ocupam pouco espaço na área de utilização.
E como desvantagens é possível citar:
dificuldade para instalação de tela, grade, cortina ou persiana;
para grandes vãos, necessita de fechos perimétricos.
2.8 Janela Basculante
A janela basculante é aquela que abre graças a pivôs localizado em suas laterais. Quando a báscula abre, parte da janela se projeta para fora e parte para dentro do ambiente. As clássicas janelas que se fecham quando se solta uma corrente presa à parede (geralmente usada em lugares altos) é um bom exemplo de janela basculante com pivô excêntrico (que não fica bem no meio da janela). Os famosos vitrôs, que são abertos por meio de alavanca, também são da família das esquadrias basculantes. O uso de cortinas fica prejudicado por esse tipo de esquadria, pois parte dela se projeta para dentro do ambiente, batendo no tecido.
Dentre as suas vantagens, estão:
facilidade de limpeza da face externa;
a janela pivotante horizontal permite direcionamento do fluxo de ar para cima ou para baixo;
a pivotante vertical permite direcionar o fluxo de ar para a direita ou para a esquerda;
ambas ocupam pouco espaço na área de utilização.
2.9 Janela Sanfona ou Camarão
São aquelas em que as folhas vão correndo e dobrando ao mesmo tempo, recolhendo-se e deixando quase 100% do vão aberto, podendo ser de eixo vertical ou horizontal.Os trilhos permitem que as folhas corram horizontalmente e que se recolham para frente e para trás como em um leque.
(venezianas sanfonadas)
Como vantagens podem ser citados:
as de eixo verticalpodem ser vantajosas como as janelas de abrir;
já as de eixo horizontal podem ter as mesmas vantagens das projetantes.
No entanto as desvantagens podem ser:
a de eixo vertical, em certas condições, pode apresentar as desvantagens da janela de abrir.
2.10 Janela Ideal
Trata-se do uso de duas folhas de janela que se fecham como a janela guilhotina, mas no mesmo plano. Quando se abre uma para cima ou outra para
baixo, um sistema de contrapesos embutidos dentro da janela faz com que a outra folha também se recolha, obtendo aí 100% de abertura do vão.
4.3 Componentes das Janelas
De uma forma geral, os componentes das esquadrias variam com o material do qual elas são feitas e também com o que se pretende da mesma, por exemplo, para melhor tratamento acústico, alguns elementos são adicionados, como o uso do vidro duplo. Embora haja essa variação há dispositivos que são comum em todas as janelas.
Há basicamente quatro componentes principais numa esquadria. São eles os componentes de fixação, o contramarco, caixilhos ou folhas e as ferragens.
Os componentes de fixação são utilizados para fixar a esquadria na parede. Isso pode ser feito com pregos, por exemplo (Figura 1).
Figura 1: Elemento de fixação. Retirado de:
http://professor.ucg.br/siteDocente/admin/arquivosUpload/
13869/material/Apresenta%C3%A7%C3%A3o%20Esquadrias%20componente s.pdf
O contramarco é usado quando não se faz a colocação da esquadria diretamente no vão, ele delimita o formato do vão para se colocar a esquadria posteriormente.
Figura 2: Contramarco e Arremate metálicos. Retirado de: http://www.gpesquadrias.com.br/contramarco.php
Figura 3: Contramarco de Argamassa Armada. Retirado de:http://www.gpesquadrias.com.br/contramarco.php
Figura 4: Contramarco e grapas que auxiliam na fixação deste à vedação. Retirado de: http://www.gpesquadrias.com.br/contramarco.php
O marco forma o quadro externo da esquadria, e é onde se encontram as folhas.
Figura 5: A seta indica o marco em uma esquadria de PVC. Retirado de:
O caixilho ou folha é um componente que veda o vão, é onde está os vidros, as chapas e persianas. Pode ser fixo ou móvel.
Figura 6: A seta indica o caixilho ou folha. Retirado de:
Figura 7: As setas indicam, de cima para baixo, fixação (grapa), contramarco, marco e caixilho. Retirado de:
http://pcc436.pcc.usp.br/transp%20aulas/esquadrias/Aula%202%20-%20Esquadrias.pdf
As ferragens são fixadas às esquadrias e permitem a movimentação da mesma, como no caso das dobradiças. Vale ressaltar que a maioria dos problemas que ocorrem em janelas são em sua grande parte em função das ferragens. As ferragens podem ser de alumínio, de latão, de aço inox, de náilon e de aço carbono e zinco.
Figura 8: Ferragens encontradas em esquadrias. Retirado de http://comprovadores.blogspot.com.br/2013/01/propelente-kaex.html
Figura 9: Alavancas para janelas Maxi-ar. Retirado de:
http://pcc436.pcc.usp.br/transp%20aulas/esquadrias/Aula%202%20-%20Esquadrias.pdf
O vidro é dos elementos mais importantes de uma janela, pois ele permite a entrada de luz, mas impede a entrada do vento e da chuva. Há diversos tipos de vidro, além do comum, há o vidro impresso, o aramado (7 mm de espessura), o laminado, mais resistente a impacto, quando quebra os estilhaços ficam aderidos à película que o compõe (6-10 mm de espessura) e o temperado (3 a 10 mm de espessura), que não pode ser cortado, furado ou riscado após a têmpera.
Figura 10: Vidro comum. Retirado de:
Figura 11: Vidro Impresso: http://www.vidros.inf.br/vidros-impressos
Figura 12: Vidro aramado. Retirado de:
http://www.small.mcler.com.br/?cx=paginas&id=354&nome_pg=produtos&categ oria_produto=128&site=66
Figura 13: Vidro laminado quando se quebra. Retirado de:http://www.hotfrog.com.br/Empresas/Janela-e-Porta-Anti-Ru%C3%ADdo-
ISOLAR-ESQUADRIAS-SOLU%C3%87%C3%95ES-AC%C3%9ASTICAS/Solu%C3%A7%C3%B5es-em-vidro-laminado-102164
Figura 14. Vidro Temperado quando quebrado. Retirado de: http://www.vitrolaine.com.br/vidros_temperados.php
Outro componente das janelas são as persianas e venezianas que controlam a maoir ou menor entrada de luz.
Figura 15: Veneziana Móvel que permite a regulagem da entrada de luz. Retirado de: http://www.esquadrimoura.com.br/link_veneziana_movel_2.htm
Figura 16: Persiana retráteis. Retirada de:
http://sosfaztudopoa.blogspot.com.br/2013/02/persianas-internas-e-externas.html
Bibliografia Textos
Mascaró, Lucía Raffo de. Luz, clima e arquitetura / Lucía R. de Mascaró – 3. Ed. – São Paulo : Nobel, 1983. Páginas 107 a 161.
Texto Iluminação e Arquitetura, Lucia Mascaró -
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.063/438
Janelas no período colonial - http://arquitracobrasil.wordpress.com/periodo-colonial-1530-a-1830/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vitral (Vitrais)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Idade_M%C3%A9dia (Idade Média)
Luz, clima e arquitetura – Mascaró
Segurança (grades) devido à mudança social Carlos Lemos, Eduardo Coronha, Paulo Lemos.
http://www.larici.it/architetturaambiente/composizione/particolari/finestra/index.h tm
Página 354, subtítulo “focos de infecção”. Capítulo Espaços Privados por Roger-Henri Guerrand. Livro: História da Vida Privada 4 da revolução francesa à primeira guerra mundial. Michelle Perrot (org) SP, cia das letras, 1991.
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Imagens
Mascaró, Lucía Raffo de. Luz, clima e arquitetura / Lucía R. de Mascaró – 3. Ed. – São Paulo : Nobel, 1983.
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