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MPB ou música popular brasileira?

A expressão “música popular brasileira” se refere aos estilos musicais criados no Brasil, por com-positores e cantores brasileiros, em língua portuguesa, diferenciando-se da música clássica, con-siderada um estilo musical erudito. O lundu, o choro, a marchinha, o samba e a bossa nova são exemplos de músicas populares brasileiras. O rádio, principal meio de comunicação em massa a partir da década de 1930, divulgou o samba para um

am-plo público. Lamartine Babo, Lupicínio Rodrigues, Dolores Duran, Emilinha Borba, Dalva de Oli-veira e Ângela Maria são alguns cantores que se tornaram conhecidos por suas in-terpretações nos programas de rádio. Na década de 1940, Luiz Gonzaga do Nasci-mento popularizou o baião, ritmo musical acompanhado por danças, muito comum em festas juninas da região Nordeste. O baião utiliza a sanfona, o triângulo e a zabumba, e as letras retratam o cotidiano nordestino e suas di-ficuldades. As canções mais famosas de Luiz Gon-zaga foram “Baião” (1946), “Asa branca” (1947) e “Baião de dois” (1950).

Na década de 1950, a bossa nova surgiu como um novo estilo na música popular brasileira. Esse gênero seria uma forma diferenciada de interpretar o samba, com forte influência do jazz. Os principais instrumentos utilizados eram o violão e o piano. João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Nara Leão foram os ícones desse gênero musical. As letras das canções abordavam te-máticas descompromissadas, retratando o ambiente urbano e a modernidade que simbolizavam a política desenvolvimentista do governo de Juscelino Kubitschek. Em 2009, o Congresso brasileiro instituiu o dia 25 de janeiro como o Dia Nacional da Bossa Nova (essa data coincide com o aniversá-rio de Tom Jobim). A bossa nova trouxe à música popular brasileira uma visibilidade internacional. A música “Garota de Ipanema” (1963) é uma das canções brasileiras mais executadas e regravadas em todo o mundo.

O início da década de 1960 foi marcado pelo crescimento econômico e desenvolvimento social no Brasil. Surgiram alguns grupos artísticos (Movimento de Cultura Popular, Teatro de Arena e Cen-tro Popular de Cultura) com a proposta de divulgar uma cultura nacional, democrática e popular, buscando conscientizar as classes populares, levando o diálogo político ao povo. A cultura passou a ser utilizada como um canal de comunicação entre a esquerda e as massas (CARVALhO, 2009).

Após o golpe militar de 1964, a liberdade cultural ficou restrita no Brasil devido à censura. A canção se transformou em uma arma de protesto contra a ditadura militar. Nesse contexto, sur-giu a MPB, outro estilo da música popular brasileira, caracterizada pelo engajamento político de suas letras, unindo características da bossa nova e das manifestações culturais dos Centros Popula-res de Cultura da UNE. A MPB se opunha a outros estilos musicais da época, como a jovem guarda e o tropicalismo. As canções de MPB tornaram-se populares a partir das apresentações nos festivais de música popular brasileira, transmitidos pela TV.

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Em 1965, foi realizado o primeiro Festival de Música Popular Brasileira, transmitido pela TV Ex-celsior, de São Paulo. Devido ao sucesso, a emissora organizou uma segunda edição do evento em 1966. Nesse mesmo ano, a TV Record, de São Paulo, criou o seu próprio festival. Em 1967, houve o festival mais famoso, revelando Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Elis Regina. A canção inaugural da MPB foi “Arrastão”, de Vinicius de Moraes e Edu Lobo, interpretada por Elis Regina, no I Festival de MPB (1965).

Uma das situações mais polêmicas ocorreu em 1966, no II Festival de MPB, realizado pela TV Record. Jair Rodrigues, que interpretava “Disparada”, de Geraldo Vandré e Theo de Barros, compe-tia com a música “A banda”, interpretada por Chico Buarque e Nara Leão. O público e os jurados ficaram indecisos, dividindo o título de vencedora entre as duas canções. A TV era um meio de comunicação em massa que facilitava o contato dos artistas da MPB com o público. Entretanto, esse público era restrito à classe média estudantil e a grupos intelectuais, sendo essa uma das caracte-rísticas das canções da MPB.

As músicas da MPB, mesmo com seu engajamento político, não deixaram de se transformar em um produto da indústria cultural que se estabelecia no Brasil. Dentro da sociedade de consumo que se criava, a cultura passou a ser vista como um bem de mercado. A censura organizada pelo gover-no militar era seletiva, impedindo que o material cultural considerado subversivo circulasse entre a população, apoiando apenas as manifestações que fizessem propaganda do regime ditatorial.

Dentro desse contexto, ganharam destaque as músicas de protesto e o movimento tropicalista. Em 1967, no III Festival da MPB na TV Record, Caetano Veloso interpretou a música “Alegria, alegria”, enquanto Gilberto Gil cantou “Domingo no parque”. Essas canções faziam parte um mo-vimento de experimentações na produção artística, buscando novas formas de relacionar a arte, a cultura e a performance artística com a identidade brasileira. Esse movimento foi chamado de tropicalismo e os artistas queriam mostrar uma recusa dos padrões musicais, comportamentais e políticos, apropriando-se de referências estrangeiras para construir uma identidade nacional. Na música, a inserção da guitarra elétrica, um elemento estrangeiro, permitia a construção de melodias e apresentações que buscavam valorizar a cultura brasileira. Além da música, o movimento tropi-calista esteve presente nas artes plásticas, no cinema e no teatro.

As músicas de protesto refletiram o aumento nas tensões políticas e sociais da ditadura militar bra-sileira. As letras dessas canções procuravam estimular o engajamento político, a luta contra o governo ditatorial e defendiam uma revolução, inspirada nos ideais de esquerda. No Festival Internacional da Canção, realizado na TV Globo, em 1968, uma das principais canções de protesto do período foi reve-lada – “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré. Essa canção tornou-se um hino da resistência ao governo militar e foi censurada por 20 anos, forçando Geraldo Vandré ao exílio em 1969.

O Ato Institucional no 5, de 1968, estabeleceu uma censura e uma repressão maiores sobre as

ma-nifestações culturais e políticas no Brasil. Durante os “anos de chumbo” da ditadura militar no Brasil (1969-1974), as canções da MPB procuravam mostrar o medo e a violência vivenciados no período, usando metáforas para driblar a censura e transmitir uma mensagem de crítica ao autoritarismo po-lítico. Nos anos de reabertura política (1975-1982), as letras das canções da MPB mostravam a euforia com a reconquista da liberdade e buscavam refletir sobre a experiência das décadas anteriores, crian-do caminhos para superar o “trauma” que a ditadura militar havia causacrian-do (NAPOLITANO, 2010).

Nos anos de 1980 e 1990, vários estilos musicais ganham destaque na música popular brasileira. Nesse momento, a MPB perde espaço para canções com características diferentes daquelas que foram cantadas nas décadas de 1960 e 1970. O rock, o pagode, o rap e a música sertaneja são alguns exemplos das novas tendências musicais do cenário brasileiro.

Entretanto, a MPB não desapareceu. De acordo com uma reportagem da Folha de S. Paulo, de 29 de abril de 2012, a NeoMPB é composta por artistas que conseguem criar seu próprio público, com uma carreira livre e autoral, independente das grandes gravadoras. O público começou a desco-brir esses artistas em 2006, principalmente, por meio da internet. Esse novo meio de comunicação permite uma rápida renovação dos artistas, criando um público constante, porém, menor do que o público dos artistas das décadas anteriores. Artistas como Maria Gadú, Gaby Amarantos, Tulipa Ruiz e Karina Buhr seriam os representantes dessa NeoMPB.

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Atividades multidisciplinares

1 13 de dezembro de 2012 é a data de comemoração do centenário do nascimento de Luiz Gonzaga, o

“Rei do Baião”. O grande compositor faleceu no dia 2 de agosto de 1989. a) Com que idade faleceu Luiz Gonzaga?

b) Escreva com algarismos romanos as datas de nascimento e de falecimento do “Rei do baião”.

NeoMPB

Do camelô no Centrão à livraria de elite, como funciona a geração que faz hoje a nova música popular brasileira

Com esse título, o repórter Marcus Preto, da Folha de S. Paulo*, escreveu sobre a nova geração de música popular brasileira. Entrevistou duas pessoas: um co-ordenador de música de uma livraria e um camelô entre outras pessoas ligadas ao gênero. Enquanto o coordenador de música cita Tulipa como um dos artistas que vendeu mais que os discos de Caetano e Gil, o camelô desconhece esse nome assim como outros músicos, como Karina Buhr e Céu.

Os tempos são contraditórios para quem faz a nova música no Brasil. Um artista pode “acontecer” — fazer música e viver dela — mesmo que ninguém fora de seu segmento se dê conta da existência dele. [...] “em vez de ‘música de massa’, aquela coisa definida e pós-industrial, hoje temos a ‘música da maioria’ flutuante e volátil e não mais território conquistado e defendido, dominado, como era a massa.”

A transformação começou no início dos anos 2000 [...], na impossibilidade de construir uma carreira livre e autoral dentro do esquema das gravadoras, artistas saíam em busca de inventar seus novos métodos.

O público começou a descobrir esses artistas em 2006.

Alguns já conseguem viver da própria música. Outros estão rompendo a bar-reira entre o independente e o mainstream, isto é, inclui tudo que diz respeito à cultura popular, e é disseminado principalmente pelos meios de comu-nicação em massa.

*Publicado em 29 abr. 2012, E6 e E7.

Péter Gudell A /S H utter S tock 2

a) Especifique o duplo aspecto da NeoMPB.

b) Quando se iniciou esse novo movimento e que tipo de público o con-sagrou primeiramente?

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3 Entre 1965 e 1972, foram realizados os festivais de música popular no Brasil. O primeiro deles foi

orga-nizado pela TV Excelsior de São Paulo em 1965. Estes festivais tiveram papel importante na divulgação de gêneros musicais como a MPB, a música de protesto e o tropicalismo.

a) A música de Geraldo Vandré “Pra não dizer que não falei das flores”, ficou em 2o lugar no Festival

Inter-nacional da Canção em 1968. Leia o trecho da música e responda: Pelos campos há fome Em grandes plantações

Pelas ruas marchando Indecisos cordões Ainda fazem da flor Seu mais forte refrão E acreditam nas flores

Vencendo o canhão... A que gênero musical pertence a música? Justifique sua resposta.

b) Em 1967, Caetano Veloso e Gilberto Gil lançaram músicas no festival da Record que marcou o surgi-mento do movisurgi-mento tropicalista. O movisurgi-mento propunha uma colagem de vários gêneros e o uso de diferentes instrumentos musicais, tradicionais e modernos. Não foi um movimento restrito à música, trabalhou com várias linguagens.

Assinale V (verdadeiro) ou F (falso):

( ) O movimento tropicalista rompeu com a tradicional forma de se fazer música. ( ) O movimento foi restrito à música.

( ) Instrumentos de percussão tradicionais eram misturados ao som das guitarras elétricas nas canções do movimento tropicalista.

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a) De que maneira é possível diferenciar a sigla MPB da expressão “música popular brasileira”? b) Cite uma semelhança e uma diferença entre a MPB e a NeoMPB.

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Respostas comentadas

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a) Luiz Gonzaga nasceu no dia 13 de dezembro de 1912 e faleceu no dia 2 de agosto de 1989. No dia 13 de dezembro de 1989 faria: 1989 – 1912 = 77 anos. Como não completou essa idade, faleceu com 76 anos. b) Data de nascimento: XIII / XII / MCMXII

Data de falecimento: II / VIII / MCMLXXXIX

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a) A NeoMPB comporta artistas “independentes” que estão em busca de uma gravadora e descobrem seus próprios métodos de divulgar sua música; há outros que conseguem viver da própria música e estão se inserindo na grande indústria.

b) O movimento iniciou-se no ano 2000 e consagrou-se a partir de 2006. Primeiramente, a música ganhou notoriedade entre o público que frequentaram a livraria e entre os próprios artistas.

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a) Música de protesto. Este gênero musical surgiu no período da ditadura militar como forma de protestar contra o governo.

b) V – F – V

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a) A expressão “música popular brasileira” significa todos os estilos musicais criados no Brasil, por compo-sitores e cantores brasileiros, em língua portuguesa, diferenciando-se da música clássica, considerada um estilo musical erudito. A sigla MPB é um estilo musical brasileiro, produzido a partir da década de 1960, composto por letras engajadas, voltado para um público elitizado (classe média e estudantes) e propagada por meio dos festivais musicais, transmitidos pela TV.

b) Semelhança – tanto a MPB quanto a NeoMPB possuem um público restrito.

Diferença – a MPB possuía canções com letras que denunciavam o autoritarismo do governo militar. A NeoMPB abrange diferentes tipos de canções, com letras voltadas para temas cotidianos.

Referências

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