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P R O P O S T A N.º 139/2018
Assunto: Aprovar a atribuição de apoio financeiro e não financeiro ao Sporting Clube de Portugal para a realização do evento “Sporting Para Tour – The World ParaSport Games”, bem como aprovar a minuta de Contrato-Programa de Desenvolvimento Desportivo.
Pelouro: Desporto – Vice-Presidente Duarte Cordeiro
Serviços: Departamento da Atividade Física e do Desporto (DAFD)
Considerando que:
1. As autarquias desempenham um papel fundamental no desenvolvimento desportivo e no
incremento da prática desportiva. Para a prossecução dos seus objetivos necessitam de juntar esforços com várias entidades públicas e privadas no sentido de, plenamente e de forma conjugada, os atingir;
2. A dotação daquelas entidades com meios e recursos que viabilizem a sua atividade regular e
permitam a concretização de eventos, iniciativas e projetos de interesse municipal, constitui um requisito que responsabiliza, não apenas os respetivos associados, mas também os Poderes Públicos: a Administração Central e as Autarquias Locais;
3. Nesta conformidade, considera a Câmara de Lisboa que os apoios consignados no
Contrato-Programa de Desenvolvimento Desportivo, cuja minuta ora se apresenta para consideração e aprovação, conferem à entidade beneficiária responsabilidades acrescidas, não só para os seus associados, mas também em relação à comunidade desportiva concelhia, traduzindo-se tais responsabilidades numa efetiva garantia do desenvolvimento regular das suas atividades contribuindo, deste modo, para um pleno desempenho da sua função social;
4. Todo o propugnado na Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto, Lei n.º 5/2007, de 16
de janeiro, reforça e dá cumprimento a princípios fundamentais tutelados pela Constituição da República Portuguesa (CRP), nomeadamente, no artigo 79.º, no qual se expressa que «Todos
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5. Assim, a Câmara Municipal de Lisboa, de acordo com o espírito e a letra da Lei de Bases da
Atividade Física e do Desporto, Lei n.º 5/2007, de 16 de janeiro, e regulamentação específica
sobre a matéria, Regime Jurídico dos Contratos Programa de Desenvolvimento Desportivo, consignado no Decreto-Lei n.º 273/2009, de 1 de outubro, desenvolve uma metodologia de apoios ao Movimento Associativo do Concelho, promovendo o conceito de “Contrato-Programa de Desenvolvimento Desportivo” com uma efetiva e clara política de apoios e incentivos;
6. O Sporting Clube de Portugal (SCP) apresentou, nos termos do Regulamento de Atribuição de
Apoios do Município de Lisboa (RAAML), um pedido de apoio (Processo n.º 3656/CML/18;
Registo de ENT/2605/SG/DMC/DRM/18) para a realização nos dias 16 e 18 de março de 2018 do evento “Sporting Para Tour – The World ParaSport Games”, no Complexo Desportivo do Estádio José de Alvalade;
7. O pedido de apoio entregue pela entidade encontra-se extemporâneo, não podendo ser
apreciado pelo órgão executivo antes da realização do evento, face não só à tramitação processual relativamente à sua apreciação de acordo com os regulamentos em vigor no que toca à verificação por parte dos serviços, bem como pela planificação das reuniões de Câmara. Assim, de acordo com a previsibilidade possível à data da instrução do pedido de apoio a proposta provavelmente seria apresentada na reunião de Câmara de 28 de março, o que veio a ocorrer;
8. Dada a importância que o evento manifestamente assume quer no plano desportivo, quer no
plano do interesse para a cidade de Lisboa em função da mobilização de agentes desportivos, atletas, treinadores, árbitros, suas famílias e amigos, bem como reporte turístico e económico e associado à iniciativa, entende-se que mesmo extemporâneo deve ser proposto o apoio financeiro e não financeiro ao mesmo;
9. Neste particular, rege o n.º 4 do artigo 7.º do RAAML ao permitir que os pedidos de apoio que
não possam ser apresentados pelas entidades ordinariamente até 31 de julho, por não ser expectável a sua ocorrência, possam ser apresentados a deliberação da Câmara a todo o tempo desde que razões de interesse municipal e devidamente fundamentadas o justifiquem;
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10. Interesse Público em sentido Jurídico-Administrativo é aquele que é qualificado a nível
normativo superior, como manifestação direta ou instrumental das necessidades de uma comunidade política e cuja realização é atribuída ainda que não em exclusivo, a entidades públicas;
11. Na esteira da maioria qualificada da doutrina administrativa, mormente, Vieira de Andrade, o
conceito de interesse público não se evidencia em função de um resultado empírico ou de uma definição ontológica das necessidades sociais. Ao invés, numa comunidade politicamente organizada, um interesse de grupo só vai ser considerado como interesse público se for reconhecido ou qualificado por uma autoridade dotada de poder normativo;
12. De acordo com os ensinamentos do mestre: «Essa qualificação implica uma opção de caráter
político, que se entende, em regra, reservada aos órgãos supremos de uma coletividade. Na realidade está em causa a concretização e a escolha formal daquelas necessidades sociais, de natureza material ou espiritual, cuja satisfação se considera relevante para a comunidade em termos de dever ser assegurada em maior ou menor grau, através de meios públicos normativos e práticos»;
13. Incumbe, pois, à Câmara Municipal de Lisboa, enquanto órgão executivo do município o
reconhecimento de que nesta situação, em particular, se manifesta o interesse público por via da necessidade do apoio financeiro e não financeiro a esta instituição e que a organização do evento na cidade desempenha e cumpre um importante e meritório papel de exercício de interesse público municipal em função dos argumentos aduzidos ao longo da presente proposta;
14. O princípio da não retroatividade dos atos jurídicos da Administração aplica-se também aos
contratos administrativos: as partes só poderão atribuir efeitos retroativos ao contrato por imperiosas exigências de interesse público. Cumulativamente, terão que se preencher determinados requisitos, onde avulta (para além do requisito óbvio da existência de uma proibição legal – princípio da legalidade) o respeito pelos direitos e interesses legalmente protegidos de terceiros e, como não podia deixar de ser, a salvaguarda dos princípios gerais da atividade administrativa, propugnados nos artigos 3.º a 13.º do Código de Procedimento
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Administrativo, plasmado no Decreto - Lei n.º 4/2015, de 7 de janeiro, a derradeira de razão de ser das suas mais importantes normas;
16. O valor global, em termos de estimativa orçamental, apresentado pelo Sporting Clube de
Portugal (SCP) para a realização deste evento ascende a € 47.700,00 (quarenta e sete mil e setecentos euros);
17. Este evento contou com a parceria de diversas instituições de prestígio e dimensão nacional e
internacional, entre as quais se contam a Secretaria de Estado do Desporto e Juventude, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa o Comité Olímpico e Paralímpico de Portugal, o Comité Olímpico e Paralímpico Internacional, a Federação Internacional de Desporto para Cegos,
Special Olympics, Federação Portuguesa de Desporto para Deficientes, Federação Andaluza
para pessoas com Deficiência e Comissão de Arbitragem da Associação Nacional de Desporto para Deficientes e Associação de cegos e Amblíopes de Lisboa;
18. O evento é constituído por uma série de iniciativas ligadas ao desporto paralímpico que
paralelamente ao evento decorreram durante o mês de março. Aproveitando a presença de atletas, treinadores, árbitros e dirigentes de renome internacional, foram proferidas conferências, colóquios e ações de formação para atletas, juízes, árbitros e e agentes desportivos;
19. O evento teve a sua 1.ª edição este ano, mas pretendem os organizadores que seja um evento
anual de referência mundial para a cidade de Lisboa. Foi a primeira vez que um Clube organizou um evento com estas dimensões e assim durante o mês de março, a cidade de Lisboa teve a honra de acolher um dos maiores eventos destinados ao paralimpismo na modalidade de Goalball;
15. Quer isto dizer que, a aplicação do contrato a situações e factos passados entre as partes
depende de existirem razões imperiosas de interesse público e de não se verificarem os pressupostos negativos, a saber: não seja proibido por lei, não lese interesses legalmente protegidos de terceiros e, finalmente, não contrarie nenhum dos princípios fundamentais plasmados no Código de Procedimento Administrativo já anteriormente referidos;
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20. O Torneio contou com a participação de 150 atletas, sendo na sua maioria comitivas
estrangeiras, como torneio de referência contou com a presença dos melhores atletas europeus e mundiais da modalidade;
21. Do evento fez parte:
a) Um torneio internacional para selecções e no qual participam a Itália, França, Marrocos e Polónia;
b) A última etapa da Super European Goalball League (Taça dos Clubes Campeões Europeus) que contou com a presença das 4 melhores equipas europeias: Sporting Clube de Portugal; Fifh Malmo (Suécia) Old Power (Finlandia) e Hansa Rostock (Alemanha).
22. O evento teve como objectivos gerais a divulgação da modalidade de Goalball, através da
promoção da prática desportiva de alta competição para pessoas com deficiência visual;
23. É de salientar o particular interesse deste evento para os atletas em particular, dada a ampla
divulgação da modalidade ao mesmo tempo que concretiza o sonho de atleta competirem com outros desportistas internacionais e permite a possibilidade de conhecimento de outras culturas, valores e interesses;
24. Também para a população portuguesa em geral, bem como para o município de Lisboa, em
especial, a organização deste evento foi extremamente importante, na medida em que se trata de eventos de âmbito internacional, que promovem a cidade no estrangeiro;
25. O Sporting Clube de Portugal (SCP), tem sede no Edifício Visconde de Alvalade Apt. 4120,
1501 – 806, Lisboa, Contribuinte n.º 500766630, com Estatutos aprovados e publicados nos termos da legislação em vigor, e encontra-se registado na Base de Dados para Atribuição de Apoios do Município de Lisboa, (BDAA), sob o n.º 115457 (entidade validada);
26. Em relação à atividade desportiva do Sporting Clube de Portugal, assinalam-se os seguintes
dados:
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ii. Modalidades desenvolvidas: Goalball, Aikido, Boxe, Capoeira, Judo, Kickboxing, Krav Maga e Taekwon-Do;
iii. Praticantes federados 43, dos quais 0 mulheres;
iv. Enquadramento técnico (com cédula de treinador desportivo: 12 homens e 0 mulheres);
27. O Clube tem participado nos Programas dinamizados diretamente pela Câmara Municipal de
Lisboa e ou em parceria com outras entidades, nomeadamente, em particular no Programa Olisipíadas, assim como nas ações de formação dinamizadas pela CML;
28. O apoio a este evento assume, no presente ano, uma importância acrescida e relevante dado
que Lisboa venceu a candidatura a «Capital Europeia do Desporto 2021». Este galardão, atribuído pela Associação Europeia das cidades e capitais do Desporto tem como objetivo essencial a dinamização do Princípio de Desporto para Todos, que se encontra plasmado na Constituição da República Portuguesa (CRP), com vista ao alargamento e incremento da prática da atividade física, o que permite à melhoria dos níveis de saúde e qualidade de vida das populações;
29. Efetivamente, o importante, por ora, não é apenas e unicamente o foco no ano de 2021, mas
sobretudo e essencialmente a caminhada que até lá se terá de fazer. O que interessa, pois, é o caminho, o «Road to 2021»;
30. Constitui objetivo da autarquia, durante este período, duplicar o número e a prática dos
desportistas amadores. Este objetivo só pode ser alcançado com o empenho, dedicação e compromisso responsável e direto das Freguesias de Lisboa, das associações desportivas, dos clubes, dos seus dirigentes, associados, técnicos e famílias;
31. O evento proposto enquadra-se nos pilares e eixos de orientação estratégica da cidade de
Lisboa, nomeadamente na dinamização da prática desportiva, posicionando o Município como agente promotor de estilos de vida saudáveis para todas as idades, aliados a uma forte fruição da cidade, bem como de desenvolvimento de políticas desportivas sustentadas e adequadas às novas tendências sociodemográficas, de forma a potenciar e aproveitar o respetivo crescimento e a exponenciar o seu potencial económico futuro;
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32. A Lei n.º 5/2007, de 16 de janeiro, que aprovou a Lei de Bases da Atividade Física e do
Desporto, definiu as bases das políticas de desenvolvimento da atividade física e do desporto, estabelecendo, para além de um princípio de coordenação, de descentralização e de colaboração (cfr. artigo 5.º), a faculdade de apoios financeiros por parte das autarquias, nos termos do seu artigo 46.º, sob a epígrafe “Apoios financeiros”;
33. O n.º 2 do artigo 46.º, da referida Lei de Bases, estabelece que «os apoios ou comparticipações
financeiras concedidas pelo Estado, pelas Regiões Autónomas e pelas autarquias locais, na área do desporto, são tituladas por contratos-programa de desenvolvimento desportivo, nos termos da lei»;
34. O Regime Jurídico dos Contratos-Programa de Desenvolvimento Desportivo que titulam os
apoios ou comparticipações financeiras concedidas pelas autarquias locais se encontra previsto no artigo 47.º da Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto e no Decreto-Lei n.º 273/2009, de 1 de outubro;
35. Os serviços do Departamento da Atividade Física e do Desporto procederam ao cumprimento
das formalidades previstas na lei e regulamentos aplicáveis e à análise da documentação constante da instrução do procedimento das quais se destacam, em particular:
a) A apreciação e análise do pedido de apoio de acordo com os critérios de seleção
definidos no n.º 4 do artigo 9.º do RAAML;
b) Elaboração do parecer fundamentado dos serviços e sua submissão à competente
decisão superior;
c) Dispensa do parecer prévio das Juntas de Freguesias, de acordo com a exceção
prevista no n.º 2 do artigo 10.º do RAAML.
36. Os serviços verificaram a conformidade legal e regulamentar no que se refere quer à entidade
requerente do apoio financeiro e não financeiro, quer às condições da sua atribuição.
37. Nos termos da alínea o), do n.º 1, do artigo 33.º da Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro,
epigrafado «Competências materiais», compete ao órgão executivo: «Deliberar sobre as
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prossecução de obras ou à realização de eventos de interesse para o município, bem como à informação e defesa dos direitos dos cidadãos»;
38. Em função do disposto na alínea u), do n.º 1, do artigo 33.º da referida legislação, compete à
Câmara Municipal «Apoiar atividades de natureza social, cultural educativa e desportiva,
recreativa ou outra de interesse para o município, incluindo aquelas que contribuam para a promoção da saúde e prevenção de doenças»;
Assim,
Face aos considerandos de facto e de direito,
Tenho a honra de propor que a Câmara Municipal de Lisboa delibere ao abrigo do disposto
nas alíneas o), e u) do n.º 1, do artigo 33.º da Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro, aprovar a
atribuição ao Sporting Clube de Portugal (SCP) de:
1. Apoio financeiro, e respetiva transferência de verba, no montante global de € 10.875,00 (dez mil oitocentos e setenta e cinco euros) para a dinamização e organização do evento
que se realizou nos dias 16 e 18 de março de 2018 : “Sporting Para Tour – The World
ParaSport Games”. Esta verba tem enquadramento no Orçamento de 2018, na Rubrica
Económica 04.07.01 (transferências correntes – instituições sem fins lucrativos), no Plano de Atividades B3.P001.01 (Apoio a entidades RAAML e outros) da orgânica L21.02 com o cabimento n.º 531 8000 895/001 (documento em anexo);
2. Apoio não financeiro que se consubstância na cedência de equipamentos e diversos
materiais de âmbito logístico e na isenção do pagamento de taxas e descontos dos preços respetivos previstos no Regulamento Geral de Taxas, Preços e Outras Receitas do Município
de Lisboa (RGTPORML), e correspondentes tabelas em vigor, até um limite de € 10.000,00
(dez mil euros) no ano civil em que o Contrato- Programa vigora, de acordo com o especificado no clausulado no Contrato-Programa de Desenvolvimento Desportivo, para todos os efeitos legais e regulamentares da presente proposta;
3. Ao abrigo do Regulamento de Atribuição de Apoios do Município de Lisboa (RAAML),
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de Taxas, Preços e Outras Receitas do Município de Lisboa (RGTPORML), legislação
especialmente aplicável, ex vi, n.º 2 do artigo 12.º do RAAML, in casu, Lei de Bases da
Atividade Física e do Desporto, Lei n.º 5/2007, de 16 de janeiro e Regime Jurídico dos Contratos-Programa de Desenvolvimento Desportivo, vertido no Decreto-Lei n.º 273/2009, de 1
de outubro, aprovar a minuta de Contrato-Programa de Desenvolvimento Desportivo relativo ao apoio financeiro e não financeiro a atribuir ao Sporting Clube de Portugal
(SCP), que faz parte integrante da presente proposta.
Paços do Concelho em Lisboa, 20 de março de 2018.
O Vice - Presidente