Instituições Políticas Brasileiras
Prof. Octavio Amorim Neto EPGE/FGV-RJ
• Objetivo: tentar descrever a natureza e a
especificidade do Judiciário como instituição judicial e política.
• Texto dividido em três partes:
1. O judiciário moderno
2. A expansão do Judiciário no século XX 3. Qual o futuro do Judiciário?
Judiciário moderno:
órgão de Justiça ou poder político?
EUA
• A Constituição americana 1787
• Limitação do legislativo
• Judiciário como poder político:
i. Garantia dos direitos individuais
ii. Capacidade de controlar os atos normativos dos demais poderes – Montesquieu “o poder freia o poder”.
França
• Revolução Francesa 1789
• Combate à monarquia
• Fortalecimento do poder legislativo
• Judiciário como prestador da justiça comum, civil e criminal
• Soberania popular como fonte e garantia única de direitos
• Fase Jacobina - Robespierre (pp. 87-88):
Superioridade do valor da igualdade perante o o direito de propriedade. Sugestão do imposto
progressivo.
EUA X França – Análise de Aléxis de Tocqueville
Livro: A Democracia na América
• Sucesso americano e fracasso francês em conciliar a crescente igualdade de condições e a
manutenção da liberdade individual e política
• Judiciário americano: “o mais poderoso e único contrapeso da democracia”, justamente por sua capacidade de controlar a constitucionalidade das leis promulgadas pela maioria política
• Dificuldade do Judiciário nos EUA, sobretudo nos estados, de sustentação da condição de poder
independente (Ex: Remoção e eleição de juízes)
A expansão do Judiciário no século XX:
justiça comum e papel político
EUA
• Suprema Corte dos EUA como fiscalizadora da constitucionalidade das leis
i. Anos 30: intervenção do governo na economia
ii. Anos 50-60: ampliação dos direitos civis, ativismo judicial
Modelos
• Difuso (EUA)
i. Suprema corte não detém o monopólio da interpretação constitucional das leis
ii. Garantias de independência do Judiciário reforçam a função de revisão judicial
• Concentrado (Áustria)
i. Controle constitucional feito pela Corte Constitucional ii. Evitar o “Governo dos juízes”
iii.Maior politização na composição das cortes constitucionais
iv.Restrição do número de agentes legitimados a promover ação perante o tribunal: presidente, governos estaduais (se houver) e uma fração do parlamento
Brasil: modelo híbrido
• Constituição 1988
• Via concentrada: o STF é quase uma corte constitucional
• Via difusa: STF não detém o monopólio das
declarações de inconstitucionalidade. Juízes podem realizar interpretações nos casos concretos.
• Sistema acessível pela ampliação do número de agentes legitimados a fazer uso da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin)
• Perfil consociativo
Estado Social
• Enfoque Sociológico
Boaventura de Sousa Santos
• Desenvolvimento do Estado Social levou a mudanças significativas no mundo do Direito e da Justiça
• Produção de leis carregadas de direitos sociais e econômicos
• Crise do sistema do Estado Social afeta o Judiciário
• Atualmente: Questões ambientais, de minorias, consumidores, etc.
Enfoque Jurídico
Mauro Cappelletti e Bryant Garth
• Promoção de novas formas processuais de acesso à Justiça:
i. Maior espaço às ações coletivas – proteção dos direitos difusos e coletivos.
ii. O problema da “Litigiosidade contida” –
demandas que não alcançam os tribunais por problemas de acesso
Brasil
• Primeira onda expansionista do Judiciário (décadas de 30 e 40): criação da Justiça
Eleitoral e Justiça do Trabalho
• Segunda onda expansionista do Judiciário
(anos 70): Atribuição ao Ministério Público da responsabilidade principal de defesa dos
interesses difusos e coletivos perante o Judiciário
• Criação da Ação Civil Pública (ACP) em 1985
Cont.
• Constituição de 1988:
i. Consolidou a expansão da Justiça rumo à proteção dos direitos coletivos, reafirmando-os como
categoria jurídica constitucional
ii. Confirmou o papel tutelar do Ministério Público nessa área, atribuindo-lhe ao mesmo tempo
independência institucional em relação aos demais poderes de Estado
• Criação dos Juizados Especiais facilitou o acesso à Justiça, em 1995. 15 anos depois, problemas com o excesso de demanda.
Resultado
• Justiça brasileira se converteu em palco importante de conflitos coletivos nas mais diversas áreas
• Protagonismo do Ministério Público tem chamado a atenção dos analistas para os limites e potencialidades desse modelo institucional
• Nessa expansão, o Judiciário assumiu tarefas de grande proporções, que muitas vezes
contrastam com sua capacidade de dar respostas com a efetividade esperada
Qual o futuro do Judiciário?
• O ativismo judicial: Implementação de direitos e solução de grandes conflitos da sociedade.
• Três frentes de mudança: política, funcional e republicana:
i. Política: funções de controle constitucional das leis
ii. Funcional: ampliação e estruturação necessárias iii. Republicana: tentativa de instituição de órgãos
de controle externos para o Judiciário e para o Ministério Público: o Conselho Nacional de Justiça.
Cont.
• Projeto de reforma do Judiciário procura lidar com as duas primeiras dimensões mas os diversos atores
envolvidos no processo acabaram produzindo uma situação de vetos cruzados.
• Na dimensão política, os embates se dão em torno da diminuição da importância política do lado difuso do sistema, o que reduziria as chances de resistência das minorias políticas