Minist´erio da Educa¸c˜ao
Universidade Federal de Ouro Preto Escola de Minas
Departamento de Engenharia de Produ¸c˜ao, Administra¸c˜ao e Economia
Guilherme de Barros Maia
O uso da simulação computacional aplicada à programação da produção em uma fábrica de
pequeno porte
Ouro Preto
2022
Guilherme de Barros Maia
O uso da simulação computacional aplicada à programação da produção em uma fábrica de pequeno porte
Monografia apresentada ao Curso de Enge- nharia de Produ¸c˜ao da Universidade Federal de Ouro Preto como parte dos requisitos para a obten¸c˜ao do Grau de Engenheiro de Pro- du¸c˜ao.
Universidade Federal de Ouro Preto
Orientador: Profa. Dra. Irce Fernandes Gomes Guimaraes Coorientador: Prof. Me. Cristiano Lu´ıs Turbino de Fran¸ca e Silva
Ouro Preto
2022
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO REITORIA
ESCOLA DE MINAS
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUCAO, ADMINISTRACAO E ECON
FOLHA DE APROVAÇÃO
Guilherme de Barros Maia
O uso da simulação computacional aplicada à programação da produção em uma fábrica de pequeno porte
Monografia apresentada ao Curso de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Ouro Preto como requisito parcial para obtenção do tulo de Engenheiro de Produção
Aprovada em 27 de janeiro de 2023.
Membros da banca
Drª- Irce Fernandes Gomes Guimarães- Orientadora (Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP) Dr - Aloísio de Castro Gomes Junior (Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP) MSc - Cris ano Luís Turbino de Franca e Silva (Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP)
Drª- Irce Fernandes Gomes Guimarães, orientadora do trabalho, aprovou a versão final e autorizou seu depósito na Biblioteca Digital de Trabalhos de Conclusão de Curso da UFOP em 31/01/2023
Documento assinado eletronicamente por Irce Fernandes Gomes Guimaraes, PROFESSOR DE MAGISTERIO SUPERIOR, em 13/02/2023, às 05:53, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.
A auten cidade deste documento pode ser conferida no site h p://sei.ufop.br/sei/controlador_externo.php?
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Referência: Caso responda este documento, indicar expressamente o Processo nº 23109.001225/2023-75 SEI nº 0466952 R. Diogo de Vasconcelos, 122, - Bairro Pilar Ouro Preto/MG, CEP 35402-163
Telefone: 3135591540 - www.ufop.br
Dedico este trabalho aos meus pais, minha namorada e amigos pelo incentivo e com- panheirismo durante todo meu trajeto.
Agradecimentos
Agrade¸co aos meus pais por todo apoio concedido durante toda minha vida acadˆemica.
A minha namorada por toda a ajuda, carinho e paciˆencia.
A todos os meus amigos, principalmente ao Jo˜ao, Andr´e, Thiago, Maur´ıcio, Gustavo, Mateus e Caio que vivenciaram o dia a dia da faculdade comigo, tornando a jornada mais leve.
Aos meus orientadores Irce e Cristiano, por todo o conhecimento proporcionado com sabedoria e seriedade.
Aos funcion´arios da empresa que me ajudaram na elabora¸c˜ao do trabalho e proporci- onaram maior entendimento pr´atico do funcionamento de uma empresa.
“O ´unico homem que est´a isento de erros, ´e aquele que n˜ao arrisca acertar.”
Albert Einstein
Resumo
Num cen´ario cada vez mais competitivo, as organiza¸c˜oes se veem na obriga¸c˜ao de aprimo- rar seus processos visando a minimiza¸c˜ao de custos e o desenvolvimento de t´ecnicas que facilitem as tomadas de decis˜ao. Um dos recursos utilizados para aprimorar as tomadas de decis˜oes ´e a simula¸c˜ao computacional, pois com esse recurso ´e poss´ıvel a cria¸c˜ao de cen´arios controlados dentro de computadores com a finalidade de estud´a-los sob variadas condi¸c˜oes, sem o risco f´ısico e financeiro que ocorre ao modificar as linhas produtivas f´ısicas de uma organiza¸c˜ao. Nesse sentido, esse estudo tem a finalidade de analisar o sequenciamento da produ¸c˜ao de uma situa¸c˜ao real do ch˜ao de f´abrica, por meio da simula¸c˜ao computaci- onal, visando apresentar propostas para o aprimoramento da programa¸c˜ao da produ¸c˜ao de empresas de pequeno porte. Para atender a este objetivo, utilizou-se como modelo inicial a verifica¸c˜ao de atendimento de 2000 caixas de gelos saborizados at´e o per´ıodo do Carnaval de 2023, ou seja, at´e o dia 21 de fevereiro de 2023. Para tal, observou-se o pro- cesso produtivo de uma empresa de sobremesas geladas e como ocorre o sequenciamento dos pedidos que chegam para a fabrica¸c˜ao. Mediante essa observa¸c˜ao, foram criados trˆes cen´arios e os resultados mostraram ser poss´ıvel, respeitando, as quantidades de recursos humanos, de materiais e de maquin´arios dispon´ıveis na institui¸c˜ao, bem como o tempo de processamento de cada atividade e a jornada de trabalho dos profissionais, fabricar 120 caixas de gelo saborizado em um ´unico dia de produ¸c˜ao. Por meio da simula¸c˜ao foi poss´ıvel analisar poss´ıveis resultados, tais como o tempo para o atendimento da demanda (17 dias), a quantidade de recursos utilizados e outras possibilidades de organiza¸c˜ao da produ¸c˜ao.
Palavras-chave: Simula¸c˜ao, Sequenciamento, Programa¸c˜ao da Produ¸c˜ao
Abstract
In an increasingly competitive scenario, organizations find themselves obliged to improve their processes in order to minimize costs and develop techniques that facilitate decision- making. One of the resources used to improve decision-making is computer simulation, because with this resource it is possible to create controlled scenarios within computers in order to study them under different conditions, without the physical and financial risk that occurs when modifying the physical productive lines of an organization. In this sense, this study aims to analyze the production sequencing of a real situation on the factory floor, through computer simulation, in order to present proposals for improving the production schedule of small companies. To meet this objective, it was used as an initial model the verification of attendance of 2000 boxes of flavored ice until the period of Carnival 2023, that is, until February 21, 2023. For this, the process was observed production of a frozen dessert company and how the orders that arrive for manufacturing are sequenced.
Through this observation, three scenarios were created and the results showed that it was possible, respecting the amounts of human resources, materials and machinery available at the institution, as well as the processing time of each activity and the workday of the professionals, manufacture 120 boxes of flavored ice in a single production day. Through the simulation, it was possible to analyze possible results, such as the time to meet the demand (17 days), the amount of resources used and other possibilities for organizing production.
Keywords: Simulation, Sequencing, Production Programming
Lista de abreviaturas e siglas
PCP Planejamento e Controle da Produ¸c˜ao PO Pesquisa Operacional
MP Mat´eria-prima
Lista de ilustrações
Figura 1 – Fluxo de informa¸c˜oes no PCP . . . 15
Figura 2 – Ambiente Flow Shop . . . 17
Figura 3 – N´ıvel de popularidade dos softwares de simula¸c˜ao . . . 20
Figura 4 – Exemplo da interface do JaamSim . . . 23
Figura 5 – Etapas de um modelo de simula¸c˜ao . . . 26
Figura 6 – Planta da empresa Alpha . . . 29
Figura 7 – Previs˜ao de demanda . . . 30
Figura 8 – Diagrama de ciclo de atividades . . . 31
Figura 9 – Modelo de simula¸c˜ao no JaamSim . . . 35
Figura 10 – Vista 3D do modelo rodando . . . 35
Figura 11 – Modelo simulado . . . 40
Figura 12 – Vista 3D das caixas de gelo produzidas . . . 40
Figura 13 – Gr´afico de Gantt . . . 42
Lista de tabelas
Tabela 1 – Componentes estruturais da simula¸c˜ao . . . 19
Tabela 2 – Comportamentos estat´ısticos nos tempos das atividades A04, A05, A06 33 Tabela 3 – Tempos coletados das atividades A01, A02, A03, A07, A08 e A09 . . . 33
Tabela 4 – Compara¸c˜ao entre sistema simulado e sistema real 1 . . . 36
Tabela 5 – Compara¸c˜ao entre sistema simulado e sistema real 2 . . . 36
Tabela 6 – Compara¸c˜ao entre sistema simulado e sistema real 3 . . . 37
Tabela 7 – Repeti¸c˜oes do primeiro cen´ario . . . 38
Tabela 8 – Repeti¸c˜oes do segundo cen´ario . . . 38
Tabela 9 – Repeti¸c˜oes do terceiro cen´ario . . . 38
Tabela 10 – Quantidade de caixas e tempo necess´ario . . . 39
Tabela 11 – Resultados obtidos do modelo simulado . . . 41
Tabela 12 – Tempo de t´ermino de produ¸c˜ao de cada sabor . . . 41
Sumário
Lista de ilustrações . . . 8
Lista de tabelas . . . 9
1 INTRODUÇÃO . . . 12
1.1 Contextualização do problema . . . 12
1.2 Objetivos . . . 12
1.2.1 Objetivo Geral . . . 13
1.2.2 Objetivos Específicos . . . 13
1.3 Relevância do Estudo . . . 13
2 PRINCÍPIOS DA UTILIZAÇÃO DA SIMULAÇÃO NO SEQUENCI- AMENTO DA PRODUÇÃO NO PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO . . . 14
2.1 Planejamento e Controle da Produção . . . 14
2.1.1 Programação da Produção . . . 15
2.1.2 Sequenciamento . . . 16
2.2 Simulação . . . 18
2.2.1 Softwares de código aberto e fechado . . . 21
2.2.2 JaamSim . . . 22
2.3 Vantagens e desvantagens da simulação . . . 23
3 MATERIAIS E MÉTODOS UTILIZADOS NESTE ESTUDO . . . 25
3.1 Etapas da simulação . . . 25
4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS . . . 28
4.1 A empresa . . . 28
4.2 Modelo conceitual . . . 30
4.3 Coleta de dados . . . 32
4.4 Construção do modelo. . . 32
4.5 Modelo computacional . . . 33
4.6 Validação do modelo. . . 36
4.7 Resultados . . . 37
5 CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS . . . 43
REFERÊNCIAS . . . 44
APÊNDICES 46
APÊNDICE A – MODELO COMPUTACIONAL . . . 47
ANEXOS 48
ANEXO A – CÓDIGO EM R PARA ENCONTRAR COMPORTA- MENTO ESTATÍSTICO . . . 49
12
1 Introdução
Este cap´ıtulo introduz um estudo que trata do uso da simula¸c˜ao computacional em pequenas empresas. Nesse sentido, apresenta-se a contextualiza¸c˜ao do problema, a re- levˆancia do estudo e dos conceitos citados, o objetivo geral e os objetivos espec´ıficos e finalmente a organiza¸c˜ao deste estudo.
1.1 Contextualização do problema
Hoje em dia, as empresas, principalmente as de pequeno porte, sofrem gradualmente o peso de um mercado cada vez mais competitivo e dinˆamico. Isto exige maiores in- vestimentos em tecnologias e t´ecnicas que possibilitem melhores condi¸c˜oes na tomada de decis˜ao de seus gestores em rela¸c˜ao ao planejamento da produ¸c˜ao de suas empresas. Com o advento de softwares de simula¸c˜ao, abre-se a possibilidade de transportar as caracte- r´ısticas de um sistema real para o modelo computacional, ou seja, replicar os diferentes sistemas reais do ch˜ao de f´abrica em um modelo virtual. A partir das an´alises de cen´arios testados, o gestor tem uma vis˜ao global de todo o processo obtendo informa¸c˜oes como capacidades, gargalos, n´ıveis de estoque, previs˜ao de vendas e de t´ermino das atividades, melhor sequenciamento, atividades fundamentais para uma boa programa¸c˜ao da produ-
¸c˜ao, sendo essa, essencial no aprimoramento dos resultados de empresas que planejam as suas possibilidades futuras.
Dessa forma, torna-se not´orio que contar apenas com a experiˆencia dos profissionais e com a longetividade de uma institui¸c˜ao, pode trazer alguns transtornos e equ´ıvocos nas diferentes decis˜oes, pois s˜ao necess´arios diferentes tipos de dados e rapidez de an´alise das informa¸c˜oes que s˜ao geradas. Logo, ´e imprescind´ıvel a utiliza¸c˜ao de outras ferramentas para ajudar os gestores na resolu¸c˜ao dos problemas, tal como, a simula¸c˜ao, que ´e uma t´ecnica da Pesquisa Operacional (PO), que possui como principal objetivo replicar uma realidade em um modelo virtual (GAVIRA, 2003).
Nessa conjuntura, percebe-se que a gera¸c˜ao de modelos virtuais permite ao gestor a visualiza¸c˜ao de novas formas de organizar as atividades do ch˜ao de f´abrica, o que possibilita o aumento das probabilidades de poss´ıveis sequenciamentos que adequem a programa¸c˜ao da produ¸c˜ao aos recursos dispon´ıveis da empresa, seja esses, o capital, a mat´eria-prima, os maquin´arios ou os profissionais da institui¸c˜ao. (TUBINO, 2017).
1.2 Objetivos
Os objetivos que orientam este estudo s˜ao descritos a seguir:
Cap´ıtulo 1. Introdu¸c˜ao 13
1.2.1 Objetivo Geral
O objetivo geral deste trabalho ´e analisar, por meio da simula¸c˜ao computacional, uma melhor programa¸c˜ao da produ¸c˜ao de uma demanda real de uma empresa de pequeno porte, respeitando as restri¸c˜oes de capacidade e de recursos dispon´ıveis da institui¸c˜ao.
1.2.2 Objetivos Específicos
Os objetivos espec´ıficos do estudo s˜ao:
• Fazer um levantamento te´orico dos principais temas que ser˜ao utilizados na an´alise dos resultados.
• Apresentar um modelo conceitual e computacional que seja fiel ao ch˜ao de f´abrica estudado.
• Verificar por diferentes cen´arios as capacidades produtivas. Visando obter planos de produ¸c˜ao condizentes com as restri¸c˜oes do sistema produtivo.
• Verificar a viabilidade de uma demanda real apresentada ao setor de produ¸c˜ao de uma empresa.
1.3 Relevância do Estudo
O presente estudo se justifica pela necessidade que as pequenas empresas tˆem em tornar suas linhas produtivas mais eficientes sem a necessidade de altos investimentos.
O uso da simula¸c˜ao computacional permite a obten¸c˜ao de informa¸c˜oes de grande valor para uma boa programa¸c˜ao da produ¸c˜ao e de formas mais eficientes de sequenciamento do ch˜ao de f´abrica. Com o uso desta tecnologia, as empresas de pequeno porte podem se tornar mais competitivas no mercado sem demandar grandes quantidades financeiras.
Devido ao aumento crescente do n´umero desoftwares de simula¸c˜ao computacional e o aprimoramento destes recursos de an´alise, os estudos dessa ´area devem ser frequentemente atualizados para n˜ao se tornarem obsoletos com o tempo. Softwares de c´odigo aberto, como o JaamSim, est˜ao cada vez mais ganhando espa¸co no mercado e no meio acadˆemico, criando possibilidades de estudos aprofundados do uso desses programas como ferramentas para uma boa programa¸c˜ao da produ¸c˜ao. Nesse sentido, este estudo pretende verificar e apresentar resultados utilizando osoftwarede simula¸c˜ao JaamSim no intuito de apresentar o potencial produtivo de uma empresa de sobremesas geladas, de pequeno porte, para atender uma demanda real da organiza¸c˜ao.
14
2 Princípios da utilização da Simulação no Sequenciamento da Produção no Planejamento e Controle da Produção
Neste cap´ıtulo ser´a apresentado todos os temas abordados neste estudo. Inicialmente ´e comentando sobre o Planejamento e Controle da Produ¸c˜ao, e posteriormente outros temas que ser˜ao discutidos neste estudo, sendo eles: programa¸c˜ao da produ¸c˜ao, sequenciamento de atividades e simula¸c˜ao computacional. Finalmente ser˜ao apresentados trabalhos que discursam sobre a compara¸c˜ao entre softwares de c´odigo aberto com fechados, ´e apresen- tado o JaamSim escolhido como simulador no estudo e por fim ´e exposto as vantagens e desvantagens do uso da simula¸c˜ao.
2.1 Planejamento e Controle da Produção
As empresas, de maneira geral, s˜ao estudadas como um “sistema que transforma, via um processamento, entradas (insumos) em sa´ıdas (produtos) ´uteis aos clientes” (TUBINO, 2017). Para se manter competitiva, as empresas se veem na miss˜ao de buscar constante- mente a otimiza¸c˜ao do uso de seus recursos produtivos. Desta forma, o planejamento e controle da produ¸c˜ao (PCP) ´e fundamental para uma institui¸c˜ao, por ser um conjunto de atividades gerenciais que atua no sentido de planejar e controlar os sistemas produtivos, coordenando-os e direcionando-os visando entregar os produtos e servi¸cos demandados pelos clientes (NASCIMENTO-E-SILVA, 2021)
Segundo Tubino (2017), para que os sistemas produtivos transformem insumos em produtos, ´e necess´ario planej´a-los utilizando horizonte de tempo. Neste sentido, ´e poss´ıvel realizar a divis˜ao do PCP em trˆes n´ıveis principais:
• Planejamento Estrat´egico: respons´avel pelo planejamento de longo prazo se base- ando em estimativas de vendas e capacidades produtivas.
• Planejamento Mestre: respons´avel pelo planejamento de m´edio prazo planejando o uso da capacidade instalada de modo a atender as previs˜oes de venda pr´e estabele- cidas no Planejamento Estrat´egico.
• Programa¸c˜ao da Produ¸c˜ao: respons´avel pelo planejamento de curto prazo definindo quanto, quando e onde fabricar ou comprar cada item necess´ario `a composi¸c˜ao do produto final demandado pelo plano mestre.
E poss´ıvel visualizar, de forma geral, o comportamento do fluxo das informa¸c˜´ oes no Planejamento e Controle da Produ¸c˜ao a partir da Figura 1.
Cap´ıtulo 2. Princ´ıpios da utiliza¸c˜ao da Simula¸c˜ao no Sequenciamento da Produ¸c˜ao no Planejamento e
Controle da Produ¸c˜ao 15
Figura 1 – Fluxo de informa¸c˜oes no PCP
Fonte: (TUBINO, 2017).
E percept´ıvel na Figura 1, como o PCP ´´ e importante para o bom andamento de uma produ¸c˜ao, por englobar e administrar informa¸c˜oes de todos os processos que envolvem a
´
area produtiva de qualquer empresa. Tamb´em ´e observado como o fluxo de informa¸c˜oes segue uma hierarquia, come¸cando no Planejamento Estrat´egico de longo prazo, depois o Planejamento-mestre de m´edio prazo e por fim est´a a Programa¸c˜ao da Produ¸c˜ao, que envolve o planejamento a curto prazo da organiza¸c˜ao.
O foco deste estudo ´e o uso da simula¸c˜ao computacional como facilitador do planeja- mento de curto prazo. Portanto, ´e aprofundado a seguir o que ´e e quais s˜ao as atividades atreladas a programa¸c˜ao da produ¸c˜ao dentro de uma empresa.
2.1.1 Programação da Produção
A programa¸c˜ao da produ¸c˜ao ´e fundamental para minimizar os tempos de espera dos clientes e maximizar o uso de recursos do ch˜ao de f´abrica, possibilitando a entrega de pedidos dentro do prazo solicitado, assim como almejado pela grande parte dos gestores de uma determinada empresa. Entretanto, segundo Hopp e Spearman (2011), essas ideias s˜ao conflitantes entre si. “Por exemplo, ´e muito mais f´acil finalizar os trabalhos no prazo se a utiliza¸c˜ao dos recursos for baixa. Da mesma forma, os prazos de entrega aos clientes podem ser m´ınimos se mantivermos um enorme estoque de produtos acabados.” Deste
Cap´ıtulo 2. Princ´ıpios da utiliza¸c˜ao da Simula¸c˜ao no Sequenciamento da Produ¸c˜ao no Planejamento e
Controle da Produ¸c˜ao 16
modo, ´e responsabilidade da programa¸c˜ao equilibrar todos esses fatores visando atender as necessidades da empresa.
A programa¸c˜ao da produ¸c˜ao se inicia a partir do recebimento de informa¸c˜oes extra´ıdas do plano mestre da produ¸c˜ao, que, por sua vez ´e elaborado por informa¸c˜oes vindas do planejamento estrat´egico. Tais informa¸c˜oes podem ser resumidas em: ´arvore do produto, n´ıveis de estoque de mat´eria-prima e produto final, previs˜ao de vendas e capacidades produtivas (HOLLAND; PEREIRA, 2022). Com isso ´e poss´ıvel saber quais e quantos itens devem ser produzidos e em qual per´ıodo devem ser entregues.
Desta forma, se inicia a programa¸c˜ao da produ¸c˜ao que ir´a planejar a quantidade de cada produto a ser fabricado por vez, a quantidade de recursos necess´arios a serem alo- cados e sequenciar e estabelecer os tempos de in´ıcio e t´ermino das atividades envolvidas em todo o processo (GUERRINI; AZZOLINI; BELHOT, 2018).
Segundo Tubino (2017) e Guerrini (2018), a programa¸c˜ao da produ¸c˜ao pode ser divi- dida em trˆes atividades fundamentais:
• A administra¸c˜ao do estoque, que verifica o estoque atual de mat´eria-prima e produto acabado.
• O sequenciamento que estabelece a ordem de execu¸c˜ao das atividades.
• E a emiss˜ao e libera¸c˜ao de ordem, que determina quanto, onde e quando produzir, montar ou comprar.
O sequenciamento ´e uma ferramenta da programa¸c˜ao que otimiza as limita¸c˜oes f´ısicas e temporais da produ¸c˜ao. Desta forma, busca a melhor sequˆencia em que as atividades devem ser feitas e em qual per´ıodo. O mau uso desta ferramenta acaba ocasionando em atrasos que impactam negativamente na entrega ao cliente (BATISTA, 2020).
2.1.2 Sequenciamento
Programar e sequenciar as tarefas parecem atividades distantes do nosso cotidiano, por´em isto ´e feito inconsciente e frequentemente durante o dia. Toda vez que cozinhamos, temos que ter em m˜aos os itens necess´arios para fazer a comida e temos em mente quais os passos devemos seguir durante todo o processo de produ¸c˜ao do produto. O sequenciamento
´
e um processo de tomada de decis˜ao visando otimizar um ou mais processos (PINEDO, 2016).
Segundo FUCHIGAMI (2016 apud CORREIA; NASCIMENTO, 2016, p.3), existem alguns conceitos relevantes no sequenciamento da produ¸c˜ao, como:
• Jobs (Tarefas), elementos inter-relacionados por restri¸c˜oes de precedˆencia a serem processados. E s˜ao compostos por partes elementares (Opera¸c˜oes).
• Opera¸c˜oes, atividades elementares a serem processadas.
Cap´ıtulo 2. Princ´ıpios da utiliza¸c˜ao da Simula¸c˜ao no Sequenciamento da Produ¸c˜ao no Planejamento e
Controle da Produ¸c˜ao 17
• M´aquinas, recursos escassos capazes de realizar a opera¸c˜ao.
A problem´atica do sequenciamento na programa¸c˜ao da produ¸c˜ao ´e tomar decis˜oes simul- tˆaneas em rela¸c˜ao `a quantidade de produto a ser produzido, qual m´aquina ser´a utilizada, em qual momento e em qual per´ıodo ocorrer´a o processo (NETTO, 2018).
De acordo com Sule (2007), os principais modelos de sequenciamento podem ser divi- didos em:
• M´aquina ´unica: onde as tarefas s˜ao processadas uma de cada vez e h´a apenas uma m´aquina para process´a-las.
• M´aquinas paralelas: onde as tarefas podem ser processadas em qualquer uma das m´aquinas.
• Flowshop: onde as tarefas s˜ao processadas em m´aquinas com uma determinada sequˆencia fixa, como na Figura 2.
Figura 2 – Ambiente Flow Shop
Fonte: Adaptado de (SULE, 2007).
• Jobshop: onde as tarefas podem ser processadas qualquer m´aquina em qualquer sequˆencia.
• Openshop: onde a sequˆencia n˜ao depende da opera¸c˜ao.
• Batchshop: onde as tarefas s˜ao processadas em lotes com determinado tempo e capacidade.
Segundo Fernandes e Godinho Filho (2010), o sequenciamento das atividades em qual- quer setor industrial deve seguir algum tipo de regra. Pode-se citar algumas das mais conhecidas na literatura como:
• FCFS (First Come, First Served). Nesta regra os primeiros Jobs a chegar s˜ao os primeiros a sair;
• SPT (Shortest Processing Time). Nesta regra os Jobs s˜ao sequenciados na ordem crescente de seus tempos de processamento.
• EDD (Earliest Due Date). Nesta regra os Jobs com prazos menores de entrega s˜ao processados primeiro.
Cap´ıtulo 2. Princ´ıpios da utiliza¸c˜ao da Simula¸c˜ao no Sequenciamento da Produ¸c˜ao no Planejamento e
Controle da Produ¸c˜ao 18
O sequenciamento pode ser definido como uma ferramenta que define a ordem de aloca¸c˜ao dos processos aos recursos dispon´ıveis, visando diminuir tempos ociosos de ma- quin´arios e m˜ao de obra.
Ao simular diferentes cen´arios com diferentes modelos e regras de sequenciamentos,
´
e poss´ıvel verificar qual entrega o melhor cen´ario objetificado pela empresa, como, por exemplo, um cen´ario onde o tempo de t´ermino da ´ultima atividade seja o menor poss´ıvel, visando diminuir o tempo total de fabrica¸c˜ao de um determinado produto (LOB ˜AO;
PORTO, 1999). Desta forma, o uso da simula¸c˜ao garante uma melhor utiliza¸c˜ao dos recursos da empresa, tornando-a mais competitiva no mercado.
2.2 Simulação
A simula¸c˜ao ´e uma imita¸c˜ao de um processo ou sistema real durante um per´ıodo estabelecido e pode ser feita por m´etodos matem´aticos ou com o aux´ılio de softwares apropriados. A partir do desenvolvimento de um modelo de simula¸c˜ao pode-se entender o comportamento do sistema estudado e ao valid´a-lo pode ser usado para investigar uma ampla variedade de quest˜oes ao alterar as restri¸c˜oes iniciais do sistema estudado (BANKS et al., 2005).
Segundo Banks et al. (2005), existem dois tipos de sistemas que podem ser simulados:
• Sistemas discretos: aquele em que as vari´aveis de estado mudam em um conjunto discreto de pontos em um determinado tempo. Por exemplo, uma lot´erica, onde a vari´avel de estado, o n´umero de clientes, muda apenas na chegada de clientes ou quando o atendimento ´e finalizado. Portanto, o estado s´o altera com a mudan¸ca discreta de eventos.
• Sistemas cont´ınuos: aquele em que as vari´aveis de estado mudam continuamente ao longo do tempo. Um exemplo ´e a cabe¸ca d’´agua atr´as de uma barragem. Durante uma chuva a ´agua flui para o lago atr´as da barragem. A ´agua ´e retirada da barragem para controle de enchente e para fazer energia el´etrica. A evapora¸c˜ao tamb´em diminui o n´ıvel da ´agua. Logo, o estado ´e continuamente alterado ao longo do tempo.
Como no presente estudo foi escolhido um sistema de eventos discretos para simular, foi feita a Tabela 1, onde foram definidos alguns componentes frequentemente utilizados ao criar uma simula¸c˜ao de eventos discretos que s˜ao: entidades, eventos, recursos, vari´aveis globais, geradores aleat´orios, calend´ario e coletores estat´ısticos (INGALLS, 2011).
Cap´ıtulo 2. Princ´ıpios da utiliza¸c˜ao da Simula¸c˜ao no Sequenciamento da Produ¸c˜ao no Planejamento e
Controle da Produ¸c˜ao 19
Tabela 1 – Componentes estruturais da simula¸c˜ao Nomenclatura Defini¸c˜ao
Entidade Objeto de estudo que causa mudan¸cas no estado da simula¸c˜ao Eventos Condi¸c˜oes que causam mudan¸cas no sistema
Recursos Qualquer coisa que restringe a capacidade do sistema Vari´aveis globais Uma vari´avel que est´a dispon´ıvel a qualquer momento Geradores aleat´orios Gerador de n´umero aleat´orio para distribui¸c˜oes aleat´orias Calend´ario Uma lista de eventos programados para ocorrerem no futuro Coletores estat´ısticos Coleta certos estados de entidades ou recursos no sistema
Fonte: (INGALLS, 2011).
Diversos sistemas reais s˜ao bastantes complexos e se torna oneroso tentar simular a partir de c´alculos e m´etodos matem´aticos. Nestes casos a simula¸c˜ao num´erica, elaborada em recursos computacionais, deve ser usada de modo a imitar o comportamento do sistema estudado em ambientes controlados.
A pesquisa feita por Dias et al. (2016) demonstrou, a partir de alguns parˆametros, quais os softwares mais populares no mundo. Os parˆametros foram baseados na intensidade ou n´ıvel de presen¸ca nos seguintes meios:
• Publica¸c˜oes cient´ıficas na Winter Simulation Conference (WSC).
• Sites orientados a banco de dados de documentos.
• Presen¸ca em revis˜oes e pesquisas selecionadas.
• Redes sociais.
• Sites da internet.
• Tendˆencia de busca na internet nos ´ultimos cinco anos.
A partir dos itens apresentados, o estudo feito por Dias et al. (2016) montou um gr´afico, observ´avel na Figura 3, mostrando quais s˜ao os softwares de simula¸c˜ao mais populares do mundo, a partir da presen¸ca observada em cada parˆametro. Onde WSC significa a presen¸ca do software naWinter Simulation Conference, DOCS a presen¸ca em sites orientados a banco de dados de documentos, REVIEWS a presen¸ca em revis˜oes e pesquisas selecionadas, SOCIAL a presen¸ca e popularidade das ferramentas observadas em redes sociais, WWW a presen¸ca em sites da internet e Growth a tendˆencia de busca sobre o software na internet nos ´ultimos cinco anos a partir da data de publica¸c˜ao do estudo feito por Dias et al. (2016).
Cap´ıtulo 2. Princ´ıpios da utiliza¸c˜ao da Simula¸c˜ao no Sequenciamento da Produ¸c˜ao no Planejamento e
Controle da Produ¸c˜ao 20
Figura 3 – N´ıvel de popularidade dos softwares de simula¸c˜ao
Fonte: (DIAS et al., 2016).
Desta forma, ´e poss´ıvel observar que, os trˆes softwares mais populares s˜ao o Arena, ProModel e FlexSim, sendo todos eles sistemas de c´odigo fechado, ou seja, ferramentas de simula¸c˜ao que para sua obten¸c˜ao ´e necess´ario comprar a licen¸ca da empresa que o desenvolveu.
O uso desoftwares de simula¸c˜ao de eventos discretos ´e bem difundido entre empresas de grande porte como um m´etodo auxiliar de tomada de decis˜oes. Por´em, devido a falta de pessoas treinadas para lidar com esses tipos de ferramentas e ao alto custo ao comprar e manter estes sistemas, pouco se ´e utilizado em empresas de m´edio e pequeno porte. O alto custo n˜ao s´o ´e uma barreira para essas companhias como para universidades de ensino que desejam incluir a simula¸c˜ao em seus curr´ıculos. A barreira ainda continua mesmo para aquelas empresas que disponibilizam os softwares em vers˜oes limitadas e gratuitas, pois h´a impedimentos para avaliar-se modelos complexos. Logo, a utiliza¸c˜ao desoftwares de c´odigo aberto se torna um atrativo tanto para a iniciativa privada quanto para o meio acadˆemico (LANG et al., 2021).
Cap´ıtulo 2. Princ´ıpios da utiliza¸c˜ao da Simula¸c˜ao no Sequenciamento da Produ¸c˜ao no Planejamento e
Controle da Produ¸c˜ao 21
2.2.1 Softwares de código aberto e fechado
Ossoftwaresde simula¸c˜ao de eventos discretos vem contribuindo a v´arias d´ecadas para a difus˜ao da simula¸c˜ao tanto no meio acadˆemico quanto no meio industrial. A vantagem destes sistemas est´a nas ferramentas gr´aficas disponibilizadas que ajudam na modelagem dos sistemas visados pelos usu´arios (DAGKAKIS; HEAVEY, 2016).
Todavia, a falta de acesso ao c´odigo-fonte destes softwares ou a falta de transparˆencia sobre o funcionamento desses simuladores resultam numa maior dificuldade em customiz´a- los. Desta forma, a chegada de softwares de c´odigo aberto e de pessoas que lidam com esses recursos ´e fundamental para a evolu¸c˜ao e dispers˜ao da simula¸c˜ao de eventos discretos (KING; HARRISON, 2013).
Segundo an´alises realizadas por Dagkakis e Heavey (2016) uma gama de softwares de c´odigo aberto foram selecionados seguindo alguns crit´erios tais como:
• A linguagem de programa¸c˜ao utilizada para escrever o software.
• O tipo de licen¸ca do software de c´odigo aberto.
• A data da ´ultima vers˜ao publicada do software.
• A data da ´ultima atualiza¸c˜ao feita no software.
• O p´ublico alvo que o simulador deseja alcan¸car e com qual objetivo o software foi constru´ıdo.
• A t´ecnica de simula¸c˜ao usada.
• O material documentado que serve de apoio aos usu´arios que pretendem utilizar o software.
• A existˆencia de comunidades de usu´arios para trocas de experiˆencias.
• Os sistemas de controle de vers˜ao dos simuladores.
Ap´os realizadas as an´alises, o estudo feito por Dagkakis e Heavey (2016) criou uma lista de dez softwares de simula¸c˜ao de c´odigo aberto, onde o autor evidenciou a raz˜ao desses sistemas terem sido escolhidos como os mais relevantes na utiliza¸c˜ao e no estudo de simula¸c˜ao de eventos.
• OMNeT++: o software mais popular e usado entre os de c´odigo aberto. Sua arqui- tetura ´e gen´erica, embora seja mais usado para redes de computadores.
• NS-3: tamb´em popular, apesar de ser criado com foco em redes de computadores.
• SimPy: ferramenta ainda em desenvolvimento, com atualiza¸c˜oes e discuss˜oes fre- quentes para suporte dos usu´arios.
Cap´ıtulo 2. Princ´ıpios da utiliza¸c˜ao da Simula¸c˜ao no Sequenciamento da Produ¸c˜ao no Planejamento e
Controle da Produ¸c˜ao 22
• JaamSim: um sistema relativamente recente, com uma interface com usu´ario com- par´avel com softwares pagos como o Arena devido `a facilidade de utiliza¸c˜ao.
• JAPROSIM: ferramenta que j´a apareceu em publica¸c˜oes em peri´odicos e combina a simula¸c˜ao de eventos discretos com simula¸c˜ao cont´ınua.
• DESMO-J: sistema com atualiza¸c˜oes constantes e disp˜oe de uma interface em 2-D e 3-D.
• Facsimile: uma ferramenta voltada para a PO e ´e a ´unica a utilizar a linguagem SCALA como base.
• SharpSim: ´unica ferramenta encontrada escrita em C# e desenvolvida pela Micro- soft.
• PowerDEVS: ferramenta competente focada em sistemas de eventos discretos.
• URURAU: vem sendo usado na gest˜ao de cadeias de suprimentos e especificamente na redu¸c˜ao de emiss˜ao de mon´oxido de carbono.
Para o presente estudo, o JaamSim foi escolhido como osoftware de simula¸c˜ao devido sua facilidade em manusear, instalar e por manter um f´orum de discuss˜oes onde usu´arios podem se ajudar.
2.2.2 JaamSim
O JaamSim ´e umsoftware gratuito de c´odigo aberto de simula¸c˜ao de eventos discretos, desenvolvido pela empresa Ausenco, uma empresa canadense de engenharia internacional.
Este software foi lan¸cado em 2013, sendo destinado a um amplo p´ublico de pesquisadores e estudantes que procuram em uma ferramenta de simula¸c˜ao de c´odigo aberto as mesmas funcionalidades de um simulador pago. Sua interface com o usu´ario (GUI)1 ´e compar´a- vel com as fornecidas por famosos softwares pagos atualmente, o tornando uma ´otima alternativa para companhias que n˜ao tem acesso a estes softwares devido `a quantidade de capital necess´ario para tal. (KING; HARRISON, 2013), (LANG et al., 2021).
No artigo de apresenta¸c˜ao do JaamSim os autores King e Harrison (2013) deixam claro na seguinte frase “estamos oferecendo o JaamSim como um projeto de c´odigo aberto genu´ıno para o benef´ıcio da comunidade de simula¸c˜ao. ´E umsoftware livre licenciado sob GPLv.3. N˜ao temos planos de introduzir uma vers˜ao premium para o JaamSim.” (KING;
HARRISON, 2013)
Este software de c´odigo aberto ´e escrito na linguagem de programa¸c˜ao Java e possui um diferencial a outros j´a existentes como os pacotes de simula¸c˜ao CSIM, DESMO-J e
1 Interface gr´afica do utilizador, permite a intera¸c˜ao com dispositivos digitais por meio de elementos gr´aficos
Cap´ıtulo 2. Princ´ıpios da utiliza¸c˜ao da Simula¸c˜ao no Sequenciamento da Produ¸c˜ao no Planejamento e
Controle da Produ¸c˜ao 23
DEUS. Embora estes simuladores ofere¸cam muitos recursos ´uteis, cada um fornece apenas uma biblioteca de ferramentas limitada, deixando que o usu´ario prepare seu modelo via c´odigo em Java. Sem uma interface com o usu´ario que o JaamSim oferece, estes outros pacotes atraem apenas pessoas com experiˆencia em programa¸c˜ao para construir o modelo visado (KING; HARRISON, 2013).
Figura 4 – Exemplo da interface do JaamSim
Fonte: Elaborado pelo autor no JaamSim (2022).
Ao contemplar a Figura 4, pode-se observar como a interface ao usu´ario ´e amig´avel at´e para pessoas menos experientes no uso de softwares de simula¸c˜ao. Basta arrastar os blocos contidos nas pastas do lado esquerdo para a tela de simula¸c˜ao sem a necessidade de escrever linhas de c´odigos.
2.3 Vantagens e desvantagens da simulação
S˜ao diversas vantagens do uso da simula¸c˜ao em qualquer ambiente produtivo. Algumas raz˜oes do uso s˜ao citadas por (BANKS et al., 2005):
• Novos procedimentos podem ser implementados sem interromper as opera¸c˜oes em andamento no sistema real.
• Outros layouts e sistemas de transportes podem ser testados sem comprometer recursos para a aquisi¸c˜ao.
• Hip´oteses de como ocorre algum fenˆomeno podem ser testados no modelo criado.
• O tempo pode ser acelerado, desacelerado ou parado a fim de investigar fenˆomenos.
• Possibilita obter informa¸c˜oes sobre a importˆancia de cada vari´avel no sistema.
Cap´ıtulo 2. Princ´ıpios da utiliza¸c˜ao da Simula¸c˜ao no Sequenciamento da Produ¸c˜ao no Planejamento e
Controle da Produ¸c˜ao 24
• Permite descobrir onde ocorre os gargalos respons´aveis por atrasar todo o processo.
• A simula¸c˜ao permite entender como o sistema realmente funciona e n˜ao como os indiv´ıduos pensam que funciona.
• Perguntas como “e se” podem ser respondidas simplesmente alterando alguns valores e visualizando resultados.
Tamb´em s˜ao citadas em (BANKS et al., 2005) algumas desvantagens decorrentes do uso da simula¸c˜ao computacional:
• A constru¸c˜ao de modelos requer treinamento especial.
• Os resultados da simula¸c˜ao podem ser dif´ıceis de analisar e compreender.
• A modelagem e a an´alise podem ser demoradas e caras.
• Eventualmente a simula¸c˜ao ´e utilizada em situa¸c˜oes que uma solu¸c˜ao anal´ıtica pode ser feita.
25
3 Materiais e Métodos utilizados neste estudo
O m´etodo de pesquisa utilizado neste estudo foi a aplica¸c˜ao de um modelo de simula-
¸c˜ao em uma empresa de pequeno porte baseado nas etapas apresentadas por Banks et al.
(2005). A abordagem da pesquisa ´e quantitativa, pois foi objetiva na obten¸c˜ao de infor- ma¸c˜oes relevantes para o trabalho e foram coletados dados num´ericos de opera¸c˜oes reais que posteriormente foram devidamente tratados. J´a o procedimento t´ecnico utilizado no estudo foi a modelagem matem´atica, por meio da simula¸c˜ao auxiliada pela pesquisa¸c˜ao, visto que o autor se envolve cooperativamente, ocorrendo uma uni˜ao entre pesquisa e pr´atica visando uma melhor compreens˜ao do evento estudado (VENANZI; SILVA, 2016).
3.1 Etapas da simulação
Segundo Banks et al. (2005), para elaborar um modelo de simula¸c˜ao alguns passos devem ser seguidos:
• Formula¸c˜ao do problema: o primeiro passo ´e definir qual o problema a ser estudado, qual a finalidade e quais recursos ser˜ao necess´arios para fazˆe-lo.
• Estabelecer os objetivos do projeto: neste passo ´e fundamental definir quais as quest˜oes do presente estudo que a simula¸c˜ao ir´a responder.
• Modelo conceitual: no terceiro passo ´e constru´ıdo um modelo conceitual para o entendimento do fluxo de entidades e recursos dentro do sistema produtivo estudado.
• Coleta de dados: no quarto passo deve-se identificar os processos que estar˜ao na simula¸c˜ao, estabelecer os recursos necess´arios e por fim definir quais dados ser˜ao coletados.
• Construir modelo nosoftware: ap´os coletar todos os dados necess´arios, ´e constru´ıdo o modelo do sistema estudado no software de simula¸c˜ao escolhido pelo autor.
• Modelo validado?: neste passo deve-se verificar se o modelo constru´ıdo ´e compat´ıvel com o sistema real estudado.
• Iniciar simula¸c˜ao nosoftwaree analisar resultados: no sexto passo o modelo ´e rodado no software com os tempos de simula¸c˜ao e dados pr´e-estabelecidos sendo analisado os resultados obtidos. ´E criado cen´arios com outras restri¸c˜oes conforme os objetivos do estudo.
• Novo teste?: ap´os rodar o modelo e analisar os resultados, o analista determina se
´
e necess´ario realizar outros testes ou criar outros cen´arios.
Cap´ıtulo 3. Materiais e M´etodos utilizados neste estudo 26
• Documentar e reportar resultados: neste passo ´e documentado os resultados obtidos em todos os cen´arios, verificando se os resultados obtidos s˜ao satisfat´orios.
• Implementar modelo: no ´ultimo passo, ap´os documentar os resultados, ´e colocado em pr´atica o modelo desenvolvido a partir dos cen´arios criados.
Na Figura 5 pode ser visualizado todos os passos apresentados na forma de um fluxo- grama adaptado de Banks et al. (2005).
Figura 5 – Etapas de um modelo de simula¸c˜ao
Fonte: Adaptado de Banks et al. (2005)
Cap´ıtulo 3. Materiais e M´etodos utilizados neste estudo 27
O problema a ser tratado ´e montar uma programa¸c˜ao da produ¸c˜ao que atenda a demanda levantada pelo setor de vendas da empresa Alpha. Para tal foi preciso descobrir a capacidade produtiva di´aria do ch˜ao de f´abrica e montar um cronograma de atividades a fim de descobrir o tempo necess´ario para atender a demanda imposta.
Para a coleta de dados dos tempos de processo de cada atividade referente a produ¸c˜ao da empresa Alpha, foi feita uma visita `a f´abrica num per´ıodo de 10 at´e 20 de julho e no montante foram coletados 96 dados. Houve, em algumas atividades, uma coleta de dados maior devido a varia¸c˜oes maiores de tempo observadas durante a coleta. O montante de dados de tempo de algumas atividades foram colocados para an´alise de comportamento estat´ıstico e de outras foi considerado um tempo m´edio.
Com o intuito de construir o modelo, foi utilizado o software de simula¸c˜ao JaamSim, onde foram criados e analisados diversos cen´arios num ambiente controlado. Com todas as an´alises feitas, ´e gerado relat´orios e gr´aficos com todos os resultados obtidos.
Todas as etapas apresentadas na Figura 5 foram discorridas no Cap´ıtulo 4, juntamente com os resultados obtidos.
28
4 Apresentação e discussão dos resultados
Neste cap´ıtulo ´e apresentada a empresa foco deste estudo, o modelo conceitual da linha de produ¸c˜ao do gelo saborizado, como os dados foram devidamente tratados, a constru¸c˜ao do modelo de simula¸c˜ao do ch˜ao de f´abrica e como foi validado. Finalmente, os resultados adquiridos foram apresentados ao final deste Cap´ıtulo 4.
4.1 A empresa
O presente estudo foi desenvolvido no setor de produ¸c˜ao de uma f´abrica de sobremesas geladas, que ser´a identificada como f´abrica Alpha para preservar o anonimato da insti- tui¸c˜ao. ´E uma f´abrica de pequeno porte que tem como portf´olio sorvetes, paletas, mini paletas, bombons grandes e pequenos. Um produto recentemente introduzido foi o gelo saborizado onde sua produ¸c˜ao se assemelha as paletas, desta forma utilizando maquin´arios j´a demandados pela empresa.
Foram coletados dados do sistema da empresa relativos `a demanda m´edia e o fatu- ramento m´edio no ano de 2022. Durante um per´ıodo de seis meses, a demanda semanal foi de aproximadamente 480 caixas de gelo e o faturamento m´edio mensal foi de 300 mil reais.
Um desenho da planta com as medidas da f´abrica foi feito para ilustrar cada setor da empresa e assim ter uma ideia geral do fluxo de mercadorias e informa¸c˜oes dentro da f´abrica. ´E poss´ıvel observar as dimens˜oes e as posi¸c˜oes da cozinha onde s˜ao feitas as misturas de ingredientes, o ch˜ao de f´abrica onde est˜ao as m´aquinas para a fabrica¸c˜ao dos produtos, a cˆamara fria onde s˜ao armazenados os produtos, o armaz´em onde s˜ao estocadas as mat´erias-primas, a localiza¸c˜ao do setor administrativo e dos banheiros e o local onde ocorre as entradas e sa´ıdas de mercadorias. O desenho foi feito no Sweet Home 3D e pode ser observado na Figura 6.
Cap´ıtulo 4. Apresenta¸c˜ao e discuss˜ao dos resultados 29
Figura 6 – Planta da empresaAlpha
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
Foi escolhida a linha de produ¸c˜ao do gelo saborizado para a an´alise de estrat´egias para a programa¸c˜ao da produ¸c˜ao, devido `a alta crescente no n´umero de vendas do produto, por ser um produto que n˜ao ´e afetado pelas esta¸c˜oes do ano e pela simplicidade de sua produ¸c˜ao.
Atualmente h´a seis varia¸c˜oes de sabor do gelo que s˜ao o coco, ma¸c˜a verde, morango, maracuj´a, melancia e uva. E estes tem como mat´eria-prima basicamente ´agua, a¸c´ucar e saborizante. As caixas de gelo podem ser armazenados por at´e um ano dentro de uma cˆamara fria com capacidade de at´e 8750 caixas.
Uma das preocupa¸c˜oes da empresa ´e relativa a um poss´ıvel crescimento da demanda sobre os gelos para o feriado de Carnaval no ano de 2023. O setor de vendas apresentou para o setor de produ¸c˜ao uma previs˜ao de demanda para o Carnaval com as quantidades de caixas de gelo de cada sabor que devem ser entregues at´e o primeiro dia do feriado.
Esta demanda pode ser observada na Figura 7.
Cap´ıtulo 4. Apresenta¸c˜ao e discuss˜ao dos resultados 30
Figura 7 – Previs˜ao de demanda
Fonte: Dados do setor de vendas (2022).
O presente estudo foca em apresentar uma solu¸c˜ao para a programa¸c˜ao da produ¸c˜ao que atenda a previs˜ao de demanda entregue pelo setor de vendas, respeitando todas as restri¸c˜oes do sistema. Atualmente a produ¸c˜ao dos gelos ´e sequenciada conforme a ordem de sabor mais popular e demandado pelos clientes.
4.2 Modelo conceitual
Para demonstrar as intera¸c˜oes de entidades e comportamentos dinˆamicos num modelo de simula¸c˜ao discreto, ´e interessante desenvolver um diagrama de ciclo de atividades (DCA)(PAUL, 1993). Desta forma foi desenvolvido o DCA da produ¸c˜ao do gelo saborizado que pode ser visualizado na Figura 8.
Cap´ıtulo 4. Apresenta¸c˜ao e discuss˜ao dos resultados 31
Figura 8 – Diagrama de ciclo de atividades
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
No DCA apresentado, a entidade envolvida ´e a mat´eria-prima (MP) utilizada para fa- bricar os gelos, considerada infinita, devido `a quantidade existente na f´abrica. Os recursos necess´arios s˜ao os operadores (4), os baldes (2) e as formas de gelo (26), al´em das m´a- quinas que s˜ao a Pasteurizadora (1), Tina (1), Picoleteira (1), Freezer (1) e Embaladora
Cap´ıtulo 4. Apresenta¸c˜ao e discuss˜ao dos resultados 32
(1).
Como no ch˜ao de f´abrica existe apenas uma m´aquina para a produ¸c˜ao da calda do gelo saborizado, a produ¸c˜ao fica limitada a fabricar um sabor por vez. A mesma m´aquina limita uma quantidade m´axima de 110 L por rodada, equivalente a 720 gelos ou 24 caixas.
Pode ser contemplado nove atividades referentes a produ¸c˜ao do gelo saborizado, come-
¸cando com a atividade setup (A01) referente a limpeza, prepara¸c˜ao das m´aquinas e troca de bobinas de embalagem. Seguindo tem-se a produ¸c˜ao da calda do gelo saborizado (A02) feita numa m´aquina chamada Pasteurizadora em conjunto com outra chamada Tina, que mistura e gela os ingredientes. Com a calda pronta, come¸ca a encher balde com a calda (A03) que consiste num funcion´ario encher um balde e levar para a mesa onde inicia a encher forma de gelo e colocar na picoleteira (A04). Em seguida inicia o congelamento da forma na picoleteira (A05) onde as formas ficam expostas a uma mistura de ´alcool de temperatura de 25 graus negativos at´e a calda congelar e virar gelo.
A partir da forma¸c˜ao dos gelos, inicia-se a desenformar e depositar gelos no freezer (A06) que consiste em desenformar as formas numa mistura de ´alcool quente e depositar as unidades de gelo num freezer at´e que seu espa¸co seja completamente ocupado, em seguida voltar com a forma vazia para (A07). Caso o freezer chega em sua capacidade de 480 unidades de gelo, a atividade embalar e encaixotar gelos (A08) ´e iniciada com o aux´ılio de dois funcion´arios. Com os gelos embalados e encaixotados, um operador ´e respons´avel pelo transporte e estocagem de caixas (A09), transportando os gelos para uma cˆamara fria que mant´em os gelos numa temperatura de 20 graus negativos.
4.3 Coleta de dados
A coleta de dados foi realizada com aux´ılio de um cronˆometro de celular. Foi feita a coleta dos tempos das atividades relativas a todo o processo de produ¸c˜ao dos gelos saborizados. Para as atividades A01, A02, A03, A07, A08 e A09, seis coletas foram feitas e posteriormente foram calculados os tempos m´edios de cada uma. Para as atividades A04, A05 e A06, foram coletados 20 dados e, devido a varia¸c˜oes observadas nos dados, foi utilizado um c´odigo em linguagem R, a fim de descobrir comportamentos estat´ısticos.
Todos os resultados de tempo m´edio e comportamento estat´ıstico dos tempos de pro- cessamento das atividades s˜ao contemplados na Se¸c˜ao 4.4.
4.4 Construção do modelo
Para a valida¸c˜ao do modelo, foram recolhidos os dados de tempo de processamento de todas as atividades envolvidas no processo estudado. Foi contemplado que, o tempo necess´ario e a varia¸c˜ao do tempo em algumas atividades eram relativamente maiores que outras, por isso houve um n´umero maior de coletas nessas atividades a fim de encontrar comportamentos estat´ısticos. As atividades em quest˜ao foram: encher forma de gelo e
Cap´ıtulo 4. Apresenta¸c˜ao e discuss˜ao dos resultados 33
colocar na picoleteira (A04), congelamento da forma na picoleteira (A05) e desenformar e depositar gelos no freezer (A06), onde o n´umero de dados coletados foi de 20 para cada atividade.
Para descobrir o comportamento probabil´ıstico dos tempos coletados dessas ativida- des foi utilizado um c´odigo de linguagem de programa¸c˜ao em R. Os comportamentos obtidos podem ser verificados na Tabela 2 e o c´odigo em R utilizado para descobrir o comportamento estat´ıstico pode ser contemplado no Anexo A.
Tabela 2 – Comportamentos estat´ısticos nos tempos das atividades A04, A05, A06 Atividade Tempo de dura¸c˜ao (s)
A04 WEIBULL(32, 6.28) A05 UNIF(1800, 2400) A06 UNIF(16, 25)
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
O c´odigo em R retornou o comportamento para o tempo de (A04), weibull com os pa- rˆametros forma e escala de 32 segundos e 6,28 respectivamente. Para os comportamentos das atividades (A05) e (A06), o primeiro foi dado como uniforme com valor m´ınimo de 1800 e m´aximo de 2400 segundos e o ´ultimo tamb´em uniforme com valor m´ınimo de 16 e m´aximo de 25 segundos.
Para as demais atividades houve seis coletas para cada, sendo retirado um tempo m´edio delas. Logo, foi considerado um tempo m´edio constante, que pode ser observado na Tabela 3, para processar essas atividades.
Tabela 3 – Tempos coletados das atividades A01, A02, A03, A07, A08 e A09 Atividade Tempo m´edio de dura¸c˜ao (s)
A01 900
A02 1500
A03 10
A07 2
A08 4
A09 15
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
4.5 Modelo computacional
Para a constru¸c˜ao do modelo computacional foi utilizado um computador com proces- sador AMD RYZEN 4000, mem´oria RAM de 16 GB e sistema operacional Windows 10.
O software de c´odigo aberto usado foi o JaamSim que pode ser instalado gratuitamente em seu site oficial.
Cap´ıtulo 4. Apresenta¸c˜ao e discuss˜ao dos resultados 34
Como o JaamSim entrega a possibilidade de criar um modelo em 3D, assim foi feito para melhor visualiza¸c˜ao de todo o processo. Algumas figuras 3D utilizadas foram cri- adas a partir do software Blender, o qual ´e um conjunto de ferramentas de software de computa¸c˜ao gr´afica 3D gratuito.
Foi desenhada a planta baixa da empresa para entregar uma melhor visualiza¸c˜ao do espa¸co real da empresa e como acontece o fluxo de todo o processo produtivo. Para isso foi utilizado o software Sweet Home 3D para desenhar a planta e depois export´a-la para o JaamSim.
Para criar um modelo semelhante `a realidade da empresa, algumas altera¸c˜oes foram feitas no modelo conceitual para o computacional. O tempo de um dia da f´abrica de nove horas foi diminu´ıdo para oito horas e 45 minutos, respeitando o tempo de 15 minutos de setup referente a limpeza e preparo de m´aquinas.
A atividade (A08) foi dividida na simula¸c˜ao em ”ColocarNoTrilho” e “Encaixotar”, a fim de simular um funcion´ario colocando as unidades de gelo no trilho da embaladora e outro no fim da linha colocando os gelos embalados dentro de caixas de 30 unidades. O tempo dessas duas atividades somadas ´e o mesmo que o informado da atividade (A08) de quatro segundos.
A atividade (A09) tamb´em foi dividida em “Transporte” e “Estocar”, simulando as caixas sendo colocadas num carrinho de m˜ao que transporta oito caixas at´e a cˆamara fria onde ser˜ao estocadas. O tempo dessas atividades ´e o mesmo que o informado da atividade (A09) de 15 segundos.
O modelo computacional constru´ıdo no JaamSim pode ser contemplado nas Figuras 9 e 10. Para uma melhor visualiza¸c˜ao foi colocado no Apˆendice A a imagem do modelo em maior dimens˜ao.
Cap´ıtulo 4. Apresenta¸c˜ao e discuss˜ao dos resultados 35
Figura 9 – Modelo de simula¸c˜ao no JaamSim
Fonte: Elaborado pelo autor via JaamSim (2022).
Figura 10 – Vista 3D do modelo rodando
Fonte: Elaborado pelo autor via JaamSim (2022).
Para resolver o problema de programa¸c˜ao da produ¸c˜ao da empresa, em rela¸c˜ao ao pedido de duas mil caixas feito pelo setor de vendas, foi utilizado uma ferramenta chamada
Cap´ıtulo 4. Apresenta¸c˜ao e discuss˜ao dos resultados 36
TimeSeries do JaamSim, que auxilia no sequenciamento da produ¸c˜ao de cada sabor de gelo.
Para sequenciar a produ¸c˜ao dos gelos, foi escolhida uma sequˆencia relativa `a demanda de cada sabor. Como o sabor coco ´e mais demandado, foi escolhido como sendo o primeiro a ser fabricado, em seguida o ma¸c˜a verde, morango, maracuj´a, melancia e finalmente o sabor uva.
4.6 Validação do modelo
Para a valida¸c˜ao do modelo foi considerado na simula¸c˜ao do JaamSim a jornada de trabalho da empresa de oito horas e 45 minutos, descontando os 15 minutos referentes ao setup. Tamb´em foram considerados todos os recursos limitantes da f´abrica, sendo eles humanos, m´aquinas e dispositivos.
Com todos os limitantes impostos ao modelo, foi realizada a simula¸c˜ao, em que se considerou tamb´em a varia¸c˜ao do tempo nas atividades da produ¸c˜ao que se comportam de maneira estat´ıstica, criando-se trˆes cen´arios, referentes a trˆes dias distintos de produ¸c˜ao.
Os resultados adquiridos ao rodar trˆes vezes a simula¸c˜ao foram comparados com os dados fornecidos pelo setor de produ¸c˜ao da f´abrica em trˆes dias reais de funcionamento. As compara¸c˜oes de quantidade de caixas de gelo fabricadas e os tempos necess´arios para fabrica¸c˜ao no sistema simulado e nos sistemas reais, sendo o sistema real 1, o primeiro dia de funcionamento, o sistema real 2, o segundo dia, e o sistema real 3, o terceiro dia, podem ser observadas nas Tabelas 4, 5 e 6.
Tabela 4 – Compara¸c˜ao entre sistema simulado e sistema real 1
Parˆametro Sistema simulado 1 Sistema real 1 Diferen¸ca
Quantidade de caixas produzidas 120 125 4%
Tempo necess´ario para fabrica¸c˜ao 8 h 41 min 8 h 50 min 2%
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
Tabela 5 – Compara¸c˜ao entre sistema simulado e sistema real 2
Parˆametro Sistema simulado 2 Sistema real 2 Diferen¸ca
Quantidade de caixas produzidas 120 113 6%
Tempo necess´ario para fabrica¸c˜ao 8 h 43 min 8 h 30 min 3%
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
Cap´ıtulo 4. Apresenta¸c˜ao e discuss˜ao dos resultados 37
Tabela 6 – Compara¸c˜ao entre sistema simulado e sistema real 3
Parˆametro Sistema simulado 3 Sistema real 3 Diferen¸ca
Quantidade de caixas produzidas 120 130 7,69%
Tempo necess´ario para fabrica¸c˜ao 8 h 41 min 9 h 4%
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
Desta forma ´e constatado uma diferen¸ca m´edia entre o sistema simulado e o real de 5,9% para a quantidade de caixas produzidas e 3% para o tempo necess´ario de fabrica¸c˜ao.
Nota-se que o resultado obtido pelo sistema simulado se aproxima dos resultados entregues pelo sistema real e ainda respeita uma das restri¸c˜oes referente a jornada de trabalho exercida pela empresa. Logo, o modelo computacional criado se comporta de forma semelhante `a realidade da produ¸c˜ao da f´abrica.
4.7 Resultados
A fim de descobrir qual a quantidade de caixas de gelo podem ser fabricadas respei- tando o tempo de servi¸co di´ario de nove horas, foram testados cen´arios que diferem na quantidade de mat´eria-prima (MP) liberada para a fabrica¸c˜ao dos gelos. No primeiro cen´ario ´e liberado quantidade suficiente para fabricar 96 caixas, j´a no segundo 120 e fi- nalmente no terceiro a quantidade ´e de 144 caixas de gelo. Lembrando que ao fabricar a calda deve ser batido 110 L por rodada, equivalente a 720 unidades de gelo ou 24 caixas, portanto as quantidades que devem ser fabricadas precisam ser divisores inteiros desses valores.
Foram rodadas dez repeti¸c˜oes para cada cen´ario e os relat´orios gerados pelo JaamSim foram coletados e expostos nas Tabelas 7, 8 e 9. ´E apresentado nas tabelas trˆes colunas:
na primeira ´e indicado o n´umero da repeti¸c˜ao, na segunda coluna ´e indicado o tempo de t´ermino da ´ultima atividade que indica o tempo total de produ¸c˜ao, j´a na terceira coluna indica a quantidade de caixas de gelo fabricadas.
Cap´ıtulo 4. Apresenta¸c˜ao e discuss˜ao dos resultados 38
Tabela 7 – Repeti¸c˜oes do primeiro cen´ario
Repeti¸c˜ao Tempo de t´ermino de Estocar (h) Quantidade fabricada (cx)
1 7,18 96
2 7,17 96
3 7,13 96
4 7,16 96
5 7,30 96
6 7,11 96
7 7,28 96
8 7,24 96
9 7,25 96
10 7,30 96
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
Tabela 8 – Repeti¸c˜oes do segundo cen´ario
Repeti¸c˜ao Tempo de t´ermino de Estocar (h) Quantidade fabricada (cx)
1 8,68 120
2 8,72 120
3 8,67 120
4 8,62 120
5 8,72 120
6 8,52 120
7 8,71 120
8 8,62 120
9 8,56 120
10 8,64 120
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
Tabela 9 – Repeti¸c˜oes do terceiro cen´ario
Repeti¸c˜ao Tempo de t´ermino de Estocar (h) Quantidade fabricada (cx)
1 10,14 144
2 10,24 144
3 10,05 144
4 10,16 144
5 10,09 144
6 9,98 144
7 10,13 144
8 10,15 144
9 10,02 144
10 10,09 144
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
Cap´ıtulo 4. Apresenta¸c˜ao e discuss˜ao dos resultados 39
A Tabela 7 ´e o relat´orio gerado do primeiro cen´ario, onde foi liberado MP suficiente para a fabrica¸c˜ao de 2880 unidades de gelo, equivalente a 96 caixas de gelo. Dentre todas as repeti¸c˜oes, foi escolhida a de maior tempo de t´ermino da ´ultima atividade “Estocar”, gerado na d´ecima, por ser o pior poss´ıvel dado pela simula¸c˜ao. Na pior repeti¸c˜ao, a atividade terminou em, aproximadamente, sete horas e 19 minutos, faltando uma hora e 26 minutos para terminar o expediente. Portanto, n˜ao ´e uma programa¸c˜ao ideal para a empresa que busca usufruir o m´aximo poss´ıvel do tempo que tem.
A Tabela 8 ´e o relat´orio gerado no segundo cen´ario, que ao liberar MP suficiente para fabricar 120 caixas de gelo, a quinta repeti¸c˜ao resultou num tempo de t´ermino da ´ultima atividade de oito horas e 43 minutos.
J´a no terceiro cen´ario, refente a Tabela 9, ao liberar MP para fabricar 144 caixas de gelo, o pior tempo foi de dez horas e 15 minutos para a ´ultima atividade finalizar. Este cen´ario n˜ao ´e o ideal por ultrapassar o tempo de oito horas e 45 minutos de encerramento das atividades da f´abrica.
Com todas as an´alises dos cen´arios, o ideal escolhido foi o segundo, com uma produ¸c˜ao di´aria de 120 caixas de gelo e com a pior repeti¸c˜ao (quinta) terminando as atividades em oito horas e 43 minutos. Desta forma, atendendo a restri¸c˜ao de hor´ario de produ¸c˜ao de oito horas e 45 minutos imposta pela empresa.
Para descobrir quantos dias s˜ao necess´arios para atender a demanda do setor de ven- das, contemplada na Figura 7, foi feita uma divis˜ao das quantidades de cada sabor pela capacidade di´aria apresentada pela simula¸c˜ao. Uma altera¸c˜ao do pedido foi feita a fim de respeitar uma restri¸c˜ao relativa ao n´umero de caixas ser divisor inteiro de 24. Logo, as caixas de coco foram aumentadas para 960 e as de uva para 96.
As quantidades escolhidas para atender a demanda e respeitar as restri¸c˜oes da empresa podem ser visualizadas na Tabela 8, com o c´alculo dos dias necess´arios para fabricar.
Tabela 10 – Quantidade de caixas e tempo necess´ario Gelo Quantidade (caixas) Quantidade (dias)
Coco 960 8
Ma¸c˜a verde 360 3
Morango 240 2
Maracuj´a 240 2
Melancia 144 1,2
Uva 96 0,8
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
Na Tabela 8, ressalta-se que ao dividir as 960 caixas de coco por uma produ¸c˜ao di´aria de 120 chega-se numa quantidade de oito dias necess´arias para fabrica¸c˜ao. Fazendo o mesmo com os outros sabores resulta em trˆes dias para ma¸c˜a verde, dois para morango e maracuj´a, 1,2 dias para melancia e 0,8 dias para o sabor uva. Somando todos os dias,
Cap´ıtulo 4. Apresenta¸c˜ao e discuss˜ao dos resultados 40
verifica-se que ´e necess´ario 17 dias para atender a demanda de caixas, o que evidencia a possibilidade de planejar e de programar a produ¸c˜ao da f´abrica a partir desses resultados.
As Figuras 11 e 12, demonstram o resultado obtido no JaamSim ao simular a produ¸c˜ao de todas as caixas de gelo no per´ıodo estabelecido anteriormente.
Figura 11 – Modelo simulado
Fonte: Elaborado pelo autor via JaamSim (2022).
Figura 12 – Vista 3D das caixas de gelo produzidas
Fonte: Elaborado pelo autor via JaamSim (2022).
Cap´ıtulo 4. Apresenta¸c˜ao e discuss˜ao dos resultados 41
Tabela 11 – Resultados obtidos do modelo simulado
Repeti¸c˜ao Tempo de t´ermino de Estocar (h) Quantidade total fabricada (cx)
1 148,67 2040
2 148,61 2040
3 148,61 2040
4 148,73 2040
5 148,68 2040
6 148,66 2040
7 148,64 2040
8 148,62 2040
9 148,69 2040
10 148,60 2040
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
A Tabela 11 traz os resultados do relat´orio que o JaamSim retorna ap´os finalizar a simula¸c˜ao do modelo. Nesta tabela os resultados s˜ao demonstrados em trˆes colunas. A primeira refere-se ao n´umero da repeti¸c˜ao rodada, a segunda o tempo de t´ermino da ´ultima atividade “Estocar”, a terceira o n´umero de caixas de gelo fabricadas ao todo durante o decorrer da simula¸c˜ao.
Ao analisar a Tabela 11, ´e observado que na quarta repeti¸c˜ao, foi obtido o maior tempo de t´ermino da ´ultima atividade de 148,73 horas, equivalente a 16,99 dias. Portanto,
´
e demonstrado via simula¸c˜ao que num tempo de 17 dias ´e poss´ıvel fabricar at´e 2040 caixas de gelo mesmo no pior tempo obtido entre as repeti¸c˜oes. Como a capacidade de armazenamento da cˆamara fria ´e de 8750 caixas e a sa´ıda do gelo ´e programada para um tempo inferior ao tempo de validade (um ano), ´e poss´ıvel estocar essas quantidades obtidas pela simula¸c˜ao.
Para uma melhor visualiza¸c˜ao de como foi sequenciado e programado a produ¸c˜ao de cada sabor de gelo, foi feita a Tabela 9 que serviu como facilitador para a an´alise do sequenciamento da situa¸c˜ao real e para a constru¸c˜ao do Gr´afico de Gantt, Figura 13.
Tabela 12 – Tempo de t´ermino de produ¸c˜ao de cada sabor Gelo T´ermino (d)
Coco 8
Ma¸c˜a verde 11 Morango 13 Maracuj´a 15 Melancia 16,2
Uva 17
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
Cap´ıtulo 4. Apresenta¸c˜ao e discuss˜ao dos resultados 42
Figura 13 – Gr´afico de Gantt
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
Com a constru¸c˜ao do Gr´afico de Gantt fica melhor a visualiza¸c˜ao do cronograma que deve ser seguido para a resolu¸c˜ao do problema de programa¸c˜ao da produ¸c˜ao enfrentado pela empresa Alpha. No diagrama ´e poss´ıvel ver quando come¸ca e termina cada produ¸c˜ao de cada sabor, o tempo necess´ario e a dependˆencia que para iniciar a produ¸c˜ao de um sabor deve-se terminar o anterior.
No sequenciamento da produ¸c˜ao de todos os sabores de gelo, foi escolhido produzir toda a demanda de cada sabor antes de passar para outro, a fim de diminuir o tempo gasto limpando maquin´ario e trocando bobinas de embalagem. J´a a ordem dos sabores foi referente a colora¸c˜ao de cada um, o coco tem a colora¸c˜ao mais amena, portanto foi escolhido como o primeiro a fim de diminuir ao m´aximo o tempo necess´ario de limpeza ao realizar a troca de sabores. Em contrapartida, a colora¸c˜ao da uva ´e a mais forte, logo foi colocado por ´ultimo.
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5 Conclusões e considerações finais
O objetivo geral do estudo foi abordar a simula¸c˜ao como uma auxiliadora na pro- grama¸c˜ao da produ¸c˜ao de uma empresa de pequeno porte, respeitando as restri¸c˜oes de capacidade e de recursos dispon´ıveis na institui¸c˜ao. A programa¸c˜ao envolve coletar tempos de processo, sequenciamento de atividades, quanto, quando e onde produzir e deve sem- pre balancear capacidades produtivas com a demanda. Ao utilizar sistemas ou softwares especializados em simular o ch˜ao de f´abrica para gerenciar suas linhas produtivas, muitas empresas conseguem diminuir as dificuldades atreladas a programa¸c˜ao da produ¸c˜ao. Neste sentido, o uso da simula¸c˜ao computacional leva a tomadas de decis˜oes mais assertivas e r´apidas, gerando vantagens competitivas num mercado cada vez mais competitivo.
Foi poss´ıvel responder aos objetivos estabelecidos com o uso do modelo de simula¸c˜ao desenvolvido. Os resultados obtidos foram validados, portanto, o modelo pode ser usado como auxiliador de tomada de decis˜oes referentes a programa¸c˜ao da produ¸c˜ao da empresa Alpha. Com a cria¸c˜ao de diversos cen´arios do modelo, foi poss´ıvel obter a capacidade di´aria da f´abrica, respeitando todas as restri¸c˜oes impostas e sequenciar as ordens de produ¸c˜ao a fim de atender uma demanda real entregue pelo setor de vendas da empresa em estudo.
Desta forma, a simula¸c˜ao foi considerada uma ferramenta apropriada para tratar o problema de programa¸c˜ao da produ¸c˜ao de uma empresa de pequeno porte. Ao usar o JaamSim como simulador, foi poss´ıvel modelar todo o processo de forma simples devido a sua interface com usu´ario amig´avel e com ajudas recebidas do f´orum de discuss˜oes ofere- cido pelos fundadores dosoftware. Outra vantagem foi refente a uma visualiza¸c˜ao melhor do fluxo das atividades no ch˜ao de f´abrica devido `a ferramenta de vista 3D oferecida pelo JaamSim e por ser um software de c´odigo aberto, n˜ao foi necess´aria nenhuma aquisi¸c˜ao de software para a constru¸c˜ao do modelo computacional.
A grande contribui¸c˜ao do estudo ´e visualizar em uma situa¸c˜ao pr´atica as diferentes possibilidades e dificuldades que podem ocorrer com o uso da simula¸c˜ao em pequenas empresas, al´em de contribuir com o n´ucleo de pesquisa referentes a ferramentas de c´odigo aberto com a experiˆencia adquirida com o JaamSim.
Para a continuidade deste estudo sugere-se uma maior coleta de dados num´ericos do tempo de todas as atividades envolvidas no processo produtivo, bem como uma compa- ra¸c˜ao dos resultados obtidos pelo software JaamSim, utilizado nesse estudo, com outros softwares de simula¸c˜ao, considerando tanto os de c´odigo aberto quanto os de c´odigo fe- chado.