Notas de ´ Algebra Linear
Nicholas Funari Voltani
∗10 de maio de 2019
1 Begin from the Beginning
Defini¸c˜ao 1.1(Espa¸co Vetorial). Um espa¸co vetorial ´e uma tripla(V,⊕,)sobre um corpoK, satisfazendo as propriedades abaixo:
1. (∀x, y∈V) (x⊕y∈V)(soma de elementos deV) (a) (∀u, v∈V) (u⊕v=v⊕u)
(b) (∀u, v, w∈V) [(u⊕v)⊕w=u⊕(v⊕w)]
(c)
∃~0∈V
(∀u∈V)h
u⊕~0 =~0⊕u=ui (d) (∀u∈V)h
∃(−u)∈V |u⊕(−u) = (−u)⊕u=~0i 2. (∀α∈K) (∀u∈V) (αu∈V)(produto por escalar)
(a) (∀α, β∈K) (∀u∈V) [(αβ)u=α(βu)]
(b) (∀α∈K) (∀u, v∈V) [α(u⊕v) = (αu)⊕(βv)]
(c) (∀α, β∈K) (∀u∈V) [(α+β)u= (αu)⊕(βu)]
(d) (∃1∈K) (∀u∈V) (1u=u)
Observa¸c˜ao. Os elementos deV ser˜ao doravante chamados de vetores.
Defini¸c˜ao 1.2(Subespa¸co Vetorial). Seja(V,⊕,)um espa¸co vetorial, eS⊆V. Uma tripla
S,⊕ S×S,
K×S
´
e um subespa¸co vetorial (deV) se atende `as propriedades:
1. (0∈S) 2. (∀u, v ∈S)
u⊕
S×Sv
∈S
3. (∀α∈K) (∀u∈S)
α K×Su
∈S
2 Dependˆ encia de Conjuntos
Defini¸c˜ao 2.1 (Combina¸c˜ao Linear). Seja (V,⊕,) um espa¸co vetorial, e {vi}ki=1 ⊆V. Uma combina¸c˜ao linear dos vetores deste subconjunto ´e o vetor
Lk i=1αivi
∈V.
Observa¸c˜ao.
k
P
i=1
≡
k
L
i=1
a partir de agora, deixando impl´ıcito a soma⊕definida no espa¸co vetorial abordado;
al´em disso, n˜ao ressaltar-se-´a a multiplica¸c˜ao , e ⊕ ≡+, por simplicidade (mas sempre tendo em mente as opera¸c˜oes definidas ao espa¸co vetorial abordado).
Defini¸c˜ao 2.2(Independˆencia Linear). Seja (V,+,·)um espa¸co vetorial, e {vi}ki=1⊂V. Diz-se que {vi}ki=1´e linearmente independente se
Pk
i=1αivi =~0
⇒(∀αi∈K, αi= 0)
Defini¸c˜ao 2.3(Dependˆencia Linear). Seja (V,+,·)um espa¸co vetorial, e {vi}ki=1⊂V. Diz-se que {vi}ki=1´e linearmente dependente se n˜ao for linearmente independente, i.e., ∃αi∈K∧αi6= 0∧ Pk
i=1αivi=~0 Existe pelo
menos algum αi n˜ao-nulo.
Defini¸c˜ao 2.4(Span/Geradores em um Espa¸co Vetorial). Seja (V,+,·)um espa¸co vetorial, {vi}ki=1⊂V. Pode-se criar um subespa¸co vetorial de V a partir de algum subconjunto do mesmo, definindo
[vi]ki=1≡
w∈V |w=
k
P
i=1
αivi, αi∈K
.
Note que wpertence a V por consistir de vetores de um subconjunto deV, unidos pela soma +e multi- plica¸c˜ao por escalar· do mesmo espa¸co vetorial.
Observa¸c˜ao. Dizemos que um conjunto{vi}ki=1 gera (em inglˆes, spans)V se[vi]ki=1=V, ou mais explici- tamente, se [vi]ki=1⊆V
∧ V ⊆[vi]ki=1 .
Defini¸c˜ao 2.5 (Espa¸cos Finitamente Gerados). Um espa¸co vetorial (V,+,·) ´e dito finitamente gerado se existe algum subconjunto de V,{vi}ni=1, tal que V = [vi]ni=1.
Teorema 2.1(Teorema de Extens˜ao de Conjuntos L.I.). Seja (V,+,·)um espa¸co vetorial,{vi}ki=1⊂V um conjunto L.I., e V 3w /∈[vi]ki=1 um vetor fora do espa¸co gerado por este subconjunto.
Ent˜ao {vi}ki=1∪w
tamb´em ser´a um conjunto L.I..
Demonstra¸c˜ao. Note que, comow /∈[vi]ki=1, ent˜ao n˜ao h´a combina¸c˜oes lineares destes vetores que produza w. Logo, a somaPk
i=1αivi+βw=~0 =⇒ β= 0 =⇒ αi= 0 (pois, seβ6= 0, ent˜aow∈[vi], ao isol´a-lo em fun¸c˜ao da combina¸c˜ao linear).
Teorema 2.2 (Dependˆencia Individual em Conjuntos L.D.). Seja (V,+,·) espa¸co vetorial, e {vi}ni=1 ⊂ V, vi 6= 0. Ent˜ao temos que
{vi}ni=1L.D. ⇐⇒ ∃k∈[2, n]⊂R|vk =
k−1
X
i=1
αivi
Demonstra¸c˜ao. (⇐) Pode-se ir construindo o conjunto {vi}ki=1 desde o primeiro vetor em diante: como v1 6=~0, ent˜ao{v1}´e L.I. (αv1 =~0 =⇒ α= 0). Ao acrescentar vetores a este conjunto, ele pode se tornar L.D. ou L.I.; caso se torne L.D., ele ser´a L.D. independente dos vetores adicionados posteriormente, at´e vn; caso se torne L.I., temos por hip´otese que, ap´os adicionar o vetor vk, ele se tornar´a L.D., por este ser combina¸c˜ao linear dos pr´evios, e continuar´a sendo L.D. at´evn.
(⇒) Suponha por absurdo que∀k∈[2, n], vk 6=Pk−1
i=1 αivi (equivalentemente,∀k∈[2, n], vk ∈/ [vj]k−1j=1).
Ent˜ao podemos construir o conjunto do zero: {v1}´e L.I. (por ser diferente de 0);v2∈/ [v1], ent˜ao temos (por teorema 2.1) que {v1, v2}´e L.I., e assim por diante, at´ek=n; isso ´e equivalente a dizer que, no final das contas, {vi}ni=1 ´e L.I., o que contradiz nossa hip´otese. Logo, deve haver algumk∈[2, n] que fez com que o conjunto final se tornasse L.D.
Observa¸c˜ao. Bottomline disso tudo: se ´e um conjunto L.D., ent˜ao h´a algum vetor que ´e combina¸c˜ao linear dos pr´evios; al´em disso, se h´a algum vetor que ´e combina¸c˜ao linear dos pr´evios, o conjunto todo ´e L.D..
Estes fatos podem ser ´uteis para reduzir conjuntos L.D. a conjuntos L.I..
3 Bases
Defini¸c˜ao 3.1(Base de um Espa¸co Vetorial). Seja (V,+,·)um espa¸co vetorial.
Um conjunto {vi}ni=1´e uma base deV se:
1. {vi}ni=1 ´e L.I.;
2. ∀v∈V, v=Pn
i=1αivi ⇐⇒ V = [vi]ni=1
O fato de uma base ter de ser L.I. segue do lema abaixo.
Lema 3.1(Unicidade de Decomposi¸c˜ao em Vetores L.I.). (V,+,·)um espa¸co vetorial,{vi}ni=1 um conjunto L.I.
Se w∈[vi]ni=1, ent˜ao ∃!{αi}ni=1|w=Pn i=1αivi
Demonstra¸c˜ao. Suponha por absurdo que h´a duas formas de decomporw. Ent˜ao temos que Pn
i=1αivi = Pn
i=1βivi =⇒ Pn
i=1(αi−βi)vi=~0 =⇒ αi=βi, pela hip´otese de vetores L.I..
O uso de bases permite a an´alise de vetores em um espa¸co vetorial, especialmente em aplica¸c˜oes pr´aticas.
Sua utilidade se mostrar´a maior conforme seu uso se tornar mais recorrente.
Teorema 3.1 (Espa¸cos Finitamente Gerados e Bases). Seja (V,+,·)um espa¸co vetorial,V 6= 0.
V possui base ⇐⇒ V ´e finitamente gerado.
Demonstra¸c˜ao. (⇒) Temos que, por defini¸c˜ao, uma base j´a gera (finitamente) o espa¸co em que est´a contida.
(⇐) V = [vi]mi=1, por hip´otese. Caso todos os vi sejam L.I., ent˜ao o conjunto {vi}mi=1 ´e uma base por defini¸c˜ao.
Caso seja L.D., ent˜ao podemos (por teorema) encontrar algum vetorvj(j∈[2, m]) que seja combina¸c˜ao linear dos pr´evios, e retir´a-lo (pois temos quev ∈ V =⇒ v =Pm
i=1αivi =P
i<jαivi+ Pj−1
λ=1βλvλ
+ P
i>jαivi =P
i<jα˜ivi+P
i>jαivi, e vj produz “informa¸c˜ao redundante” `a combina¸c˜ao linear no espa¸co gerado). Podemos repetir o procedimento at´e encontrarmos um conjunto L.I., ou continuar at´e termos, no m´ınimo, um vetor no conjunto (poisV 6=~0, por hip´otese), e nesse caso devemos ter quev6=~0, e o conjunto {v} ser´a L.I. all the same.
Observa¸c˜ao. Deste teorema, segue que, se o espa¸co ´e finitamente gerado por{wi}ki=1, ent˜ao ele ter´a uma baseB⊆ {wi}ki=1.
Teorema 3.2(Completamento de Conjuntos L.I. a Bases). Seja(V,+,·)um espa¸co vetorial, eW ≡ {vi}ni=1 um conjunto L.I..
Ent˜ao (caso o subconjunto j´a n˜ao seja uma base deV) o subconjunto pode ser extendido a uma base de V.
Demonstra¸c˜ao. Tome-se uma base B ≡ {wj}mj=1 de V. Por ser uma base, temos que W ⊂ B, pois s˜ao spanned pelos vetores da base. Logo, o conjuntoW∪B gera V, e (pelo teorema acima) podemos encontrar uma base a partir do mesmo (como j´a geraV, basta ser L.I.). Como o conjunto ´e L.D. (os vetores de W s˜ao gerados porB, h´a “redundˆancia”), podemos retirar alguns vetores at´e que ele seja L.I.. Como os vetores de W s˜ao L.I., ent˜ao nenhum deles pode ser combina¸c˜ao linear dos anteriores (sen˜ao seria L.D.); ent˜ao os vetores a serem retirados devem ser de B. Caso o conjuntoW ∪B\ {wk0}pk0=1 seja L.I. ap´os pretiradas, ent˜ao est´a provado; caso contr´ario, o m´aximo que pode ser retirado ´e at´e que reste somente W, e ent˜ao concluir-se-ia queW geravaV, no final das contas.
Teorema 3.3 (Teorema da Invariˆancia). Seja (V,+,·)um espa¸co vetorial. Seja B ≡ {bi}ni=1 uma base de V, eY ≡ {yj}mj=1 um conjunto L.I..
Ent˜ao temos que m ≤ n (o m´aximo de vetores que um conjunto L.I. pode ter ´e o mesmo n´umero de vetores em uma base do mesmo espa¸co vetorial).
Demonstra¸c˜ao. Consideremos{y1} ∪B, que ´e um conjunto que geraV, mas L.D..
Podemos (por teorema) retirar algum dos vetores de B (seja este bj), de modo que a uni˜ao restante (que ter´a n vetores) ainda gera V. Adicione-se, ent˜ao, y2 `a uni˜ao restante ({y1} ∪B\ {bj}), j ∈ [1, n], e retire-se outro elemento deB, a fim de manternvetores no total. Fa¸ca-se isso mvezes, at´e que tenhamos Y ∪ {bj0}n−mj0=1, que gera V.
Note que, se m > n, ent˜ao os vetores de B se esgotariam antes dos de Y, e ter´ıamos de tirar vetores yk ∈Y que seriam L.D. com os pr´evios (a fim de manter um total de nvetores na uni˜ao); isto contradiz a hip´otese de queY ´e L.I.. Logo, requer-se quen≥m.
Corol´ario 3.1. Seja (V,+,·) espa¸co vetorial.
Ent˜ao todas as suas bases ter˜ao o mesmo n´umero de elementos.
Demonstra¸c˜ao. Tome-se queY do teorema 3.3 ´e uma base, commvetores. Ent˜ao podemos fazer com que n≥m, e invertendo,m≥n. Logo, tˆem o mesmo n´umero de elementos.
Defini¸c˜ao 3.2(Dimens˜ao). Seja(V,+,·)um espa¸co vetorial (finitamente gerado). Sua dimens˜ao ´e o n´umero de vetores em suas bases, e ser´a denotada dimV.
Corol´ario 3.2. Seja (V,+,·) espa¸co vetorial finitamente gerado, de dimens˜ao n.
Ent˜ao todo conjunto comm > n elementos ser´a L.D.
Demonstra¸c˜ao. Segue da contrapositiva do teorema 3.3.
Proposi¸c˜ao 3.1. Seja(V,+,·)um espa¸co vetorial finitamente gerado de dimens˜aon, e(S,+,·)um subespa¸co n˜ao-nulo de V.
Ent˜ao temos quedimV ≥dimS.
Demonstra¸c˜ao. Seja v1 ∈ S. Caso S = [v1] (e dimV ≥ 1), est´a provado. Sen˜ao, tome-se v2 ∈/ [v1]; se S = [v1, v2] (e dimV ≥2), est´a provado, etc. O m´aximo que pode-se ter ´e queS = [vi]ni=1, e a´ı teremos o caso m´aximo que dimS= dimV.
4 Sistemas Lineares
Defini¸c˜ao 4.1(Sistema Linear). Um sistema linear, dem equa¸c˜oes e nvari´aveis, ´e algo do tipo
Pn
j=1α1jxj=b1
... ... ... Pn
j=1αmjxj =bm
(αij, bi∈K)
Caso (bi= 0)(∀i∈[1, m]), o sistema ´e ditohomogˆeneo. Caso contr´ario, ´en˜ao-homogˆeneo.
Os valores {xj}nj=1 que permitem que
n
X
j=1
αijxj =bi
m
i=1
s˜ao umasolu¸c˜aodo sistema linear.
Teorema 4.1. Tenha-se dois sistemas
n
X
j=1
αijxj =bi
m
i=1
(S1)
n
X
j=1
˜
αijxj = ˜bi
m
i=1
(S2) Se cada i-´esima equa¸c˜ao de S2 for uma combina¸c˜ao linear das equa¸c˜oes de S1, ent˜ao o conjunto de solu¸c˜oes de S1 est´a contido no conjunto de solu¸c˜oes de S2.
Demonstra¸c˜ao. Temos que ak-´esima equa¸c˜ao de S2 ´e uma combina¸c˜ao linear das equa¸c˜oes de S1
n
X
j=1
˜
αkjxj−˜bk=
m
X
i=1
βi
n
X
j=1
αijxj−bk
Tomando-se{x0i}ni=1∈Sol(S1), temos que o lado direito vai a 0, e
n
X
j=1
˜
αkjx0j= ˜bk
Logo,∀{xi}ni=1∈Sol(S1),{xi}ni=1∈Sol(S2).
Observa¸c˜ao. Caso valha que as equa¸c˜oes de S1 sejam combina¸c˜oes lineares das equa¸c˜oes de S2, ent˜ao Sol(S2)⊆Sol(S1).
Caso Sol(S1) =Sol(S2), dizemos que os sistemas s˜aoequivalentes.
Teorema 4.2 (Sistemas Lineares Indeterminados). Caso um sistema linear homogˆeneo Ax=b tenha mais inc´ognitas que equa¸c˜oes,
ent˜ao ele sempre ter´a solu¸c˜oes n˜ao-nulas.
Demonstra¸c˜ao. Ap´os o escalonamento, o n´umero de pivˆos ser´a menor ou igual ao n´umero de equa¸c˜oes, para um dado sistema linear (homogˆeneo).
Como temos por hip´otese que o sistema possui mais inc´ognitas que equa¸c˜oes, o sistema ter´a vari´aveis livres, as quais podem assumir valores arbitr´arios, n˜ao necessariamente nulos.
Defini¸c˜ao 4.2(Pivˆos de um Sistema Linear Escalonado). Seja S um sistema linear j´a escalonado.
O i-´esimo pivˆo ´e o primeiro termo (da esquerda para a direita) n˜ao-nulo da i-´esima linha do sistema linear.
Corol´ario 4.1. O subespa¸co de solu¸c˜oes de um sistema linear homogˆeneo ter´a a mesma dimens˜ao que o n´umero de vari´aveis livres.
Demonstra¸c˜ao. Ap´os o escalonamento, os pivˆos do sistema linear estar˜ao em fun¸c˜ao das vari´aveis livres res- tantes. Logo, as solu¸c˜oes do sistema poder˜ao ser separadas em uma soma den-uplas, cada uma multiplicada por alguma das vari´aveis livres.
Proposi¸c˜ao 4.1. Seja A∈Mp×n,u, v, w∈Mn×1,b∈Mp×1.
• Se (Au=b)∧(Av=b), ent˜ao A(v−u) = 0.
• Se (Aw=~0)∧(Au=b), ent˜aoA(w+u) =b.
• Se Au=b, ent˜ao
∀x∈Mn×1|Ax=~0
, A(u+x) =b.
(Sol(N~ao-Homog^eneo) ={u+x,∀x∈Sol(Homog^eneo)}
Demonstra¸c˜ao. Por favor...
5 Transforma¸ c˜ oes Lineares
Defini¸c˜ao 5.1 (Transforma¸c˜ao Linear). Uma transforma¸c˜ao linear ´e um mapa T :U →V, U, V espa¸cos vetoriais sobreK, tal que
T(u+λv) =T(u) +λT(v), u, v∈U, λ∈K
Defini¸c˜ao 5.2 (N´ucleo). Sejam (V,+,·),(W,+,˜˜ ·) espa¸cos vetoriais, e T : V → W uma transforma¸c˜ao linear.
O n´ucleo de uma transforma¸c˜ao linear ´e dado por
Ker(T) :={u∈V |T(u) =~0}
Defini¸c˜ao 5.3 (Imagem). Sejam (V,+,·),(W,+,˜˜ ·) espa¸cos vetoriais, e T : V → W uma transforma¸c˜ao linear.
A imagem de uma transforma¸c˜ao linear ´e dada por
Im(T) :={v∈W | ∃u∈V :T(u) =v}
Teorema 5.1. SejamU, V espa¸cos vetoriais sobreK,{ui}ni=1 base de U, e{vj}nj=1⊆V um subconjunto de V.
Ent˜ao ∃!T :U →V | ∀i∈[1, n], T(ui) =vi.
Demonstra¸c˜ao. Temos queu=Pαiui; logoT(u) =Pn
i=1αiT(ui).
No caso em que temos, por exemplo, T(u) =Pn
i=1αivi, ent˜ao segue queui=T(vi),∀i.
Deve-se mostrar que T ´e, de fato, ´unica.
SejaS :U →V, ui7→vi, linear. Temos queS(Pn
i=1αiui) =Pn
i=1αivi=T(Pn
i=1αiui).
Logo, (∀u=Pn
i=1αiui∈U),S(u) =T(u).
Teorema 5.2. SejamU, V espa¸cos vetoriais sobre K. Ent˜ao temos que T :U →V Injetora ⇐⇒ Ker(T) ={~0U}
Demonstra¸c˜ao. ( =⇒)T(u) =T(v) =⇒ u=v.
=⇒
T(u) =~0W =T(~0V) =⇒ u=~0V
=⇒ ∀u∈U |T(u) =~0W =⇒ u=~0U. (⇐= )Ker(T) ={~0U}.
∀u, v∈U |T(u) =T(v) =⇒ T(u−v) =~0W =⇒ u=v, pela hip´otese deKer(T) ={~0U}.
Teorema 5.3 (Imagem deT gerada por {T(ui)}ni=1). Seja T :U →V linear, {ui}ni=1 base deU. Ent˜ao [T(ui)]ni=1=Im(T).
Demonstra¸c˜ao. Sejav∈Im(T) um elemento arbitr´ario deIm(T). Ent˜ao,∃u∈U |T(u) =v.
Masu=Pn
i=1αiui. Logo,v=Pn
i=1αiT(ui).
Teorema 5.4. SejaT :U →V linear, U, V sobreK.
Ent˜ao T ´e injetora ⇐⇒ T leva conjuntos L.I.{ui}ni=1⊂U para conjuntos L.I.{vi}ni=1⊂V. Demonstra¸c˜ao. ( =⇒) Temos queT ´e injetora ⇐⇒ Ker(T) ={~0}.
Logo, T(Pn
i=1αiui) =Pn
i=1αiT(ui) =~0, somente seαi = 0. Como αi = 0, ent˜ao{T(ui)}ni=1´e L.I. em V.
(⇐= ) SePn
i=1αiT(ui) =~0V, ent˜ao temos queT(Pn
i=1αiui) =~0V. Tenha-se que{ui} ´e L.I.; ent˜ao a igualdade s´o vale sePn
i=1αiui=~0U. Logo,Ker(T) ={~0U}, ent˜aoT ´e injetora.
Teorema 5.5(Teorema do N´ucleo-Imagem). SejamU, V espa¸cos vetoriais sobre um corpoK(U pelo menos de dimens˜ao finita), eT :U →V transforma¸c˜ao linear.
Ent˜ao dimKU = dimKKer(T) + dimKIm(T).
Demonstra¸c˜ao. SejaKer(T)6={~0U}, eBKer={ui}ki=1 uma base do n´ucleo deT. Temos queKer(T)⊂U, e podemos completar sua base:
BU :=BKer∪ {vj}nj=k+1
Tenha-se T(BU)≡ {T(bi)}ni=1 o conjunto de todos os vetores da base BU ap´os a transforma¸c˜ao T. J´a temos destarte queT(BKer) ser´a um conjunto de vetores nulos (por defini¸c˜ao de n´ucleo de uma transforma¸c˜ao linear). Mas temos, por um dos teoremas acima, que o conjuntoT(BU) gera a imagemIm(T). Resta provar que os vetores que restam deT(BU) s˜ao L.I., e ent˜ao saberemos que eles s˜ao uma base de Im(T).
n
X
i=k+1
λiT(vi) =~0V
=⇒ T
n
X
i=k+1
λivi
!
=~0V
=⇒
n
X
i=k+1
λivi∈Ker(T)
=⇒
n
X
i=k+1
λivi=
k
X
j=1
αjuj
=⇒
k
X
i=1
αiui+
n
X
i=k+1
(−λivi) =~0U
Temos que estes vetores s˜ao L.I., pois formam a base de U; logo, os vetores {vi}ni=k+1 s˜ao L.I., e formam uma base deIm(T).
Portanto,BU =BKer∪BIm, e dimKU = dimKKer(T) + dimKIm(T).
Corol´ario 5.1. Seja T :V →V um operador linear.
Ent˜ao T ser injetor ⇐⇒ T ser sobrejetor.
Demonstra¸c˜ao. Denote-seVDom(T)o espa¸co vetorialV referente ao dom´ınio daT, eVCD(T)o espa¸co vetorial V referente ao contradom´ınio (para maior clareza de argumento, pois ambos s˜ao o mesmo espa¸co vetorial).
( =⇒ ) Se T ´e injetor, por teorema temos que dimKer(T) = 0, logo dimVDom(T) = dimVCD(T) = dimIm(T), e segue que a imagem deT, que ´e um subespa¸co do contradom´ınio V deT, ´e de fato o pr´oprio V, eT ´e sobrejetora.
(⇐= ) SeT ´e sobrejetora, ent˜aoIm(T) =VCD(T), logo dimIm(T) = dimVCD(T)= dimVDom(T), logo dimKer(T) = 0, e segue por teorema queT ´e injetor.
6 Matrizes de Transforma¸ c˜ oes Lineares
Teorema 6.1 (Matriz associada `a Transforma¸c˜ao Linear). Seja T :Rn →Rm uma transforma¸c˜ao linear.
Ent˜ao h´a uma matriz A∈Mm×n associada `a transforma¸c˜ao linear.
Demonstra¸c˜ao. SejaB={ei}ni=1 a base canˆonica.
Ent˜ao T(x) =Pn
i=1αiT(ei). Fazendo na base canˆonica, temos que T(ei) =Coli(A) ´e ai-´esima coluna deA.
Logo,T(x) =Pn
i=1xiColi(A) =Pn
i=1xi αji=Pn
j=1(A)ijxj=Ax
Teorema 6.2(Teorema anterior, mas de gente grande). Sejam(V,+,·),(W,+,˜˜ ·)espa¸cos vetoriais sobre um corpoK, de dimens˜aon, mrespectivamente; bases B⊂V, C⊂W, eT :V →W uma transforma¸c˜ao linear.
Ent˜ao h´a uma matriz associada a T,M ∈Mm×n, tal que T(u) =M u=v.
Demonstra¸c˜ao. Temos que
T(u) =T
n
X
i=1
αiui
!
=
n
X
i=1
αi(T(ui))
=
n
X
i=1
αi m
X
k=1
βkivk
!
=
m
X
k=1 n
X
i=1
βkiαi
! vk
≡
m
X
k=1
ckvk
que ´e como a multiplica¸c˜ao de uma matriz (βki)por um vetor (αi), produzindo outro vetor (ck).
Logo, a transforma¸c˜ao linear T est´a atrelada `a matriz βij, onde a coluna Colj(T) se traduz como as componentes do vetorT(ui)na base de W, i.e.,
β11 . . . β1n
... ... ... βm1 . . . βmn
[T(u1)]W . . . [T(un)]W
·
α1
... αn
[u]U
=
c1
... cm
[T(u)]W
Observa¸c˜ao. Note que a matriz associada a T est´a completamente atrelada `a escolha das bases deV eW. A matriz deT associada `as basesB⊂V, B0 ⊂W ´e escrita como[T]B,B0 (ou[T]B→B0, caso um sanity check seja necess´ario).
Algo importante de se ter em mente ´e o uso de basesordenadas, pois a forma que a matriz tem depende grandemente da ordem dos vetores nas bases escolhidas.
Temos tamb´em que a rec´ıproca do teorema acima ´e v´alida:
Teorema 6.3. Sejam(V,+,·),(W,+,˜˜ ·) espa¸cos vetoriais sobre um corpo K, de dimens˜ao n, mrespectiva- mente; basesB ⊂V, C ⊂W, e uma matrizM ∈Mm×n.
Ent˜ao h´a uma ´unica transforma¸c˜ao linear associada a M, tal que [T]B,C=M.
Demonstra¸c˜ao. Podemos construir uma transforma¸c˜ao linear T : U 3 u 7→ M u ∈ V. Temos que, por teorema,∃!T :B3bi7→T(bi)∈C. Fazendo com queColj([T]B,C) = [T(bi)]C, est´a provado.
Teorema 6.4 (Matriz da Composi¸c˜ao de Transforma¸c˜oes Lineares). Sejam F : V → W, G : W → Z transforma¸c˜oes lineares, com basesB ⊂V, C⊂W, D⊂Z.
Ent˜ao [G◦F]B,D= [G]C,D·[F]B,C. Demonstra¸c˜ao. To be done
Corol´ario 6.1. Seja T :U →V transforma¸c˜ao linear invert´ıvel, e basesB ⊂U, C⊂V. Ent˜ao [T−1]C,B= [T]−1B,C.
Demonstra¸c˜ao. Temos que, seT ´e invert´ıvel, ent˜ao h´aT−1:V →U, e [T◦T−1]B = [T−1◦T]C =Id. Pelo teorema acima (das composi¸c˜oes), segue que [T−1]C,B = [T]−1B,C.
Proposi¸c˜ao 6.1 (Mudan¸ca de Base). Seja T :U →U transforma¸c˜ao linear,dimU =n, eB, C ⊂U bases.
Seja tamb´emM = [Id]B,C. Ent˜ao [T]C=M[T]BM−1.
Demonstra¸c˜ao. U(C)−→Id U(B)−T→U(B) Id
−1
−−−→U(C), onde Idleva deU na baseC para U na base B. Segue por teorema da composi¸c˜ao que
[T]C= [Id]B,C[T]B[Id]C,B
= [Id]B,C[T]B[Id]−1B,C
= [Id]−1C,B[T]B[Id]C,B
7 Operadores Diagonaliz´ aveis
Defini¸c˜ao 7.1(Operador Diagonaliz´avel). Seja T :V →V um operador linear.
Se existir uma base na qual [T]B ´e uma matriz diagonal, diz-se queT ´e um operador diagonaliz´avel.
Defini¸c˜ao 7.2(Autovalores,autovetores, autoespa¸co). Seja T :V →V operador linear.
Se houver algum vetor v ∈V | T(v) = λv, chama-se v de autovetor de T, e λ de autovalor de v com respeito a T.
O autoespa¸co de λ´e o subespa¸co vetorial de V,
V(λ) =w∈V |T(w) =λw .
Outra nota¸c˜ao comum ´eAut(λ), inclusive usada alternadamente ao longo daqui.
Proposi¸c˜ao 7.1. SejaT :V →V um operador linear. Sejaλ´e autovalor deT (ev o autovetor associado).
Ent˜ao Ker(T−λId) =V(λ).
Demonstra¸c˜ao. Sejam{vi}ti=1 autovetores deT cujo autovalor associado sejaλ.
Ent˜ao temos que
T
t
X
i=1
αivi
!
=λ
t
X
i=1
αivi
=⇒ (T−λId)
t
X
i=1
αivi
!
=~0V
Disso sai que V(λ)⊂Ker(T−λId).
A rec´ıproca faz parte da defini¸c˜ao de um autovetor com autovalorλ.
∴V(λ) =Ker(T−λId).
Proposi¸c˜ao 7.2. Seja T :V →V um operador linear, e B⊂V uma base. Tenha-se [T−λId]B a matriz na baseB do operador mencionado.
Ent˜ao s˜ao equivalentes:
• Ker(T−λId)6=~0V
• [T−λId]n˜ao ´e invert´ıvel
• det([T−λId]B) = 0
Demonstra¸c˜ao. Temos que, se o n´ucleo de um operador n˜ao ´e nulo, ent˜ao ele n˜ao ´e bije¸c˜ao, e, portanto, n˜ao ´e invert´ıvel. Portanto, o determinante de sua matriz associada (em qualquer base, por teorema, pois ´e sempre igual) ser´a igual a 0.
Defini¸c˜ao 7.3(Polinˆomio Caracter´ıstico). SejaT :V →V operador linear. Ent˜ao temos quedet([T−λId]B)
´
e um polinˆomio emλde graudimKV, denominado polinˆomio caracter´ıstico, e escrito comopT(λ).
Proposi¸c˜ao 7.3 (Unicidade do Polinˆomio Caracter´ıstico). T : V → V um operador linear, e B, C ⊂ V bases deV.
Ent˜ao det([T−λId]B) = det([T −λId]C).
Demonstra¸c˜ao.
det ([T]C−λId)) = det M−1[T]CM−λM−1IdM
= det M−1[T−λId]BM
= det([T−λId]B)
= det([T]B−λId)
Teorema 7.1. T :V →V operador linear, e {λi}ti=1⊂KautovaloresdistintosdeT. Sejamvj∈Aut(λj)vetores no j-´esimo autoespa¸co.
Ent˜ao
t
P
i=1
vi=~0 =⇒ ∀i∈It, vi=~0 Demonstra¸c˜ao. Por indu¸c˜ao:
Seja t = 2. Ent˜ao v1+v2 =~0. Podemos fazer com que v1 = −v2, o que implica que v1 ∈ Aut(λ2), absurdo. Logo, s´o podemos ter quev1=v2=~0.
Suponha agora que o teorema valha para todo j < t.
Ent˜ao
t
X
i=1
vi =~0 Considere o seguinte sistema, obtido a partir deste:
t
X
i=1
λtvi =~0
t
X
i=1
λivi =~0 Disso segue que
t
X
i=1
(λt−λi)vi=
t−1
X
i=1
(λt−λi)vi=~0
Pela hip´otese de indu¸c˜ao, e como (λt−λi)vi≡˜vi ∈V(λi), segue quevi =~0,∀i∈It−1, implicando que vt=~0.
Teorema 7.2. SejaT :V →V operador linear, e {λi}ti=1⊂Kautovalores distintos.
SejamBi∈V(λi)bases.
Ent˜ao, a uni˜ao das bases Bi ser´a L.I..
Demonstra¸c˜ao. Bi={bij}nj=1i ´e uma base deV(λi).
Devemos provar que {bij}i=t,j=ni=1,j=1i ser´a L.I..
Fa¸ca-se
t
P
i=1 ni
P
j=1
αijbij=~0.
Temos quePni
j=1αijbij =ui∈V(λi), e ent˜ao segue o resultado do teorema pr´evio quePt
i=1ui=~0 =⇒ ui=~0,∀i∈[1, t].
Isto, por sua vez, implica que αijbij =~0 =⇒ αij = 0,∀j∈[1, ni], pois{bij}nj=1i ´e L.I..
Portanto, o conjunto
t
S
i=1
Bi ´e um conjunto L.I..
Corol´ario 7.1. T : V → V operador linear, e {λi}ti=1 ⊂ K conjunto de autovalores distintos de T, e Bi⊂V(λi)bases dos autoespa¸cos.
Ent˜aoT ser diagonaliz´avel ´e equivalente `a condi¸c˜aodimV =
t
P
i=1
dimAut(λi). O motivo disto ´e que, neste caso, teremos um conjunto L.I. (leia-se,
t
S
i=1
Bi) cujo tamanho ´e igual `a dimens˜ao deV, portanto sendo uma base no mesmo, e sendo a pr´opria que pode diagonaliz´a-lo.
Defini¸c˜ao 7.4(Multiplicidade Alg´ebrica e Geom´etrica). SejaT :V →V operador linear, eλ0um autovalor do mesmo.
Se tivermos que pT(µ) = (µ−λ0)mψ(µ) | ψ(µ) 6= 0, ent˜ao chamamos m ≡ ma(λ) de a multiplici- dade alg´ebrica de λ0. A dimens˜ao do autoespa¸co associado, dimV(λ0) ≡mg(λ), ser´a sua multiplicidade geom´etrica. Ambas n˜ao s˜ao necessariamente iguais (por exemplo, podem haver menos autovetores que a multiplicidade alg´ebrica “previa”).
Proposi¸c˜ao 7.4 (ma(λ)≤mg(λ)). Seja T :V →V operador linear, eλum autovalor do mesmo.
Ent˜ao temos quema(λ)≤mg(λ).
Demonstra¸c˜ao. SejaW ≡V(λ), tal que dimW =s. Seja tamb´emB⊂W uma base do mesmo.
Podemos extender esta a uma base em V,B⊂B0⊂V.
A matriz associada a B0 =B∪Bo ter´a uma parte diagonalizada (cujas colunas ser˜ao [T(bi) =λbi]B0), e uma parte cujas colunas ser˜ao [T(Bo,i)]B0, cuja forma ´e irrelevante, no caso. Fazendo o determinante por m´etodo de Laplace, podemos ver que pT(µ) = (λ−µ)sψ(µ), com ψ(µ) vindo do determinante na parte inferior das colunas relacionadas comBo. Temos dois casos:
• ψ(λ)6= 0, o que implica ques=ma(λ), sendo (λ−µ)so maior divisor depT(λ). Este caso diz que h´a ma(λ) autovetores L.I. no autoespa¸co, e n˜ao menos que isso.
• ψ(λ) = 0, em cujo caso haver´a algum fator (λ−µ) em ψ(µ) que o far´a zerar quando µ = λ. Isto equivale a dizer que nem todos os autovetores deλser˜ao L.I., es < ma(λ).
Em todo caso,s≤ma(λ).
Corol´ario 7.2. T :V →V operador linear,λum autovalor.
Se ma(λ) = 1, segue quedimV(λ) = 1, pois temos que 1≤dimV(λ)≤1.
Teorema 7.3. T :V →V operador linear, e{λi}ti=1⊂Kautovalores distintos, de multiplicidades alg´ebricas iguais ani.
Ent˜ao as afirma¸c˜oes abaixo s˜ao equivalentes:
• T ´e diagonaliz´avel
• pT(χ) =
t
Q
i=1
(χ−λi)ni e(∀i∈[1, t],dimV(λi) =ma(λi))
• dimV =
t
P
i=1
dimV(λi)
8 Produtos Internos
Defini¸c˜ao 8.1(Produto Interno). Seja V um espa¸co vetorial (sobre um corpo real). Um produto interno ´e uma fun¸c˜ao
<, >:V ×V →R que satisfaz as propriedades:
∀u, v, w∈V,∀α, β∈R, segue que:
1. < u+βv, w >=< u, v >+β < u, w > (transitividade) 2. < u, v >=< v, u >(simetria)
3. < u, u >6= 0 =⇒ u6=~0 (Defina-se||u|| ≡< u, u > como a “norma” de u)
Observa¸c˜ao. Note-se que, como todo espa¸co vetorial possui uma base {vi}, ele sempre ter´a um produto interno associado `a mesma, a saber,< u, w >≡P
uiwi, onde ui ´e a coordenada deuassociada ao vetor de basevi.
Teorema 8.1 (Cauchy-Schwarz). Seja (V, <, >)espa¸co vetorial com produto interno.
Ent˜ao tem-se que,∀u, v∈V, 1. |< u, v >| ≤ ||u|| · ||v||
2. ||u+v|| ≤ ||u||+||v||
Demonstra¸c˜ao.
1. Dadosu, v∈V, v6=~0, calcule-se||u−λv||,λ∈R.
0≤ ||u−λv||2=< u−λv, u−λv >
=< v, v > λ2−2λ < u, v >+< u, u >
um polinˆomio emλ, e temos que seu discriminante ´e menor ou igual a 0, pois o polinˆomio (que ´e igual a ||u−λv||2) ´e maior ou igual a zero.
Logo,
4< u, v >2−4||u||2||v||2≤0 o que implica que < u, v >2≤ ||u||2· ||v||2.
2.
||u+v||2=< u+v, u+v >=< u, u >+< v, v >+2< u, v >
≤< u, u >+< v, v >+2|< u, v >|
≤ ||u||2+||v||2+ 2||u|| · ||v||
≤(||u||+||v||)2
Defini¸c˜ao 8.2(Ortogonalidade de vetores). Seja (V, <, >)espa¸co vetorial munido de um produto interno.
Ent˜ao, dadosu, v∈V,u⊥v ⇐⇒< u, v >= 0.
Proposi¸c˜ao 8.1. (V, <, >) espa¸co vetorial com produto interno, e A ={ui}qi=1 ⊂ V conjunto de vetores n˜ao-nulos, dois a dois ortogonais. Ent˜aoA´e L.I..
Demonstra¸c˜ao. Fa¸ca-seP
iαiui = 0. Como os vetores s˜ao dois a dois ortogonais, temos que, ∀1≤j ≤q,
< uj,P
iαiui >=αj < vj, vi >= 0. Por hip´otese, os vetores s˜ao n˜ao-nulos, logo devemos ter que αj = 0,
∀1≤j≤q.
Defini¸c˜ao 8.3 (Subespa¸co Ortogonal). (V, <, >) espa¸co vetorial com produto interno. Ent˜ao denota-se S⊥={v∈V | ∀s∈S, v⊥s} como o subespa¸co ortogonal aS⊂V. Facilmente se prova queS⊥ ´e, de fato, um subespa¸co vetorial.
Proposi¸c˜ao 8.2. (V, <, >), e{ui}ni=1⊂V. SejaS= [ui]ni=1 o subespa¸co gerado por eles; tenha-se tamb´em algumv∈V.
Ent˜aov∈S⊥ se, e somente se,∀i∈[1, n]⊂N, v⊥ui
Demonstra¸c˜ao.
( =⇒) Temos que segue por defini¸c˜ao, poisui∈S,∀i, logov∈S⊥ j´a ´e ortogonal a eles.
(⇐= ) Suponha que ∀i, < v, ui >= 0. Seja ent˜ao algum s∈S; ele pode ser escrito em fun¸c˜ao dos vetores que geramS. Logo, por hip´otese,∀s∈S, v⊥s =⇒ v∈S⊥.
Observa¸c˜ao. A proposi¸c˜ao acima ´e ´util pois, para provar que algum vetor pertence ao complemento orto- gonal de dado conjunto, n˜ao precisamos fazer seu produto interno com todos os vetores dentro dali; somente com os vetores que geram este conjunto.
Defini¸c˜ao 8.4 (Conjuntos Ortogonais e Ortonormais). (V, <, >), X ⊂V ´e dito “ortogonal” se todo seus vetores s˜ao ortogonais entre si. X ´e dito “ortonormal” se, al´em de ser ortogonal, as normas destes vetores s˜ao iguais a 1 (vetores de norma1 s˜ao ditos “unit´arios”).
Teorema 8.2 (Ortogonaliza¸c˜ao de Gram-Schmidt). (V, <, >)espa¸co vetorial, {ui}qi=1 ⊂V conjunto L.I..
Ent˜ao ´e poss´ıvel construir um conjunto{vi}qi=1⊂V tal que, para cadak∈[1, q], temos que 1. [ui]ki=1= [vi]ki=1
2. {vi}ki=1 ´e ortogonal 3. {vi}ki=1 ´e L.I..
Demonstra¸c˜ao. Parak= 2, defina-sev1=u1, e
v2=u2−< u2, v1>
||v1||2 v1
Como v1, v2 s˜ao combina¸c˜oes lineares deu1, u2, seus espa¸cos gerados s˜ao os mesmos, e ainda s˜ao L.I.. Por constru¸c˜ao, ambos s˜ao ortogonais.
Suponha-se que o teorema valha para algumk=p, p < q, e que tenhamos um conjunto{vi}pi=1ortogonalizado de{ui}pi=1.
Defina-se, ent˜ao,
vp+1=up+1−
p
X
i=1
< up+1, vi>
||vi||2 vi
Mostre-se, ent˜ao, que{vi}p+1i=1 satisfaz o teorema tamb´em.
1. Temos, por hip´otese de indu¸c˜ao, que{vi}pi=1´e ortogonal; prove-se quevp+1⊥ {vi}pi=1. Sejavj∈ {vi}pi=1arbitr´ario. Ent˜ao
< vj, vp+1>=< up+1, vj>−
p
X
i=1
< up+1, vi>
||vi||2 < vi, vj>
=< up+1, vj>−< up+1, vj >< vj, vj >
< vj, vj >= 0 E {vi}p+1i=1 ´e ortogonal
2. Por hip´otese de indu¸c˜ao,{vi}pi=1´e L.I.; equivalentemente, nenhum de seus vetores ´e nulo.
Temos que up+1 ∈ {u/ i}pi=1 =⇒ up+1 ∈ {v/ i}pi=1 =⇒ vp+1 6=~0 (sen˜ao, vp+1 =⇒ up+1 = P αiui, contradizendo as afirma¸c˜oes acima). Portanto, temos um conjunto ortogonal de vetores n˜ao-nulos, e por teorema, um conjunto de vetores L.I..
3. Por hip´otese de indu¸c˜ao, temos que [vi]pi=1= [ui]pi=1.
Por constru¸c˜ao, tamb´em temos quevp+1 ∈[ui]p+1i=1, por ser combina¸c˜ao linear dos mesmos. Portanto, {vi}p+1i=1 ⊂[ui]p+1i=1, um conjunto L.I. comp+ 1 vetores em um subespa¸co de dimens˜aop+ 1; segue que [vi]p+1i=1 = [ui]p+1i=1
Observa¸c˜ao. Pode-se ortonormalizar uma base ortogonalizada por Gram-Schmidt, dividindo cada vetor por sua respectiva norma.
Corol´ario 8.1. (V, <, >)espa¸co vetorial com produto interno (de dimens˜ao finita). Ent˜ao V possui bases ortogonais e ortonormais.
Defini¸c˜ao 8.5(Proje¸c˜ao Ortogonal). (V, <, >)espa¸co vetorial com produto interno. Dado subespa¸coS ⊂V, ev∈V. Ent˜ao, quando houver algumw∈Stal que(v−w)⊥S, estew(que ´e ´unico) ´e chamado de “proje¸c˜ao ortogonal” dev sobre o conjunto S, tamb´em escrito comow=P rojS(v).
Proposi¸c˜ao 8.3. (V, <, >),S ⊂V, v ∈V. Se w∈ S for tal que (v−w)⊥S, ent˜ao temos que ∀z ∈S | z6=w,||v−w||<||v−z||.
Demonstra¸c˜ao. Tenha-se (v−w)⊥S, ez∈S|z6=w. Ent˜ao segue quew−z∈S.
||v−z||2=||(v−w) + (w−z)||2=1||(v−w)||2+||(w−z)||2>||(v−w)||2
Observa¸c˜ao. Disso segue que, quando um vetor v ∈ V possui uma proje¸c˜ao ortogonal em algum S ⊂V, esta ´e a melhor aproxima¸c˜ao dev por algum vetor dentro do subespa¸coS.
Proposi¸c˜ao 8.4 (Existˆencia de proje¸c˜oes ortogonais). (V, <, >), S ⊂ V subespa¸co de dimens˜ao finita.
Ent˜ao, dadov∈V,∃w∈S|(v−w)⊥S.
Demonstra¸c˜ao. Tenha-se uma base ortogonal{vi}qi=1⊂S.
Defina-se, ent˜ao,
w=
q
X
i=1
< v, vi>
< vi, vi>vi
Pode-se constatar que < (v−w), vj >=< v, vj > − < v, vj > <v<vj,vj>
j,vj> = 0, ∀vj ∈ {vi}qi=1, por ser base ortogonal.
Observa¸c˜ao. Logo, temos que a proje¸c˜ao ortogonal de um vetor v∈V sobre um subespa¸coS⊂V, ´e dado por
P rojS(v) =
dim(S)
X
i=1
< v, vi>
< vi, vi>vi
para alguma base ortogonal{vi}dim(S)i=1 ⊂S.
Proposi¸c˜ao 8.5. (V, <, >), eS⊂V subespa¸co. Ent˜ao temos que 1. ∀v∈V,∃(v1∈S),(v2∈S⊥)|v=v1+v2,.
2. dadas B1 ⊂ S, B2 ⊂ S⊥ bases ortogonais dos respectivos espa¸cos, ent˜ao B1∪B2 ´e base tamb´em ortogonal de V.
3. dimV = dimS+ dimS⊥ ,
Demonstra¸c˜ao. 1. Simplesmente tomev1=P rojS(v)∈S, ev2=v−P rojS(v)∈S⊥.
2. Temos queB1∪B2´e um conjunto ortogonal, de fato; al´em disso, por consistir de vetores n˜ao-nulos, por hip´otese, ´e (por teorema) um conjunto L.I.. Al´em disso, como todo vetor deV pode ser decomposto comov1+v2 como visto acima, ent˜aoB1∪B2 geraV. Portanto, B1∪B2´e base, e ´e ortogonal.
1PoisS⊥3(v−w)⊥(w−z)∈S, logo vale o teorema de Pit´agoras para normas.
3. Segue diretamente deB1∪B2ser uma base deV: a dimens˜ao de [B1∪B2] (que ´e igual a dimS+dimS⊥)
´
e igual `a dimens˜ao deV (os espa¸cos s˜ao os mesmos, afinal, como provado acima).
Proposi¸c˜ao 8.6 (Proje¸c˜ao Ortogonal sem Bases Ortogonais - Gramiano). (V, <, >), S ⊂ V subespa¸co vetorial, {ui}ni=1 ⊂S base qualquer de S, ev ∈V. Ent˜ao temos que a proje¸c˜ao dev sobre o subespa¸coS (w=Pciui) ´e dado pela equa¸c˜ao
< u1, u1> . . . < u1, un>
< u2, u1> . . . < u2, un>
... ... ...
< un, u1> . . . < un, un>
c1
c2
... cn
=
< v, u1>
< v, u2>
...
< v, un>
A matriz (Gij) =< ui, uj>´e chamada de “matriz Gramiana”.
Demonstra¸c˜ao. Temosw =Pn
i=1ciui, e queremos que (v−w)⊥S ⇐⇒ (v−w)⊥ui,∀i ∈[1, n]. Segue que teremosnequa¸c˜oes do tipo
n
X
j=1
< ui, uj > cj=< v, ui>,∀i∈[1, n]
que claramente pode ser posta em forma matricial, como
< u1, u1> . . . < u1, un>
< u2, u1> . . . < u2, un>
... ... ...
< un, u1> . . . < un, un>
c1 c2 ... cn
=
< v, u1>
< v, u2>
...
< v, un>
Como temos por teorema que todo vetorv∈V possui uma proje¸c˜ao ortogonal sobreS⊂V subespa¸co finito, ent˜ao a equa¸c˜ao acima possui solu¸c˜ao.
9 Operadores Sim´ etricos
Defini¸c˜ao 9.1(Operador Sim´etrico). Seja(V, <, >)espa¸co vetorial (sobre o corpo dos reaisR) com produto interno, e T : V → V um operador linear. Ent˜ao dizemos que T ´e sim´etrico se ∀u, v ∈ V, hT(u), vi = hu, T(v)i.
O fato de um operador ser sim´etrico tem a ver com a simetria de sua matriz associada, no sentido da proposi¸c˜ao abaixo.
Proposi¸c˜ao 9.1. (V, <, >), T : V → V operador linear. Ent˜ao T ´e sim´etrico ⇐⇒ Para toda base ortonormalB⊂V,[T]B ´e uma matriz sim´etrica.
Demonstra¸c˜ao.
( =⇒) Seja B uma base ortonormal deV, e [T]B a matriz de T no tocante a essa base. Temos que cada coluna ´e da forma Coli =T(bi) =P
jαijbj,bj os vetores da base ortonormal, dondeαij =hT(bi), bji. Mas por hip´otese,hT(bi), bji=hbi, T(bj)i, ent˜ao segue queαij=αji.
(⇐= ) Seja B⊂V uma base ortonormal. Ent˜ao, por hip´otese, [T]B ´e sim´etrica, e j´a segue diretamente que hT(bi), bji=hbi, T(bj)i, para os vetores dessa base, pelo menos.
Sejamu, v ∈V; ent˜ao podemos escrevˆe-los nessa base, de tal forma que hT(u), vi=
* X
i
αiT(bi),X
j
βjbj
+
=
* X
i
αibi,X
j
βjT(bj) +
=hu, T(v)i
Proposi¸c˜ao 9.2. (V, <, >), T : V → V sim´etrico, e u, v ∈ V autovetores de T (autovalores λ 6= µ, respectivamente). Ent˜aou⊥v.
Demonstra¸c˜ao.
u λ, T(v)
=hu, vi= µλhu, vi(primeira igualdade vale por hip´otese de simetria e autovetor).
=⇒ (1−µλ)hu, vi= 0, sendo queµ6=λpor hip´otese. ∴u⊥v.
Corol´ario 9.1. (V, <, >),T :V →V operador sim´etrico, com autovalores λ, µ∈R. Ent˜ao os autoespa¸cosV(λ)eV(µ)s˜ao subespa¸cos ortogonais entre si.
Defini¸c˜ao 9.2(Subespa¸coT-invariante). (V, <, >),T :V →V operador linear, S⊂V subespa¸co vetorial.
Se ∀v∈S, T(v)∈S, diz-se queS ´e um subespa¸coT-invariante.
Observa¸c˜ao. Note-se que os pr´oprios autoespa¸cos de um operador linear j´a s˜ao T-invariantes, quase que por defini¸c˜ao.
Ademais, tem-se que a restri¸c˜ao de um operador linearT a um subespa¸coT-invariante ´e bem natural:
T |S:S3v7→T |S (v) =T(v)∈S
Disso segue, por exemplo, que sev∈S ´e um autovetor deT |S, ent˜aov ser´a autovetor de T. Proposi¸c˜ao 9.3. (V, <, >),T :V →V sim´etrico, ev∈V autovetor deT (autovalor igual aλ).
Ent˜ao tem-se que[v]⊥ ´e um subespa¸coT-invariante.
Demonstra¸c˜ao.
Sejaw∈[v]⊥. Ent˜ao temos quehw, T(v)i=hT(w), vi=λhw, vi= 0 =⇒ T(w)∈[v]⊥.
Proposi¸c˜ao 9.4. (V, <, >),S⊂V subespa¸coT-invariante. SeT :V →V for sim´etrico, ent˜aoT |S:S→S
´
e sim´etrico.
Demonstra¸c˜ao. Por hip´otese, ∀u, v ∈ V, hT(u), vi = hu, T(v)i. Mas ∀u ∈ S, T |S (u) = T(u), e como u, v∈S =⇒ u, v∈V, segue que
∀u, v∈S,hT |S(u), vi=hT(u), vi=hu, T(v)i=hu, T |S (v)i
Proposi¸c˜ao 9.5. (V, <, >), T : V → V operador linear, e S ⊂V um subespa¸co T-invariante, com base B0={ui}pi=1⊂S, cuja base completada ´eB={u1, . . . , up, up+1, . . . , un} ⊂V.
Ent˜ao tem-se que
[T]B=
∗ . . . ∗ ? . . . ? ... ... ... ... ... ...
∗ . . . ∗ ? . . . ? 0 . . . 0 ? . . . ? ... ... ... ... ... . . . ... 0 . . . 0 ? . . . ?
onde a parte com∗ ´e a matriz[T |S]B0 da restri¸c˜ao de T aS (uma matriz p×p), e a parte com? vem dos vetores em B\B0 (uma matriz n×(n−p)).
Demonstra¸c˜ao. Temos que, para as colunas entre 1 e p, Colj = T(bj) =P
iαijbi, sem contribui¸c˜oes dos vetores dep+ 1 an,whence a parte da esquerda da matriz.
Na parte da direita, temos queT(bk) =
n
P
i=1
αikbi, sem nada em particular de especial.
Proposi¸c˜ao 9.6. (V, <, >)espa¸co vetorial,T :V →V operador linear sim´etrico, eS⊂V subespa¸co deV. Ent˜aoS T-invariante =⇒ S⊥ T-invariante.
Demonstra¸c˜ao. Sejau∈S, ew∈S⊥. Segue que
hu, T(w)i=hT(u), wi=h˜u, wi= 0 (ondeT(u) = ˜u∈S, por hip´otese). ∴w∈S⊥ =⇒ T(w)∈S⊥.
Corol´ario 9.2. (V, <, >),T :V →V sim´etrico, eV(λ)o autoespa¸co de autovalor λ. Ent˜ao V(λ)⊥ ´e um subespa¸coT-invariante.
Proposi¸c˜ao 9.7. (V, <, >) de dimens˜ao n ≥ 2, T : V → V operador sim´etrico, v ∈ V autovetor de T (autovalorλ).
Se T |[v]⊥: [v]⊥→[v]⊥ for diagonaliz´avel, ent˜aoT ser´a diagonaliz´avel.
Demonstra¸c˜ao.
T |[v]⊥ diagonaliz´avel =⇒ h´a uma baseB⊥⊂[v]⊥ na qual [T]B⊥ ´e diagonal.
ComoV = [v]⊕[v]⊥, ent˜aoB={v} ∪B⊥ ´e uma base deV, e de fato diagonalizaT, pois
[T]B=
λ 0 . . . 0 0 λ2 . . . 0 ... ... . .. ... 0 0 . . . λn
onde a coluna da esquerda descreve o subespa¸co de [v], e as colunas da direita, o subespa¸co de [v]⊥ numa base ortogonal. ∴T ´e diagonaliz´avel.
Proposi¸c˜ao 9.8. (V, <, >),A∈Mn(R) matriz sim´etrica. Ent˜ao todos os seus autovalores s˜ao reais.
Demonstra¸c˜ao.
Temos que os autovalores de As˜ao ra´ızes do polinˆomio caracter´ıstico pA(λ), ou seja, s˜ao complexos (reais ou n˜ao, mas complexos). Sejaλ0 algum autovalor que seja complexo (podendo ser real ou n˜ao).
Ent˜ao o autovetor associado est´a emCn, em geral, e satisfaz (A−λ0I)z=~0
SejaA† o adjunto de A(A†= ¯AT, ¯xo complexo conjugado de x). Segue da equa¸c˜ao acima que z†(A−λ¯0I) =~0†=~0
poisA, I s˜ao matrizes de coeficientes reais e sim´etricas, ent˜ao s˜ao autoadjuntas (M =M†) (a equa¸c˜ao est´a como uma equa¸c˜ao de vetores-linha, devido ao operador adjunto).
Multiplicando a equa¸c˜ao porz, temos que
z†(A−λ¯0I)z= 0 Segue que
z†Az=z†zλ¯0
z†λ0z= ¯λ0|z|2 λ0|z|2= ¯λ0|z|2
Comoz6=~0, pois ´e um autovetor deA, temos queλ0= ¯λ0, logoλ0 ´e real.
Corol´ario 9.3. (V, <, >),T :U →U um operador sim´etrico.
Ent˜ao segue queT possui, no m´ınimo, um autovetor.
Demonstra¸c˜ao. Como T ´e sim´etrica, ent˜ao, para toda base ortonormal B ⊂ U, [T]B ser´a uma matriz sim´etrica. Pelo teorema fundamental da ´Algebra, pT(λ) tem, no m´ınimo, uma ra´ız (real, pela proposi¸c˜ao acima); logo,T tem, no m´ınimo, um autovetor (no sentido de um espa¸co vetorial de corpo emR) associado a este autovalor.
Proposi¸c˜ao 9.9. (V, <, >)de dimens˜ao 2,T :V →V operador sim´etrico. Ent˜ao h´a uma base ortonormal formada por autovetores de T que diagonalizamT.
Demonstra¸c˜ao. T possui, no m´ınimo, um autovetor n˜ao-nulo; seja ele v ∈ V. Ent˜ao temos que [v]⊥ ´eT- invariante. Tomem-se bases ortonormais para [v] e [v]⊥. Segue que a uni˜ao destas bases ser´a uma base de V (porV = [v]⊕[v]⊥), e [T]B ser´a diagonal. Estes vetores, pela pr´opria defini¸c˜ao de espa¸cosT-invariantes, s˜ao autovetores deT.
Teorema 9.1 (Diagonaliza¸c˜ao de Operadores Sim´etricos). (V, <, >) de dimens˜ao n < ∞, T : U → U operador sim´etrico. Ent˜ao h´a uma base ortonormal que permite que T seja diagonaliz´avel.
Demonstra¸c˜ao. Indu¸c˜ao:
1. Temos que o resultado vale paran= 2.
2. Suponha que a tese vale paran−1.
Pelos resultados demonstrados acima, T possui, no m´ınimo, um autovetor; seja elev 6=~0. Considere [v]⊥, e a restri¸c˜ao deT ao mesmo, T |[v]⊥. Pela hip´otese de indu¸c˜ao, como dim[v]⊥ =n−1, h´a uma base ortonormalB⊥tal queT |B⊥´e diagonaliz´avel. Fa¸ca-seB=n
v
||v||
o∪B⊥Ent˜aoTB ser´a diagonal.