CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL
MÉTODOS DE INTEGRAÇÃO
=
π
∫
b
a
2
dx
)
x
(
y
V
E APLICAÇÕES
-
ADELMO RIBEIRO DE JESUS
-
MARIA AMÉLIA P. BARBOSA
-
ILKA REBOUÇAS FREIRE
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL
Profs: Adelmo R. de Jesus e Maria Amélia P. Barbosa
Texto 2 - Métodos de Integração
1. Recordando os conceitos
A) Como vimos no capítulo anterior, a integral indefinida é a operação inversa da derivada. Em termos mais precisos, dizemos que F(x) é uma integral indefinida de f(x) se F´(x) = f(x), para todo x pertencente ao domínio de f. Simbolicamente escrevemos:
∫
f(x)dx=F(x)+C ⇔ F´(x)=f(x)Exemplos:
1. C
3 ) x 3 sen( dx ) x 3
cos( = +
∫
pois [ cos(3x)3 3 cos(3x) 3
sen(3x) ′= ⋅ =
2.
∫
x⋅exdx= x ex −ex +C pois (x ex – ex )´ = ex + x ex – ex = x exB) Por um lado, o conceito de integral indefinida é simples e fácil de compreender. Por outro lado, o cálculo da integral nem sempre é simples, como enfatizamos abaixo.
C) Pode-se demonstrar que toda função contínua em [a,b] tem integral indefinida em [a,b] . Por exemplo,
∫
++ dx 4 x) 1 x sen(
2 3
tem uma primitiva, mas a questão é “qual é esta primitiva?”
D) Além da dificuldade de encontrar uma primitiva para uma dada função (veja o item C), pode-se mostrar que a primitiva de uma função elementar pode não se expressar como um número finito de funções elementares. Por
exemplo, as integrais
∫
−dx e 2
2 x
e dx x
x sen
∫
não podem ser expressas por meio de funções elementares.2. Os métodos de integração
Tendo em vista as observações acima, vamos analisar a resolução de algumas integrais do Cálculo. Neste texto abordaremos os seguintes métodos de resolução de integrais:
2.1 Integrais imediatas; casos simples e conseqüências 2.2 Integrais por substituição de variáveis
2.3 Integrais por partes
2.4 Integrais de funções trigonométricas
2.1 Integrais imediatas; casos simples e conseqüências
Através do conhecimento das derivadas das funções podemos obter as expressões de algumas integrais indefinidas. Por exemplo:
a) (tgx) ´ = sec2x Logo,
∫
sec2xdx= tg x +Cb) [arctg(x) ]´ = 2 x 1
1
+ Logo, 1 x dx arctg(x) C 1
2 = +
+
∫
Com isso, podemos organizar uma tabela para uso posterior, como a apresentada abaixo:
1)
∫
du=u+C2)
1
α
u du u
1
α α
+
= +
∫
+
C(αéconstante,α≠-1)
3)
∫
=ln u +C udu
4) C
a ln
a du a
u
u = +
∫
5)
∫
eudu =eu +C6)
∫
sen u du=−cosu +C7)
∫
cosu du =sen u +C8)
∫
tgu du= - ln (cos u) + C = ln(sec u) + C9)
∫
cotgu du=ln (sen u)+C10)
∫
secudu = ln (sec u + tg u ) + C11)
∫
sec2udu=
tg u + C12)
∫
cossec2u du=
−cotgu+C13)
∫
secu. tgu du =secu +C14)
∫
cossecu.cotgu du=−cosecu +C15)
∫
−u2 1
du
= arcsen u +C ,
∫
−u2 1
du
-=arccosu +C
16)
∫
+u2 1du
= arctg u+C
17)
∫
+ 2
2
u a
du
= ) C
a u ( arctg a
1 +
18
∫
−u2 1du
= C
u 1
u 1 ln 2
1 +
− +
Justificativa da tabela de integrais
Algumas integrais acima são visivelmente fáceis, e algumas não. Para comprovar que a integral 10) da tabela está realmente correta, derivamos o resultado para chegar ao integrando. Vejamos este caso:
Exercício: Verifique que
∫
sec xdx = ln (sec x + tg x ) + CSolução: [ ln (sec x + tg x ) ]’ = (secxtgx sec x) x
tg x sec
1 ⋅ + 2
+ = secx tg x secx(tgx secx)
1 ⋅ +
+ = sec x
A integral 18)
∫
−u2 1du
= C
u 1 u 1 ln 2 1 + − +
vai ser feita posteriormente usando o método de decomposição
em frações parciais.
Casos simples de integrais imediatas:
1.
∫
x(2+x3)dx= C4 x x C 4 x 2 x 2 dx ) x x 2 ( 4 2 4 2
4 = + + = + +
+
∫
2. x x C
3 2 C x 3 2 C 1 x dx x dx x 2 3 2 1 2 1 2 1 1 + = + = + + = = +
∫
∫
3. C
x 2 |) x ln(| 2 3 x C 2 x |) x ln(| 2 3 x dx ) x x 2 x ( dx x 1 x 2 x 2 3 2 3 -3 2 3 2 5 + − − = + − + − = + − = − + −
∫
∫
4. C 3 e |) x ln(| 2 dx e x2 3x = + 3x + +
∫
Outras integrais (menos) imediatas:
5.
∫
tg2xdx =∫
(sec2x−1)dx= tg x - x +C ( note que sec2x = 1 + tg2x )6.
∫
=∫
dx= x cos 1 x cos dx 22 sec xdx
2
∫
=
tg x + C7.
∫
secx(secx+tgx)dx =∫
(sec2x+secx⋅tgx)dx = tg x + sec x + C8.
∫
+x 1dx
= ln(|1+x| ) + C ( a derivada de ln (1+x) dá o integrando)
9.
∫
sen(x+2)dx = -cos(x+2) + C ( a derivada de -cos (x + 2) dá o integrando)10.
∫
cos(x2+1)2xdx = sen(x2+1) + C ( a derivada de sen (x2 + 1) é igual ao integrando)11. dx x -ln (|1 x |) C
x 1 1 -dx 1 dx x 1 1 dx x 1 1 x dx x 1 1 -1 x dx x 1
x = + +
12 . C 2 x arctg 2 1 4 x dx x 4 1 4 -dx 1 dx x 4 4 dx x 4 4 x dx x 4 4 -4 -x dx x 4 x 2 2 2 2 2 2 2 2 + = + = + + + = + = +
∫
∫
∫
∫
∫
∫
2.2 Integração por Substituição de Variáveis
Como vimos nos Exemplos 8, 9 , 10 acima, às vezes podemos “adivinhar” a primitiva de uma função. Nos Exemplos 11 e 12 fizemos um artifício algébrico que nos conduziu ao resultado. Pelo visto, resolver integrais dessa forma se resumiria a uma questão de sorte e esperteza. Por outro lado, um método que consiste em uma mudança de variável. Este método nos levará a transformar a integral em outra mais simples, com nova roupagem, onde nós poderemos utilizar a tabela de integrais imediatas. Este método é chamado de substituição de variáveis
Consideremos o Exemplo 10) anterior,
∫
cos(x2+1)2xdx.Observemos que fazendo t = x2+1, a diferencial dt = 2x dx. Dessa forma, a integral acima pode ser reescrita como
∫
cos(x2+1)2xdx=∫
costdt=sent+C .Como t = x2+1 , temos finalmente que
∫
cos(x2 +1)2xdx = sen(x2+1)+C Com a mesma substituição t = x2 + 1 resolvemos as integrais abaixo:∫
+ =∫
=∫
= + = (x +1) +C3 2 C t 3 2 dt t dt t 2xdx 1 x 2 3 2 3 2 1 2 2 C 1) x g( t dt t tg dt sec 2xdx 1) (x
sec2 2 + = 2 = = 2 + +
∫
∫
∫
De uma maneira geral:
Se temos uma integral na forma
∫
f(g(x))g′(x)dx e se sabemos que F é uma primitiva de f, temos que∫
f(g(x))g′(x)dx = F(g(x)) + CDe fato, fazendo t = g(x) temos dt = g´(x)dx e portanto
∫
f(g(x)) g′(x) dx =∫
f(t) dt= F(t) + C = F(g(x)) + CÚltimos exemplos: Escolha f(x) = sec2 x . Sabemos que F(x) = tgx é primitiva de f(x). Logo,
C ) x ( tg dx x 2 1 ) x (
sec2 = +
C ) ln(x) ( tg dx x 1 ) x (ln
sec2 = +
∫
Exercícios resolvidos:
1.
∫
(x+1)4dx Faça = x + 1 Logo, dt= dx . Daí,∫
(x+1)4dx=∫
t4dx= C 5 ) 1 x ( C 5t5 5
+ + = +
Nos exemplos, 2, 3 e 4 faça t = x2 +1 e resolva as integrais
2.
∫
(x2 +1)32xdx3.
∫
ex2+12xdx4.
∫
cos(x2+1)2xdx5. Faça t = 2x , dt = 2dx e resolva a integral
∫
e2xdxSolução:
∫
e2xdx =2 1
∫
=∫
= + = +C2 e C e 2 1 dt e 2 1 dx 2 e 2x t t 2x
6. Resolva as integrais
∫
cos(2x)dxe∫
sen(2x)dx (Multiplique e divida cada integral por 2 e depois faça t = 2x )7.
∫
dx x e x= 2
∫
dxx 2 e x
. ( Fazendo t= x , chega-se ao resultado)
8.
∫
x2 3 2−x3dt ( Faça t = 2 – t3 e daí dx = -3t2 dt . Ajuste o integrando para obter dt )9.
∫
x2 x−1dx ( Faça t = x − 1)10.
∫
3xex2dx=3∫
xex2dx (Tente t = x2 e introduza o fator 2 na integral para ajustar dt )11.
∫
+ 3 2 x 2 dx x( Note que a diferencial de (2 + x3) é 3x2dx . Use procedimento análogo para ajustar dt )
12.
∫
+ 2 2 x
a dx
Esta integral é calculada fazendo inicialmente o seguinte artifício:
∫
a2+x2dx =
∫
+ ) a x 1 ( a dx 2 2 2 =∫
+ 2 a x 2 1 ( )dx
a 1
. Fazendo t =
a x
temos x = at e daí dx = a dt . Logo,
∫
a2+x2dx =
∫
+ 2 a x 2 ) ( 1 dx a 1 =∫
+ 2 2 1 tadt
a 1
=
∫
+t22.3 Integração por Partes
Algumas integrais não podem ser resolvidas pelo método de substituição de variáveis, ou seja, o método de
substituição não funciona. Por exemplo, na integral
∫
xexdx as opções de substituição ( t = x, ou t = ex ) não resolvem o problema. Porque isto aconteceu? O que fazer nestes casos? A resposta é simples: as funções x e ex não têm nada em comum, não estão relacionadas entre si (como no caso de substituição de variáveis).
Nestes casos, os matemáticos descobriram que certas integrais podem ser divididas em 2 partes, uma delas chamada de u e a outra de dv . Dessa maneira, elas são colocadas na forma
∫
udv.Além disso, os matemáticos descobriram facilmente uma fórmula que permite trocar a integral desejada por outra, que pode ser mais simples de resolver. Esta fórmula é:
∫
∫
u dv = u v - vduExemplo 1: No caso da integral
∫
xexdx, fazemos u =x e dv = ex dx. Logo, temos du = dx e v = ex .Usando a fórmula acima, temos:
∫
xexdx = xex -∫
exdx = xex – ex + C = ex ( x-1 ) + CExemplo 2: A integral
∫
x2exdx é resolvida integrando-se por partes 2 vezes. Na 2a vez, recai-se na integral anterior. De fato, fazendo u =x2 e dv = ex dx , temos du = 2xdx e v = ex . Logo,∫
x2exdx = x2ex -∫
2xexdx = x2ex – 2∫
xexdx = x2ex – 2 [xex – ex ] +C = ex ( x2 – 2x +2 ) + CExemplo 3: Resolver a integral
∫
xcos x dxTomando u =x e dv = cos x dx. Teremos: du = dx e v = sen x .
Usando a fórmula, temos:
∫
xcos x dx = x senx -∫
sen x dx = x senx – (-cos x) + C = x senx + cos x + CExercício 1: Resolver a integral
∫
xsen x dxExemplo 4: As integrais
∫
excosx dx e∫
exsenx dx têm uma particularidade interessante, elas estãorelacionadas entre si. Veja ...
Cálculo de
∫
exsenx dx Fazemos u = ex e dv = sen x dx . Daí temos du = ex e v = –cos x . Assim,∫
exsenx dx = – excos x +∫
excosx dx cCálculo de
∫
excosx dx Fazemos u = ex e dv = cos x dx . Daí temos du = ex e v = sen x . Assim,∫
excos x dx = ex sen x -∫
exsen x dx dSubstituindo d na equação c , temos
∫
exsenx dx = –excos x + [ ex sen x –∫
exsen x dx ] = ex sen x – excos x –∫
exsen x dx . Logo,2
∫
exsenx dx = ex (sen x – cos x) + C . Finalmente,∫
exsenx dx = 2 1ex (sen x – cos x) + C
Outra alternativa para a solução: Rearrumando a equação d ficamos com o sistema
∫
exsenx dx = –excos x +∫
excosx dx c∫
exsen x dx = ex sen x –∫
excos x dx e . Somando c com e teremos2
∫
exsenx dx = ex (sen x – cos x) e assim finalmente∫
exsenx dx= 2 1ex (sen x – cos x) + C
Exercício 2: Usando as equações c e d , mostre que
∫
excosx dx = 2 1ex (sen x + cos x) + C
Outras integrais por partes:
Exemplo 5:
∫
xln x dx e∫
ln x dxPara resolver
∫
xln x dx não é conveniente fazer u = x e dv = ln x dx . Isto porque não sabemos quem é v.Vamos fazer u = lnx e dv = x dx . Daí tem-se du = dx x 1
e também v =
2 x2
Logo,
∫
xln x dx = 2 x2ln x -
∫
dx x 1 2 x2= 2 x2
ln x -
∫
xdx 2 1= 2 x2
ln x – 4 x2
+ C
Chegamos então a:
∫
xln x dx = x2 2ln x – 4 x2
∫
ln x dx =∫
ln x ⋅1dx . Se fizermos u = ln x e dv = 1dx = dx teremos du = dx x 1e v = x
Logo,
∫
ln x dx = x ln x -∫
dx x 1x = x ln x -
∫
dx = x ln x – x + C , ou seja,
As integrais
∫
x2ln x dx,∫
x2ln x dx são resolvidas de modo análogoExemplo 6:
∫
arctg x dx e∫
x5ex3 dxEssas integrais têm um interesse intrínseco, pois mostram que nem sempre um só método de integração é suficiente para se calcular uma integral. são resolvidas usando os 2 métodos já vistos, substituição e partes. Na primeira delas usaremos o método de partes e depois uma substituição . Na segunda, usaremos uma substituição e depois integraremos por partes. Vejamos:
Vamos mostrar que:
∫
arctg x dx= x arctgx - ln(1 x ) 21 + 2 +C
(partes e depois substituição)
Façamos u = arctgx e dv = dx . Daí, du =
2
x 1
1
+ dx e v = x . Usando a fórmula
∫
u dv = u v -∫
vduvem:∫
arctg x dx= x arctgx - dx x 11 x
2
∫
+ f
A integral dx x 1
1 x
2
∫
+ pode ser escrita como 1 x dx 1 x
2
∫
+ = 1 x 2x dx 1
2 1
2
∫
+
Fazendo t = 1 + x2 , temos dt = 2x dx. Daí,
dx 2x x 1
1 2 1
2
∫
+ = t dt 1 2 1
∫
= ln(|t|) C 21 +
= ln(1 x ) C 2
1 + 2 + g
Substituindo g em f temos enfim que
∫
arctg x dx= x arctgx - ln(1 x ) C 21 + 2 + , como queríamos demonstrar.
Exercício 3: Resolva a integral
∫
x5ex3 dx (substituição e depois partes)
Sugestão: Use o artifício x5 = x2 x3 . Daí, a integral fica
∫
x5ex3 dx =∫
x3ex3 x2dx =∫
x e 3x dx 31 3 x3 2
Fazendo t = x3, temos dt = 3x2 dx . Isto transformará nosso problema na integral do Exemplo 1.
dt
Exemplo 7:
∫
sec3 x dx
Esta é uma integral que é resolvida inicialmente por partes com seguinte artifício inicial: sec3 x = sec x . sec2 x
Usaremos também uma integral que se encontra na tabela de integrais:
∫
secxdx = ln (sec x + tg x ) + CVamos começar:
∫
sec3 x dx =∫
sec x ⋅sec2 x dxFazendo u = sec x e dv = sec2 x dx teremos du = sec x tg x e v = tg x
Daí,
∫
sec3 x dx =∫
sec x ⋅sec2 x dx= sec x tg x -∫
tg x ⋅sec x tg x dx = sec x tg x -∫
sec x tg2 x dx hMas
∫
sec x tg2 x dx=∫
sec x (sec2x -1)dx =∫
sec3 x dx -∫
sec x dx =∫
sec3 x dx - ln (sec x + tg x ) iSubstituindo teremos:
∫
sec3 x dx = sec x tg x -∫
sec x tg2 x dx= secx tg x – [∫
sec3 x dx - ln (sec x + tg x ) ]A integral procurada aparece novamente no 2o membro. Efetuando os cálculos, vem:
2
∫
sec3 x dx = sec x tg x + ln (sec x + tg x ) + C . Finalmente, chegamos ao resultado final:
Referências Bibliográficas e Internet:
1. Cálculo – Um Novo Horizonte – H. Anton (vol 1) 2. Cálculo A – Diva Fleming /Miriam Buss
3. Cálculo com Geometria Analítica – Swokowski ( vol 1) 4. História da Matemática – C. Boyer
5. Peanut Softwares (Winplot) . R. Parris . http://math.exeter.edu/rparris