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Academic year: 2021

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TÍTULO: HABITAÇÃO PARA REFUGIADOS NA CIDADE DE SÃO PAULO. AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS E AÇÕES NO SETOR COM PROPOSTA ARQUITETÔNICA PARA ABRIGOS TEMPORÁRIOS.

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS SOCIAIS E APLICADAS ÁREA:

SUBÁREA: Arquitetura e Urbanismo SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO(ÕES): UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP INSTITUIÇÃO(ÕES):

AUTOR(ES): ERIKA MIDORI ICHIE AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): LUIZ GUSTAVO DELLA NOCE ORIENTADOR(ES):

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Resumo: A pesquisa tem como intenção diagnosticar e discutir as ações em relação aos abrigos para pessoas em situação de refúgio na cidade de São Paulo, uma vez que, houve uma crescente quantidade de refugiados procurando uma melhor qualidade de vida na cidade de São Paulo. Entretanto, constata-se um déficit estrutural para o acolhimento destas pessoas, trazendo a necessidade da ampliação de estudos que possam gerar diretrizes a novos abrigos. A cidade de São Paulo, a qual tem maior procura como destino para refugiados da América Latina, se viu despreparada ao receber semanalmente um grande fluxo de refugiados, principalmente após o fechamento do abrigo de Brasileia, no Acre, principal porta de entrada dos imigrantes. Até outubro de 2014 não havia nenhum abrigo público, aqueles que procuravam alguma estadia eram orientados a procurar a Casa do Migrante, e ainda assim, por conta da demanda, alguns eram encaminhados para albergues públicos. É importante refletir sobre como acolher as pessoas que procuram por refúgio, visto que, além de diferenças culturais e de idiomas, cada uma possui motivos associados aos problemas proporcionados por guerras civis, políticas ou desastres naturais. É pertinente um espaço adequado e preparado para recebê-los, visto que, sua situação é divergente daquele que procura abrigo por estar em situação de rua por exemplo. Isso não significa que os refugiados precisem de tratamento especial por ser refugiado, mas por ter necessidades diferentes, que por sua vez, ecoam em espaços físicos inerentes a estas necessidades.

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Introdução

O estudo tem como intenção diagnosticar e discutir as ações em relação aos abrigos para pessoas em situação de refúgio na cidade de São Paulo, tendo em vista o crescente número de refugiados nos últimos anos.

O Brasil, que, na América do Sul foi precursor na regulamentação de proteção aos refugiados, começou a se preocupar em 1951, quando aderiu a Convenção das Nações Unidas acerca do Estatuto dos Refugiados (1951) e seu Protocolo em 1967, no qual reconhece novas categorias de refugiados.

A cidade de São Paulo, a qual tem maior procura como destino para refugiados da América Latina, tampouco está preparada para receber estes imigrantes com algo tão primordial: habitação para sua estalagem. A demanda de vagas é muito maior que o ofertado. Até outubro de 2014 não havia nenhum abrigo público, aqueles que procuravam alguma estadia eram orientados a procurar a Casa do Migrante, e ainda assim, por conta da demanda, alguns eram encaminhados para albergues públicos.

Apenas em outubro de 2014 o Governo do Estado de São Paulo inaugurou a Casa de Passagem Terra Nova com capacidade de abrigar 50 pessoas, que podem permanecer por até 45 dias. Já a Prefeitura de São Paulo, se viu despreparada ao receber semanalmente um grande fluxo de refugiados, principalmente após o fechamento do abrigo de Brasileia, no Acre, principal porta de entrada dos imigrantes. Com a grande demanda se viu a necessidade de um equipamento provisório para atender os imigrantes, foi criado então o Abrigo Emergencial da Prefeitura da Cidade de São Paulo, localizado no bairro da Liberdade, a estrutura contava com 150 vagas e funcionou de 8 de maio de 2014 à 24 de agosto de 2014. O local encerrou as suas atividades assim que a Prefeitura da cidade de São Paulo implantou o Centro de Referência e Acolhida para Imigrantes da Prefeitura de São Paulo (CRAI-SP) que tem a capacidade para 110 pessoas.

Segundo o Conare (Comitê Nacional para Refugiados), em 2016 houve um aumento 12% no número total de refugiados reconhecidos, e apesar da diminuição no número de solicitações de refúgio no país terem diminuído em comparação com o ano anterior, em que chegou a receber nove mil imigrantes, um aumento de 2.868% de 2010 a 2015, houve um aumento expressivo de solicitações de venezuelanos em comparação com 2015 (307%).

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É importante refletir sobre como acolher as pessoas que procuram por refúgio, visto que, além de diferenças culturais e de idiomas, cada uma possui motivos associados aos problemas proporcionados por guerras civis, políticas ou desastres naturais. É pertinente um espaço adequado e preparado para recebê-los, visto que, sua situação é divergente daquele que procura abrigo por estar em situação de rua, por exemplo: os cuidados, as necessidades e tempo de permanência são distintos que refletem em espaços físicos distintos. Além disso, é de suma importância registrar, avaliar física e psicologicamente as pessoas que adentram ao país.

Objetivos

A partir dos dados levantados a pesquisa visa:

- Avaliar a eficácia das políticas públicas no setor e sua abrangência diante do quadro apresentado;

- Compreender e avaliar a importância destes abrigos para aqueles se hospedam e para a cidade que os acolhe;

- Propor um programa de necessidades de abrigos de refugiados e diretrizes de projeto arquitetônico a partir das informações obtidas.

Com o estudo podemos compreender como a utilização de abrigos adequados podem gerar conforto e dignidade aos seus usuários. Circunstancialmente ao ser empregado, o abrigo pode trazer benefícios ao munícipio, seja socialmente ou urbanisticamente, além de eventualmente ser referência para a aceitação e integração com a sociedade, entendendo o abrigo como uma necessidade pública e um bem para todos.

Também há questões urbanísticas para com a cidade, a conveniência de locais para receber esses cidadãos de forma adequada, evitando assim a formação de acampamentos e ocupações em áreas com condições precárias causadas pela necessidade sem organização.

O trabalho se justifica pelo déficit de abrigos e de estudos que abordam as reais necessidades dos usuários, visto que, por parte dos órgãos públicos competentes ainda é um assunto recente, que acaba sobrecarregando também as ONG’s atuantes na área, que por sua vez não dão conta da demanda. Igualmente, os problemas linguísticos, culturais e econômicos naturais para se estabilizar, geram

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a necessidade de espaços físicos mais adequados às necessidades complexas e diversificadas dos refugiados.

Métodos

A coleta de dados seguirá a metodologia da Avaliação Pós Ocupação (APO), com ênfase dupla: avaliação técnica e entrevistas com usuários dos abrigos.

Para tanto, será produzido um checklist de verificação das condições técnicas dos abrigos e entrevistas com usuários selecionados em duas fases: pré-teste e definitivo. As entrevistas com agentes públicos terão o papel de complementar as informações obtidas em campo, que também estarão descritas em duas fases: coleta de dados e pesquisa de campo.

O resultado será para além de um panorama das condições das políticas de abrigos um projeto arquitetônico em forma de unidade tipológica para embasar futuros desenvolvimentos na área.

Estudo de Caso – Missão Paz

A Missão Paz é uma instituição filantrópica fundada por missionários Scalabrinianos em 1940, que conduz como propósito o apoio e acolhida de migrantes e refugiados. Proveniente da Igreja Nossa Senhora da Paz, a igreja tinha como pretensão inicial auxiliar os italianos que chegavam à São Paulo, logo, sua localização foi escolhida estrategicamente em um bairro com uma comunidade italiana estabelecida. Durante a revolução industrial e o êxodo rural, o local passou a acolher migrantes que chegavam em busca de novas oportunidades. Atualmente o abrigo acolhe em sua maioria pessoas refugiadas.

A Casa do Migrante possui vagas para 110 pessoas, sendo 85 para homens e 25 para mulheres, é oferecido alimentação (três vezes ao dia), lavanderia, bagageiro para os pertences pessoais, salas de TV, enfermaria, brinquedoteca, biblioteca, distribuição de roupas e etc. O imigrante pode permanecer aos finais de semana e o seu tempo de permanência é decorrente da necessidade de cada caso.

O abrigo iniciou em 1978, época das ditaduras militares na América Latina o que resultou em uma grande demanda de refugiados latinos para o Brasil. No ano de 2014 um grande fluxo de imigrantes chegava continuamente em São Paulo, em pouco menos de uma semana cerca de 400 pessoas procuraram a Casa do Migrante, o que levou a medidas rápidas por parte da gestão municipal, fundando o Abrigo Emergencial da Prefeitura de São Paulo.

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Resultados

Foi possível constatar como a grande demanda por refúgio levou a adequação dos espaços físicos. Estudando as plantas arquitetônicas antigas do local é possível observar as mudanças realizadas. Na atual Casa do Migrante o projeto previa oficinas, lojas, bar e etc. onde no momento funciona a parte administrativa. Atualmente o bloco inteiro é destinado para o abrigo. O projeto também previa o funcionamento de um albergue não um abrigo, possivelmente por este motivo os alojamentos sejam pequenos. O fato de o prédio ser tombado dificulta na adaptação estrutural, impedindo à construção de alojamentos destinados a família, apontado pelo funcionário Wellington como necessidade atual, visto que, hoje as crianças permanecem com as mães e os pais ficam separados na área masculina. Apesar da restrição de acesso aos ambientes foi possível apurar que o acesso aos dormitórios é feito apenas por escadas, suas portas não seguem as medidas estabelecidas, portanto não respeitando a NBR 9050.

As medidas denotam conceitos convenientes para tornar partido de projeto, os seus eixos funcionam de forma independentes, entretanto no mesmo espaço, facilitando o acesso aos serviços prestados, assim não havendo a necessidade de grande locomoção, ou por não precisar ser usuário do abrigo para usar os demais serviços. Cada eixo salienta a sua importância dentro desse centro, ao ceder um espaço para que sejam realizadas suas celebrações ajuda o refugiado a se sentir mais confortável dentro da sua nova condição em outro país, e também auxilia a integração da comunidade local com os imigrantes. Ter um espaço exclusivamente para servir de abrigo funcionando de forma de independente contribui para a adaptação, não havendo acesso de pessoas para outros serviços. Nas datas das visitas em questão não foi permitido o acesso ao interior do abrigo, pois, venezuelanos haviam chegado há algumas semanas, por questões de saúde e principalmente para preservar a privacidade deles o acesso de pessoas de fora estava negado. O eixo de mediação ajuda a inserir o imigrante na sociedade, auxiliando em seus direitos, saúde, educação e trabalho. Este serviço depois do abrigo é peça fundamental, pois, além de ajudar os imigrantes evita à prática de ações abusivas contra os mesmos, como o trabalho escravo.

A impossibilidade de observar o abrigo sendo utilizado e entrar em todos ambientes inviabilizou a averiguação dos demais itens do checklist técnico.

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As entrevistas não obtiveram o resultado esperado, visto que: (A) não houve receptividade dos imigrantes, possivelmente por quantidade excessiva de estudantes que buscam entrevista-los, desconfiança, e/ou por motivo de segurança optarem por preservar sua identidade, (B) incompatibilidade linguística, que foi crucial na comunicação entre locutor e interlocutor, (C) o local ainda é centro de referência de imigrantes embora não utilizem o abrigo para reencontros de amigos, busca de empregos e eventos festivos e religiosos típicos, dificultando encontrar o público alvo. Portanto, não foi possível coletar a amostragem necessária para gerar resultado pretendido.

Houve tentativas de comunicação com agentes públicos da instituição Casa de Passagem Terra Nova via e-mail e telefone, entretanto sem sucesso. Na tentativa de visitar o local constatou-se que o imóvel se encontra desocupado. Não há informações na internet sobre o fechamento ou mudança de endereço, e os moradores, policiais militares e guardas municipais locais aparentemente desconheciam a existência do serviço.

Desenvolvimento do Projeto

É fundamental que o abrigo se estabeleça próximo a grandes eixos de transportes público já consolidado, garantindo o fácil acesso de todos. Bem como é relevante trabalhar em áreas em que já há uma concentração de procura, como o Centro da cidade de São Paulo.

Ter uma setorização estabelecida garante o melhor funcionamento e a privacidade de seus usuários. Esta demarcação possibilita o acesso do público em geral a serviços prestados como: aulas, assistência social, jurídica e médica. Porém, restringe o acesso a áreas de interesse apenas a quem busca por abrigo, tal quais os dormitórios, assegurando a sua privacidade e integridade.

As divisões dos quartos podem ser estabelecidas por sexo e/ou família mantendo seu núcleo unido. É necessário considerar os dados onde apontam um número maior de homens a mulheres atualmente e isso deve refletir no número de quartos, contudo, é interessante que estes sejam revertíveis, a flexibilidade é o conceito empregado quanto a sua estrutura, pois, mesmo o abrigo sendo destinado especificamente para refugiados, seu público, no entanto é abrangente e diversificado, passando por constantes mudanças, podendo ser necessária a reestruturação espacial. A Dignidade e privacidade são elementos mais difíceis de

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assegurar tratando-se de um abrigo, por tal razão recomendam-se quartos com capacidade máxima de até seis pessoas, oferecer infraestrutura (armários e camas) individualizada com distância mínima entre as camas e passagens de 0,80 m sendo ideal de 1m. Prever dormitórios e banheiros separados para uso de funcionários.

Para além das recomendações gerais é necessário seguir as orientações técnicas das NBR 9050 garantido o acesso e circulação de todos e a NBR 15575 Atendendo todas as exigências relativas ao desempenho térmico, acústico, segurança estrutural e segurança ao uso no nível “mínimo”

Fluxograma Abrigo Alojamentos Alojamento p/ funcionários Banheiros Recreação Sala Sala de Jogos Biblioteca Serviços Cozinha Refeitório DIspensa Lavanderia Depósito Integração Atendimento psicosocial Atendimento médico Sala de Aulas de Português Espaço p/ Encontros culturais Administração

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Conclusão

É necessário reconhecer o refugiado como um cidadão em meio a sociedade, portanto, inerente as suas convenções, como o de habitação, por isso, ainda que não exista um local para ele recorrer a moradia, ainda será uma necessidade que terá de ser suprida. Entretanto, com lugares adequados para recebê-los, evitamos formações de ocupações irregulares, que em sua maioria são feitas de forma precárias, além de podermos ter controle de quem está adentrando ao país.

Embora não seja um assunto recente, ainda há poucas informações a respeito de abrigos para refugiados, o que acaba refletindo no número de abrigos voltados a este interesse. Fica nítida a importância e urgência em pesquisas na área. Há, bem como, a indispensabilidade da avaliação dos abrigos já existentes, a sua empregabilidade e atendimento aos seus usuários, as relações interpessoais e sociais e sua qualidade ambiental.

Isso não significa que os refugiados precisem de tratamento especial por ser refugiado, mas por ter necessidades diferentes, que por sua vez, ecoam em espaços físicos inerentes a estas necessidades.

Com os dados obtidos foi possível ordenar diretrizes de forma a explorar ao máximo a eficiência e eficácia tanto social, atendendo com qualidade os seus usuários, quanto economicamente melhorando os processos de construção e manutenção, a partir da redução de falhas previstas anteriormente pelos estudos.

O Brasil, país constituído e fundamentado essencialmente por imigrantes, para além de manter suas fronteiras abertas com seus ares de “boas-vindas”, deve oferecer espaços dignos e de qualidade para as suas estalagens. Já a arquitetura como agente de transformação social deve reconhecer, além das questões de urbanização, o debate sobre classe, gênero, religião e raça, vindo assim com o objetivo de diminuir a carência, oferecer moradia e bem-estar, mesmo que temporária para essas pessoas.

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Referências Bibliográficas

Coordenação de Políticas para Migrantes, Secretária Municipal de Direitos Humanos e Cidadania-Relatório Final do Abrigo Emergencial PMSP 2014.

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Referências

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