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Universidade: um lugar de alegria e criatividade

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Academic year: 2021

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(1)Revista de Educação Vol. XII, Nº. 14, Ano 2009. Nizamar Aparecida de Oliveira Centro Universitário Anhanguera de São Paulo - unidade Brigadeiro [email protected]. UNIVERSIDADE: UM LUGAR DE ALEGRIA E CRIATIVIDADE. RESUMO O presente artigo é um recorte de um trabalho maior apresentado na conclusão do curso de pós-graduação de Didática do Ensino Superior, concluído em junho de 2006. O tema aqui proposto pretendeu, no decorrer do curso de pós-graduação, apontar a possibilidade de ministrar aula no ensino superior com alegria e criatividade. A metodologia aplicada foi pesquisa bibliográfica, fundamentada em autores que estudam as duas vertentes e uma entrevista semi-estruturada, que foi realizada após a realização de toda pesquisa bibliográfica para uma melhor análise dos temas. Tais instrumentos apontaram, ao final das pesquisas, a viabilidade do tema proposto, por apresentar exemplos de docentes que atuam com estas práticas de ensino. Palavras-Chave: alegria; criatividade; motivação; prática pedagógica.. ABSTRACT This article is an excerpt from a larger work presented at the conclusion of the Post-graduate Teaching in Higher Education, completed in June 2006. The proposed here intended, during the course of graduate school, pointing out the possibility of giving tuition in higher education with joy and creativity. The methodology used was literature research, based on authors who study the two sides and a semi-structured interview, which was held after the completion of all research literature for a better analysis of issues. Such instruments pointed at the end of the research, the feasibility of the proposed topic by presenting examples of teachers who work with these teaching practices. Keywords: pleasure; creativity; motivation; pedagogical practice.. Anhanguera Educacional Ltda. Correspondência/Contato Alameda Maria Tereza, 2000 Valinhos, São Paulo CEP 13.278-181 [email protected] Coordenação Instituto de Pesquisas Aplicadas e Desenvolvimento Educacional - IPADE Informe Técnico Recebido em: 30/9/2009 Avaliado em: 20/9/2010 Publicação: 18 de agosto de 2011. 131.

(2) 132. Universidade: um lugar de alegria e criatividade. 1.. INTRODUÇÃO Fazer o curso de Gestão de Negócios Securitários despertou o desejo da docência. A princípio, a experiência de 20 anos no mercado segurador seria suficiente para transmitir aos alunos os conhecimentos adquiridos. No entanto, a sala de aula trouxe uma realidade muito diferente. Professores bem conceituados no mercado provocam desinteresse aos alunos. Um professor, em especial, com mais de 30 anos de mercado despertava nos alunos, um único sentimento; o de pânico. Não era possível ver em cada olhar, interesse, respeito, vontade de aprender. Apenas medo. Contudo, havia um professor, que, embora não fosse de área de seguros, tinha o dom de atrair e reter alunos em sua aula. A paixão pela academia era transparente. Suas aulas eram um deleite, descontraídas, provocativas e com muito aprendizado. Por todos esses motivos, impossível lembrar-se desse professor, logo após a escolha do tema da monografia. O Professor Fernando Brasil da Silva é graduado em psicologia, pósgraduado em didática do ensino superior e mestre em administração de empresas e contribuiu com a pesquisa ao participar da entrevista semi-estruturada que encontra-se na íntegra, na monografia que proporcionou o artigo ora apresentado. Uma conversa informal, com a promessa de uma entrevista para enriquecer o trabalho em Carl Rogers, um estudioso do construtivismo, que via, no aprendizado, não uma tarefa cansativa para os alunos, tampouco para os professores. Ao contrário, a sala de aula é o lugar de despertar a criatividade, a alegria de aprender. Sempre ressaltando que, essa teoria só poderá ocorrer na prática, se o professor for movido pelos mesmos interesses. Cabe a ele essa missão, despertar a alegria e a criatividade em cada um de seus alunos. Outros autores que fortaleceram a pesquisa foram Jorge Snyders, Rubem Alves, Celso Antunes e Maria Isabel da Cunha. Os dois primeiros, abordando o tema alegria e os dois últimos, criatividade. Falar sobre Carl Rogers é buscar a compreensão sobre um pensamento humanista, uma escola onde aprendizagem deve ser significativa, e o professor um facilitador, para que essa aprendizagem ocorra. Considerado um representante da corrente humanista, não diretiva, em educação, concebe o ser humano como fundamentalmente bom e curioso, que, porém, precisa de ajuda para poder evoluir. Eis a razão da necessidade de técnicas de intervenção facilitadoras.. Revista de Educação • Vol. XII, Nº. 14, Ano 2009 • p. 131-143.

(3) Nizamar Aparecida de Oliveira. 133. Eis aí um objetivo a que me dedicarei com todo o entusiasmo. Vejo a facilitação da aprendizagem como o fim da educação, o modo pelo qual desenvolveremos o homem entregue ao estudo, o modo pelo qual podemos aprender a viver como pessoas em processo. Vejo-a como a função capaz de sustentar respostas construtivas, experimentadas, mutáveis, em processo, às mais profundas perplexidades que assediam hoje o homem. (ROGERS, 1978, p. 111). Vale destacar que, para Rogers (1978), o ato de ensinar, no sentido tradicional do termo, não é aceito, pois, implica uma pressão inútil sobre o aluno. Os conhecimentos não são comunicáveis, não é o mestre que deve dar algo ao aluno e, sim, o aluno que deve descobrir de que precisa. A relação de autodescoberta entre aluno e ensino é fundamental para o autor, ou seja, uma aprendizagem significativa que se direcionasse para as necessidades e desejos do aprendiz. Desta forma, o professor deve agir em sala de aula como facilitador, promovendo clima positivo e participativo. Sendo assim, a empatia do professor é fundamental. Essa realidade é evidenciada na prática escolar. Essa visão de ensino fundamenta-se em dez princípios que resultaram da experiência de Rogers (1986): 1) Só acontece uma aprendizagem válida quando o estudante apreende seu objeto como tendo uma relação com seus projetos pessoais; desse modo, o mestre deve ajudar o aluno a encontrar e tratar de problemas que lhe sejam significativos. 2) Um ambiente escolar compreensivo e encorajador, a ausência de notas, e a avaliação de si mesmo possibilitam que o aluno realize progressos. 3) Um dos melhores meios para promover a aprendizagem consiste em confrontar o aluno com problemas práticos, pessoais, sociais, morais, filosóficos e problemas de pesquisa. 4) Um ensino auto-determinado que envolve tanto os sentimentos como a inteligência é aquele que penetra e é mantido por mais tempo; a aprendizagem mais eficaz é aquela em que a pessoa e empenha numa aprendizagem de si para si. 5) No mundo de hoje, a aprendizagem mais útil socialmente é aprender a ficar aberto à própria experiência e a internalizar o processo de mudança de modo a poder-se viver bem num mundo em constantes mudanças, o que, para o autor, deve ser aplicado também ao educador. 6) Os seres humanos têm uma capacidade natural para a aprendizagem, que não se efetua sem alguma dor, mas, o ser humano obtém prazer em desenvolver seu potencial, o que acaba por ultrapassar as dificuldades que sofre. 7) A aprendizagem que implica em mudança na organização ou percepção do ego é sentida como ameaçadora e existe uma tendência à resistência, o que pode torná-la penosa e ameaçadora. 8) Ameaças contra o ego, como o ridículo, as humilhações, o rebaixamento e o desprezo constituem ameaças à percepção que cada um tem de si mesmo e, como tais, interferem seriamente na aprendizagem. 9) A aprendizagem é facilitada quando o estudante escolhe por si mesmo os meios para aprender e se apercebe de que deve responsabilizar-se de Revista de Educação • Vol. XII, Nº. 14, Ano 2009 • p. 131-143.

(4) 134. Universidade: um lugar de alegria e criatividade. modo direto pelas conseqüências de suas ações. 10) São as crianças e os adolescentes que devem avaliar os próprios comportamentos, obter conclusões e decidir sobre os critérios que lhes convém, desenvolvendo a autocrítica e auto-avaliação e estas são consideradas fundamentais em relação à avaliação feita pelos outros. Deste modo, a independência de espírito, a criatividade e a confiança em si são facilitadas.. 1.1. O Professor Facilitador Para o autor, o termo facilitador traduz um mestre que estabelece em sua sala um clima positivo construído pela confiança em relação ao grupo e às pessoas. E, para ser um facilitador, o docente deve também aceitar a si próprio, conhecer seus limites, ser ele mesmo, sem fachadas e máscaras (condição fundamental para qualquer relação verdadeira), precisando, ainda, estabelecer uma compreensão "empática" com o aluno de modo que o leve a compreender o modo como o outro sente os acontecimentos, como expressa suas idéias e também os sentimentos. Talvez a mais básica dessas atitudes essenciais seja a condição de autenticidade. Quando o facilitador é uma pessoa real, se se apresenta tal como é, entra em relação com o aprendiz, sem ostentar certa aparência ou fachada, tem muito mais probabilidade de ser eficiente. Isto significa que os sentimentos que experimenta estão a seu alcance, estão disponíveis ao seu conhecimento, que ele é capaz de vivê-los, de fazer deles algo de si, e, eventualmente, de comunicá-los. Significa que se encaminha para um encontro pessoal direto com o aprendiz, encontrando-se com ele na base de pessoa-a-pessoa. Significa que está sendo ele próprio, que não está se negando. (ROGERS, 1978, p. 112).. Esse facilitador compreenderá os sentimentos do estudante e o aceitará como ele é, optando por uma atitude de consideração positiva incondicional. Essa aceitação é a exigência de respeitar o outro como alguém que tem o direito de ser diferente da pessoa do mestre. Assim, pode-se concluir que a teoria rogeriana tem uma grande relevância pela insistência dada à importância da qualidade das relações interpessoais e na confiança que é necessária dar ao aluno, pois só ocorrerá uma aprendizagem autêntica se houver aceitação incondicional entre professores e alunos e alunos entre si.. 1.2. A não-diretividade A não-diretividade é um método não estruturante de processo de aprendizagem, onde o professor não interfere diretamente no campo cognitivo e afetivo do aluno. Este método pressupõe que o professor dirija o estudante às suas próprias experiências, para que, a partir delas, o aluno se autodirija. O autor propõe, desta forma, a sensibilização, a afetividade e a motivação como fatores atuantes na construção do conhecimento,. Revista de Educação • Vol. XII, Nº. 14, Ano 2009 • p. 131-143.

(5) Nizamar Aparecida de Oliveira. 135. ressaltando que a pessoa é capaz de controlar seu próprio desenvolvimento e isso ninguém pode fazer para ela. Alguns autores criticam o fato de a teoria do autor ser utópica, sua teoria é idealista, da corrente também denominada de romântica, irrealizável para seus críticos. Porém, na obra rogeriana são notáveis os seguintes aspectos: o desejo de mudança, a intenção de realização de algo concreto e a preparação da opinião pública para as mudanças possíveis.. 2.. ALEGRIA E CRIATIVIDADE EM SALA DE AULA Quando se fala de escola, muitas vezes não se fala de alegria. Se é necessário falar de alegria em sala de aula, isso deve-se ao fato de que a escola é mal-humorada. Há uma dicotomia entre escola e alegria. Para muitos alunos, impossível associá-las. Se formos perguntar aos nossos alunos, ou talvez, até a nós mesmos, quais os momentos de alegria a serem recordados no período escolar, certamente, citarão os colegas, a cantina, os encontros na lanchonete da esquina. Raramente, serão lembrados momentos alegres em sala de aula. Fica a lembrança da festa de formatura, dos churrascos, das confraternizações, mas, momentos bons em sala de aula, quase nunca. Rubem Alves (2005, p. 16), traz ainda, a alegria de estudar, compreender, aprender, por parte do aluno. Basta contemplar os olhos amedrontados das crianças e seus rostos cheios de ansiedade para compreender que a escola lhes traz sofrimento. O meu palpite é que, se se fizer uma pesquisa entre as crianças e os adolescentes sobre as suas experiências de alegria na escola, eles terão muito o que falar sobre a amizade e o companheirismo entre eles, mas pouquíssimas serão as referências à alegria de estudar, compreender e aprender.. Snyders (2005, p.102) faz a seguinte citação: “Para a maioria, alegria é sinônimo de opção. Como esperar alegria de um lugar que não existe opção?” O autor também faz referência às queixas torrenciais dos alunos: “Como falar de alegria quando nos fazem viver com um medo permanente?” (p.102) Todas essas afirmativas nos remetem a uma profunda reflexão: - Afinal de quem é a culpa? Da instituição ou dos docentes? É possível fazer algo para reverter esse quadro? Quantas vezes os professores intimidam a inteligência dos alunos, paralisando-a? Com as afirmações citadas pelos autores acima, temos assim, a impressão de que o conhecimento rouba a sabedoria, tornando-nos verdadeiras máquinas, perdemos a sensibilidade. Pode-se concluir que um aluno que tem sua criatividade despertada desde a infância e incentivada em todo o decorrer de seus estudos tem uma probabilidade muito. Revista de Educação • Vol. XII, Nº. 14, Ano 2009 • p. 131-143.

(6) 136. Universidade: um lugar de alegria e criatividade. maior de ser um aluno feliz. Ele adquire um senso de criticidade, de responsabilidade e respeito. Ele não só vai respeitar seus professores, como também vai cobrar deles respeito mútuo, responsabilidade. Talvez, são alunos assim que a maioria dos professores necessitam possuir em suas salas de aula, para que esses mestres percebam a urgência em mudar seu comportamento frente aos alunos. Aquela antiga frase “sala boa é sala quieta” não condiz com a atualidade, não é exatamente isso que os alunos esperam de seus professores. Eles esperam atitude, criatividade, alegria, dançar com as idéias como reitera Alves (2005, p.87): Quem dança com as idéias descobre que pensar é alegria. Se pensar lhe dá tristeza é porque você só sabe marchar, como soldados em ordem unida. Saltar sobre o vazio, pular de pico em pico. Não ter medo da queda. Foi assim que se construiu a ciência: não pela prudência dos que marcham, mas pela ousadia dos que sonham. Todo conhecimento começa com o sonho. O conhecimento nada mais é que a aventura pelo mar desconhecido, em busca da terra sonhada. Mas sonhar é coisa que não se ensina. Brota das profundezas do corpo, como a água brota das profundezas da terra. Como Mestre só posso então lhe dizer uma coisa: “Conte-me os seus sonhos, para que sonhemos juntos!”. 2.1. Alunos Felizes O que torna um aluno feliz, motivado? Desde o início da vida escolar, o aluno pode guardar boas ou más recordações. Professores incentivadores, que motivam seus alunos. Completamente oposto, professores que menosprezam as conquistas atingidas, proporcionando muitas vezes, sérias dificuldades de aprendizagem naquela disciplina, por todo o período escolar. Encontrar no decorrer da vida, um professor que faça a diferença, proporcionando prazer no aprendizado e quebrando todas barreiras antes impostas, pode fazer toda a diferença. Tal constatação provoca uma reflexão sobre o papel do professor, não apenas na formação do aluno, mas também motivadores e incentivadores. É uma responsabikidade imensurável, pois o professor pode ainda, conduzi-los a um caminho totalmente inverso. Por isso, o dever de incentivar o vôo dos alunos, apoiar, conforme ratificam Veiga e Castanho (2002, p.83): É necessário sensibilidade diante do mundo, fluência e mobilidade do pensamento, originalidade pessoal, atitude para transformar as coisas, espírito de análise e síntese e capacidade de organização coerente são as capacidades da pessoa criadora – qualidades que devem necessariamente, serem desenvolvidas no processo educativo, se quisermos pessoas criativas.. Hoje, os alunos chegam à universidade com enormes dificuldades na escrita, no raciocínio. É problemático, mas cabe a nós contribuirmos com o crescimento desses alunos. Deixando de lado o comodismo de apenas se limitar a pensar que a culpa está lá. Revista de Educação • Vol. XII, Nº. 14, Ano 2009 • p. 131-143.

(7) Nizamar Aparecida de Oliveira. 137. atrás no ensino fundamental ou médio, em algum momento, esses alunos precisam evoluir. E por que não em nossas mãos? Aprender com os erros, e assim, alcançar o que até então, era inatingível, alçar vôos, como sugere o autor Alves (2005, p.78): Pensar é voar sobre o que não se sabe. Não existe nada mais fatal para o pensamento que o ensino das respostas certas. Para isso existem as escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas nos permitem andar sobre a terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido.. Às vezes, pequenos detalhes com os alunos fazem a grande diferença. Cunha (1996, p.145) ressalta: Quando o professor chega perto do seu aluno, quando o chama pelo próprio nome, há uma interação que faz o aluno se sentir sujeito do ato de aprender. Isto o anima a interferir no conhecimento, ainda mais quando o professor usa palavras de estímulo à sua capacidade de pensamento ou condição de experimentação.. Mas a autora alerta para a necessidade do domínio da disciplina, pois se isso ocorre, há a possibilidade de provocar a criatividade do aluno. Percebo que, para trabalhar bem a matéria de ensino, o professor tem de ter profundo conhecimento do que se propõe a ensinar. Isto não significa uma postura prepotente que pressuponha uma forma estanque de conhecer. Ao contrário, o professor que tem domínio do conteúdo é aquele que trabalha com a dúvida, que analisa a estrutura de sua matéria de ensino e é profundamente estudioso naquilo que lhe diz respeito. (CUNHA, 1996, p.143). Na entrevista semi-estruturada, proporcionada pelo Professor Fernando Brasil da Silva (2007), a afirmativa é ratificada por este, quando questionado sobre os requisitos para a prática do bom professor universitário: Primeiramente, muito conhecimento naquilo que ele se propõe a ministrar. Eu já cansei de perder aula por não aceitar dar determinada disciplina porque eu não trabalho com ela. Eu poderia dominar teoricamente, é muito fácil pegar um livro e montar um programa em cima de um livro, dependendo do assunto, você até consegue, mas eu me vejo um estelionatário se fizer isso com um aluno, porque não vou saber responder, porque não vou saber debater, não gosto de uma pergunta para eu ficar divagando com coisas que não sei, que não domino, que não conheço, que só pego pela teoria. Assim é uma coisa que eu não abro mão, até para minha tranqüilidade para falar e até respeitar o aluno mesmo, acho que o conhecimento prático daquilo que falo é imprescindível, é o número um da lista, sabe eu não abro mão disso em momento algum.. Ser um bom professor não se vincula necessariamente ao fato de estar em uma excelente instituição de ensino, com alunos brilhantes e os melhores recursos para a prática docente. A prática pedagógica é percebida quando um determinado professor recebe críticas ou elogios. Todo professor, busca lembrar qualidades de seus professores, para repetirem. Esta prática é apontada através de uma amostra realizada por Cunha. A influência de atitudes positivas de ex-professores é lembrada por 70% dos participantes. “Eles afirmaram que seus comportamentos como docentes têm relação com a prática pedagógica vivenciada com estes mestres. Apontam como principais justificativas desta influência aspectos relacionados ao domínio do conhecimento, organização metodológica da aula e relações democráticas com os alunos. Há ainda exemplos marcantes no sentido de honestidade e amor à profissão. (CUNHA, 1996, p.90). Revista de Educação • Vol. XII, Nº. 14, Ano 2009 • p. 131-143.

(8) 138. Universidade: um lugar de alegria e criatividade. Mas, a amostra aponta também para as recordações negativas: Um terço dos nossos interlocutores referiram-se aos professores que os marcaram negativamente. A lição que levam para a prática pedagógica é a de não repetir com seus alunos aquilo que rejeitavam nos seus mestres. (CUNHA, 1996, p. 91). Os jovens possuem em seu favor, uma gama de informações tecnológicas. Aprenderam a serem críticos, a exigir, cobrar. Por isso, é fundamental que todo profissional exerça sua função de maneira responsável, buscando informações, aperfeiçoando-se todos os dias, acompanhando a tendência mundial. E o profissional da educação não pode ser diferente. Em uma época em que a tecnologia avança assustadoramente, nem sempre, temos condições de acompanhar essa tendência. Mas, não podemos esquecer que nossos alunos estão atentos a isso, e muito abertos para receber novas informações, muito bem posicionado pelas autoras Veiga e Castanho (2000, p.77): No ensino superior, é preciso pensar a formação de jovens com autonomia intelectual, com paixão pela busca do conhecimento, com postura ética que os torne comprometidos com os destinos da sociedade humana. Precisamos pensar a universidade para os atuais e desafiadores tempos. É preciso que não ensinemos apenas as pegadas de caminhos conhecidos, mas que tenhamos a coragem também de saltar sobre o desconhecido, de buscar a construção de novos caminhos, criando novas pegadas.. Em função disso, o professor deve estar preparado para receber dos alunos informações que ele desconhecia. Embora o bom professor sempre estude para ampliar sua cultura e dominar a matéria, estará sujeito a perguntas que nem sempre saberá responder. Vale ressaltar que essa prática dos alunos é uma conseqüência do método de ensino do professor foi ele que cultivou nos alunos a reflexão, a busca, a criticidade, a curiosidade, o questionamento exigente, a inquietação para a produção do conhecimento. São facilitadores que não transmitem um conhecimento pronto acabado. É responder um “não sei”, com segurança. E ainda, admitir que suas concepções são diferentes à dos alunos, sem aquele ar de autoritarismo que estamos acostumados a ver em sala de aula. Tal proximidade entre a linha de pensamento das autoras acima está em Rogers (1978, p.112), quando lembra da autenticidade do facilitador de aprendizagem: Considerando desse ponto de vista (o professor sendo ele próprio), sugere-se que o professor pode ser uma pessoa real, no contato com seus alunos. Será entusiasta ou entediado, interessado nos alunos ou irritado, será receptivo e simpático. Se aceita tais sentimentos como seus, não precisa impô-los aos alunos. Pode gostar ou não do trabalho do aluno sem que isso implique ser, objetivamente, bom ou mau professor, ou que o estudante seja bom ou mau. Simplesmente diz o que pensa do trabalho, sentimento que existe no seu interior. É, assim para seus alunos, uma pessoa, não a corporificação, sem feições reconhecíveis, de exigência curricular, ou o canal estéril através do qual o conhecimento passa de uma geração à outra.. Revista de Educação • Vol. XII, Nº. 14, Ano 2009 • p. 131-143.

(9) Nizamar Aparecida de Oliveira. 139. Quando se tem a capacidade de entrar em acordo com os alunos, estes ratificam o professor como autoridade, e, mesmo em momentos de descontração, o respeito é visível. Pois, não é necessário apenas momentos de seriedade para que os alunos respeitem, admirem o professor, a cumplicidade também é fator importante, como ressalta Cunha (1996, p.147): Percebi, porém, que rir juntos torna as pessoas mais próximas. É este um dos fenômenos que, ao ter lugar entre o professor e o aluno, contribui para desmistificar as relações autoritárias.. 2.2. Desenvolvendo a criatividade Mas, é sabido que criatividade é produto da ação cerebral, por isso, para estimular a criatividade, é necessário cuidar da saúde do cérebro como ressalta Antunes (2005, p.23) “O cérebro usado integralmente leva à maior lucidez e criatividade. A neuroplasticidade é no mundo ocidental, o sinônimo correto para a sabedoria.” Ainda segundo o autor, em um capítulo onde especifica que criatividade e inteligência são conceitos que se aproximam, mas não se confundem, além de abordar a teoria das inteligências múltiplas, ele acrescenta: “Em uma sala de aula é possível estimular todas as inteligências e, ao seu lado, ainda que por outros caminhos, todas as criatividades” (ANTUNES, 2005, p.33). Antunes (2005) aborda a criatividade, de forma científica, através de estudos com estudiosos da mente humana. Porém, não é o foco desse trabalho, por isso serão citadas apenas algumas informações de caráter didático, deixando de lado o científico. Para tanto, o autor orienta-nos como identificar uma pessoa criativa. A esse respeito acrescenta que pessoas extremamente criativas apresentam pontos em comum. Esses pontos, que independem de sexo, nível sócio-econômico e idade são: • • • •. •. Mostram-se extremamente capazes e interessados em observar objetos, eventos ou fatos por ângulos inusitados; Revelam verdadeira determinação na busca do que gostam e parecem apaixonados por seus objetivos; Revelam-se extremamente autoconfiantes nas coisas que fazem, chegando à ousadia de defender suas idéias mesmo quando contrariam as normas vigentes; Sobrepõem seus sonhos às conveniências de sua idade e de seu momento. Prefere mais dedicar-se ao que estão criando que a atividades e lazeres comuns à idade; São muito bons em associações e, quando convidados a explicar ou simplesmente relatar um feito realizado ou atividades que assistiram, envolvem a narrativa em comparações, metáforas ou mesmo fantasias. Em síntese, contam o que sonham ou o que vêem sempre de uma maneira peculiar e inusitada, atribuindo-lhes uma significação nem sempre presente na maneira como originalmente foi essa idéia apresentada. (ANTUNES, 2005, p.34-35). Ressaltando o estímulo à criatividade dos alunos, o autor nos faz uma importante ressalva: Revista de Educação • Vol. XII, Nº. 14, Ano 2009 • p. 131-143.

(10) 140. Universidade: um lugar de alegria e criatividade. Desnecessário acrescentar que nenhuma dessas providências possuem qualquer sentido prático sem a presença de professores que estimulem desafios, proponham problemas, mostrem caminhos e sobretudo, que respeitem a liberdade para plena criação. Escolas com essas características não podem deixar de considerar propostas para inúmeras saídas dos alunos em visitas planejadas, excursões programadas e passeios conclusivos e devem prever a organização periódica de feiras de ciências, mostra de artes, painéis de fotos e exposições que valorizem a criatividade, mesmo com produções que não sejam exclusivas de alunos e professores. (ANTUNES, 2005, p.55) Na busca de compreender a razão de alguns professores serem considerados bons mestres, Cunha (1996), ao acompanhar as aulas que eles ministravam, encontrou, sempre a mesma resposta: Amor à profissão, motivação.. Reiterando essa assertiva, o professor Fernando Brasil nos diz, em sua entrevista: [...] adoro dar aula, por isso que eu falo, sou suspeito, sinto falta de dar aula, o ambiente para mim é gostoso, aluno para mim não estressa, aliás, acho que eu tiro meu stress dando aula. Quer dizer, não subo uma escada, não vou para a sala de aula com aquele peso de ter que dar aula, se subir desse jeito, sei que lá, a coisa alivia, nunca descontando nos alunos, eu tenho muita clareza nesse tipo de condição, mas o dar aula para mim é muito gratificante no caso, então acho, tendo o conhecimento e tendo a motivação, acho que até hoje, nesses 16 anos, tem dado certo. Porque eu assumo isso, acho que o dia que parar de gostar disso, vou parar de fazer, vou procurar outra coisa [...]. Um professor que ensina com alegria tem consciência de que o ser humano só memoriza o que é objeto de desejo. Assim, o mestre seduz o aluno, transformando o saber em objeto de desejo, e, desejando, o aluno vai aprender. A partir de uma postura menos tradicional, a produção do conhecimento acontece como uma atividade do professor que leva à ação, à curiosidade, à incerteza, à inquietação e, até mesmo, ao questionamento exigente. É o oposto do conhecimento pronto, acabado. Seus alunos aprendem com os erros, sentem alegria ao enfrentar resistências e vencê-las. Ao abrir mão do saber sedimentado e percorrer caminhos desconhecidos, professor e alunos aprendem juntos, trocam conhecimentos, aventuram-se na arte de errar e fazem várias tentativas até encontrarem a resposta certa. Com relação a esse aspecto, nos ensina Alves (2005, p.29-30): Tão bem que se tornam incapazes de pensar coisas diferentes. Tornam-se ecos das receitas ensinadas e aprendidas. Tornam-se incapazes de dizer o diferente. Se existe uma forma certa de pensar as coisas e de fazer as coisas, por que se dar ao trabalho de se meter por caminhos não-explorados? Basta repetir aquilo que a tradição sedimentou e a escola ensinou. O saber sedimentado nos poupa dos riscos da aventura de pensar. [...] O saber já testado tem uma função econômica: a de poupar trabalho, a de evitar erros, a de tornar desnecessário o pensamento. Assim, aprende-se para precisar pensar. Sabendo-se a receita, basta aplicá-la quando surge a ocasião. [...] A letra mudou, mas a música continua a mesma. [...] E, com isso, ao aprender as respostas certas, os alunos desaprendem a arte de se aventurar e de errar, sem saber que, para uma resposta certa, milhares de tentativas erradas devem ser feitas. Espero que haja um dia em que os alunos sejam avaliados também pela ousadia de seus vôos! Teses serão aprovadas a despeito do seu final insólito: “Assim, ao fim de todas estas pesquisas, concluímos que todas as nossas hipóteses estavam erradas!” Pois isto também é conhecimento.. Em síntese, é possível observar a possibilidade de ser um educador, como diria Alves, pastor da alegria, que trabalhe a criatividade de seus alunos. Professores motivados, que são apaixonados pelo ofício de ensinar, comprometidos com seus alunos, Revista de Educação • Vol. XII, Nº. 14, Ano 2009 • p. 131-143.

(11) Nizamar Aparecida de Oliveira. 141. com a instituição, são educadores que fazem a diferença, que fazem com que seus alunos, ao fim do curso possam dizer que valeu a pena todo o tempo despendido em sala de aula, pois aprenderam a respeitar o educador, porque foram respeitados, o professor deu a eles um voto de confiança.. 3.. ESCOLA, UM LUGAR PARA CRIAR E SER FELIZ A escolha do tema deste trabalho fundamentou-se essencialmente na problemática do ensino no Curso Seqüencial. Em sua maioria, os alunos deste curso não são adolescentes saídos do ensino médio para o ensino superior; são profissionais que buscam tão somente a graduação, muitas vezes, por imposição da empresa. Normalmente, esses alunos têm uma jornada de trabalho árdua, viajam, visitam clientes, sofrem pressão por produção. Muitos são casados e trazem consigo a responsabilidade de manter uma família. Outros, ainda, anseiam por uma promoção, um cargo melhor na empresa e sabem que, para tanto, é fundamental uma formação no ensino superior. Porém, uma grande parte acredita que essa transformação vai ocorrer de forma mágica. O simples fato de possuir um diploma irá abrir, para eles, todas as portas. A responsabilidade do educador é muito grande, ele deve transmitir o saber, porém, não deixar a sensação de que aquele conhecimento agora adquirido será a garantia do sucesso, sem contudo, dar aos seus alunos o sentimento de que todo seu tempo despendido seja um engodo. Cada aluno leva consigo um maior conhecimento, uma troca de valores entre si e seus colegas. Como diz o professor Fernando Brasil, o grande desafio é mostrar a esses alunos a possibilidade ímpar de evoluir: Para o professor universitário hoje, acho que o grande desafio é conseguir passar uma idéia firme da necessidade, da continuidade do estudo, de uma especialização, do aprimoramento. Às vezes, os alunos chegam muito atrás somente de um diploma e temos que mostrar a eles que devem batalhar um pouco mais, já que tem um diploma, por que não aproveitar mais? Acho que essa é a grande meta, para evoluir, melhorar.. Mas, não se deve esquecer que, independentemente da idade do universitário, quando está reunido com seus colegas, torna-se novamente adolescente. Quer conversar, brincar, expressar-se, proclamar acontecimentos, participar das atividades com a mesma alegria que se pode encontrar nos jovens. Cabe ao professor direcionar essa alegria, essa energia que brota em cada um, para suas disciplinas, para o conhecimento e aprimoramento de todos, aproveitando a magia desse clima, não deixando nunca apagar. Revista de Educação • Vol. XII, Nº. 14, Ano 2009 • p. 131-143.

(12) 142. Universidade: um lugar de alegria e criatividade. essa chama que cada aluno traz acesa em si, essa vontade de despertar para o novo, o desconhecido, conduzindo os alunos de forma mediadora. A pesquisa propiciou constatar que o professor que de fato gosta de ensinar, promove a criatividade, o senso crítico, leva o aluno à reflexão e o conduz a ser um buscador. É fundamental que o professor incentivador do crescimento do conhecimento de seus alunos dê retorno. Os alunos estão muito atentos e cobram do professor um comportamento condizente com seu discurso. O domínio do conteúdo é um valor ressaltado e está relacionado com a prática profissional fora da universidade, pois ela é crucial para relacionar a matéria de ensino com a vida prática, principalmente no que diz respeito aos exemplos, facilitando o aluno a trabalhar com a realidade. Na escola, é muito comum os alunos citarem exemplos da vida prática, porém, normalmente, o que eles esperam do professor é uma solução melhor que encontrada por eles ou até mesmo, uma resposta para o seu problema. Em suas obras, os autores citados nessa pesquisa comungam com a certeza que todos os professores sofreram influências tanto positivas quanto negativas, ao longo de sua trajetória profissional, de seus ex-professores. Enquanto. que. dedicação. ao. trabalho,. organização,. honestidade,. responsabilidade, disciplina e alegria de viver são aspectos ligados à influência familiar. Com base no pensamento humanista onde o aluno deve ser visto como um ser humano, em todos os ambientes sociais por ele freqüentado, e não apenas em seu ambiente profissional, possibilitando a ele uma aprendizagem significativa, e ainda outros fatores como o entusiasmo, o professor facilitador que acredita no desenvolvimento do aluno. Essas práticas foram lembradas em vários momentos pelos autores, havendo, assim, uma conotação velada em todas as obras aqui citadas deste autor, porém por nenhum deles evidentemente declarados.. 4.. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao término da pesquisa, é possível analisar a necessidade de uma deterrminação maior dos professores e repensar as atitudes em sala de aula, para que, na mochila que eles traziam em seus sonhos, no início do curso, esteja mais pesada, mais densa ao término deste. Porém, com um peso agradável, compensador. Que não se sintam traídos, infelizes por terem sido transformados em algo diferente que seus sonhos. Se for para ser diferente que seus sonhos, que seja melhor, além e não aquém do desejado.. Revista de Educação • Vol. XII, Nº. 14, Ano 2009 • p. 131-143.

(13) Nizamar Aparecida de Oliveira. 143. Mas, embora a pesquisa tenha sido concluída para o curso, ela deve ser considerada uma obra em contínua transformação, com novas descobertas a cada passo. Com toda certeza, novas pesquisas, novos professores, estarão continuamente mudando o curso da história da educação.. REFERÊNCIAS ALVES, Rubem. A Alegria de Ensinar. 9.ed. Campinas: Papirus, 2005. ANTUNES, Celso. A Criatividade na Sala de Aula. 3.ed. Petrópolis, Vozes, 2005. CUNHA, Maria Isabel da. O Bom Professor e sua Prática. 6.ed. Campinas: Papirus, 1996. FADIMAN, James; FRAGER, Robert. Teorias da Personalidade. São Paulo: Harbra, 2002. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2004 IESB – Instituto de Educação Superior de Brasília. Disponível em: <http://www.iesb.br/grad/jornalismo/na_pratica/noticias_detalhes_impressao.asp?id_artigo=6 450>. Acesso em: 26 set. 2006. KOCHE, José Carlos. Fundamentos da Metodologia Científica: teoria da ciência e prática de pesquisa. 14.ed. Petrópolis: Vozes, 1997. POZZEBON, Paulo M. Godoy. Mínima Metodológica. Campinas: Alínea, 2004. ROGERS, Carl R. Liberdade para Aprender. 4.ed. Belo Horizonte: Interlivros, 1978. ______. Sobre o Poder Pessoal. São Paulo: Martins Fontes, 1986. ______. Tornar-se Pessoa. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1961. SNYDERS, Georges. Alunos Felizes. São Paulo: Paz e Terra S.A., 2005. TRIVIÑOS, Augusto N.S. Introdução à Pesquisa em Ciências Sociais. São Paulo: Atlas, 1994 VEIGA, Ilma P.A.; CASTANHO, Maria Eugênia L.M. Pedagogia universitária: a aula em foco. São Paulo: Papirus Editora, 2000. ZACHARIAS, Vera Lúcia C.F. Aceitação e Pedagogia Rogeriana. Disponível em: <http://www.centrorefeducacional.pro.br/rogerteor.htm>. Acesso em: 27 jul.2006. ______. Carl Rogers. Disponível em: <http://centrorefeducacional.com.br/carl.html>. Acesso em: 26 jul. 2006. Nizamar Aparecida de Oliveira Mestre em Hospitalidade – Anhembi Morumbi. Pós-graduanda em Metodologia e Gestão em EaD – Anhanguera Educacional. Especialista em Didática do Ensino Superior – Unibero Educacional. Gestora em Negócios Securitários. Bacharel em Turismo. Docente do Curso de Gestão de Negócios Securitários. Centro Universitário Ibero Americano – Unibero – Unidade Brigadeiro. Docente nos cursos de Turismo e Hotelaria – Uniban. Docente nos cursos de Turismo e Eventos – Unicid.. Revista de Educação • Vol. XII, Nº. 14, Ano 2009 • p. 131-143.

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