A C Ó R D Ã O (7ª Turma)
DCABP/acmg/abp/cgel
AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE
REVISTA. EX-EMPREGADO APOSENTADO.
MANUTENÇÃO DO PLANO DE SAÚDE. MAJORAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. CUSTEIO INTEGRAL PELO
BENEFICIÁRIO. Tratando-se de
ex-empregado aposentado, fica
assegurado a ele o direito de manter sua condição de beneficiário no plano de saúde, sem limite de tempo de permanência, nas mesmas condições de cobertura assistencial de que gozava quando da vigência do contrato de trabalho. A manutenção no plano pressupõe que o empregado aposentado assuma o pagamento integral e tenha contribuído pelo prazo mínimo de 10 anos (Lei nº 9.656/98, art. 31, caput). Na espécie, tendo o acórdão atribuído a integralidade do custeio do plano de saúde ao empregado aposentado, essa circunstância não implica violação aos arts. 30 e 31 da Lei nº 9.656/98. Agravo
de instrumento desprovido.
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Agravo de Instrumento em Recurso de Revista n° TST-AIRR-1029-48.2012.5.02.0434, em que é Agravante SONIA REGINA FERREIRA e Agravado FUNDAÇÃO SAÚDE ITAÚ
E OUTRO.
O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região denegou seguimento ao recurso de revista interposto pela reclamante entendendo ausentes os pressupostos do art. 896 da CLT (fls. 364/368).
Inconformada, a reclamante interpõe agravo de instrumento, alegando, em síntese, que o recurso merecia regular processamento (fls. 370/377).
Apresentadas contraminuta e contrarrazões (fls. 382/385 e fls. 386/391).
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Processo não submetido ao parecer do Ministério Público do Trabalho (TST/RI, art. 83).
É o relatório.
V O T O
CONHECIMENTO
Presentes os pressupostos recursais de
admissibilidade, conhece-se do agravo de instrumento.
MÉRITO
EX-EMPREGADO APOSENTADO. MANUTENÇÃO DO PLANO DE SAÚDE. MAJORAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. CUSTEIO INTEGRAL PELO BENEFICIÁRIO
O Egrégio Regional, no exercício do juízo prévio de admissibilidade (CLT, arts. 682, IX, e 896, § 1º), denegou seguimento ao recurso de revista, adotando os seguintes fundamentos:
“PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
Tempestivo o recurso (decisão publicada em 23/04/2013 - fl. 211; recurso apresentado em 02/05/2013 - fl. 212).
Regular a representação processual, fl(s). 18. Dispensado o preparo (fl. 177).
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
Remuneração, Verbas Indenizatórias e Benefícios / Plano de Saúde. Alegação(ões):
- violação do(s) art(s). 1º, III, e 5º, "caput" e XXXV e XXXVI, da CF. - violação do(s) art(s). 8º, da CLT; 30 e 31, da Lei 9.656/98.
- divergência jurisprudencial.
A reclamante (aposentada) insiste na tese de que é devida a manutenção do convênio médico nas mesmas condições e valores oferecidos aos funcionários em atividade.
Eis a tese combatida:
A recorrente afirmou, na prefacial, que foi admitida na empresa ré em 11.12.1986 e dispensada, sem justa causa, em 22.02.2012, sendo certo que já se encontrava aposentada, recebendo benefício previdenciário desde 03.01.2012. Alegou que, ao ser desligada, fez a opção por continuar usufruindo do plano médico, no período de 01.03.2012 a 30.11.2012, ou seja, por 270 dias, conforme garantia prevista na cláusula 31a, da CCT 2011/2012, desembolsando apenas R$ 65,14, mesmo valor que pagava quando era empregada. Aduziu que, após esse período, fez opção pelo plano médico vitalício, em virtude do disposto no artigo 10, da Resolução Normativa n° 279/2011, da Agência Nacional de Saúde (documento n° 19) e foi informada pelo réu que deveria desembolsar o valor de R$ 622,00, mensais. Asseverou que esse aumento exagerado no plano médico decorreu da Resolução Normativa supra mencionada, que regulamentou os artigos 30 e 31, da Lei n° 9.656/98, permitindo aos empregadores a contratação de plano médico exclusivo para os ex-empregados e aposentados, com preços diferenciados do pessoal da ativa. Esta resolução é ilegal e a Lei n° 9.656/98 é clara ao determinar a mesma condição de cobertura assistencial, desde que o aposentado pague o valor integral do plano. Requereu a declaração de ilegalidade dos artigos 13, 19 e 20 da Resolução Normativa em questão, bem como a manutenção do mesmo plano médico dos trabalhadores da ativa, com cobrança do mesmo valor e nas mesmas condições e, ainda, o reembolso das diferenças entre o valor pago e o devido, com juros e correção monetária.
A defesa, por sua vez, sustentou que a reclamante tinha ciência de que sua permanência no plano de saúde, após o prazo previsto na norma coletiva, seria nos termos da Lei n° 9.656/98 e na condição de aposentada, tanto assim que assinou o "TERMO DE OPÇÃO DE PERMANÊNCIA DO FUNCIONÁRIO APOSENTADO NO PLANO DE SAÚDE" (fls. 45). Afirmou que a lei não lhe assegura as mesmas condições do pessoal da ativa. O julgado afastou a tese da inicial, sob o fundamento de que os dispositivos da Resolução da ANS não afrontam a Lei dos Planos de Assistência à Saúde. O direito à manutenção do plano de saúde assegurado por este diploma legal é vinculado à assunção do pagamento integral pelo aposentado, não havendo nenhuma determinação de que as contribuições sejam recolhidas da mesma forma que os empregados da ativa. Após a
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rescisão do contrato, não tem o empregador a obrigação de contribuir para o plano médico de seu ex-empregado.
Não obstante as alegações da reclamante em sentido contrário, compartilho o entendimento de origem.
Não há qualquer ilegalidade a ser declarada nos termos da Resolução Normativa n° 279/2011, da Agência Nacional de Saúde - ANS, uma vez que não contraria a Lei n° 9.656/98.
Com efeito, o artigo 31, da Lei n° 9.656/98, assegura à aposentada sua manutenção como beneficiária do plano de saúde nas mesmas condições de cobertura assistencial de que gozava na ativa, todavia, nada dispõe quanto à forma de apuração das contribuições, não havendo qualquer garantia quanto a valores, in verbis:
"Art. 31. Ao aposentado que contribuir para produtos de que tratam o inciso I e o § 1o do art. 1o desta Lei, em decorrência de vínculo empregatício, pelo prazo mínimo de dez anos, é assegurado o direito de manutenção como beneficiário, nas mesmas condições de cobertura assistencial de que gozava quando da vigência do contrato de trabalho, desde que assuma o seu pagamento integral. ( Redação dada pela Medida Provisória nº 2.177-44, de 2001 )
§ 1o Ao aposentado que contribuir para planos coletivos de assistência à saúde por período inferior ao estabelecido no caput é assegurado o direito de manutenção como beneficiário, à razão de um ano para cada ano de contribuição, desde que assuma o pagamento integral do mesmo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.177-44, de 2001 )
§ 2o Para gozo do direito assegurado neste artigo, observar-se-ão as mesmas condições estabelecidas nos §§ 2o, 3o, 4o, 5o e 6o do art. 30. ( Redação dada pela Medida Provisória nº 2.177-44, de 2001 )
§ 3o Para gozo do direito assegurado neste artigo, observar-se-ão as mesmas condições estabelecidas nos §§ 2o e 4o do art. 30."
Outrossim, a Resolução Normativa n° 279/2011, estabelece em seu artigo 2o, que a cobertura assistencial refere-se apenas à rede de cobertura e padrão de acomodação em caso de internação:
"Art. 2º Para os efeitos desta Resolução, considera-se:
I - contribuição: qualquer valor pago pelo empregado, inclusive com desconto em folha de pagamento, para custear parte ou a integralidade da
contraprestação pecuniária de seu plano privado de assistência à saúde oferecido pelo empregador em decorrência de vínculo empregatício, à exceção dos valores relacionados aos dependentes e agregados e à co-participação ou franquia paga única e exclusivamente em procedimentos, como fator de moderação, na utilização dos serviços de assistência médica ou odontológica;
II - mesmas condições de cobertura assistencial: mesma segmentação e cobertura, rede assistencial, padrão de acomodação em internação, área geográfica de abrangência e fator moderador, se houver, do plano privado de assistência à saúde contratado para os empregados ativos; e
(...)."
Já em seu artigo 13, dispõe acerca da faculdade da empresa de contratar um plano privado de assistência à saúde exclusivo para seus ex-empregados demitidos ou exonerados sem justa causa ou aposentados, separado do plano dos empregados ativos, conforme ocorreu no caso em tela: "Art. 13. Para manutenção do ex-empregado demitido ou exonerado sem justa causa ou aposentado como beneficiário de plano privado de assistência à saúde, os empregadores poderão:
I - manter o ex-empregado no mesmo plano privado de assistência à saúde em que se encontrava quando da demissão ou exoneração sem justa causa ou aposentadoria; ou
II - contratar um plano privado de assistência à saúde exclusivo para seus ex-empregados demitidos ou exonerados sem justa causa ou aposentados, na forma do artigo 17, separado do plano dos empregados ativos.
E ainda, dispõe expressamente, no artigo 19:
Art. 19. A manutenção da condição de beneficiário em plano privado de assistência à saúde exclusivo para ex-empregados demitidos ou exonerados sem justa causa ou aposentados poderá ocorrer com condições de reajuste, preço, faixa etária diferenciadas daquelas verificadas no plano privado de assistência à saúde contratado para os empregados ativos. (...)."
Destarte, como bem destacado a quo, a reclamante somente fez jus às mesmas condições do plano ao qual se vinculava pelo prazo de 270 dias previsto na cláusula convencional. Após esse prazo, seu direito está
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assegurado pela Lei n° 9.656/98 e Resolução Normativa que a regulamenta. Não merece, portanto, acolhida a irresignação manifestada em sede recursal. O assunto é de natureza interpretativa e os arestos trazidos a confronto são inespecíficos (Súmula 296/I/TST), pois deixam claro que o ex-empregado (e não o empregador) deve arcar integralmente com as despesas do plano de saúde.
Ressalte-se que, se uma norma pode ser diversamente interpretada, não se pode afirmar que a adoção de exegese diversa daquela defendida pela parte enseja violação literal a essa regra, pois esta somente se configura quando se ordena exatamente o contrário do que o dispositivo expressamente estatui.
No caso dos autos, o exame do decisum não revela a ocorrência apta a ensejar a reapreciação com supedâneo na alínea "c", do artigo 896, da CLT.
CONCLUSÃO
DENEGO seguimento ao Recurso de Revista.”
A reclamante insurge-se apontando violação aos arts. 1º, III, 5º, caput, XXXV e XXXVI, da CF, 8º, 30 e 31 da Lei nº 9.656/98 e indica divergência jurisprudencial. Insiste na tese de que é devida a manutenção do convênio médico nas mesmas condições e valores oferecidos aos empregados em atividade.
Impende considerar, inicialmente, que a saúde é um direito constitucionalmente garantido (art. 196), podendo ser assegurada mediante plano privado de assistência à saúde, que consiste em prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós-estabelecidos, conforme o art. 1º, inciso I, da Lei n. 9.656/98 (Lei de Planos de Saúde).
Dispõem ainda os arts. 30 e 31 e seus respectivos parágrafos primeiros, da Lei n. 9.656/98:
“Art. 30. Ao consumidor que contribuir para produtos de que tratam o inciso I e o § 1o do art. 1o desta Lei, em decorrência de vínculo empregatício, no caso de rescisão ou exoneração do contrato de trabalho sem justa causa, é assegurado o direito de manter sua condição de beneficiário, nas mesmas condições de cobertura assistencial de que gozava quando da vigência do
contrato de trabalho, desde que assuma o seu pagamento integral (Grifou-se). § 1o O período de manutenção da condição de beneficiário a que se refere o caput será de um terço do tempo de permanência nos produtos de que tratam o inciso I e o § 1o do art. 1o, ou sucessores, com um mínimo assegurado de seis meses e um máximo de vinte e quatro meses. Art. 31. Ao aposentado que contribuir para produtos de que tratam o inciso I e o § 1o do art. 1o desta Lei, em decorrência de vínculo empregatício, pelo prazo mínimo de dez anos, é assegurado o direito de manutenção como beneficiário, nas mesmas condições de cobertura assistencial de que gozava quando da vigência do contrato de trabalho, desde que assuma o seu pagamento integral. § 1º. Ao aposentado que contribuir para planos coletivos de assistência à saúde por período inferior ao estabelecido no caput é assegurado o direito de manutenção como beneficiário, à razão de um ano para cada ano de contribuição, desde que assuma o pagamento integral do mesmo.”
Sendo assim, a pessoa que, na condição de empregado, contribuiu para plano privado de assistência à saúde oferecido pelo empregador e vindo a ter o contrato de trabalho rescindido sem justa causa ou aposentando-se independentemente do motivo, tem o direito de permanecer no plano de saúde nas mesmas condições de cobertura assistencial de que gozava quando da vigência do contrato de trabalho, desde que assuma o pagamento integral do plano.
Quando se trata de ex-empregado, a permanência varia entre seis e vinte e quatro meses e, no caso de aposentado, não há limite de permanência, desde que tenha contribuído para o plano pelo prazo mínimo de dez anos. Se houver contribuição por período inferior, o tempo de permanência será limitado à razão de um ano para cada ano de contribuição.
Percebe-se, pois, que, para ex-empregado dispensado sem justa causa, sempre haverá limite de tempo de permanência da condição de beneficiário após a extinção do contrato de trabalho, enquanto que, para ex-empregado aposentado, só haverá limite de tempo de permanência
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da condição de beneficiário caso tenha contribuído para o plano de saúde por tempo inferior a dez anos.
A matéria encontra-se regulamentada pela Resolução Normativa nº 279 de 24 de novembro de 2011 da Agência Nacional de Saúde Suplementar, que revogou as resoluções do CONSU nº 20 e 21. Em se tratando de ex-empregado dispensado sem justa causa, o art. 4º da RN nº 279, como já dispõe a lei, assegura-lhe o direito de manter sua condição de beneficiário nas mesmas condições de cobertura assistencial de que gozava quando da vigência do contrato de trabalho, quando então contribuía para plano de saúde, desde que assuma o pagamento integral. O período de manutenção da condição de beneficiário é limitado a 1/3 do tempo de permanência de contribuição enquanto empregado, assegurado um mínimo de seis e um máximo de vinte e quatro meses (parágrafo único do art. 4º).
Quando se tratar de ex-empregado aposentado, fica-lhe assegurado o direito de manter sua condição de beneficiário, sem limite de tempo de permanência, nas mesmas condições de cobertura assistencial de que gozava quando da vigência do contrato de trabalho, contribuindo para o plano de saúde, desde que assuma o pagamento integral e tenha contribuído pelo prazo mínimo de 10 anos (art. 5º, caput).
Caso tenha contribuído por período inferior a 10 anos, o tempo de permanência na condição de beneficiário fica limitado a um ano para cada ano de contribuição (parágrafo único do art. 5º). A novidade regulamentar é que, em ambos os casos, o ex-empregado deve ter sido contratado a partir de 2/1/1999. Inovou, ainda, ao dispor que os direitos previstos nos arts. 30 e 31 da Lei nº 9.656/98 não se aplicam na hipótese de planos privados de assistência à saúde com característica de preço pós-estabelecido na modalidade de custo operacional (art. 6º, § 1º).
No caso, o acordão regional, a partir das informações constantes da exordial, registrou haver alegado a reclamante admissão em 11.12.86, dispensa sem justa causa em 22.2.2012, época em que já se encontrava aposentada, tendo feito opção por permanecer usufruindo o
plano de saúde no período de 01.03.2012 a 30.11.2012. Consignou também que, conforme informado na inicial, na época a reclamante desembolsava R$ 65,14, mesmo valor pago na condição de empregada, havendo em seguida sua majoração para R$ 622,00. Bate-se a reclamante contra essa majoração, que considera exagerada e violadora dos arts. 30 e 31 da Lei nº 9.656/98. No ponto, extrai-se da Resolução CONSU nº 21/1999 que, para a manutenção do ex-empregado como beneficiário de plano ou seguro de assistência à saúde, o empregador deve oferecer plano próprio ou contratado e comunicar ao ex-empregado, ou dependentes, sobre a possibilidade de optar pela manutenção da condição de beneficiário, devendo o interessado manifestar-se no prazo de 30 dias do desligamento (art. 2º, caput e § 6º).
Logo, não fica a critério do ex-empregador manter ou não plano de saúde. Basta que o destinatário se manifeste positivamente e preencha os requisitos legais e regulamentares para permanecer como beneficiário de plano de saúde empresarial. No caso dos autos, a ex-empregadora manteve a recorrente no plano de saúde, transferindo-lhe integralmente o custeio de sua participação e de seus dependentes econômicos (art. 31 da Lei nº 9.656/1998).
No tocante ao valor a ser suportado pelo trabalhador, inexiste a alegada violação aos arts. 30 e 31 da Lei nº 9.656/98, pois a manutenção “nas mesmas condições de cobertura assistencial de que gozava quando da vigência do contrato de trabalho” não significa a estabilização do preço de custeio, sendo indispensável à manutenção no plano de saúde que o trabalhador arque integralmente com os custos de seu financiamento.
Nesse sentido por precedentes desta Corte:
“AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA - DESCABIMENTO. 1. MANUTENÇÃO DE PLANO DE SAÚDE APÓS A APOSENTADORIA. Preceitua o art. 31 da Lei nº 9.656/1998 que -ao aposentado que contribuir para produtos de que tratam o inciso I e o § 1º do art. 1º desta Lei, em decorrência de vínculo empregatício, pelo prazo mínimo
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de dez anos, é assegurado o direito de manutenção como beneficiário, nas mesmas condições de cobertura assistencial de que gozava quando da vigência do contrato de trabalho, desde que assuma o seu pagamento integral-. O art. 30 estabelece, por sua vez, que -ao consumidor que contribuir para produtos de que tratam o inciso I e o § 1º do art. 1º desta Lei, em decorrência de vínculo empregatício, no caso de rescisão ou exoneração do contrato de trabalho sem justa causa, é assegurado o direito de manter sua condição de beneficiário, nas mesmas condições de cobertura assistencial de que gozava quando da vigência do contrato de trabalho, desde que assuma o seu pagamento integral-. Assim, nos termos da legislação transcrita, seja na condição de aposentada ou de dispensada sem justo motivo, faz jus a empregada, que contribuiu por mais de dez anos ao plano de saúde, à sua manutenção, nas mesmas condições vigentes durante a o contrato de trabalho, desde que arque com o seu pagamento integral. [...]. Agravo de instrumento conhecido e desprovido” (TST- AIRR - 868-55.2011.5.22.0001, j. 5/6/2013, Relator Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, 3ª Turma, DEJT 14/6/2013).
“RECURSO DE REVISTA. EMPREGADO APOSENTADO. ADESÃO A PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. MANUTENÇÃO DO PLANO DE SAÚDE. A extinção sem justa causa do contrato de trabalho de empregado aposentado, por meio de adesão a plano de demissão voluntária, não lhe retira a condição de aposentado. Assim, havendo previsão legal (art. 31 da Lei nº 9656/98) no sentido de assegurar ao aposentado o direito de manutenção como beneficiário do plano de saúde - cumpridos os demais requisitos -, não se pode negar tal direito simplesmente com base na previsão do regulamento empresarial, tendo em vista a existência de norma cogente. Ressalte-se que a referida lei assegura a manutenção do benefício até mesmo para empregados dispensados por justa causa (art. 30), demonstrando que a extinção do contrato de trabalho não tem o condão de afastar esse direito. Ressalte-se que a saúde é um dos direitos sociais previstos na Constituição Federal, demandando do Estado uma atitude positiva, sendo, inclusive, sua competência cuidar, assegurar a todos e legislar sobre proteção e defesa da saúde. Nesse sentido a Lei nº 9656/98 buscou assegurar ao aposentado a manutenção da condição de beneficiário
do plano de saúde, visando atenuar o problema desta classe, qual seja, no momento em que mais necessita do benefício, se depara com a faixa de preço mais onerosa e com a redução de seus salários em virtude da aposentadoria, obrigando os idosos muitas vezes a abandonarem os planos de saúde, circunstância esta que atenta contra o Estado Democrático de Direito. Não se olvida que o Direito do Trabalho também estimula a proteção à saúde do empregado, pela interpretação mais benéfica da norma que venha conferir ao aposentado direitos e garantias que visem a atenuar desigualdades pós-contrato de trabalho. Recurso de revista conhecido e provido” (RR-188000-16.2009.5.02.0059, j. 29/8/2012, Relator Ministro Aloysio Corrêa da Veiga, 6ª Turma, DEJT 31/8/2012).
Nega-se provimento.
ISTO POSTO
ACORDAM os Ministros da Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, por unanimidade, conhecer do agravo de instrumento e, no mérito, negar-lhe provimento.
Brasília, 25 de Junho de 2014.
Firmado por Assinatura Eletrônica (Lei nº 11.419/2006)
ARNALDO BOSON PAES
Desembargador Convocado Relator