Samuel Sander de Carvalho
Juiz de Fora - MG
Livro Texto adotado: “Fundamentos da Termodinâmica – Claus Borgnakke / Richard E. Sonntag” Editara Blucher.
A primeira lei da termodinâmica trata da energia e de sua conservação, a segunda lei leva à definição de uma nova propriedade chamada entropia (S).
Assim como a Energia Interna que possibilita usar quantitativamente a primeira lei, a Entropia vem para possibilitar utilizar quantitativamente a segunda lei da termodinâmica.
Porém, a Entropia não se conserva como a Energia, ou seja, não há conservação de
entropia.
Para todo e qualquer ciclo, podemos escrever:
→ Calor trocado (diferencial inexata) T → Temperatura absoluta.
A igualdade é válida para os ciclos reversíveis e a desigualdade para os irreversíveis.
Essa relação é conhecida como Desigualdade de Clausius.
Essa é a primeira definição para podemos chegar na definição da ENTROPIA.
Para melhor entendimento analise a instalação a vapor simples e informe se ela respeita ou não a desigualdade de Clausius. Informe o que estaria sendo violado caso não respeite a desigualdade de Clausius.
Consideração:
Considere 1 kg de fluido de trabalho (água)
Quais os locais onde há transferência de calor?
Caldeira e Condensador.
A temperatura permanece constante em ambos?
Sim.
∮
∮
! "! # $#1
&
2( ) ( 2066,3 kJ/kg 3 164,97 ⁰
3
&
4( ) ( 463,4 ) 2361,8 )1898,4 kJ/kg
3 53,97 ⁰
Portanto:
∮
; ,<=> = , ?:;;,)
? ,<=A = , ?@<@,)!, BC DE/DFG
Então, podemos concluir que a desigualdade de Clausius está sendo satisfeita. Caso
contrário, violaria a segunda lei da termodinâmica.
Afirmamos anteriormente que um ciclo é reversível quando ∮ . Assim, analisemos a imagem abaixo.
Pelo gráfico, podemos dizer que:
H
I"
!
H
J
"
!
0
H
K"
!
H
J
"
!
0
Os ciclos AB e CB são reversíveis.
Pelas duas equações anteriores, dizemos que:
I
"
!
)
!" JK
"
!
)
J
"
!
Portanto:
I
"
! K
"
!
Com base nessas equações, percebemos que o valor da integral depende apenas dos estados iniciais e finais, ou seja, não depende do caminho (processo), logo.
A entropia é uma propriedade termodinâmica.
A variação da entropia pode ser obtida como:
dS H
NOP"
!
Q
") Q
!H
NOP
"
!
Mas a pergunta que todos querem saber e ainda não respondida.
A final, o que realmente é a entropia?
Para responder a essa pergunta, precisamos ir um pouco para a termodinâmica estatística, ou seja, precisamos entender a termodinâmica do ponto de vista molecular.
Mas nada tão complicado.
Para poder entender a explicação real da entropia, primeiro façamos uma analogia:
“imagine que você tenha uma caixa com bolinhas empilhadas por cor, na primeira pilha, temos azul, segunda verde, terceira amarela, quarta vermelha e assim por diante. Agora feche a caixa e sacuda uma vez, o que acontece com as bolinhas?
Continue sacudindo o que vai acontecer agora?
Quanto mais desorganizada ficar as bolinhas, maior será a entropia”.
Essa desorganização seria a entropia.
Voltando a atenção para o contexto das partículas, sabemos que, ao sofrerem mudança de temperatura, os corpos alteram o estado de agitação de suas moléculas.
Então ao considerarmos esta agitação como a desordem do sistema, podemos concluir que:
• Quando um sistema recebe calor (Q>0), sua entropia aumenta;
• Quando um sistema cede calor (Q<0), sua entropia diminui;
• Se o sistema não troca calor (Q=0), sua entropia permanece constante.
Então, na termodinâmica, podemos definir entropia como a medida de desordem das partículas em um sistema físico.
Clausius, afirmou que é mais útil conhecer a variação da entropia do que seu valor absoluto.
Também podemos definir entropia como sendo
uma grandeza termodinâmica que mensura o grau de irreversibilidade de um sistema.
Como já foi dito anteriormente, a entropia quantifica a segunda lei da termodinâmica. Em outras palavras:
Em acordo com a segunda lei da termodinâmica:
“trabalho pode ser completamente convertido em calor, e assim, em energia térmica, mas energia térmica não pode ser completamente convertida em trabalho”.
Com a entropia procura-se mensurar a parcela de energia que não pode mais ser transformada em trabalho proveniente de uma transformações termodinâmicas à uma dada temperatura.
Assim como o volume específico e a entalpia específica, também há uma entropia específica, cujo sua unidade é definida também por kJ/kg K
Novamente, podemos relacioná-la com o título para calcular a entropia na região de saturação.
R ! ) S . R
US. R
PR R
US. R
UPA entropia também poderá e será representada em digramas, sendo eles,
diagrama temperatura-entropia e entalpia-entropia os mais comuns. Esses
diagramas, são conhecidos por Diagrama de Mollier.
Obs.: O Apêndice E apresenta diagramas mais detalhados e elaborados.
Para melhor entender isso, analisaremos um processo reversível, para isso, vamos adotar novamente o ciclo de Carnot
Esse ciclo representa que tipo de equipamento?
QL
QH
vamos adotar novamente o ciclo de Carnot
Esse ciclo apresenta dois processos isotérmicos, de 1 para 2 e de 3 para 4. Assim, nesses dois processos posso dizer que:
Q" ) Q! !
V H"
!
! "
V
Q$ ) Q# !
W H$
#
# $ W
QL
QH
Para melhor entender isso, analisaremos um processo reversível, para isso, vamos adotar novamente o ciclo de Carnot
Ele também apresenta dois processos adiabáticos reversíveis. Também conhecidos como processos isotrópicos, nesse caso, de 2 para 3 e de 4 para 1 são processos de entropia constante.
QL
QH
vamos adotar novamente o ciclo de Carnot
O que acontece se invertermos o ciclo?
QL
QH
Se o ciclo for invertido, teremos um refrigerador ou uma bomba de calor.
Nesse tipo de análise, podemos perceber que a entropia do fluido de trabalho aumenta à temperatura TL e diminui à temperatura TH.
Baseado na diferença de entalpia entre líquido e vapor saturado, podemos encontrar a diferença de entropia entre líquido e vapor saturado.
QL
QH
Se o ciclo for invertido, teremos um refrigerador ou uma bomba de calor.
R" ) R! RUP !
X H NOP
"
!
X H!
"
!
!Y" ZUP
Verifique se o valor de RUP calculado corresponde ao valor tabelado para a água no estado de saturação com a pressão de 10 Mpa.
QL
QH
Se o ciclo for invertido, teremos um refrigerador ou uma bomba de calor.
[\]^ `_a ácde f1 ) 2 ) g ) e ) 1h ácde f1 ) 2 ) 3 ) 4 ) 1h
QL
QH QL
QH
[\]ij `ka ácde f3 ) 4 ) e ) g ) 3h ácde f1 ) 2 ) 3 ) 4 ) 1h
l ` a
k
ácde f1 ) 2 ) 3 ) 4 ) 1h ácde f1 ) 2 ) g ) e ) 1h
Se transferirmos calor ao vapor saturado à pressão
constante, o vapor será superaquecido ao longo da linha 2-3.
"Y# ! X H
#
" H . mR#
"
Nesse caso, só pode haver a integração se houver uma relação entre a Temperatura e a entropia, pois, a Temperatura não é constante.
Considerando um sistema fechado (sem efeito de movimento), energia cinética desprezível, e sem efeito da gravidade, energia potencial desprezível, a primeira lei da termodinâmica se resume a:
n ) o
Se aplicarmos a derivada na expressão, teremos
mn ) o ⇒ mn o
Vimos que:
. mQ e o p. mq Logo:
. mQ mn p. mq Porém, sabemos também que
V n p. q Derivando mV mn p. mq q. mp
Reorganizando
mV mn p. mq q. mp Logo: mV ) q. mp mn p. mq Assim:
. mQ mV ) q. mp
Para definir essas expressões foi utilizado sistemas puros, compressíveis, simples e reversíveis:
Podemos dividir a expressão pela massa
. mQ mn p. mq → . mR ms p. mP . mQ mV ) q. mp → . mR mZ ) P. mp Porém, essa expressão não se limita unicamente à sistemas reversíveis
Embora as equações T.dS sejam obtidas considerando um processo internamente reversível, uma variação de entropia obtida pela integração dessas equações corresponde à variação para qualquer processo, reversível ou irreversível, entre dois estados de equilíbrio. Isso é verdade pois, a entropia é uma propriedade, ou seja, a variação entre dois estados não depende do processo pelo qual ela foi submetida.
Sólidos ou líquidos são considerados substâncias incompressíveis, já que seus volumes específicos alteram muito pouco sob altas pressões, logo, tu 0, além disso, o volume específico para líquidos e/ou sólidos é muito pequena e muitas vezes são desprezados. Para líquidos e sólidos, não há variação dos calores específicos a pressão constante ou a volume constante, assim:
v
wv
Pv mZ x ms x vmy
. mR mZ ) P. mp
. mR ms p. mP
Calor específico constante
(considerado muito pequena) = 0
(variação do volume especifico muito pequena) = 0
A equação então se resume à:
R
") R
!K. Uz
"!
Uma instalação criogênica processa metano a 115 K e 5 MPa a uma taxa de 0,280
m³/s. Um dados processo requer que a pressão do metano líquido seja reduzida a 1
MPa, o que é feito pelo estrangulamento do metano utilizando-se uma válvula. Um
engenheiro mecatrônico recém formado do IF Sudeste MG, foi contratado e propôs
a substituição da válvula por uma turbina, para produzir potência enquanto reduz a
pressão até 1 MPa. Determine a máxima potência que pode ser produzida por essa
turbina se ela tiver uma eficiência de 80%. Determine também quanto a empresa
economizará por ano em gastos com eletricidade se a turbina operar
continuamente (8760 h/ano), sabendo que o valor da eletricidade é R$ 0,1875/KWh
Relacionando a entropia para um Gás Ideal:
. mR ms p. mP . mR mZ ) P. mw
Relembrando para Gás ideal, temos uma equação relacionado a variação de energia interna e entalpia com calor específico a (volume constante ou pressão constante).
ms vP . m
mZ vw . m Por fim, a equação dos gases ideais p. P {.
Rearranjando as equações mostradas anteriormente obtemos:
mR vP . m {. mP
P R" ) R! vP . Uz "
! {. UzP"
P! mR vw . m {. mw
p R" ) R! vw . Uz "
! {. Uzp"
p!
Integrando ambas as expressões
Ao analisarmos o gráfico ao lado, percebemos que há um processo reversível (A-B) e um irreversível (C-B). Assim, sabemos que:
H
I"
!
H
J
"
!
0
H
K"
!
H
J
"
!
| 0
Como a entropia é uma propriedade, a variação da entropia de A deve ser a mesma de C.
Assim:
H I
"
! H mQ" I
! H mQ" K
!
No entanto
H mQ" K
! } H
K
"
!
Com base nisso, percebemos que:
H I
"
! } H
K
"
!
Essa equação é uma das mais importantes na Termodinâmica e é utilizada em vários conceitos e definições.
mQ
NOPmQ }
~NNOPEntão, podemos generalizar da seguinte forma:
Q" ) Q! • H"
!
mQ •
Pelas equações anteriores, percebemos que a variação da entropia para um processo irreversível é maior que a de um processo reversível.
Então, podemos reescrever a equação diferencial como:
mQ Q
FONPorém, Q
FON•
QFON → €ON•çã„ mO …z†N„w~•
QFON ∆QQ~R†OX• ∆Qq~ˆ~zZ•zç• •
A variação da entropia de um sistema durante um processo é igual à transferência líquida de entropia através da fronteira do sistema mais a entropia gerada dentro do sistema.
A variação da entropia de um sistema pode ser negativa durante um processo, mas a geração da entropia não pode. O princípio do aumento da entropia pode ser resumido da seguinte maneira:
QFON } pN„vORR„ ~NNOPONRíPOU pN„vORR„ NOPONRíPOU
| pN„vORR„ ~Xw„RRíPOU
A equação geral da entropia pode ser integrada entre os estados iniciais e finais da seguinte forma:
Q
") Q
! Š IWH mQ
"!
H
"! !
Q
" FONEssa equação é chamada de Balanço de Entropia. Em sua forma geral, a equação pode ser escrita como:
( ∆ entropia)
TOTAL= (entradas) – (saídas) + (geração)
Com base nos estudos já feitos, há duas formas de aumentar a entropia de um sistema:
Transferência de Calor para o Sistema;
O processo ser irreversível.
Há apenas uma forma de diminuir a entropia de um sistema
Transferência de Calor do Sistema;
Se um processo for caracterizado por internamente reversível e adiabático, diz-se que ele será um PROCESSO ISENTRÓPICO, ou seja, ∆S = 0 ou S1 = S2.
1) Um cilindro-pistão contém uma mistura de água líquida e vapor de água a 27 ° C.
Durante um processo isobárico, 750 kJ de calor são transferidos para a água. Como consequência, parte do líquido do cilindro é vaporizado. Determine a variação de entropia da água durante o processo.
2) Uma fonte de calor de 800 K perde 2000 kJ de calor para um sumidouro a:
a) 500 K b) 467 °C
Determine qual o processo de transferência de calor é mais irreversível e Justifique o motivo.