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Direito do. Consumidor

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Academic year: 2022

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Unidade 1

Noções gerais de Direito do

Consumidor

Caroline Teixeira Barbosa

Direito do

Consumidor

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Gerente Editorial

CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico

TIAGO DA ROCHA Autora

CAROLINE TEIXEIRA BARBOSA

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A AUTORA

Caroline Teixeira Barbosa

Olá. Meu nome é Caroline Teixeira Barbosa. Sou formada em Direito e mestre em ciências jurídico-políticas, com uma experiência técnico- profissional na área de Direito do Trabalho e Direito Civil de mais de quatro anos. Antes de iniciar a vida profissional como advogada, já havia atuado como estagiária em alguns órgãos como a Procuradoria Geral do Município, Procon Municipal e Defensoria Pública do Estado da Paraíba, oportunidade nas quais obtive uma bagagem significativa de experiência.

Na advocacia passei pelo escritório David Diniz (ADD), responsável por engrandecer ainda mais minha paixão pela profissão. Sou apaixonada pelo que faço, motivo pelo qual busquei no mestrado aprimorar meus conhecimentos para que assim pudesse compartilhar com outras pessoas.

A interação com o outro sempre me fascinou, seja como advogada ou dentro da sala de aula. Poder transmitir experiências àqueles que estão iniciando suas profissões torna-se um desafio ainda mais cativante quando se trata de uma Editora sempre empenhada em oferecer o seu melhor para os alunos, como é o caso da Editora Telesapiens. Assim, fui convidada a integrar seu elenco de autores independentes e me sinto feliz e lisonjeada em poder colaborar e ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!

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ICONOGRÁFICOS

Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que:

INTRODUÇÃO:

para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência;

DEFINIÇÃO:

houver necessidade de se apresentar um novo conceito;

NOTA:

quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento;

IMPORTANTE:

as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você;

EXPLICANDO MELHOR:

algo precisa ser melhor explicado ou detalhado;

VOCÊ SABIA?

curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias;

SAIBA MAIS:

textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento;

REFLITA:

se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre;

ACESSE:

se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast;

RESUMINDO:

quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens;

ATIVIDADES:

quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada;

TESTANDO:

quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas;

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SUMÁRIO

O Direito do Consumidor no Brasil e sua evolução ... 12

Evolução histórica acerca da proteção do consumidor ... 12

A influência norte-americana na proteção do consumidor ...16

A evolução da proteção do consumidor no Brasil ... 19

Características do Código de Defesa do Consumidor ...22

O Direito do Consumidor como norma principiológica ...23

O Direito do Consumidor como direito fundamental ...27

Outras características importantes do CDC ...29

Partes e objeto da relação de consumo ... 32

Sobre o consumidor ...33

Do fornecedor ... 38

Do produto e serviço ... 40

O papel da globalização na relação consumerista ...43

Sobre a globalização ...43

O novo tipo de consumidor ...47

O capitalismo e a sociedade de consumo ... 48

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NOÇÕES GERAIS DE DIREITO DO CONSUMIDOR

UNIDADE

01

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INTRODUÇÃO

Você sabe dizer como se deu a evolução histórica acerca da proteção do consumidor? E qual a influência norte-americana nesta proteção? Essa evolução ocorreu da mesma maneira aqui no Brasil? Quais são as principais características do Código de Defesa do Consumidor? E qual o papel da globalização na relação consumerista? Pois é, para entender um pouco mais da importância do Código de Defesa do Consumidor em nosso ordenamento jurídico, precisaremos entender, sobretudo, como esse tema evoluiu com o passar do tempo até que chegasse ao que temos hoje. Ainda, entender um pouco das características, das partes e dos objetos da relação de consumo fará com que seja possível entender o porquê de o Código de Defesa do Consumidor ser estruturado desta forma, compreendendo sua evolução e suas transformações. Para tanto, iremos fazer uma ponte com o papel da globalização no novo tipo de consumidor que visualizamos nos dias atuais, como forma de melhor contextualizar este impacto nas relações consumeristas. E então? Pronto para mergulhar um pouco na história da proteção ao consumidor? Vamos lá!

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OBJETIVOS

Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1 – Noções gerais de Direito do Consumidor. Nosso objetivo é auxiliar você no atingimento dos seguintes objetivos de aprendizagem até o término desta etapa de estudos:

1. Compreender como se deu a evolução do Direito do Consumidor no Brasil.

2. Sintetizar as principais características do Código de Defesa do Consumidor.

3. Apresentar na forma de discussão as partes e o objeto das relações de consumo.

4. Analisar o impacto da globalização na relação consumerista.

Então? Preparado para dedicar-se aos estudos e entender um pouco sobre as noções gerais de Direito do Consumidor? Ao trabalho! Estaremos juntos nessa missão em compreender a origem e evolução do Direito do Consumidor bem como suas principais características. Será divertido!

Conto com você!

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O Direito do Consumidor no Brasil e sua evolução

OBJETIVO

Ao término deste capítulo você será capaz de entender como se deu a evolução acerca da proteção do consumidor, visualizando que sobredita proteção não é tema apenas dos dias atuais. Pelo contrário, será possível observar que a proteção do consumidor se deu desde o período da antiguidade, e foi se aperfeiçoando com o passar do tempo. Ainda, será possível compreender de que maneira a influência norte-americana contribuiu para tal evolução, bem como entender um pouco mais dessa evolução especificamente aqui no Brasil. E então? Motivado para conhecer um pouco mais sobre como a proteção do consumidor se apresentava em outros períodos históricos?

Vamos lá. Avante!

Evolução histórica acerca da proteção do consumidor

Entender a evolução histórica acerca da proteção do consumidor vai muito além de estudar de que maneira esta proteção se apresenta em nosso ordenamento jurídico. E, nos dias atuais, essa compreensão se faz ainda mais necessária quando consideramos que estamos vivendo em uma sociedade de consumo que, cada vez mais, necessita de produtos e serviços.

É bem verdade que no Brasil essa proteção do consumidor ganhou ainda mais importância por meio da nossa Constituição de 1988, na qual assevera que entre os Direitos e as Garantias, o Estado promoverá a defesa do consumidor. Nesse contexto, foi elaborado o Código de Defesa do Consumidor como forma de concretizar os direitos dos cidadãos constitucionalmente previstos.

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Entretanto, a proteção do consumidor não ocorreu tão somente com a promulgação da Constituição de 1988. Pelo contrário, a necessidade de proteção do consumidor ocorreu muito antes da promulgação da Carta Magna. Desde os primórdios já podemos observar inúmeras situações pelas quais as relações de consumo já faziam parte da vida das pessoas, motivo pelo qual com o decorrer do tempo o estudo sobre a evolução da proteção do consumidor foi ganhando cada vez mais destaque.

Nesse aspecto, já no período do Egito Antigo se podia observar situações pelas quais a relação de consumo ocorria, a exemplo de quando os egípcios por questões muitas vezes religiosas ou tão somente por estética, colocavam em prática o hábito de pintar o próprio corpo.

O referido hábito fazia com que os egípcios precisassem fazer uso de maquiagens, pincéis, tintas etc., motivo pelo qual desde aquele período se observava uma concorrência entre os responsáveis pela fabricação desses produtos no intuito de aprimorar cada vez mais a qualidade e, assim, conseguir satisfazer um número cada vez maior de consumidores.

Figura 1 – Proteção do consumidor

Fonte: Pixabay

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VOCÊ SABIA?

Nessa época em que os egípcios se maquiavam, os produtos utilizados para fazerem a maquiagem eram muito primários, com a utilização de ingredientes que não necessariamente poderiam ser utilizados na pele, pois continham substâncias que poderiam ser prejudiciais, podendo causar envelhecimento e/ou adoecimento da pele. Esse é um dos motivos que fez com que muitas pessoas passassem a acreditar que a utilização de maquiagem envelheceria a pele. Entretanto, sabe-se nos dias atuais que as maquiagens atualmente utilizadas são dermatologicamente aprovadas, posto que fazem uso de substâncias que não sejam prejudiciais à pele.

Ainda, podemos encontrar indícios de relações de consumo também presentes no Código de Hamurabi, na época do império Babilônico, na medida em que alguns trechos do referido código diziam respeito à defesa daqueles que se apropriavam de algum tipo de bem ou serviço, ou seja, o consumidor. Assim, podemos perceber que desde aquele período havia uma certa proteção à figura do consumidor. Vejamos:

XIII - MÉDICOS E VETERINÁRIOS; ARQUITETOS E BATELEIROS (SALÁRIOS, HONORÁRIOS E RESPONSABILIDADE)

229º - Se um arquiteto constrói para alguém e não o faz solidamente e a casa que ele construiu cai e fere de morte o proprietário, esse arquiteto deverá ser morto.

233º - Se um arquiteto constrói para alguém uma casa e não a leva ao fim, se as paredes são viciosas, o arquiteto deverá à sua custa consolidar as paredes. (CÓDIGO DE HAMURABI, 1780 a.C.)

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Assim, já no Código de Hamurabi havia a previsão de algumas sanções rigorosas para aquelas pessoas que não cumprissem com o que teria sido acordado, inclusive com punições físicas em alguns casos. Dessa forma, podemos visualizar que havia uma certa proteção ao consumidor, que se via amparado caso determinado acordo pactuado não viesse a ser cumprido.

Inclusive, referido Código também apresentava algumas regras como forma de melhor direcionar as atividades relacionadas à aquisição de bens e/ou serviços, no intuito de se combater enriquecimento sem causa, ou até como maneira de impedir que alguma das partes contratantes pudessem agir de maneira ilícita, obtendo vantagens em cima da outra parte contratante.

Nesse mesmo aspecto, em Roma também podíamos visualizar, ainda que timidamente, uma proteção à figura do consumidor. Naquele período os vendedores respondiam por vícios que pudessem ser observados, nomeadamente quando da venda de escravos, de maneira que esta obedecesse a um padrão de qualidade. Posteriormente, essa busca por uma garantia de qualidade veio a se estender para bens e serviços que eram colocados à disposição no mercado romano.

Em ato contínuo, o Direito romano começou a se desenvolver cada vez mais, com o surgimento de diversas leis que, aos poucos, foram tratando cada vez mais de direitos e garantias no que se refere ao consumo. Assim, consequentemente, esses mesmos produtos e serviços colocados à disposição no mercado romano começaram a ganhar mais garantias, de forma que o consumidor estava mais protegido contra abusos que pudessem vir a ser cometidos na relação de consumo ali estabelecida. Sobre o tema, Prux assevera o seguinte:

[...] no período romano, de forma indireta, diversas leis também atingiam o consumidor, tais como: a Lei Sempcônia de 123 a.C., encarregando o Estado da distribuição de cereais abaixo do preço de mercado; a Lei Clódia do ano 58 a.C., reservando o benefício de tal distribuição aos indigentes e; a Lei Aureliana, do ano 270 da nossa era, determinando que fosse feita a distribuição do

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pão diretamente pelo Estado. Eram leis ditadas pela intervenção do Estado no mercado ante as dificuldades de abastecimento havidas nessa época em Roma. (PRUX, 1998. p. 79)

Podemos observar, assim, que a proteção do consumidor não é assunto apenas dos dias atuais. Pelo contrário, na antiguidade e no período da idade média, por exemplo, já se podia observar uma proteção relativamente ao consumidor, que foi evoluindo de maneira gradativa face a importância e pertinência do tema, de maneira que as relações de consumo pudessem vislumbrar direitos e garantias fundamentais às partes envolvidas.

A influência norte-americana na proteção do consumidor

Nesta mesma linha de raciocínio acerca da evolução da proteção do consumidor, é importante tratarmos, ainda, sobre a influência norte- americana nesta mesma proteção do consumidor, nomeadamente porque a origem do consumidor é atribuída aos Estados Unidos, principalmente por ser um país que tanto se destacou e continua se destacando quando o assunto é o capitalismo e a comercialização em massa de bens e serviços.

SAIBA MAIS

Para entender um pouco mais sobre como o capitalismo impacta a vida dos americanos, há um documentário de 2009 intitulado Capitalism: a love story, que aborda um pouco sobre o preço pago pelos Estados Unidos em seu amor ao capitalismo. É um documentário que trata acerca desse sonho americano, retratando a crise do capitalismo. É uma ótima oportunidade para conseguimos visualizar as relações consumeristas e o porquê de os Estados Unidos ter uma influência tão importante nessa proteção do consumidor, levando em consideração, principalmente, o capitalismo norte- americano. O trailer do documentário pode ser acessado por meio do seguinte link: https://www.youtube.com/watch?time_

continue=2&v=1tI1RTAQc2M&feature=emb_title.

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Dessa forma, podemos destacar alguns movimentos que foram importantes no que diz respeito à proteção do consumidor e que serviram, posteriormente, de base para outros movimentos consumeristas.

Assim, em 1872 foi editada uma Lei chamada Lei Sherman Antitrust, representando uma tentativa de coibir fraudes praticadas no comércio, bem como na tentativa de evitar que ocorressem algumas práticas consideradas desleais, a exemplo de combinações de preços, como podemos observar do trecho abaixo destacado:

A Lei Antitruste Sherman

Seção 1. Relações de confiança, etc., na restrição do comércio ilegal; multa

Todo contrato, combinação sob a forma de confiança ou de outra forma, ou conspiração, em restrição do comércio ou comércio entre os vários Unidos, ou com nações estrangeiras, é declarado ilegal. Cada pessoa que celebrará qualquer contrato ou se envolver em qualquer combinação ou conspiração declarada ilegal será considerada culpada de um crime e, por sua condenação, será punido com multa não superior a US $ 10.000.000 se uma corporação ou, se houver pessoa, US $ 350.000, ou por prisão não superior a três anos, ou pelos dois castigos mencionados, a critério do tribunal.

Seção 2. Monopolizar o comércio de um crime; multa

Qualquer pessoa que monopolize, ou tente monopolizar, ou combinar ou conspirar com qualquer outra pessoa ou pessoas, para monopolizar qualquer parte do comércio ou comércio entre os vários Estados, ou com nações estrangeiras, serão considerados culpados de um crime e, em condenação, serão punidos com multa que não exceda US $ 10.000.000 se uma empresa ou, se houver outra pessoa, US $ 350.000 ou por prisão não superior a três anos, ou pelos dois punições, a critério do tribunal. (LEI SHERMAN ANTITRUST, 1872)

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Convém ressaltar que a lei em comento não chegou a ser aplicada, motivo pelo qual em 1914 se criou a Federal Trade Comission como forma de finalmente conseguir efetivar a lei anteriormente mencionada e, assim, proteger os interesses dos consumidores bem como garantir seus direitos.

Alguns outros movimentos foram igualmente importantes, vejamos:

New York Consumers League – criada em 1891 como o primeiro órgão de defesa do consumidor.

The Jungle – obra escrita em 1906 que expôs a forma como a fabricação de alimentos à base de carne era negativamente realizada.

Meat Inspect Act – criada em 1907 influenciada pelo evento anteriormente citado no intuito de controlar a comercialização de carne.

Pure Food Drug Insecticide (PDFA) – criada em 1927 como forma de melhor conscientizar os consumidores quando da compra dos produtos.

Consumers Union – criada em 1936 e apresentada como finalmente o maior órgão de proteção do consumidor, com a publicação de orientações para estes.

• Listagem de direitos fundamentais dos consumidores – em 1962 o presidente Kennedy finalmente se posiciona diante do Congresso Americano apresentando uma mensagem em defesa dos consumidores, com o envio, inclusive, de direitos fundamentais que seriam inerentes a esses consumidores, quais sejam: direito à saúde e à segurança; direito à informação; direito à escolha; direito a ser ouvido.

Assim, após a análise de alguns dos marcos importantes no que trata as relações de consumo nos Estados Unidos, podemos agora entender o porquê do termo “consumerismo” advir justamente dessa influência norte-americana. Supracitado termo advém justamente da expressão em inglês consumerism, representando o movimento social surgido nos Estados Unidos na década de 1960.

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DEFINIÇÃO

Com relação à expressão em inglês consumerism, podemos encontrar sua definição no dicionário, de acordo com o Educalingo1, como sendo a proteção dos interesses dos consumidores, bem como a defesa de uma grande taxa de consumo e gastos como base para uma economia sólida.

1

Nessa perspectiva, o movimento social surgido nos Estados Unidos na década de 1960 representava uma represália contra os abusos na produção e comercialização de produtos, ganhando força justamente com a já supramencionada mensagem do presidente Kennedy, fazendo com que o referido movimento ganhasse o mundo. Assim, podemos caracterizar que foi a partir dele que foi possível traçar um marco relativamente ao Direito do Consumidor, na medida em que foi reconhecido que este último era detentor de direitos e garantias específicas.

Dessa forma, inúmeras foram as situações que surgiram no intuito de que o consumidor precisasse cada vez mais de proteção, oportunidade em que a Organização das Nações Unidas (ONU) passou a estabelecer, em 1985, por meio da Resolução nº 39/248, o princípio da vulnerabilidade do consumidor, princípio este que norteia atualmente o nosso Código de Defesa do Consumidor e que veremos mais detalhadamente em capítulo próprio. Resta claro, por isso, que a proteção do consumidor teve uma influência norte-americana bastante considerável, com marcos importantes que permitiram a evolução desse tema.

A evolução da proteção do consumidor no Brasil

No que diz respeito especificamente à evolução da proteção do consumidor no Brasil, desde muito tempo também já se observava, ainda que discretamente, uma proteção à figura do consumidor. É bem verdade

1 .. Definição do termo “consumerism” no dicionário inglês. Disponível em: https://educalingo.

com/pt/dic-en/consumerism

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que falar dessa evolução requer, antes de mais nada, mencionar o fato de que o direito brasileiro sofreu forte influência do direito português (JUSTO, 2008), dado o período de colonização. Assim, durante esse período de colonização, os direitos civis brasileiros poderiam ser considerados tão somente uma continuidade dos direitos civis portugueses.

Foi só a partir de 1916, quando surgiu o primeiro Código Civil Brasileiro, que o ordenamento jurídico brasileiro se desvinculou de maneira mais significativa das influências portuguesas, oportunidade na qual criou-se um Código Civil motivado pelo liberalismo político e econômico, apresentando características patrimonialistas, de maneira que a preocupação com as relações de consumo conseguiu ser observada de forma mais clara.

EXPLICANDO MELHOR

Quando falamos que o Código Civil de 1916 era motivado pelo liberalismo político e econômico, apresentando características patrimonialistas, queremos dizer que era um código em que se valorizava o individualismo, o patrimonialismo e o positivismo (BAPTISTA, 2013). Dessa forma, se revestia em um Código que priorizava princípios liberais que tinham como personagens principais o marido, o contratante e o proprietário.

Ainda, a partir das décadas de 1940 e 1960 algumas leis foram criadas no Brasil regulando as relações de consumo, a exemplo da Lei nº 1221/51, que tratava sobre a economia popular e, de maneira ainda tímida, apresentava alguns aspectos relativos à defesa do consumidor.

Foi somente com a Constituição Federal de 1988 que o consumidor foi reconhecido como sujeito de direitos, sendo-lhe assegurado garantias e direitos fundamentais, garantindo, assim, a defesa do consumidor, como bem dispõe o Artigo 5°, inciso XXXII, vejamos:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à

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vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor. (BRASIL, 1988)

Assim, enfim o consumidor passou a ser visto como a parte mais vulnerável da relação de consumo e que, por este motivo, merecia tutela jurídica específica, ou seja, merecia proteção. Foi nesse contexto que, em 1990, foi criada a Lei n° 8.078, dispondo sobre a proteção do consumidor.

Inclusive, como estudaremos a seguir no que se refere às características desse código, observaremos que a criação do Código de Defesa do Consumidor tem uma base eminentemente principiológica, pois utiliza-se de princípios gerais como forma de melhor abarcar os mais diversos tipos de situações na relação de consumo.

RESUMINDO

RESUMINDO: Ultrapassado toda essa breve explanação acerca da evolução da proteção do consumidor, fica evidente a importância de entendermos um pouco mais sobre o fato de que referida proteção não é tema apenas dos dias atuais, pelo contrário, remonta os primórdios da civilização.

Foi possível observar que desde o período da antiguidade e da própria idade média já haviam, ainda que timidamente, formas de proteger o consumidor nas trocas comerciais já existentes naquele período. Ainda, conseguimos entender de que maneira a influência norte-americana contribuiu para o desenvolvimento e para a evolução da proteção do consumidor, compreendendo a partir da apresentação de alguns movimentos importantes como se deu toda essa evolução. Por fim, foi possível compreender, de forma específica, a evolução da proteção do consumidor no Brasil, permitindo que a partir de agora seja possível tratar no próximo capítulo o Código de Defesa do Consumidor de maneira mais profunda e completa. E então? Preparado para continuar aprendendo um pouco mais sobre o Código de Defesa do Consumidor? Vamos juntos!

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Características do Código de Defesa do Consumidor

OBJETIVO

Ao término deste capítulo você será capaz de entender algumas das principais características do Código de Defesa do Consumidor, no intuito de que ao final do capítulo seja possível visualizar de que maneira referido Código está estruturado. Assim, será possível compreender de que maneira o Direito do Consumidor atua como norma principiológica, bem como o porquê do Direito do Consumidor ser considerado um direito fundamental.

Ainda, serão apresentadas algumas outras características igualmente importantes que justificam essa estrutura.

Motivado para conhecer um pouco mais das principais características do Código de Defesa do Consumidor?

Estamos juntos nessa. Vamos lá!

Figura 2 – Defesa do Consumidor

Fonte: Pixabay,

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O Direito do Consumidor como norma principiológica

Passaremos agora para a análise de algumas características do Código de Defesa do Consumidor, a fim de que seja possível compreender de que maneira está estruturado o referido Código e qual seu objetivo principal. Para tanto, analisaremos o porquê de o Direito do Consumidor estar disposto como norma principiológica, sinalizando os valores e fins que se desejam alcançar.

O Código de Defesa do Consumidor foi instituído pela Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, dispondo sobre a proteção do consumidor no intuito de que pudesse ser efetivado direitos e garantias inerentes a figura do consumidor, protegendo-o quando da existência de relações de consumo. Assim, a proteção e defesa do consumidor se trataria de uma ordem pública e de interesse social, como bem dispõe o Artigo 1° do Código. Vejamos:

Art. 1° O presente código estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, de ordem pública e interesse social, nos termos dos arts. 5°, inciso XXXII, 170, inciso V, da Constituição Federal e art. 48 de suas Disposições Transitórias.

(BRASIL, 1990)

Dessa forma, por se tratar de normas de ordem pública, as partes envolvidas na relação de consumo não podem questionar tais normas, sendo, portanto, incontestáveis. Assim, não se deve levar em consideração a vontade das partes, mas, ao contrário, deverá ser levado em consideração o que está disposto na norma na forma determinada por lei.

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EXPLICANDO MELHOR

Quando falamos que uma norma é de ordem pública, queremos dizer que é uma norma de aplicação cogente.

Ou seja, é uma norma obrigatória e, portanto, não se trata de uma norma programática. Assim, em virtude dessa característica, o juiz poderá de ofício reconhecer alguma abusividade existente em um contrato de consumo, por exemplo. Em outras palavras, independentemente da manifestação das partes, caso esteja presente uma cláusula abusiva em algum tipo de contrato, o juiz poderá, de ofício, reconhecer a abusividade de sobredita cláusula, levando em consideração que as normas de Direito do Consumidor são de ordem pública.

NOTA

Convém ressaltar que há uma exceção a esta regra acima mencionada. De acordo com a súmula 381 do STJ, há um tipo de contrato no qual o juiz não poderá, de ofício, reconhecer a abusividade de determinada cláusula, sendo este tipo de contrato os contratos bancários.

Assim, de acordo com supracitada súmula: “Nos contratos bancários, é vedado ao julgador conhecer, de ofício, da abusividade das cláusulas”. Desse modo, seria necessário o requerimento da parte lesada para que fosse analisada e conhecida suposta abusividade. Há grande discussão sobre a constitucionalidade dessa súmula, na medida em que muitos doutrinadores entendem como sendo uma afronta à proteção do consumidor. Sobre o tema, fica a sugestão de leitura do artigo “A infelicidade da súmula n° 381 do STJ”, de Vitor Guglinski, disponível em: https://meusitejuridico.

editorajuspodivm.com.br/2018/05/10/infelicidade-da- sumula-no-381-stj/.

De igual maneira, o fato de as normas de Direito do Consumidor serem de interesse social garantem uma maior facilidade para que os consumidores

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possam ter acesso à justiça na busca pela efetivação dos seus direitos. Ora, é inegável que o consumidor face ao poder econômico do fornecedor está, na grande maioria das vezes, em situação de vulnerabilidade. Por este motivo, ao lidarmos com normas de interesse social podemos vislumbrar um maior equilíbrio nessa relação jurídica de consumo. Entende-se, assim, que o fato das normas de Direito do Consumidor serem de interesse social, funcionam como uma lei de função social, na medida em que se preocupam com interesses individuais e da coletividade.

A busca por equilíbrio nessa relação jurídica de consumo baseia- se, sobretudo, no fato de que o consumidor é a parte mais vulnerável da relação de consumo, motivo pelo qual merecia proteção. Inclusive, diversas foram as situações pelas quais o consumidor precisou de proteção, fazendo com que a ONU estabelecesse, em 1985, por meio da Resolução nº 39/248, o princípio da vulnerabilidade do consumidor, princípio este que norteia atualmente o nosso Código de Defesa do Consumidor. Tal princípio vem expressamente reconhecimento no Art. 4°, inciso I, do referido Código. Vejamos:

Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios:

I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo;(grifo nosso)

Nesse diapasão, não apenas o princípio da vulnerabilidade do consumidor serve de base para o Código de Defesa do Consumidor, mas, também, outros igualmente importantes que serão mais detalhadamente estudados por nós em tópico próprio, estabelecendo fins a serem alcançados, com base em valores que são indissociáveis da figura do consumidor.

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Assim, falar do Direito do Consumidor como norma principiológica vai muito além de tão somente estar de acordo com determinada lei, pois há valores jurídicos que estão intrínsecos à defesa do consumidor e que estabelecem fins a serem alcançados, ditando normas de objetivam um fim maior, de forma a orientar os demais dispositivos a estarem de acordo com os princípios norteadores quando da defesa e proteção do consumidor.

Por este motivo, o legislador quando da criação do Código de Defesa do Consumidor enumerou diversos princípios, gerais e específicos, que deveriam ser seguidos, não como uma opção, mas, como uma obrigatoriedade. Assim, temos que o princípio da vulnerabilidade é a espinha dorsal da proteção ao consumidor e que serve de base para todos os demais princípios, garantindo que a relação jurídica de consumo possa ocorrer de maneira mais equilibrada e justa possível, levando em consideração tal vulnerabilidade.

Inclusive, no que diz respeito à vulnerabilidade do consumidor aqui discutida, é importante destacar que essa vulnerabilidade possui mais de um significado, a depender do contexto no qual o consumidor está inserido.

Ora, podemos observar a vulnerabilidade em virtude da desigualdade socioeconômica existente entre o consumidor e o fornecedor, em que na maioria das vezes o fornecedor detém muito mais poder econômico em detrimento do consumidor, colocando-o em situação de vulnerabilidade, como também levando em consideração a falta de informação sobre questões fundamentais do produto, por exemplo, que deixam o consumidor extremamente vulnerável face o fornecedor.

Exemplo: Muitas vezes nos deparamos com produtos que não contêm a informação adequada sobre qualidade, preço, ou outras características igualmente importantes e que farão toda a diferença quando da escolha do consumidor pela obtenção de determinado produto/

serviço ou não. Quantas vezes não nos deparamos com informações em contratos com letras minúsculas que sequer permitiam o pleno conhecimento do consumidor sobre algo que poderia ser prejudicial?

Inclusive, até em produtos alimentícios, por exemplo, muitas vezes a informação não está da forma adequada, como quando determinado

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produto contém glúten e o consumidor não é devidamente informado nem da presença do glúten nem tão pouco sobre os perigos da presença dessa proteína. Sobre o tema, há um artigo da Revista Consultor Jurídico (Conjur) muito interessante que trata acerca de alguns julgados do STJ, abordando de que maneira o dever de informação ao consumidor deve ocorrer. Vale a pena a leitura. O artigo está disponível através do seguinte link: https://www.conjur.com.br/2019-nov-11/veja-stj-julgado-dever- informacao-consumidor.

Há, ainda, a vulnerabilidade quando consideramos a pressão exercida em cima do consumidor por meio de propagandas publicitárias, técnicas de merchandising, formas de manipulação através dos meios de comunicação, entre outros, que colocam o consumidor em uma situação ainda mais vulnerável face o fornecedor, de maneira que apenas os interesses dos fornecedores sejam colocados como prioridade, sem a devida observância aos direitos e às garantias inerentes aos consumidores.

O Direito do Consumidor como direito fundamental

Depois de entender um pouco mais de como o Direito do Consumidor atua como norma principiológica, passaremos agora para a análise do Direito do Consumidor como direito fundamental. A proteção do consumidor como direito fundamental já vem expressa em nossa Constituição Federal nos Artigos 5°, inciso XXXII bem como no Artigo 170°.

Vejamos:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

[...]

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XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;

*

Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:

[...]

V - defesa do consumidor. (BRASIL, 1988)

Assim, o direito fundamental aqui em questão é direcionado ao Estado, de maneira que o Estado promova a defesa do consumidor, no intuito de garantir que seus direitos sejam preservados e de que haja um maior equilíbrio nas relações de consumo. Nesse aspecto, caberá ao Estado, mediante ações positivas, garantir que o consumidor esteja protegido.

Voltamos, mais uma vez, para o fato de que a proteção do consumidor como direito fundamental está estritamente ligada a vulnerabilidade da figura do consumidor, que já foi anteriormente aqui abordado por nós. Dessa forma, levando em consideração a desigualdade da relação jurídica de consumo entre o consumidor e o fornecedor, há de ser necessário reconhecer a proteção do consumidor como direito fundamental, a fim de que os interesses da parte mais forte dessa relação sempre se sobreponham aos interesses da parte mais vulnerável, qual seja, a dos consumidores.

Nessa perspectiva, surge a necessidade de utilização de instrumentos normativos a fim de que esse direito fundamental possa ser garantido e devidamente respeitado, equilibrando a relação jurídica de consumo. Por isso, caberá ao Estado intervir de forma que consiga promover essa maior igualdade na relação jurídica de consumo, garantindo, assim, a defesa do consumidor, dado sua característica de direito fundamental.

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É nesse contexto que, a partir da colocação da defesa do consumidor no rol dos direitos fundamentais, que surge a necessidade de assegurar essa proteção com instrumentos normativos que possam ser eficazes para tal. Assim, este instrumento se materializa por meio da Lei nº 8.078/90, como forma de disciplinar a proteção do consumidor. Tem-se, portanto, a defesa do consumidor como um direito basilar ao ordenamento constitucional, sendo, por isso, um direito humano fundamental.

Outras características importantes do CDC

Depois de entendido algumas das principais características do Código de Defesa do Consumidor, apresentaremos algumas outras características que são igualmente importantes, a fim de que não reste dúvidas da forma como se organiza referido Código e de que maneira ele está estruturado.

Dessa forma, podemos apresentar como mais uma característica do Código de Defesa do Consumidor o fato de se tratar de uma lei ordinária, e não complementar. O Código de Defesa do Consumidor é uma lei ordinária, assim como o Código Civil, por exemplo.

EXPLICANDO MELHOR

Algumas pessoas costumam confundir lei ordinária com lei complementar. Contudo, são leis completamente diferentes e, por este motivo, iremos elencar algumas das suas principais diferenças para que não restem dúvidas. Uma lei ordinária caracteriza-se pela generalidade do seu conteúdo, podendo tratar de quase toda a matéria. Sua única exceção são as matérias que são destinadas à lei complementar e os assuntos do congresso, câmara e do senado. O quórum de aprovação para a lei ordinária é por maioria simples, como bem expressa o Art. 47° da nossa Carta Magna. Já relativamente às leis complementares, estas tratam de assuntos que o legislador constituinte entende ser de importância fundamental e que obrigatoriamente devem ser regulamentados por lei complementar. Diferentemente da lei ordinária, o quórum de aprovação da lei complementar é por maioria absoluta, como bem expressa o Artigo 69° da nossa Constituição Federal.

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Como mais uma característica do Código de Defesa do Consumidor, podemos citar o fato de que é considerado um microssistema legislativo.

Vamos explicar. Quando falamos que uma das características do Código de Defesa do Consumidor é o de ser um microssistema legislativo, queremos dizer que se trata de uma norma jurídica que, em um único diploma, consegue abarcar várias outras disciplinas jurídicas, a exemplo de disciplinas que tratem de matéria civilista, penal, administrativo, entre outras.

Dessa forma, o Código de Defesa do Consumidor também pode ser considerado multidisciplinar, na medida em que consegue ser composto por diversas disciplinas, como as citadas anteriormente, gerando reflexos nos mais variados ramos do Direito. Ainda, o Código de Defesa do Consumidor possui como característica o fato de poder ser considerada uma lei de função social, na medida em que busca concretizar o já disposto na Constituição Federal, de maneira a garantir que a defesa do consumidor seja efetivada, objetivando um fim com base em valores e princípios fundamentais a todo e qualquer Estado Democrático de Direito.

Inclusive, convém destacar que a importância do Código de Defesa do Consumidor também se apresenta no sentido de que, em caso de conflito entre normas do Código Civil e do Código de Defesa do Consumidor, por exemplo, deverá ser aplicada a norma que for mais favorável ao consumidor, dado a sua vulnerabilidade e necessidade de proteção dentro do nosso ordenamento jurídico.

Por isso, o Código de Defesa do Consumidor estará sempre dialogando com outras normas jurídicas. Contudo, em virtude das suas características até então aqui já apresentadas, referido Código deve buscar sempre concretizar e efetivar a proteção do consumidor, posto que tal proteção é um direito fundamental expresso em nossa Carta Magna.

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RESUMINDO

A análise acerca das principais características do Código de Defesa do Consumidor permite compreender de que maneira referido Código está estruturado e o porquê de assim o ser. Entendemos ser o Código de Defesa do Consumidor uma norma de ordem pública, e quais implicações que isto possui, a exemplo da possibilidade de atuação de ofício por parte do juiz em caso de observância de alguma cláusula abusiva. Ainda, analisamos de que maneira o Direito do Consumidor atua como uma norma principiológica, na medida em que se trata de uma lei de interesse social e, por este motivo, possui uma função social.

Por fim, foi possível verificar algumas outras características igualmente importantes, como o fato de ser considerado um microssistema jurídico e multidisciplinar, abarcando diversas áreas do direito e gerando reflexos nestas áreas.

Esperamos que você tenha compreendido tudo e absolvido todas estas características. Mas, não paramos por aqui.

Vamos nos aprofundar ainda mais no Código de Defesa do Consumidor, conhecendo agora um pouco mais sobre as partes e os objetos da relação de consumo. E então? Pronto para continuarmos? Avancemos juntos!

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Partes e objeto da relação de consumo

OBJETIVO

Ao término deste capítulo você será capaz de entender quais os elementos que caracterizam uma relação de consumo.

Entender as partes e o objeto da relação de consumo é de grande importância na medida em que a partir da correta visualização de que se tenha presente todos os elementos, poderemos então dizer que estamos diante de uma relação de consumo e, assim, ser regido pelo Código de Defesa do Consumidor. Esperamos que você consiga ser capaz de trilhar a relação aqui estabelecida entre as partes e o objeto a fim de compreender a importância destes em uma correta validade de uma relação de consumo. Preparado? Vamos juntos conhecer um pouco mais sobre tais elementos.

Figura 3 – Consumo

Fonte: Pixabay,

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Sobre o consumidor

Antes de adentrarmos nas partes e no objeto da relação de consumo, será necessário, primeiro, entender do que se trata uma relação de consumo, levando em consideração que o Código de Defesa do Consumidor irá atuar e reger justamente tais relações consumeristas.

Contudo, como iremos observar no decorrer do estudo, o próprio Código de Defesa do Consumidor não apresenta de maneira explícita qual seria o conceito de relação de consumo, indicando apenas alguns dos seus elementos que formariam essa relação, quais sejam: seu sujeito e objeto.

Com relação ao sujeito como elemento da relação de consumo, leva em consideração o fato de que seja necessário que em um dos polos da relação esteja o fornecedor e, em contrapartida, do outro lado esteja a parte mais vulnerável da relação, o consumidor. Relativamente ao objeto, refere-se ao produto ou serviço prestado. Portanto, a relação de consumo estará relacionada diretamente com esses dois elementos, os sujeitos da relação e o objeto da relação consumerista.

Esses elementos da relação de consumo podem ser, ainda, entendidos como elementos subjetivos e elementos objetivos.

Considerando o que foi exposto acima, os elementos subjetivos seriam justamente as figuras do consumidor e do fornecedor, enquanto que os elementos objetivos seriam o produto ou serviço prestado.

Em outras palavras, para que estejam presentes os elementos subjetivos, é necessário que haja um consenso entre o fornecedor e o consumidor, na medida em que ambas as partes irão celebrar um acordo.

Da mesma forma, para que os elementos objetivos estejam presentes, há a necessidade de que determinado produto ou serviço esteja em causa a fim de que possa ser estipulado um negócio jurídico entre as partes envolvidas, sendo esse objeto ou serviço o objeto central para a formalização do vínculo jurídico.

Como foi possível perceber, não há necessariamente um conceito específico do que seja uma relação de consumo, mas a presença de elementos que assim o caracterizam. Por este motivo, para que determinada situação possa ser caracterizada como uma relação de

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consumo, será necessário que os elementos aqui elencados estejam presentes, na medida em que a falta de qualquer um desses elementos irá descaracterizar a relação consumerista.

Apesar do Código de Defesa do Consumidor não trazer o conceito do que seria essa relação de consumo, ele traz em sua legislação o conceito de consumidor, consumidor este que pode ser o consumidor padrão ou o consumidor por equiparação.

É de suma importância a compreensão do conceito de consumidor sobretudo porque o âmbito de aplicação do Código de Defesa do Consumidor irá levar em consideração justamente a delimitação desse conceito. Assim, a correta delimitação do que venha a ser considerado consumidor permitirá que a relação jurídica de consumo se estabeleça de forma correta, bem como que possa ocorrer a devida aplicação do CDC em comento.

Como já mencionado, o Código de Defesa do Consumidor não adota tão somente um único conceito de consumidor. Há quatro tipos de consumidores possíveis que são previstos na legislação consumerista, todos os quatro integrados as situações nas quais determinada pessoa poderá usufruir da proteção oferecida pelo Código de Defesa do Consumidor.

Nessa perspectiva, o consumidor padrão está previsto no Art. 2º, caput do CDC, enquanto que o consumidor por equiparação apresenta- se no parágrafo único do referido artigo ora mencionado. Vejamos:

Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.

Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo. (BRASIL, 1990, grifo nosso)

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Inclusive, sobre esse mesmo tema cumpre destacar que igualmente equiparam-se a consumidor todas as vítimas do evento, como prevê o Artigo 17.º e 29.º, respectivamente, do Código de Defesa do Consumidor.

Art. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento.

*

Art. 29. Para os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam- se aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas nele previstas

EXPLICANDO MELHOR

Importante ressalvar que o tipo de consumidor previsto no parágrafo único do Artigo 2°, bem como os consumidores apresentados nos artigos acima transcritos, tratam-se de consumidores por equiparação e, por este motivo, são mais amplos e genéricos.

Inclusive, a respeito da possibilidade de o consumidor ser pessoa jurídica, já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça relativamente ao tema, adotando a teoria finalista pela qual há a necessidade de comprovação da vulnerabilidade da pessoa jurídica para que esta possa se enquadrar no conceito de consumidor previsto no artigo acima supracitado. Sobre referido entendimento, temos o seguinte julgado:

CONSUMIDOR. DEFINIÇÃO. ALCANCE. TEORIA FINALISTA.

REGRA. MITIGAÇÃO. FINALISMO APROFUNDADO.

CONSUMIDOR POR EQUIPARAÇÃO. VULNERABILIDADE. 1. A jurisprudência do STJ se encontra consolidada no sentido de que a determinação da qualidade de consumidor deve, em regra, ser feita mediante aplicação da teoria finalista, que, numa

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exegese restritiva do art. 2º do CDC, considera destinatário final tão somente o destinatário fático e econômico do bem ou serviço, seja ele pessoa física ou jurídica. 2. Pela teoria finalista, fica excluído da proteção do CDC o consumo intermediário, assim entendido como aquele cujo produto retorna para as cadeias de produção e distribuição, compondo o custo (e, portanto, o preço final) de um novo bem ou serviço. Vale dizer, só pode ser considerado consumidor, para fins de tutela pela Lei nº 8.078/90, aquele que exaure a função econômica do bem ou serviço, excluindo-o de forma definitiva do mercado de consumo. 3. A jurisprudência do STJ, tomando por base o conceito de consumidor por equiparação previsto no art.

29 do CDC, tem evoluído para uma aplicação temperada da teoria finalista frente às pessoas jurídicas, num processo que a doutrina vem denominando finalismo aprofundado , consistente em se admitir que, em determinadas hipóteses, a pessoa jurídica adquirente de um produto ou serviço pode ser equiparada à condição de consumidora, por apresentar frente ao fornecedor alguma vulnerabilidade, que constitui o princípio-motor da política nacional das relações de consumo, premissa expressamente fixada no art. 4º, I, do CDC, que legitima toda a proteção conferida ao consumidor. 4. A doutrina tradicionalmente aponta a existência de três modalidades de vulnerabilidade: técnica (ausência de conhecimento específico acerca do produto ou serviço objeto de consumo), jurídica (falta de conhecimento jurídico, contábil ou econômico e de seus reflexos na relação de consumo) e fática (situações em que a insuficiência econômica, física ou até mesmo psicológica do consumidor o coloca em pé de desigualdade frente ao fornecedor). Mais recentemente, tem se incluído também a vulnerabilidade informacional (dados insuficientes sobre o produto ou serviço capazes de influenciar no processo decisório de compra). 5.

A despeito da identificação in abstracto dessas espécies de vulnerabilidade, a casuística poderá apresentar novas formas

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de vulnerabilidade aptas a atrair a incidência do CDC à relação de consumo. Numa relação interempresarial, para além das hipóteses de vulnerabilidade já consagradas pela doutrina e pela jurisprudência, a relação de dependência de uma das partes frente à outra pode, conforme o caso, caracterizar uma vulnerabilidade legitimadora da aplicação da Lei nº 8.078/90, mitigando os rigores da teoria finalista e autorizando a equiparação da pessoa jurídica compradora à condição de consumidora. 6. Hipótese em que revendedora de veículos reclama indenização por danos materiais derivados de defeito em suas linhas telefônicas, tornando inócuo o investimento em anúncios publicitários, dada a impossibilidade de atender ligações de potenciais clientes. A contratação do serviço de telefonia não caracteriza relação de consumo tutelável pelo CDC, pois o referido serviço compõe a cadeia produtiva da empresa, sendo essencial à consecução do seu negócio.

Também não se verifica nenhuma vulnerabilidade apta a equipar a empresa à condição de consumidora frente à prestadora do serviço de telefonia. Ainda assim, mediante aplicação do direito à espécie, nos termos do art. 257 do RISTJ, fica mantida a condenação imposta a título de danos materiais, à luz dos arts. 186 e 927 do CC/02 e tendo em vista a conclusão das instâncias ordinárias quanto à existência de culpa da fornecedora pelo defeito apresentado nas linhas telefônicas e a relação direta deste defeito com os prejuízos suportados pela revendedora de veículos. 7. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 2012)

A necessidade de que fique comprovado a vulnerabilidade coaduna com o que estabelece o próprio Art 5.º da Constituição Federal, ao prezar por um sistema mais protetivo ao consumidor, estando a vulnerabilidade de forma implícita nessa necessidade de proteção e que pode ser observado no Art. 4º, I, do CDC:

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Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: (Redação dada pela Lei nº 9.008, de 21.3.1995)

I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo. (BRASIL, 1990)

Diante do exposto, é possível perceber que essa variedade, no que diz respeito ao conceito de consumidor, é uma forma de buscar proteger cada vez mais a parte que, comprovadamente, se mostre a mais vulnerável na relação de consumo. Inclusive, convém ressaltar que essa proteção ao consumidor não é observada apenas na fase contratual, mas, também, durante a fase pré-contratual e pós-contratual, como veremos mais detalhadamente em unidade própria. Vamos agora para uma breve análise acerca de outro elemento dessa relação de consumo:

o fornecedor.

Do fornecedor

Tratando agora do que pode ser considerado como fornecedor, o Código de Defesa do Consumidor apresenta referido conceito em seu Artigo 3°:

Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. (BRASIL, 1990)

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É bem verdade que tal conceito não é tão amplo como o conceito de consumidor, fazendo com que não haja interpretações diversas sobre o conceito de fornecedor, dado sua delimitação suficientemente precisa no artigo acima mencionado.

Se pararmos para analisar com atenção, chegamos à conclusão de que o conceito de fornecedor busca abarcar todas as pessoas que, de alguma forma, forneçam algum tipo de oferta de determinado produto ou serviço no mercado de consumo. Assim, possuem uma maior abrangência, incluindo até os entes despersonalizados, por exemplo.

EXPLICANDO MELHOR

Quando falamos em entes despersonalizados, estamos nos referindo a uma coletividade de seres humanos ou de bens que não possuem personalidade jurídica própria.

Podemos citar como exemplos grupos de consórcio, grupos de convênio médico, massa insolvente (empresário individual), entre tantos outros.

Convém ressaltar o fato de que o conceito de fornecedor apresentado pelo Código de Defesa do Consumidor inclui, ainda, as pessoas jurídicas de direito público, nomeadamente quando da prestação de serviços públicos. Assim, quando o Estado, por exemplo, presta um serviço, de forma indireta ou direta, poderá ser configurado uma relação de consumo. A jurisprudência confirma tal entendimento:

AGRAVO DE INSTRUMENTO – Indenização por acidente sofrido em passarela por pedestre. Existência de relação de consumo entre a concessionária que presta o serviço e o pedestre. Não há regra exigindo que a contraprestação pelo serviço prestado seja feita pela própria pessoa que irá usufruí- lo. REGRA A SER CONSIDERADA QUANDO DA VALORAÇÃO DA PROVA, NÃO NO CURSO DO Processo. Inversão do ônus

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da prova. HONORÁRIOS PERICIAIS. Artigo 33 do Código de Processo Civil. Devido pela parte que requereu a prova.

Recurso provido em parte. (TJSP, 2001)

O conceito de fornecedor atribuído pelo Código de Defesa do Consumidor buscou concentrar esse conceito levando em consideração a atividade de prestação, e não necessariamente a natureza desta. Dessa forma, não leva obrigatoriamente em consideração se é uma produtora, uma construtora, por exemplo, para configurá-la como fornecedora, mas, ao contrário, leva em consideração a atividade de prestação quando aos serviços. Assim, passa a ser fornecedor aqueles que estão envolvidos na produção, montagem, criação quando da prestação de algum tipo de serviço.

Por isso, pode haver aquele tipo de fornecedor que participa do processo de fabricação de determinado produto, como também pode existir um tipo de fornecedor que apenas coloca o produto no mercado, sem que necessariamente tenha participado desse processo de produção, por exemplo. Por isso vale a pena ficar atento a esses detalhes!

Do produto e serviço

Depois de analisado alguns dos principais aspectos acerca dos elementos que compõem a relação de consumo, iremos agora nos debruçar um pouco sobre o objeto da relação de consumo. Nesse aspecto, o Código de Defesa do Consumidor considerou como objeto dessa relação de consumo tanto os serviços oferecidos no mercado, como também os produtos que circulam nesse mercado de consumo.

Algumas pessoas costumam confundir quando estamos nos referindo a um serviço ou a um produto. Contudo, precisamos analisar o núcleo do vínculo que está sendo estabelecido entre o consumidor e o fornecedor. Quando o núcleo desse vínculo se tratar de uma obrigação de dar, estaremos diante de um produto. Entretanto, quando o núcleo

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desse vínculo se tratar de uma obrigação de fazer, estaremos diante de um serviço.

Podemos extrair do art. 3°, parágrafo 1° e 2°, respectivamente, o que o Código de Defesa do Consumidor conceituou como sendo produto e serviço. Vamos observar o que preconiza referidos parágrafos:

Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.

§ 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.

§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. (BRASIL, 1990)

Especificamente com relação ao produto, resta claro que trata-se de um conceito amplo, que não leva em consideração qualidades especiais de produtos, por exemplo. Mas, resta claro que podemos considerar produto como sendo qualquer bem que tenha valor econômico e que seja do interesse do homem, na medida em que irá compor uma relação de consumo.

Relativamente no que se refere aos serviços, também foi caracterizado pelo Código de Defesa do Consumidor de maneira ampla, abrangendo os mais variados tipos de relação que pudessem configurar a prática de um serviço, a exemplo as de caráter bancário e financeiro, com a única exceção apenas das relações trabalhistas. Inclusive, é muito válida a inserção de maneira específica as atividades de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, por exemplo, pois assim não resta

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dúvidas de que o Código de Defesa do Consumidor também se aplica a esses tipos de serviços.

Merece destaque, ainda, o fato de que o conceito de serviço gira em torno da necessidade de que tal serviço seja remunerado, como bem preconiza o parágrafo segundo do Artigo 3° acima transcrito.

Assim, observando que uma relação jurídica possui o intuito de fornecer determinado produto ou serviço e, obedecendo aos requisitos de que os elementos do fornecedor e consumidor estejam presentes, estaremos diante de uma relação de consumo que será regida pelo Código de Defesa do Consumidor.

RESUMINDO

E então? Conseguiu compreender tudo acerca dos elementos e do objeto da relação de consumo?

Caracterizá-los se torna imprescindível para podermos analisar a existência ou não de uma relação de consumo.

Como vimos durante o capítulo, não há de forma explícita um conceito que defina o que se entende por relação de consumo. Contudo, após identificados e caracterizados os elementos e o objeto, podemos, assim, entender o que se entende por uma relação de consumo. Ou seja, é de suma importância que saibamos caracterizar o que seja consumidor, fornecedor, bem como compreender o que se entende por produto e serviço, na medida em que todos estes conferem validade a uma relação de consumo.

Preparado para continuar aprendendo um pouco mais sobre o papel da globalização nas relações consumeristas?

Vamos lá!

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O papel da globalização na relação consumerista

OBJETIVO

Ao término deste capítulo você será capaz de compreender um pouco mais a respeito do avanço e desenvolvimento da globalização, bem como algumas de suas principais características, a fim de tornar possível a compreensão de como a globalização influencia na relação consumerista.

Ainda, aprenderemos um pouco mais sobre o novo tipo de consumidor que está presente nos dias atuais, e de que maneira ele se relaciona com esse desenvolvimento da globalização.

Por fim, destacaremos de que maneira o capitalismo tem influenciado em uma sociedade cada vez mais consumista, apresentando alguns aspectos importantes e que merecem atenção. Esperamos que você consiga fazer as pontes necessárias para entender de que maneira a globalização tem influenciado não apenas na relação consumerista, mas, sobretudo, no novo modelo de consumidor que temos nos dias atuais. E então? Vamos juntos!

Sobre a globalização

Como já se sabe, a globalização tem sido um fenômeno de integração social, econômica e cultural bastante presente em nossa sociedade nos dias atuais. Mas o efeito de globalizar não pertence tão somente a atualidade. Desde o século XV, ainda no período mercantilista, o fenômeno da globalização já podia ser observado entre as nações europeias, que estavam em busca de novas terras e riquezas, oportunidade na qual, naturalmente, aconteciam trocas econômicas e culturais entre diferentes povos.

Por este motivo, não podemos atribuir o fenômeno da globalização apenas para os dias atuais, pois se trata de um processo de integração

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que não é definitivo, mas, ao contrário, está em constante expansão.

Assim, não há necessariamente um conceito que possa definir de maneira específica o que se entende por globalização, mas são diversos fatores e características que acabam por formar o que se entende por globalização.

E, uma dessas características, como já mencionado aqui, é justamente o fato da globalização estar em constante processo de evolução e transformação.

Assim, podemos citar alguns outros marcos importantes quando do surgimento do fenômeno da globalização, a exemplo da Revolução Industrial e da Segunda Guerra Mundial, posto que foram dois grandes marcos que intensificaram ainda mais todo esse processo, fazendo com que a globalização econômica ganhasse ainda mais força durante esses períodos.

ACESSE

Para entender um pouco mais sobre como a Revolução Industrial influenciou no processo de globalização, há um filme que retrata de maneira muito didática o que aconteceu naquele período. Tempos Modernos é um filme mudo, lançado em 1936, dirigido por Charlie Chaplin.

O personagem principal do filme tenta sobreviver no mundo moderno que estava cada vez mais industrializado, fazendo uma dura crítica ao capitalismo na época, apresentando como os trabalhadores eram submetidos a cargas exorbitantes de trabalho, sem qualquer tipo de descanso, mediante maus tratos, fazendo com que os funcionários estivessem cada vez mais sobrecarregados.

Essa era a realidade daquele período diante da evolução do capitalismo e suas consequências desumanas no que se refere à classe trabalhadora, refletindo as condições de trabalho no mundo pós-moderno. Vale a pena assistir ao filme e tentar fazer essa ponte da revolução industrial, aumento do capitalismo e desenvolvimento da globalização.

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Dessa maneira, a globalização econômica passa a ganhar cada vez mais destaque e, consequentemente, os mercados de diferentes países passam a interagir cada vez mais, fazendo com que, inclusive, as indústrias de um país sintam a necessidade de se instalarem em outros países como forma de conseguir responder às necessidades dos seus consumidores.

Em ato contínuo, o avanço da tecnologia propiciou um desenvolvimento ainda maior no processo de globalização. Ora, passamos a ter sistemas de comunicação cada vez mais modernos, capazes de diminuir cada vez mais a distância entre os países, entre as pessoas e, para além disso, facilitava o acesso dos consumidores aos produtos que lhes eram ofertados. Dessa forma, a integração econômica e cultural entre diferentes países ficava cada vez maior, estando o mundo cada vez mais conectado.

Para entender um pouco mais do papel da globalização da relação consumerista, vamos apresentar algumas das principais características da globalização a fim de que não reste dúvidas da forma como este fenômeno contribuiu – positiva e/ou negativamente – nas relações de consumo.

Assim, como já discutido anteriormente, a globalização estreita as relações econômicas entre os países, na medida em que uma das maiores características desse fenômeno de globalização é justamente o surgimento de empresas transnacionais.

EXPLICANDO MELHOR

Quando falamos em surgimento de empresas transnacionais como uma das principais características da globalização, nos referimos ao fato de que as empresas transnacionais são aquelas empresas que mantêm sua sede em um país já desenvolvido, mas, também atuam com filiais em outros países que estejam em desenvolvimento. É uma forma de expandir seus negócios para além da mão de obra barata e muitas vezes até isenção de impostos fornecida em alguns desses países ainda em desenvolvimento como forma de estimular que tais empresas se firmem nestes países, gerando empregos e girando ainda mais a economia.

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Para além da integração econômica entre os países, outra característica marcante da globalização é uma maior interação sociocultural entre eles. O fenômeno da globalização acaba permitindo que tenhamos contato com outras culturas, outras formas de ver e vivenciar o mundo, e determinados hábitos que não necessariamente seriam ‘normais’ para nós, passam a fazer parte do nosso dia a dia em virtude do processo de globalização. A tecnologia permite que as pessoas, mesmo longe, mergulhem em culturas e hábitos diferentes e, muitas vezes, sintam-se parte disso, de maneira que a globalização interfira nesses aspectos socioculturais de outros países.

É perceptível, portanto, que a globalização permita que as pessoas tenham um maior acesso a produtos e serviços, com mais opções e variedades ao seu dispor. Inclusive, o fato de outros países se comunicarem mais e buscarem se desenvolver em outros locais, faz com que haja uma maior abertura comercial, permitindo que os preços sejam melhor negociados e o consumidor possa ter acesso a produtos de melhor qualidade e com um preço mais em conta. Ainda, o fato de surgirem mais empresas transnacionais faz com que países ainda em desenvolvimento recebam mais investimentos, acelerando esse processo de desenvolvimento, bem como melhorando o relacionamento entre os países considerando a troca de culturas e costumes.

Mas, apesar de destacarmos aqui duas marcantes características da globalização bem como alguns dos seus pontos positivos, ainda que de maneira introdutória, há de se destacar também alguns pontos negativos presentes nesse processo de globalização. Da mesma forma que países em desenvolvimento podem receber mais investimentos e geração de empregos em virtude da presença de empresas transnacionais, pode haver também uma maior competitividade com as próprias empresas dos países desenvolvidos, fazendo com que as empresas dos países em desenvolvimento arquem com custos muito mais altos de produção quando comparados aos custos das empresas de países já desenvolvidos e com maior experiência no mercado de consumo.

Podemos destacar o fato de que junto com o processo de globalização e a necessidade cada vez maior de uma produção mais eficaz, o desenvolvimento tecnológico faz com que esse processo de produção acabe ficando nas mãos dos robôs e das máquinas, como forma de otimizar

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