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EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS DO ESTADO DE GOIÁS.

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Rua 68, nº 727, Centro, Goiânia–GO - CEP: 74055-100 - Fone / Fax: 3216-62.43 - www.tcm.go.gov.br/mpc/

EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS DO ESTADO DE GOIÁS.

Autos nº 00967/16

O Ministério Público de Contas dos Municípios do Estado de Goiás, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 94, III, da Lei Orgânica do TCM/GO (Lei Estadual nº 15.958/07) e pelo art. 115, III, do Regimento Interno do TCM/GO (Resolução Administrativa nº 73/09), vem à presença de Vossa Excelência opor EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, nos termos do art. 39, §1º, da Lei Orgânica do TCM/GO e do art. 218 do Regimento Interno do TCM/GO, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:

I- DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Legitimidade do Ministério Público de Contas dos Municípios

A legitimidade desta Procuradoria de Contas para o manejo dos presentes embargos exsurge do art. 39, § 1º, da Lei Orgânica do TCM/GO (Lei Estadual n.°

15.958/07), bem assim do artigo 94, III, do mesmo diploma legal, norma que prevê a competência do Procurador de Contas para interpor os recursos permitidos em lei.

No mesmo sentido, o art. 219 do Regimento Interno desta Corte prevê que os embargos de declaração poderão ser opostos pelos Procuradores de Contas.

- Do cabimento

Em relação aos Embargos de Declaração, o art. 39 da Lei Orgânica do TCM/GO dispõe que:

Art. 39. Cabem Embargos de Declaração quando houver obscuridade, omissão ou contradição em acórdão ou resolução emitido pelo Tribunal.

§ 1º Os Embargos de Declaração poderão ser opostos por escrito pela parte, pelos Conselheiros, Auditores, Auditores Substitutos ou Procuradores de Contas, dentro do prazo de dez dias, contados a partir da intimação da decisão recorrida, facultado ao Presidente do Tribunal o exame das excepcionalidades.

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§ 2º Os Embargos de Declaração suspendem os prazos para cumprimento do acórdão ou resolução embargados e para interposição dos demais recursos previstos nesta Lei.

§ 3º Conforme o caso, poderá ser dado aos embargos de declaração efeito infringente.

§ 4º Os Embargos de Declaração opostos no recurso de Agravo de que trata o art. 43-A desta lei tem efeito suspensivo.

Os presentes aclaratórios se fundamentam na omissão verificada no Acórdão nº 05071/2019, uma vez que a peça decisória, por meio de fundamentação per relationem, se resumiu a acatar as conclusões da Especializada, prescindindo da análise das razões veiculadas pelo Parquet de Contas no Parecer nº 3271/2018. Tem-se, portanto, que a decisão proferida pelo TCM/GO é omissa, fato que fragiliza sua fundamentação jurídica.

Importante aduzir, ainda, que, ao deixar de apreciar a argumentação deduzida pelo Ministério Público de Contas, o Tribunal Pleno não enfrentou tese suficiente para infirmar as conclusões que sustentam o acórdão embargado, abstenção que revela insuperável vício de fundamentação, na esteira do que preleciona o art. 489, §1º, IV, do Código de Processo Civil1.

- Da tempestividade

Nos termos do mencionado art. 39, §1º, da Lei Orgânica do TCM/GO, os Embargos de Declaração podem ser opostos no prazo de 10 (dez) dias, contados da intimação da decisão recorrida.

O Acórdão objeto do pedido de integração foi publicado no dia 09/07/2019, conforme Certidão n° 08512/19, expedida pela Superintendência de Secretaria desta Corte.

Presente, portanto, o requisito temporal para que o Ministério Público de Contas maneje os Embargos de Declaração, já que a protocolização da presente peça ocorreu dentro do lapso estabelecido pela norma de regência.

1 Art. 489. São elementos essenciais da sentença:

I – (...);

§ 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que:

I – (...);

IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; (...).

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II - DAS RAZÕES FÁTICAS E JURÍDICAS

A questão em causa guarda relação com o registro do ato de aposentadoria de Neldiçom Gomes de Abadia no cargo de Agente de Manutenção Mecânica, Classe V, referência 13-M.

Após o enfrentamento da matéria nas fases que antecederam os presentes embargos, a Secretaria de Recursos manifestou-se pela legalidade do registro do ato concessório de aposentadoria, incorporando-se aos proventos parcela vencimental denominada Vantagem Pessoal Incorporada, aplicando-se ao caso a regra extraída do art.

1º da Lei nº 3.348/15.

De outro lado, o Ministério Público de Contas discordou do posicionamento da Unidade Técnica, uma vez que a permissão de incorporação de vantagem variável à remuneração do servidor em atividade fora incluída no texto legal apenas em momento posterior à aposentadoria do servidor Neldiçom Gomes de Abadia, motivo que impediria a aplicação da norma ao seu caso. Em destaque:

No caso em comento, todavia, entende-se que não pode ser aplicada tal previsão. É que a nova redação do art. 1º, da Lei 3.348/15, ao permitir que servidores tenham "a verba incorporada em sua remuneração em atividade"

obviamente não se aplica aos que já se aposentaram. Em outras palavras, é impossível que um servidor já aposentado tenha uma verba incorporada à sua remuneração em atividade exatamente porque não está mais em atividade.

Esta Corte de Contas, entretanto, por meio do Acórdão nº 05071/2019, acompanhou as recomendações da Secretaria de Recursos e decidiu pela legalidade do registro de aposentadoria do servidor, aderindo à controversa tese de regularidade da incorporação da parcela variável aos proventos.

O Conselheiro Relator, cujo voto foi acompanhado pela maioria dos demais Conselheiros, apresentou a seguinte fundamentação:

PROPOSTA DE VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR

Vistos e relatados os presentes autos, esta Relatoria acata o parecer da Secretaria de Recursos, manifestando-se, pois, conhecer o presente recurso, para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO para considerar LEGAL o ato de concessão de aposentadoria voluntária com proventos integrais ao Sr.

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NELDIÇOM GOMES DE ABADIA (CPF: 165.159.511-91), ocupante do cargo de Agente de Manutenção Mecânica, Classe V, Ref. 13–M, conforme Portaria n. 0586/16, de 07.01.2016, fls. 75, fase 01, editada pela Sra. Dalzira Rosa de Paula Moraes, então presidente do Fundo de Previdência Social do Município de Goianésia.

Por todo o exposto, esta Relatoria vota no sentido de que seja adotada a minuta do Acórdão ora submetida ao seu colegiado.

- Da omissão na fundamentação do Acórdão

O trecho acima destacado deixa evidente que o acórdão embargado fora construído, através de motivação aliunde, com fundamento único nas ponderações apresentadas pela Secretaria de Recursos. A relatoria dos autos reproduziu em seu voto a íntegra da manifestação da Especializada, reservando ao Parecer do Ministério Público de Contas apenas breve referência, sem qualquer tratativa acerca de seu conteúdo.

No ponto, necessário repisar que, ao ignorar os argumentos apresentados pelo Parquet de Contas, o julgador contraria regra inscrita no art. 489, § 1º, IV, do Código de Processo Civil, aplicável aos feitos desta Corte por força do art. 15 do mesmo diploma2 e do art. 271 do Regimento Interno do TCMGO3.

In litteris:

Art. 489. São elementos essenciais da sentença:

I – (...);

§ 1º - Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que:

I – (...);

IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; (...).

Sobre o assunto, apresenta-se oportuno o seguinte ensinamento da doutrina:

De nada adianta, entretanto, que o legislador confira inúmeras ferramentas para maximizar a completude do material probatório se, na hora de valorar a prova, o juiz puder simplesmente “pescar” provas nos autos, sem dever de motivar o porquê da consideração de uma prova em detrimento de outra. Sói ocorrer no foro, por exemplo, que uma testemunha 1 diga X e a testemunha 2

2 Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.

3 Art. 271. Aplicam-se subsidiariamente no Tribunal as disposições do Código de Processo Civil em vigor, no que couber e desde que compatíveis com a sua Lei Orgânica e seus atos normativos do Tribunal.

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diga não-X, mas o magistrado, em sua decisão, diga somente que, já que a testemunha disse que X, então é de se concluir que X.

Os deveres de motivação analítica implicam, portanto, que o magistrado analise todas as provas dos autos capazes de, em tese, infirmar as conclusões de sua decisão. Novamente, trata-se de entendimento no sentido de que os deveres de motivação analítica não dizem respeito somente às questões de direito, mas também às questões fáticas. (Enunciados FPPC - Fórum Permanente de Processualistas Civis organizados por assunto, anotados e comentados. Coordenador: Ravi Peixoto. Salvador: JusPodivm, 2018, p.

385/386).

O vício de fundamentação ora explorado por esta Procuradoria de Contas constitui pressuposto suficiente para a interposição dos presentes embargos de declaração, ensejando seu conhecimento por esta Corte. Recorre-se, mais uma vez, ao Código de Processo Civil que, em seu art. 1.022, de maneira expressa caracteriza os vícios de fundamentação como espécie de omissão passível de embargos para fins de integração da decisão. In verbis:

Art. 1022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para:

I- esclarecer obscuridade ou eliminar contradição;

II- suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento;

III- corrigir erro material.

Parágrafo único. Considera-se omissa a decisão que:

I- (...);

II- incorra em qualquer das condutas descritas no art. 489, §1º. - grifou-se A previsão do dispositivo acima anotado é reforçada pela doutrina, de onde parte robusta opinião no sentido do cabimento dos embargos de declaração como medida saneadora da fundamentação deficiente dos atos decisórios, consoante elucida o fragmento a seguir:

Igualmente, há presunção de omissão na decisão em que for constatada fundamentação deficiente, assim entendida aquela que desrespeite o comando do art. 489, §1º, do novo CPC, o qual traz extenso rol de situações que configurarão ausência de motivação do pronunciamento judicial.

(…)

Veja, por exemplo, o inciso IV do §1º do art. 489, que dispõe que será considerada não fundamentada a decisão que “não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador”. (…) Não o fazendo, poderá a parte interpor embargos de declaração, fundados em expressa previsão legal. (Comentários ao novo Código de Processo Civil. Coordenação: Antonio do Passo Cabral e Ronaldo Cramer – 2ª ed. rev., atual. e ampl. - Rio de Janeiro: Forense, 2016, p. 1533)

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Diante de toda a argumentação acima consignada, é imperativo que esta Corte, em atenção ao postulado do devido processo, conheça dos presentes embargos e delibere acerca dos argumentos deduzidos pelo Ministério Público de Contas no Parecer nº 3271/2019, superando, assim, a omissão que macula o Acórdão nº 05071/2019.

III - PEDIDOS

Ante o exposto, o Ministério Público de Contas requer:

a) preliminarmente, que o Presidente do TCM/GO, nos termos do art. 39, §1º, da Lei Orgânica desta Corte, receba os presentes Embargos de Declaração, tendo em vista o preenchimento dos requisitos de admissibilidade exigíveis;

b) quanto ao mérito, que o Tribunal Pleno do TCM/GO, nos termos do art. 218 do Regimento Interno, julgue procedentes os Embargos de Declaração para integrar o Acórdão nº 05071/2019, de forma a suprir a omissão consistente na ausência de fundamentação, procedendo-se a um novo julgamento, que apresente motivação analítica das razões fáticas e jurídicas aduzidas pelo Parquet de Contas no Parecer nº 3271/2019.

Termo em que, pede deferimento

Ministério Público de Contas, Goiânia, 09 de julho de 2018.

HENRIQUE PANDIM BARBOSA MACHADO Procurador de Contas

Rafael

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