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Rev. Bras. Hist. vol.27 número53

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Academic year: 2018

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APRESENTAÇÃO

De uma cidade, não aproveitamos as suas sete ou setenta e sete maravilhas, mas a resposta que dá às nossas perguntas.

Ítalo Calvino

Decorre da proposta de Calvino o esforço dos historiadores no sentido de colocarem perguntas pertinentes ao mundo urbano. Assim, o presente número da Revista Brasileira de Históriadedica-se a perscrutar algumas entre as múltiplas acepções do tema em questão.

Os estudos históricos sobre as cidades vêm acompanhando as significativas mudanças do seu objeto, ao mesmo tempo em que procuram desvendar o crescimento das tensões urbanas. Desta forma, a produção historiográfica busca decifrar as cidades e suas representações, recuperando múltiplas experiências urbanas vivenciadas de forma fragmentada, diversificada e contrastante.

As cidades se impõem como desafios aos historiadores que visam entender seus emaranhados de enigmas, de representações, de tempos, de espaços e de memórias. Sob a sua materialidade fisicamente tangível, descortinam-se ‘cidades análogas invisíveis’, com tramas de memórias e de esquecimentos do passado, contendo impressões recolhidas ao longo das experiências urbanas. Nas cidades estabelecem-se conflitos e tensões, solidariedades e acolhimentos, mobilidade e enraizamento, planificação e representações, tudo envolto em confrontos infindáveis que redimensionam incessantemente o pulsar urbano. É dentro desse universo de significados que a Revista Brasileira de História, em seu 53º número, pretende movimentar-se.

Dessa forma, os artigos do presente dossiê percorrem caminhos variados, contando inicialmente um valioso texto introdutório de Sandra Jatahy Pesavento, “Cidades visíveis, cidades sensíveis, cidades imaginárias”, que nos oferece reflexões sobre questões e perspectivas da produção historiográfica.

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de Mello Doin e Humberto Perinelli Neto; “Limites da utopia: cidade e modernização no Brasil desenvolvimentista (Florianópolis, década de 1950)”, de Reinaldo Lindolfo Lohn; “Carrosséis urbanos: da racionalidade moderna ao pluralismo temático (ou territorialidades contemporâneas)”, de Maria Bernardete Ramos Flores e Emerson César de Campos, e “O processo de urbanização paulista: a medicina e o crescimento da cidade moderna”, de Márcia Regina Barros da Silva.

As sensibilidades urbanas emergem particularmente focalizadas em “A cidade como sentimento: história e memória de um acontecimento na sociedade contemporânea — o incêndio do Gran Circus Norte-Americano em Niterói, 1961”, de Paulo Knauss, e em “Os dramas da cidade nos jornais de São Paulo na passagem para o século XX”, de Valéria Guimarães, assim como estiveram presentes nos relatos das crônicas da imprensa analisadas em “Cajuína e cristalina: as transformações espaciais vistas pelos cronistas que atuaram nos jornais de Teresina entre 1950 e 1970”, de Francisco Alcides do Nascimento.

Análises sobre imagens e paisagens da cidade aparecem na maioria dos artigos, mas em especial nos de Zita Rosane Possamai, que privilegiou Porto Alegre em “Narrativas fotográficas sobre a cidade”, e de Charles Monteiro, “Imagens sedutoras da modernidade urbana: reflexões sobre a construção de um novo padrão de visualidade urbana nas revistas ilustradas na década de 1950”, como também no enfoque das vilas do ouro por Alexandre Mendes Cunha, em “Espaço, paisagem e população: dinâmicas espaciais e movimentos da população na leitura das vilas do ouro em Minas Gerais ao começo do século XIX”.

Além dessas variadas experiências urbanas, ‘outras histórias’ foram focalizadas nas análises de Edwar de Alencar Castelo Branco e Francisco José Gomes Damasceno, respectivamente em “Táticas caminhantes: cinema marginal e flanâncias juvenis pela cidade” e “As cidades da juventude em Fortaleza”.

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